Carlos Alberto Gonçalves
REGNVM
À minha esposa Cristina, pela paciência e encorajamento...
Ao G. Irm:. :. B:., meu pai, Irmão e amigo, pelas lições de
humildade e grande sabedoria...
A todos os Irm.'. do P .'. L.'., que me possibilitaram a
criação de um novo e edificante projeto de vida no qual se
incluem: F.F.'., F.C: e F.P:..
Aos meus pais e a todos os meus irmãos; uma família unida e
sempre presente...
Ao meu duplamente Irm:. M.S.G.'. por propiciar o tempo e a
tranquilidade necessários à realização desse Trabalho.
Sumário
Prefácio
Apresentação
"Regnvm" - Palavras Iniciais
Preâmbulo - Do Seixo ao Cosmos
I - O Conhecimento Oculto
II - A Ordem do Templo
III - A Santa Madre Igreja
IV - Ordens Solares e Ordens Lunares - Maçonaria e
Religião
V - A Importância da Correta Interpretação dos
Símbolos, Mitos e Lendas
VI - A Origem do Mal
VII - A Gênese da Maçonaria Secreta e sua Influência
VIII - Desenvolvimento e Declínio do Ideário
Maçônico
IX - O Cristianismo Hoje
X - A Família e a Sociedade no Séc. XXI
XI - Como nos Tempos das Cruzadas
XII -"O Regnvm"
XIII – Conclusões
"Regnvm"
Prefácio
A Maçonaria, em que pese toda a propaganda no
sentido contrário, tem sido mais poderosa como
imagem pública do que propriamente como
instituição, em razão de uma série de equívocos que,
uma vez instalados no seio da Ordem, se tornaram
vícios que a infeccionaram de tal forma que hoje ela
parece ser totalmente profana. Isso se deve a uma
confusão que até mesmo nós, os Irmãos da Ordem,
cometemos: E preciso parar de confundir Maçons e
Maçonaria.
A partir dos anos 30 (séc. XX), quando a Maçonaria
americana começou a ser utilizada como ferramenta
de influência da Política imperialista dos EEUU,
chamada de "Boa Vizinhança", nossos Irmãos do Norte
nos levaram a aceitar mudanças tão radicais no
funcionamento da Ordem que ela se descaracterizou
completamente e isso em toda a América Latina.
Deixamos de trabalhar os valores internos dos
homens e passamos a trabalhar as suas aparências,
deixamos de selecionar Candidatos pelo caráter e
passamos a escolhê-los pelas suas riquezas, deixamos
de influenciar positivamente os acontecimentos do
País e passamos a ser escravos deles, entregando
nossa consciência de homens livres e de bons
costumes ao flutuar das conveniências.
Nem por isso a Maçonaria deixa de ser o que é.
Felizmente existem entre nós homens rigorosamente
na contramão desta daninha modernidade pragmática,
que pretendem que ela retome o seu papel de
vanguarda da mudança e de porta-archote da
verdadeira luz, trabalhando intensamente para esse
fim. Sentindo a necessidade desta retomada, o Irmão
Carlos urdiu com rara sabedoria um manifesto pela re-
novação e reconstrução da Maçonaria, a partir do qual
este livro, que tenho a honra de prefaciar, acabou
nascendo.
Para entender a Ordem é preciso conhecer sua
história e suas raízes, até mesmo porque os Maçons
atuais, sem serem impulsionados para o estudo e a
reflexão, acabam por tornar suas Lojas em meros
clubes de serviço ou grupos de encontro social. Uma
obra como o REGNVM chega na hora certa, porque
revela a nós Maçons tudo aquilo que nos forma e nos
torna o que realmente devemos ser, servindo para
reacender em cada um de nós a luz que anda
bruxuleando e enfraquecendo sem que isto seja
percebido. Só o conhecimento verdadeiro pode servir
de combustível para esta iluminação tão necessária.
O Irmão Carlos Alberto Gonçalves, estudioso da
Ordem e da Filosofia, soube fazer isso muito bem; o
que ele revela nesta obra pode e deve tornar-se o
arcabouço mínimo do que cada Maçom verdadeiro
trará dentro de si, mostrando-nos o que realmente
somos, afastando-nos das aparências e reencontrando
nossa essência, recuperando nossos valores indi-
viduais e colocando-nos novamente a serviço da
Humanidade.
Liberdade, Igualdade e Fraternidade! Essas palavras
que têm ficado, a cada dia, mais vazias, podem
recuperar sua força e se transformar, novamente, nas
ferramentas através das quais os Maçons retornem à
Verdadeira Maçonaria. Sem valores individuais não
existe forma de haver qualquer trabalho coletivo e,
nesse aspecto, o REGNVM nos revela os ingredientes
a serem trabalhados e reformulados dentro de cada
um. Aí sim, poderemos confundir Maçons e
Maçonaria, porque estaremos perfeitamente unidos e
direcionados para a mudança no rumo da
Humanidade, nunca antes tão necessária e nunca
antes tão necessitada de nossos esforços coerentes.
O REGNVM será, tenho certeza, um divisor de águas
na história da Maçonaria, porque nunca antes nosso
verdadeiro papel foi tão claramente explicado e
defendido. Aqui está uma suma de todo o pensamento
maçônico, revelado de maneira coerente e direta, e
cuja compreensão possibilitará fazer da Ordem a
verdadeira ferramenta de reconstrução do novo
edifício social, em cujo frontão estará gravado para
sempre o nosso dever: "Tornar feliz a Humanidade,
combatendo Despotismos, Ignorância, Preconceitos e Erros,
defendendo o Direito, a Justiça e a Verdade, através dos
eternos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade".
Não é pouca coisa, mas cada Maçom se comprometeu
a este trabalho. Se o Grande Arquiteto do Universo
nos deu o projeto do Universo perfeito, cabe a nós
construí-lo. O REGNVM nos revela "como", "por que"
e, principalmente, "com o que" fazer isto, e um
Maçom fatalmente será transformado pelo que aqui
está revelado.
Zé Rodrix
São Paulo, 1º de maio de 2009.
Apresentação
Em apoio a muitos pontos de vista e contrário a outros
tantos, o autor tece aqui uma rede de pensamento que
adentra as muitas formas de pensar e compreender o que
está escrito, sem desejar apenas polemizar para criar um
movimento. A intenção compreensível na inteireza do
trabalho está justamente no estímulo de propor aos seus
leitores refletirem sobre o que foi e está escrito.
Todas as características por ele aqui propaladas estão de
alguma forma entranhadas nos escritos diários e cotidianos
dos livros de autoconhecimento e religião.
O que objetiva o autor é situar-se dentro desse contexto
global em que as informações chegam imediatamente e
muitas vezes truncadas, baseando-se em estudos que foram
feitos em períodos cujas informações chegavam lentamente
e algumas vezes de maneira deturpada, seja pela transcrição,
tradução ou mesmo pela inconsistência de autores nacionais
e estrangeiros. Muitos conceitos não foram repassados como
escritos originalmente, dando o autor a interpretação pessoal
e conceitual da época vivida.
Conjecturas á parte, o livro fala, como o título diz, do poder
real das coisas.
Geralmente a tradução do que pensamos estará diretamente
ligada ao que temos arquivado na memória desde a mais
tenra idade, facilitando ou dificultando a nossa forma de
estabelecermos um conceito, seja ele passageiro ou não.
O autor nos desafia a sair da inércia e discutirmos questões
que têm sido temas em praticamente todas as instituições
filosóficas e sociais.
A Ordem Maçônica sempre teve nas "Instruções" e no
"Tempo de Estudo" um de seus diferenciais, onde cada
Irmão tem o direito e a liberdade de conduzir o seu
pensamento. Se assim não o faz, precisa rever o Ritual.
A Maçonaria está embasada no tripé: Liberdade, Igualdade e
Fraternidade, ou seja, toda a forma de pensar é amparada e
aceita, porque cada pessoa tem conceitos próprios e o seu
arquivo particular de conhecimento que deverá sempre ser
respeitado.
Os Editores
Londrina, junho de 2009
Uma digressão sintética não hipócrita e não demagógica
sobre a espiritualidade ocidental
Regnvm - Palavras Iniciais
Os segredos da fé não devem ser divulgados a todos...
É necessário velar com o mistério a sabedoria expressa...
(Stromateis)
Não há muito tempo, lembro-me de ter produzido
uma Prancha sob o título "O Grande Segredo", que
não tinha mais do que três ou quatro folhas, e versava
sobre o suposto grande segredo maçônico. Seu
objetivo inicial era a apresentação de um Trabalho
destinado a um seminário específico, obrigatório para
todos os Mestres que estavam em vias de ser
Instalados como Veneráveis Mestres em suas
Oficinas. Lembro-me, ainda, que o Trabalho foi, após
sua apresentação, distribuído para todos os Irmãos do
3o Grau para que pudessem apreciá-lo e, prin-
cipalmente, para que fossem motivados à pesquisa e
ao estudo.
Recentemente, relendo alguns textos que tenho por
"mania" escrever pelas madrugadas afora, dadas as
minhas características notívagas que, com certas
dificuldades, consigo conservar, deparei-me com a
Prancha em questão e, ao analisá-la, percebi que
trazia em si inúmeras possibilidades de
desdobramento.
O assunto é polêmico e fascinante, porém, requer a
tomada de certas posições que nos levam a conclusões
que, muitas vezes, não agradam a todos; lida, também,
com alguns "velhos altares" de uma maneira, nem
sempre, muito branda. Em verdade, tais assuntos
demandariam uma obra de muitos volumes sem que
se pudesse esgotá-los, no entanto, essa breve
digressão nos conduz a uma profunda reflexão sobre
nossa, auto-consentida, condição de Maçons.
No que implica essa condição, quais os seus riscos,
quais as grandes responsabilidades que, juramentados,
assumimos e, principalmente, quais as nossas
qualificações para levar a termo nossos deveres e
obrigações relacionados a essa condição, são temas os
quais devemos, obrigatoriamente, compreender para
que nos tornemos Maçons conscientes.
Enfim, inserções aqui, complementações ali, alguns
enxertos sobre assuntos correlatos para melhor
elucidação e ilustração dos vários pontos nele focados
e eis que um Trabalho, de três ou quatro folhas,
acabou por transformar-se em um pequeno opúsculo,
uma digressão breve e muito sintética que convida os
Irmãos à pesquisa para ratificar ou, até, retificar o que
nela está exposto.
O texto foi escrito, inicialmente, de um só fôlego,
sem divisões ou subtítulos, daí estar mais para uma
digressão, como se representasse um discurso sem
interrupções, onde um assunto se liga a outro e o foco
da narrativa, por sua vez, viaja por terras, épocas
diferentes e, até, pelo que é subjetivo, metafísico,
esotérico. Ressalte-se que o texto continua
extremamente sintético, não apresenta grandes
detalhamentos e não tem nenhuma "pretensão"
científica, histórica ou literária.
Ao focalizar um determinado tema, o texto cita um
ou dois fatos que o corroboram e segue adiante,
repetindo a operação, sucessivamente, até as suas
conclusões. E como se um "Fio de Ariadne" ligasse
esses assuntos, aparentemente dissociados, e nos
convidasse a montar um "Quebra-cabeças".
O texto penetra diversas "ante-salas", abrindo suas
portas para que nelas os Irmãos possam adentrar,
contudo, em cada uma delas, várias outras estarão
fechadas, prontas para se abrirem àqueles cujo inte-
resse seja despertado ou, para aqueles outros que
manifestem vocação à pesquisa, à obtenção de
conhecimentos e à observação do homem e do
universo.
Ao final dessa digressão optei por instituir alguns
subtítulos e atribuí-los a algumas poucas seções que o
compõem, para facilitar a leitura. No entanto, os
Irmãos poderão perceber que todas essas seções
estarão interligadas entre si, como se nada houvesse
entre elas.
Impus a mim mesmo, quando fui Iniciado na
Maçonaria, a missão de provocar e estimular meus
Irmãos ao estudo e à pesquisa: Qual a natureza dessa
Sublime Ordem? Qual o seu ideário? Qual sua função
essencial dentro da espiritualidade ocidental? De onde
veio? Quem são os Maçons? Qual a sua história? E
suas intenções? Qual a função, o significado e a razão
dos Ritos, Símbolos, mitos e lendas? E do seu
Templo? Da sua liturgia? Afinal, os Maçons sabem
mesmo onde estão? Será que são, realmente, capazes
de realizar o que a Sublime Ordem deles espera? Que
visão têm eles do mundo e da humanidade e qual sua
relação e compromisso com eles? Qual sua relação e
seu compromisso com a espiritualidade? E com Deus?
Minhas posições podem parecer simplistas demais,
porém, a observação do mundo acaba por se tornar
simples, desde que o olhemos pelo prisma adequado,
que considera o objetivo e o subjetivo, a física e a
metafísica, a história e as intenções por trás dos fatos
históricos e, assim por diante. Sem esse complemento
subjetivo, o conhecimento restringe-se, tão somente,
ao efeito, não considerando a causa; tal conhecimento
pode ser muito extenso, porém, será sempre linear,
superficial.
Por paradoxal que possa parecer, o conhecimento
objetivo (concreto) leva à análise e,
conseqüentemente, à diversidade (divisões,
desmembramentos); já o conhecimento subjetivo
(abstrato) conduz à unidade e à síntese, daí sua
simplicidade. Uma vez em equilíbrio, a "linguagem"
torna-se objetiva; a narrativa "afirma", não se
perdendo, salvo necessárias exceções, em
demonstrações e divagações, simplificando, dessa
forma, a exposição.
Coloco aqui meus pontos de vista, mas não espero
que concordem com eles. Muitos são de natureza
intelectual, portanto, totalmente falíveis, outros têm
base puramente intuitiva, alguns são fruto de
experiências pessoais, outros, ainda, são tipicamente
visionários. Logo, são todos tão provisórios quanto
tudo o que há nesse mundo de relatividade em que
vivemos; o absoluto reside em uma outra esfera. No
entanto, procurei não perder de vista, por nenhum
momento, os preceitos da "Tradição Sagrada". É
importante que cada Irmão estude, pesquise e conclua
por si mesmo e, ainda assim, mantenha a mente
sempre aberta para novas informações e sensações
que, com o tempo, irão enriquecer e lapidar esse
conhecimento.
Thoth - Divindade Egípcia
Thot ou Hermes.
Segundo Platão: O pai da geometria e dos números
À exceção de termos maçónicos, não foram utilizados
aqui termos ou nomenclatura próprios de correntes
específicas de pesquisa. Utilizei-me, portanto, de
palavras e expressões que, na minha visão, se prestam
melhor a determinadas definições, dentro de um
universo de pesquisa que incorpora centenas de
correntes e onde, um mesmo fenômeno, comporta
uma nomenclatura que inclui dezenas de termos
diferentes.
A Ciência Oculta, em si, não é o objeto desse
Trabalho, mas sim, o resultado de sua aplicação por
homens preparados para tal. Por ser de natureza
abstrusa, essa deve merecer um trabalho específico,
que deve começar, sempre, pelos seus passos mais
básicos e elementares. Talvez, no futuro, eu me
arrisque a escrever sobre isso, hoje, não me atreveria
a tanto. Porém, como uma indicação aos Irmãos, eu
diria que, apesar de sua natureza oculta, seus efeitos
podem ser observados (por todos aqueles que tiverem
a sensibilidade aguçada), em qualquer manifestação ou
fenômeno natural, incluídos aí, o pensamento e a
vontade do homem.
E interessante saber, a título de mera ilustração, que o
universo (o macrocosmo) encontra correspondência
no homem setenario (o homem completo - o
microcosmo) e, também, no próprio corpo físico do
homem, através de seus plexos, órgãos, glândulas,
membros, sistema sensorial, etc., de sorte que o
processo evolutivo exige que todas essas instâncias do
homem sejam postas em harmonia com a frequência,
a respiração e o ritmo cósmicos.
O que importa, em realidade, é ampliarmos o foco
que normalmente utilizamos para a observação das
coisas propiciando, dessa forma, uma visão integral da
"coisa observada", que inclua todos os seus aspectos,
sejam eles objetivos, sejam eles subjetivos.
Em suma, os Irmãos poderão perceber que realmente
há um Grande Segredo Maçónico, no entanto, ficará
tácito que esse segredo não se destina a ser
conhecido, mas sim, a ser vivido, realizado.
Muito embora tenha sido concebido, inicialmente,
para a leitura por Maçons, este opúsculo, na medida
em que progride em sua argumentação, acaba por
focar assuntos e princípios que são da maior rele-
vância a todos, indistintamente, sejam Maçons, não
Maçons, religiosos, filósofos, buscadores e, enfim, a
todo ser humano interessado em ter uma "vaga" ideia
do complexo mecanismo em que se encontra inserido
e pelo qual vive, manifesta-se e atua no mundo
objetivo. Além disso, possibilita o acesso ao
propósito, à razão mesma, dessa existência ou
manifestação.
Não bastasse isso remete, ainda, a um objetivo que se
encontra impresso no próprio DNA do homem; um
programa que ainda jaz, latente, pelos labirintos do
inconsciente humano, mas que não tardará em
manifestar-se, conscientemente, com toda força e
vigor: a realização da grande nação humana; o
"Regnum".
Considero essa digressão uma "pequena viagem", não
só pelo seu tamanho ou por constituir uma síntese,
mas, também, pelo horário em que foi concebida,
onde pesquisas, sensações e experiências realizadas ao
longo de anos, tiveram que ser mentalmente
revisitadas e reviradas, mesmo que para compor um
pequeno item, ou para dar sentido a alguns poucos
outros. Por essa forma, desejo a todos que nela
embarcarem, um belo e profícuo passeio.
Carpe Diem Irm.'. G.'.
Preâmbulo — Do Seixo ao Cosmos
Vivenciamos a nós mesmos, nossos pensamentos e
sentimentos, como algo separado do resto; uma espécie de
ilusão de ótica da consciência.
(Albert Einstein)
Um facho de luz branca incide sobre um prisma de
cristal. Ocorre, então, uma decomposição dessa luz
em 3 reflexos principais e mais 4 secundários,
totalizando 7 reflexos, conhecidos, também, como as
sete cores do espectro. Cada cor assim obtida
corresponde a uma determinada vibração que, por sua
vez, conduz, ainda, a um determinado som ou nota na
escala musical; pronto!
Em poucas linhas descrevemos todo o processo inicial
de criação de um Universo e de tudo o que nele
existe.
Torna-se oportuno dizermos que o processo em
questão comporta, por lógico, infinitos
desdobramentos que, no entanto, não cabem nos
objetivos do presente texto.
O conhecimento intelectual, mesmo de assuntos
abstratos e de natureza espiritual e oculta, constitui
fator preponderante para a sua compreensão, porém
nunca isoladamente, dada a sua grande limitação.
Deve, portanto, sempre estar associado ao
desenvolvimento de outras faculdades capazes de
apreender e perceber a verdade onde quer que ela se
encontre.
Iremos, portanto, sem nos perdermos nos labirintos
da metafísica e das ciências ocultas, usar o "numeral
da criação", conforme o explícito no primeiro
parágrafo e que corresponde ao número sete, para
estabelecer uma associação muito criativa e simples,
porém, portadora de uma grande verdade e de uma
grande força.
Ao nos referirmos à nossa amada Mãe Terra, no
desenrolar de todo esse Trabalho, classificando-a
como nossa nutriz e responsável por nossa
manifestação objetiva, não estaremos usando, em
absoluto, uma linguagem poética ou uma simples
parábola, mas expressando a mais completa e
intrigante verdade.
A Terra é um ser vivo que, como nós, tem espírito,
alma e um corpo físico. E uma grande Vida planetária
na qual existimos, nos movemos e temos o nosso ser.
Representa uma vasta Consciência que abarca a tudo o
que se encontra em evolução nesse seu Universo, em
particular.
Da mesma forma, um sistema solar é o corpo físico de
uma outra e mais abarcante Consciência (na qual a
própria Terra encontra-se inserida): a do Logos Solar.
E assim, ao infinito, vemos a formação da hierarquia
cósmica, com sistemas girando em torno de centros
maiores e mais abarcantes e representando sempre,
no nosso nível vibracional, os corpos de manifestação
dessas grandes Vidas, cujas Consciências não nos é
possível compreender e cujos corpos físicos mais
sutis, nosso mecanismo sensorial não é capaz de
captar.
Imaginemo-nos andando calmamente por um
caminho de terra batida, desses simples encontrados
em localidades do interior, onde a lua faz a
iluminação natural e a pureza do ar permite ver o
firmamento ponteado por miríades de astros e
estrelas. De repente topamos com um pequeno seixo
bem à nossa frente, como se lá estivesse colocado de
forma cuidadosa e intencional. Nós o pegamos com
cuidado e nos sensibilizamos com sua simplicidade e
pequenez diante daquele gigantesco e radiante
espetáculo celeste.
Agora vejamos, a vida vem à evolução por meio de
emanações do Logos Solar (através dos seus três
aspectos ou trindade) onde o campo de trabalho
(força-matéria) é estabelecido e a vida (Essência
Monádica) inicia seu caminho evolucionante.
Essa vida-energia que evolui em tudo o que existe, ao
adentrar na matéria planetária tem seu caminho de
evolução de forma descendente, vivificando o plano
mental superior (1ª essência elemental) por um
"determinado período". Por iguais períodos, a
emanação vivificará o mental inferior (2a essência
elemental) e o plano astral (3a essência elemental).
Ao descer ao plano físico-químico/vital, a emanação
estará encerrada no mais denso da matéria física. O
efeito dessa nova vivificação é dar aos elementos
químicos o poder de se agregarem. Por essa forma, se
constitui a matéria física tal e qual a conhecemos.
É pela ação desse aspecto do Logos (vida-energia) que
aparece o reino mineral, preparado para construir os
invólucros ou formas destinados a sua manifestação,
conforme o plano evolutivo que prevê a trans-
formação da vida-energia em vida-consciência.
Aos nossos olhos, assim como o pequeno seixo do
caminho, o mineral é inerte e sem vida, no entanto, a
vida-energia do Logos ali está, em plena atividade, tal
qual nos representa o simbolismo que diz: "Deus está
morto e enterrado, crucificado numa cruz de
matéria".
Seguindo seu inexorável caminho a vaga de vida
animará, ainda, os reinos vegetal e animal (agora já
em percurso ascendente), colhendo, a exemplo do
que já realizou anteriormente, toda a experiência
possível a cada reino incorporado, em suas diversas e
infinitas possibilidades.
Como vimos, a vida evolucionante percorreu, até esse
ponto, desde a sua entrada na matéria planetária (A
Grande Mãe), seis estágios de evolução, quais sejam:
três essências dementais e três reinos naturais
(mineral, vegetal e animal).
Nesse ponto, de passagem do 6º para o 7º estágio (do
3º para o 4º reino da natureza) ocorre uma grande
síntese. Toda a experiência acumulada nesse grande
caminho percorrido pela onda de vida evolucionante
é sintetizada, não mais na experiência de um grupo,
mas na de um indivíduo: o Homem.
Para tanto, através do Logos Solar, uma terceira
emanação é enviada, um fragmento, uma Mônada,
para criar uma individualidade num corpo causal que,
imediatamente, inicia sua evolução em direção à
divindade. Agora não mais temos a evolução da vida-
energia, mas da vida-consciência. O Homem é agora o
Logos do seu próprio sistema setenário.
Vale salientar que a Mônada humana não procede
diretamente do Logos Solar; ela vem à manifestação
através dele. Tanto a Mônada humana quanto a
Mônada logóica tem, como origem, um único e
mesmo ponto, ou seja, procedem de uma mesma
fonte. Logo, seu único diferencial é o fator "Tempo"
(que em realidade não existe, no entanto, o em-
pregamos aqui para facilitar o entendimento).
Quando o Homem, o indivíduo (a alma espiritual),
galgar pelo aperfeiçoamento de sua consciência os
três estágios superiores do reino humano, quais
sejam, o Homem Real, o Homem Perfeito e o Homem
Divino (4 reinos + 3 estágios superiores = 7) tornar-
se-á uma consciência cósmica, capaz de empreender
novos estágios evolutivos que o conduzirão à
condição de animar um planeta, um sistema solar e
daí por diante.
Por tudo que de forma muito sintética aqui falamos,
pode-se depreender que há uma origem comum e um
grande fio que a tudo liga, tudo une e nos coloca em
pontos diferentes de um mesmo e único caminho, o
que nos torna, de fato, Irmãos.
Não há, portanto, poesia, mas a mais pura expressão
da verdade quando ouvimos, aqui e acolá, belas frases
citando-nos o Irmão Sol, a Irmã Lua, a Irmã Terra (no
nosso caso, Mãe/esposa/Irmã).
Da mesma forma que somos responsáveis pela
evolução dos reinos que nos são inferiores e que nos
servem, iniciando já pela cessão planetária de nossos
corpos físico, emocional e mental, sequenciados pelos
reinos mineral, vegetal e animal, que nos nutrem com
sua substância e nos ajudam com o seu trabalho,
aquelas supra-consciências, que já estão muito à
frente do nosso presente estágio, cuidam da nossa
evolução, nos orientando e nos instruindo. No
entanto, elas necessitam e esperam, também, nossos
esforços na realização do trabalho e dos serviços que
nos cabem para a perfeita consecução do plano de
evolução em curso em todo o Universo.
Assim, quando formos capazes de olhar para trás, para
o pequeno e bucólico caminho de terra batida, e
fitarmos o pequeno seixo, compreendendo a sua
natureza e amando-o como a um irmão menor,
teremos a certeza absoluta de que não será por
ousadia, mas por direito, que ao olharmos para frente
e para o céu, como individualidade humana, po-
deremos fitar as miríades de astros e estrelas
cintilantes que lá habitam e, ao levantarmos nossa
mão direita em sua direção, exclamarmos: "Eu vos
saúdo, Irmãos...".
I — O Conhecimento Oculto
A espiritualidade é universal;
ela toca todos os seres do nosso Mundo;
ela se inicia no homem,
onde a luz da inteligência e da reflexão,
começa a apontar.
(Littré)
A atração causada pelo mistério, desde os primórdios
da humanidade, é fato mais do que comprovado.
Essa atração, se assim pode ser definida, movimenta
bilhões de pessoas, quer em cultos religiosos, seitas,
quer em buscas movidas pela simples curiosidade de
obter algumas respostas, quer nos movimentos
filosóficos, enfim, pelas multivariadas formas capazes
de satisfazer a essa necessidade que todos têm
intrinsecamente, muito embora nenhuma delas leve a
qualquer lugar próximo da Verdade, haja vista serem
concebidas pela mente humana.
O mundo é sustentado pelo mistério; não há limite para o
infinito
(Aghi Yoga).
Com o advento da moderna sociedade ocidental
capitalista e do excessivo materialismo que a
caracteriza, o homem passou a concentrar sua busca
pela "Verdade" no próprio mundo objetivo, para ele,
o único mundo real e tangível. Entretanto, a
"Verdade" é algo de uma outra natureza e só pode ser
encontrada em esferas de percepção e realização que
escapam aos nossos sentidos e cuja compreensão está
acima de nossa capacidade intelectual concreta. O
resultado dessa ilusória empreitada, portanto, acabou
por conduzir o homem a um grande "vazio"; um vazio
que não se preenche com nenhum bem, valor ou
conquista, pertencentes a esse mesmo mundo de
materialidade em que ele vive e se expressa.
Analogamente, é como se o homem tentasse,
desesperadamente, caminhar em direção ao horizonte
na esperança de alcançá-lo; ou ainda, perseguisse
tenazmente o vento, na tentativa de capturá-lo e
aprisioná-lo para si. Grande ilusão!
A vida encerra um valor em si mesma. O homem
deve vivê-la, portanto, momento a momento, minuto
a minuto, do seu início ao seu termo. Não há no fim
dessa aventura um bem glorioso ou uma verdade
formidável a sua espera. Essa expectativa só traz
ansiedade e desvia a atenção do homem do seu
caminho e dos passos necessários à sua conclusão.
Isso nos remete à história de um monge tibetano que,
após doze horas de trabalho manual minucioso,
pacientemente realizado no chão, com areia colorida
e de forma ininterrupta até o último "grão", tomou
imediatamente de uma vassoura e passou a varrê-lo,
para desespero de uma pequena "assistência" que por
ali se encontrava. No local havia um belo dragão,
multicolorido, perfeito nos traços, nas cores e nas
proporções, cobrindo uma área de vários metros
quadrados. Indagado do "porquê" daquela estranha
atitude, o religioso respondeu: - "O trabalho já está
consumado, portanto, acabou; logo, seu único sentido
esteve presente na oportunidade e na alegria em
poder realizá-lo".
O que se quer dizer é que, a obra acabada não traz,
em si mesma, qualquer significado; seu verdadeiro
valor e sua real importância, portanto, estão na
diligência e no esforço por realizá-la.
Aprecie plenamente a maravilha e a beleza de cada instante
(Yogananda).
Por não ter essa consciência e não conseguir sentir na
vida apenas mais uma etapa em sua jornada rumo à
verdade, o homem se viu vítima desse grande vazio.
A vida é agora. Nunca houve uma época em que a vida não
fosse agora, nem haverá
(Eckart Tolle).
Muito embora de forma inconsciente, esse "vazio"
que nele se instalou é análogo a um sentimento de
saudade, porém ele é inato. Em verdade o homem
sente falta do "Princípio" e não há nada que possa
interpor-se no caminho entre ele e sua origem
(destino).
Como consequência desse grande vazio, gerou-se uma
necessidade e foi essa mesma necessidade a
responsável pelo renascimento de um grande
interesse pelo mistério, pelo oculto e pelas coisas
espirituais. É como se algo que estivesse "represado"
por um longo tempo (a impossibilidade de expressão,
de pesquisa, a escravidão aos dogmas da igreja, a
constante secularização do mundo moderno, etc.), de
repente, estourasse seus limites de retenção e
transbordasse de forma incontrolável e, até mesmo,
desordenada; algo "não racional"; desequilibrado.
À vista de tão grande demanda, uma verdadeira
"enxurrada" de livros, revistas, filmes, vídeos e todos
os tipos de publicações possíveis tratam do assunto. É
claro que o interesse comercial em tão fascinante
mercado acaba por tornar-se a mola propulsora de
uma gigantesca e vantajosa indústria que, no entanto,
está muito pouco preocupada com a qualidade e,
principalmente, com a Verdade, infelizmente.
Como consequência assuntos sérios, vitais à
compreensão do universo e do próprio homem, são
de tal forma distorcidos, manipulados e dirigidos (e
aqui reside um grande perigo) que acabam, por um
lado, tornando-se vulgares e desacreditados chegando
a representar, muitas vezes, motivos para chacotas;
por outro lado, e o que é pior, levam à superstição, ao
fanatismo, à fascinação e à dependência, narcotizando
e escravizando mentes e obscurecendo a razão.
O crescimento explosivo de seitas, igrejas, grupos
"pseudo" esotéricos, núcleos de autoajuda e outros
afins, registrado atualmente no mundo atesta esse
desequilíbrio, oriundo dessa necessidade intrínseca
do homem (a crença em algo ou a procura de
respostas), situação essa que é habilmente explorada
por fanáticos e oportunistas.
Decorrente desses excessos e do período escatológico
em que vivemos é o aparecimento de uma quantidade
enorme de Guias, Mentores, Gurus e outros tipos de
salvadores do mundo, movidos pela já conhecida e
sempre reprovável "vaidade espiritual", onde uma
verdadeira guerra é estabelecida, entre ordens
espiritualistas, para saber em qual seio surgirá,
finalmente, o "avatar da nova era"; a partir daí,
milhares de outros livros são produzidos e, o que é
pior, avidamente lidos.
Não bastasse isso, uma verdadeira onda de
"orientalismo" invade o ocidente e se apresenta como
o que há de mais avançado em termos de práticas de
desenvolvimento espiritual para o homem ocidental
(referimo-nos aqui às culturas orientais milenares e
tradicionais, não às atuais, que se encontram
"ocidentalizadas" e, portanto, descaracterizadas).
Ledo engano!
Tudo há que ter sempre o justo equilíbrio e as
diferenças têm que ser ajustadas e compensadas.
Ainda assim, os resultados, que poderão até ser
positivos, o serão, no entanto, apenas de forma
relativa e se produzirão em uma menor magnitude,
quase e tão somente a nível filosófico ou, até mesmo,
psicológico, considerando-se que o homem oriental
(tradicional) e o homem ocidental representam polos
de naturezas, diametralmente, opostas em termos
culturais e espirituais.
Os orientais, como no seu melhor exemplo, o Tibet,
representam um dharma lunar (contemplação), os
ocidentais, um dharma solar (ação). O homem
oriental, já disciplinado, inicia suas atividades, ou
caminho espiritual, em geral, aos cinco anos de idade,
quando então se filia a algum monasterio. Via de
regra, a sociedade à qual pertence é organizada de
forma teocrática; seus hábitos são rigorosíssimos,
onde a pureza, o resguardo e a disciplina são
fundamentais e incluem, por exemplo, dentre outras
tantas diferenças básicas, a adoção do vegetarianismo.
De forma geral, sua vida tem uma conotação
estritamente filosófica e religiosa.
Já o homem ocidental trabalha de forma mais
concreta, vivendo e atuando nos mais diversos
segmentos da sociedade moderna, super povoando sua
mente com o trabalho, compromissos, projetos, pro-
dução, resultados, ciência, tecnologia, família,
subsistência, consumo, lazer, estresse, etc., e tem na
religião, mais ou menos, um fato social. Usa e abusa
da mente concreta! Enfim, vive, interfere e produz
no mundo, não fora dele, de sorte que, enquanto o
primeiro pode, perfeitamente, prescindir da proteína
animal, o segundo depende, visceralmente, dela.
Isso é apenas um único exemplo de inadequabilidade.
Com efeito, é muito interessante dedicar-se a práticas
orientais de equilíbrio e crescimento espiritual e isso
tem, até, o seu lado pitoresco, como o de observar
técnicas milenares assumindo ares de modismo e de
vanguarda, no entanto, em sua maioria, essas técnicas
só teriam eficácia (além do fator psicológico e do
combate ao estresse) se fosse possível transformar o
mundo e a cultura ocidentais em algo que se
encaixasse nos mesmos moldes "tradicionais" da, já
quase extinta, decadente e "ocidentalizada", cultura
oriental.
Isso seria, além de utópico, totalmente inadequado,
pois ambos os dharmas são, ainda, necessários e
complementares, nesse exato ponto da evolução
humana (não estamos nos referindo aqui aos aspectos
filosóficos e esotéricos que, à parte das diferenças
externas, são os mesmos e têm fundamento na
Tradição Sagrada).
Em resumo, podemos dizer que a aplicação de
determinado método ou exercício de equilíbrio ou
busca espiritual só produz efeitos em um homem que
já tenha, em sua constituição básica, cumpridas outras
tantas exigências ou pré-requisitos, próprios da
formação cultural, social e espiritual, inerentes a essa
determinada prática ou método. A aplicação de
semelhante método ou exercício em um homem que
não cumpra essas exigências ou pré-requisitos,
portanto, não conduz a lugar nenhum.
De forma geral, podemos dizer que o homem oriental
procura espiritualizar (purificar) a matéria, enquanto
que o homem ocidental trata de materializar
(exteriorizar) o espírito.
É fundamental, então, que se tenha muito
discernimento e que se busque orientação adequada
no trato desses assuntos e na escolha dessas
publicações ou métodos, quaisquer que sejam suas
naturezas, no intuito de evitar perda de tempo, de
energia e, principalmente, para precaver-se contra
um futuro estado de aborrecimento e frustração.
A utilização da palavra escrita ou falada no trato de
assuntos de natureza abstrata já é, de "per se", um
erro; não se pode definir o indefinível, tampouco
tornar finito o infinito tal e qual necessita nosso
intelecto (e sua lógica concreta) para ter compreensão
das coisas. Se tornarmos algo indefinível, definido ou,
então, algo infinito, finito, não estaremos mais,
certamente, falando sobre o mesmo assunto. Daí uma
expressão de uso comum no universo esotérico: - "A
letra que mata!" ou ainda: - "A letra morta!"
Pior do que não transmitir um conhecimento é
transmiti-lo de maneira inadequada; de outra parte,
pior do que não entender de um assunto é entendê-lo
de forma equivocada ou incompleta (neste caso,
dependendo de sua amplitude, certos equívocos
podem levar a resultados indesejados e até
desastrosos).
Mesmo assim, o conhecimento intelectual também é
importante, abre o caminho e há (como exceções)
boas publicações e bons títulos que podem dar
valiosos subsídios para os primeiros passos em direção
à Verdade, muito embora, para sua real apreensão,
seja necessária uma sensibilidade que vai muito além
do intelecto, lógico e limitado, próprio da
personalidade humana.
Ressalte-se, no entanto, que se excluindo essas raras e
honrosas exceções, todo o resto (incluindo aqueles
famigerados temas que nos garantem a obtenção de
poderes), não passa de lixo esotérico, fantasia
religiosa e misticismo vulgar.
As próprias escrituras consideradas "sagradas"
sofreram, ao longo do tempo, tantas modificações,
adaptações e manipulações visando atender a
interesses de grupos ou coletividades religiosas, que
não representam mais do que "sombras" do que já o
foram, prístinamente.
E importante ressaltarmos isso, haja vista que a
necessidade de solução dos mistérios da vida e a
incessante busca espiritual são inatas; não há como
reprimi-las.
Há, no entanto, um pequeno e sempre renovável
grupo de seres humanos que, ao longo de eras, detém
um conhecimento, uma ciência.
Essa ciência é, via de regra, transmitida de geração a
geração pela tradição oral (sem registro escrito) e,
também, por meio da linguagem dos símbolos (a
única capaz de reproduzir ideias abstratas). Esses
grupos, na medida da passagem do tempo, mudam de
designação (nome) e de roupagem adequando-se,
sempre, às condições de lugar. Em verdade, acabam
por representar um "testemunho vivo e perene" da
Tradição Primordial estando, de certa forma, ligados a
ela.
Essa ciência ou conhecimento é capaz de conduzir
esses homens, pelo menos, para a próxima etapa na
direção daquilo que procuram e que, relativamente ao
estágio geral da evolução humana, faz com que se
situem um pequeno passo adiante dos demais.
Sua apreensão só se faz individualmente, na esfera
mais íntima do "ser"; é uma ação subjetiva, daí a
denominação de conhecimento ou ciência ocultos.
De qualquer forma, por ser de natureza abstrata, está
fora do domínio do intelecto e, portanto, do mundo
objetivo.
O homem cresce, caminha, desperta, visita e explora
seu próprio interior e esse caminho, por óbvio, só
pode ser individual, haja vista ser impossível visitar
ou penetrar o íntimo de outrem (não confundir com
os fatos ou fenômenos psíquicos, que se situam muito
aquém da esfera iniciática); no entanto, o ser humano
se associa a outros, por afinidade de objetivos e
ideais, para criar uma atmosfera metafísica apropriada
para esse fim.
De posse dessa Ciência e após realizá-la em si mesmo,
embora atuando coletivamente, o homem fatalmente
será um líder natural, como aqueles poucos que
vemos citados pela história oficial, responsáveis pela
condução da humanidade, pelo desenvolvimento
científico, intelectual, filosófico e espiritual do
homem e pelos contornos da geografia política do
mundo.
Para se compreender isso é necessário estudar
detidamente o que se chama de "intra-história", ou
seja, a intenção por trás dos fatos, os bastidores da
história, o que se acha oculto ou subjacente a esses
fatos e acontecimentos históricos e suas relações.
Ver-se-á, então, que a grande maioria desses
luminares sequer é ou foi conhecida, porém, detinha
e ainda detém o controle dos "cordéis", ou seja,
comanda o grande espetáculo, o grande drama da vida
em evolução.
Ressalte-se, sempre, que esses homens desenvolvem
uma consciência que transcende o estado humano
comum, por essa razão, encontram-se acima das
necessidades, carências, paixões e instintos naturais
próprios da personalidade humana.
Com efeito, pela própria metodologia utilizada por
pesquisadores e historiadores acadêmicos, que tem
por base a avaliação de documentos e outros indícios
objetivos para a qualificação dos fatos históricos, a
atuação e a intenção desses grupos, por não deixarem
registros nem provas de qualquer espécie, ficam
sempre à margem da história, como simples
possibilidades, teorias ou meras deduções de natureza
intuitiva. Quando não, passam totalmente
despercebidas.
Para bons observadores, no entanto, até nesse âmbito,
que é subjetivo, pode-se notar que o homem
ocidental espiritualizado, diferentemente do oriental,
que por sua característica passiva (dharma lunar)
entrega-se, via de regra, ao retiro, à reflexão e à
contemplação, vive e atua no mundo, em todos os
setores da atividade humana, colocando sempre suas
elevadas possibilidades a serviço do bem-estar e do
crescimento de toda a humanidade (dharma solar).
E que conhecimento é esse?
É a Ciência da Vida; o conhecimento da causa de tudo
o que é manifesto na forma e do objetivo de sua
manifestação. É o conhecimento "Daquilo que É",
guardado pelas Ordens Iniciáticas Tradicionais, ou
seja, herdeiras da Tradição Sagrada Primordial
Absoluta e Imutável, portanto, de natureza supra-
humana. E o arquétipo, o modelo, a imagem que
constitui o propósito mesmo de todo o processo
evolutivo. É como a planta, o projeto do edifício a
construir.
É o grande tesouro dessas ordens que, através dos
séculos, foi confundido, pelos Profanos, com tesouros
materiais, tais como propriedades, ouro, pedras
preciosas, obras de arte e outras riquezas do gênero. E
o centro da idéia! A causa! O Princípio! O objetivo de
todo um ciclo planetário.
Imaginem, agora, esse objetivo como estando no
centro de um círculo (sendo o centro - o Princípio -
a causa e o círculo - o Universo - o efeito); a
humanidade, como rota evolutiva, caminha, então,
como um todo, do perímetro ao centro, em forma de
um espiral ascendente
(frequência), o que remete à imagem de círculos
concêntricos cujos raios vão se reduzindo, na medida
em que se aproximam do seu objetivo (rosca-sem-
fim), em um movimento contínuo que se estende ao
longo de eras (iniciações raciais).
A Ciência Iniciática, por outro lado, representa um
atalho nessa jornada evolutiva da raça humana, onde
o trajeto rumo ao centro se faz pelo caminho do raio,
ou seja, o caminho mais curto entre o perímetro e o
centro do círculo (a causa; o Princípio).
Esse caminho, no entanto, só é possível para poucos
indivíduos dadas as enormes dificuldades que se
impõem àqueles que, conscientemente, desejam
trilhá-lo; somente aqueles previamente preparados
podem predispor-se à empreitada. Diz-se desse
percurso iniciático que, uma vez tomada a decisão e
iniciado o caminho, é impossível retroagir e, ainda,
que seu trajeto é tão estreito, difícil e perigoso quanto
caminhar sobre o "fio da navalha", de sorte que, do já
reduzido número dos que conseguem iniciar essa
jornada, apenas alguns poucos logram levá-la a termo
(análogo à lenda dos cavaleiros em busca do Graal,
onde a maioria perece no caminho, sendo o objetivo
conquistado, apenas, pelo mais puro).
Do propósito deste "atalho", trataremos mais adiante.
E importante salientar que não devemos entender a
palavra "Tradição" por seu sentido vulgar, de algo que
se repete com certa constância ou de tempos em
tempos, tais como, jogos, festivais, festas, etc., mas
sim, por um quadro arquétipo que se repete
humanidade após humanidade, mundo após mundo,
até que o esquema de evolução se complete e o
complete. É de natureza superior.
Nos últimos séculos associa-se a Maçonaria à posse
desse tesouro descomunal (Tradição Ocidental),
herdeira que é desse conhecimento iniciático que
transita entre grupos altamente seletos (ordens
solares) desde que o mundo é mundo e que a ela foi
legado pelos seus últimos guardiões: os Pobres
Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão
(Templários), apesar das controvérsias.
II — A Ordem do Templo
A verdade é filha do tempo....
Não vemos como necessária a abordagem, aqui, da
história dessa Ordem monástica medieval, haja vista
que esse relato já é sobejamente conhecido e bastante
explorado, tanto pelos meios acadêmicos, como fora
deles. No entanto, procuraremos nos focar naquilo
que escapa ou transcende aos "fatos históricos"
convencionalmente conhecidos.
E óbvio que tudo que envolve as atividades de uma
Ordem que deteve, em sua época, grande influência e
poder, uma incontável fortuna e, ainda, um enorme
prestígio, atrelado ao fato de representar a mais
poderosa máquina de guerra do mundo medieval, está
envolto em uma aura de grande mistério e
romantismo.
Aquilo que o método historiográfico não cogita
representa, justamente, o ponto focal do interesse
maior que a Ordem desperta, à parte dos seus feitos e
de suas conquistas. Qual a verdadeira finalidade dessa
Ordem monástica (oficialmente sujeita a uma regra e
subordinada, diretamente, ao papa) e quais as
atividades subjacentes ou ocultas por trás desse véu?
Quais as suas verdadeiras intenções?
Segundo o historiador Juan G. Atienza ("O legado
templário"):
Há um mistério templário, com ou sem permissão da
autoridade historiográfica competente. Mistério que só cabe
explicar recorrendo às também misteriosas intenções do
Templo para com o mundo em que surgiu. Certas intenções
de poder omnímodo que, para alcançá-las, contava, em
princípio, com sua dupla condição de instituição religiosa e
de comunidade guerreira, o que fazia da Ordem o modelo
idôneo para levar a cabo a guerra santa, defensora máxima
de uma teocracia em que os homens de Deus, os
predestinados da Providência, tinham permissão sacrossanta
para matar e para impor sua lei e sua ordem (o que a Igreja
jamais atribuiu a si oficialmente, entregando seus
condenados ao braço secular). Eis aqui um ideário que de
nenhum modo poderia ver-se refletido em documento
algum, porque nos documentos se colocam as decisões
humanas e essa consciência do Templo baseava seus
esquemas na Vontade Divina.
Esse ideal sinárquico nos parece a primeira chave do
mistério templário, desse mistério que a historiografia
acadêmica, convencional e racionalista, não quer e nem
pode reconhecer. E não quer porque suas normas
metodológicas não permitem ir mais além do que a
documentação lhe revela. Não pode porque adentrar-se em
terrenos aparentemente alheios à história significaria lançar
mão de peças de evidência que logicamente não domina,
nem lhe permitiriam dominar. A história, como todos os
ramos do conhecimento, tanto humanísticos como
tecnológicos, necessita de auxílios que todos,
sistematicamente, parecem empenhados em rechaçar. Pois a
história, queiramo-lo ou não, é o relato cronológico da vida
humana. E essa aventura, como a consciência que a rege, é
tão rica, tão variada e tão complexa que teria de ser
estruturada atendendo a todas as suas facetas, onde intervêm
os sonhos, crenças, esperanças, desejos e até patologias,
humores e mutações genéticas.
A história do Templo, como a história da Europa durante os
séculos XII c XIII, reúne em si mesma suficientes elementos
de reflexão e misteriosa inquietude, o bastante para surgir a
suspeita de que, naqueles instantes cruciais, se gestava uma
realidade que, na sombra (pois nenhum documento poderia
evidenciá-la), puxava os fios do grande conflito.
Daquela realidade estamos habituados a consignar as
mudanças e aceitá-las sem mais. Muito menos acostumados
estamos a analisar, sem perigosos obstáculos metodológicos,
o que poderia esconder-se detrás daquela soberba eclosão
cultural, capaz de pôr em xeque os esquemas de consciência
segundo os quais se costuma movimentar tanto a pesquisa
como o próprio comportamento dos indivíduos.
O Templo está em harmonia com sua época. Uma época em
que o irracional brinca com as secas, as adversidades, a
guerra sem fim, a miséria dos outros, o absolutismo, a
devoção imposta, o nascimento da burguesia, as pestes, os
conflitos de prioridade entre a igreja e os leigos poderosos e
o redescobrimento do comércio.
O maravilhoso, o autenticamente transcendente, se
manifesta, frente ao cotidiano e tangível, na eclosão do
gótico, na guerra divinal, na consciência cavalheiresca, no
ressurgir da cabala e da alquimia, na aventura singular dos
trovadores, na eclosão do catarismo, na busca do Graal, na
tímida e herética aparição do amor cortesão, nas lojas e
canteiros de construtores e na recuperação da imagem
impossível do herói.
Significativamente, o Templo, por menos que nos ocupemos
com ele e rastreemos sua essência, vamos encontrá-lo
integrado a todos os elementos que conformam a realidade
total de seu tempo. Movendo-os, controlando-os, talvez?
Não sejamos otimistas, não creiamos ter encontrado a pedra
filosofal, mas assumindo no essencial da Ordem todos os fios
aparentemente soltos daquela espessa madeixa cultural, da
qual os templários formaram parte e, sob certos aspectos,
chegaram a dominar.
A aventura da Ordem do Templo, prossegue Atienza,
constitui um episódio decisivo e fundamental da História
europeia medieval. O Templo nasce, desenvolve-se, alcança
seu zênite, decai e desaparece durante um período de
duzentos anos (1118-1312), que marca, por um lado, o
instante crucial da cultura do Ocidente, que alcança então a
meta de sua identidade e incuba o germe de uma consciên-
cia coletiva, na qual, para o bem ou para o mal, ainda
estamos imersos.
Por outro, resume e contém toda a herança de um passado
que, nesse preciso "segundo" (pois duzentos anos
representam, historicamente, dois segundos), chega até sua
meta definitiva e põe em interdito a escala de valores aceita
até então, para propor sua substituição por outra mais de
acordo com o aglomerado de elementos de juízo
acumulados por essa consciência coletiva que luta por
estruturar-se e tomar forma, apesar das travas mortais que
pretende impor-lhe a comunidade dominante naquela
época: a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
À época da supressão da Ordem, o rei Eduardo I da
Inglaterra faleceu subindo ao trono seu filho, sob o
título de Eduardo II, o mais fraco soberano que a
Inglaterra conheceu. Isso aconteceu em meio a uma
guerra contra a França que parecia não mais ter fim.
Nessa mesma época, o trono de Pedro estava
assentado em Avignon, na França (o centro da igreja
lá permaneceu por um período de 75 anos, num
episódio que ficou conhecido como o segundo
cativeiro da Babilônia), ocupado por um papa
indicado pelo próprio rei francês Felipe, o Belo. Seu
nome: Clemente V.
O rei Felipe, que já vinha desviando seus olhares e
sua cobiça para o imenso patrimônio e a enorme
fortuna templaría em solo francês, contava, nesse
preciso momento, com as condições perfeitas para
levar a cabo suas ideias e executar o seu ambicioso
plano (os quais já vinha maturando por algum tempo):
"A extinção da Ordem dos Templários" (muito embora
isso fosse da competência, exclusiva, do Papa).
Na noite de 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira,
Felipe desencadeou um forte ataque surpresa a todas
as dependências templárias francesas, de forma
simultânea, capturando cerca de 15 mil homens, além
do seu Grão-Mestre Jacques De Molay e sua guarda de
60 homens. Ao mesmo tempo, um manifesto tornava
públicas todas as acusações que recaíam sobre a
Ordem. Esse acontecimento foi, inclusive, o res-
ponsável pela "estigmatização" da sexta-feira 13.
Porém, apesar dos esforços de Felipe, nem todos os
templários foram aprisionados, tendo logrado escapar
24 homens, toda a frota naval templaría existente em
portos franceses e todo o seu "possível" tesouro; nada
foi encontrado.
Há quem considere, contrariamente ao senso comum, o
verdadeiro tesouro templário como algo de uma natureza
diferente do ouro e da prata; um tesouro feito de Tradição,
mistério e idealismo.
Houve uma violenta reação do papa em função das
ações de Felipe, uma vez que a Ordem tinha
"proteção da igreja". No entanto, após tomar
conhecimento dos relatórios de alguns dos
interrogatórios realizados com templários presos,
onde constavam confissões das piores heresias e das
mais sórdidas práticas (um monte de mentiras
fabricadas), sequenciadas, principalmente, pela
utilização, como "oráculo", de uma cabeça barbada e,
ainda, pela adoração de uma "esfinge diabólica"
denominada "Baphomet" (ver Capítulo VI), o "Santo
Padre", receoso da possibilidade de virem à tona
conhecimentos ocultos que pudessem desvendar a
verdadeira natureza do "Cristo", mudou de idéia e
promulgou a bula "Pastoralis Praeminentiae",
endereçada aos reis e príncipes da cristandade,
autorizando a prisão e interrogatório de todos os
templários.
Baseados nesses fatos e na visão da história tão bem
relatada por Atienza, podemos concluir que a brutal
supressão templaría teve razões, seguramente,
diferentes: objetivamente, o Rei Felipe ficaria livre de
uma enorme dívida e ainda poderia confiscar grande
parte do tesouro templário existente na França, tudo
muito necessário ao financiamento de sua eterna
guerra contra a Inglaterra. Já o Sumo Pontífice, e aqui
está o aspecto subjetivo da ação, queria um tesouro de
uma outra ordem, de uma outra "natureza".
Os tesouros materiais foram confiscados,
inicialmente, pelo Papa (ficando sua maior parte em
poder da Ordem dos Hospitalarios), no entanto, o
grande tesouro iniciático foi preservado, frustrando
os verdadeiros objetivos do bispo de Roma, que
queria destruí-lo e/ou desacreditá-lo, classificando-o
como herético, aliás, como classificava a tudo o que
representasse risco à continuidade, sustentação e
existência de sua própria igreja e do seu imenso
poder.
A ratificação da supressão da Ordem foi um dos
maiores erros cometidos pela "infalível Santa Sé".
O que incomodava tanto o "Santo Padre"? Quais
conhecimentos ou verdades jaziam por trás da
fachada de guardiões do Santo Sepulcro ou do Santo
Graal? Afinal, o que levou essa Ordem a restringir-se,
em sua fundação, a apenas nove cavaleiros locados
onde outrora foi localizado o templo de Salomão (daí
o nome) e que, devido a um período de escavações e
análise de materiais, realizados de forma "secreta", só
eclodiu como Ordem oficial, diretamente subordinada
ao Papa e sujeita a uma regra, nove anos depois, com
uma fachada, tipicamente, dissimuladora? O que fez
dessa Ordem, em um curto espaço de tempo, uma das
organizações mais poderosas e influentes da história
do mundo?
Seguramente havia uma Ordem Templária formal,
sujeita diretamente ao Papa, cuja função era a de
guardiã dos peregrinos à Terra Santa e ao Santo
Sepulcro, considerada de caráter externo, e uma
outra, informal e fechada, portanto, de caráter
interno, que se encarregava dos estudos científicos
ocultos, da aceitação ao ecumenismo e da consu-
mação do ideal templário de um projeto sinárquico (a
fundação de um império teocrático universal real,
verdadeiro: o "Sanctus Regnum").
A Ordem externa foi suprimida. A interna, junto à sua
ciência, seu ideal e sua filosofia, foi preservada.
Tão logo eclodiram, historicamente, os templários
implantaram de imediato as construções em estilo
gótico, um estilo que não derivou de nenhum outro
existente até então e que levaria, em situações nor-
mais, anos para ser desenvolvido, não só pelo aspecto
estético, mas, principalmente, pelo aspecto técnico,
como engenharia de construção, que demandava
conhecimentos muito superiores aos correntes à
época.
Com efeito, as construções de templos, até então,
baseavam-se, ainda, nas antigas técnicas romanas,
onde a pressão sobre os arcos e as estruturas era
exercida de cima para baixo e suportada por espessas
paredes e grossas colunas, o que inviabilizava,
tecnicamente, a existência de amplos vãos livres e
prejudicava a iluminação natural, pela impossibilidade
de instalar vitrais (estruturas que se equivaliam,
curiosamente, aos ritos lunares, onde a emanação se
faz de fora para dentro e de cima para baixo).
Esse novo sistema estrutural (Gótico), empregado em
1180, na construção da Catedral de Notre Dame, em
Paris, venceu elevadas alturas e extensos vãos, em
função de pesados contrafortes existentes nas áreas
externas ou periféricas da igreja, que sustentavam
todos os esforços da estrutura, descarregando-os nas
fundações, permitindo que as paredes da nave central
fossem pouco espessas e dotadas de grandes vitrais,
para gerar luminosidade. Além disso, possibilitavam
amplos espaços internos, por possuir, também colunas
mais delgadas. Pode-se observar, portanto, que os
templos em estilo "Gótico", não só pela estética, que
fazia desses templos, algo vivo, como que tentando
projetar-se às alturas, mas, também, pela sua técnica
construtiva, cuja relação de forças indicava um vetor
resultante que agia como uma força que os "puxava",
de baixo para cima e para fora, possuíam um caráter
solar, ou seja, tal e qual uma emanação espiritual
resultante de uma ação ativa, positiva, própria da
realização de ritos solares (o templo lunar recebe, o
solar, emana).
A construção da Catedral de Chartres iniciou-se em 1145,
tendo sido reconstruída em 1194, devido a um incêndio.
Essa obra magistral da arquitetura medieval, marca o ápice da
arte gótica na França. A vasta nave central, em puro estilo
ogival, alcança, em seu interior, impressionantes 37 m de
altura. Sua área total ultrapassa os 10.000 m2, tendo a área
construída 130 m de comprimento e 46m de largura
máxima. Dispõe, ainda, de mais de 150 vitrais medievais que
proporcionam um esplêndido efeito luminoso em seu
interior.
Associe-se a isso a presença templária na implantação
de técnicas altamente sofisticadas, dentre muitas
outras, naquelas aplicáveis à agricultura, à criação de
um sistema financeiro (precursor do sistema bancário
moderno) e às que deram origem a novas técnicas de
navegação, que possibilitaram a fase das grandes
descobertas, especialmente pelo povo Português (e
também Escocês), através de remanescentes
templários que formavam a então Ordem dos
Cavaleiros de Cristo.
Com efeito, com a extinção da Ordem por Felipe, O Belo, da
França, os templários encontraram em Portugal a sagrada
continuidade de sua missão de Cavalaria. A Ordem do
Templo foi, definitivamente, extinta em 1312, mas os seus
bens e sua vocação foram transmitidos, em Portugal, à
Ordem de Cristo, criada em 1319.
Símbolo da "Ordem de Cristo"
Sob os auspícios de D. Dinis é, então, fundada a "Ordem dos
Cavaleiros de Cristo", a qual foi negociada pelo monarca
com a Santa Sé e veio a integrar pessoas e bens da extinta
Ordem do Templo. É com a Ordem de Cristo que a nação
portuguesa se abre para a empresa das descobertas marítimas
do século XV. Tomar é então a sede da Ordem e o Infante
D. Henrique o seu Grão-Mestre. Mais tarde, D. João III
pretende fazer profundas mudanças na Ordem, alterando
suas regras e transformando os cavaleiros em monges
contemplativos''.
Por essas circunstâncias, boa parte dos cavaleiros leais
aos ideais Templários, viria a se incorporar à, então
secreta, associação dos Pedreiros Livres.
É interessante mencionar, a título ilustrativo, que o
sogro do "misterioso" Cristóvão Colombo foi Grão-
Mestre dos Cavaleiros de Cristo. Nessa oportunidade,
o próprio Colombo navegou através do Atlântico sob
a cruz Templária, símbolo da Ordem.
Ao partir do Porto de Paios, em 3 de agosto de 1492,
Colombo sabia exatamente o seu destino e o que
deveria fazer para chegar lá. Não foi uma simples
coincidência o fato de suas três naus terem estam-
padas, em suas velas, o famoso signo Templário.
Oito anos mais tarde a Ordem atracava, também, no
Brasil, sob o comando do "Cavaleiro de Cristo" Pedro
Álvares Cabral.
t
Pairam muitas dúvidas e há um verdadeiro mistério
quanto as reais intenções de Colombo para com os
espanhóis. Maiores ainda são as suspeitas quanto a sua
nacionalidade e ao seu verdadeiro nome. Este assunto
é digno de pesquisa e merece esforço.
Sua assinatura, "X PO Ferens", diz: "mensageiro de
Cristo", ou "aquele que leva o Cristo", aliás, o
significado mesmo do nome "Cristóvão". Já o nome
"Colombo" representa o "Pombo", símbolo do Espí-
rito Santo e da manifestação.
Os signos "X PO" são a abreviatura de "Cristo" em
grego; "Ferens" significa mensageiro ou "aquele que
leva" em latim.
Pode-se, portanto, deduzir desse pseudônimo adotado
pelo navegador e do seu objetivo verdadeiro, o que
segue: "Aquele que leva a Luz para o Novo Mundo".
À vista disso, o seu nome real acaba por perder a
importância, contudo, a sua verdadeira nacionalidade
fica, misteriosamente, clara: "Um cidadão do
Mundo!".
Não teria essa necessidade de conquista de um "Novo
Mundo"; o encontro de uma "Nova Jerusalém" virgem
e intocada, uma relação estreita com os ideais
Templários de fundação de um Reino Universal
Teocrático (sinárquico) fora do continente Europeu,
ideais esses vivos na então Ordem dos Cavaleiros de
Cristo e nas Lojas da Franco-Maçonaria secreta?
Diz-nos David Hatcher Childress em "Os Piratas e a
Frota Templária Perdida:
Seriam os estreitos laços entre Portugal e Inglaterra
decorrentes de sua simpatia e proteção à causa Templária e
ao abrigo de sua frota quando da supressão da Ordem?
Seria coincidência o fato de o Brasil (colônia transatlântica
Portuguesa) ter sido organizado de forma idêntica aos
Estados Unidos (colônia transatlântica Britânica), como uma
união de estados independentes, sob ação direta de diversas
Lojas Maçônicas?
Afinal, o que aconteceu com essa frota perdida? Foi
estabelecida na Escócia? Atravessou o Atlântico um século
antes de Colombo? Tornou-se uma das grandes esquadras
dos reis portugueses e escoceses? Tornou-se uma frota pirata
que atacava navios leais ao papa e ao Vaticano?
Talvez tenham sido todas essas alternativas!
Quando da supressão em 13 de agosto de 1307, a frota
inteira, que de alguma forma foi avisada, fez vela e, desde
então, não mais se ouviu falar dela.
Baigent e Leigt, em "O Templo e a Loja", afirmam que a
frota templária escapou em massa dos diversos portos do
Mediterrâneo e do norte da Europa e partiu para um
misterioso destino onde poderia encontrar asilo político e
segurança. Esse destino seria a Escócia, via Portugal, onde
uma parte dela seria incorporada.
Coincidência ou não, a pirataria europeia começou nessa
época e seu padrão sugere que muitos piratas não eram
meros flibusteiros que atacavam qualquer um, mas "piratas"
muito curiosos que limitavam sua atenção, aos navios do
Vaticano e outros, leais ao catolicismo (espanhóis, franceses,
italianos, etc.).
Quando a inquisição espanhola foi estabelecida no Novo
Mundo, depois de 1492, os "piratas templários" estenderam
seus ataques ao Caribe e, até mesmo, aos portos do Pacífico,
do Peru e do México, tudo em nome de uma guerra naval
que foi travada por mais de 200 anos.
Essa era a mística dos primeiros piratas: eles eram
essencialmente uma esquadra secreta que não deveria
existir. Essa esquadra chegou mesmo a ir ao Novo Mundo
quase um século antes dos espanhóis.
No vasto e rico simbolismo (Templário/Maçónico) da
Capela de Rosslyn, na Escócia, construída pelos Saint-
Clair meio século antes de Colombo, há a
representação de folhas de babosa e espigas de milho,
produtos nativos e exclusivos das Américas.
Também se observou que os Templários fugiram para a
Escócia e conseguiram manter certa coesão ali sob a
proteção dos famosos Saint-Clair (ou Sinclair).
Na Escocia os Templarios não tentaram se organizar em urna
nova ordem de cavalaria, em vez disso, preferiram difundir
ainda mais sua luta e seus ideais secretos sob o disfarce da
"Maçonaria ", novamente sob a liderança dos poderosos
Saint-Clair. Seria mera coincidência que as viagens para o
ocidente tenham se iniciado na Escócia, uma geração depois
que os Templários ali se estabeleceram?"
Curiosamente, em um dos mais misteriosos princípios
da Maçonaria, na palestra que resume a Iniciação do
Mestre Maçom, o Candidato recém-admitido aprende:
"Esse Grau fará de você Irmão de piratas e corsários
(velha Maçonaria)".
Com efeito, não seria por coincidência e nem causaria
surpresa se a bandeira dos "Piratas Templários", um
pano negro com um crânio (ou caveira) sobre duas
tíbias cruzadas, fosse imediatamente identificada,
como símbolo iniciático, por qualquer Irmão do 3º
Grau da Maçonaria.
Por outro lado, não vemos como tal simbologia
poderia se encaixar em quaisquer atividades ou
cerimônias relacionadas às guildas de pedreiros e
construtores da Idade Média, consideradas, por
muitos, como a origem maçónica mais aceita.
E prossegue Childress a respeito dos Saint-Clair
(Sinclair):
O papel da frota Templaría na colonização da América do
Norte não pode ser subestimado. A família que pôs aquela
grande frota em movimento e mais tarde fundou as Lojas
Maçónicas que se espalhariam pela Nova Escócia e pela
Nova Inglaterra, foi a família Saint-Clair (...) foram eles os
construtores da famosa Capela de Rosslyn (na Escócia), que
aparece constantemente na Tradição Templária (...) a Capela,
construída entre 1446 e 1450, é amplamente vista como
uma pérola da Maçonaria; é cheia de imagens Templárias e,
suas dimensões, utilizam a antiga Geometria Sagrada (...) a
capela despertou discussões sem fim sobre os segredos
Templários que estariam embutidos em suas pedras (...)
... O Maj. Gal. Arthur Saint-Clair foi um dos primeiros
presidentes dos Estados Unidos. No intervalo de oito anos
entre a fundação dos Estados Unidos e a ratificação da
Constituição, de 1781 a 1788, oito pessoas assumiram o
cargo antes do Franco-Maçom George Washington; em cada
um desses anos, o presidente do Congresso Continental dos
Estados Unidos foi a principal autoridade da Nação. Eles
eram eleitos por um ano. O Gal. Arthur Saint-Clair, Franco-
Maçom e legítimo herdeiro dos Cavaleiros Templários, foi,
então, o sétimo presidente dos Estados Unidos.
O fascinante conceito dos cavaleiros templários levando o
Santo Graal ao Novo Mundo para fundar a Nova Jerusalém
nos leva diretamente ao estudo sobre a Atlântida. É possível
que as façanhas e aspirações Templárias dos Saint-Clair
tenham influenciado sir Francis Bacon, que por volta do ano
de 1600, publicou seu romance utópico "A Nova Atlântida"
(...) esse tema se reporta a uma sociedade perfeita; um
Estado democrático com um rei esclarecido, muito
semelhante ao que a Grã-Bretanha aspirava."
Voltando agora ao ponto focal da Ordem do Templo e
de sua supressão, pergunta-se: - De onde veio esse
conhecimento? Será que há relação com os nove anos
de clausura nos porões do Templo de Salomão? Será
que algo de sagrado e científico foi selecionado,
pesquisado e organizado como material secreto e,
posteriormente, quando da eclosão da Ordem,
imediatamente colocado em prática? Poderá estar aí a
gênese do "grupo interno" detentor do grande
segredo templário, em cujo entorno a Ordem
expandiu-se? De que forma esse "conhecimento"
representava riscos aos "dogmas" e doutrinas da
igreja?
Em 3 de março de 1314, Jacques De Molay, que sofrera nos
calabouços de Felipe por sete anos - havia sido cegado por
ferros em brasa enfiados em seus olhos, seus genitais haviam
sido cozidos em óleo quente e arrancados com cordas, a
maior parte de seus ossos havia sido quebrada ou deslocada
na roda - enfrentou seu último tormento: foi assado vivo
sobre um fogo lento (brasa) por ordem do rei e do papa. Essa
bárbara destruição de um ser humano, nunca seria
esquecida...
Antes de morrer, na Ile-des-Javiaux, nos arredores de
Paris, o último Grão-Mestre do Templo tirou o manto,
para que não fosse queimado e lançou um anátema:
"Intimo o Rei e o Papa a comparecerem ante o Tribunal de
Deus, no prazo de um ano, para receberem o justo castigo.
Deus tenha piedade de mim".
Clemente V e Felipe IV, o Belo, morreriam,
respectivamente, em abril e novembro daquele ano.
Há coisas que, embora parte de um mundo subjetivo,
são muito claras e evidentes. Há uma Europa antes e
outra depois dos templários, e tudo isso com base em
uma ação que se desenrola em uma fração de tempo,
historicamente, irrisória. Mas deixemos o assunto
para que todos possamos meditar sobre ele.
De qualquer forma, a própria igreja tentou, tempos
depois, redimir-se da supressão templária, admitindo
seu erro e se propondo a recuperar, sem sucesso, a
imagem dos monges guerreiros.
Jacques De Molay. O último Grão-Mestre do Templo
III — A Santa Madre Igreja
... Quem não é por mim, é contra mim... (Máxima cristã)
Da mesma forma que os templários, outros "hereges"
foram alvo da "Santa Igreja" sendo, também,
suprimidos como, entre muitos outros, os Cátaros
(Albigenses), que foram massacrados em uma grande
e cruel cruzada que durou cerca de quarenta anos,
num horror que incluiu como vítimas mulheres,
crianças e até católicos (vale lembrar que os Cátaros
adotavam e praticavam um tipo de cristianismo puro,
primitivo, gnóstico, com base maniqueísta. Eram
cristãos, porém, não católicos, daí seu grande
"crime").
Indagado pelo comandante cruzado, responsável pelo
massacre e cansado de tanto sangue, sobre como
diferenciar os hereges dos demais, o enviado do Bispo
de Roma limitou-se a dizer: - "Mate-os todos, o
Senhor diferenciará os seus...". Não escaparam nem
os recém-nascidos.
Muitas arbitrariedades e muitos crimes marcaram,
ainda, a trajetória dessa "Santa" instituição, dentre
muitos outros:
Em Clermont, França, em 1095, celebrou-se um grande
concílio ao qual assistiram mais de 200 bispos e numerosos
nobres. O Papa Urbano, que era francês, dirigiu aos reunidos
um eloquente discurso: "Deus tem concedido aos franceses,
sobre as demais nações, uma grande eficácia militar. Por ele
deveis empreender imediatamente a ação como remissão de
nossos pecados"... Quando o Papa terminou, todos gritaram:
"Deus o quer!"... Os cruzados massacraram durante três dias
aos habitantes da cidade, e fizeram um imenso saque.
Homens, mulheres, crianças e muçulmanos foram
assassinados; os judeus queimados na sinagoga e a grande
mesquita, roubada.
Em 1012 os judeus foram expulsos de Mainz e em 1096,
com a primeira cruzada, comunidades completas foram
massacradas. Centenas de milhares de judeus morreram... As
cruzadas seguintes (1146 e 1189) intensificaram a onda de
massacres e terror ... Para em 1391, as matanças dos judeus
chegarem à apoteose da crueldade, impulsionadas pela
agitação fatalmente antissemita de Ferrant Martinez,
arcediano, primeiro diácono da catedral de Sevilha ...
Calcula-se que 60.000 judeus foram sacrificados... Durante o
mandato do grande inquisidor Torquemada foram
processadas, executadas e castigadas 114.401 pessoas, entre
judeus, conversos e hereges... em 1616, sob o imperador
Susneyos, a comunidade judia foi acometida de um terrível
massacre. Seu reino foi destruído e dois terços de sua
população foi assassinada ou forçada a converter-se ao
cristianismo.
Muitos foram os que recusaram as doutrinas falsas da Igreja...
Estes foram chamados de "hereges" e foram perseguidos
ferozmente pela Igreja Católica Romana. Um dos
documentos em que se ordenou tal perseguição, foi o
desumano "Ad Extirpada", que foi editado pelo Papa
Inocêncio IV. Este documento declarava que os hereges
tinham que ser exatamente como serpentes venenosas.
Sacerdotes, reis e membros civis do sistema romano, foram
chamados a unir-se a esta cruzada guerreira. Declarava o
documento que qualquer propriedade que confiscassem lhes
seria dada como propriedade com título limpo e, além disto,
lhes prometiam remissão de todos os seus pecados como
prêmio por matar um herege.
A expressão "auto de fé" refere-se aos cruéis e degradantes
rituais de penitência pública ou humilhação de heréticos e
apóstatas postos em prática pela Inquisição (principalmente
em Portugal e Espanha). Os autos de fé decorriam em praças
públicas e outros locais muito frequentados, tendo como
assistência regular representantes da autoridade eclesiástica e
civil. O estado secular procedia às execuções como punição
a uma ofensa herética repetida, em consequência da
condenação pelo tribunal religioso. Se os prisioneiros desta
categoria permanecessem a defender a heresia e repudiar a
Igreja Católica, eram queimados vivos; contudo, se
mostrassem arrependimento e se decidissem reconciliar
com o catolicismo, os carrascos procederiam ao "piedoso"
ato de os estrangular antes de acenderem a pira de lenha.
"Auto de Fé" Terreiro do Paço - Lisboa
No ano de 1755, uma série de fortes abalos sísmicos
atingiu e destruiu a cidade de Lisboa. Registros da
tragédia dão conta de que a bela cidade foi totalmente
arrasada por um dos mais violentos terremotos de que
se tem notícia. Estima-se, por modernos estudos
realizados por instituições especializadas, que o
evento sísmico tenha atingido magnitude nove na
escala Richter. Cinquenta por cento da população
lisboeta, aproximadamente, pereceu naqueles poucos
minutos de duração dos abalos (algo em torno de 100
mil pessoas).
Rui Tavares, historiador e tradutor de Voltaire para o
português, diz sobre o Grande terremoto em Lisboa:
Mas no século XVIII, mesmo aqueles menos dados às coisas
da religião não hesitavam em juntar terremoto e Inquisição
nas mesmas páginas. Numa carta dirigida a M. Tronchin de
Lyons, datada de 24 de novembro de 1755, redigida pouco
tempo depois de receber a notícia da catástrofe de Lisboa, o
filósofo iluminista e Franco-Maçom francês Voltaire
escrevia:
"(...) Que dirão os pregadores, especialmente se o Palácio da
Inquisição ainda ficar de pé? Agrada-me a idéia de que esses
reverendos padres, os da Inquisição, terão sido esmagados tal
como as outras pessoas. Servirá isso para ensinar que
homens não devem perseguir outros homens: porque,
enquanto beatos hipócritas queimam uns quantos na
fogueira, a terra abre-se e engole a todos sem distinção."
Vê-se, nessas poucas citações, a ferocidade e a
ignorância de uma igreja fundada, paradoxalmente,
nos princípios da compaixão, do amor ao próximo e
da caridade e que, presunçosamente, se dizia
"Infalível".
Aliás, para quem se proclamava infalível, a Santa Sé
cometeu (e ainda comete) muitos erros.
Primeiramente transformou Jesus em um personagem
"histórico apresentando-o como "único" filho de Deus
(essa palavra único" mudou totalmente o sentido do
Cristo, excluindo toda humanidade dessa condição,
que é inerente ao próprio Homem). Depois o
transformou no próprio Deus, autonomeando-se sua
única intercessora na terra. Finalmente, criou seu
papa e o tornou infalível.
Sobre essa infalibilidade que o digam, entre muitos
outros, os próprios templários e a não menos
conhecida Joana D'Arc, "purificada" na fogueira como
bruxa e feiticeira e depois, para compensar o
"infalível" engano, transformada em "Santa".
Cremos que, por uma questão de justiça, todo o "alto
clero" deveria, também, ter sido "purificado" nas
fogueiras da santa inquisição, haja vista ser o guardião
da maior "feitiçaria" de que se tem notícia e que teve,
como ponto de partida, a realização do nefasto
concílio de Nicéia, em 325 d.C., sob os auspícios do
Imperador Constantino, atendendo a fins
exclusivamente políticos (não houve sonho algum de
"In hoc signo vinces", isso não passou de mais uma
mentira irresponsável, porém, estratégica e muito útil
ao imperador e aos presbíteros romanos e
alexandrinos).s
Esse concílio foi análogo a um grande "teatro", onde
as interpolações e neologismos impostos ao
cristianismo primitivo foram consumados mudando,
de forma radical, seu sentido e propósito originais.
Por não permitir "oposição", aqueles que se
levantaram contra os "ajustes" foram, sumariamente,
assassinados. (Ver "Nota" Cap. IX - O Cristianismo
Hoje.)
Com isso a igreja atrelou o homem ocidental e, sob
suas rédeas e o seu chicote, impediu-o, por quase mil
e setecentos anos, de encontrar o "Verbo" no único
lugar onde Ele poderia ser encontrado: no seu próprio
íntimo, na sua própria alma.
Alguém tem conhecimento de feitiçaria maior?
Ressalte-se que, à época do referido concílio, a
recém-criada versão romano-alexandrina não era nem
a maior das diversas seitas cristãs existentes, porém,
em função da sua associação política ao Imperador
Romano, que resultou na sua transformação em
religião oficial do Império, se apressou em destruir
todas as demais (que não concordavam com o "Credo
de Nicéia"), eliminando todos os seus vestígios e a
maior parte dos seus integrantes, estes cruelmente
perseguidos e sacrificados nas arenas romanas.
Como parte do acordo político, permaneceu ativo o
culto a "Átis" (um deus solar pagão), antiga prática
romana e da qual, o próprio imperador, era sacerdote.
Para não perder a viagem, a nova igreja promoveu, através
do hábil truque de colocá-los como os vilões do episódio da
"Paixão", a dispersão (mais uma diáspora) dos judeus pelos
quatro cantos do mundo. Assim, livre e desimpedida desses
incômodos concorrentes, pode agir livremente fazendo o
que sempre fez de melhor: proteger e servir os tiranos e os
poderosos do mundo, ajudando-os a escravizar os homens
livres.
Começava assim, uma das maiores "farsas" de toda a
história da humanidade.
Os cristãos puros, adeptos do verdadeiro e primitivo
cristianismo, que sobreviveram ao massacre e às
perseguições, continuaram a praticar seus cultos,
velada e secretamente, porém, espalhados em várias
direções.
Quando da divisão do Império Romano em oriental e
ocidental, a igreja romano-alexandrina dividiu-se, ficando a
oriental (Bizantina) conhecida como "Ortodoxa" e a
ocidental como "Católica Romana", ambas, um amontoado
de mentiras.
Tornando-se o "Senhor" do homem ocidental, o
"infalível" bispo de Roma criou e ditou regras de
ética, moral e educação que causaram malefícios
imponderáveis à sua formação psíquica e social, cujos
frutos são colhidos até os dias de hoje.
O homem ocidental viu-se, então, escravizado física,
emocional e mentalmente pela igreja e pelo Estado,
tendo sua vida limitada ao trabalho, ao pagamento de
impostos e à mera sobrevivência. A ausência de
relacionamentos e de interações sociais, intelectuais,
artísticas e econômicas entre pessoas e grupos, que
pudessem resultar em necessidades em termos de
soluções e sistemas que as regulamentassem e as
fizessem desenvolver-se, aliada a uma total obstrução
da liberdade de expressão, acabaram por impedir o
homem de crescer e progredir, não só material como
também intelectual e espiritualmente.
No entanto, o mais insano de tudo, afora a
dependência absoluta do homem em relação à Igreja e
ao Estado, refere-se ao sexo, considerado pela Santa
Igreja como sujo e impuro.
Essa imposição impediu que homens e mulheres se
tornassem "Deus" através do ato sexual", cujo caráter
deveria ser, isso sim, sacralizado como manifestação
do "Supremo Ato da Criação".
Não se trata de apoiar a licenciosidade, a libertinagem
ou a luxúria e a pornografia, coisas que nenhuma
religião no mundo recomendaria ou permitiria, mas
de sacralizar o ato em si, promovendo a divinização
do corpo humano e encarando-o como algo puro e
belo e não como algo do qual o homem devesse
envergonhar-se (premissa da maioria das religiões
orientais).
Diz-nos Blavatsky, em "Ísis sem Véu", relativamente
à vida santa e virtuosa desses "irmãos em Cristo":
...ouçamos o que Nicolini tem a nos dizer, em sua
competentíssima "History of the Jesuits ", sobre os castos
mistérios do claustro cristão:
Na maioria dos mosteiros, e mais particularmente nos dos
Capuchinhos e Reformados (Reformati), tinha início no
Natal uma série de festas que prosseguiam até a Quaresma.
Todas as espécies de jogos eram realizadas, os banquetes
mais esplêndidos eram oferecidos e, nas cidades pequenas, o
refeitório do convento era o melhor local para o
divertimento de um grande número de habitantes. Por
ocasião do carnaval realizavam-se dois ou três festins
magníficos; a mesa era tão profusamente posta que se
poderia imaginar que Cópia, a Abundância, ali houvesse
derramado todo o conteúdo do seu corno. E preciso lembrar
que essas duas ordens viviam de esmolas. O silêncio
sombrio do claustro era substituído por um som confuso de
brincadeiras e as abóbadas tétricas agora ecoavam outras
canções que não as dos salmistas. Um baile animava e termi-
nava a festa; mas antes, para torná-la ainda mais animada e,
talvez, para mostrar quanto o seu voto de castidade havia
extirpado deles todo o apetite carnal, alguns dos monges
jovens surgiam, coquetemente vestidos de mulher, e
começavam a dançar com outros, transformados em
cavalheiros folgazões. Descrever a cena escandalosa que se
seguia seria repugnante. Direi, apenas, que com frequência
presenciei tais Saturnais.''
Aliás, a igreja sempre se esmerou em fazer a apologia
do medo, do sofrimento e dos "pecados" deixando de
lado ou esquecendo-se, quase sempre, de enaltecer a
alegria e as virtudes do homem.
O próprio Cristo sempre foi objeto de veneração pelo
seu sofrimento; sua representação, via de regra, tem a
forma do seu corpo morto, esfolado e crucificado. O
Cristo "ressurrecto", praticamente, se apresenta como
personagem secundário.
É como se a igreja chorasse eternamente por uma
semente que morreu, não se dando conta da árvore
que dela poderia ter nascido, caso houvesse se
dedicado melhor ao seu cultivo e à adequada prepara-
ção do solo.
Por essa razão, essa é a natureza mesma da "egrégora
negativa", esse verdadeiro "lodaçal" completamente
hostil ao progresso e à evolução espiritual, que acabou
por construir durante todos esses séculos.
As sequelas dessa visão distorcida sobre tão
importantes assuntos, especialmente no que se refere
à repressão sexual, são hoje sobejamente conhecidas.
Além dos muitos problemas de ordem psíquica e
social houve, também, o aparecimento de inúmeros
fantasmas, monstruosidades e aberrações, todos
relacionados a essa visão equivocada e deturpada
desse colégio de "eunucos infalíveis", que fez com
que o sexo deixasse de ser encarado como algo
sagrado, natural e necessário à saúde física e psíquica
do homem e passasse a ser visto como algo proibido e
sujo.
Em verdade, o sexo não deixou de ser praticado pelo
simples fato de que ele faz parte da natureza humana
(a atração, a sensualidade), independentemente da
necessidade de procriação. No entanto, ao praticá-lo,
o homem sentia-se impuro, culpado.
Considerem-se, ainda, no mundo ocidental atual, as
questões referentes à explosão demográfica, comum
nos países pobres e desinformados, responsáveis pelo
aumento desmedido da população, fato que acarreta
uma maior escassez de água e de alimentos e traz,
como consequência, o aumento da miséria e da
violência; há que se considerar, ainda, aquelas outras,
relacionadas à prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis (dentre tantas, a AIDS), todas elas
diretamente ligadas à condenação ao uso de métodos
contraceptivos.
Para a igreja, a condenação de tais métodos teve por
objetivo a proibição do sexo sem a finalidade de
procriação, coisa que ela não conseguiu nem mesmo
dentro dos seus "celibatários" e "castos" portões.
E preciso que se entenda que a "castidade" não é e
nem poderia jamais ser objeto de um "voto"; ou o
homem é casto, ou o homem não é casto. Não se
pode dominar essa prodigiosa força (sexual) através de
um simples voto (uma intenção). E necessário que o
homem se situe em uma esfera consciencial,
muitíssimo elevada, para que possa transcendê-la.
Todavia, não seria essa mesma esfera consciencial a
que se poderia esperar, normalmente, de um
verdadeiro "Representante de Deus"?
No entanto, esse não é, em absoluto, o caso desses
sacerdotes de "Cristo" que, em realidade, não passam
de homens comuns que, conduzidos a essa elevada
posição (?), vêem-se forçados a essa, absolutamente,
desnecessária repressão sexual representada pela
exigência do celibato. Como consequência disso,
acabam por cair, invariavelmente, na prática desses
desvios, abusos e aberrações.
Por essa razão, nos países de maioria católica (como o
Brasil), o Estado não toma medidas mais drásticas de
contenção ao crescimento demográfico,
especificamente onde ele mais ocorre, entre a
população mais pobre, carente e desinformada,
produzindo gerações e gerações de subnutridos e
parcialmente incapazes, aumentando os cinturões da
miséria e da violência, especialmente nos grandes
centros, para onde se dirigem sem qualquer
orientação ou subsídio (é fundamental que se leve em
conta que a subnutrição infantil compromete, de
forma irreversível, a capacidade intelectual do
homem).
Não fica difícil entender essa "omissão" do Estado
para com tamanho problema (que não é citado nem
em debates sérios sobre o crescimento brutal da
violência no País), uma vez que entre as medidas
efetivas, no sentido de minimizar seus efeitos,
certamente, estaria um forte programa de controle de
natalidade, o que iria ferir, frontalmente, as
determinações da "Santa Madre Igreja" e causaria, sem
dúvida, enormes prejuízos de natureza eleitoral
(pesquisas recentes realizadas pelo Vaticano, com
base em registros de batizados, dão conta de que 150
milhões de brasileiros são católicos, o que torna o
Brasil a maior nação católica do mundo).
Como consequência, vemos o aumento absurdo
desses grupamentos, quase sub-humanos, que
crescem em uma progressão assustadora (e o processo
migratório é contínuo, aumentando, perigosamente, a
concentração) e que vivem em estado de completa
miséria, espalhados pelos viadutos, praças, ruas,
cortiços, favelas e bairros periféricos dos grandes
centros urbanos, vivendo à custa de suas migalhas,
sujeitos à fome e sem auxílio ou orientação de espécie
alguma.
Essa situação paradoxal, esse grande contraste
resultante do confronto entre a moderna sociedade de
consumo e a miséria absoluta, aumenta a revolta, a
intolerância, a violência e cria, quer queiram ou não,
um estado de "pré-convulsão social" (um "prato
cheio" para os bolcheviques).
Ocorre que esse é o País dos "Direitos", onde pouco
se fala em "Deveres". O direito e o dever são palavras
indissociáveis; não há dever sem direito e nem pode
haver direito sem dever, o resto não passa de
demagogia barata. O direito, assim como a liberdade,
implica responsabilidades. Quem não pode cumprir
com os deveres de um cidadão não pode gozar dos
direitos do cidadão; da mesma forma, quem não pode
cumprir com os deveres de pai e mãe não tem o
direito de ter filhos, e assim por diante.
Considerando que o Estado é, constitucionalmente,
laico e é seu dever tutelar esses homens e mulheres,
parcial ou totalmente incapazes de decidir qualquer
coisa por si mesmos, é sua obrigação tomar a frente e
decidir por eles, coibindo a migração aos grandes
centros, impulsionada pela ilusão econômica (isso
seria mesmo um ato de caridade, senão, de piedade),
fixando-os em seu próprio território, através de subsí-
dios que possibilitem o seu desenvolvimento ou,
ainda, redirecionando o processo migratório para
outras áreas previamente preparadas.
O que ocorre, frequentemente, é que esses centros
mais desenvolvidos, que mal estão preparados, em
termos de infra-estrutura, para atender às
necessidades de seus milhares ou, até, milhões de
cidadãos, muito menos o estarão para atender,
satisfatoriamente, a outros milhares de migrantes, em
sua maioria, totalmente desqualificados (incapazes de
produzir), que chegam acompanhados pelos seus
familiares e, ainda, por consequência ou sequela da
ignorância, por uma abundante capacidade de gerar
descendentes.
Com isso, todo o "já falido" sistema entra em colapso,
desde a saúde, o transporte, o saneamento básico, a
limpeza pública, a habitação, o emprego, a segurança,
o abastecimento, a educação, a justiça e, até, dentre
tantos outros, o próprio sistema prisional, que chega a
utilizar delegacias como "cadeias" e, por total falta de
espaço e infra-estrutura, acaba por manter regimes
semiabertos ou, até mesmo, conceder liberdade a
elementos criminosos e perigosos para toda a
sociedade.
Pelo controle migratório, o Estado, além de realizar
um irrepreensível e eficaz controle de natalidade
(inclusive nos grandes centros), poderia criar
programas e condições para que esses indivíduos se
desenvolvessem, conquistassem a cidadania e, como
consequência, seus direitos (entre outros, os de "ir e
vir" e de ter filhos).
Na pior das hipóteses essas medidas seriam muito
menos cruéis do que manter o atual estado de coisas e
só trariam alguns incômodos e aborrecimentos pela
necessidade de enfrentamento aos habituais hipó-
critas e demagogos de plantão.
No entanto, diferentemente do que possam parecer,
tais medidas não se apresentam como fatores de
cerceamento de liberdades ou de discriminação
social, mas sim, a exemplo das crianças, adolescentes
e idosos (que têm até estatutos próprios), como um
meio de proteção a essa gente sofrida e,
definitivamente, excluída do meio social e produtivo.
Quantas vezes um pai não cerceia a liberdade de um
filho, impedindo-o de ir a certos lugares, em seu
próprio benefício?
A solução para a violência não está na atualização do
código penal, nem na potencialização das polícias
(que em realidade têm uma função, em termos de
"prevenção", muito limitada) e, muito menos, na pena
de morte. Isso seria buscar respostas nos efeitos já
consagrados de uma causa que não emerge à discussão
da sociedade, que insiste em ignorá-la, a despeito de
sua importância, e cuja solução está no controle da
natalidade entre os incapazes sociais, na restrição de
sua migração aos grandes centros e na sua formação
como cidadãos (Educação).
Com efeito, como pode subsistir uma pessoa, sem
nenhuma qualificação, em cidades onde até a mão de
obra qualificada e especializada encontra sérias
dificuldades em encontrar emprego?
O que lhe resta senão partir para a informalidade ou,
uma vez que as portas do trabalho se lhe apresentem
fechadas, aceitar o convite e entrar pelos sempre
abertos portais do crime, como única forma de
proteção e subsistência? Como impedir sua revolta,
indignação e ódio?
Afinal, que liberdade é essa, tão hipocritamente
defendida que, por analogia, permite a um homem,
simples e ignorante, a prática inconsciente de um
"suicídio" moral e social?
A essas questões, quem puder, as responda!...Talvez, a
igreja...?
Convém esclarecer que, qualquer tipo de "esmola",
seja oficial (por parte do Estado) ou não, afasta o
homem da sociedade produtiva e não confere
cidadania. Não resolve, por conseguinte, o problema,
caracterizando, tão somente, o que se chama de
"medida cosmética" ou de natureza populista (de
fundo eleitoral), muito comum nos dias de hoje.
Infelizmente essa é a realidade, portanto, não se pode
e não se deve virar as costas a ela.
Retornando agora à igreja, eis aí a Santa Sé e alguns
de seus muitos desmandos. E muito simples: Quem
não seguir os mandamentos da Lei de Deus e da Lei
da Igreja (interpretados e criados por ela mesma) irá
arder no inferno eterno (também criado por ela),
contudo, sendo a própria igreja a única intercessora
de Deus junto aos homens (segundo ela própria), ela
concedeu a si mesma o direito de perdoar os pecados
humanos (por ela definidos), através do batismo e,
principalmente, da confissão, em troca de penitências
e, não raro, em troca de vultosas doações (a venda de
indulgências, muito comum na Europa medieval).
Para tornar o quadro ainda mais convincente, criou o
Diabo, um ente do mal capaz de contrapor-se, em
poder, ao próprio Deus, no entanto, dominado ou
neutralizado, sem a menor dificuldade, por um "sa-
cerdote" munido de uma cruz (estes, facilmente
encontrados em qualquer paróquia de plantão).
A insensatez era tanta que um determinado Papa, um
dos mais cínicos e prósperos a ocupar o trono de
Pedro, deixou escapar, certa vez, sem o mínimo
pudor: - "Quantum no bis prodeste haec fabula Christi" (o
quanto nos ajuda essa fábula do Cristo!). Seu nome:
Leão X.
Com efeito, não foi por uma fé cega no seu Credo,
tampouco pela fé na existência de um "salvador"
chamado Jesus, menos ainda por acreditar serem os
"hereges" criaturas do "diabo" o que levou esses
"homens de Deus" a dar um verdadeiro "banho de
sangue" em todo o mundo cristão, mas sim, a
imperiosa necessidade de manutenção de um
amontoado de "mentiras" que lhes propiciava um
enorme "Poder". Não havia, pois, sequer a
"justificativa" do fanatismo, se é que isso justifica
algo.
Aliás, a simples visão atual do poder, do luxo e da
riqueza faraônica que emanam do Estado do Vaticano
(isso em pleno séc. XXI), aliada a todas as
propriedades que possui, espalhadas por todo o
mundo, permanece como o maior e mais desprezível
monumento, erigido a essa infame instituição, à custa
do sangue, do sofrimento e da escravidão de milhões
de seres humanos. É repugnante.
Não sei por que encantamento secreto os homens se sentem
sempre impelidos a dar a quem tem demais. Quando os
olhos se abrem de admiração para contemplar as relíquias
dos santos incrustadas de ouro, as bolsas abrem-se, por sua
vez, para deixar jorrar mais ouro. Expõem-se a estátua de um
santo ou de uma santa e acredita-se tanto mais na santa
quanto mais carregada de cores estiver. Então, juntam-se
multidões para a beijar e, ao mesmo tempo, pedem-nos que
deixemos uma oferenda; todos esses respeitos se dirigem
mais à beleza do objeto do que à santidade (...) Oh! Vaidade
das vaidades, mas vaidade mais insensata do que vã!
As paredes das igrejas brilham com as riquezas e os pobres
estão na miséria; as suas pedras estão cobertas de dourado e
os seus filhos privados de roupas; utiliza-se o bem dos
pobres para embelezamentos que encantam o olhar dos
ricos. Os amadores encontram na igreja com que satisfazer a
sua curiosidade, e os pobres não encontram lá nada para
sustentar a sua miséria.
(São Bernardo de Clairvaux - Mentor da Ordem do
Templo)
Isso nos leva a pensar que o homem olha para muitas
coisas, em variadas direções, porém, vê muito pouco.
Com efeito, isso ainda é sequela dos muitos séculos
em que foi impedido de exercer a razão e de usar
livremente o seu arbítrio.
Em matéria de "lavagem cerebral" a simples leitura do
"Catecismo Católico" destinado, especialmente, às
crianças, faria corar de incompetência os mais
fervorosos e habilidosos discípulos e aliciadores de
Lênin. Foi o maior atentado contra a mente humana
de que se tem notícia.
Destaque-se, também, o aparecimento de um homem,
um monge, oriundo de uma Ordem de Cavalaria, cuja
formação era templária (descendentes e
continuadores dos ideais templários), sediada,
secretamente, na Abadia de Mont Serrat (Espanha),
onde se reunia, uma vez a cada ano, desde a supressão
do Templo, já havia mais de 200 anos. Seu nome:
"Ignacio de Loyola, considerado o maior estrategista
da história da humanidade depois de Napoleão".
A versão histórica nos fala de uma ordem religiosa
fundada em 1534 por sete estudantes da Universidade
de Paris, lideradas pelo basco Iñigo López de Loyola,
cuja finalidade era a de desenvolver um trabalho
missionário e de assistência hospitalar em Jerusalém,
ou, para onde a vontade do Papa indicasse, denotando
a cega obediência que lhe devotavam. No entanto,
essa era uma "máscara" para o conhecimendo da
Ordem pelo vulgo.
Não se pode mudar o curso da história, virando os retratos
para a parede. (Jawaharlal Nehru)
Quando da decisão dessa Ordem de Cavalaria de se
incorporar ao movimento secreto maçônico, sete
cavaleiros, liderados por Ignacio, tomaram posição
diferente. Ao invés de tentar reduzir ou enfraquecer
o poder da igreja (conforme ideal franco-maçom)
Ignacio tinha um plano melhor (no seu
entendimento): aumentar esse poder para, em
seguida, exercer o controle sobre ele.
Ele dizia: - "O que é melhor, ter o poder diretamente,
ou exercer o poder sobre quem tem o poder?" No seu
entendimento, a segunda hipótese concede poder
sem, no entanto, acarretar o ônus do poder (talvez
tenhamos aqui um exemplo claro de mau uso do
conhecimento secreto templário).
E assim o fez no ano de 1534. Criando um exército de
androides, castos e pobres, programados para levar a
termo seus objetivos, fundou a famigerada Companhia
de Jesus, mais conhecida como a Ordem dos Jesuítas.
Um rápido e superficial contato com a "Mónita
Secreta", a cartilha jesuítica destinada a fornecer as
técnicas e os meios necessários disponíveis para a
obtenção do resultado desejado, encheria de horror e
repulsa o mais insensível dos homens. "Tudo por uma
maior Glória de Deus"!
Santo Ignacio de Loyola "Ad Majorem Dei Gloriam" (tudo
por uma maior glória de Deus) "Acredito que o branco que
eu vejo é negro, se a hierarquia da igreja assim o tiver
determinado"
Os filhos cristãos e católicos podem acusar seus pais pelo
crime de heresia, ainda que saibam que por isso os acusados
tenham que morrer na fogueira... E não só podem negar-
lhes até o alimento, se tratam de apartá-los da fé católica,
mas também podem, com toda justiça, dar-lhes a morte.
(Preceito Jesuítico).
O que tornou a Ordem um pesadelo, em realidade, foi
o fato de que seus objetivos não eram explícitos. Seus
membros agiam nas sombras e, como verdadeiros
robôs programados, acreditavam piamente no que
faziam a ponto de colocar em risco suas próprias
vidas, de seus amigos e, até, de seus familiares,
incitando a todos a procederem da mesma forma;
tudo era permitido, mentir, roubar, enganar, trair,
violar e até matar, e "tudo por uma maior Glória de
Deus"!
Não se podia confiar em ninguém em lugar algum. A
livre expressão, já totalmente restrita aos círculos
mais íntimos, tornou-se uma temeridade, haja vista
que, qualquer um (incluindo parentes, mulheres e
crianças), poderia representar o "olho" ou o "ouvido"
da Ordem, mesmo dentro de sua própria casa. Foi
uma época de grande terror, medo e repressão.
O fato é que a igreja cresceu em poder e a inquisição
nunca esteve tão atuante. Junto a tudo isso cresceu,
também, e de forma desmedida, o poder da Ordem
dentro da Santa Sé, a ponto de se dizer que o papa
oficial era apenas uma figura de decoração sendo, o
"Geral" dos Jesuítas, o detentor do verdadeiro poder
da igreja.
Mas o que são as blasfêmias de todos os hereges, em
comparação com as dos mesmos jesuítas que
dominaram tão completamente o papa, a Roma
eclesiástica e todo o mundo católico? Ouçamos
novamente sua profissão de fé (algumas citações
dentre muitas):
Fazei o que vossa consciência diz ser bom e lícito: se, por
erro invencível acreditais que Deus vos manda mentir e
blasfemar, blasfemai.
Omiti o que vossa consciência diz ser proibido: omiti a
adoração a Deus, se acreditais firmemente que ela é proibida
por Deus.
Será lícito a um eclesiástico, ou a alguém de ordem religiosa,
matar um caluniador que ameaça espalhar acusações atrozes
contra ele ou sua religião (...) um dos maiores títulos para a
admissão na Ordem dos Jesuítas, é um assassinato em defesa
do jesuitismo...
Não há palavras suficientemente expressivas que façam
justiça às emoções que esses preceitos espantosos despertam
no peito de qualquer pessoa honesta... Que o silêncio
resultante do desgosto invencível, seja o tributo mais
adequado a essa obliqüidade moral sem paralelo.
O sentimento popular em Veneza (1606), quando os jesuítas
foram expulsos daquela cidade, expressou-se
violentamente... multidões enormes acompanharam os
exilados até o cais e o grito de despedida que ressoou, após
estarem sobre as ondas, foi: "Ande in Maioral" (Ide embora!
E que a desgraça esteja convosco!)... esse grito ecoou pelos
dois séculos seguintes...
... o clamor de uma moralidade pública ultrajada ergueu-se
contra essa ordem desde o seu nascimento. Apenas quinze
anos haviam se passado desde a bula papal que promulgara a
sua constituição, quando os seus membros começaram a ser
transferidos de um lugar para outro. Portugal e os Países-
Baixos desfizeram-se deles em 1578; a França em 1594;
Veneza em 1606 e Nápoles em 1622 (...). Os jesuítas
causaram mais danos morais neste mundo do que todos os
exércitos infernais do mítico Satã (...) é de tal perversidade
essa doutrina, que autoriza o roubo, a mentira, o perjúrio, a
impureza, toda paixão e crime e, ainda, ensina o homicídio,
o parricídio e o regicídio, destruindo a religião a fim de
substituí-la pela feitiçaria, a blasfêmia, a irreligião e a
idolatria..."
Ignacio ficou conhecido como o "Papa Negro" (o
poder por detrás do papa; a sombra) tornando-se,
indiretamente, o homem mais poderoso da Europa em
sua época.
Em função de suas atividades pouco convencionais,
os "filhos de Loyola" foram execrados e banidos da
Europa e do resto do mundo (1773) retornando,
tempos depois (1814), mas já sem o poder e os obje-
tivos iniciais, uma vez que a própria Santa Sé já
apresentava sinais de decadência, no entanto, no
âmbito interno da igreja, seu poder permanece vivo
até os dias de hoje, especialmente na área da
educação, a qual dominam completamente.
Para concluir essa meteórica síntese jesuítica
informamos que Ignacio de Loyola, esse grande
louco, esse gênio às avessas, é hoje mais conhecido
como "Santo Ignacio".
Há quem diga que alguns Ritos Maçônicos são
cristianizados e têm origem jesuítica. Isso é um erro!
A Maçonaria nada tem de jesuitismo, mas, como
ambas têm uma origem comum (a Ordem do Templo,
que as antecedeu) é mais ou menos lógico que em
alguns de seus Ritos estejam presentes traços do
cristianismo esotérico, presentes nos Rituais
templários. Todavia, sua aplicação e destinação, em
ambas as Ordens, objetivam propósitos distintos que
levam, por diferentes fórmulas, a resultados,
diametralmente, opostos: um anula e escraviza; o
outro, faz crescer e liberta. São, portanto,
radicalmente antagônicos.
Há, ainda, um outro, dentre a infinidade de "Santos"
católicos, cuja grande realização foi o
desenvolvimento de técnicas de tortura capazes de
infringir a maior dor possível, sem derramamento de
sangue e sem acarretar a morte do infeliz supliciado
(que, no entanto, alcançava uma situação limítrofe).
A ele coube, inclusive, a fundação de uma ordem
monástica que foi, pelos seus "dotes", largamente
utilizada no processo inquisitório sendo, seus
monges, enviados aos quatro cantos do mundo
medieval para exercer suas habilidades e aplicar seus
eficientes e convincentes interrogatórios. Seu nome:
"São Domingos" (fundador da Ordem dos
Dominicanos, responsável pelos tribunais da "Santa
Inquisição").
Segundo palavras de Daniel Pellizzari em "O
Surgimento do Cristianismo":
O Tribunal da Santa Inquisição consistia em um corpo
investigatório ignorante, brutal e preconceituoso, dirigido
pela Ordem dos Dominicanos; sua função primordial era
acabar com as facções que se opunham à Igreja
(denominadas heréticas), através do extermínio sistemático
de seus membros.
Não só os hereges, mas também aqueles considerados bruxos
e outros, inocentes como: doentes mentais, homossexuais,
pessoas invejadas por poderosos, mulheres velhas ou
solitárias, não pereciam só em fogueiras, eram, também,
enforcados e esmagados sob pedras; isso quando não
pereciam nas torturas, as quais, de tão cruéis e sádicas, nem
merecem ser citadas... em uma época de forte repressão
sexual, condenavam-se mulheres jovens, que eram despidas
diante de um grupo de investigadores e tinham todo o seu
corpo revistado, diversas vezes, a procura de uma suposta
"marca do diabo"... por fim, eram açoitadas, marcadas a ferro
e violentadas... terminavam condenadas e executadas como
bruxas; seu crime: serem mulheres jovens, belas e invejadas.
Aproximadamente nove milhões de crimes como este foram
cometidos durante a inquisição, ironicamente em nome de
uma religião que se dizia "de amor" (em relação à população
total da Europa medieval, esse número de crimes assume
proporções "estratosféricas"). Nunca um movimento
religioso demonstrou tanta necessidade de exterminar seus
antagonistas, como o cristianismo.
Não bastasse isso, vimos o princípio cristão da
irmandade e da igualdade, literalmente, sepultado
com a condenação, entre outras, da doutrina de João
Huss, sacerdote, teólogo e Reitor da Universidade de
Praga, cujos seguidores eram denominados "Husitas":
Sabei que o interesse da Santa Sé - escreveu o Papa Martinho
V - os impõe o dever de exterminar aos Husitas... esses
ímpios que se atrevem a proclamar princípios de igualdade;
sustentam que todos os cristãos são irmãos; sustentam que o
Cristo veio à terra para abolir a escravidão e, ainda,
conclamam o povo a ser livre... Dirigi vossas forças contra
Bohemia; matai, fazei desertos em qualquer parte, porque
nada pode ser mais agradável a Deus e mais útil à causa dos
Reis, que o extermínio dos Husitas.
Não foi diferente em Paris:
Massacre de São Bartolomeu, de François Dubois
No dia de São Bartolomeu no ano de 1.572, houve um
massacre sangrento em Paris onde morreram dez mil
huguenotes protestantes. O rei francês foi à missa dar graças
solenes pelo assassinato de tantos hereges. A corte papal
recebeu a notícia com grande alegria e o Papa Gregório XII
foi à igreja de São Luís para, também, dar graças pela vitória!
O Papa ordenou que se criasse uma moeda comemorando o
acontecimento.
Medalha "comemorativa" do massacre de São Bartolomeu
Seriam necessárias muitas citações para descrever
toda a crueldade e a intolerância desse "Temido
Colégio de Deus", no entanto, para os fins desse
Trabalho em particular, cremos que o exposto já seja
suficiente.
Com efeito, esse assunto é extenso e polêmico demais
e deve ser tratado individualmente e de forma mais
completa em outra oportunidade. Valemo-nos desses
poucos dados, no entanto, para enfatizar o "grande
empenho" da igreja, desde o seu início, em calar e
eliminar quem quer que fosse (cientistas, religiosos,
místicos, filósofos e outros grupos afins) que pudesse
deter algum conhecimento, buscasse ou mesmo
possuísse parte da "Verdade", pois esta, mesmo que
parcial, em confronto com toda essa "baboseira
teológica", poderia decretar, sem dúvida, o fim do
domínio católico no mundo ocidental.
Conforme palavras de Marcelo Ramos Motta, em seu
texto "Carta a um Maçom":
Creio que já falamos suficientemente da história passada da
Igreja de Roma. Não deve ser necessário que lembremos
Joana D'Arc, nem Gilles de Rais (contra o qual foram feitas
as acusações mais horrendas, das quais jamais se
apresentaram evidências [sequer um ossinho!] das centenas
de crianças que ele havia, supostamente, sacrificado e nem
se falou de seus acusadores e juízes que dividiram, entre si,
seus consideráveis bens), nem os Templários, nem o Impe-
rador Frederico Hohenstaufen, nem João Huss, nem Michel
Servent, nem Henrique IV (assassinado por ordem dos
Jesuítas), nem os Cátaros, nem os Albigenses, nem os
Huguenotes (presbiterianos seguidores de Calvino), nem os
Judeus e Árabes de Portugal e Espanha, nem os Gnósticos
franceses, alemães, escoceses, irlandeses e ingleses que
foram chamados de "feiticeiros" e forçados a confessar obs-
cenidades sob torturas diabólicas, nem Cagliostro, nem uma
quantidade imensa de Maçons, cujos ossos branquejam a
estrada que leva a Roma. Creio que, a um Maçom, não deve
ser necessário falar mais do passado dessa igreja infame.
Alie-se a esses fatos de natureza "religiosa" a
existência de "pseudomonarquias" que chegavam a ter
crianças, devassos e até "débeis mentais" como
soberanos. Acrescente-se, ainda, a presença dos
remidos e cruéis senhores feudais e imaginem a
"bomba" sobre a qual se assentava a sociedade na
Europa medieval.
Hereges sendo queimados pela "Santa Inquisição"
É importante enfatizarmos essa situação limítrofe que
prevalecia naqueles tempos, pois foi exatamente dela
que eclodiu uma "contrafação", a esse estado de
absolutismo, que iria mudar os rumos da História.
Recentemente o papa desculpou-se com a
humanidade pelos mandos e desmandos da Santa Sé
nessa era de terror (que se instalou desde a sua
fundação). Isso é muito pouco. Em realidade essa
infame instituição deveria ser dissolvida, junto aos
seus dogmas e mentiras, e substituída pela Verdade, a
base da única religião possível.
Uma vez de posse, mesmo que de fragmentos dessa
Verdade, o homem verificará que jamais necessitou
de um papa e muito menos de sua dogmática,
ambiciosa, criminosa e manipuladora igreja para en-
contrar o Verbo, o Filho de Deus, dentro de si
mesmo.
Todo homem é um Filho de Deus, um Cristo em
gestação!
Essa é a mensagem do cristianismo primitivo; é a
grande verdade oculta por muitos símbolos, mitos e
lendas, presentes nas mais variadas línguas, lugares e
tradições: "E o Verbo se fez carne e habitou em
nós..." (e não "entre nós", como quis o Concílio de
Nicéia).
O homem é, portanto, uma encarnação do Verbo!
Jonas (João Baptista), Apolônio de Tiana e Simão (Simão
Pedro e Simão, o Mago, dois aspectos de um mesmo
personagem), Adeptos cristãos, ensinaram todos os três: "
Vós sois o Templo do Deus Vivo. Contemplai a Luz dentro
de vós, e sabei que sois Filhos da Luz!
Manipulando essa grande verdade em suas escrituras a
igreja subtraiu do homem a possibilidade dessa
sublime conscientização e realização, relegando-o à
condição de um simples "verme" que já nasce
condenado e, o que é pior, sem nunca ter existido,
uma vez que nega o fato da pré-existência da alma.
Em realidade, a Santa Sé impediu que o homem
ocidental se espiritualizasse, tornando-o um mero
escravo de seus dogmas e regras, concentrado que
esteve, por todo esse tempo, em uma inglória e deses-
perada tentativa de livrar-se de um "imaginário"
inferno eterno.
E necessário evitar que o "Santo Padre", sentado em
seu reluzente trono de ouro, continue,
hipocritamente, ditando regras e normas totalmente
inconsistentes e em total desacordo com a atual
realidade do mundo causando, ainda hoje, polêmicas,
protestos, atrasos e malefícios à sociedade humana,
especialmente nos países mais pobres e
desinformados, características mais ou menos
comuns, coincidência ou não, a todos os países de
predominância católica.
Se o papa realmente quiser esse perdão, deve começar
por descer do seu reluzente trono e fazer, para que
finalmente tenha alguma utilidade, a doação (ou
devolução?) desse imenso e sacrílego patrimônio,
direcionando-o para ações de combate à fome e à
miséria que atormentam e afligem grande parte da
humanidade.
Finalizando, se há, houve ou haverá um dia a figura
de um "Anticristo" (tal e qual a configuração dada
pela própria igreja), essa só poderá corresponder à
nefanda Instituição, que fez de tão sublime realização
espiritual (o Cristo) um instrumento de escravidão do
homem, visando à obtenção de poder e riquezas
materiais à custa, inclusive, dentre outras tantas
práticas hediondas, de milhares e milhares de
assassinatos.
IV — Ordens Solares e Ordens Lunares
Maçonaria e Religião
"A Criação do Homem" - por Michelangelo
Não há região ou vale onde Deus, a causa, cesse e o Homem,
o efeito, comece...
Retornando agora ao tesouro "herético" herdado dos
templários, esclarecemos que, em realidade, esse
"ouro" não é material e sim espiritual e sua total
compreensão, repetimos, está fora do domínio
intelectual, portanto, fora da compreensão da grande
massa da humanidade.
Como tudo o que é estável no universo, ou seja, tudo
o que existe de fato em manifestação, a
espiritualidade está sujeita a duas formas primordiais
de força: uma é ativa (a iniciação) a outra passiva (a
religião); uma "age, produz, faz", a outra "recebe".
Antes de serem opostas ou antagônicas são
complementares e justificam uma a existência da
outra, tal qual o claro justifica o escuro, o quente/o
frio, o alto/o baixo, o forte/o fraco, e por aí adiante.
Da interação e equilíbrio dessas forças resulta o que
chamamos "Espiritualidade".
Os templos religiosos são de natureza lunar, portanto,
passivos. Há então o oficiante ou oficiantes do ritual
que realizam a parte positivo-ativa do culto, sendo os
demais meros espectadores não partícipes do ritual
em si (fiéis/passivos). Tais ritos, lunares ou religiosos,
visam situar o ser humano na melhor posição possível
dentro do "Estado Humano". Por aterem-se a um
trabalho externo ao próprio homem (de fora para
dentro), são chamados exotéricos.
Os templos iniciáticos são de natureza solar, portanto,
ativos. Todos os presentes são operadores e partícipes
ativos do ritual. Esses ritos obedecem a rigorosas leis
de ordem metafísica, utilizam todo o universo da
simbólica Tradicional e o colocam em movimento, de
sorte que, dirigindo forças telúricas e elementáis em
associação com forças siderais ou cósmicas tornam a
Loja um "centro", onde tudo se realiza e de onde tudo
emana. Esses ritos visam conduzir o homem a um
estado "Supra Humano", ou seja, propiciam uma
transcendência, uma transformação real (são
chamados ritos de ordem esotérica, pois são de na-
tureza interior - trabalho interno ou de dentro para
fora).
Diz René Guénon, a respeito do conhecimento
iniciático contido na Tradição Primordial:
Estamos assim em presença de um conhecimento inato,
imanente, que se situa fora do homem; que encerra um
valor não humano, incompreendido e incompreensível por
si mesmo e o homem busca, com frequência, intuitivamente
essa inspiração e o trespasse de seu ser.
E prossegue Guénon:
Essa Tradição, por seu valor absoluto, implica um espírito de
continuidade e entre as suas constantes, o símbolo
permanece como expressão de uma realidade metafísica e
espiritual.
Uma vez "transformado" o homem pode captar o
verdadeiro e único conhecimento possível que,
harmonizando ciência e espiritualidade, física e
metafísica, lhe confere um âmbito de abrangência que
transcende o simples aspecto físico e material e o
remete, diretamente, ao mundo das causas. Por essa
equilibrada e necessária associação todas as ciências e
todas as outras formas de conhecimento tornam-se
"sagradas": a física, a química, a matemática, a
geometria, a geografia, a lógica, a retórica, a política,
a dialética e tantas outras necessárias à compreensão
do universo e ao desenvolvimento e evolução da
mente superior do homem.
Com efeito, o mundo espiritual inicia-se na esfera
mental superior. Se partirmos da verdade de que o
universo manifesto é um pensamento "cristalizado"
do Princípio Supremo e que, no âmbito do homem, a
personalidade humana (o homem material) é um
pensamento "cristalizado" do seu princípio espiritual,
podemos por analogia inferir que, no nível humano
comum, o verdadeiro poder encontra-se na
capacidade de focar ou direcionar o pensamento.
Um pensamento firme, unifocado, aliado a uma forte
vontade, coloca o homem em posição de realizar ou
cristalizar o objeto do seu pensamento (pensamento,
vontade e realização constituem um reflexo da
trindade divina que, em quaisquer casos, representa a
expressão máxima do que é manifesto; o uno em
essência e trino em manifestação). Por essa forma o
homem pode dominar ou controlar as forças
dementais (representativas dos quatro elementos:
terra, água, fogo e ar), submetendo-as à sua vontade,
tais e quais rezam os princípios básicos da magia.
Apenas com o fito de ilustrar o assunto, essas forças
elementais foram muito representadas, em variados
mitos e lendas, pelas figuras dos dragões, que devem
ser dominados (não eliminados) pelos cavaleiros e/ou
guerreiros (espirituais). São como esfinges que
simbolizam o próprio conjunto da personalidade
humana em sua tríplice natureza inferior, acrescido
do fogo transformador (o Espírito Santo - INRI); os
guerreiros ou cavaleiros, por sua vez, representam o
princípio espiritual ativo no homem (o verbo).
Quando o cavaleiro ou guerreiro espiritual, após uma
árdua e penosa batalha, domina ou controla o dragão,
ocorre o que designamos como "iluminação" da
personalidade, onde o princípio espiritual ou ego
superior assume o lugar do ego inferior e,
conseqüentemente, o controle da personalidade,
agora equilibrada, do homem. A partir daí, quem
comanda é a Luz da Alma Imortal, manifesta na
matéria.
Como a alma (verbo/logos) humana é análoga ao sol
(logos solar), todo aquele que submeteu o dragão (o
homem inferior) e conquistou a iluminação, tem
representado, por sobre a cabeça, um "disco solar",
muito comum em gravuras e pinturas de seres divinos
e de santos (auréolas).
Vale salientar que não se deve confundir o poder do
pensamento com magnetismo. Frases do tipo: "Pensar
positivo atrai coisas positivas!" são completamente
equivocadas. Pela Lei da Atração e Repulsão
(magnetismo) o positivo atrai o negativo e vice-versa;
polaridades iguais se repelem. Isso é uma Lei
Universal.
Todo o pensamento é criativo e sua criação é
correspondente à natureza do pensamento utilizado
no processo de criação. Se o pensamento é de elevada
vibração, "por afinidade", a forma mental criada
"corresponderá a esse mesmo padrão vibratório".
Esse não é, efetivamente, um processo de "atração",
mas sim, um processo de "sintonia" ou de "afinidade".
Logo, ao invés de utilizarmos a expressão "Lei da
Atração", deveríamos utilizar a expressão "Lei da
Afinidade" ou Lei da Sintonia" ou ambas (afinidade e
sintonia remetem à ideia de frequências
concordantes, semelhança, relação, mesma tendência,
naturezas coincidentes, parentesco, etc.).
Todos sabemos que as baixas vibrações conduzem ao
que é denso, material e, em contrapartida, as elevadas
vibrações conduzem ao que é sutil, espiritual.
O que ocorre, em realidade, é que um pensamento,
em função de sua natureza, emite ondas de uma
determinada frequência. Da mesma forma que as
emite, ele se põe em sintonia com ondas de
frequência situadas em uma mesma faixa de vibração.
E um processo análogo ao dial de um rádio que
sintoniza no ar uma determinada frequência, con-
forme a escolha do operador.
Isso faz com que um pensamento de elevada
frequência coloque o homem em sintonia com ondas
de elevada frequência, produzindo uma atmosfera de
harmonia, saúde, amor, concórdia, paz e bem-estar
que pode ser sentida por quem dele se acerque.
Já um pensamento de baixa frequência o colocará em
sintonia com ondas de baixa frequência, criando uma
atmosfera de desarmonia, doença, cólera, ódio e tudo
o que há de baixo e negativo circulando pela
atmosfera astro-mental planetária, de sorte que suas
criações (formas pensamento) terão essas mesmas
características, causando o afastamento daqueles que
estejam próximos ou no mesmo ambiente.
Como vemos, trata-se de um assunto relacionado às
vibrações de nossas ondas mentais, onde alta e baixa
frequência adquirem o significado de "positivo e
negativo", respectivamente. Isso significa que o pro-
cesso de colocarmo-nos, através de nossas vibrações
mentais, em sintonia com ondas de uma mesma faixa
de frequência (afinidade), não condiz com a definição
de polaridade magnética o que descaracteriza, neste
caso, a atuação da lei de atração (a atração se faz por
oposição; a sintonia se dá por afinidade).
Por essa forma, uma coisa é atrair, outra é sintonizar-
se, situar-se na mesma vibração, na mesma nota. Só
são passíveis de atração elementos, diametralmente,
opostos e o resultado desse fenômeno é o equilíbrio e
a complementaridade. Quanto às frequências
(vibrações), que vão das mais lentas às mais rápidas,
estabelecem uma ligação entre tudo o que possa
vibrar, em um determinado espaço e em uma mesma
nota (afinidade).
Exemplificando, se tivermos vários instrumentos de
cordas em um ambiente e acionarmos em apenas um
deles, que pode ser um piano, a nota Fá (aleatória),
todas as cordas afinadas em Fá, existentes no ambi-
ente, vibrarão em uníssono.
O que vale para um indivíduo vale para um grupo de
indivíduos e lhes confere mais força ainda, pela união
do pensamento focado e pela vontade do grupo em
realizá-lo. Da natureza desse pensamento (padrão
vibracional) resultará a natureza e a finalidade da
forma astro-mental criada. Como podem notar, temos
aqui uma pequena e muito resumida ideia da formação
de uma "egrégora", condição básica para a realização e
o sucesso de qualquer rito de ordem solar.
Vale acrescentar que um rito solar não age como um
receptor (passivo). Em realidade ele "põe em
sintonia", de tal sorte que produzindo uma
determinada vibração, coloca todo o ambiente em
sintonia com idêntica faixa de frequência existente na
atmosfera astro-mental. Trata-se de uma "emanação
de ondas mentais de alta frequência", o que lhe
confere um caráter ativo/solar (mental).
Cabe aqui uma pequena digressão, no que tange à
ausência de mulheres na Maçonaria. Em se tratando
de ritos solares (positivo-ativos) onde todos os
presentes são oficiantes e partícipes neles envolvidos
e sendo a mulher, nos planos inferiores da
manifestação (onde ocorre essa distinção
homem/mulher), um elemento negativo-passivo, sua
eventual presença em Loja poderia comprometer ou
mesmo neutralizar a realização do Rito, pela ruptura
de um dos seus elos (vejam que nos próprios cultos
religiosos, o elemento ativo ou operador é sempre um
sacerdote, um pastor; as mulheres não conduzem
Ritos e cultos).
O homem é ativo e polariza-se no plano mental, a
mulher é passiva e polariza-se no plano emocional ou
astral.
Portanto, para sua consecução, torna-se necessária a
presença exclusiva, no Templo, de elementos
bioelétrico-positivos (o processo é mental, portanto,
positivo, e se dá por afinidade e não por
contraposição de polaridades).
Como se vê não se trata de segregação ou mera
demonstração de superioridade como se supõe, pois
tais atitudes, totalmente descabidas, nunca teriam
lugar entre Maçons, mas sim de obediência a
rigorosas leis de ordem metafísica.
Pode-se, no entanto, adotar-se alguns Ritos especiais,
onde a presença feminina seja admitida, todavia, seu
foco e destinação serão fatalmente diferentes dos
Ritos propriamente maçônicos; terão um aspecto mais
de integração das mulheres nas atividades maçónicas
consideradas externas, dando a estas certo caráter
ritual e cerimonial.
Há Obediências que possuem Ritos chamados de
"Adoção" para Lojas mistas; outras possuem Lojas
mistas ou exclusivamente femininas, onde os Ritos
utilizados são os da Maçonaria regular; tal
procedimento torna, esses últimos, inócuos,
reduzindo-os a meras encenações sem valor
iniciático. Com efeito, a Maçonaria é masculina,
porém, não é e nem jamais poderia ser, "machista",
como muitos tentam, de forma pejorativa, classificar.
Voltando agora às naturezas lunar e solar dos Ritos,
pode-se notar que o primeiro trabalha aberto ao
público em geral (lunar), cujo foco polariza-se no
mundo astral/emocional, portanto, de natureza
passiva, enquanto o segundo trabalha a "Coberto", ou
seja, fechado ao mundo exterior (tal qual na
meditação) cujo foco polariza-se no mundo mental
(solar), portanto, de natureza ativa.
Um transmite e o outro recebe, tal qual o sol emite a
luz de si mesmo e a lua a recebe e reflete.
O homem religioso se prepara para receber uma Luz
que vem de fora, executando cultos, ritos devocionais
e de adoração; o outro, membro de uma ordem solar,
busca a Luz dentro de si mesmo. O religioso crê, tem
fé; o Iniciado sabe! Um se foca na emoção, o outro na
razão! Um lida com os efeitos, o outro com as causas!
O discurso religioso é emocional, devocional; o
discurso solar é racional.
Logo, não há paradoxo algum nas respostas dadas às
famosas perguntas:
- a Maçonaria é uma Religião? Não!
- Mas ela é uma Força Espiritual? Sim!
Portanto, é fundamental ao Maçom não a "crença",
mas sim o conhecimento ou ideia de Deus e do fato
da preexistência ou imortalidade da alma
(entendendo-se como alma o princípio espiritual do
homem, o verbo e não a natureza emocional/mental
inferior, conhecida como alma animal).
É importante que se ressalte que a visão de Deus a
que nos referimos difere muito da concepção
religiosa. Não concebemos Deus como um ancião de
barbas (antropomorfizado), rodo poderoso, onisciente
e onipresente, que castiga ou premia suas criaturas
conforme a natureza de seus atos; não o vemos como
um ser, um espírito, uma pessoa; qualquer definição
possível levaria a uma total limitação daquilo que Ele
é. No entanto, é possível vê-lo como o "Supremo
Princípio" de tudo o que há no universo, manifesto
ou não. Esse Deus transcendente, incognoscível,
inexplicável, que se situa, inimaginavelmente, acima
de nossa incipiente capacidade de compreensão e
muito além da somatória de toda a "Criação".
De um fragmento de Mim mesmo, todo o Universo
foi criado; ainda assim, Eu subsisto!
Tudo o que existe e se manifesta no Universo emana
de um mesmo ponto, um centro que não está em
parte alguma e está em toda parte ao mesmo tempo.
Transcendente, indefinível e incompreensível, ao
qual denominamos Deus, O Supremo Arquiteto.
"NOVUS ORDO SECLORUM" (O Olho que tudo vê)
Dessa forma, procuramos ater-nos ao conhecimento
possível de Deus manifesto em sua criação; de Deus
imanente em tudo o que há no Universo. Por essa
visão, podemos percebê-lo no conjunto de forças e de
leis que regem e mantêm o Universo estável e em
harmonia; na beleza e na perfeição da Natureza; na
sua intenção, consubstanciada pela evolução e
expansão cósmicas e nos mais profundos recônditos
da alma humana.
Todo Iniciado é um benemérito, um filantropo; isso
faz parte de sua natureza, antes mesmo da Iniciação;
representa a consequência de um estado consciencial
mínimo exigido para que ele se apresente à Iniciação,
ou seja, é um dos fatores como, entre outros a
"liderança", que o tornam iniciável (pode-se notar
que, diferentemente das ordens religiosas, o
candidato a uma ordem solar deve estar previamente
preparado). No entanto, a natureza da benemerência
maçônica difere muito da forma convencional,
habitualmente praticada pelas ordens religiosas. Ela
visa o coletivo e busca trabalhar, sempre, nas causas
que dão origem ao sofrimento e às carências
humanas.
A Maçonaria não atua nos efeitos; ela busca a solução
dos problemas interferindo, diretamente, nas causas.
De qualquer maneira, a Maçonaria não é uma ordem
beneficente. Ela é uma ordem solar, iniciática, que se
dedica, única e exclusivamente, ao crescimento
espiritual do homem. Como instituição ela não se
envolve em nenhuma atividade considerada externa;
sua atuação só pode ocorrer, verdadeiramente, no
silêncio do mundo interno, após a abertura dos
trabalhos em Loja, e nas ágapes fraternais.
Tanto a benemerência como quaisquer outras
atividades que, pela sua natureza, dela irradiem, sejam
elas políticas, sociais, culturais, científicas, etc., serão
sempre levadas a cabo pelos Maçons, individual ou
coletivamente, enquanto membros ativos da
sociedade civil, seja através da criação de
fraternidades ou organizações, seja dando apoio e
suporte às já existentes ou, ainda, colaborando com os
poderes constituídos ou deles participando, tudo no
maior recato e discrição possíveis.
Faz-se "mister" que, todo aquele que procura adentrar
os Templos Maçônicos, seja detidamente instruído a
esse respeito, para que não haja confusões ou
desilusões posteriores. Para a prática e o desenvolvi-
mento de atividades relacionadas à caridade
convencional, há inúmeras organizações, religiosas ou
não, que podem satisfazer plenamente a esses
objetivos ou necessidades.
Segundo Jean-Pierre Bayard:
Para entrar na Maçonaria é preciso ter o desejo; apresentado
por um Padrinho, o Profano já tem um desejo consciente.
Ele deve ser permeável às grandes ideias desinteressadas, ser
perfectível e ter as virtualidades de ser iniciável.
A Maçonaria admite todos os homens "livres e de bons
costumes", mas pratica questionamentos; essas qualidades,
em realidade, apontam, apenas, para um bom cidadão, um
bom homem. Aquele que vem bater em sua porta não é um
Iniciado; a Maçonaria busca então aquele que possua em si,
qualificações particulares próprias, para fazê-lo receber esse
caráter Tradicional, que não podem ser nem de ordem
moral, nem de ordem social, mas a busca de um estado
supra-individual. Eis por que essa difere da diligência
religiosa, pois o futuro Iniciado deve estar apto com
"antecedência".
A Iniciação tem como objetivo essencial ultrapassar as
possibilidades do "Estado Humano", tornar, efetivamente
possível, a passagem aos estados superiores, e mesmo,
conduzir o ser além de qualquer estado condicionado,
qualquer que seja.
A Iniciação desperta o ser, o põe sobre "a trilha", o conduz a
um caminho que leva ao "Princípio''.
Voltando agora à ritualística, observa-se que o
Templo Maçónico é uma réplica exata do macrocosmo
(o universo) e, também, uma cópia exata do
microcosmo (o homem); durante a execução dos Ritos
esse Todo e essa Parte são colocados em estreita
relação, ou seja, o universo pronto, desenvolvido, em
relação com o universo em formação visando sua
evolução.
Especificamente no R.'. E.'. A.'. A.'. e no Rito
Moderno ou Francês a organização do Templo é,
essencialmente, cabalista; de forma geral, todos os
Ritos obedecem a rígidos padrões de natureza
hermética.
Se considerarmos que o Todo contém a Parte e a
Parte contém o Todo, tal qual uma semente, vem daí
uma primeira grande Verdade para meditação, com
todas as suas implicações:
O homem é um Universo em formação...
Fica claro que nada do que é feito nos variados Ritos
Maçônicos é por acaso: a orientação e a ornamentação
do Templo, cada gesto, cada palavra, a circulação, o
posicionamento das luzes, dignidades e oficiais, a
distribuição dos demais Irmãos, a rígida hierarquia, o
tempo "fora do tempo", cada Sinal, tudo atende a uma
orquestração cósmica que dá ao Rito o seu caráter
iniciático.
A repetição constante de Sinais, Gestos, Palavras,
Batidas e materiais usados, por séculos e séculos,
empresta aos trabalhos o ritmo necessário à sua
eficácia, por isso, não devem ser alterados em
essência. Isso tudo provém da tradição primordial,
sagrada, portanto, provém do absoluto, imutável.
Um Rito é um Símbolo posto em movimento! Um
Rito exalta e direciona o Pensamento e a Vontade do
homem!
Os Templos, devidamente ornamentados, revelam,
logo no átrio, na entrada do templo interior, a
dualidade que deve ser sintetizada, dialeticamente, no
ternário (o Delta - 1a figura geométrica): a coluna "J"
revela o poder sacerdotal e a coluna "B" revela o
poder real ou secular. Representam a dualidade do
mundo exterior.
Pode-se observar que dentro do Templo (no mundo
interno) já não constam apenas duas Colunas, mas
três (Delta - sabedoria, força e beleza) representadas
pelas Luzes da Loja, significando a realização do
ternário ou trindade e a consumação da estabilidade
(mais conhecida como imortalidade da alma e que
deve ser construída e conquistada, individualmente).
Ainda com respeito às colunas do átrio, Boaz, casado
com Ruth, era o bisavô de Davi, Rei de Israel, e fazia
parte da tribo de Judá, dinastia Real de Israel (diz-se
de Jesus, como da estirpe de Davi, logo, a seu tempo,
o Rei dos Judeus).
Jachin era o supremo sacerdote da tribo de Levi (ao
redor do Templo), tribo que representava o aspecto
"sacerdotal" de Israel. As duas Colunas representam,
também, os dois pontos solsticiais (verão e inverno
no hemisfério norte, invertendo-se no hemisfério
sul).
A Coluna B refere-se ao solsticio de Câncer (verão no
hemisfério norte e inverno no hemisfério sul) e se
relaciona a João Baptista; já a Coluna J, refere-se ao
solsticio de Capricórnio (inverno no hemisfério norte
e verão no hemisfério sul), relacionando-se a João
Evangelista e ao nascimento de deuses solares.
Com efeito, a partir do posicionamento dessas
Colunas (situadas no átrio do Templo), estabelecem-se
duas linhas imaginárias representando os respectivos
trópicos, que avançam até os limites do Templo: ao
lado norte da linha do equador (que é central à Loja)
o de Câncer, e ao sul do equador, o de Capricórnio.
Saliente-se que essas duas paralelas tangenciam um
círculo (imaginário) traçado no centro do Templo, na
altura do sol do meio-dia (posição do 2o Vig.'.),
representando o "Centro da Loja", "Centro do
Mundo" local onde deveria estar colocado o Altar dos
Juramentos com o Livro da Lei, o Esquadro e o
Compasso e que, por alguma razão que desco-
nhecemos, encontra-se, em vários dos seus Ritos,
posicionado no Oriente.
Aliás, a título de ilustração e em função de outras
razões desconhecidas, não compreendemos o
"porquê" da composição dos Templos no hemisfério
sul obedecer, exatamente, a mesma configuração dos
Templos no hemisfério norte, haja vista tratar-se de
Templos solares e ao fato de os pontos solsticiais e
equinociais se apresentarem invertidos em ambos os
hemisférios.
Julgamos fundamental, portanto, que um grupo de
estudos se "debruce" sobre o assunto, dada a sua
importância, para estabelecer essas alterações e
adaptações. A "linha" do Oriente/Ocidente, talvez,
permaneça intocada; a "linha" Norte/Sul, no entanto,
apresenta-se, totalmente, invertida. De qualquer
forma, serão requeridas mudanças de posições na
Abóbada Celeste (planetas e estrelas), em alguns
altares e, também, nas Colunas do Templo, incluindo
o átrio (J e B).
Vê-se, de forma clara, que a Ordem iniciática trabalha
com o homem interno (espiritual), diferentemente da
Ordem religiosa, cujo objetivo é o homem externo (a
personalidade humana em suas naturezas física,
emocional e mental concreta).
Pode então um Profano que tenha acesso à leitura dos
Rituais e da vasta bibliografia maçônica disponível
tornar-se um Iniciado ou tocar seus Símbolos (a
Maçonaria é um dos temas literários mais explorados
do mundo)?
Evidentemente que não e esse é o "Grande Segredo".
Só terá acesso, passo a passo, ao grande "segredo
maçónico" aquele que reúna as qualidades necessárias
para tornar-se Maçom (qualidades intrínsecas que o
tornem iniciável) e, uma vez Iniciado, estude muito e
participe dos Rituais com vontade, pensamento forte
e unifocado, discernimento, seriedade e de forma
especialmente solene evitando, ao máximo, a quebra
de ritmo.
Ser Maçom é um exercício constante, árduo, penoso,
difícil, porém, altamente gratificante. Tornar-se
Maçom exige uma profunda reflexão em função do
alto grau de comprometimento e entrega que
acarreta. É uma opção de vida; uma condição
existencial cujo maior compromisso é consigo
próprio, com sua própria divindade. Seu maior
objetivo: o sacrifício em favor do bem-estar, da
liberdade e do crescimento espiritual de toda a
humanidade (iniciações raciais).
Não há como ter acesso à Maçonaria senão vivendo-a
e isso não se faz simplesmente entrando para a
Ordem, mas sim, ao contrário e definitivamente,
permitindo que a Maçonaria adentre e ocupe seu ser
interior, seu templo interno. Da mesma forma que a
Maçonaria abre as portas de seus Templos àqueles
escolhidos, faz-se mister que estes abram as portas de
seu íntimo, seu Templo Interno, para que a
Maçonaria os ocupe e realize a sua Obra.
A participação constante nos Rituais, o conhecimento
das forças postas em movimento, o entendimento do
alto significado dos símbolos, mitos, lendas (para
além do seu aspecto ético e moral) e, enfim, do obje-
tivo central das reuniões voltado para o crescimento
espiritual do homem aliados à prática constante da
fraternidade, do serviço aos seus semelhantes e do
compartilhamento de refeições, entre outros
procedimentos, levam o homem, com o decorrer do
tempo, à transcendência, à verdadeira transformação
interior e ao verdadeiro estágio consciencial humano,
o do homem real, verdadeiro, o do Rei.
Essa é a única forma de poder real. Em realidade, esse
é o único poder possível de ser alcançado e cuja
conquista estará, sempre, atrelada à expansão,
concomitante, da esfera consciencial do homem.
Esse é o produto que a Sublime Ordem entrega para o
mundo: "homens capazes de realizar, de liderar, de dirigir e
de orientar todo o processo de evolução em curso no
planeta, em consonância com os Planos do Grande
Arquiteto do Universo e dentro dos parâmetros por Ele defi-
nidos". Tudo isso sem deixar rastros, marcas, sem nada
exigir para si, posto que alcançaram um estágio
consciencial tal que o serviço, pelo serviço, prestado
à humanidade e a todos os reinos em evolução em
nosso mundo é a razão mesma de suas próprias vidas.
Eles formam um pequeno contingente, destacado da
grande massa humana; muitos aparecem na história
em seus momentos cruciais, mas a grande maioria é
sempre invisível e silenciosa, como sempre convém
ser.
Dos menores serviços comunitários aos grandes
movimentos mundiais (sempre visando o bem-estar
comum), lá estarão eles, em perfeito sincronismo.
V — A Importância da Correta Interpretação dos
Símbolos, Mitos e Lendas
"Símbolo da dualidade" (segundo Kliphas Levi)
Não meças com palavras o Imensurável,
nem mergulhe a sonda do pensamento no Inatingível.
Quem pergunta, erra;
quem responde, erra. Nada digas.
Com efeito, o homem real é a consciência, que é o
produto da intersecção do espírito com a matéria
(manifestação), tal qual representada pelo ponto de
intersecção dos braços vertical e horizontal da cruz.
Representa o equilíbrio entre o espírito e a matéria
obtido através da experiência (a rosa no centro da
cruz).
E o Verbo, o Filho, a Qualidade. E o homem real,
verdadeiro, que deve ser formado a partir dessa
mesma experiência ao longo de sucessivas
manifestações. Esse é o objetivo e o propósito da roda
da vida. No atual estágio de evolução, o homem é
apenas uma promessa, uma possibilidade, um glorioso
"vir a ser".
O Homem é um "Ser" em construção....!!!
E essa alma (consciência) ou Cristo ou mestre interno
ou eu superior, ou seja, lá o nome que se lhe dê,
quem evolui e é essa mesma consciência que
representa o homem real, o rei, o vencedor da morte
(a conquista da imortalidade designada pelas religiões
cristãs como "salvação" e que nada mais é do que a
conquista da "estabilidade" única forma de adquirir o
estado de perenidade à verdadeira individualidade - a
alma, o verbo ou consciência superior).
Este é o ser divino (interno) que deve ser
exteriorizado para que o homem manifeste a luz e
conquiste o verdadeiro status humano: o do verbo, do
qual o Santo Graal e o próprio Cristo (o Graal vivo)
são, tão somente, um símbolo.
Não devemos confundir o personagem representado
por "Jesus", com o seu título: "Cristo". Jesus
simbolizava um homem que manifestava o Cristo.
Todo homem carrega em si mesmo um Cristo em
formação e esse termo significa um estado de
consciência, um status espiritual. Esse é o arquétipo, o
objetivo a ser conquistado por toda a humanidade em
evolução: "manifestar o Cristo", tais e quais os passos
do caminho iniciático, oculto na própria vida do mito
solar.
Eu sou o caminho, a verdade e a vida...
E por essa razão que os templários, ao guardarem essa
ciência sagrada (iniciática) foram, simbolicamente,
intitulados guardiões do "Santo Graal" ou do "Santo
Sepulcro" (a luz oculta).
Pode-se deduzir a grande confusão estabelecida na
sucessão dos reis seculares (que deveriam ser homens
reais), onde a herança considerada era de caráter
hereditário (consanguíneo).
Não se pode transmitir a iluminação por essa forma,
ela é sempre uma conquista individual; os métodos
dinásticos utilizados representaram o maior e mais
esdrúxulo dos muitos erros já cometidos pelo homem
na sempre eterna confusão que faz entre o homem
material e o homem espiritual, principalmente, pelo
fato de que um contém o outro (um é efeito e o
outro, causa).
O homem tem a tendência de confundir mitos com
fatos, de sorte que, ao invés de ter a percepção de
seus verdadeiros significados e do seu rico valor
simbólico, acaba por encará-los como acontecimentos
reais, literalmente.
Recentemente tivemos notícia de que mais uma
expedição, muito bem equipada (material técnico e
humano), partiu para certas regiões montanhosas (o
Monte Ararat, na atual Turquia) em busca de frag-
mentos da Arca de Noé (já se contam dezenas de
expedições com esse fim, algumas utilizando, até,
modernos processos de localização, via satélite).
Essas buscas representam um grande desperdício de
energia, dinheiro e de tempo e se tornam, tão
insanas, quanto aquelas que procuram o verdadeiro
vaso sagrado conhecido como o Santo Graal ou, até
mesmo, aquelas outras que nutrem a esperança de
encontrar fragmentos da cruz do Cristo.
Até a improvável múmia de M. Hiram, contendo os
possíveis vestígios dos ferimentos que o mataram, já
foi objeto de buscas e pesquisas realizadas por
(pasmem todos!) Irmãos da Ordem.
A morte de Hiram, análoga à morte do Cristo,
representa uma morte "iniciática e simbólica", onde o
"Mestre" (a palavra, o verbo) é morto e sepultado na
matéria (a personalidade humana em sua tríplice
natureza inferior), de onde irá ressurgir, vencedor da
morte e consumado na luz da experiência.
Os três ferimentos que o "mataram", representam três
centros de força existentes no etérico do homem
(cabeça, coração e garganta) relacionados,
especificamente, à tríplice natureza superior do
homem, obscurecida e anulada pelos correspondentes
centros de força inferiores da personalidade humana
(abaixo do diafragma), os quais se relacionam às
naturezas mental, emocional e física, simbolicamente,
seus três assassinos.
De forma objetiva, o Mestre (o Ego Superior) foi,
simbolicamente, assassinado pela personalidade
tríplice (o ego inferior ou os três companheiros).
Idêntico simbolismo aparece no episódio bíblico do
"assassinato" de Abel (o Ego Superior) por Caim (o
ego inferior). Porém, não fora por Caim, jamais Abel
ressurgiria na luz da experiência, permanecendo,
eternamente, como um ser virginal.
Caim é o senhor das civilizações, é o obreiro, o
construtor; é aquele que age, produz, faz. Daí a
utilização da expressão "Cainistas", atribuída aos
Maçons e cujo significado, por total ignorância de seu
valor simbólico, remete a ideias de natureza maligna.
Caim (o homem material) trabalha para que Abel (o
homem espiritual) se divinize e se manifeste!
Antigamente, quando era comum oferecer sacrifícios
animais aos deuses, os judeus se utilizavam de dois
bodes sagrados: um branco e puro, que era sacrificado
a Jeová, e outro preto, carregado com todos os
pecados do povo, acrescidos das maldições dos
sacerdotes, que era impelido ao deserto para expiação.
Caim conduzindo Abel à morte - por James Tissot
Pode-se inferir daí, o porquê do Maçom ser
identificado com o "bode preto" (símbolo solar e do
fogo). Aliás, o bode preto foi, também, identificado
ao próprio Salvador. Essa prática acabou, ainda, por
dar origem a uma expressão muito conhecida: "O
Bode Expiatório!".
Com efeito, ainda relativamente aos centros de força,
cujo assunto é extenso e não cabe ser desdobrado
nesse Trabalho, verificamos que o Avental do
Aprendiz possui a abeta levantada até a altura do
diafragma. Numa primeira interpretação isso
representa o espírito (triângulo) pairando sobre a
matéria (quadrado). Quando da consumação do Grau,
após a Elevação ao segundo Grau, a abeta é dobrada e
inserida no Avental (o triângulo se insere no
quadrado) sugerindo o entrelaçamento das duas
naturezas, espiritual e material, do homem (neste
mesmo Grau, Compasso e Esquadro encontram-se,
analogamente, entrelaçados).
No entanto, em seu sentido mais prático, a abeta do
Avental (que é feito de material "isolante") impede
que o centro, referente ao plexo solar do Aprendiz
(ainda não senhor dos seus desejos e paixões de natu-
reza inferior), entre em contato e contamine o
ambiente e a egrégora da Loja aberta. Eis o porquê de,
só após a consumação do Grau e da submissão das
paixões e desejos inferiores, o Iniciado ser Elevado ao
segundo Grau podendo, assim, abaixar a abeta de seu
Avental e expor o centro do plexo solar, agora em
equilíbrio.
A total falta de conhecimento desses Símbolos e seus
sublimes significados é a responsável pelo ridículo
dessas buscas e expedições e reforça o estado de
confusão e romantismo em que o homem se insere
nesses assuntos. Isso é patético!
Todos os livros, considerados "Sagrados", são de
natureza simbólica, mitológica; não contêm, portanto,
nenhum valor histórico.
Mais esdrúxula ainda e confirmando a confusão que
acabamos de expor é a afirmação de certas correntes
que crêem, de forma literal, em uma "linhagem
sagrada" e preservada, da qual o homem Jesus faria
parte, denominada dinastia merovíngia (da "estirpe de
Davi", da tribo de Judá, dinastia real de Israel,
portadores do sangreal). Segundo contam, essa
dinastia nos deu diversos "reis e rainhas" e permanece
oculta, até os dias atuais, para reivindicar seus direitos
no momento oportuno (uma das premissas básicas,
inclusive, de diversas teorias relacionadas ao
Sionismo e à grande conspiração).
Muito romântico, não fora apenas simbólico: não
pode haver descendência de personagens mitológicos!
Uma tal descendência de ordem hereditária, se fosse
possível, estaria hoje, dois mil anos depois, tão
misturada e impura que, talvez, não pudesse nem ser
reconhecida, mesmo que se tenha arrastado por meios
"incestuosos".
O culto à divindade feminina, consubstanciado na
figura de Maria Magdalena (supostamente, esposa do
Cristo) que, grávida de Jesus, teria dado continuidade
à propalada dinastia, oculta, mais uma vez, como já o
havia feito-a virgem Maria, a divindade de nossa mãe
Terra (o mundo manifesto), essa sim a grande virgem,
fecundada pelo Espírito, que traz em seu ventre o
"Cristo em gestação" - o Homem - tornando-se sua
mãe e sua nutriz (a figura da virgem e da criança, com
idêntico simbolismo, faz parte de diversas tradições, a
maioria delas muito anteriores ao cristianismo, a
exemplo de Isis com o pequeno Hoor, da tradição
egípcia).
Essa dinastia, efetivamente, existe, porém, é de
ordem espiritual; por consequência, sua representação
material é, totalmente, simbólica.
É, portanto, fundamental que se entenda o alcance e a
sublimidade do verdadeiro significado dessas
representações, pois elas nos põem em contato direto
com Deus, imanente em nosso íntimo, nos incitando
a reconhecê-lo e a exteriorizá-lo. Por outro lado seu
entendimento, de forma literal, conduz a deduções
fantasiosas e a teorias mirabolantes, como essas
relacionadas à grande conspiração, cujo assunto não
cabe ter um desdobramento aqui, mas fica registrado
como tema, para pesquisas ou outro texto mais
específico, dada a sua complexidade. No entanto,
partindo-se de uma premissa falsa, a conclusão, por
mais adequada, complexa e detalhada que seja será,
necessariamente, falsa.
Foi de tal ordem a falta dessa consciência da "Grande
Mãe" que o homem, durante seu caminho evolutivo,
acabou por destruir, de forma brutal e inapelável,
aquela que gerou e lhe cedeu seu próprio "ser de
manifestação", ou seja, seus corpos físico, emocional
e mental (a Grande Mãe faz parte do corpo físico do
Logos Solar - O Logos Demiurgo -aquele no qual
existimos, nos movemos e temos o nosso ser).
Gaia
O homem real teria feito o justo uso dos reinos da
natureza à sua disposição e não teria perdido de vista,
por nenhum momento, a necessidade de preservação,
para que esses reinos naturais (mineral, vegetal e
animal) pudessem, também, evoluir e crescer.
E necessário que se compreenda que tudo, na Criação,
está relacionado e interligado. O homem, por
constituir uma síntese dos três reinos que lhe são
inferiores, encontra suas três naturezas básicas a eles
relacionadas, correspondendo ainda, cada qual, a um
elemento, quais sejam: o reino mineral (homem físico
- terra), o reino vegetal (homem emocional - água) e
o reino animal (homem mental - ar).
Mas este homem ainda não está pronto, logo, de tal
forma isso foi negligenciado, que hoje nossa Grande
Mãe está morrendo, desestabilizou-se.
O reino mineral sofre alterações profundas e, dentre
outras muitas agressões, ressaltamos a contaminação
do solo e das águas pela produção de lixo e resíduos
de toda a sorte. Pela mesma razão, a destruição at-
mosférica se faz presente, trazendo com ela
importantes alterações climáticas (o aquecimento
global gerado pelo efeito estufa) responsáveis, dentre
tantas outras desordens, pela crescente escassez do
elemento água.
O reino vegetal, com milhares de espécies já extintas,
é outro que se esvai e com ele os pulmões do mundo
(grandes florestas), o que reforça o desequilíbrio
climático, altera os teores de oxigênio e dióxido de
carbono na atmosfera e reduz, substancialmente, o
alimento no mundo.
Com a quebra do sistema, o reino animal, igualmente
agonizante, está em extinção, liquidando mais ainda
as possibilidades de alimento e incluindo o homem
em uma posição em que ele jamais esteve: na cadeia
alimentar de algumas espécies.
Finalmente e em contrapartida, o reino hominal é o
único que cresce em proporções alarmantes, de tal
sorte que, em um curtíssimo espaço de tempo, o
mundo estará urbanizado; só restando sobre a su-
perfície do planeta, o homem, a sede, a fome, a
doença, a miséria, a violência e a morte.
Reiteramos que o homem se esqueceu de que ele
mesmo faz parte de um vasto sistema de vida na Terra
e a menos que um grande cataclismo reduza de forma
drástica a população humana e, na mesma proporção,
aumente sua consciência a ponto de iniciar
imediatamente a recuperação dos recursos naturais, a
vida, tal qual a conhecemos, estará,
irremediavelmente, perdida.
Como essa "cataclísmica" hipótese é remota, a
conclusão nos parece óbvia. No entanto, em
acréscimo a inúmeros acontecimentos e catástrofes
naturais que assolam de forma singular nosso mundo
nos dias de hoje, o aparecimento de diversas doenças
exóticas, letais ao ser humano, possuidoras de uma
resistência incomum e de uma mutabilidade incrível,
o que torna seu controle algo insolúvel a curto e a
médio prazos, onde, então, outras já estarão em pleno
desenvolvimento, podem indicar uma "reação" do
organismo Terra, através de algo semelhante à
produção de anticorpos (por analogia), para manter
sob controle esse "vírus", ao qual se assemelha o
homem "inferior".
Entretanto, e por mais estranho que possa parecer,
esse processo caótico e irreversível pelo qual
passamos é transitório e necessário ao crescimento
humano e a evolução do próprio planeta.
Como dizia Einstein: - "O Velho não joga dados!"
(Deus não tira a sorte), ou seja, não há força cega na
natureza (incluindo o homem) e tudo tende a cumprir
um elaborado e perfeito plano de evolução em curso
no mundo e no Universo.
A Grande Mãe voltará a se estabilizar (talvez à custa
da vida, conforme a conhecemos) e, quando a
próxima humanidade vier à manifestação, essa
consciência planetária estará impressa em sua alma e
em seu caráter. A partir daí, um novo trajeto
evolutivo será encetado, um novo quadro arquétipo
apresentado, em um nível superior, possibilitando,
entre outros avanços, a realização da fraternidade e a
convivência harmônica entre os reinos naturais,
incluindo o nominal.
Terá início, então, a partir de um ponto superior, um
novo ciclo de vida planetário.
É nessa eterna alternância entre a construção e a
destruição, entre a vida e a morte, que "Aquele" que
habita a forma evolui; é isso que cria o movimento de
renovação e expansão cósmicas, que destrói o edifício
obsoleto e reconstrói um outro mais apto, mais
equipado, para receber habitantes, também, mais
especializados. Por essa visão, podemos entender a
relatividade do bem e do mal e de todas as diferenças
e paradoxos. A isso chamamos "Evolução".
Por isso tudo, sempre é conveniente lembrar:
O bem absoluto é parte daquilo que não compreendemos
intelectualmente, e designamos como Deus; o mal absoluto,
não existe!
Diz C. Jinarajadasa sobre a evolução da vida:
A vida evolui dessa forma, libertando em cada estágio um
pouco mais de consciência nela engastada e tornando-se,
firmemente, um reflexo mais completo da sabedoria, da
força e da beleza divinas. Todo aquele que pode sonhar
conjuntamente com o mineral, partilhar as sensações de
uma flor, regozijar-se com os pássaros, simpatizar com os
desejos e as alegrias dos animais, é um poeta, um vidente,
cuja imaginação percebe o propósito divino com que foram
criados. Não somente olhando uma paisagem, mas pensando
e sentindo como cada talo de grama, cada planta, cada
árvore abrem o seu coração aos raios do sol; como cada um
deles contribui com sua tênue nota ao concerto maravilhoso
da natureza, é que o homem se eleva acima das limitações
humanas e se reveste dos atributos do Anjo, do Deva e,
finalmente, do próprio Deus.
Não disse o Logos: "Levanta a pedra e ali me acharás; parte a
madeira e ali estou!" Para o que tem ouvidos para ouvir, não
há melodia só na ressaca do mar ou no murmúrio dos
bosques; há também um Canto da Natureza em toda a parte
onde existir uma parcela mínima de matéria fazendo parte
do Grande Plano. Da terra, do céu e do inferno, dos recantos
de todos os mundos visíveis e invisíveis, sempre se ergue
triunfante o Hino da Natureza:
"Assim, no rugente tear do Tempo, eu teço, para Deus, a
veste através da qual tu vês"
Façamos, então, um "brinde" à Natureza!
Retornando agora ao assunto relacionado às dinastias
e para finalizá-lo, esclarecemos que a transmissão
espiritual se faz de um iluminado para outro
iluminado, ambos auto-realizados, e essa dinastia não
é e nem poderia ser hereditária (consanguínea); o
Sangreal ou sangue real simboliza a condição de "ser
iluminado", tal qual conhecemos a expressão "sangue
azul", empregada pela realeza nos dias de hoje. O
sangue é um símbolo do espírito e, por tratar-se de
um símbolo, seu valor não pode ser transmitido
fisicamente (de pai para filho). E uma conquista!
Resumindo, aqueles que guardam o Santo Graal (essa
sim a verdadeira dinastia espiritual, real) são as
Ordens Solares Tradicionais que se sucedem e
ocultam o mistério iniciático, capaz de transformar o
homem, já evoluído, em um ser iluminado, um Rei
(um portador do simbólico sangreal).
Vale salientar que o verdadeiro Iniciado, realmente,
apresenta uma nova "configuração" no seu DNA, no
entanto, essa mutação não é hereditária, mas sim,
resultante de um longo e árduo trabalho realizado na
esfera da individualidade (ou alma).
Daí, como foi tratado no início do texto, a existência
do "atalho iniciático" destinado àqueles considerados
mais aptos para esse fim e cujos critérios de escolha
não cogitam de elementos de superioridade ou
inferioridade (que, verdadeiramente, não existem no
universo), mas sim, da consideração de "tempos de
consciência" diferentes.
E preciso que se entenda que por sua ligação à
Tradição Sagrada, inumana e imaterial, essas Ordens
formam, no mundo em que vivemos, homens de uma
alta espiritualidade, presente e ativamente manifesta,
que os coloca em sintonia direta (no mesmo padrão
vibracional) com a elevada Hierarquia espiritual
(supra-humana) encarregada da evolução do homem e
do planeta.
Em verdade, esses homens são a expressão ou
tentáculos dessa Hierarquia na esfera física, em
diversos graus. Essa Hierarquia é o verdadeiro
"Governo Oculto" do mundo, porque é subjetiva.
Essa é a natureza real, imaterial e o significado do
simbolismo representado pelo discutido e
recentemente famoso "Priorado de Sion", que vela
pela continuidade da dinastia espiritual manifesta, que
guia a humanidade em sua marcha evolutiva, ao longo
de eras. Logo, essa sublime Hierarquia (também
conhecida como "A Grande Fraternidade Branca"),
sempre esteve presente, por trás das Ordens
Iniciáticas Tradicionais, desde o advento do homem.
Não se trata, portanto, de uma organização humana e
material (como vários grupos reivindicam para si), no
entanto, exerce e detém uma poderosa influência.
"Sion" representa a cidade celeste, o centro do mundo
de onde tudo emana; é imaterial e atemporal; é a
Jerusalém Celeste da mitologia, o "axis mundi", o
ponto de onde emana a vontade do Grande Arquiteto
do Universo.
A utilização do termo "Sion" (Jerusalém) se justifica
pela adoção da mitologia hebraica na concepção dos
Ritos e mitos templários e maçónicos e, também, por
constituir a base do cristianismo, fundamento da
religiosidade ocidental.
Para evitar especulações, esclarecemos que o termo
"Sion" nada tem a ver com o movimento "Sionista" e
muito menos com as famigeradas teorias sobre
"Conspirações". O tão propalado "Protocolos dos
Sábios de Sion" é uma irrealidade de concepção
puramente humana e de caráter anti-semita, portanto,
totalmente inverossímil.
A própria igreja católica possui, em seu "panteão de
virgens", uma Nossa Senhora de Sion, que nada mais é
do que a Nossa Senhora de Jerusalém.
Poderíamos, portanto, sem alterar-lhe o sentido,
nomear o "Priorado de Sion" por outras formas, tais
como: Priorado de Shambhala, ou de Agartha, ambos
da Tradição oriental, ou ainda Priorado de Avalon ou
Albyon em referência à Tradição céltica e a muitos
outros que não necessitamos nomear aqui.
O que importa, verdadeiramente, é o sentido de
"cidade sagrada", central, imaterial e atemporal, a que
esses nomes remetem. E de natureza "supra-humana".
Eis o porquê da divindade explícita do verdadeiro rei,
o ser real (B), só poder ser reconhecida e consagrada
pelo, também verdadeiro, poder sacerdotal (J).
Todo o resto não passa e nunca passou de encenações
e cerimoniais sem nenhum valor, ressalvadas as
exceções autênticas que, por suas características
especiais, nunca foram explícitas aos historiadores e,
certamente, nunca incluíram a igreja de Roma.
Todo homem caminha para uma expansão de
consciência em direção a essa elevada esfera
espiritual, que o capacitará, simbolicamente, a
adentrar a "Cidade Sagrada" e, por conseguinte, a
atingir o verdadeiro estado humano, o do homem
real, pronto, verdadeiro, apto a iniciar novas jornadas
evolutivas em direções, para nós, incompreensíveis.
Com efeito, o simbolismo arquitetônico do centro,
pode ser formulado assim (excerto): ...qualquer templo
ou palácio, e por extensão, toda cidade sagrada, tornando-se,
assim, um centro. Sendo um "axis mundi" a cidade ou o
templo sagrado são considerados ponto de encontro entre o
céu, a terra e o inferno.''
Segundo Jean Pierre Bayard:
O centro é, portanto, a zona do sagrado por excelência, a da
realidade absoluta. Esse centro, que pode se assimilar ao
coração, ao vaso que contém a grande obra, ao ovo que
ainda é o athanor, é o centro nórdico primordial Thulé, que
é, também, a terra do Graal, o Omphalus (umbigo da terra),
o bétilo, etc.
E o ponto sensível, o nó vital, a chave de voluta solar, o
local da quintessência do sinal da cruz traçado sobre o peito.
Esse centro eterno e axial, unidade central, não é manifesto.
Esse pivô sensível une o duplo aspecto, sacerdotal e real (J e
B), ele pode ser tanto o Sol, centro do nosso Universo
(sistema solar), como a cavidade do coração que, iluminada,
irradia todas as forças interiores do homem.
Em diversos Templos Maçônicos, figura um fio de chumbo
que, caído do olho do domo, da chave de voluta solar,
materializa o centro do Templo, centro do mundo, um eixo
principal que afinal se concentra em um ponto.
Talvez nós nos evadamos um dia por essa chave de voluta
solar, por essa trepanação que é o verdadeiro caminho do
eleito.
Mas eis que chegamos ao ponto, um lugar sem dimensão,
irreal, que participa do imaginário e pertence, porém, ao
domínio da manifestação. Esse ponto imóvel, carregado de
uma potência agente, nos permite pensar no "cubo da roda",
esse eixo que anima tudo o que o rodeia, que dá o
movimento.
E a imensa força enrolada no que existe de menor: O
insignificante se torna infinitamente grande. O homem
interior que renasce à luz espiritual se situa no centro da
Loja, lugar em que todos os estados se concentram e se
realizam.
VI - A Origem do Mal
Nesse ovo primordial a regeneração se cumpre. Graças ao
seu trabalho efetuado no Centro, o Maçom é o próprio
cidadão do Universo.... e ao chegarmos às alturas
transcendentais do Ser, o reflexo do Logos, sua sombra
particular dentro de nós mesmos, o Diabo, volta ao Logos,
mescla-se com Ele, fusiona-se com Ele, porque, no fundo,
Ele é Ele... (Samael Aun Weor - Pensamento Gnóstico)
Conforme o demonstrado no capítulo anterior, fica
clara a necessidade da correta interpretação das peças
mitológicas, dos símbolos, dos componentes
hieráticos, dos textos sagrados fabulescos e das lendas
ou outras formas veladas de expor, ao vulgo, as forças
que interagem na formação ou criação de um
universo, assim como, dos desdobramentos
necessários à sua formação e estabilidade.
Essas escrituras têm, como característica básica, a
utilização de formas antropomórficas, zoomórficas e,
até, antropozoomórficas, para representar esses
princípios cósmicos e essas forças poderosas que, uma
vez postas em movimento, demandam por equilíbrio.
É por esses meios que essas fábulas, mitos e lendas
desvendam, aos olhos mais atentos e às sensibilidades
mais aguçadas, os mistérios da cosmogênese, da
antropogênese e de tudo o mais que se relacione à
Criação como um todo, incluídos aí, sua magnífica
diversidade e o seu sublime propósito.
Um desses princípios cósmicos, no qual se encontra a
raiz do que se convencionou chamar de "Mal" (que,
em verdade, não tem existência real), é o princípio da
"Mens", o "Pneuma Santo" ou, se preferirem, a
Inteligência, a Mente Universal, mais conhecida,
pelos cristãos, por sua representação como o terceiro
aspecto divino: o Espírito Santo ou Lúcifer (o
portador da luz).
Em realidade, esse princípio manifestou-se primeiro,
constituindo, na origem, o primogênito, a luz criada
(a inteligência), o injustamente temido, vilipendiado
e simbólico Lúcifer (associado ao Cristo Cósmico).
Esse mesmo aspecto divino é muito cultuado,
também, como "divindade feminina"; o próprio
"Cristo Mítico", em algumas oportunidades, referiu-se
a ele como: "... minha mãe, o "pneuma santo".
Vênus
Lúcifer é representado, também, como o planeta
Vênus (a deusa do amor), a brilhante Estrela da
Manhã, a Estrela D'Alva e da Iniciação, que sempre
surge primeiro, anunciando a chegada do Sol, o
Verbo.
É curioso que o próprio Cristo é relacionado à estrela
da manhã, aquela que ilumina, até o final dos tempos,
toda treva:
"Eu, Jesus, enviei o meu anjo. Ele atestou para vocês todas
essas coisas a respeito das Igrejas. Eu sou a raiz e o
descendente de Davi, sou a estrela radiosa da manhã"
(Apocalipse 22:16)... "E temos, mui firme, a palavra dos
profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz
que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a
estrela D'Alva apareça em vossos corações" (II Pedro 1,19).
Seu elemento é o fogo transformador (I.N.R.I.) e seu
símbolo alquímico, o enxofre (o bode preto tem igual
simbolismo). Daí sua associação, pela ignorância
fundamentalista, ao mal e ao diabo (criados pela
imaginação do homem).
Com efeito, esse fogo, dito do inferno, e o seu
correspondente cheiro de enxofre (símbolo alquímico
referente ao elemento fogo), não é, nem mais, nem
menos, do que o mesmo fogo divinizado, adorado e
cultuado pelas diversas congregações pentecostais
espalhadas por todo o Ocidente.
No fogo está, em essência, o "Espírito" e no som
(palavra), sua manifestação!
Nele está, também, a força criativa que, nos níveis da
existência física, corresponde à poderosa energia
sexual; é o fogo do Espírito Santo, o fogo serpentino
ou a "Mãe kundalini" dos orientais, localizada no
centro de força (inferior) da base ou "Sacro", no
corpo etérico do homem, e que corresponde à nona
esfera do "Inferno de Dante" (na "A Divina Comédia")
ou esfera de Lúcifer (a "Yesod" cabalista). A
associação desse princípio à energia sexual remete,
também, à ideia de criação e fertilidade.
O dia de "Pentecostes" representa, pois, a descida do
Espírito Santo (Lúcifer) dos céus, na forma de línguas
de fogo, em meio a um forte "som" de vento (o
"Som", instrumento da "manifestação" e o "Ar",
elemento correspondente ao "Mental") para consumar
a transfiguração dos apóstolos (iluminando a
inteligência e propiciando o conhecimento)
capacitando-os, assim, a falar em diversos idiomas, a
fim de que pudessem levar, a todos os cantos do
mundo, a boa nova do "Reino".
Esse acontecimento mitológico representa a
"ordenação dos apóstolos" pelo Espírito de Deus. Em
outras palavras, os "apóstolos" foram transfigurados
(Iniciação - 3° Grau) pelo Fogo, no "centro" da
cabeça, tendo despertada a "Mente ou Razão
Superior".
Em verdade, o "Pentecostes" representa o
quinquagésimo dia, contado a partir da Páscoa da
ressurreição, daí o nome.
Baseado em cultos solares tem, por conseguinte,
correspondência com os ritos de fertilidade e
abundância.
Com efeito, na paixão a "semente" morre e é
sepultada (semeada). No terceiro dia, na páscoa
(ressurreição), ela germina e renasce como planta; no
quadragésimo nono dia (sete semanas de cultivo),
gerados os frutos, finalmente, é possível a colheita;
então, no quinquagésimo dia (pentecostes), uma
grande festa é realizada em louvor à colheita
alcançada.
Retornando ao aspecto "inteligência" do Espírito
Santo, se feita uma rápida análise da fábula do Jardim
do Eden poderá se inferir que "a aceitação do fruto
proibido", contrariamente ao que se convencionou
chamar de a gênese do pecado original, em realidade,
resultou em uma grande conquista do homem: a
conquista da inteligência, da mente, do poder de
discernimento, da razão e do livre-arbítrio (a
liberdade de escolha).
Portanto, o Espírito Santo ou Lúcifer é, também, o
próprio homem, em si mesmo!
A serpente, que representa a luz da inteligência, a
mente e a razão (o Logos; Lúcifer) e que sempre é
utilizada como símbolo da eterna sabedoria, oferece a
Adão (o homem virginal, sem vontade própria) o
fruto da árvore do conhecimento: "Aprendendo a
diferença entre o bem e o mal (a dualidade), sereis como
deuses", disse a serpente.
Ao aceitar a oferta (tentado por Eva; o desejo; a
emoção), Adão (a mente; a razão) é, então,
juntamente com sua contraparte, vestido com peles
de animais (corpo físico) e expulso do Paraíso (porque
pensou por si mesmo, contrariando assim, a vontade
de Deus).
Vale lembrar que tão logo tomou consciência de sua
nova situação, Adão e sua contraparte Eva,
envergonharam-se por estar nus, e cobriram seus
órgãos genitais com folhas de figueira (numa
demonstração da perda da pureza original).
Dessa forma o homem, "caindo no abismo" (o mundo
inferior), inicia a sua jornada evolutiva nas esferas da
dualidade (a árvore do conhecimento ou árvore da
vida - Capítulo IV).
Adão e Eva
Observa-se nessa exposição, de forma clara e
inequívoca, a formação dos três "corpos" inferiores
do homem (a personalidade humana) quais sejam: o
mental concreto, o emocional e o físico.
Dá-nos, ainda, a natureza mesma dos esforços e do
difícil caminho de "retorno" a ser levado a cabo no
mundo manifesto.
Com efeito, tudo o que o homem dual (Pai/Mãe)
deixou para trás, no Paraíso, ele terá que obter, agora,
pelo suor do seu próprio rosto, trilhando o árduo
caminho evolutivo, simbolizado pelo "retorno à casa
do Pai", que será consumado, tão somente, após a
conquista do equilíbrio e da estabilidade,
possibilitados pela experiência no mundo da
dualidade.
Dessa estabilidade surge um novo aspecto divino: a
consciência superior, o Filho, o Verbo no homem (o
segundo aspecto, o filho, produto da interação entre o
primeiro e o terceiro aspectos, o binômio Pai/Mãe). A
Trindade se consuma e o Filho de Deus torna-se
perene; imortal (estável).
Sua representação é o triângulo, a primeira figura
geométrica possível. É por essa razão que essa figura
geométrica primordial, acrescida de um olho que a
tudo observa e a tudo vê, é a representação mesma do
Logos - o "Verbo" o "Olho de Lúcifer".
O homem é, pois, um Templo do Deus Vivo, da vida-
energia do Espírito Santo que, por meio do processo
evolutivo, acaba por gerar, na matéria, a vida-
consciência do Filho, do "Logos" ou "Verbo".
Nenhum desses aspectos pode existir separadamente.
O "Um" é o "Três" em essência; o "Três" é o "Um" em
manifestação!
Por essa forma, conquistada a estabilidade, poder-se-
á, finalmente, dizer:
E o filho retorna à casa e senta-se ao lado direito do Pai...
Observe-se que essa fábula, vista pelo seu enunciado
original, chega a beirar as raias da ingenuidade
infantil, contudo, mesmo uma análise superficial do
seu verdadeiro significado já se faz suficiente, para
trazer à luz vislumbres da sua grande importância na
compreensão da constituição do homem e do trabalho
necessário à conquista da sua estabilidade e equilíbrio
(a tão decantada "salvação" ou "imortalidade").
No entanto, esse "pecado original" tão rudemente
interpretado pelas teologias cristãs, criou uma
poderosa arma que, utilizada de forma enganosa e
sistemática, encadeou o homem: O Diabo!
O homem viu-se, então, obrigado para a compensação
desse "terrível pecado" (de pensar por si mesmo),
escapar às tentações de tão sorrateiro "demônio" (a
inteligência) e livrar-se da "Ira de Deus", a tornar-se
dependente de suas igrejas e de seus sacramentos.
A Alma Universal - o Pleroma - é o veículo da Luz, 0
receptáculo de todas as formas e, portanto, o mesmo Lúcifer
Satã (...) a Alma Universal, a Matriz do Universo, da qual
nasce tudo o que existe, por separação ou diferenciação, é a
causa da existência (...) na verdade Lúcifer é o nome da
entidade Angélica que preside tanto a Luz da Verdade como
a Luz do dia (...) no grande evangelho valentiniano, Pistis
Sophia, se ensina que dos três poderes tríplices, o de Sophia
(Espírito Santo), o mais instruído de todos, reside no planeta
Vénus ou Lúcifer (...) Lúcifer é a Luz divina e terrestre, o
Espírito Santo e Satã ao mesmo tempo (...) a queda foi o
resultado do conhecimento do homem, pois seus olhos
foram abertos; Lúcifer se converteu, desde então, em sua
Mente ou Manas; é a própria Consciência (...) Lúcifer, o
portador da Luz (Inteligência) está, pois, cm nós (...) sem
esse espírito acelerador, Mente humana ou Alma, não
haveria diferença entre o homem e o animal (...) Satã, o Dra-
gão ígneo Vermelho, Lúcifer, o portador da Luz está em
nós; é a nossa Mente, nosso tentador e nosso Redentor,
nosso Salvador da pura animalidade.
Como se pode observar, a luz do conhecimento,
revelada pelos esforços de muitos pesquisadores
sérios e dedicados, desvela de forma clara a profusão
de formas utilizadas pelas mitologias para representar
as complexas relações de forças que são postas em
ação no Universo e nos princípios e leis que o regem,
desde a sua gênese até a sua estabilidade. Dada, ainda,
à necessidade de diferenciar o aspecto dual que a tudo
permeia, mostra-nos o uso ou emprego de formas
distintas para simbolizar aspectos diferentes de uma
única e mesma coisa.
Imaginem um homem que, quando age sob influência
do seu "bom humor", é representado por um dócil
cãozinho, porém, quando seu humor cai ao nível
colérico e ele age sob influência de um pesado "mau-
humor", sua representação se faz por meio de um
lobo feroz. Todos apreciarão o dócil cãozinho e, com
certeza, irão temer ou desprezar o lobo feroz. No
entanto, nenhum dos dois terá, individualmente,
existência real; nunca será possível levar o cãozinho
para casa sem levar o lobo junto e vice-versa. Logo, a
verdade subjacente a esses animais tão diferentes, sua
causa, o ser real que os anima, será sempre o mesmo
homem, tomado no início do exemplo.
A utilização de formas humanas e animais (ou ambas
simultaneamente) na composição das fábulas, mitos e
lendas que compõem as escrituras em geral é, pois,
muito comum, e suas criações, na maioria das vezes,
são alvo de adoração, veneração e devoção pelos
religiosos em inúmeros templos espalhados por todo o
mundo, como se existissem de fato (fruto da
ignorância). Enquanto isso, outras representações
que, invariavelmente, referem-se ao "reflexo"
daquelas mesmas formas objeto de adoração (por seu
aspecto dual), são execradas, temidas e amaldiçoadas
por todos, como se delas fossem distintas.
Segundo Eliphas Levi, em seu "Dogma e Ritual da
Alta Magia", eis como um evangelho gnóstico,
encontrado por um sábio viajante no oriente, explica
a gênese da luz, em proveito do simbólico Lúcifer:
A verdade que se conhece é o pensamento vivo. A verdade
é o pensamento que está em si mesmo; e o pensamento
formulado é a palavra. Quando o pensamento eterno
procurou uma forma, disse: "Faça-se a Luz!".
Ora, esse pensamento que fala é o Verbo; e o Verbo diz:
"Faça-se a luz, porque o próprio Verbo é a luz".
A luz incriada, que é o Verbo divino, irradia porque quer ser
vista; e quando diz: "Faça-se a luz!", ordena aos olhos que se
abram; cria inteligências.
E quando Deus disse: "Faça-se a luz!", a inteligência foi feita
e a luz apareceu.
Ora, a inteligência, que Deus tinha vertido no sopro da sua
boca, como uma estrela desprendida do sol, tomou a forma
de um anjo esplêndido e o céu o saudou com o nome de
Lúcifer.
A inteligência despertou-se e compreendeu totalmente a si
mesma ao ouvir essa palavra do Verbo divino: "Faça-se a
luz!".
Ela sentiu-se livre, porque Deus lhe tinha ordenado de o ser;
e respondeu, levantando a cabeça e estendendo suas asas:
- Não serei a escravidão!
- Serás, pois, a dor? - perguntou a voz incriada.
- Serei a liberdade! - respondeu o anjo, a luz criada.
- O orgulho te seduzirá - retrucou a voz suprema - e
produzirás a morte.
- Tenho necessidade de lutar contra a morte para conquistar
a vida - disse ainda a luz criada.
Deus, então, desprendeu do seu seio o fio de esquendor que
retinha o anjo soberbo e, vendo-o lançar-se na noite que
assinalava de glória, amou o filho do seu pensamento e, com
inefável sorriso, disse a si mesmo:
"Como a luz era bela!"
E prossegue ainda Levi:
Deus não criou a dor; é a inteligência que a aceitou para ser
livre. E a dor foi a condição imposta ao ser livre por aquele
que é infinito. O olho percebe realmente a luz pela
faculdade de fechar-se e abrir-se. Se fosse forçado a estar
sempre aberto, seria escravo e vítima da luz; e, para fugir
desse suplício, cessaria de ver.
Assim, a inteligência criada só é feliz de afirmar a Deus pela
liberdade que tem de negar a Deus. Ora, a inteligência que
nega afirma sempre alguma coisa, pois, negando, estará
afirmando a sua própria liberdade.
E por isso que o blasfemo glorifica a Deus; é por isso que o
inferno era necessário à felicidade do céu. Se a luz não fosse
repelida pela sombra, não haveria formas visíveis.
Se o primeiro dos anjos não tivesse afrontado as profundezas
da noite, a parturição de Deus não teria sido completa e a luz
criada não poderia separar-se da luz por essência.
Jamais a inteligência teria sabido quanto Deus é bom, se
nunca o tivesse perdido!
Jamais o amor infinito de Deus teria brilhado nas alegrias de
sua misericórdia, se o filho pródigo do céu tivesse ficado na
casa de seu pai.
Quando tudo era luz, a luz não estava em parte alguma; ela
estava contida no seio de Deus que estava em trabalho para a
produzir. E quando disse: "Faça-se a luz!", permitiu que a
noite repelisse a luz e o universo saiu do caos.
A negação do anjo que, ao nascer, recusou ser escravo,
constituiu o equilíbrio do mundo e o movimento das esferas
começou.
E os espaços infinitos admiraram esse amor da liberdade, tão
imenso, para encher o vácuo da noite eterna, e tão forte,
para suportar o ódio de Deus (note-se que o próprio
conceito de liberdade é Luciférico na raiz. - Irm.'.
G.'.).
Mas Deus não podia odiar o mais nobre de seus filhos, e só o
experimentava, pela sua cólera, para confirmá-lo no seu
poder. Por isso, o próprio Verbo de Deus, como se tivesse
inveja de Lúcifer, quis descer do céu e atravessar
triunfalmente as sombras do inferno.
Após essa impressionante e romântica sequência de
belas palavras e precisas colocações, pode-se inferir,
claramente, uma nova e original fórmula, ou fábula,
para a descrição da "Gênese".
Esse aspecto de "Deus" (Lúcifer, a inteligência
criadora) foi o primeiro a manifestar-se no plano
divino. Diferenciando-se do Pai (primeiro aspecto de
Deus, que não tem manifestação real, pois é imóvel;
imutável), constituiu o "filho" (o primogênito), "o
movimento", o Cristo Cósmico ou "Jeová", o Verbo
Espiritual.
Esse "princípio", pela sua independência e liberdade,
ao lançar-se aos mundos inferiores, tornou-se o
doador da vida, o "Espírito Santo", o "Pai" do plano da
manifestação que, em fecundando a matéria virgem e
incriada, ordenou o Caos e gerou o Universo
Manifesto, a Mãe; a matriz da natureza; o mundo da
"dualidade" (Pai e Mãe). Daí sua relação à prodigiosa
energia sexual, representação do princípio da "Cria-
ção" no mundo material. Dessa "fecundação cósmica"
resultou, como consequência, a gestação e o
nascimento ou encarnação do segundo aspecto, o
Verbo (a vida-consciência - o Filho - o Homem).
Por essa forma, uma nova trindade foi consumada,
encabeçada pelo simbólico Lúcifer ou Jeová, o
"tetragramaton" (o três manifesto no quatro, o
espírito manifesto na matéria), o nome inefável
(YHVH), símbolo da criação e da manifestação (o
Grande Arquiteto do Universo, o "construtor" de
todas as formas).
Percebe-se, também, que a saga de Lúcifer, conforme
descrita, é correlata e diretamente associada à saga do
próprio homem.
Com efeito, esse aspecto "divino" (que se manifestou
primeiro; o primogênito, a inteligência) é, ao mesmo
tempo:
- Lúcifer (o Logos, o portador da luz do Verbo Divino
e do fogo espiritual ou fohat);
- Satã, seu reflexo ou sombra (o dragão vermelho
ígneo, o fogo transformador do Espírito Santo, as
forças elementáis, o grande "Iniciador", o "Logos
Demiurgo"); e
- o Homem, que encarna, em si mesmo, no seu
íntimo, a vida--energia do Espírito Santo e a vida-
consciência do Logos (o Verbo; o Filho).
Acreditando, finalmente, termos enquadrado Lúcifer
em suas verdadeiras proporções, trataremos agora, de
forma muito superficial, da mística que envolve a
grande "Besta" do apocalipse e do seu correspondente
número, o temido 666.
O zodíaco se divide em doze zonas celestes, cada qual
recebendo o nome de uma constelação que, originalmente,
coincidia com cada uma dessas zonas zodiacais (Touro, Leão,
etc.). Todas as trajetórias aparentes do sol, da lua e dos
principais planetas se encaixam dentro do zodíaco. Devido
ao movimento da precessão, os pontos de equinócio e
solstício se moveram para o oeste cerca de 30 graus nos
últimos 2.000 anos. Assim, as constelações zodiacais que
receberam seus nomes na antiguidade não correspondem
mais aos segmentos do zodíaco representados por seus
signos. Em resumo, se você tivesse nascido na mesma hora,
do mesmo dia do ano, há 2.000 anos, teria nascido sob um
signo diferente.
Como se observa pelo exposto, a linha dos equinócios
move-se, lentamente, para oeste, a cada ano. Logo, o
ponto vernal (relativo ao primeiro dia da primavera)
não é um ponto fixo e se desloca, continuamente,
pelo zodíaco. E esse movimento que determina as
chamadas "Eras"; é o "relógio cósmico".
Atualmente o ponto vernal está em "Pisces" (era que
se finda); quando da sua entrada em "Aquarius", terá
início, então, a tão decantada "Nova Era" ou, "Era de
Aquário".
Com efeito, desde a mais remota antiguidade, a forma
de adoração das divindades solares (o Sol espiritual e
o seu primogênito: o Logos) esteve sempre
relacionada ao ponto vernal (equinócio da primavera)
e ao signo correspondente (os signos são
representados por figuras ora humanas, ora animais);
essa data refere-se, invariavelmente, à morte e
renascimento ou ressurreição (Páscoa), comum aos
ritos solares de fertilidade, como já exposto
anteriormente.
Ocorre, como já visto, que devido ao deslocamento
do ponto vernal, a cada 2.500 anos,
aproximadamente, o início da primavera muda,
periodicamente, de signo, dando início, então, a cada
mudança, a uma nova era zodiacal (a precessão dos
equinócios, onde os signos alternam-se de trás para
frente).
O deus Pã, por exemplo, representado por um ser de
chifres e pernas de bode, era a fórmula do Logos da
era de "Câncer/Capricórnio" (o bode).
A era anterior a "Pisces", ou seja, "Áries/Libra", gerou
o consagrado sacrifício do "cordeiro" (o primogênito),
via de regra, oferecido à divindade solar, muito antes
dos patriarcas hebreus; a ideia de sacrifício ficou de
tal forma associada ao cordeiro, que perdurou por
eras; o próprio Cristo, surgido na era de "Pisces", pelo
seu sacrifício, foi chamado "O Cordeiro de Deus". O
período "Áries/Libra" consagrou, também, a era da lei
e da disciplina sob a égide de "Libra", a mulher
vendada com a balança e a espada da justiça (ver
Moises, o legislador).
A era que se finda, "Virgo/Pisces" deu origem, na
mitologia cristã, ao emprego do termo "pescadores",
dado aos apóstolos estabelecendo, também, uma
relação entre o peixe e a própria figura do avatar (co-
mum, também, nas culturas esotéricas orientais);
deve-se considerar, ainda, o conhecido episódio da
multiplicação dos pães e dos peixes. O símbolo do
peixe foi, ainda, o mais antigo símbolo usado pelos
cristãos primitivos, como sinal de identificação. A
virgem, por seu lado, acrescenta mais um aspecto
astrológico ao mito.
O já próximo fim da era de peixes foi, erroneamente,
confundido com o fim do mundo e o seu término
estaria associado ao fogo. Ora, fogo é sinônimo de
transformação. Logo, o mundo terminará para uma
era (Pisces), e se iniciará para outra era, transformado
pelo fogo (Leão) e banhado pelas purificadoras águas
de Aquarius (o aguador: conduzido por uma mulher,
símbolo da divindade feminina).
Os pontos vernais dessa nova era são, portanto,
"Aquarius/Leo".
Por essa forma o leão, símbolo do fogo, o símbolo
solar por excelência, passa a representar, nessa nova
era, a própria divindade solar (o Sol; o Logos).
Eis aí, a verdadeira dimensão da Grande Besta
Selvagem, a Besta do Apocalipse: nosso conhecido e
simpático Leão.
Desvendado o mistério da terrível "Besta Selvagem"
resta, ainda, esclarecer a mística do seu número, o
controverso e temido 666.
Como vimos anteriormente, a adoração à divindade
solar é uma das mais antigas formas de religião. O Sol,
enquanto deidade suprema apresentava, sempre, três
aspectos principais e indissociáveis. Essa foi uma
característica comum a todas as formas de adoração
ao deus supremo, o Sol, constituindo, na base, a
formação das diversas tríades divinas que aparecem
nas mais variadas tradições (no cristianismo, essa
tradição aparece representada pela "Santíssima
Trindade"). Portanto, desde esses tempos imemoriais,
o número 3 é sagrado e universal. No antigo Egito, o
Sol também era adorado, dentre tantas outras
manifestações trinas, pelas suas três fases, quais
sejam:
- Horus - o sol nascente.
- Rá - o sol do meio-dia.
- Osíris - o sol no poente.
Desdobrando, matematicamente, o número 3, temos:
1+2+3 = 6
1x2x3 = 6
6x6=36
l3+23+33 = 36
Coincidência ou não, a astrologia antiga dividiu os
céus em 36 constelações, centralizadas pelo Sol, o Ser
supremo. Essas constelações foram representadas em
amuletos dourados, usados pelos sacerdotes pagãos,
conhecidos como "Sigilla Solis" (o selo do sol) que
apresentavam uma sequência de números, de 1 a 36,
dispostos de forma não sequencial e sem repetição,
em seis colunas e seis linhas, de sorte que, a soma de
qualquer linha ou coluna, resultaria sempre o número
111.
Ver no demonstrativo a seguir a disposição desses
números, tal e qual aparecem nesses amuletos (essa é
uma das variadas possibilidades de distribuição desses
números):
1
32
34
3
35
6
30
8
27
28
11
7
20
24
15
16
13
23
19
17
21
22
18
14
10
26
12
9
29
25
31
4
2
33
5
36
Se somada a primeira linha (aleatoriamente), teremos:
1+32+34+3+35+6 = 111
Se considerada, aleatoriamente, a 4a coluna, o
resultado será: 3+28+16+22+9+33 = 111 e assim,
sucessivamente.
O "Sigilla Solis" e sua tábua de números.
Note-se, no anverso, o sol na constelação de Leo e, no
verso, abaixo dos números, o 666 inscrito.
Foto de 1910 - Berlin Museum
Os números apresentam-se dispostos de forma que
multiplicando-se o número de colunas pelo número
de linhas (6x6) resultará 36. Somando-se os números
em cada grade (linhas ou colunas) resultará, sempre,
111. Multiplicando-se 111 por 6, teremos 666, o
número da divindade, o Logos Solar.
A soma de todos os números de 1 a 36 resultará,
portanto:
1+2+3+4+5+6+7+8+9+10+11+12+13+14+15+16+17+1
8+19+20+21+22+23+24+25+26+27+28+29+30+31+32
+33+34+35+36 = 666 (O Logos Solar).
Se prosseguirmos, pela redução pitagórica do 666,
teremos que:
6+6+6 = 18 = 1+8 = 9 (o número do homem - o
Primogênito).
Isso posto, pode-se constatar que as observações
feitas sobre determinados assuntos, baseadas na lógica
da ilusão material, levam o homem a concepções
totalmente opostas à realidade sutil que se lhe
apresenta.
Com efeito, o plano da reflexão (no qual existimos),
fazendo jus ao nome, representa o reflexo dos
mundos celestes, tal e qual uma imagem no espelho.
Tal imagem é análoga, porém, totalmente invertida.
Portanto, o que parece o bem, o belo e o justo no
plano da manifestação não encontra resposta na
imagem celeste, senão pelo seu inverso; por outro
lado, o que parece o mal, o feio e o injusto,
corresponderá, sempre, ao aspecto positivo nas
esferas celestes. Essa é a chave de um grande mistério
e, por difícil que pareça compreendê-la, merece ser
meditada e sentida por todos.
Essa inversão na compreensão desses valores é devida
ao fato de o homem ter sempre uma tendência a optar
pelo mais fácil, repudiando, sistematicamente, o mais
difícil, não se dando conta, em realidade, daquilo que
é verdadeiramente "Necessário".
Se quiser colher à sua direita, planta à sua esquerda...
(axioma oculto)
Esse capítulo será encerrado, enfim, pela abordagem
do simbolismo oculto no tão propalado e temido
"Baphomet" dos Templários que, analogamente ao
simbolismo de Lúcifer, Satã, Caim, serpente, dragão,
fogo, enxofre, etc., viu-se totalmente
descaracterizado e manipulado, para uso de grupos
religiosos ignorantes e sem escrúpulos, na concepção
de mirabolantes teorias infernais, destinadas a
reforçar, diante do vulgo, a necessidade de suas vãs
teologias.
Com efeito, a figura de "Baphomet" é uma
representação gráfica do grande arcano mágico, que
indica todas as forças, ritmos e elementos que agem e
interagem no complexo movimento de evolução
cósmica e que demarca, ainda, o único caminho
possível a seguir, para a consecução do processo de
iniciação do homem. É como
um mapa, um repositório da sabedoria oculta de
natureza hermética e alquímica, cuja intenção era,
justamente, ocultá-lo dos olhos profanos. E, pois, um
símbolo iniciático por excelência.
O caráter "diabólico", resultante desse símbolo, se
prestava, pois, às seguintes finalidades principais:
- ocultar o conhecimento secreto e iniciático
Templário aos olhos do vulgo;
- intimidar os Profanos e os Candidatos à Iniciação
não preparados que, à simples visão do "ídolo",
batiam em retirada.
O nome Baphomet, que ainda intimida aqueles que
desconhecem seu sentido cabalístico, deve ser lido
em sua grafia invertida (análogo ao seu reflexo em um
espelho):
- Temohpab - que vela as três abreviações-chave:
- Tem-ohp-ab - que conduz à expressão:
"Templi Omnium, Hominium Pacis Abbas",
significando: "O Pai do Templo, Paz Universal dos
Homens", ou seja, o Cristo Cósmico.
Baphomet seria a Imagem projetada do conceito
cristológico transformador, e, portanto, o próprio
Cristo em sua magnificência.
A figura apresentada é uma reprodução minimizada
de um desenho elaborado por Eliphas Levi. Apresenta
um enorme simbolismo e uma grande riqueza em
detalhes, cujos pormenores destacamos, de forma
resumida, conforme seu autor:
A Tocha contida entre seus dois cornos representa a
Inteligência Equilibradora do Ternário. Tal tocha simbólica
também é a representação da Alma elevada sobre a Matéria,
embora presa à própria Matéria como as flamas estão presas à
tocha. Localizada entre os Cornos representa a Inteligência
Equilibradora do Ternário.
Os Comos representam a Dualidade Equilibrada em parcelas
iguais, opostos contidos no mesmo ser. Da mesma forma
que pode representar o aspecto mais animalesco Humano.
Em sua testa reside o Símbolo do Pentagrama, o Símbolo do
Microcosmo (evidência de que este ser encontra-se contido
em nosso Interno e não Impessoalmente no Externo). O
Pentagrama representa, também, o Domínio do Espírito
sobre todos os Elementos (estes representados pelas outras
pontas do Pentagrama) e a Elevação Espiritual em sua forma
mais sublime (evidência de que Baphomet é um Arcano
Mágico e de Natureza Transcendentat-Espiritual segundo a
ótica alquímica).
Tendo sido colocado abaixo da Tocha, este Pentagrama dá
contornos de Revelação Divina à mesma.
Sua cabeça sintética de Bode comporta, também, traços do
Cão, Touro e Asno. O Asno representa a responsabilidade da
Matéria. O Cão é uma manifestação de Hermanubis (Deus
Cão Egípcio) que representa o Mercúrio dos Sábios, o
Fluido, o Are a Agua sob uma só forma. Touro é uma
manifestação de Apep (Deus Touro Egípcio), que
simbolizava a Terra, o Sal dos Filósofos. Por fim, o Bode
representa uma fusão de conceitos místicos Egípcios e
Hindus, e corresponde ao Fogo, Símbolo da Geração; o
Enxofre dos Alquimistas.
E interessante notar a Formação do Y Alquímico (Sal,
Enxofre e Mercúrio) através do Touro, do Bode e do Cão
respectivamente, encerrados na Matéria (representação do
Asno).
Este, com suas mãos, demonstra perfeitamente o postulado
de Hermes Trimegistus ("Aquilo que está Acima é análogo
àquilo que está Abaixo"), pois aponta com uma para o Alto e
com outra para baixo. Uma das mãos evidencia o Poder do
Binário (a que aponta para o Alto) e, a outra, este Binário
manifestado através do Perfeito Ternário (a que aponta para
Baixo).
As mãos humanas representam a santidade do trabalho
empreendido.
Acima da mão que aponta para o Alto, vê-se a Lua branca de
Chesed, o poder da Misericórdia. Abaixo da outra mão vê-se
a Lua Negra de Gedulah, o poder da justiça, signo este que
expressa o acordo perfeito entre justiça e Misericórdia.
O Caduceu de Hermes ou Mercúrio, no lugar do órgão
gerador, mostra a energia criadora, o fogo transformador do
Espírito Santo (ver adiante).
A presença da Lua Negra e da Lua Branca representa,
também, o equilíbrio perfeito entre a Luz e as Trevas do Ser.
Nos antebraços encontram-se escritos dois vocábulos: Solve
e Coagula (respectivamente no antebraço do que aponta para
o Alto e no antebraço do que aponta para Baixo), que
exprimem o Ativo (Yang) e o Passivo (Yin). O Corpo
apresenta-se sob a forma de um Andrógeno, contendo
elementos Masculinos e Femininos.
O par de seios femininos representa os Signos redentores da
Maternidade e do Trabalho, quando realizados no Plano da
Grande Obra.
Seu ventre apresenta-se coberto de escamas verdes, como
um símbolo da Natureza Passiva (similar ao Conceito de
Agua para os Taoístas) e as Asas Negras (análogas a Lúcifer)
referem-se ao elemento Ar (a Mente Universal).
Este panteu tem por assento um Cubo, caracterizando a
pedra filosofal. (Eliphas Levi em resumo de
"Andarilho")
Como se pode observar por essa muito resumida explanação
do rico simbolismo de Baphomet, essa "monstruosa" figura
não vai além de um hieróglifo, uma esfinge não diferente
das utilizadas no Egito e na Pérsia; um enigma decifrado para
o iniciado e cuja compreensão será sempre motivo de
pânico aos olhos do mundo profano.
Essa é a verdadeira simbologia decifrada pelos Templários,
que tanto fez o Papa tremer e que, por isso mesmo, viu-se
diante da necessidade de condená-los e de extingui-los, para
que essa verdade não saísse do domínio da Santa Sé.
Isso posto, aproveitaremos, antes do encerramento
desse tópico, para tecer alguns breves comentários
sobre o "Caduceu de Hermes ou Mercúrio" e sua
relação com a "Kundalini".
O Caduceu é um bastão em torno do qual se
entrelaçam duas serpentes, encimado por um globo
luminoso, adornado por um par de asas.
Esse símbolo está associado ao equilíbrio, ao caminho
iniciático e à ascensão da energia kundalini (a força
sexual). A serpente da direita é chamada Od, que
representa a vida livremente dirigida; a da esquerda
Ob, a vida fatal. No globo dourado, no cimo, figura
Aur, a luz em equilíbrio; as asas (Ar), representam a
mente superior e a liberdade.
As duas serpentes simbolizam forças opostas ou
contrárias; o Globo de luz, indica seu ponto de
complementaridade e equilíbrio.
Kundalini é o poder espiritual primordial, o fogo do
"Espírito Santo", que jaz adormecida no centro de
força da base da coluna, próximo aos órgãos sexuais
(Sacro), enrolada como uma serpente. É a prodigiosa
energia criadora e geradora, o fogo sexual.
Enquanto está adormecida, assemelha-se a uma chama
congelada (ver representação da nona esfera, a esfera
de Lúcifer, já mostrada anteriormente em ilustração
de Gustave Doré, para constatação do ambiente
congelado lá residente). O "despertar" dessa energia
poderosa faz com que ela, em elevando-se pela coluna
vertebral, vértebra por vértebra, até o cimo da cabeça
(chakra coronário), ponha em movimento todos os
centros de força do homem (análogos às sete mansões
ou sete selos do apocalipse), propiciando, dessa
forma, a iluminação solar.
As serpentes simbolizam os condutos (nadis etéricos)
"Ida", a do lado esquerdo, a força passiva, e "Píngala",
a do lado direito, a força ativa. Ao serem estimulados,
esses condutos de força despertam, no Sacro, a
energia da Kundalini, fazendo-a ascender pelo
conduto etérico "Sushuma" (representado pelo
caduceu ou esculápio). A energia que a desperta é a
sexual, no entanto, somente quando direcionada para
cima e não para baixo, como ocorre quando da prática
sexual convencional (...Não derramarás o "vaso de
Hermes").
Ao atingir o centro coronário (relativo à coroa), a
iluminação solar se consuma. Então, um belo tom de
dourado se produz por sobre a cabeça, conferindo ao
homem a dignidade de iluminado, ou, um ser real,
verdadeiro, consumado, um Rei (essa é a única "Coroa
Real" dourada, passível de consagrar um verdadeiro
Rei).
A luz solar, então, retornando ao centro cardíaco, o
templo solar por excelência, ali se estabelece,
emanando seus raios, continuamente, em diversas
direções.
Quando das Cerimônias iniciáticas o operador toca o
Recipiendario com a "Espada Flamígera", Símbolo do
fogo e do Sol, no ombro esquerdo (Ida), direito
(Píngala) e na cabeça ou coronário (topo de
Sushuma), ele estará estimulando esses nadis etéricos
para que a ascensão da prodigiosa energia tenha
curso.
Quem não escalar pela coluna vertebral de Lúcifer, vértebra
por vértebra, até a cabeça, não verá a Luz...
(Preceito Oculto)
Esse assunto é bastante extenso, fascinante, mas o
apresentado é suficiente para os fins deste Trabalho.
Enfim, à vista de tudo o que foi exposto neste
Capítulo, pode-se inferir o "porquê" da tranquilidade
com que as Ordens Iniciáticas Tradicionais recebem
as qualificações de Luciféricas ou Luciferinas,
Cainistas, Draconianas, Satanistas e adoradoras (ou
melhor: decifra-doras) de Baphomet ou do Diabo, que
lhes são impostas, em sua forma pejorativa, por
hordas fanáticas, cativas da Ignorância, existentes no
mundo desde prístinas eras.
Para essas sublimes Ordens, portanto, o conjunto de
tais qualificações representa um grande e respeitável,
"Elogio".
VII — A Gênese da Maçonaria Secreta e sua
Influência
O Bode Preto Símbolo associado ao Maçom
Aquele que se deixou absorver pela Luz,
penetra nos segredos da escuridão.
(Trigueirinho)
Milhares de seres humanos pagaram muito caro pela
concessão de um grande poder (temporal) a homens
normais e despreparados que, exaltados à posição de
reis e imperadores, descambaram, via de regra, para a
tirania e a insensatez. Apoiados e coroados pela igreja
romana representaram o grande suporte e a razão
mesma do poder, quase absoluto (secular, inclusive),
do "Papa Infalível" e seus bispos, na Europa medieval.
Que negra lembrança!
Com o correr do tempo e à custa de milhares de vidas
perdidas nas fogueiras "purificadoras" desse pesadelo
denominado "Santa Inquisição", os Maçons, atuando
em diversas nações europeias, ajudaram no
enfraquecimento das monarquias e na instauração, em
cada uma, de um Estado laico (sem interferência da
igreja) principalmente na área de educação, dominada
por jesuítas, dando início a um processo que levaria,
mais tarde, à moderna sociedade ocidental. Com
efeito, aquilo que não é verdadeiro, não é real, não
pode subsistir como tal, daí a tomada de medidas
nessa direção.
A queda das cabeças coroadas na Europa, ao longo do
tempo, representou um forte golpe para a igreja,
acabando por causar um grande e saudável
enfraquecimento do poder Papal.
A Maçonaria Secreta nasceu das cinzas da Ordem do
Templo, como contrafação ao poder da Igreja e do
Estado e era formada, não só pelos ex-templários
fugitivos que lhe deram origem, mas também, com o
passar do tempo, por toda sorte de dissidentes do
status quo medieval (a monarquia, o feudalismo e a
igreja) que incluía desde livres-pensadores, filósofos,
hermetistas, alquimistas e rosa-cruzes, até homens da
ciência, intelectuais e membros do baixo clero, todos
adeptos do culto à liberdade, à razão e da livre
investigação da verdade, por isso mesmo, sérios
candidatos à fogueira.
Esse estado de coisas contrapôs a Maçonaria, não ao
cristianismo, mas ao absolutismo da igreja católica
romana, essa colcha de retalhos que plagiou o próprio
Cristo e o confundiu com a figura de "Jesus". A
verdadeira igreja católica (do grego "katholikós", que
significa universal), essa sim a verdadeira contraparte
exotérica da Maçonaria, no entanto, ainda está por
vir.
Esses homens especiais, sedentos de liberdade de
pensamento e ação, encontraram na Ordem o "fórum"
perfeito para o desenvolvimento de suas ideias e
projetos, em um ambiente de proteção e ajuda
mútuas, baseado na fraternidade, na igualdade, no
respeito às diferenças, no culto à liberdade, à razão, à
verdade e na consciência da existência de um
princípio superior (Deus) cuja concepção e
desdobramento eram livres e não entravam em
questão (ficam aqui os registros de que a semente da
reforma protestante estava sendo lançada e, também,
de uma visão ecumênica; um atestado à
universalidade maçônica).
Isso tudo teve início na Escócia, onde a supressão
templária teve um atraso de três meses em relação à
supressão na França e que, em realidade, nunca
chegou a se efetivar (naquela época, as dificuldades
de comunicação eram quase intransponíveis e, uma
simples mensagem poderia levar meses para chegar ao
seu destino).
Isso possibilitou aos templários que se reorganizassem
em cima de um sistema que já possuíam (incluindo
uma eficiente malha de comunicações e,
inicialmente, graças a ela), só que agora, como uma
sociedade secreta de ajuda mútua, cujo silêncio era a
garantia da vida e da propriedade de cada um de seus
membros, mais um motivo para a necessidade da
aceitação de um princípio superior (Deus) e dos
diversos juramentos prestados a cada nova esfera de
conhecimento e gestão da Ordem, agora incorporada
por outras correntes de pensamento.
Essa era uma necessidade externa fundamental
naqueles dias, para gerar credibilidade aos juramentos
de silêncio e sigilo, cuja quebra poderia causar a perda
de vidas, no entanto, essa já era uma exigência
interna da Ordem Templária, dado ao seu caráter
iniciático, e que teve continuidade com seus
membros, agora na Ordem sucessora, autode-
nominados: "Franco-Maçons" (pedreiros-livres ou
livres-construtores, numa clara alusão à sua total
independência do Estado e da igreja).
Dessa forma, o conhecimento iniciático, ligado à
Tradição primordial, mudava de mãos; ele agora
pertencia à um outro gênero de grupamento humano,
com novo nome (designação) e uma nova roupagem,
requeridos pelas novas exigências de época e situação,
conforme processo já mencionado no início do
presente texto (em realidade, uma "transformação").
O que se delegou (ou perdurou), na verdade, não foi a
continuidade da Ordem do Templo em si, foco
normalmente dado por historiadores e pesquisadores,
mas algo secreto, guardado, juramentado e protegido
da curiosidade profana.
A esse segredo ou tesouro nenhum historiador ou
pesquisador teve acesso, portanto, a seus olhos não
há, nem nunca houve, ligação ou vínculo entre ambas
as Ordens (muito embora pesquisas sérias em fatos
históricos provem, justamente, o contrário). Por ser
de ordem imaterial, essa "herança" fica fora da
percepção e compreensão do homem comum. E pura
abstração!
De qualquer forma, essa não poderia ser nunca uma
preocupação de qualquer guilda de pedreiros, uma vez
que seus "segredos", pormaiores que fossem, estariam
sempre associados à arte da construção e não
colocariam jamais seus detentores em risco de perda
da vida e da propriedade. Eles não eram e nem nunca
foram fugitivos, aliás, nos países onde existiam, essas
guildas eram extremamente religiosas, devotas e
tinham até padroeiros, aos quais realizavam cultos e
encenações públicas de caráter devocional. Além do
mais, tinham no "Santo Padre" seu maior e mais
respeitável "Cliente". Em nenhum momento da
história foram antagônicos .
Daí, talvez, a diferença básica e fundamental
existente entre os Maçons (pedreiros, construtores de
estruturas) e os Franco-Maçons (pedreiros "livres",
construtores do "templo ideal").
A origem templária, inclusive, dá subsídios (além dos de
natureza espiritual e iniciática) ao entendimento dos fortes e
inquebrantáveis laços que unem, até os dias atuais, esses
homens que cultuavam a Liberdade como o maior
patrimônio da humanidade e entregavam suas vidas e
propriedades nas mãos, uns dos outros, como irmãos, sob a
égide de um juramento, de sigilo e silêncio, prestado ao
Grande Arquiteto do Universo.
No caso da Escócia, em um primeiro momento, em
virtude da necessidade urgente do rei escocês
Roberto de Bruce de contar com guerreiros poderosos
para sua eterna luta contra a Inglaterra e, em se
considerando a qualidade militar dos templários (que
de fato lutaram a seu lado), não fica difícil imaginar
que os interesses de ambos foram facilmente
conciliados (a Ordem já se encontrava, então, sob
proteção dos Saint-Clair).
Tempos mais tarde, com a anexação definitiva da
Escócia pela Inglaterra, a Ordem (então como Franco-
Maçonaria) já espalhada por toda a Grã-Bretanha,
continuou secreta até que, afastada qualquer pos-
sibilidade de um soberano católico romano assumir o
poder, veio à luz no séc. XVIII e se espalhou para o
mundo (a Grã-Bretanha tinha sua própria Igreja: a
Anglicana, separada de Roma e seu parlamento era
formado, em sua maioria, por puritanos).
É importante frisar que, na época da Maçonaria
Secreta, não havia sequer um único registro de guilda de
pedreiros em toda a Grã-Bretanha, o que reforça a
fantasia dessa origem, insistentemente, a mais aceita.
O único templo que os Franco-Maçons (pedreiros-
livres) ergueram e ainda erguem é aquele cuja obra
não produz nenhum ruído, nenhum som; não há
barulho de martelos e nem de metais, pois esse
templo é erguido no profundo silêncio do mundo
interno. É o templo ideal, íntimo. O templo do "Deus
Vivo"; a construção do "si mesmo" (o Templo de
Salomão).
Com efeito, o estilo gótico, reconhecidamente um
produto do gênio templário, conforme já citado no
início da presente digressão, aplicado na construção
de grandes catedrais e responsável pelo aparecimento
de verdadeiras obras de arte da arquitetura medieval,
foi concebido com base em conhecimentos da
"geometria sagrada" (de onde surgiram, também, os
famosos templos octogonais), sendo essas construções
por eles projetadas, supervisionadas e financiadas,
enquanto ainda existiam como Ordem regular
subordinada ao poder papal (em realidade, eram os
arquitetos).
É impossível, nas obras das catedrais, deixar de lembrar dos
carpinteiros e de sua capacidade na execução da abóbada de
madeira, sobre a qual era montada aquela que seria a
definitiva pedra, a "chave de voluta solar". Era um oficial
templário, com status de arquiteto (magister carpentarius),
quem supervisionava os operários na comenda.
No entanto, em sua execução, nem templários, e
muito menos os Franco-Maçons (que ainda não
existiam), assentaram, sequer, um tijolo ou bloco de
pedra. Porém, é muito provável que essa relação
comercial entre o Templo e os pedreiros dos
canteiros de construtores, tenha produzido elementos
adicionais ao simbolismo da "emergente" Maçonaria
Secreta, pela adoção de instrumentos utilizados nas
construções e no corte e beneficiamento de pedras
que, por analogia, se prestariam perfeitamente às
características míticas da construção do Templo de
Salomão (inclua-se aí, o próprio nome, como a
roupagem ou o novo disfarce da Ordem).
Em um âmbito mais abrangente, Salomão
representava, miticamente, o primeiro Rei do Mundo,
descendente da casa de Davi, Rei de Israel (Israel
enquanto símbolo da humanidade) e cujo Templo
situava-se em um monte (nas esferas espirituais
superiores), localizado em Sion (o "axis mundi", o
centro do mundo), símbolos do império teocrático
universal do ideal (sinárquico) templário.
Preferimos considerar que o que se convencionou
chamar "Maçonaria Operativa", refere-se à Maçonaria
das guildas e canteiros de pedreiros e construtores de
edificações propriamente ditas.
Já a Ordem Solar Iniciática, detentora do tesouro
templário corresponde, essa sim, à verdadeira
Maçonaria Secreta (Franco-Maçonaria), que além de
suas atividades iniciáticas "internas", encontrava-se
empenhada na luta "subterrânea" pela derrocada do
estado de tirania e absolutismo existente no mundo
medieval visando a sua substituição por outro, mais
verdadeiro, cuja principal bandeira privilegiasse o
culto à verdade, à razão, à liberdade e à igualdade
entre os homens.
Apenas com o fito de ilustrar essa fase "Secreta" da
Ordem, podemos citar, dentre tantas outras
possibilidades e fatos, uma "sangrenta" revolta (entre
outros motivos, pela abolição do sistema feudal) que
abalou a Inglaterra do século XIV.
No ano de 1381 ocorre um levante selvagem
denominado "Revolta Camponesa na Inglaterra" que o
pesquisador, "não Maçom", John J. Robinson relata
em sua obra "Nascidos do Sangue" e que julgamos
oportuno reproduzir, parcialmente:
...Eles se moveram com uma raiva incontrolável,
incendiando propriedades, abrindo prisões e derrubando
quem quer que estivesse no caminho; um mistério não
resolvido era a organização por trás dela. Durante os meses
que antecederam a revolta, houve encontros secretos em
toda a Inglaterra central pregando contra os ricos, a
corrupção da igreja e tecendo uma rede de comunicações...
Após a derrubada da rebelião, os líderes rebeldes
confessaram ser agentes de uma Grande Sociedade, que
supostamente teria sua base em Londres.
Tão pouco se sabe sobre essa pretensa sociedade que
diversos estudiosos resolveram o mistério simplesmente
decidindo que tal sociedade secreta nunca existira...
...Outro mistério eram os ataques concentrados e
especialmente malévolos sobre a Ordem religiosa dos
Cavaleiros Hospitalarios de São João. Não apenas os rebeldes
foram atrás de suas propriedades para vandalizá-las e
incendiá-las, como o seu Prior foi arrancado da Torre de
Londres para ser decapitado e sua cabeça, pendurada na
Ponte de Londres, para deleite da multidão...
Não há dúvidas de que a ferocidade desencadeada sobre os
Hospitalarios cruzados tinha um propósito. Um dos líderes
rebeldes capturados declarou, quando lhe perguntaram as
razões da revolta: - "Primeiro e acima de tudo...a destruição
dos Hospitalarios!"... Que tipo de sociedade secreta poderia
ter um ódio tão particular como um dos seus propósitos
principais? O desejo de vingança era fácil de identificar na
Ordem cruzada rival dos Cavaleiros do Templo de Salomão,
em Jerusalém. O problema era que esses cavaleiros haviam
sido suprimidos quase setenta anos antes da Revolta
Camponesa, depois de diversos anos durante os quais
haviam sido reprimidos, torturados e queimados nas
fogueiras. Após lançar o decreto que deu fim à Ordem
Templaría, o papa Clemente V ordenara que todas as
propriedades dos Templários deveriam ser entregues aos
Hospitalarios.
Será que um desejo de vingança poderia ter sobrevivido
ocultamente por três gerações? Com o correr das
investigações, as respostas foram dadas...
E continua Robinson:
... Quase setecentos anos se passaram desde a supressão dos
Cavaleiros Templários, mas sua herança vive na maior
organização fraternal que já se conheceu.
Assim, a história desses cavaleiros cruzados torturados, da
selvageria da Revolta Camponesa e dos segredos perdidos da
Maçonaria torna-se o relato da mais bem-sucedida sociedade
secreta da história do mundo...
Quanto à "Maçonaria Especulativa", muito embora
não concordemos com o termo empregado, refere-se
à Ordem após sua vinda à superfície, desta feita como
uma sociedade "discreta", emergindo dos porões do
mundo e dedicando-se às suas atividades iniciáticas
fundamentais, internas, formando homens
verdadeiros cujo objetivo principal visava, sempre, o
serviço prestado à coletividade humana, sem deixar
de ter, por meio de seus membros, atuação decisiva
nos principais movimentos e acontecimentos
culturais, científicos, políticos e filosóficos da
história da humanidade.
VIII — Desenvolvimento e Declínio do Ideário
Maçônico
Símbolo Maçônico
Toda a intenção que não se manifesta por atos é uma
intenção vã, e a palavra que a exprime, uma palavra ociosa; é
a ação que prova a vida e é, também, a ação que prova e
demonstra a vontade...
(Eliphas Levi)
Nesta fase, dado ao mistério que envolvia a Ordem e a
curiosidade que essa despertava em toda a sociedade,
aliados ao romantismo decorrente do caráter
cavalheiresco ligado à descendência dos cavaleiros
templários ou do Santo Graal, comum naqueles
tempos, a Maçonaria foi invadida pela aristocracia,
pela nobreza e, até, por alguns soberanos europeus.
Não por mera coincidência houve, também, o
aparecimento em seu seio, de importante corrente
filosófica conhecida como "iluminismo" (Séc. XVIII),
que preconizava a iluminação do homem pela razão e
pela inteligência, descartando tudo o que era
dependência religiosa ou experiência mística
(pensamento corrente à época da revolução francesa,
de Voltaire e tantos outros, e que deu origem ao
famoso brado: liberdade, igualdade e fraternidade).
O iluminismo nasce na Inglaterra como filosofia e
como revolta; seu precursor, o matemático francês
René Descartes (1586/1650), considerado o pai do
racionalismo, define:
Para se chegar à verdade, que se duvide de tudo, mesmo das
coisas aparentemente verdadeiras; a partir da dúvida
racional, pode-se alcançar a compreensão do mundo, e
mesmo de Deus.
Com a "revolução gloriosa" (1688) a Igreja Católica
Romana foi, definitivamente, afastada da Inglaterra
propiciando essa licença ideológica e o seu posterior
desenvolvimento. Em verdade, esse movimento
afirma a supremacia da Razão em contraposição à Fé
(justamente o diferencial entre uma ordem iniciática
e uma ordem religiosa).
"A Deusa Razão" (Pallas Athenas - Acrópolis)
Iniciado Maçom em Paris, Voltaire, um dos pilares do
movimento, esclarece:
Dirijo minha luta não contra as crenças religiosas dos
homens, mas contra os que exploram a crença. Detestemos
essas criaturas que devoram o coração de sua mãe e
honremos aqueles que lutam por elas. Acredito na existência
de Deus. Em verdade, se Deus não existisse, seria preciso
inventá-lo. Meu Deus não é um Rei exclusivo de uma ordem
eclesiástica. E a suprema inteligência do mundo, obreiro
infinitamente capaz e infinitamente imparcial. Não tem
povo predileto, nem país predileto, nem igreja predileta.
Pois, para o verdadeiro crente, apenas uma única fé, justiça
igual e igual tolerância para toda a humanidade.
Como observamos, há uma crítica frontal à Igreja,
mas não se exclui a crença em Deus. Esse movimento
esteve por trás de inúmeros fatos e acontecimentos,
entre outros, da revolução francesa e da inde-
pendência dos Estados Unidos, sendo um dos
impulsionadores do capitalismo e da sociedade
moderna.
Nota de um Dólar Um "símbolo maçônico"
Até aí, tudo está de conformidade com a visão ativa
da espiritualidade, a única capaz de trazer a luz e
manifestá-la na personalidade humana. No entanto,
apesar de não negar os fatos espirituais e com o passar
do tempo, a teoria abraçou a ideia da iluminação da
"personalidade" por si mesma, pela sua inteligência e
conhecimentos, através de estudos e
desenvolvimentos pessoais.
Ora, se a personalidade humana é efeito do princípio
espiritual do homem (normalmente oculto e
subjetivo), que lhe é a causa, a luz que a ilumina só
pode partir da manifestação desse mesmo princípio.
Essa foi a grande omissão posterior dessa corrente,
que passou a julgar que um efeito poderia
transformar-se, por si mesmo, sem a concorrência
daquilo que lhe dá existência.
Essa visão culminou (Séc. XIX) com Augusto Comte e
o seu "Positivismo", uma derivação filosófica e
materialista do iluminismo, que se apossou de alguns
dos pensadores mais importantes da época e cuja
característica principal era a total erradicação, não só
do religioso e do místico, mas de tudo o que era
espiritual e metafísico.
O homem foi relegado, então, à condição de simples
"animal pensante", porém, "auto-suficiente" sendo a
ciência conduzida ao elevado patamar de única
detentora da "última palavra", na solução de quaisquer
questões relacionadas ao homem e ao próprio
universo.
Segundo o antropólogo estrutural Edmund Leach:
Positivismo é a visão de que o inquérito científico sério não
deveria procurar causas últimas, que derivem de alguma
fonte externa, mas sim, confinar-se ao estudo de relações
existentes entre fatos que são diretamente acessíveis pela
observação.
Concluindo:
Não se trata de descobrir as causas dos fenômenos, mas
descobrir as leis que os regem.
A espiritualidade e a metafísica são totalmente
descartadas.
Essa corrente, que dispensa comentários aqui,
conduziu o mundo a um extremo e pernicioso
materialismo, fato que acarretou, como lógico, um
enorme crescimento do "Ateísmo" e trouxe reflexos,
inclusive, para dentro da própria Ordem,
contrariando alguns de seus preceitos fundamentais: o
da ciência de um "Princípio Superior" e do fato da
"preexistência da alma humana".
A partir daí, o homem começou a andar em círculos,
posto que passou a buscar a solução dos fenômenos
nos próprios fenômenos, ignorando-lhes as "Causas",
em um processo comparável ao dos "hamsters" em
suas gaiolas, andando ou dando voltas em suas
"rodinhas", mas sem que possam, jamais, chegar a
lugar algum.
Com efeito, a ciência, também, começou a andar em
círculos e disso a teoria da evolução de Darwin é um
claro exemplo, circunscrevendo seu estudo à
evolução da "forma" e se esquecendo de que essa é
resultante da evolução da "vida".
Desde a vida-energia dos minerais, até a vida-
consciência do homem, quem evolui, cresce e se
especializa é a própria vida; é em função de suas
necessidades que a vida constrói sua forma ou veículo
de expressão. "A forma não evolui, ela se adapta em
função da evolução da vida ou por modificações no meio
ambiente."
A vida é causa, a forma, seu veículo de manifestação,
o efeito, logo, estudar a evolução da forma sem
considerar a evolução da vida é tomar o efeito por
causa, daí as enormes dificuldades em encontrar o
"elo perdido" da evolução humana, que, em realidade,
jamais será encontrado por esse prisma de
observação.
Se tomarmos, por exemplo, que os elefantes são a
evolução de um estágio de vida que outrora animava
mamutes, o que é correto, podemos observar que o
que existe hoje é o elefante; o mamute já não está
mais presente como mamute, mas sim como elefante.
Os tigres-dentes-de-sabre deram origem aos grandes
tigres asiáticos e, igualmente, neles estão presentes,
sendo impossível sua coexistência, uma vez que um é
o resultado da evolução do outro. Agora perguntamos:
"Se o homem é a evolução do macaco, o que fazem
por aí os macacos?" Ademais, homem e macaco,
diferentemente de tigres, elefantes e mamutes, fazem
parte de "reinos naturais" muito diferentes (animal e
humano) e esse grande salto "qualitativo" (e qualquer
salto "qualitativo") não se dá no âmbito da forma, mas
no âmbito da vida.
Felix qui potuit rerum cognocere causae
(feliz aquele que pôde conhecer a causa das coisas).
(Virgílio)
Mas, no início do séc. XX, se determina uma crise interior
da ciência mecanicista, ideal e ídolo do positivismo, para dar
lugar a outras interpretações do mundo natural, no âmbito
das próprias ciências positivas. Daí uma revisão e uma crítica
da ciência por parte dos mesmos cientistas, que será, por
conseguinte, uma revisão e uma crítica do próprio
positivismo. Nessa crítica sobre o positivismo, podem-se
distinguir duas fases: uma negativa (de crítica propriamente),
e outra positiva, de reconstrução filosófica, em relação com
exigências, mais ou menos, metafísicas ou espiritualistas. O
movimento positivista, portanto, acabou por não resistir por
muito tempo.
Com efeito, assim como o fanatismo constitui a
radicalização da fé, o positivismo constitui a
radicalização da razão, e tudo o que é radical,
isoladamente, constitui algo pernicioso e nocivo ao
desenvolvimento do homem; um radical só tem
validade quando, em oposição a outro radical, conduz
a uma situação de equilíbrio e complementaridade.
Mais recentemente, o advento da física ou mecânica
quântica veio a dar subsídios mais concretos à
necessidade dos conhecimentos de ordem metafísica,
dando autenticidade a algumas de suas afirmativas e
tornando possível que esta venha, em um curto
espaço de tempo, a constituir parte complementar,
integrante e atuante, do universo científico moderno.
O universo do "muito grande" é a consequência
"curva e finita" do universo do "muito pequeno",
onde desponta o centro, a causa, o "Princípio" (o
Infinito); é nessa direção que atua a espiral evolutiva;
é nessa direção que atua a metafísica; é nessa direção
que a ciência oficial, por meio da mecânica quântica,
já inicia seus esforços. (Irm.'. G.'.)
No entanto, à vista da influência de todas essas
correntes de pensamento, e com o correr do tempo, o
esoterismo iniciático foi ficando obscurecido, os reais
significados de seus símbolos foram se reduzindo a
meras interpretações de ordem moral (quando não, de
ordem material e profana), seus altares perderam o
brilho, o escopo das reuniões foi se tornando político,
econômico, comercial e administrativo e seus ritos
executados de forma, cada vez mais, mecânica.
Tudo isso temperado pelo indesejável espocar dos
fogos da vaidade.
Para adentrar seus templos, bastava ostentar uma
posição de destaque na sociedade, ser um aristocrata,
um nobre, um cientista famoso, independentemente
de ideais e outras qualificações que caracterizavam os
verdadeiros Candidatos à Iniciação.
Houve uma radical mudança de valores e o culto à
personalidade e ao ego se instaurou para ficar.
A luta por posições e as reivindicações pela
"paternidade" da Ordem deram início a cisões entre as
Lojas e ao aparecimento de várias Obediências e
Ritos. Os ágapes fraternais foram transformados em
lautos banquetes regados a bebidas alcoólicas e, assim,
com o passar do tempo, a Maçonaria foi perdendo a
sua destinação primordial, a sua identidade real,
transformando-se, com raras e honrosas exceções,
naquilo que observamos hoje, de forma geral, em suas
Lojas e em suas Obediências: em uma sociedade quase
que, totalmente, materialista e num "fórum"
privilegiado para muitos que, aproveitando-se de um
imaginário "status" espiritual e de ações de
benemerência e de cunho filantrópico, buscam,
vaidosos e presunçosos, tais e quais atores
contumazes diante de uma grande ribalta, as luzes do
reconhecimento e da promoção pessoal.
Oh! Ignorância! Quando cessará de lograr vítimas?
E tu, Orgulho, quando não mais fará trapaceiros?
Enfim, à parte de suas qualificações ou posições no
mundo profano, a Maçonaria foi invadida por homens
"comuns" (quando não, "medíocres").
Essa constatação é triste, dolorosa. E como se as
portas do Templo (interno) tenham se fechado
fazendo com que as reuniões, atualmente, se façam
no "Átrio" (no mundo exterior), pois é nele que se
situa a personalidade humana.
O Templo interno, a Loja, é o lugar do homem
espiritual, subjetivo, hoje ignorado ou totalmente
esquecido.
Isso dá validade a uma anedota de "humor negro", que
inverte uma premissa maçónica, e diz: "Ao entrarmos
em Loja devemos deixar o homem do lado de fora e
entrarmos só com os metais..."
Esse processo precisa ser revertido! A Maçonaria não
é um reduto para uso de políticos, poderosos,
vaidosos ou dissimulados, mas uma Ordem espiritual,
iniciática, que produz homens reais, verdadeiros,
aptos a cumprir seus elevados papéis dentro da
sociedade.
É necessário que se retomem os Símbolos e o valor
iniciático dos Ritos e que se devolva, aos seus altares,
seu prístino brilho. A Maçonaria tem que deixar no
presente, algo em que os Maçons do futuro possam se
espelhar e se orgulhar, para que continuem a irradiar,
na sociedade, a luz do Grande Arquiteto do Universo.
Esse trabalho só pode ter início na "base da pirâmide
maçônica", na Loja, e deve se focar, principalmente,
na escolha daqueles que, doravante, deverão receber
o caráter Tradicional da Iniciação.
À vista disso, a revitalização da Ordem, a partir das
Lojas, e a necessidade de, unida, mostrar-se mais à
sociedade, não como uma entidade filantrópica ou de
benemerência, mas como agente de "transformação"
do homem e da própria sociedade (seu objetivo
primordial), são da maior importância.
A Inclusão da ética, princípios e filosofia maçónicos
na formação do homem (resguardados, seus segredos
e Rituais) através da educação (não propriamente os
aspectos morais, que são voláteis, mutáveis), pode
tornar-se uma linha de atuação da nova Maçonaria
que estamos comprometidos em consagrar. Em
realidade essa nova Maçonaria seria de fato o retorno
aos velhos ideais e princípios da Ordem (a expansão
consciencial, a liberdade e o bem-estar da
humanidade), tão obscurecidos e esquecidos
atualmente.
Essa é a real natureza do trabalho filantrópico e de
benemerência da Maçonaria junto à sociedade; ele é
racional e, totalmente, impessoal. Logo, sua atuação
visa, sempre, toda a coletividade humana. E justa-
mente isso o que o difere, em essência, da natureza
do trabalho religioso, que é emocional, paternalista,
visa o "indivíduo" (muito embora, atuando em
congregações) e, além disso, objetiva, sempre, a
"imperiosa" necessidade de "custeio" dos seus
próprios templos e de sua própria hierarquia.
Em verdade, esse pensamento vai de encontro às
nossas ideias, uma vez que somos pela criação, em
oposição à velha disciplina jesuítica (cujas escolas são
consideradas as melhores e, também, as mais caras),
de um sistema educacional que inclua a multissecular
disciplina maçónica, isso já desde os primeiros passos
curriculares (principalmente no ensino público).
E importante salientar que, por sua própria natureza
intrínseca, a disciplina jesuítica "anula e escraviza";
por outro lado, a disciplina maçónica faz "crescer e
liberta" (esse um dos seus princípios básicos).
Tenha-se em conta, no entanto, que qualquer
transformação só é possível da base para o topo e uma
nova educação, assim como uma nova consciência, só
se estabelece ao longo de duas ou três gerações.
Com relação a sua atuação e influência junto aos
poderes constituídos (no Brasil), a Maçonaria tem
uma representação, no congresso nacional, suficiente
para torná-la uma importante força política no País,
no entanto, dadas as suas divisões "internas"
(Obediências) e a ineficiência dos atuais critérios de
seleção de seus quadros, ela não age em "Bloco"; essa
unidade fundamental, pois, deve ser buscada;
reconquistada.
(Nas cidades menores, do interior e do litoral, essa união já é
um fato!)
É necessária, portanto, a formação, no Congresso
Nacional, de uma bancada "maçónica" totalmente
comprometida com os princípios e ideais da Ordem.
Um verdadeiro Maçom é aquele que,
tradicionalmente, faz a diferença!
Por essa razão torna-se necessário que a Maçonaria se
mostre mais, apareça mais, todavia, essa ação deve
estar, sempre, dentro de aceitáveis limites de
discrição. Deve a Maçonaria, a exemplo do que já fez,
desfilar nas festividades de sete de setembro?
Seguramente que não, mesmo porque muitos dos seus
"participantes", com certeza, sucumbiriam sob o peso
de frondosas alfaias e incontáveis comendas. Não
obstante, por uma questão de justiça, defendemos a
presença da autoridade maçónica, no palanque, junto
às demais autoridades civis, militares e eclesiásticas.
(NT) - A Maçonaria sempre esteve por trás dos
principais acontecimentos da história do País, desde o
seu descobrimento, pelos Templários da Ordem de
Cristo, até os movimentos que culminaram com a
independência, o segundo império, a república e a
abolição da escravatura, dentre tantos outros. Essa
atuação da Ordem não deveria, pois, ser levada às
bancadas escolares de uma forma mais clara e
objetiva?
Afinal, até quando vamos tolerar esse velho,
esdrúxulo e pejorativo conceito, que nos é imposto
pelos filhos da ignorância, relacionado ao satanismo e
ao "sacrifício de criancinhas"?
Em verdade, não seria, talvez, o exercício de abraçar,
depender e se apoiar no diabo para poder existir e,
ainda por cima, obter satisfação "devorando"
criancinhas, atributos, justamente, de nossos
habituais e tradicionais "detratores"???
À vista desse "estado de anarquia", comum nesses
conturbados dias, associado a uma "perversa inversão
de valores", pode-se inferir que a sociedade nunca
necessitou tanto da Maçonaria, como contrafação a
esse estado de coisas, quanto o necessita agora.
Há um clamor surdo no ar, no entanto, ele não
encontra eco.
E, portanto, o momento da Maçonaria emergir dos
"porões do secreto" e do estado de "letargia" em que
se encontra e fazer aquilo que sempre fez de melhor:
"Agir na garantia e na preservação dos mais altos
interesses de toda a coletividade".
Quem sabe, a exemplo dos bispos da Igreja, não seja
viável a criação de uma Conferência Nacional dos
Maçons do Brasil - CNMB - onde todas as Potências
estariam representadas?
Em verdade, esse conjunto de ideias e filosofias
desperta algo de muito profundo dentro de cada um
de nós, no entanto, sem AÇÃO não há
REALIZAÇÃO!
Por essa razão, reportamo-nos, novamente, ao texto
de "Eliphas Levi", apresentado no início do presente
Capítulo, cujos termos reapresentamos:
Toda a intenção que não se manifesta por atos é uma
intenção vã, e a palavra que a exprime, uma palavra ociosa; é
a ação que prova a vida e é, também, a ação que prova e
demonstra a vontade...
À vista disso, lançamos um "Manifesto" a toda a
Maçonaria brasileira, não só para tornar possível essa
"União e Revitalização" da Ordem, mas,
principalmente, para que seus verdadeiros e
primordiais objetivos possam ser alcançados.
Na realidade, esse instrumento destina-se, mesmo, a
chacoalhar nossa irmandade, não contra algo oculto,
sorrateiro ou escondido, mas contra sua própria e
explícita incapacidade em velar, guardar e "vivenciar"
sua filosofia, seus princípios, sua ética, sua disciplina
e, por aí afora.
A Maçonaria precisa sair do mundo do "Faz de Conta"
e cair na Real!!!
Com efeito, é necessário que reunamos, com
urgência, IIrm.'. que compactuem com o escopo
desse "Manifesto", no sentido de concretizar uma
proposta séria para esse tão necessário e difícil
processo. É fundamental que a Ordem se redescubra!
Essa proposta deve incluir, além dos aspectos
externos de serviços nas áreas da educação e de
natureza política, conforme já citamos, uma expansão
significativa dos métodos e meios de instrução dos
IIrm.'. em Loja, desde sua ritualística, seus princípios
eternos e sua história, até seus aspectos éticos,
filosóficos, esotéricos e, principalmente, iniciáticos.
Deve-se motivar a leitura de temas importantes
relativos à natureza de nossa instituição, sequenciados
por palestras, debates e discussões. É imperativo que
nos transformemos como homens antes que possamos
deixar nossos Templos para promover a transformação
da sociedade.
Cremos que a primeira mudança deva recair no
processo de admissão de novos membros. A definição
do "perfil" ideal de um Candidato, assim como a
grande responsabilidade dos "padrinhos" devem ser
revistas. Esse estudo será "fundamental" para o
processo de revitalização proposto.
Cremos, ainda, que todas as exigências contidas em
nossos Rituais e manuais, representam uma exigência
mínima para fins de regularidade maçónica;
multiplicá-la por "cem", em graus de dificuldade,
principalmente nos processos de admissão e instrução
(inclusive interstícios) é, no entanto, uma
prerrogativa das Lojas (estatutos). Enfim, há muito a
se discutir e muito a ser proposto.
Nas palavras de nosso Irm.". Zé Rodrix, um grande
Maçom, músico e escritor consagrado, referindo-se ao
presente manifesto:
Mano:
Fenomenalmente oportuno e bem escrito. No entanto, é
preciso que ele PROPONHA COM CLAREZA uma FORMA
DE AÇÃO para implementar esta mudança tão essencial e
urgente.
É isto que temos que colocar nas mãos de nossos
"dirigentes": uma proposta clara de ação maçónica nos
membros da Ordem, nas Lojas e na sociedade onde temos
que nos inserir.
Precisamos urgentemente redescobrir o território de ação da
Maçonaria, rejeitando os limites que nos foram impostos por
nossos inimigos, reduzindo-nos ou a adoradores do diabo ou
a simples filantropos benemerentes.
Somos muito mais do que isso!
Estou às ordens do mano para falar sobre isso, e creio que
devamos reunir um grupo de Maçons dispostos ao trabalho
para definir uma série de ações necessárias e possíveis com
vistas a essa revitalização. Só a ação maçônica clara e
verdadeira nos trará de volta ao nosso "verdadeiro lugar".
(ZRx)
A essa clara, lúcida e concisa posição, respondemos:
Caro Irm.'.
Acreditamos que qualquer mudança só é possível da base
para o topo (imagine as dificuldades em se mudar a Igreja,
tendo que começar pelo "Papa"?). Achamos que o segredo
está nas Lojas, na base (base de hoje, topo de amanhã), onde
as novas (velhas) idéias têm condições de fluir melhor, assim
como, a aceitação do fato de que o processo de admissão de
Candidatos deve tornar-se mais rigoroso, mais seletivo e,
ainda, analisado por uma ótica bastante diferente da
normalmente utilizada.
Há uma tendência, em nossas Lojas, de "massificar " o
processo de admissão de novos "IIrm:.", em função de um
aumento de "arrecadação ", tudo muito semelhante ao
"proselitismo cristão ".
No entanto, pela sua própria natureza, à Ordem não
interessa quantidade, mas sim, e essencialmente, qualidade!
Concentremo-nos na base, afinal a Maçonaria começa e
termina na Loja e ela é SOBERANA! Da mesma forma, não
se muda uma Nação por uma atuação direta na mudança de
seus governantes, mas sim, e principalmente, pela realização
de um árduo trabalho voltado à transformação de seus
cidadãos.
Quanto ao nosso território ou campo de atuação, por ser o
Maçom um cidadão do universo, não fica difícil delimitado.
Vamos pôr "Mãos à Obra", imediatamente, esperando a
oportunidade para conversarmos mais sobre a formação
desse grupo de Maçons dispostos a encarar essa importante e
vital tarefa.
No que se refere ao manifesto, o faremos rodar. Com o
tempo, em sendo implantado, aqueles que não se
enquadrarem no "novo" (velho) espírito maçônico, natural e
gradativamente, irão deixar a Ordem, pois nela, nada mais
haverá para eles. Quanto aos novos, "SÓ COM O PERFIL"...
Na Maçonaria há 12 anos, é muito bom conversarmos com
Urm.'. que, a exemplo do que ocorre com todos os
verdadeiros Maçons, sentem, em seu próprio íntimo que,
durante todo esse tempo, algo de muito importante se
operou; se transformou; mudou; e isso Urm.'., é algo que
não pode e não deve ser perdido... (Irm:. C.'.J
A Sociedade atual carece da ação maçônica; a Maçonaria, da
ação dos verdadeiros Maçons!
No entanto, caso a Ordem se veja diante da
impossibilidade dessa "revitalização", é lícito que se
suponha o advento de um daqueles momentos, que já
se repetiram algumas vezes durante a grande jornada
evolutiva do homem, em que a Ordem Solar Iniciática
Tradicional ressurgirá, em meio ao silêncio e a
discrição, no seio de um outro grupamento, de uma
nova instituição, com uma nova coloração e um novo
nome, para dar curso a sua eterna e imprescindível
atuação na transformação do homem e na condução e
construção do progresso e da história da humanidade.
IX — O Cristianismo Hoje
"Deus Sol Invictus" Moeda de prata romana do See. III
(British Museum)
Aquele que naufragou duas vezes, não culpe o mar...
Quanto à cristandade, apesar dos avanços e progressos
advindos da reforma protestante, cindindo a unidade
da igreja, as diversas correntes cristãs, não católicas,
existentes no mundo (com raras e honrosas
exceções), ainda utilizam, basicamente, as mesmas
escrituras deturpadas produzidas pelas interpolações e
neologismos do escravista Concílio de Nicéia .
O resultado não poderia ser outro (claro que em
versões mais pulverizadas e reduzidas e sem a mesma
dimensão da igreja de Roma): exploração da fé,
ignorância, fanatismo, cabeças doutrinadas e anuladas,
repressão sexual, fuga da realidade do mundo, visão
estreita, fiéis empobrecidos, congregações e
respectivos pastores enriquecidos, e daí por diante.
Com relação ao explosivo número de novas seitas
cristãs que estão surgindo atualmente, cujo escopo
explícito é de natureza puramente comercial e que
estão atingindo tal nível de sofisticação que inclui as
mais modernas técnicas de marketing e franchising,
reservamo-nos o direito de calar-nos, pois as
conclusões são, por demais, óbvias.
Diferentemente do que possa parecer, julgamos o
cristianismo puro e verdadeiro como fundamental,
em termos religiosos, para a formação da sociedade
ocidental, mesmo porque ele se apóia, em grande
parte, na Tradição Sagrada, uma vez que foi
concebido tendo como base um sincretismo realizado
com inúmeros cultos e ritos pagãos (?) relacionados,
como já vimos em capítulos anteriores, à fertilidade e
à abundância.
Esses ritos, ditos pagãos, eram fundamentados no
movimento (simbólico) do sol (Deus Solar) pelas doze
constelações e na influência de sua posição em
relação à terra durante esses doze meses e as quatro
estações do ano, ritos esses existentes desde os
primórdios da humanidade e cujo valor simbólico é da
mais elevada representatividade e importância.
O Cristo representa o próprio "mito solar", que
sempre nasce no solsticio de inverno (hemisfério
norte) e morre no equinócio da primavera: a primeira
representando o Natal (nascimento) e a segunda, a
Paixão (morte) seguida da Páscoa da Ressurreição'; o
coelho, que se multiplica rapidamente, e os ovos, são
símbolos relacionados, respectivamente, à abundância
e à fertilidade.
Observa-se, também, que o Cristo (o Sol), centraliza
os doze apóstolos (constelações), que representam
seis pares de opostos. Desses seis pares, o Cristo, que
se situa no meio, corresponde à sétima posição: "A
Síntese" (o objetivo evolutivo do homem).
Outro simbolismo pode ser bem observado na obra
clássica de Leonardo Da Vinci, representando a
Última Ceia, onde o Cristo (o ponto de fuga de toda a
obra - o sol simbólico) centraliza seis apóstolos de
cada lado, em grupos de três. São, portanto, quatro
grupos de três apóstolos onde cada grupo representa
um elemento da natureza (terra, água, fogo e ar); e,
por sua vez, o número de apóstolos em cada grupo,
ou seja, 3, representa os três ritmos cósmicos, quais
sejam: Rajas (impulso), Tamas (inércia) e Satwa
(equilíbrio).
"A Última Ceia" por Leonardo Da Vinci
Multiplicando-se os 3 ritmos cósmicos pelas 4
naturezas dementais, obtém-se o número 12. Por essa
fórmula, pode-se deduzir a composição dos doze
signos zodiacais (constelações) e o aspecto astrológico
da obra (sempre presente nas colunas que rodeiam um
templo de ordem solar).
Os quatro grupos referem-se, ainda, às quatro
estações do ano e os apóstolos (três por grupo), ao
número de meses de sua duração.
Esse mito é análogo aos doze trabalhos de Hércules
ou Héracles e, também, às Doze Horas do
Nuctemeron, de Apolônio de Thiana, dentre outros
muitos simbolismos solares.
Temos, ainda, a representação do Centro de Força
Cardíaco (o chakra do coração), que corresponde a
um lótus de doze pétalas, centralizadas por um
"cristal" ou uma "jóia" (Tradição Oriental).
A própria configuração da "Jerusalém Celeste" tem
esse mesmo caráter. Sua construção tem a forma de
um cubo e apresenta, em cada um dos quatro lados,
três aberturas ou portas (em um total de doze), que
dão acesso ao seu interior (onde reside a divindade
Yahweh - o G.'. A.'. D.'. U.'.).
No entanto, para que o cristianismo tenha validade,
suas escrituras e catecismos têm que ser revistos à luz
da Verdade. Os aspectos antropomórficos
(personificações), os neologismos e as interpolações
intencionais devem ser removidos e muitos dos seus
véus retirados, de sorte que se apresentem sem
distorções, sem armadilhas e sem causar dependência
ou escravidão.
Devem, ainda, focar sempre e, principalmente, aquela
mesma verdade (que diviniza o Homem) que o
próprio mito solar trouxe, de forma clara, em vários
de seus ditos, dentre outros:
Vocês e Eu somos um; Eu e o Pai somos um. O que Eu
faço, vós podeis fazer, mais e melhor. O Reino de Deus está
dentro de Vós.
Essas e muitas outras citações, sobejamente
conhecidas, querem nos dizer da verdade do "Homem
Deus" da qual Jesus era, simplesmente, um símbolo.
Elas nos dizem "o que somos" e qual o caminho a
seguir; elas nos chamam de "Filhos de Deus" e nos
convidam a seguir o caminho iniciático (oculto nos
"míticos" passos de Jesus) para que possamos
consumar essa condição que não é, definitivamente,
uma fórmula de dependência ou escravidão, mas sim,
a representação da mais alta e possível definição de
liberdade do homem.
Cada um deve fazer seu próprio caminho e conquistar
sua própria "salvação" (estabilidade); o Cristo mítico,
em realidade, é a representação do próprio Homem
(um sol em miniatura).
Uma forma sintética de colocarmos as instituições
fundamentais e indispensáveis ao desenvolvimento
humano é:
- A Família: Fundamento (terra - homem físico)
- A Religião: Formação (água - homem emocional)
- A Escola: Informação (ar - homem mental)
- A Iniciação: Transformação (fogo - homem
espiritual) Todas interdependentes, as três primeiras
referem-se a toda a humanidade, o acréscimo da
última, a um número muito reduzido.
O verdadeiro e original cristianismo, puro, gnóstico,
ainda subsiste em algumas ordens e congregações
fechadas ou semiabertas (Tradicionais), não chegando,
porém, a constituir, de fato, uma religião de massa,
infelizmente.
Vamos encerrar este Capítulo com essa adaptação de
um texto de Marcelo Ramos Motta em "Carta a um
Maçom":
Este momento (1963) é dos mais graves da história da
humanidade. Dos quatro cantos do mundo, forças das mais
hediondas, das mais diabólicas, se concentram em um
ataque ao Homem, a Deus, à Justiça e à Verdade. As
ideologias destrutivas encarnam um dos aspectos destas
forças; as religiões organizadas da era passada encarnam
outros. No momento presente, são pouquíssimos os
homens que conservam contato com os planos espirituais; e,
no entanto, eu levanto a minha voz em profecia e vos digo:
Esta é a escuridão da Passagem das Eras. Na Nova Era, serão
os bodes que organizarão a Igreja. A Maçonaria é a chave do
Templo de Deus.
Eu avisei que se os Maçons brasileiros tentarem
honestamente limpar a Maçonaria das forças malignas que
tentam infiltrar-se nela; se eles se despertarem novamente
para a luta espiritual e para a luta cívica, eles terão todo o
auxílio que for necessário.
O Olho ainda está no Triângulo. Mas se vós fizerdes pactos
com "Demônios" (igrejas e partidos), o olho se fechará sobre
vós.
Não é possível ser Maçom e ser católico romano; não é
possível ser marxista e ser Maçom; e não é possível ser
Maçom sem ser cristão (em seu sentido interno; esotérico).
Limpai as Lojas! Ou o Olho se fechará sobre vós; Calafetai as
Lojas! Ou a energia espiritual que nelas se acumula se
escoará (esta é a razão pela qual o vosso segredo é a vossa
força).
Servi o Brasil antes de tudo; acima de toda outra nação; sois
brasileiros, e o progresso - como a caridade - começa em
casa. Dai aos pobres do vosso excesso, mas não da vossa
substância.
Sede verdadeiros Maçons: Maçons dignos dos que vos
precederam. Maçons dignos dos que fizeram a
Independência, o Segundo Império e a República.
Nunca tenhais medo de lutar pela Verdade, Liberdade e
Justiça, e perdoai os vossos adversários - mas vencei-os,
antes!
Não agradeçais à Igreja de Roma as concessões que ela vos
"faz". Ó meus Irmãos, essas "concessões", vós já as
conquistastes: não ouvis os gemidos de dor? Não vedes os
oceanos de sangue, não percebeis a legião de mártires
maçónicos, não sentis ainda o cheiro e o clarão das
fogueiras?
A Igreja de Roma nunca fez concessões de ordem teológica
a não ser por razões econômicas e políticas; ela sempre se
aliou aos tiranos contra os oprimidos, e aliar-se-á aos
marxistas, se necessário, para combater-vos; mas sedes fiéis
ao olho e o olho vos servirá.
Todo o progresso humano; toda lei humanitária; toda
proteção à ciência pura; toda tolerância religiosa que existe
no mundo presente foi o resultado do trabalho dos Maçons!
Nunca vos esqueçais disto! Não deveis agradecer ao inimigo
oculto aquilo que ele nunca vos concedeu, mas que vós
conquistastes pelo sacrifício de muitos e pelo paciente
trabalho de incontáveis outros.
X — A Família e a Sociedade no Séc. XXI
Desvelemos tudo o que é falso para resgatar o que é
verdadeiro...
Sempre acreditamos haver princípios e valores que
são mutáveis e que se revestem de um colorido que
varia conforme a época, a cultura, a civilização e até
os usos e costumes de um determinado povo. Mas
valores há que são imutáveis, eternos, pois
fundamentam toda a estrutura em que se assenta a
sociedade humana. Destes nós não podemos e não
devemos prescindir.
Algumas dessas premissas tradicionais nos dizem que
o homem é um animal social em sua natureza básica,
outras, que a união do homem, macho e fêmea, e seu
produto, o filho, são análogos e até uma manifestação
dos três aspectos divinos. Por essa visão, a família
representa a manifestação de Deus na sociedade
humana, o que a caracteriza como uma "Manifestação
do Sagrado".
Hoje em dia, em função de desmandos radicais e, até,
da própria tolice humana, os movimentos feministas
que, a duras penas, conseguiram, muito justamente,
colocar a mulher em igualdade de condições com o
homem, deram um passo a mais e a proclamaram
totalmente independente; auto-suficiente. Isso foi um
grande erro e a sociedade paga hoje as consequências
desse excesso, dessa radicalização, dessa tolice.
Um e outro não podem ser independentes entre si
pelo simples fato de serem complementares; um não
pode ser o outro e o outro não pode ser o um, aliás,
enquanto "forças", um não pode, sequer, "existir" sem
o outro. Por conseguinte, assim como se sucede com
todos os opostos, homem e mulher justificam a
existência um do outro, tais como: luz/ treva,
quente/frio, bem/mal, preto/branco e daí por diante.
Uma luta que deveria ser por "direitos iguais" acabou,
em função de séculos de subserviência, por adquirir
uma coloração de disputa, onde a mulher quis provar,
para si mesma, que poderia ser igual ao homem em
sua própria natureza (ativa) e isso é, por motivos
óbvios, impossível (a recíproca é verdadeira).
Por essa ótica, a mulher, que a propósito não
conseguiu ser homem, deixou, também, de ser
mulher, situando-se em um perigoso "lugar nenhum".
Em função de todo esse processo e por falta de
sustentação a "presença" do pai, enquanto "força",
despencou e ficou bastante obscurecida, relegado (o
pai) que foi à condição de contribuinte "puramente
biológico", sendo consideradas dispensáveis suas
demais funções no âmbito familiar.
Quanta tolice!
Assim como a mãe é a expressão do amor o pai é a
expressão da lei, da disciplina. Sem o pai o amor da
mãe não se sustenta e vice-versa. Sem o equilíbrio
dessas duas forças complementares não pode haver o
produto, o vetor resultante, o filho. Por essa forma
não se consuma o ternário, não se conquista a
estabilidade, não se constitui a família e não se
constrói o edifício social.
Um homem jamais será uma mãe, assim como uma
mãe jamais será um pai, porque possuem
características intrínsecas diferentes, ambas
necessárias ao equilíbrio e estabilidade do filho e, por
extensão, da própria sociedade. Essas características
"conflitantes" são responsáveis pela estruturação do
indivíduo e da sociedade através de opostos
complementares como: razão/emoção;
objetividade/subjetividade; lei, regra, disciplina/amor,
compaixão, tolerância, etc.
No entanto, toda a lei natural que é "forçada" ou
"modificada" pelo homem, acaba por gerar um "alto
preço a pagar".
Com efeito, a fragmentação da família, a "célula
mater" de qualquer sociedade estável e equilibrada (e
isso é um fato real e indiscutível), que culminou com
a fragmentação da própria sociedade, é uma das
muitas tragédias que podemos constatar nos dias
atuais, senão vejamos:
O que foi feito do civismo e do amor à Pátria? E da
disciplina?
Onde se encontram o respeito ao próximo, à
liberdade e à propriedade alheia? E a justiça? E a
religião? E Deus? E o respeito à vida? O que foi feito
da honradez e da decência?
Por onde andam o amor, a compaixão, a solidariedade
e a fraternidade? E a educação? E a amizade? E a
honestidade? E a espontaneidade? E a verdade? Onde
foram parar os parâmetros? E, mais importante ainda,
onde foram parar aqueles que, inicialmente, estabe-
lecem para cada um de nós esses parâmetros?
Vivemos em um mundo onde o homem é explorado
pelo próprio homem e os cegos guiados por outros
cegos; um mundo onde quem decide o próximo passo
são os próprios pés; um mundo onde nem o planeta
escapa à ferocidade do poder, fator de destruição do
meio ambiente e desagregação de ecossistemas.
Há, portanto, uma total inversão de valores que nos
leva, enfim, a vivermos em um mundo sem regras,
sem limites e imerso na mais absoluta futilidade
(vaidade e poder), onde o "parecer" vale mais que o
"ser".
A liberdade, tão buscada e acalentada pelo homem,
foi confundida com o estado de "libertinagem" e de
"anarquia" que grassa pelo mundo e, o que é pior,
todos aprendemos a conviver com esse estado de
coisas, naturalmente, de sorte que, mesmo que de
forma inconsciente, ou até por omissão, dele
tomamos parte.
O que dizer de como está a própria instituição
familiar onde o amor, seu principal fator constitutivo,
foi definitivamente substituído pelo sexo vil e pelo
culto ao corpo, o que implica em uniões efêmeras e
filhos sem pais?
Que estranho mundo é esse de Homens-mulheres e
Mulheres-homens, onde a própria natureza humana é
violentada, não só em sua essência, mas também em
sua forma, através de mutilações e deformações auto-
impostas em nome de uma vaidade sem regras e sem
limites, cujos resultados produzem seres estranhos e,
não raro, verdadeiras aberrações antinaturais?
O que dizer de uma geração de jovens e crianças onde
expressões e ritmos nascidos em prisões e
penitenciárias viram gírias e bits de uso comum e seus
autores, assassinos filhos da violência, posam de
heróis e "Robins Woods"? Não há o que contestar!
Isso é, no mínimo, espantoso...
Muitos dizem que, conforme estava profetizado, o
ano dois mil se foi e o mundo não acabou, contudo,
aos olhos mais atentos, a verdade pode ser bem outra.
Se analisada friamente e com total isenção essa
possibilidade, verificar-se-á, com toda certeza, que
nenhuma das instituições, fundamentais à existência
do homem, restou de pé.
Não será essa a natureza mesma do "Armagedon"?
No entanto, tudo isso estava previsto e já foi escrito
há muito tempo.
O mundo está em ordem: seja destrutiva, seja construtiva, é
sempre ordem. (Krishnamurti)
Como já dissemos anteriormente, essa aparente
ausência do bem, essa situação caótica e irreversível,
atende aos desígnios de um vasto plano denominado
evolução. Não há o bem, nem há o mal, posto cons-
tituírem posições relativas. O que há de fato, é o
desenrolar de um processo evolutivo necessário ao
crescimento e aprimoramento do universo e de tudo
o que ele contém, incluindo o homem. E um "período
de transição", muito embora, para a grande maioria,
tal realidade se apresente incompreensível.
Em épocas escatológicas como a que vivemos é
comum ouvirmos falar sobre o fim do mundo, sobre a
destruição do planeta, na aniquilação da vida, etc.
Enfim, são centenas de profecias, em sua maioria,
criadas pela imaginação do homem, que trazem em
seu corpo, variadas datas, números, locais e diferentes
modos de catástrofes que se encarregariam do sinistro
trabalho de dizimar o planeta e tudo o que nele
habita.
Ora, tomarmos pelo sentido literal as profecias sobre
o fim do mundo e as associarmos ao atual caos
mundial, onde o mundo, pretensamente, estaria
perdido, dominado pelas forças do mal, pelos agentes
de Satã (segundo as religiões ocidentais), não restando
solução para a sua regeneração sendo, portanto,
necessária a sua destruição e o encadeamento das
almas que nele habitam a um inferno eterno, seria
admitir a vitória do mal sobre o bem, do mítico diabo
sobre Deus, e daí para frente.
Isso é um grande erro e seria um enorme desperdício,
se verdadeiro!
Em pleno século XXI, onde a mente humana
desenvolve-se a velocidades meteóricas e os avanços
científicos e tecnológicos não respeitam limites, o
homem já aprendeu que não deve tomar a fábula por
verdade, mas sim, encontrar o seu significado
implícito, oculto.
No tempo das profecias e à luz de um estágio mental
diferente do encontrado nos dias atuais, as regras, a
ética e a moral eram impostas pelo medo, daí as
sempre presentes palavras como: pecado, castigo,
inferno e, até, expressões do tipo "temente a Deus"; a
própria criação da figura do diabo pela igreja atesta a
didática utilizada naqueles tempos e a composição do
quadro do Juízo Final, não foge à mesma regra.
Uma boa parte disso, no entanto, carrega um
profundo significado oculto (anterior ao
cristianismo), porém, os homens (e a própria igreja,
fundamentalista que é) atêm-se, exclusivamente, à
"letra morta", sempre inconsistente e contraditória.
Não seria mais lúcido imaginar estarmos atravessando
um período de transição; um processo necessário e
sustentado pela própria divindade para a consecução
do seu plano de evolução?
Não seria o fundo do poço o ponto de partida para um
impulso rumo à superfície?
Não seria mais instrutivo e eficiente tomarmos o
verdadeiro significado dessas profecias e mitologias,
quaisquer que sejam suas naturezas e que, quando
bem interpretadas à luz do espírito inteligente,
contém as respostas a todos os nossos anseios e a
todas as nossas perguntas?
Aos apologistas do caos e da destruição (pela
destruição) perguntamos: O que segue ao caos, não é
a ordem? O que segue a destruição, não é a
reconstrução? O que segue a noite, não é o dia?
Como pode o Universo se renovar e evoluir sem esse
eterno construir e destruir para em seguida
reconstruir melhor e mais completo? Viver e morrer
para renascer de forma superior?
E preciso conscientizar-se de que, morte e destruição
não têm existência real; não existem e nem poderiam
existir isoladamente.
A paralisação e a morte é o futuro de tudo o que vegeta sem
mudança (H. P. Blavatsky - "A Doutrina Secreta").
Com efeito, o aparente caos pelo qual atravessamos é
necessário como parte de um processo de evolução
em curso para o nosso planeta que envolve, não só o
reino humano, mas todos os outros, simultaneamente.
Ocorre que tudo isso está acontecendo de forma
natural. Trata-se de um final de ciclo que se esvai e se
autodestrói e o início de um outro que, lenta e
inexoravelmente, se instala. Daí a utilização pelas
mitologias e rituais relacionados à "transformação", da
conhecida fórmula sacrificial: "morte e ressurreição"
(associada ao fogo).
Esse caos, portanto, representa os tempos finais de
uma etapa de evolução do homem (inserido em um
rigoroso sistema dual) e dos reinos que o circundam.
Pois é através da dualidade (dos mundos inferiores)
que podemos realizar a síntese e crescer. É por meio
dos opostos que são apresentados ao nosso "livre-
arbítrio" que encontramos o equilíbrio.
Com efeito, esse arbítrio só tem razão de ser em
função dessa possibilidade de escolha, pois nas esferas
superiores, onde reside a luz, não há livre-arbítrio.
Nessa grande escola da vida, a injustiça é necessária
para que possamos conhecer a justiça; o ódio
necessário ao conhecimento do amor; a
separatividade nos conduz ao entendimento da
unidade, assim como o negro torna possível o branco,
o negativo confirma o positivo, o frio justifica o
quente e, assim, sucessivamente.
Sintetizar em si esses opostos ao longo de uma grande
jornada existencial, tornando-se o produto da ação do
espírito sobre a matéria e realizando a trindade em si
mesmo, tal é o papel e o trabalho do homem nessa
etapa de evolução do Universo.
XI — Como nos Tempos das Cruzadas
A ignorância torna os homens crédulos, a ciência dos
mistérios da Natureza torna-os crentes; a compreensão
desses mistérios os faz sábios... (H. Delaage/compl. Irm.'.
G.'.).
De volta aos aspectos da religiosidade vemos que,
apesar de todos os esforços ao ecumenismo (e isso
mostra uma tendência), a página negra da história
medieval ainda não foi virada.
A liberdade religiosa é, ainda, uma total "irrealidade"
no mundo, basta olharmos para as disputas, a
intolerância, o fundamentalismo religioso, b
fanatismo e o terrorismo presentes e atuantes em
nossa sociedade nos dias de hoje, responsáveis que
são, a exemplo da igreja na Idade Média, por milhares
de mortes e conflitos intermináveis.
Reparem, também, que o epicentro da discórdia
continua no mesmo lugar (Oriente Médio) e estão
valendo, ainda, as mesmas e velhas disputas. A época
das cruzadas ainda não acabou e se há algo que põe
em risco a paz no mundo atual, esse algo tem suas
raízes lá.
O trabalho dos Maçons (templários), portanto, ainda
não está concluído e, por isso, o templo está
inacabado! (Esotericamente: o homem também.)
No entanto, é transcendendo a essa visão objetiva dos
fatos, onde, aparentemente, o homem vivência
determinada experiência por séculos sem fim, sem se
mostrar "tocado" ou modificado por ela, que se pode
penetrar no mundo subjetivo, onde estarão presentes,
não apenas essa, mas todas as experiências e todas as
lições por ele vivenciadas, se acumulando e tomando
forma, naquilo que chamamos de "consciência su-
perior": a alma humana ou Verbo.
Nada foi em vão, nada foi perdido. Cada componente
foi devidamente ajustado e utilizado nessa importante
e sagrada construção.
No momento oportuno, concluída a Obra, realizar-se-
á, então, sua manifestação no mundo objetivo. Será a
consumação da iluminação, que trará ao plano da
manifestação, partindo do centro cardíaco (o centro
por excelência), a Luz da Alma Imortal residente no
Homem.
Muitas e muitas vezes não notamos ou percebemos,
de uma distância considerável, como uma pequenina
folha, desprendida de uma grande e copada árvore,
em um ambiente de um aparente "repouso absoluto",
cai sobre a superfície de um enorme lago, produzindo
pequenos círculos concêntricos (imperceptíveis) que
se alargam até os limites do lago, retornando, depois,
ao mesmo ponto do leve impacto que lhes deu
origem, com a mesma força com a qual foram criados,
de sorte que, feita a compensação e realizado o
equilíbrio, todo o lago se reestabiliza retomando o
estado de repouso original.
Objetivamente, nada acontece, no entanto, mais do
que atestar a lei da ação e reação, utilizamos o
exemplo para mostrar que, mesmo o mais ínfimo
"toque", realizado por tão reduzida folha em tão
imensa massa de água, desencadeia um complexo
sistema de forças que, atuando por "todo o lago",
demanda por equilíbrio e estabilidade, muito embora
esse gigantesco processo ocorra à revelia de nossos
sentidos, para os quais o lago estará sempre no mais
absoluto repouso. Intocado.
E esse mesmo processo que ocorre, por analogia, no
conjunto da Alma Humana.
Com efeito, mesmo sabendo não ser possível mudar
ou parar qualquer processo em curso no mundo
objetivo, deve-se continuar na luta por alcançar tal
fim, pois, mesmo não vendo, não sentindo e não
tocando tal possibilidade, o homem sabe que, em
algum lugar, algo estará se processando, se movendo e
tomando forma, e que não serão vãos os seus
esforços.
XII — O Regnvm
Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio, e eu moverei
o mundo.
(Arquimedes).
Muito se poderia falar sobre esse tema e ele foi
tratado aqui de forma muito superficial, porém não é
esse o escopo de nossas considerações, só o
utilizamos aqui para ressaltar o fato da "divindade" do
homem; de que a Luz tem que ser conquistada; de
que o conceito de dinastia é um erro; o conceito de
redenção (o Cristo morreu por nós) outro simbolismo
mal interpretado que conduziu a outra mentira irres-
ponsável, porém muito conveniente, elevada a
condição de verdade pelo famigerado Credo de
Nicéia.
Em realidade, a possibilidade de redenção/evolução
nos é oferecida pelo Cristo Cósmico, o Logos, através
do seu grande sacrifício:
Encarnar em um sistema solar (a cruz de matéria) e
oferecer-nos seu sangue e seu corpo físico (essa sim, a
verdadeira natureza da Eucaristia), onde existimos, vivemos
e nos movemos, para que, através do condicionamento à sua
dualidade, possamos evoluir e crescer.
Vale lembrar que o homem é, desde sempre,
responsável por si mesmo; pelo que pensa, pelo que
fala e pelo que faz (pensamento, palavras e obras).
O homem é sempre, e em qualquer caso, o fruto de si
mesmo; não há prêmio ou castigo, apenas o
desenrolar de ações e reações de uma mesma
natureza, que visam o crescimento espiritual através
da obtenção do equilíbrio em meio à dualidade do
mundo manifesto.
Todo o universo está em evolução!
Em realidade, o homem tem que fazer como fez o
Cristo mítico, literalmente, pegar sua própria cruz e
fazer sua própria "via sacra" (como, aliás, era a
intenção inicial do mito).
Enfim, o Homem Real se autoconstroi a duras penas e
essa condição não pode ser alcançada por outra
forma; ela não pode ser outorgada ou transmitida por
hereditariedade, nem pelo sacrifício alheio e muito
menos por intercessão de um "papa infalível", ele
mesmo, um homem comum, cujos conhecimentos,
pelo seu discurso, são muito extensos, porém, pouco
profundos.
O homem consegue a emancipação, quando
"sacrifica" seu "ego inferior" (o dragão ou Satã)
permitindo a manifestação do seu "ego superior" (o
cavaleiro espiritual ou alma).
Eis aí a fórmula "sacrificial" ("sacro-ofício", que não é
sinônimo de dor e sofrimento, mas sim, de alegria e
realização) tão bem representada em ditados e fábulas
como a da semente que, sacrificando-se como se-
mente, traz à luz a árvore, ou como aquela da lagarta
que, sacrificando-se como lagarta (cujo universo é
uma folha), retorna livre como borboleta (cujo
universo é a floresta).
No entanto, seu maior exemplo reza o mito Jesus que,
sacrificado na cruz como homem, traz à luz o "Cristo
ressurrecto", conforme explícito na eterna fórmula do
tetragrama hermético I.N.R.I (Igne Natura Renovatur
Integra - pelo fogo, toda natureza se renova).
Jesus, pela mitologia cristã, vence e controla (por
analogia) o dragão (ou diabo), representação exata dos
quatro elementos e da personalidade humana, em sua
jornada rumo ao Cristo:
• o nascimento em uma caverna (terra - esfera física);
• o batismo no Jordão (água - esfera emocional);
• a transfiguração no cume da montanha (ar - esfera
mental); e
• o sacrifício da crucificação |fogo transformador
(INRI) - esfera búdica, sabedoria ou amor universal].
Ao controlar o Dragão ou o diabo, ou, vencer as
tentações da tríade de natureza inferior (a tríplice
personalidade humana ou o tridente de satã), Jesus vai
ao sacrifício da cruz (INRI - o fogo transformador) e
realiza o "Cristo".
Segundo o mito cristão, quando do nascimento na
caverna (1° grau) a divindade apareceu na forma de
uma estrela, apenas indicando o acontecimento. No
momento do batismo no Jordão (2º grau), no entanto,
a divindade manifestou-se: "Este é o filho com o qual
me comprazo...". Já no processo de transfiguração, no
alto da montanha (3o grau), a manifestação divina se
completa: "Este é o filho com o qual me comprazo;
ouvi-o". A partir daí, Jesus teve a "palavra" e iniciou
sua pregação.
Eis, em princípio, por que os Irmãos do 1° e 2° Graus
não têm, ainda, o direito à "palavra", só
conquistando-a, depois, ao atingirem a maestria (3°
Grau), quando então estarão prontos e aptos a
ensinar, prestar serviços e a se relacionar com seus
semelhantes.
Com a emancipação do homem, o objetivo inicial
dessa etapa do esquema de evolução será consumado.
Será possível, então, a realização da grande Nação
Humana, livre dos obstáculos de fronteiras, diferentes
raças, idiomas, moedas, crenças, filosofias e ideais.
Uma grande Nação Terra onde frutificará, finalmente,
a fraternidade entre os homens e florescerá sua
interação equilibrada com os demais reinos em
evolução no planeta; um mundo que, sujeito à razão e
à vontade superior do homem e, ainda, como
consequência da elevada vibração resultante do
equilíbrio e da harmonia alcançados, possibilitará a
erradicação das doenças, sejam elas de natureza física,
emocional ou mental.
Um "Reino" de justiça, concórdia, paz e
desenvolvimento onde o "tempo" de cada ser vivente
será respeitado, seja ele humano ou não humano,
eliminando-se do vocabulário palavras como
"inferior" e "superior"; um mundo em que não caberá
mais a luta de classes, posto que cada indivíduo será
aquilo que ele realmente é e que unicamente poderia
ser (esta sim a verdadeira natureza da liberdade) e
que, dentro de suas atribuições na sociedade, realizará
sempre o melhor que tiver de si, visando experiências
tais que o conduzirão a um novo "tempo" de
consciência e possibilitarão sua ascensão a um novo
padrão de "ser". Enfim, um mundo que será
governado a partir da divindade, através de uma
sinarquia teocrática universal manifesta (o Sanctus
Regnum).
No entanto, para essa consumação, ainda resta ao
homem percorrer um difícil e "pedregoso" caminho
de "transição".
É preciso que se compreenda que todo o Universo é
hierarquizado (do átomo, passando pelos sistemas
solares, galáxias e, enfim, a tudo o que é manifesto); a
própria vida em nosso planeta é, rigorosamente,
hierarquizada, com seus reinos, ecossistemas e
cadeias alimentares; nem mesmo a estrutura dos
corpos dos seres vivos, com seus plexos, sistemas,
órgãos, células, etc., foge a essa "rigorosa" regra.
Não há outra forma de se organizar o "Caos". No
entanto, essa hierarquia se estabelece de forma
natural e espontânea, não obedecendo a nenhum
critério humano conhecido, onde intervém a
natureza inferior, própria da personalidade humana,
responsável, em sua própria organização, por toda a
sorte de desvarios e enganos.
Sem a emancipação do homem, tais enganos jamais
serão erradicados. Em verdade, esse é um campo de
provas e experiências (o mundo manifesto) que
condiciona a vida e isso é absolutamente necessário
para que ela se desenvolva. Esse "campo" nunca é
modificado. Quem muda é a vida que, realizando a
experiência e seguindo para patamares mais elevados
em sua rota evolutiva, o abandona, abrindo espaço
para que novas manifestações, da vida evolucionante,
nele encetem sua jornada.
Qualquer tentativa de modificar esse estado de coisas,
portanto, constituir-se-á na maior das utopias. Logo,
não devemos nos concentrar em "mudar o mundo",
pois esse perderia a sua finalidade, mas sim, nos
aplicarmos em transformar a "Vida".
Por essa forma é factível, não propriamente mudar o
mundo, mas, seguramente, possibilitar ao homem
assumir o seu controle, submetendo-o à sua vontade1.
No momento certo, então, após o cumprimento do
seu papel e da sua destinação nesse nível evolutivo
em particular, a vida que o anima abandona esse Orbe
para encetar novas jornadas em esferas mais elevadas
de manifestação.
Uma pirâmide tem um "Topo" e, necessariamente,
uma "Base".
Vale lembrar que o mundo é um reflexo do homem (a
síntese); as forças elementais (naturais) podem ser dirigidas e
respondem ao seu pensamento e a sua vontade. Logo, elas
serão tão boas ou tão más quanto seja bom ou mau o
pensamento e a vontade do homem. O mundo é, pois, um
reflexo exato da consciência do seu Rei. Por essa razão
afirmamos: "Da emancipação do homem resulta a
transformação do mundo".
O homem, como parte do reino mais elevado em
evolução em nosso sistema, já se encontra no
"quarto" superior dessa pirâmide, no entanto, resta-
lhe galgar o topo. Com efeito, como o movimento
ascendente é eterno e contínuo, o que está na base de
hoje, estará no topo de amanhã e assim, fluxo
contínuo, da mesma forma que a emanação da "vida"
constantemente penetra na pirâmide pela base, o
homem salta do seu topo para outras linhas de
evolução mais elevadas ainda, abrindo espaço para
que a pirâmide sempre se renove.
Daí a utilização da forma "Tempo Consciencial"; não
há superior ou inferior, o que há, são tempos
diferentes; há o tempo de estar na base e há o tempo
de estar no topo.
Esses degraus hierárquicos têm que existir,
simultaneamente, para tornar possível a pirâmide; não
há pirâmide sem base, nem pirâmide sem topo, e da
sua construção participam todos os reinos em
processo de desenvolvimento (mineral, vegetal,
animal e humano). E um grande, justo e perfeito
sistema de evolução em andamento em todo o
Universo, manifesto ou não.
Pode-se notar que as emanações da vida penetram
pela parte mais larga da pirâmide (reino mineral) e, na
medida em que se elevam, as partes da pirâmide vão
se estreitando (reinos vegetal e animal), até se
afunilar no homem: a individualidade; "a Síntese".
Qualquer tentativa de "padronização generalizada" da
condição existencial das diversas formas de
manifestação da vida, mesmo que dentro de um
mesmo reino, não passará de uma grande ilusão,
principalmente se considerarmos que cada reino
(incluindo o hominal), por sua vez, expressa uma
"sub-pirâmide" que compõe o vasto corpo da grande
pirâmide que é o nosso Sistema Solar (o Logos
Demiurgo; a parte inferior ou o reflexo do Logos, que
nos condiciona).
Repetindo uma afirmação já feita anteriormente:
Por essa forma podemos entender com clareza, o "porquê "
das aparentes diferenças e paradoxos existentes tio mundo,
bem como, da relatividade do bem e do mal.
Como decorrência dessa afirmação resulta, ainda, uma
grande verdade:
O homem não deve indignar-se, mas sim, esforçar-se por
compreender, respeitar e conviver com as diferenças.
Essas diferenças, portanto, não só se apresentam
necessárias como, também, fundamentais à
estabilidade de todo o processo de evolução.
Muito embora de forma inconsciente, o mundo já
caminha para a unificação (o que é um fato
inexorável), como podemos notar pela globalização da
economia, criação de mercados comuns, padronização
de moedas, idiomas, normas técnicas e outros afins.
A informação, em função do grande desenvolvimento
dos meios de comunicação, atinge os pontos mais
remotos do planeta, reduzindo-o a uma "pequena
aldeia", onde, entre muitos outros assuntos, o
pensamento humano, a cultura, a tecnologia, a
notícia, a música, a arte e o esporte são facilmente
difundidos e disseminados. O homem se desloca a
velocidades supersônicas. Estão cada vez mais
frequentes os acontecimentos e as reuniões de caráter
ecumênico e, daí por diante, há uma tendência à
unificação, à padronização e à agregação nos mais
variados setores da atividade humana.
E óbvio que todo esse processo, que consiste em uma
lenta transição, apresenta grandes dificuldades. No
momento ele tem sido muito bom para os poderosos
(corporativismo) e pode, até, transparecer certa
tendência ao totalitarismo, mas isso ocorre porque
nele ainda intervém a consciência humana não
totalmente desenvolvida.
Há, portanto, a necessidade de muitas correções e
mudanças que, no entanto, ocorrerão naturalmente.
De qualquer forma, esse processo já mostra uma
tendência, aponta para uma direção: a unidade.
Ocorre que, os propagadores das teorias de
conspiração utilizam esses fenômenos às largas, para
justificar suas psicóticas criações, chegando ao
cúmulo de empregar muitos símbolos, da Tradição
Sagrada, como sinais de reconhecimento desses
ilusórios movimentos conspiratórios de domínio e
escravidão do mundo.
A Maçonaria (pela maioria) e o Sionismo (pelos anti-
semitas) estão entre as mais citadas por essas
correntes e, tal procedimento, visa confundir a
sociedade no que se refere às atividades e intenções
desses grupos, instituições ou organizações.
Não obstante, esse fenômeno representa, também,
algo normal e natural, se observado do ponto de vista
da lei do equilíbrio: - "Quando a mão direita se move
em direção a uma obra, a esquerda se levanta". Não
fora assim, haveria desequilíbrio, fator de desarmonia
e desordem. Esse é o princípio básico do que
chamamos "Justiça Universal".
Já houve, na história da humanidade, várias tentativas
de estabelecimento de um reino mundial, no entanto,
todas fracassaram, uma vez que foram baseadas em
premissas divinas, mas aplicadas segundo padrões
humanos.
Um exemplo claro de uma dessas tentativas, foi a
fundação de um reino formado por homens
"superiores" (a raça ariana), sob direção de um sistema
sinárquico composto por homens "mais superiores
ainda", que visava eliminar e/ou escravizar todos que
não participassem dessa exigência racial, mesmo
aqueles que, embora a ela pertencendo, apre-
sentassem deficiências físicas, emocionais ou mentais.
O reino? O III Reich! (o terceiro reino).
O homem? O Rosa-cruz Adolf Hitler! (um aluno das
Ciências Sagradas e Ocultas e um exemplo claro dos
riscos de sua má compreensão).
Não poderia resultar diferente. Tal reino jamais
poderia ser fundado por seres comuns visando a
outros seres comuns, onde intervém toda a sorte de
necessidades, defeitos e carências humanas. Teorica-
mente, o III Reich seria o "Reino do 3o milênio" (a
Germânia) e o presunçoso Hitler, o seu "Avatar".
Seu objetivo era o poder pelo poder (mundano e
temporal), seu conceito sobre "superior" e "inferior"
era de cunho racial e, para sua implantação, recorreu-
se à mentira, ao ódio, à força das armas e ao
genocídio (de ordem, especialmente, anti-semita).
No entanto, esse grande e infausto acontecimento foi
fator determinante de uma profunda mudança nos
contornos geopolíticos, humanísticos e econômicos
da Europa, cujos reflexos se fizeram e se fazem sentir
em todos os quadrantes do planeta, até os dias atuais.
Mas, como sempre o dizemos, a "história teve seu
curso" e a "experiência foi assimilada".
Outro exemplo, exaustivamente citado nesse breve
opúsculo, foi a tentativa de fundação de um Império
Teocrático Mundial, nos anos negros da Europa
medieval, pela própria igreja romana, através de seu
"infalível papa", um "pseudo" Rei do Mundo.
Neste caso, podemos observar que, a exemplo dos
nazistas, os objetivos eram o poder pelo poder
(mundano e temporal que, aliás, foi conseguido
amplamente durante um bom tempo) e que se
recorreu, igualmente, à mentira, ao ódio, à força das
armas e ao genocídio (desta feita contra os
considerados hereges, porém, com particular ênfase
aos cristãos de outras seitas, não católicas, aos
apóstatas e, também, aos povos semitas).
Por essa forma, ao que parece, pode-se estabelecer,
de maneira curiosa, um paralelo impossível, entre o
"Jugo católico" e o "Jugo nazista".
Convém lembrar que esse estado de absolutismo foi
combatido, tão somente, por um braço dissidente da
própria Santa Sé: a Ordem do Templo (após a
supressão) e, posteriormente, pela sua nova
configuração: a Franco-Maçonaria.
Há, ainda, que se considerar o decadente "movimento
comunista" que, análogo aos já citados anteriormente,
teve, no entanto, um agra-vante a mais: tentou
linearizar a "pirâmide humana" cerceando, por
conseguinte, os movimentos do homem. Isso
representa, pelos motivos já expostos, uma total e
gigantesca utopia; uma adulteração da ordem natural.
Felizmente, esse sistema está reduzido a poucos
vestígios mais ortodoxos e já se apresenta bastante
decadente e em processo de "ocidentalização" nos
países que ainda persistem em adotá-lo.
É importante destacar que, por constituir um
"programa" preestabelecido para o futuro da
humanidade, a fundação desse "Reino Mundial" (a
grande obra) acaba por gerar, pelos labirintos do
inconsciente do homem (que é bom que se lembre,
ainda não está preparado para esse sublime advento),
diversas seitas e inúmeros movimentos racistas e
destrutivos que, apesar de possuírem uma abrangência
e uma natureza muito mais limitadas do que os já
citados anteriormente, encontram-se ativos e
presentes no cotidiano do mundo moderno.
Não se deve esquecer, porém, que o movimento
nazista teve no seu início, por analogia, uma
"aparência" semelhante ao inofensivo "Exército da
Salvação" e, até mesmo, ao não menos inofensivo
T.F.P. - Tradição, Família e Propriedade. Contudo,
sua verdadeira natureza acabou por impor, à
humanidade, um dos maiores horrores de que se tem
notícia.
E necessário que se compreenda que a "raça superior"
ou os "eleitos" ou o que se queira destacar como
"prediletos", corresponde, sempre e tão somente, à
totalidade da Raça Humana, independentemente de
etnia, cor, credo, ideologia, nacionalidade, classe
social e qualquer outra coisa que o valha, e isso,
ainda, em relação aos reinos que lhe são "inferiores".
Mesmo assim, essa "superioridade" deve-se, apenas, a
uma fração de "tempo" (que também é relativo e não
tem existência real).
O verdadeiro Império Teocrático Universal
acontecerá, naturalmente, com o desenrolar da
evolução de todos os que dele tomarão parte,
encabeçados por aqueles que, por outros caminhos e
razões evolutivas, apresentarem uma maior
abrangência consciência! (um outro "tempo" de
consciência) que os tornará aptos a conduzir e a
instruir de forma, absolutamente espontânea, seus
demais Irmãos, dentro dos mais rígidos princípios da
liberdade, da justiça, da concórdia e da paz.
O Reino de Deus está dentro de nós! Isso implica uma
linguagem simbólica que nos diz que o Reino ("O
Regnum") não se encontra em nenhum lugar
estratosférico, inalcançável, mas aqui e agora, no pró-
prio íntimo do homem, cabendo, portanto, ao próprio
homem, o encargo de sua manifestação.
A realização completa se faz pela espiritualização da
matéria e, também, pela materialização do Espírito; a
expansão cósmica não se dá pela expansão da
circunferência, mas sim pela expansão do seu centro
(o íntimo). Daí o porquê do trajeto evolutivo, seja ele
o caminho do "espiral" ou o caminho do "raio", ter
como destino único o "centro". O caminho evolutivo
é um caminho de retorno, pois ele nos leva, após a
superação do "estado condicionado" e da conquista de
experiências, de volta ao "Princípio".
... e o peregrino retorna à casa do Pai...
Nesse ponto, o grande vazio que sempre atormentou
o homem, em se preenchendo, o completa; a saudade
que o gerou, finalmente, pôde ser compensada.
Na verdade, esse é o templo (o Homem Real ou
Cristo) que precisa ser construído no topo do Monte
em Sion (nas esferas superiores do ser; no coração ou
centro do mundo), premissa básica para a realização
da "Grande Obra", qual seja, a manifestação do "Reino
de Deus" na Terra, tal qual reza o mito da construção
do templo de Salomão, esse mesmo mito que se aplica
tanto ao particular quanto ao geral, ao homem e a
humanidade, e compõe o ideal templário do império
teocrático universal (o Reino da concórdia e da paz
universais anunciado há dois mil anos, pelo seu maior
arauto).
Representa o cerne, o propósito e o objetivo ocultos
nas lendas do ciclo Arturiano consubstanciados na
demanda pelo "Santo Graal"; constitui, também, os
elevados ideais e propósitos de nossa Sublime e
Augusta Ordem e isso nos dá uma vaga ideia de nossa
tremenda responsabilidade.
XIII — Conclusões
... É que tudo na natureza animada
são só harpas orgânicas, de estruturas diversas,
que vibram em pensamento, quando nelas sopra,
vasta e plástica, uma brisa intelectual, simultaneamente,
Alma de cada uma e Deus de Tudo...
(Coleridge).
Diante de tudo o que foi dito neste texto, acrescido
da atual realidade do mundo e do extraordinário
desenvolvimento científico e cultural que se registra
nos tempos presentes, torna-se necessária a
formulação da seguinte pergunta:
Esse conhecimento ou entendimento do Universo e do seu
propósito imediato deve permanecer velado ou guardado?
Resposta:
Evidentemente que nao e essa resposta parece bastante
obviai
Graças ao ideal de liberdade e ao sacrifício de muitos
abnegados, realizado ao longo de muitas gerações, o
homem de hoje é livre para estudar e vivenciar esse
conhecimento em cada momento de sua vida, seja
pela observação da harmonia, do propósito e da
perfeição divinas presentes em toda a Criação
Cósmica, seja na interação, na beleza e na diversidade
de todos os reinos naturais que compõem o nosso
orbe ou, ainda, na observância de sua
responsabilidade implícita para com a preservação, a
evolução e o crescimento desses reinos, dos quais é a
Síntese.
A simples ideia de que entre a infraconsciência de
uma simples "ameba" e a macroconsciência do
"centro de uma galáxia" há, apenas, "uma fração de
tempo", joga por terra a insensatez e a tolice dos pre-
sunçosos, arrogantes, poderosos, vaidosos e outros de
natureza similar.
Essa consciência encerra, em si mesma, e de modo
irreversível, uma total transformação no modo de ver
e de sentir o mundo, virando, pelo "avesso", qualquer
escala de valores atualmente aceita pelo homem.
Além disso, acaba por fazê-lo mais responsável e
interativo para com os reinos naturais, uma vez que
se torna "conhecedor" de seu importante papel e
ciente de sua própria divindade. Por esse prisma, o
homem estabelece para si mesmo um real significado,
o que lhe confere um sublime sentido à Vida.
Como se ainda não bastasse, é conduzido a
relacionamentos mais profundos e mais intensos,
voltados, basicamente, ao "ser essencial" (a porção
divina), onde são consideradas, sempre, as qualidades
e as virtudes de cada um, deixando de lado as falhas e
deficiências da personalidade humana, cuja
consciência é elemental e não corresponde ao "ser"
verdadeiro ("mola mestra" para o exercício da
paciência, da tolerância e da compaixão).
E esse "ser essencial" que nos faz Irmãos e nos
impede, dentre outras práticas inferiores, do mau
hábito da maledicência, muito comum nos
grupamentos humanos. Ao maldizer alguém, o
homem exala átomos de baixíssima vibração, sendo,
contudo, o primeiro a inalá-los, confirmando, dessa
forma, o velho dito cristão: - "O que mata não é o que
entra, mas o que sai pela boca do homem!"
Essa consciência proporciona além de
relacionamentos mais ricos e prazerosos, uma grande
e única oportunidade de ajuda mútua, na árdua luta
por dominar e equilibrar os defeitos e as imperfeições
relacionados à nossa própria natureza inferior (o
dragão ou demônio pessoal).
É nessa esfera consciencial que se realiza,
verdadeiramente, aquilo que definimos como "amor".
Não seria, pois, um sonho grandioso poder inculcar,
já a partir dos primeiros passos do homem, os
princípios básicos dessa consciência superior que
inclui a igualdade, a liberdade e a fraternidade e, em
cuja esfera, encontra-se, ainda, implícita a sua nobre
responsabilidade para consigo mesmo, para com os
seus semelhantes e para com todos os reinos naturais
em evolução?
Essa mesma esfera consciencial que culmina, ainda,
com o reconhecimento, pelo homem, do fato da sua
própria divindade?
Não seria essa a "semente" de uma nova "filosofia de
massa", verdadeiramente solar, cujo equilíbrio, entre
razão e emoção, permitisse ao homem uma maior
aproximação daquilo que é definido como Verdade?
Uma "filosofia" de puro amor, ação e liberdade que
não teria necessidade nem de templos, nem de
sacerdotes e cuja transmissão seria consumada no
próprio âmbito familiar, social e escolar?
Essa espécie de "religião", temperada pela "Razão" (e
esse é o grande diferencial) não possibilitaria,
verdadeiramente, a "formação" do caráter do homem
em vista dessa consciência de ordem superior, de tal
sorte que, no futuro, lhe fosse possível realizar, em si
mesmo, esse tão almejado processo de transformação
ao qual denominamos "Iniciação"?
Quem sabe, talvez, esse sonho não se inicie pela inserção,
nos programas curriculares das escolas tradicionais, de uma
"disciplina" de desenvolvimento e formação consciencial
que inclua essa "filosofia", conforme já mencionado em
capítulo anterior, isso já desde os primeiros passos escolares?
Esse é um tema para se meditar!
Por essa visão, é factível sonharmos, finalmente, com
a realização ou consumação dos ideais de concórdia e
de verdadeira fraternidade entre os homens, tais e
quais rezam os princípios básicos e os sublimes ideais
da cavalaria espiritual: a Maçonaria Universal!
Diz-nos Jinarajadasa sobre a busca da verdade:
Quando empregamos a palavra "Verdade", queremos
significar um conhecimento do universo, em todas as suas
manifestações, visíveis e invisíveis. Essas manifestações,
quando refletidas em nossa consciência, dão origem à
percepção de uma lei. Cada lei concernente ao universo está
entremeada com sua mais íntima textura. Felo fato de ser o
universo o que é, as leis formuladas por nossas mentes
existem, quer nós existamos ou não para descobri-las. A
Verdade, realmente, não é o fruto das descobertas dos
investigadores; a Verdade existe, porque o universo existe.
Ora, essa Verdade somos nós, pois o homem, uma parte
infinitesimal do Todo, é, não obstante e de modo misterioso,
aquele mesmo Todo. Além do mais, de um modo que parece
incrível, qualquer verdade referente ao Todo é encontrada
algures, em qualquer fração do Todo.
Portanto, as verdades referentes a Deus, à natureza e à
ascensão do homem rumo à Divindade, existem no próprio
homem. Os tesouros de sabedoria, amor e beleza do Todo
existem nos mais íntimos recessos da alma humana, logo, se
o homem investigar correta e profundamente o seu próprio
íntimo, estará, seguramente, caminhando em direção a eles.
Todos os "tesouros" citados nas diversas Tradições,
através de seus mitos, fábulas e lendas, referem-se a
essa "Luz Oculta", esse "Ser Essencial" existente no
íntimo do homem (sepultado no mais profundo da
"terra" ou ego inferior). Esse é o verdadeiro tesouro
pirata (templário) enterrado, cujo mapa devemos
procurar e seguir.
É essa busca incessante, esse forte impulso nessa
direção que se apresenta como característica
predominante nos verdadeiros candidatos à iniciação
em uma Ordem Solar Tradicional, cujo objetivo é a
realização de uma expansão consciencial que lhes
permita o acesso a esse tesouro de ordem, puramente,
espiritual.
Toda e qualquer pesquisa referente ao assunto é de
grande interesse para esses homens que, à parte de
suas atividades profanas, buscam acrescentar,
diariamente, novas informações às que já possuem e
vibram a cada vez que mudam de ideia, pois veem
nesse processo a conquista de mais um passo na
direção do seu objetivo.
Com o tempo, esse caminho "dual", profano e
espiritual, tende a fundir-se em um único e mesmo
caminho, onde esses dois aspectos estarão presentes
no mais perfeito equilíbrio.
Uma mente aberta é passível de receber e processar
informações, o que possibilita a evolução do
pensamento; uma mente "engessada" ou "doutrinada"
impede tal evolução equiparando o homem ao animal
atrelado, que está impedido de olhar para os lados e
segue sempre na mesma direção. Esses homens
entendem que o verdadeiro sábio observa o mundo
sistematicamente e revê suas ideias constantemente.
Sua religião é a única possível: A Verdade!
Não crêem, propriamente, numa guerra constante
entre o bem e o mal, haja vista considerarem "bem e
mal" posições relativas. Apóiam-se na dialética, na
solução de dois pontos extremos, necessariamente
conflitantes (na realidade complementares), em um
terceiro, que estabelecerá o equilíbrio e levará à
estabilidade.
Essa é uma grande chave oculta!
Com efeito, se pudéssemos olhar de um ponto de
observação superior ao que dispomos no momento
atual da evolução humana, veríamos que as duas
mãos, direita e esquerda, são guiadas pela mesma
consciência. Veríamos que tanto a mão que constrói
quanto a que destrói, atuam em conjunto visando,
sempre, atender a um grande plano de evolução.
Veríamos, ainda, que os limites do nosso livre-
arbítrio são extremamente curtos; que nossos
caminhos são marcados e obstáculos são colocados,
dependendo do estágio e da natureza de nossas
necessidades evolutivas. Nada é coincidência, nada é
fortuito ou acidental e, lógico, não há prevalência do
mal sobre o bem, mas sim, da vontade do Grande
Arquiteto do Universo, cujas mãos nos conduzem e
nos orientam.
Essa Grande Vida-Consciência toda abarcante,
onipotente, onisciente e onipresente nesse Universo
em particular, onde nem um pardal cai sem que disso
tenha conhecimento, é o nosso Grande Professor; o
Reitor dessa Grande Universidade, a qual
denominamos, Vida.
Ocorre que, do nosso ponto de vista atual, o que se
nos apresenta é um confronto entre duas forças
opostas e desvinculadas (os dois chifres do Logos
Demiurgo, símbolo da dualidade), mas isso é devido
ao fato de termos ainda, muito limitada, a nossa visão.
Relativamente a esse confronto, a batalha é
constante, mas representa uma luta entre nossos
dementais físico, emocional e mental, que tendem à
descida na matéria densa, contra nossa "fagulha"
interna, essência divina, que necessita subir. Tal é o
significado da verdadeira "Guerra Santa"; tal é o
propósito e a finalidade mesma, de todo o processo de
evolução.
É essa mesma "Guerra Santa", do bem contra o mal,
do oriente (luz) contra o ocidente (matéria), e que
deve ser realizada dentro de cada um de nós que, por
ignorância, os fundamentalistas religiosos, tomando as
escrituras ao "pé da letra", tentam realizar no mundo
objetivo.
E essa luta da luz espiritual contra o demônio que a
envolve (a personalidade humana), e que consiste na
espiritualidade ativa e responsável, posta em prática
pelos luminares da humanidade, que conduzirá o
homem à fundação de um elevado reino, onde seus
mais nobres ideais serão realidade.
Esses homens preparados são sensíveis a essas
verdades, no entanto, quanto mais estudam, mais
veem que nada sabem; quanto mais aprendem, mais
veem o quão distantes estão do objetivo final e o quão
tangencial e superficial é o seu conhecimento. Por
adquirirem pontos de referência, sentem-se imersos
na mais "absoluta ignorância", apesar de uma forte
dose de autoindulgência. Por outro lado, isso os
remete à maior conquista do homem: a humildade!
Ainda assim, apreciam sua teimosia em continuar a
aprender e a brigar, constantemente, consigo
mesmos, na tentativa de compreender sua própria
dualidade; a buscar respostas que estão escritas na
Natureza para todo mundo ler, via de regra,
registradas em pequenos detalhes, pelos quais todos
passam despercebidos. Crêem-se "românticos" e per-
severantes, mas isso os fascina e os empurra para
frente.
Feliz daquele que consegue "imaginar"; feliz daquele
que pode ter um "sonho", pois essa faculdade o coloca
muito próximo da realidade sutil da mente superior
ou mente espiritual. Cada uma das múltiplas
conquistas da humanidade desde o seu advento, em
prístinas eras, é o fruto da "imaginação" ou do
"sonho" de um homem.
O acréscimo equilibrante do componente "subjetivo"
em tudo o que vemos, tocamos e sentimos afeta,
positivamente, nossas vidas, em toda a sua pluralidade
de facetas, sejam elas relacionadas ao homem e ao
universo, sejam relacionadas ao cotidiano familiar,
social e profissional, seja em nosso relacionamento
com a natureza, com nossos semelhantes e, até
mesmo, nas relações com nossa própria
individualidade, através de nossos sonhos,
pensamentos, palavras e atitudes diante das alegrias e
das atribulações da vida.
O componente "subjetivo", pois, confere à vida e a
todos os seus desdobramentos, o caráter do Sagrado.
Uma digressão sintética não hipócrita e não demagógica
sobre a espiritualidade ocidental.
Palavras Finais
Símbolo da Dualidade (Sinal do esoterismo sacerdotal e sua
sombra, segundo Fliphas Levi)
A um homem Deus alugou a morada de um bruto.
E o homem lhe perguntou:
Sou teu devedor? Deus lhe disse:
Ainda não, porém limpa a casa quanto puderes,
e eu te alugarei outra melhor...
(Tennyson)
Para a realização desse texto utilizei-me de alguns
bons livros, especialmente para a obtenção de dados
históricos e cronológicos. As citações ou inserções,
extraídas de fontes fidedignas e confiáveis, compõem
parte da estrutura sobre a qual se alicerçam alguns
argumentos e conclusões desse Trabalho. Foram, por
conseguinte, muito importantes para a exposição
desses assuntos e muito contribuíram para o seu enri-
quecimento e para a sua ilustração. Essas inserções
necessárias apresentam fonte diferente do restante do
texto, para gerar-lhes destaque.
No entanto, advirto que sua arregimentação no
contexto geral do trabalho, a visão filosófico-
religioso-esotérica, as considerações e interpretações
de ordem metafísica, as várias metáforas utilizadas,
suas conclusões e todos os demais comentários nele
presentes, partiram do meu próprio e muito restrito
entendimento sobre o assunto (pelo qual já adianto
meu sincero pedido de desculpas a todos os que até
aqui chegaram), baseado na "Tradição Sagrada" e
obtido, em grande parte, através da sabedoria de
Grandes Irmãos Desconhecidos, que nos dão a dádiva
de suas palavras e de sua intuição (em um grupo
interno de estudos), das quais, infelizmente, minhas
grandes limitações não permitem um pleno e total
entendimento. Trata-se, portanto, de um conjunto de
posições, interpretações e conceitos de ordem,
estritamente, "pessoal".
Por outro lado, há que se considerar, também, o
conhecimento obtido à custa de alguns anos de
pesquisas, experiências, observações e dedicação em
busca da Verdade.
Esse texto reflete, portanto, única e exclusivamente,
o entendimento e a opinião "formada" por este Irm.'.
não apenas com base em material colhido, durante
todos esses anos, de forma intelectual ou objetiva,
mas também, e principalmente, como resultado de
um acalentado e cultivado "sonho" por compreender
o mundo em que vivemos, acompanhado de
sensações e percepções realizadas de forma intuitiva
ou subjetiva, considerados, sempre, o equilíbrio e a
estabilidade entre o racional e o sensível.
Esse Trabalho representa uma síntese e o seu
desdobramento poderá levar a um conhecimento e a
experiências bastante amplos; é uma forma de
instigação, feita pelo desvelamento parcial (e
superficial) de alguns mistérios, para que aqueles que
manifestem aptidão, se lancem ao entendimento de
todos os outros, estabelecendo, ainda, por si mesmos,
suas possíveis relações e interações.
De qualquer forma, um "quadro básico" está montado;
uma proposta e um grande desafio foram lançados;
alguns preceitos ocultos, pela sua repetição, denotam
uma tendência. E necessário, portanto, não só
compreendê-los, mas senti-los como algo superior à
própria razão. E por essa forma que o homem supera
o mundo concreto e objetivo e mergulha no
verdadeiro e transcendental mundo subjetivo, livre
das ilusões e dos erros próprios da materialidade,
capacitando-se, então, ao verdadeiro Conhecimento;
à verdadeira Ciência.
Uma das consequências dessa transcendência é a
percepção da justiça divina, eternamente presente em
nosso mundo, apesar de, objetivamente, mostrar-se
ausente, dando-nos a vívida impressão de um mundo
totalmente injusto e distorcido.
No entanto, o fato de ter o homem a visão de apenas
um dos "pratos da balança" é, em última análise, o
responsável por essa errônea e ilusória, embora
necessária, sensação.
Toda a verdade e todas as respostas contidas no
Universo (o macrocosmo), estão presentes no próprio
homem (o microcosmo), todavia, apresentam-se na
esfera do inconsciente. Esse conhecimento, no
âmbito da manifestação, está impresso em seu próprio
programa, em seu próprio DNA.
No entanto, essa verdade não se encontra no
intelecto do homem, mas em sua esfera mais sensível
(a mente ou razão superior). Na medida em que o
homem exercita a exploração do seu "íntimo" e o
estimula, esses conhecimentos, gota após gota, vão
deixando a esfera do inconsciente penetrando no
âmbito consciencial. O homem, então, sem
intelectualizar, "sente" e identifica a verdade.
E por essa forma que se realiza a tão almejada
expansão da consciência (do íntimo; do centro).
Ao compreender e conhecer a si mesmo o homem
não estará apenas compreendendo e conhecendo o
mundo e o universo nos quais vive e se expressa, mas
também, e principalmente, dando um gigantesco
passo na direção de sua próxima e mais sublime
realização:
A compreensão de Deus!
Daí, então, quando perguntado: - "Como sabe disso?"
O homem responderá, simplesmente: - "Só sei que eu
sei!".
Espero que todos tirem o máximo de proveito das
pesquisas que o texto requer e, de posse de mais
informações, sempre em harmonia com a intuição de
cada um, possam formar seus próprios conceitos que,
em todos os casos, serão sempre provisórios, tais e
quais os aqui descritos, haja vista abordarem assuntos
relacionados à "Verdade Absoluta", objetivo ainda
distante de nossas capacidades.
Entretanto, esses conhecimentos parciais colocam-
nos no caminho. Funcionam como placas
sinalizadoras de uma estrada, ou melhor, de uma
confluência ou cruzamento; indicam-nos a direção
provável e, por aí, seguimos...
Carpe Diem Irm:.
ROBINSON, John ). Nascidos do Sangue - Os Segredos Perdidos da Maçonaria. São Paulo:
Madras.
2 Idem.
ROBINSON, J. Nascidos do Sangue - Os Segredos Perdidos da Maçonaria. São Paulo: Madras.
Iluminismo/Positivismo. Fontes diversas não identificadas.
É aconselhável pesquisar, em mecânica quântica, sobre os universos paralelos, sobre a teoria dos
muitos mundos, sobre as experiências de "suicídio quântico" e, ainda, sobre como a observação
humana interfere no comportamento e no "estado" da partícula quântica. Nesse último caso, já
ratificado o fato de que a observação humana (e só a humana) estabelece essa interferência, em se
confirmando a hipótese de que essa pode, ainda, ser dirigida pelo pensamento e pela vontade do
homem, não se terá autenticado, pela Ciência, um dos princípios básicos da magia? (o autor)
6 RAGON, J. M. Ortodoxia Maçônica. São Paulo: Madras.
7 Vale lembrar que com o correr do tempo e à custa de milhares de vidas perdidas nas fogueiras
"purificadoras" desse pesadelo denominado "Santa Inquisição", os Maçons (desde a Idade Média),
atuando em diversas nações européias, ajudaram no enfraquecimento das monarquias e na instauração,
em cada uma, de um Estado laico (sem interferência da igreja), principalmente na área de educação,
dominada por jesuítas, dando início a um processo que levaria, mais tarde, à moderna sociedade
ocidental.
PASCHOAL, Alfredo. Templários. São Paulo: Madras.
Os documentos incluídos no assim chamado "Novo Testamento" (a saber, os Quatro Evangelhos, os
Atos, as Cartas e o Apocalipse) são falsificações perpetradas pelos patriarcas da Igreja Romana na
época de Constantino, por eles chamado "o Grande" porque permitiu esta contrafação, colaborando
com ela. Portanto, Constantino não teve sonho algum de "In Hoc Signo Vinees". Tais lendas são
mentiras inventadas pelos patriarcas romanos*Mos três séculos que se seguiram, durante os quais
todos os documentos dos primórdios da assim chamada "Era Cristã" existentes nos arquivos do
Império Romano foram completamente alterados.
O que realmente aconteceu na época de Constantino foi que, aliados, os presbíteros de Roma e
Alexandria, com a cumplicidade dos patriarcas das igrejas locais, dirigiram-se ao Imperador e fizeram-
no ver que a religião oficial era seguida apenas por uma minoria de patrícios; que a quase totalidade da
população do Império era cristã (pertencendo às várias seitas e congregações das províncias); que o
Império se estava desintegrando devido à discrepância entre a fé do povo e a dos patrícios; que as
investidas constantes das seitas guerreiras essênias da Palestina incitavam as províncias contra a
autoridade de Roma; e que, resumindo, a única forma de Constantino conservar o Império seria aceitar
a versão Romano-Alexandrina de Cristianismo, Então os bispos aconselhariam o povo a cooperar
com ele; em troca, Constantino ajudaria os bispos a destruírem a influência de todas as outras seitas
cristãs!
Constantino aceitou este pacto político tornando a versão Romano-Alexandrina de Cristianismo a
religião oficial do Império. Conseqüentemente, a liderança religiosa passou às mãos dos patriarcas
romano-alexandrinos, que, auxiliados pelo exército do Imperador, começaram uma verdadeira
"purgação", onde congregações inteiras foram sacrificadas nas arenas das províncias de Roma e
Alexandria.
A história da maneira pela qual os romano-alexandrinos forçaram o Concílio de Nicéia a votar neste
Credo é um pântano de horrores. Tal era a situação que os patriarcas visitantes não ousavam andar
pelas ruas de Nicéia, Roma ou Alexandria, sem terem ao menos uma dúzia de guarda-costas, por
medo de serem assassinados (Motta, Marcelo Ramos (O.T.O. - "Ordo Templi Orientis"). Carta a um
Maçom - destinada por Marcelo Motta ao Grão-Mestre do COB em 9.7.1963).
| Lançamento Gênesis do Conhecimento REGNVM - Carlos Alberto Gonçalves links ao final da mensagem digitalização - Vitório formatação e revisão - Lucia Garcia Sinopse: Uma digressão sintética não hipócrita e não demagógica sobre a espiritualidade ocidental. E na eterna alternância entre a construção e a destruição, entre a vida e a morte, que "Aquele" que habita a forma evolui: é isso que cria o movimento de renovação e expansão cósmicas que destrói o edifício obsoleto e reconstrói um outro, mais apto, mais equipado, para receber habitantes, também mais especializados. Por essa visão, podemos entender a relatividade do bem e do mal e de todas as diferenças e paradoxos. A isso chamamos "Evolução". Em verdade, esse é um campo de provas e experiências (o mundo manifesto) que condiciona a vida e isso é absolutamente necessário para que ela se desenvolva. Esse "campo" nunca é modificado. Quem muda é a vida que, realizando a experiência e seguindo para patamares mais elevados em sua rota evolutivao abandona, abrindo espaço para que novas manifestações, da vida evolucionante, nele encetem sua jornada. Qualquer tentativa de modificar esse estado de coisas, portanto, constituir-se-á na maior das utopias. Logo, não devemos nos concentrar em "mudar o mundo", pois esse perderia a sua finalidade, mas sim, nos aplicarmos em transformar a "Vida". Por isso tudo, sempre é conveniente lembrar: "O bem absoluto é parte daquilo que não compreendemos intelectualmente e designamos como Deus: o mal absoluto, não existe".
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