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Lançamento Gênesis do Conhecimento - Identidades Alienígenas - Richard L. Thompson


Richard L. Thompson

Identidades
Alienígenas

O FENÔMENO UFOLÓGICO MODERNO
SOB A ÓTICA DA SABEDORIA ANTIGA

Tradução de MÁRCIO POMBO

NOVA ERA
2002

Dedicado a Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami
Prabhupäda que escreveu Easy Joumey to Other Planets.


Sumário

Agradecimentos
Introdução
Epistemologia
Explicações para a origem do fenômeno ufológico
Literatura védica e choque cultural
PARTE 1 Um rastreamento da literatura sobre óvnis
1. A ciência e os objetos não-identificados
Relatos sobre óvnis por cientistas e engenheiros
Sobre cientistas que estudam óvnis
Estudos científicos recentes sobre óvnis
2. Contatos imediatos de diversos graus
Falsos relatos sobre óvnis
Sobre erros de percepção e falhas de memória
Um contato imediato bem corroborado
Um relato ao Congresso
Un disco volante
Marcianos, fertilizante e psiquiatria
Casos envolvendo crianças
Rastros e efeitos físicos
Efeitos eletromagnéticos sobre carros
Evidência fotográfica
3. O papel do governo
A CIA e a Comissão Robertson
O que estava acontecendo enquanto isto?
Exemplos de perseguições militares a óvnis
Casos envolvendo radar
O Relatório Condon
Mais eventos recentes
Conspirações sinistras
O desastre de Roswell
Alguns dos depoimentos filmados sobre o caso Roswell
A vexaminosa questão dos corpos alienígenas
Desinformação e o MJ-12
4. Raptos por óvnis
O caso de Buff Ledge
Histórico e freqüência de casos de rapto
Características genéricas dos raptos por óvnis
Pequenos detalhes recorrentes
Ferimentos e doenças
Anatomia de uma alucinação?
Sobre a evolução dos humanóides
Sedução e genética
O elemento medo
Tempo perdido
O papel da hipnose
Avaliação psicológica dos raptados
O fator psíquico
5. Contatos, canais e comunicações
O caso Adamski
De raptado a contato
O contato completo
Filmes e fotografias
Pistas de pouso, sons e amostras minerais
Histórias confirmatórias
Discrepâncias sortidas
Extraterrestres bíblicos
A hipótese da trapaça alienígena
A qualidade das comunicações de óvnis
Geringonças técnicas
A teoria da intervenção genética
Desastres e mais genética
Conclusão
PARTE 2 Paralelos védicos aos fenômenos ufológicos
6. Contato transumano na civilização védica
Uma sinopse da visão de mundo védica
Vimãnas
Outros mundos
Humanóides
A alma
A hierarquia cósmica
Elementos egocêntricos
Origens humanas
Contato
Relatos védicos de fenômenos de contato imediato
O bombardeio aéreo a Dvãrakã
Invisibilidade e flechas sensíveis ao som
Levitação, ou Laghimã-siddhi
Desaparecimento e reaparecimento
Viagem corpórea através da matéria e do espaço
O rapto de Arjuna por Ulüpi
O rapto de Duryodhana
Paralisia induzida e hipnose a longa distância
Projeção de formas ilusórias
O fator Oz
7. A história dos vimãnas
Máquinas na Índia antiga e medieval
Robôs e outros autômatos
Aviões
O Vaimãnika-sãstra
Vimãnas na literatura védica
Vimãnas para todos os fins
A cidade voadora de Hiranyapura
Congressos aéreos dos devas
A mansão aérea de Rãvana
E os cavalos e quadrigas voadores?
Vimãnas de Vaikuntha
8. Observações modernas e antigas tradições
As fadas
Raptos e cruzamentos
Genética e origens humanas
Súcubos e íncubos
Visitas a outro mundo
Dilatação do tempo
Reinos paralelos e óvnis
A raridade das naves aéreas em tradições ligadas a fadas
Fadas e nãgas
Os nãgas de Caxemira
Visões e milagres — o caso de Fátima
O milagre solar
Os seres vistos em Fátima
Fátima como um caso de contato com óvni
A estrutura dos céus
9. O caminho penoso
Casos de monstros peludos
Mutilações de gado
A ligação com o helicóptero
Pistas de solo em casos de mutilação
Relatos humanóides em casos de mutilação
Entidades ufológicas hostis aos humanos
O caso de Cimarron, Novo México
Incomum vestuário alienígena
Ataques diretos a seres humanos
Homens de preto
Hostilidade de humanóides védicos contra humanos
Guerras nas estrelas e suas conseqüências
A trama do Rãmãyana
A trama do Mahãbhãrata
10. Energias grosseiras e sutis
EECs e óvnis
Os seres de manto branco
Forma física ou forma sutil?
Efeitos físicos posteriores aos raptos por óvnis
Experiências de quase-morte (EQMS) com gafes
administrativas
Óvnis e a reciclagem de almas
Reciclagem de almas e o governo
O físico, o sutil e o que está além
11. Óvnis e religião
Ãtmã, Brahman e a evolução da consciência
Transmigração e planos superiores
Panteísmo e impersonalismo
Compreensão de Brahman
O papel de mãyã
Apêndice 1 Casos de óvnis vistos pela Força Aérea
americana
Apêndice 2 Sobre a interpretação da literatura védica
Apêndice 3 Casos indianos contemporâneos
A dama da varíola
A lança de Kãrttikeya
Encontro com uma Jaladevata
Óvnis sobre Mãyapura


Agradecimentos

O progresso no estudo da experiência humana sempre
dependerá do somatório de esforços de muitas pessoas. Sou
grato aos seguintes autores, investigadores e testemunhas de
óvnis por terem me fornecido as importantes informações
utilizadas neste livro:
George Adamski, Maury Albertson, Orfeo M. Angelucci,
Thomas Bearden, Charles Berlitz, Michael Bershad, Ted
Bloecher, Howard Blum, Charles Bowen, Lyle G. Boyd,
Thomas E. Bullard, Bill Chalker, Aphrodite Clamar, Edward
U. Condon, Ed Conroy, Gordon Creighton, William Curtis,
James W. Deardorff, Terence Dickinson, Paul Dong, Barry
H. Downing, Ann Druffel, George Earley, BritElders, Lee
Elders, Don Elkins, Lawrence Fawcett, Edith Fiore,
Raymond Fowler, Stanton Friedxnan, John G. Fuller, Paul
Fuller, Timothy Good, Elmer Green, Barry J. Greenwood,
Richard F. Haines, Richard H. Hall, James Harder, Richard
C. Henry, William J. Herrmann, Charles Hickson, Cynthia
Hind, Budd Hopkins, Linda Moulton Howe, Antonio
Fluneeus, J. Allen Hynek, Philip J. Imbrogno, David M.
Jacobs, Donald A. Johnson, Carl G. Jung, Parli R. Kannan,
Gary Kinder, Alvin H. Lawson, Meade Layne, Desmond
Leslie, Coral Lorenzen, Jim Lorenzen, Bruce S. Maccabee,
Victor May Marchetti, William Markowitz, James A.
McCarty, James E. McDonald, Eduard Meier, William
Mendez, Donald H. Menzel, William L. Moore, Kanishk
Nathan, Thornton Page, Ted R. Phillips, William T. Powers,
Bob Pratt, Kevin D. Randle, Jenny Randles, Antonio Ribera,
Franklin Roach, August Roberts, D. Scott Rogo, Carla
Rueckert, Carl Sagan, John R. Salter, Virgilio Sanchez-
Ocejo, Ivan Sanderson, David R. Saunders, Larry Savadove,
Donald R. Schmitt, John F. Schuessler, Berthold E. Schwarz,
Frank Scully, Michael Seligman, Margaret Shaw, Elizabeth
Slater, Sherle Stark, William S. Steinman, Wendelle C.
Stevens, Ronald Story, Whitley Strieber, Barry Taff, Rolf
Telano, Jacques Vallee, Jean-Jacques Velasco, Ed Walters,
Francis Walters, Travis Walton, David F. Webb, Walter N.
Webb, Roger Wescott, George Hunt Williamson, Jennie
Zeidman e Lou Zinsstag.
Também sou grato a muitos outros autores, inclusive os
seguintes:
D. P. Agrawal, S. Maqbul Ahmad, Vaman S. Apte, Santo
Agostinho, Alice A. Bailey, Prithivi Bamzai, Raja Bano, John
Bentley, Bhaktisiddhãnta Saras- vatí Goswami Thãkura, Sua
Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupãda,
Stephen E. Braude, David H. Childress, "William R. Corliss,
Gustav Davidson, Ramachandra Dikshitar, Theodosius
Dobhzhansky, H. M. Elliot, Walter Y. Evans-Wentz,
Roland Mushat Frye, Kisari Mohan Ganguli, Ronald Greeley,
Robin Green, B. L. Greene, Edwin S. Hartland, Hudson
Hoagland, Hridayãnanda Goswami, Francis Johnston, G. R.
Josyer, Walter Kafton-Minkel, Dileep Kumar Kanjilal,
Terence Meaden, Janardan Misra, F. W. H. Myers, Christian
O'Brien, Gustav Oppert, Satwant Pasricha, J. S. Phillimore,
Marmaduke Pickthall, Papa Pio XII, Gary Posner, V
Raghavan, IsaRashid, LouisaRhine, Robert Rickard, Kenneth
Ring, William Roll, Steven Rosen, Michael Sabom, Sanãtana
Goswami, Bapu Deva Sastrin, Satsvarüpa Dãsa Goswami,
Hari Prasad Shastri, George Gaylord Simpson, Zecharia
Sitchin, M. A. Stein, Ian Stevenson, Swami Tapasyananda, J.
A. B. Van Buitenen, Leonid L. Vasiliev, John A. Wheeler,
H. H. Wilson e Thomas Wright.
Eu gostaria de agradecer a Raymond Fowler e a Jay Israel
por suas críticas construtivas ao manuscrito e a Michael
Cremo pela minuciosa e proveitosa análise do texto.
Também agradeço a Thomas Doliner pela revisão do texto, a
Christopher Beetle e a Dave Smith pela revisão e
fotocomposição, a Robert Wintermate pelo layout e design,
e a Hans Olson pela arte da capa. Outros que contribuíram
para a realização deste projeto de diversas maneiras são
Michael Best, Sigalit Binyaminy, Austin Gordon, James
Higgens III, Tricia McCannon e Scott Wolfe.
Meus agradecimentos especiais a James McDonough e ao
Hawaii Vedic College por terem investido na impressão do
livro.

Introdução

Hoje em dia, se corremos os olhos pelas prateleiras de uma
livraria universitária, encontramos muitos livros
descrevendo os triunfos da ciência. Estes livros abordam o
estudo, pelos físicos, das leis que regem a matéria e a
explicação da vida em termos de tais leis pelos biólogos
moleculares. Apesar de certos cientistas ainda encararem a
consciência como algo desconcertante, eles nos dizem,
mesmo assim, que em breve este problema terá sido sanado
mediante o estudo do cérebro. A ciência moderna,
asseguram os livros, logrou compreender a evolução das
espécies, a origem da vida a partir da sopa primordial e os
processos formadores dos planetas, estrelas e galáxias.
Enquanto, por um lado, recuaram a fronteira da física
fundamental para o big-bang, por outro, estamos a um passo
do avanço decisivo que nos propiciará a Teoria de Tudo.
No entanto, estas mesmas prateleiras vez por outra exibem
livros a respeito de provas anômalas que contradizem as
teorias científicas aceitas. Fenômenos psíquicos,
experiências fora do corpo, memórias de vidas passadas,
criptozoologia (o Pé Grande, por exemplo) e anomalias
arqueológicas estão incluídos entre as várias categorias de
provas anômalas.
Nos últimos anos, contudo, a categoria anômala mais notável
tem sido os óvnis — objetos voadores não-identificados.
Lemos contracapas de livros afirmando que pessoas
confiáveis viram algo inexplicável voando pelo céu. Outras
anunciam visitas de alienígenas estranhos, além de sombrias
insinuações acerca de uma série de conspirações e
dissimulações misteriosas. Segundo estes livros, faz décadas
que se vêm observando objetos voadores desconhecidos, os
quais violam drasticamente as leis conhecidas da física.
Declaram, também, terem algumas pessoas se encontrado
com seres de aparência humana a pilotar naves estranhas e a
ostentar poderes que contrariam tanto a ciência quanto o
bom senso.
Há anos tenho me interessado pela relação entre a ciência
moderna e a milenar visão de mundo védica da Índia. Tenho
me detido, em particular, no contraste entre o modelo de
vida mecanicista desenvolvido pela ciência moderna e o
conceito anímico que constitui o alicerce da filosofia védica.
O modelo científico baseia-se em experimentos e em
meticuloso raciocínio — só que, ao reduzir a vida a uma
combinação de átomos, priva-a de quaisquer propósitos e
significados superiores. Reduz os valores humanos a padrões
de comportamento produzidos pela evolução cultural e
física. Tais padrões de comportamento, sendo dependentes
de circunstâncias históricas casuais, pouco têm a ver com a
natureza fundamental das coisas.
Em contraposição, a filosofia védica dá sentido à vida,
vinculando-a em um nível transcendental de realidade; no
processo, porém, introduz fenômenos e categorias que não
encontram equivalentes no quadro teórico da ciência
moderna. Isto naturalmente leva-nos a questionar acerca do
paradeiro da verdade. Teria a ciência moderna já nos
proporcionado um esboço completo dos princípios
fundamentais da vida, ou talvez apenas uma exposição
meticulosa, mas reduzida de certos aspectos limitados da
vida?
Por conta desses interesses, é natural eu ter ficado um tanto
intrigado ao começarem a aparecer os primeiros livros sobre
óvnis nas seções de ciência das livrarias universitárias. Era
como se eles tivessem surgido para elucidar algo sobre a
natureza da vida, já que relatavam contatos entre seres
humanos e outras formas de vida inteligente. Mas haveria
realmente, naqueles relatos sobre óvnis, alguma
verossimilhança?
Como tantas outras pessoas, eu sempre evitara o assunto dos
óvnis por considerá-lo algo desacreditado. A primeira vez
que vi fotos de seres alienígenas em um livro popular
(Intrusos, de Budd Hopkins), tive a impressão de serem
produtos óbvios de um quadro psicopatológico, o que não
alimentou minha atração pelo assunto. No entanto, lendo
alguns desses livros com mais atenção, dei-me conta de que
pareciam conter provas substanciais, embora anedóticas, de
certas ocorrências bastante insólitas. Em particular, pareciam
apresentar relatos contemporâneos de testemunhas oculares
sobre toda uma gama de fenômenos vitais descritos em
antigos textos védicos. Isto me levou a investigar o
fenômeno dos óvnis mais a fundo e, por fim, a escrever este
livro.
Este livro é um estudo comparado entre a literatura sobre
óvnis e a literatura védica da índia. Nos cinco primeiros
capítulos, faço um amplo rastreamento do material sobre
óvnis escrito desde fins da década de 1940 até o momento.
Incluí este rastreamento com o intuito de dar ao leitor uma
visão global dos relatos sobre fenômenos com óvnis. Muitos
livros sobre óvnis tendem a excluir quaisquer relatos que
não se enquadrem perfeitamente em algum sistema teórico.
Apesar de ser natural, esta prática pode ser contra-
producente, porque dados tidos hoje como inconseqüentes
ou simplesmente errôneos poderão, mais tarde, à medida
que for se ampliando a nossa compreensão, passar a ser
significativos.
Os seis capítulos restantes introduzem a literatura védica e
apresentam comparações detalhadas entre fenômenos
relatados em textos védicos e fenômenos correspondentes
mencionados em relatos sobre óvnis. O material védico foi
extraído, sobretudo, do Bhãgavata Purãna e do Mahãbhãrata.
Recorri, também, ao Rãmãyana e a diversos textos medievais
posteriores que seguem a tradição védica.
Chamo a atenção dos indólogos para o fato de que os
Purãnas, o Mahãbhãrata e o Rãmãyana são chamados de o
quinto Veda no verso 1.4.20 do Bhãgavata Purãna. Portanto,
tomarei a liberdade de usar o termo "védico" ao referir-me a
eles, muito embora alguns eruditos insistam que este termo
só pode ser aplicado corretamente ao Rg Veda.
Apesar de não ser nova a idéia de comparar relatos sobre
óvnis com a literatura védica, até o momento isto não foi
efetuado de forma acadêmica. A primeira tentativa neste
sentido, de que tenho notícia, é o livro de 1953, intitulado
The Flying Saucers Have Landed (Os discos voadores
aterrizaram), de Desmond Leslie e do famoso contato
George Adamski. Na primeira parte deste livro, Leslie cita
uma série de trechos do Rãmãyana e do Mahãbhãrata
descrevendo os vimãnas, ou máquinas voadoras védicas, e
uma série de trechos descrevendo armas extraordinárias
usadas nos tempos védicos. Infelizmente, foram feitas
traduções sobremaneira incorretas de muitos desses trechos,
o que quase invalida o relato de Leslie.
Outros trechos mal traduzidos do Mahãbhãrata têm
aparecido numa série de livros populares que seguem os
passos de Leslie. Eis um exemplo para mostrar quão
desorientadoras podem ser essas traduções ruins. Leslie cita
a seguinte passagem do Karna Parva na edição de Pratap
Chandra Roy do Mahãbhãrata:

Karna ergueu aquela arma terrível e refulgente, a língua do
Destruidor, a Irmã da Morte. Ao verem aquela excelente e
ardente arma apontada para eles, os Rakshasas ficaram
amedrontados. (...) O míssil resplandecente decolou
penetrando o céu noturno e confundiu-se com a formação
estelar... e reduziu a cinzas o vimana dos Rakshasas. A nave
inimiga caiu do céu, fazendo um ruído terrível.

Esta passagem aparece no Drona Parva do Mahãbhãrata, e
não no Karna Parva, e eis o que ela realmente diz na edição
de Pratap Roy:

(...) aquela arma aterradora que parecia a própria língua do
Destruidor ou a irmã da própria Morte, aquele dardo terrível
e refulgente, Naikartana, foi então arremessado contra o
Rakshasa. Vendo aquela excelente e ardente arma, capaz de
perfurar o corpo de qualquer inimigo, nas mãos do filho de
Suta, o Rakshasa, atemorizado, saiu voando em fuga. (...)
Destruindo aquela ardente ilusão de Ghatotkacha e
perfurando-lhe diretamente o peito, aquele dardo
resplandecente alçou vôo na escuridão da noite e penetrou
numa constelação cintilante no firmamento. Tendo lutado...
com muitos e heróicos guerreiros humanos e Rakshasas,
Ghatotkacha, proferindo então diversos rugidos terríveis,
caiu, sem vida, com aquele dardo de Sakra.

Em vez de reduzir um vimãna a cinzas, a arma matou o
Raksasa Ghatokaca e, em vez de uma nave inimiga cair
produzindo grande estrondo, o Rãksasa caiu enquanto
proferia rugidos terríveis. Eu não sei como Leslie foi
aparecer com esta versão tão mal traduzida, mas ela é típica
de seu livro e de outros do gênero.
Entretanto, há uma grande quantidade de material na
literatura védica sobre aeronaves, chamadas vimãnas, as
quais apresentam surpreendentes semelhanças com os
óvnis. Mais importantes ainda são os relatos védicos acerca
do comportamento e dos poderes das raças humanóides que
fazem uso dessas aeronaves. Existem muitos paralelos entre
detalhes específicos desses relatos e detalhes
correspondentes em casos de contato direto com óvnis.
Estes paralelos constituem meu ímpeto principal para
escrever este livro.
Jacques Vallee, em dois de seus livros, Passport to Magonia
(Passaporte para Magônia) e Dimensions (Dimensões),
explora os paralelos entre casos de óvnis e o antigo folclore
celta e germânico. Em certo sentido, este livro é uma
extensão do método comparativo de Vallee para o domínio
da cultura indiana antiga. Contudo, visto ser muito mais rica
do que a literatura existente sobre o folclore europeu antigo,
a literatura védica pode nos proporcionar maiores
iluminações sobre a natureza do fenômeno dos óvnis.

Epistemologia

Muitas pessoas encaram a pesquisa sobre óvnis como algo
intelectualmente pouco respeitável, e neste grupo de pessoas
estão incluídos muitos daqueles que têm interesse pelo
pensamento védico, quer de um ponto de vista acadêmico,
quer de um ponto de vista religioso tradicional. Ao mesmo
tempo, muitos pesquisadores sérios dos óvnis acham que a
introdução de tão antiga mitologia na discussão em torno
dos óvnis não é científica, podendo apenas acabar em inútil
especulação mística. Por isso, parece-me importante
justificar a minha intenção de escrever sobre o tema dos
óvnis e literatura védica. Começarei fazendo algumas
observações sobre as deficiências das provas relacionadas a
óvnis, e em seguida demonstrarei como o estudo
apresentado neste livro poderia ajudar a superá-las.
Uma fraqueza notável deste conjunto de provas é que
parece não haver forma de realizar um experimento
reproduzível que nos dê informação confiável sobre os
óvnis. O fenômeno dos óvnis, estando além do controle
humano, parece mais evasivo ainda do que muitos
fenômenos meteorológicos raros que podem ser observados
de modo sistemático sob condições apropriadas. O físico
Edward Condon insinuou jocosamente uma possível razão
para isto:

O enigma da veracidade sobre extraterrestres (VET) seria
desvendado em poucos minutos se um disco voador
aterrissasse no gramado de um hotel onde estivesse
acontecendo uma convenção da Sociedade Americana de
Física, e seus ocupantes desembarcassem e apresentassem
um documento especial aos físicos presentes, revelando-lhes
de onde vinham e a tecnologia do funcionamento de sua
nave.

O problema é que os óvnis são relacionados, em muitos
depoimentos, a seres humanóides que parecem ter poderes
tecnológicos sobre-humanos. Se isto é verdade, então só
poderemos estudar esses seres até o ponto em que eles
estiverem dispostos a se revelar a nós. Porém, como sugere a
observação de Condon, se "eles" existem, têm mostrado
pouca disposição para cooperar com os investigadores
humanos. Inclusive, há provas de que podem chegar a
tentar deliberadamente manter as pessoas ignorantes quanto
a suas atividades e sua verdadeira natureza. Como esta
possibilidade não pode ser descartada a priori, pode haver
uma dificuldade inerente à intenção de estudar fenômeno
dos óvnis por métodos científicos tradicionais.
Todavia, mesmo que um fenômeno seja de todo
imprevisível e incontrolável, ainda é de se esperar que deixe
alguma prova "concreta" de que pode ser avaliado
cientificamente. Onde estão as fotografias e as marcações de
instrumentos que registram vôos de óvnis? Onde podemos
encontrar ferragens de óvnis ou provas físicas tangíveis de
aterrissagens de óvnis e outras atividades?
Por incrível que pareça, existem muitos relatos com provas
concretas da existência de óvnis, sob a forma de marcas de
aterrissagem (páginas 89-92), registros fotográficos (páginas
96-100) e danos físicos sofridos por testemunhas (páginas
156-58 e 424-26). Além disso, há livros argumentando que
autoridades governamentais detêm inúmeras provas de alta
qualidade sobre óvnis, que são mantidas ocultas como
segredo militar. Eu mesmo fiquei sabendo por intermédio de
um engenheiro envolvido com testes de armamentos
militares que, na década de 1950, oficiais da equipe técnica,
conhecidos dele, costumavam tirar fotos de óvnis
regularmente. Porém, estas mesmas fotos jamais foram
reveladas ao público (páginas 46-48). Analiso este assunto
controvertido nos Capítulos 1 e 3.
Apesar de efetivamente existirem provas concretas acerca
dos óvnis, são pouquíssimo expressivas as provas às quais o
público tem acesso fácil. E elas só passam a ter alguma
significação no contexto de toda uma história envolvendo
testemunhas cuja honestidade e competência possam ser
avaliadas.
Isto fica ilustrado pelo exemplo seguinte. Em 1987, um
mestre-de-obras chamado Ed Walters afirmou ter feito um
videoteipe de um óvni que voava perto de seu quintal em
Gulf Breeze, Flórida, que o Dr. Bruce Maccabee, médico e
investigador de óvnis, fez a seguinte avaliação deste
videoteipe:

Se a única informação sobre esta visão fossem o depoimento
de Ed e o registro pictórico contido no próprio videoteipe,
(...) eu iria seriamente considerar a hipótese de falsificação, a
despeito da dificuldade demonstrada em se duplicar o
videoteipe. No entanto, considerando todo o contexto da
visão, com as outras testemunhas asseverando terem visto
Ed filmar o óvni, concluo que Ed não produziu seu
videoteipe usando um modelo. Pelo contrário, concluo que
ele filmou um óvni de verdade.

Como em todos esses casos, o videoteipe, por si só, poderia
ser um embuste. Maccabee conseguiu descartar esta
hipótese, bastando-lhe, para isto, entrevistar as pessoas
envolvidas na filmagem e avaliar o caráter e a motivação
delas. Se a avaliação dele está certa, então, a fita mostra-nos a
aparência de um óvni em particular, e deste modo fornece-
nos uma prova útil. Porém, estando ele certo ou errado, a
maioria das pessoas terá que depender do relatório dele para
apurar a validade da fita. A única alternativa seria ir para Gulf
Breeze e realizar outra investigação (conforme certas pessoas
têm feito), mas, à medida que o tempo passa, esta opção
torna-se cada vez menos viável.
Como podemos concluir, a maioria das provas sobre óvnis já
disponíveis assume a forma de relatórios em que o
depoimento de testemunhas e investigadores é de
importância crucial. Visto não ser possível "providenciar"
uma visão de óvnis onde e quando se quer, e como as provas
concretas tornam-se inexpressivas sem o acompanhamento
de depoimentos, não há outra alternativa senão confiar
nesses relatórios ou fazer novas investigações. E nossas
próprias investigações vão apenas redundar em mais
relatórios a serem lidos.
Neste livro, não me proponho a apresentar (exceto para um
ou dois casos) os resultados de investigações pessoais de
testemunhas de óvnis. Ao contrário, usarei provas extraídas
de uma ampla variedade de relatórios disponíveis. Em
conseqüência deste procedimento, não terei como provar a
veracidade de nenhum dos relatórios citados. A
comprovação, tanto quanto seja possível, só poderá ser
obtida a partir da investigação aprofundada de casos
específicos. Como não poderia deixar de ser, alguns dos
casos por mim apresentados têm sido amplamente
examinados e, segundo concluíram os investigadores, são
autênticos. Contudo, não julgo ter autoridade para provar
que eles estão certos ou para demonstrar que suas
investigações foram de fato realizadas a cabo da maneira
apropriada.
O objetivo de um amplo levantamento de dados é revelar os
padrões genéricos que permeiam a prova registrada e, por
este meio, elucidar as causas subjacentes aos mesmos
padrões. Algo semelhante é feito no campo da arqueologia.
Alguns arqueólogos realizam investigações a fundo de sítios
em particular, enquanto outros empreendem amplos
levantamentos de muitos estudos arqueológicos, sem se
aprofundarem em nenhum estudo específico. É com base
nestes levantamentos que em geral são formuladas as teorias
arqueológicas.
Por ser do meu interesse comparar os fenômenos dos óvnis
com os fenômenos descritos na literatura védica, é
necessário que se tenha uma compreensão ampla de ambos.
No entanto, não procuro apresentar um panorama amplo da
literatura védica, uma vez que se trata de campo tão vasto.
Caso o tipo de estudo comparado ensaiado neste livro seja
digno de ser levado adiante, seria proveitoso alguém fazer
um levantamento mais genérico dos textos védicos com o
objetivo de descobrir o que eles dizem a respeito das
origens, das faculdades, da cultura e dos traços
comportamentais de diferentes espécies de seres vivos
inteligentes.
Como o meu rastreamento do material relacionado aos óvnis
pretende ser amplo, é inevitável que combine um tipo de
material relativamente bem comprovado com outro tipo que
parece particularmente duvidoso. Incluí algum material
duvidoso porque suprimi-lo resultaria num quadro falso da
prova da existência de óvnis. Um quadro artificialmente
saneado do cenário da ufologia não seria realista, e devo
advertir o leitor de que, quando apresento provas para certas
alegações, isto não significa necessariamente que as
considero válidas. Em certos casos, meu objetivo é alertar o
leitor para o tipo de material falso que pode ser encontrado.
Algumas declarações relacionadas aos óvnis, de aspecto
duvidoso, são decerto falsas. Todavia, devemos ter cautela
quanto à rejeição superficial de coisas que consideramos
falsas pelo simples fato de parecerem absurdas. Uma
informação que a princípio soe absurda ou sem sentido
poderá se mostrar bastante significativa ao ser analisada mais
tarde, num contexto mais amplo. Uma prova só é definida
como absurda em relação a uma visão teórica já aceita e, à
medida que a compreensão teórica se desenvolve, o status
absurdo ou anômalo a ela atribuído também pode mudar.
Segundo costumam dizer, um pensador científico e objetivo
que dá ouvidos a "disparates" acaba comprometendo sua
credibilidade. Talvez sim, mas prefiro sugerir ser essencial
prestar toda atenção a todo tipo de prova caso queiramos
fazer avanços verdadeiros no conhecimento científico. À
medida que a ciência avança, idéias antes tidas como
absurdas podem se tornar ortodoxas. Exemplos disto seriam
a idéia de que os continentes singram pela superfície do
globo ou a idéia de que os elétrons atravessam barreiras
energéticas. Outras idéias há, é claro, que acabam por se
revelar realmente inválidas, inclusive algumas das aceitas por
cientistas convencionais.
Para que este livro não ficasse extenso demais, não pude
evitar a ênfase em alguns casos de óvni em detrimento de
outros. Dei o mesmo tratamento ao material védico.
Esperemos que o conjunto de casos por mim escolhido seja
representativo e que os mesmos pontos possam ser
ilustrados usando-se outro conjunto representativo de casos.
Embora certos casos sejam mencionados repetidas vezes,
isto não quer dizer que eu os considere excepcionalmente
significativos.
Como minha preocupação é rastrear padrões em conjuntos
de relatos modernos e antigos, este livro pode ser
considerado um estudo de folclore comparado. Decerto que
é válido o estudo do folclore e, para muitos leitores, esta
pode ser a melhor forma de fazer uma abordagem inicial do
tema deste livro. No entanto, o pano de fundo de qualquer
estudo de folclore será sempre procurar conhecer a
verdadeira origem do folclore. Será o simples produto de
uma imaginação fértil motivada por fatores psicológicos ou
terá mesmo um fundamento na realidade objetiva? Na
próxima seção, faço algumas observações preliminares sobre
este tema.

Explicações para a origem do fenômeno
ufológico

Diz o ditado que "pretensões surpreendentes exigem provas
surpreendentes". Esta criteriosa idéia gera um problema
quando se trata de interpretar provas associadas a óvnis: o
relato de uma prova surpreendente é por si só uma
pretensão surpreendente a qual, por sua vez, exige mais
provas surpreendentes. O resultado irônico disto é que um
caso com provas elaboradas poderá parecer menos crível do
que um caso com um número relativamente pequeno de
provas.
Suponhamos, por exemplo, alguém que afirme ter visto um
objeto voador diferente de qualquer veículo conhecido,
feito pelo homem. Esta é uma pretensão surpreendente.
Mas, se esta mesma pessoa apresenta uma fotografia do
objeto à guisa de prova, tal fotografia representa outra
pretensão surpreendente. Podemos muito bem supor que a
foto não passa de um embuste.
Ao produzir uma série de fotos de alta qualidade como
provas, sua pretensão torna-se ainda mais surpreendente, e
nossas suspeitas de fraude poderão tornar-se ainda maiores.
Ed Walters, de Gulf Breeze, Flórida, por exemplo, publicou
um livro contendo muitas fotos extraordinárias de óvnis que
ele afirmou ter tirado com uma Polaroid. Estas fotos foram
julgadas genuínas por um físico ótico (Bruce Maccabee).
Mas muitos leitores reagiram, dizendo que a própria
qualidade delas pesava contra a sua autenticidade. Como
declarou um crítico, "isto me lembra a advertência muitas
vezes feita por detetives trapalhões: 'Se soa bom demais para
ser verdade, provavelmente o é.' O caso de Gulf Breeze soa
bom demais. (...)"
Para piorar as coisas, há provas sugerindo já ter havido
embustes de óvnis em massa numa escala que exigiria uma
soma considerável de dinheiro e mão-de-obra. Um possível
exemplo disto é o caso do contato suíço Eduard Meier, que
conta com o apoio — entre outras coisas — de fotos e filmes
de alta qualidade, testemunhas oculares, fotos tiradas pelas
testemunhas, gravações de sons de óvnis, pistas de óvnis e a
análise profissional de amostras de óvnis feita por um
destacado engenheiro da IBM (veja páginas 209-23). Tanto
quanto eu sei, embora ninguém tenha chegado efetivamente
a provar que este caso é um embuste, é bem possível que o
seja. Semelhantes casos só fazem acrescentar mais peso à
idéia de que muitíssimas provas de alta qualidade são motivo
de dúvida, e não de confiança.
Se os relatos sobre óvnis tornam-se mais duvidosos na
medida em que há mais provas para apoiá-los, por que,
então, deveriam ser levados a sério quaisquer relatos desta
espécie? O motivo parece ser a existência de uma grande
quantidade de relatos sobre óvnis, relatos aparentemente
independentes e oriundos do mundo todo que tendem a ser
muito semelhantes em conteúdo. Costumam ser feitos por
pessoas respeitáveis que parecem não ter qualquer motivo
óbvio para inventarem uma história bizarra e se exporem ao
ridículo. Grosso modo, geralmente são apresentados cinco
possíveis explicações para justificar isto:

1. Relatos sobre óvnis resultam de ilusões naturais ou
percepções errôneas. Por exemplo: muitas pessoas
confundem estrelas, planetas ou balões meteorológicos com
óvnis.
2. Há casos de aberração mental que fazem as pessoas
relatarem experiências com óvnis, muito embora não sejam
verídicas. O conteúdo das histórias dessas pessoas provém
de informação transmitida por meios normais (como a
imprensa) ou de processos mentais ilusórios.
3. Existe um número considerável de pessoas que às vezes
têm lapsos de desonestidade, apesar de terem reputação de
honestas. Durante esses lapsos, elas criam histórias de óvnis,
orientando-se por fontes normais de informação.
4. Há um embuste organizado que opera em escala mundial.
Seus perpetradores induzem as pessoas a relatarem
experiências com óvnis, valendo-se de métodos que
abrangem desde suborno até o uso de elaborados efeitos
especiais de Hollywood e técnicas de controle mental.
5. Mesmo sendo verdade que existem mentirosos,
fraudadores e lunáticos, muitas pessoas que relatam contatos
com óvnis experimentam fenômenos verdadeiros, os quais
vale a pena observar e analisar com atenção.

É amplamente reconhecido o fato de a explicação 1 aplicar-
se a muitos (mas não a todos) relatos sobre óvnis
envolvendo objetos ou luzes vistos a uma longa distância no
céu. Entretanto, não se pode aplicá-la a relatos de contato
imediato, nos quais as pessoas vêem uma nave estranha e
seres mais estranhos ainda, de perto. Se estes relatos não se
tratam de mentiras, a única explicação convencional para
eles é que envolvem estados mentais anormalíssimos.
A explicação 2 peca pelo inconveniente de muitos relatos
sobre óvnis, inclusive os de contato imediato, serem feitos
por pessoas normais as quais são tidas como sãs e
responsáveis por seus semelhantes. Em muitos casos,
pessoas que relataram contatos bizarríssimos com óvnis
foram testadas por psicólogos ou psiquiatras, que quais as
julgaram livres de qualquer doença mental (páginas 83-85 e
183-87). Para mim, este é um dos argumentos mais fortes a
favor da realidade dos óvnis. Uma boa quantidade de
afirmações simples e diretas de pessoas normais e
equilibradas pesa muito mais do que umas tantas fotos
fantásticas.
Para contestar isto, pode-se argumentar quanto à
possibilidade de haver um tipo especial de insanidade em
que uma pessoa funciona normalmente a maior parte do
tempo, mas apresenta lapsos de alteração da consciência em
circunstâncias especiais. Neste estado alterado, a pessoa se
submete a experiências alucinatórias, das quais se lembra
mais tarde como se fossem reais. Por algum motivo, muitas
dessas experiências envolvem contatos com óvnis e seus
estranhos ocupantes.
Embora seja válido considerar semelhante hipótese, é muito
importante que os pesquisadores demonstrem com nitidez o
fato de que tal forma de insanidade existe antes de ser
invocada para explicar as experiências das pessoas. Caso
contrário, estará aberto o precedente para pessoas que
ocupam posições de autoridade se valerem de acusações de
insanidade de modo a perseguirem adeptos de crenças
indesejadas.
Visto ser este um perigo gravíssimo, vale a pena analisá-lo
mais detidamente. Tomemos a seguinte declaração do Dr.
Gary Posner do Maryland General Hospital, numa carta ao
Skeptical Inquirer:

Embora se possa atribuir muito do pensamento piegas de
muitos para-normais à mera ingenuidade, (...) somos
obrigados a considerar a possibilidade de que algumas dessas
pessoas poderiam ser não apenas ingênuas como também
atormentadas por certo distúrbio mental que se manifesta
por um sentido falho da realidade, entre outros possíveis
sintomas. A "esquizofrenia ambulatória" é uma entidade em
que o paciente, em geral livre de sintomas, os desenvolve
apenas sob certas circunstâncias (classicamente, sob
estresse).
Dá para imaginar uma pessoa com visões "paranormais"
sendo isolada ou ridicularizada como esquizofrênica
ambulatória, muito embora "em geral isenta de sintomas". O
fato de coisas ainda piores poderem acontecer é
demonstrado por um documento intitulado Abuso político
da psiquiatria na União Soviética, no final se afirma:

Os princípios estabelecidos pelo Instituto Serbsky de
Psiquiatria Legal em Moscou ocupam lugar de destaque no
método psiquiátrico soviético. Particularmente relevantes
para o abuso psiquiátrico são as teorias do Dr. A. V
Snezhnevsky, eminente psiquiatra do Instituto e membro da
Academia de Ciência da União Soviética. O conceito do Dr.
Snezhnevsky para "esquizofrenia apática" — uma doença
mental sem sintomas visíveis — tem sido usado em
diagnoses psiquiátricas que vêm assegurando o
confinamento compulsório de inúmeros dissidentes
conhecidos desde a década de 1960.

O ponto-chave é o fato de a esquizofrenia apática ou
ambulatória não apresentar outros sintomas senão as crenças
indesejadas — políticas ou paranormais — para cuja
supressão é invocada. Apesar de também podermos usar esta
tática para invalidar algum testemunho associado a óvnis,
devemos evitar tal coisa, por ser tão não-científica quanto
injusta.
Também devemos evitar a tentação de rotular alguém como
sendo fraudador ou mentiroso com base no simples fato de
tal indivíduo ter feito uma afirmação que nos soe absurda ou
pouco plausível. No transcurso deste livro, apresentarei
muitos depoimentos que soarão absurdos para muitas
pessoas (inclusive para mim). Qualquer desses depoimentos
poderia ser fraudulento, porém, só entrarei no mérito desta
questão em casos em que conheço provas concretas da
fraude.
Não existe um só caso citado neste livro em que eu possa
provar que o depoimento não tenha sido fraudulento. Isto é
inevitável considerando o fato de eu estar apenas
examinando relatos escritos por outrem. Embora imagine
que um percentual do material citado seja falso, não tenho
como precisar qual poderia ser tal porcentagem. Apenas
posso dizer que não encontrei prova de fraude suficiente
para justificar a explicação 3, segundo a qual os relatos sobre
óvnis feitos por pessoas aparentemente responsáveis são em
geral (ou sempre) mentiras.
Jacques Vallee advoga a explicação 4 — a teoria do embuste
mundial — para muitos incidentes envolvendo óvnis. No
entanto, alguns casos de óvni, pensa ele, envolvem
fenômenos paranormais genuínos. Quanto a mim, ainda não
deparei com provas que me justificassem levar a explicação
4 a sério. Todavia, há motivos para se pensar que certos
documentos sobre óvnis elaborados por autoridades
militares e pelo serviço secreto dos Estados Unidos, façam
parte de uma campanha organizada de desinformação
(páginas 137-42).
Resta-nos a explicação 5, a hipótese segundo a qual muitas
experiências com óvnis são devidas a um fenômeno
verdadeiro, mas desconhecido. Conforme já mencionei,
uma das razões mais convincentes para adotarmos esta
explicação é que muitas pessoas aparentemente sãs das mais
diversas partes do mundo têm feito relatos sobre óvnis.
Apesar de esses relatos parecerem surgir de modo
independente, um certo padrão repetitivo de características
comuns estabelece um elo entre eles.
Pode-se argumentar, é claro, não ser possível provar que os
relatos feitos em anos recentes sejam independentes, porque
muitas são as formas pelas quais informações sobre óvnis
podem se propagar de uma pessoa para outra. E neste
contexto que se tornam úteis as comparações entre relatos
sobre óvnis e a literatura védica.
Acontece que existem muitos paralelos pormenorizados
entre típicos relatos sobre contatos imediatos com óvnis e
certos relatos dos textos védicos. A maioria dos contatos
com óvnis que estarei examinando ocorreu em países
ocidentais, onde a grande maioria das pessoas não tem a
menor noção das idéias védicas. Assim sendo, podemos
descartar a possibilidade de a maioria dos relatos sobre óvnis
ter sido influenciada de alguma forma significativa pela
literatura védica. Da mesma maneira, como foi escrita muito
antes do período moderno de relatos sobre óvnis, a literatura
védica não poderia ter sido influenciada por este material.

Literatura védica e choque cultural

Até aqui tenho defendido o estudo do fenômeno ufológico,
mas pouco disse para justificar a introdução da literatura
védica neste estudo. Agora darei algumas sugestões sobre
como os leitores deste livro poderiam abordar o material
védico. Além disso, faço algumas observações adicionais
sobre a interpretação dos textos védicos no Apêndice 2.
São muitas e diferentes as perspectivas sobre a literatura
védica, mas, já que este livro foi escrito nos Estados Unidos,
devemos analisar a típica reação americana ou européia à
visão de mundo védica. Para ser sucinto, esta reação
costuma ser de choque cultural. Isto é conseqüência da
esmagante estranheza do pensamento védico para a mente
ocidental, aliada a objeções específicas procedentes de
considerações religiosas, étnicas, políticas e científicas.
As objeções religiosas e étnicas se baseiam, infelizmente, em
exclusivismo e acusações de exclusivismo. Como resposta,
tudo o que posso recomendar é uma abordagem imparcial
das idéias religiosas e étnicas de outros povos. Talvez o
estudo do fenômeno ufológico nos ajude a superar barreiras
firmadas em diferenças culturais no âmbito da sociedade
humana, visto que estas diferenças podem ser atenuadas
pelas diferenças entre sociedades humanas e aquelas de seres
não-humanos inteligentes.
Talvez a melhor forma de superar mal-entendidos baseados
em diferenças étnicas e religiosas seja discutir abertamente
todos os aspectos das visões de mundo de diferentes povos.
Para tal, seria necessário fazer um maciço estudo
intercultural. Tal estudo, segundo minha própria convicção,
resultaria num panorama unificado das culturas humanas
mediante o qual seria possível atribuir uma realidade muito
maior à visão de mundo de cada cultura do que permite a
ciência moderna.
Semelhante estudo ultrapassa, e muito, o escopo deste livro.
Mas, apenas a título de começo, eu poderia pedir ao leitor
para comparar as idéias aqui apresentadas com as de Barry
Downing, um pastor cristão com doutorado em ciência e
religião, que tem escrito amplamente sobre os óvnis e a
Bíblia. Uma questão levantada por Downing é a de que os
óvnis podem fornecer provas que corroboram a realidade de
certos fenômenos bíblicos, tais como as visitas dos anjos,
que parecem mitológicas do ponto de vista de nossa
perspectiva moderna.
Algo semelhante pode ser asseverado quanto à literatura
védica. Segundo relatos védicos, os povos antigos
costumavam manter contato regular com seres avançados de
outros mundos. Se isto é verdade, e se os relatos
contemporâneos sobre óvnis nos parecem estranhos, não
deveríamos, então, achar a visão de mundo védica
igualmente estranha? Não se deveria encarar a estranheza da
visão de mundo védica como um motivo imediato para ser
descartada e tachada de mitologia?
Isto nos transporta às objeções científicas à visão de mundo
védica. Elas se originam de diversas áreas da ciência,
inclusive a física, a biologia, a arqueologia e a cosmologia.
Não tenho como examinar todas essas objeções neste livro,
mas, pelo que observei, algumas objeções científicas à visão
de mundo védica também se aplicam aos relatos sobre óvnis.
São objeções às ações "fisicamente impossíveis" tanto dos
óvnis quanto de seus ocupantes. Acontece que muitas dessas
ações são paralelas a correspondentes ações impossíveis
descritas em relatos védicos.
Estas observações vêm em defesa da realidade da visão de
mundo védica. Porém, assim como o leitor poderá
considerar folclóricos os relatos sobre óvnis, ele também
poderá achar a literatura védica folclórica. Os paralelos
salientados neste livro podem ser estudados a partir de um
ponto de vista estritamente literário. No entanto, é natural
indagar se haveria algo de verdadeiro por baixo destes
paralelos. Minha sugestão é que, assim como os óvnis
podem ser mais reais do que nosso condicionamento
científico e cultural nos tem permitido acreditar, o mesmo
poderia se aplicar à visão de mundo apresentada na literatura
védica.

PARTE 1
Um rastreamento da literatura sobre óvnis

1
A Ciência e os Objetos Não-Identificados

Em setembro de 1967, o Dr. John Henry Altshuler
trabalhava como patologista no Rose Medical Center, em
Denver, Colorado. Ele ouvira falar de visões de óvnis
ocorridas naquele estado — em San Luis Valley, para ser
mais exato. De modo que, certo dia, por curiosidade, passou
uma noite no parque do Great Sand Dunes National
Monument para ver se conseguia observar algo.

Por volta das duas da manhã, vi três luzes brancas e muito
brilhantes movendo-se lenta e simultaneamente abaixo dos
cumes da montanha Sangre de Cristo. Eu sabia que não
existiam estradas na parte superior daquelas montanhas
escarpadas, de forma que as luzes não podiam ser de carros.
Por certo, aquilo não era fruto da ilusão do movimento das
estrelas. Aquelas luzes estavam abaixo dos cumes da cadeia
de montanhas e se movimentavam num ritmo lento e
constante. A certa altura, achei que estavam vindo na minha
direção porque ficaram maiores. Então, de repente, elas
dispararam para cima e desapareceram.

Altshuler foi abordado no parque por policiais que, ao
ficarem sabendo que ele era hematologista, levaram-no para
ver um cavalo estranhamente mutilado, encontrado dez dias
antes, não muito longe dali. Após ajudar os policiais com a
investigação sobre o cavalo, ele se despediu em estado de
grande ansiedade.
Implorei que ninguém revelasse meu nome ou de onde eu
era. Estava incrivelmente amedrontado. Não conseguia
comer. Não conseguia dormir. Estava morrendo de medo de
ser descoberto, desacreditado, demitido e de perder minha
credibilidade na comunidade médica. Aquela experiência de
1967 foi tão incrível para mim que eu a negava para todos,
inclusive para mim mesmo. Era uma questão de auto-
preservação, na tentativa de dar a mim mesmo uma apólice
de seguro na profissão médica.

Subitamente, o Dr. Altshuler passou a correr o risco de ser
publicamente vinculado a um assunto condenado pela
sociedade. A reação dele pode parecer extrema. Porém, o
ridículo e o ostracismo são castigos muito eficazes, e todos
conhecem a inclinação das pessoas para fazerem uso deles.
Altshuler visualizava a iminente destruição da carreira
médica cuja conquista lhe custara anos de muito esforço. O
mesmo temor, assombrando diversas profissões científicas e
acadêmicas, pode exercer um forte impacto sobre a
publicação e o estudo de toda espécie de anômalos dados de
observação.
Stephen Braude, professor de filosofia da Universidade de
Maryland, salienta como o medo da rotulação social negativa
afeta o estudo de fenômenos psíquicos. Os parapsicólogos,
observa ele, tendem a evitar o estudo da psicocinese de
grande alcance (PGA), na qual objetos pesados como sofás e
mesas são vistos em movimento e levitando. Após enumerar
alguns motivos teóricos e ideológicos para esta levitação, ele
acrescenta:

Outros, acredito eu, ficam simplesmente embaraçados com a
natureza extrema de muitos dos fenômenos relatados, e
temem que seu interesse por eles venha a ser julgado como
não-científico, tolo ou carente de sentido crítico. E tal medo
tem fundamento. Historicamente, de fato, sérios
investigadores de PGA têm sido muito maltratados por
colegas cientistas.

É natural a nossa tendência para ridicularizar coisas que não
se enquadram em nossos sistemas familiares de pensamento.
Mas, infelizmente, um dos efeitos do ridículo é o
fortalecimento dos limites impostos por tais sistemas. Ao
dissuadir-nos de estudar a fundo os assuntos proibidos, o
ridículo restringe nossa oportunidade de aprender algo sobre
eles. A PGA, por exemplo, pode vir a ser realidade ou não
passar de disparate, mas, enquanto as pessoas tiverem medo
de investigá-la com mais minúcia, continuará sendo uma
desconhecida duvidosa e vergonhosa para elas.
Outro efeito do ridículo é que ele dá margem ao
florescimento de versões absurdas ou, irresponsáveis de
determinado assunto. Sempre haverá pessoas inescrupulosas
decididas a distorcer a verdade pelo simples desejo de
enganar os outros ou de ganhar dinheiro fácil. Ao passo que
tais pessoas não se deixam vencer pelo ridículo, o mesmo
não se pode afirmar de eruditos sérios preocupados com sua
reputação e posição intelectual. Deste modo, o ridículo tem
o efeito perverso de estimular histórias ridículas ao mesmo
tempo em que inibe a séria erudição.
Por muitos anos, o público em geral tem encarado o tema
dos óvnis, ou objetos voadores não-identificados, como algo
vergonhoso. Se este assunto vem à tona numa conversa
informai, é bem possível que alguém comece a cantarolar a
música tema do filme Zona do crepúsculo e faça alguma
referência sarcástica ao National Enquirer. Esta é de fato
uma arena propícia para se ridicularizar tudo que seja
tachado de absurdo.
Isto poderia explicar parte do medo do Dr. Altshuler em
ficar conhecido como uma testemunha de fenômeno
ufológico. Naturalmente, ele jamais iria querer se sujeitar às
chacotas de pessoas desinformadas. Mas que reação poderia
Altshuler esperar de seus colegas cientistas e de
pesquisadores cientificamente treinados dedicados ao estudo
objetivo dos fenômenos naturais? Estas pessoas também não
tenderiam a reagir a sua história com intolerância?
Acontece que o papel da ciência na história dos óvnis é de
urna complexidade surpreendente. Em certas ocasiões,
cientistas respeitados têm argumentado com veemência que
os óvnis envolvem tecnologia e mesmo princípios físicos
desconhecidos da ciência. Nem todos os cientistas
descartam o estado dos óvnis pelo simples fato de julgá-los
um assunto marginal e insignificante. Estudos científicos
sobre óvnis têm sido financiados pelo governo, enquanto
conferências científicas têm sido realizadas e jornais
científicos têm sido fundados no intuito de criar um fórum
para se discutir provas deste fenômeno. Mas, mesmo assim,
o ridículo desempenha um papel muito poderoso na postura
dos cientistas quanto ao assunto.
Entre 1967 e 1969, o eminente físico Edward U. Condon
liderou um estudo científico sobre óvnis sob os auspícios da
Universidade do Colorado. O estudo foi financiado por uma
verba governamental de 523 mil dólares e produziu um
relatório final de bem mais de quinhentas páginas.
Conforme mostrarei no Capítulo 3, este relatório —
comumente conhecido como o Relatório Condon —
contém fortes provas sugerindo que alguns óvnis podem ser
veículos portadores de tecnologia desconhecida. Contudo,
na conclusão do relatório, Condon diz que, provavelmente,
os estudos sobre óvnis em nada contribuirão para o avanço
do conhecimento científico.
É interessante conhecermos como esta conclusão foi
comunicada à comunidade científica. Vou primeiro
apresentar um editorial do prestigioso jornal Science, escrito
por Hudson Hoagland em 1969, logo após a publicação do
Relatório Condon. Na época, Hoagland era presidente
emérito da organização Worcester para Biologia
Experimental e membro do conselho diretor da Associação
Americana para o Progresso da Ciência (AAAS).
Em seu editorial, Hoagland compara os relatos sobre óvnis às
pretensões, por médiuns espiritualistas, em produzir
ectoplasma e movimento em objetos. Conta, também, uma
anedota sobre como ele e o mágico Harry Houdini haviam
desmascarado um falso médium. Tendo instalado este pano
de fundo, Hoagland faz as seguintes observações sobre os
óvnis:

A dificuldade básica inerente a qualquer investigação de
fenômenos tais como os da pesquisa psíquica ou dos óvnis é
que a ciência jamais terá como provar uma negativa
universal. Haverá casos que ficarão por explicar em virtude
de falta de dados, falta de evidências contínuas, relatos
falsos, imaginação fantasiosa, observadores iludidos, boatos,
mentiras e fraude. Um resíduo de casos por explicar não
justifica que se dê prosseguimento a uma investigação após
provas esmagadoras terem refutado hipóteses sobrenaturais,
tais como seres do espaço exterior ou mensagens dos
mortos. Casos não comprovados jamais poderão servir de
prova para hipótese alguma. A ciência lida com
probabilidades, e a investigação de Condon acrescenta
maciço peso adicional à já esmagadora improbabilidade de
visitas de óvnis guiados por seres inteligentes. Conforme
salienta com propriedade o relatório Condon, posteriores
investigações sobre óvnis serão mero desperdício. É de se
esperar que, com o tempo, os alienígenas acabem sendo
esquecidos, da mesma forma que aconteceu com o fato de o
ectoplasma ser prova da possibilidade de comunicação com
os mortos. É possível antever, contudo, que muitas pessoas
continuarão a acreditar por seus próprios motivos
psicológicos, os quais nada têm a ver com a ciência e as
regras de evidência.

Hoagland estava convencido de que todos os relatos sobre
objetos voadores não-identificados são produto de sentidos
defeituosos, mentiras ou delírios. Estas contribuições
negativas têm sido apresentadas em tantos casos que,
segundo o argumento dele, é possível concluir que elas estão
em todos os casos. No entanto, como a "ciência não tem
como provar uma negativa universal", não é justo solicitar
dela uma prova.
Só poderemos apurar se esta conclusão é válida ou não
examinando com minúcia as provas da existência de óvnis.
Mas a tática de Hoagland de vincular os estudos sobre óvnis
às momices de médiuns espíritas farsantes é, sem dúvida,
uma deliberada estratégia de ridicularização. Ao afirmar que
algumas pessoas continuarão a crer por motivos
psicológicos, ele exclui os estudos sobre óvnis do âmbito da
ciência: se você estuda essas coisas, não é um cientista. Você
é de fato um crente cujas declarações revelam crenças
irracionais ao invés de hipóteses científicas.
Edward Condon também misturou os estudos sobre óvnis
com espiritualismo e pesquisa psíquica, tachando-os de
pseudociência. Logo após concluir o seu Relatório, ele teceu
os seguintes comentários num artigo intitulado "Óvnis que
amei e perdi", publicado no Bulletin of the Atomic Scientists
(Boletim dos cientistas atômicos):
Discos voadores e astrologia não são as únicas
pseudociências que contam com um considerável número
de seguidores entre nós. Já existia o chamado espiritualismo,
agora existe a chamada percepção extra-sensorial, a
psicocinese e inúmeras outras...
Em tempos antigos, o futuro era previsto de muitas maneiras
que caíram em desuso, tais como o exame das entranhas de
animais sacrificados ou presságios baseados no estudo do vôo
de bandos de pássaros... Antes de se pôr a rir, lembre-se de
que estas visões, tanto quanto os relatórios sobre óvnis,
jamais mereceram de fato tanto estudo científico assim.
Talvez precisemos de uma Agência Nacional de Magia para
empreender um estudo amplo e caro de todos esses
assuntos, inclusive o futuro estudo científico sobre os óvnis,
se é que vai haver algum.
Onde a corrupção das mentes de crianças está em jogo, eu
não acredito em liberdade de imprensa, nem em liberdade
de expressão. Na minha opinião, editores que publicam ou
professores que ensinam qualquer das pseudociências como
fazendo parte da verdade estabelecida deveriam, ao se
constatar sua culpa, ser publicamente açoitados e banidos
para sempre do direito de continuar atuando no âmbito
dessas profissões habitualmente honradas.

Condon estava certo, é claro, ao dizer que não se deve
ensinar algo como fazendo parte da verdade estabelecida, ao
menos que seja algo já demonstrado de forma substancial.
Porém, no âmbito da ciência, sempre haverá opiniões
variadas a respeito do que seja verdade, e o fato de não ser
possível discutir livre e abertamente toda a gama de
possibilidades só faz retardar o progresso científico. Ao que
parece, Condon tinha suficiente confiança em sua
capacidade de reconhecer o que é pseudociência para estar
convencido de que a rígida exclusão da mesma não
atrapalharia a livre busca de conhecimento.
Para entendermos a razão de os cientistas serem tão
categóricos em rejeitar e tachar de falsa ciência as
investigações sobre óvnis, devemos procurar nos transpor
para a perspectiva teórica sobre a qual eles encaram o
fenômeno ufológico. De modo a aprofundar este
entendimento, vou examinar alguns pontos levantados por
William Markowitz num artigo sobre óvnis publicado em
Science em 1967 e reimpresso em 1980 num livro intitulado
The Quest for Extraterrestrial Life (O enigma da vida
extraterrestre).
Para Markowitz e muitos outros cientistas, o ponto inicial da
dúvida é teórico. O problema com referência aos óvnis é
que, em muitos dos casos relatados, as pessoas não os
percebem como meros fenômenos naturais. Pelo contrário,
parecem ser veículos controlados por alguma forma de
inteligência, mas não construídos por seres humanos. Se tais
veículos existem, então, têm que proceder de algum lugar.
Como a ciência não pode aceitar nada de etéreo,
supradimensional ou sobrenatural, os veículos precisam
originar-se como objetos sólidos e tridimensionais. Não
sabemos da existência de instalações próprias para a
fabricação de coisas semelhantes na Terra, além do que os
demais planetas do sistema solar, segundo se pensa, não são
habitados. Se os óvnis são veículos de verdade, isto quer
dizer que devem ser visitantes de estrelas distantes. Esta é a
chamada hipótese extraterrestre (HET).
Em seu artigo, Markowitz identifica-se como um perito em
matéria de vôo espacial interestelar e aborda diversos
esquemas para se realizar tal façanha. Todos esses esquemas
baseiam-se no princípio do foguete, segundo o qual a
matéria é expelida da traseira de uma nave, a qual, por sua
vez, é propulsionada pela reação resultante. A viagem
interestelar, conclui ele, não é possível pelo uso desses
métodos, e por isso os óvnis não poderiam ser naves
extraterrestres.
Os relatos publicados sobre óvnis, ressalta ele, costumam
descrever objetos de cinco a cem metros de diâmetro que
aterrissam e decolam. Argumentando que esses objetos
teriam de voar na base da propulsão de foguete, ele diz: "Se
fosse usada energia nuclear para gerar propulsão, então
deveria resultar a cauterização do solo por conta de
temperaturas de 85.000°C, e seriam detectados produtos da
degeneração nuclear em quantidade equivalente à produzida
pela detonação de uma bomba atômica." A partir disso,
conclui ele, os objetos relatados não poderiam ser naves
espaciais extraterrestres, a menos que as leis da física estejam
erradas. Todavia, ele diz: "Não discordo dos relatos de óvnis
avistados, tampouco tentarei invalidá-los com minhas
explicações. Concordo em que existem objetos não-
identificados."
Ele aventa a possibilidade de conciliar os relatos sobre óvnis
com a hipótese extraterrestre, atribuindo "diversas
propriedades mágicas aos seres extraterrestres". Entre elas,
incluem-se as faculdades de telecinesia e anti-gravidade, mas
ele as rejeita logo. Também considera as "hipóteses semi-
mágicas" que se baseiam em leis físicas conhecidas, mas
incluem aspectos impraticáveis, tais como a conversão
totalmente eficaz de matéria em energia. Ele também rejeita
estas.
A hipótese extraterrestre é insustentável, conclui
Markowitz, por ser fisicamente impossível fazer efetiva
viagem entre as estrelas. Em contraste a esta conclusão, no
simpósio da AAAS sobre óvnis em 1969, o astrônomo Carl
Sagan sustentou a remota possibilidade de desenvolvimento
de algum método de viagem interestelar. Porém, segundo
sugeriu também, são mínimas as possibilidades de que outra
civilização nesta galáxia venha a lançar uma bem-sucedida
expedição para atingir a Terra.
Argumentou ele que, de 1010 "lugares interessantes" nesta
galáxia, no máximo 106 serão sistemas solares com
civilizações que enviem expedições interestelares. Isto
significa dizer que, para cada lugar interessante ter uma boa
probabilidade de ser visitado em determinado espaço de
tempo, pelo menos dez mil expedições por civilização
precisam partir em média nesse período. Para a Terra
receber em média uma visita por século, por exemplo, seria
necessária uma taxa de dez mil expedições por século em
cada civilização. Isto significa cem expedições por ano em
cada civilização. Dadas as grandes dificuldades envolvidas
numa viagem interestelar, Sagan concluiu não serem
plausíveis semelhantes taxas de expedição, e por isso
improvável que os óvnis sejam visitantes interestelares.
É interessante o fato de Sagan ter questionado o motivo para
as pessoas se aterem tanto à hipótese extraterrestre em
relação aos óvnis. Perguntou por que elas não propõem
serem os óvnis coisas tais como projeções do inconsciente
coletivo, viajantes do tempo, visitantes de outra dimensão
ou auréolas de anjos.
Conforme veremos, as pessoas têm levado tais hipóteses em
consideração. No entanto, para os cientistas conservadores,
todas elas se enquadram na mesma categoria biruta que os
fenômenos psíquicos. Com seu perfil conservador por
natureza, os líderes da comunidade científica limitam-se a
considerar hipóteses que pareçam plausíveis no contexto de
princípios físicos consagrados. Como a idéia de as pessoas
estarem vendo veículos fabricados por alguma forma de
inteligência não-humana parece contrariar abertamente
estes princípios, os pontos de vista de Hoagland e Condon
acerca dos óvnis têm um atrativo natural para muitos
cientistas.

Relatos sobre óvnis por cientistas e engenheiros

Contrariando a previsão feita por Hoagland em 1969, tudo
indica que nos últimos anos os óvnis não foram esquecidos
por quantos têm inclinação para as coisas da ciência. Apesar
de a comunidade científica em geral rejeitar a seriedade do
assunto em suas publicações formais, muitos cientistas
parecem levá-lo a sério em nível individual.
Em julho de 1979, por exemplo, a revista Industrial
Research Development publicou uma pesquisa de opinião
sobre as atitudes de "1.200 cientistas e engenheiros de todas
as áreas de pesquisa e desenvolvimento". Em resposta à
pergunta: "Você acredita na existência de óvnis?", 61% dos
entrevistados disseram achar provável ou certa a existência
deles, e 28% disseram considerá-la improvável ou incerta. A
probabilidade de acreditar na existência de óvnis foi pelo
menos duas vezes maior para os pesquisadores com menos
de 26 anos do que para os com mais de 65, e constatou-se
uma contínua oscilação em percentagens de crença entre
estas duas faixas etárias.
No que concerne às visões individuais, 8% disseram ter visto
um óvni, e 10% disseram talvez ter visto. Além disso, 40%
disseram acreditar que os óvnis originam-se do "espaço
exterior", 2% acharam que eles se originam de algum lugar
nos Estados Unidos, e menos de 1%, que eles são uma
criação de países comunistas. Na opinião de mais de 25%
dos entrevistados, os óvnis são fenômenos naturais.
Embora os cientistas também estejam ativamente
empenhados em investigar óvnis, isto é feito fora das
instituições científicas oficiais. Em alguns casos, eles
realizam tais investigações individualmente e, em outros,
trabalham em parceria com organizações dedicadas à
pesquisa de óvnis. Estas organizações, apesar de às vezes
estruturadas como se fossem associações científicas, não
gozam de prestígio junto à comunidade científica. Exemplo
disto é a Mutual UFO Network (MUFON). Em 1989, a junta
consultiva desta organização contava com 96 membros.
Destes, 65 tinham doutorado, a maioria em ciências naturais,
e 16 eram médicos.
Um motivo para este interesse contínuo é o relato de muitas
visões de óvnis por pessoas confiáveis, inclusive cientistas e
engenheiros. A título de ilustração, vou começar
apresentando uma visão relatada pelo astrônomo Clyde
Tombaugh, o descobridor do planeta Plutão. Tombaugh
discorre sobre sua experiência numa carta, datada de 10 de
setembro de 1957, a um investigador de óvnis chamado
Richard Hall:

Caro Sr. Hall:
Com referência à solidez do fenômeno que eu vi: minha
esposa achou ter visto um débil fulgor de conexão atravessar
a estrutura. Os retângulos iluminados que eu vi mantiveram
de fato uma posição fixa e exata entre si, o que tenderia a
sustentar a impressão de solidez. Duvido que o fenômeno
tenha sido algum tipo de reflexo terrestre, porque alguma
semelhança a ele teria que ter aparecido muitas vezes. Faço
muito uso da observação (tanto telescópica quanto a olho
nu) no meu quintal, e nada daquele tipo jamais apareceu
antes ou desde então.

Esta carta foi incluída em The UFO evidence (A evidência
dos óvnis), uma ampla coletânea de relatos sobre visões de
óvnis editada por Hall e publicada em 1964 por uma
organização americana conhecida como Comitê Nacional de
Investigações sobre Fenômenos Aéreos (NICAP). Eis outro
exemplo, extraído deste documento óvni visto por um
astrônomo:

Em 20 de maio de 1950, entre 12h15 e 12h20, o Dr.
Seymour L. Hess, meteorologista, astrônomo e perito em
atmosferas planetárias, observou, do pátio do Observatório
Lowell um objeto brilhante e pelo menos parcialmente
esférico no céu. Segundo seu relato do incidente, escrito
uma hora após a visão, por certo o objeto não era nem uma
ave nem um avião, já que não tinha asas nem propulsores.
Embora parecesse ser muito brilhante quando visto contra o
céu, ao passar entre Hess e uma pequena aglomeração de
nuvens a noroeste, pareceu ser de cor escura. Com base na
elevação e diâmetro angular do objeto, segundo percebeu
com seu binóculo de quádrupla potência de aumento, Hess
calculou que ele media entre 1 e 1,5 m. A julgar pelo
movimento das nuvens, que vagueavam em ângulos retos
em relação ao movimento do objeto, avaliou que ele devia
estar se locomovendo entre um mínimo de 160 e um
máximo de 320 km/h. Contudo, ele nem ouviu nem viu
qualquer sinal de motor. Desde 1964, o Dr. Hess tem
dirigido o Departamento de Meteorologia da Universidade
Estadual da Flórida.

Talvez seja significativo o fato de nenhuma dessas visões ter
ocorrido no transcurso de observações astronômicas
profissionais. O Relatório Condon continha uma declaração
de Carl Sagan e cinco outros cientistas, segundo a qual
"nenhum objeto não-identificado afora aqueles de natureza
astronômica foi jamais observado durante estudos rotineiros
de astronomia, a despeito do grande número de horas de
observação dedicadas ao céu". Conforme salientaram eles, o
Mount Palomar Sky Atlas contém cinco mil lâminas com
um amplo campo de visão, o Harvard Meteor Project de
1954-58 inclui 3.300 horas de observação e a Smithsonian
Visual Prairie Network apresenta 2.500 horas. Não obstante,
"em todas essas lâminas e observações, não há um relato
sequer de que algum objeto não-identificado tivesse
aparecido ou sido visto".
O astrofísico Thornton Page reagiu à declaração de Sagan e
seus colegas, frisando que "os telescópios astronômicos em
uso praticamente não têm capacidade alguma de fotografar
um óvni passando pelo campo telescópico". No entanto, a
Prairie Network, prosseguiu ele, cobriu 65% do céu
rastreando objetos brilhantes numa área de cerca de 700.000
km2 no centro-oeste. Era para ela ter conseguido localizar
óvnis, mas não o conseguiu. Uma possível explicação para
isto foi dada pelo astrônomo Franklin Roach, que passou
mais de três décadas estudando o brilho do ar no céu
noturno. A rotina de seus registros fotométricos, observou
ele, não incluía o rastreamento de óvnis, ou objetos
brilhantes não-identificados. De fato, não seria de se esperar
que tais objetos constassem naqueles registros porque
quaisquer fontes de luz parecidas com estrelas eram
deliberadamente "subtraídas" e deste modo omitidas.
Contudo, à época do estudo sobre óvnis realizado por
Condon, foi realizado um experimento para verificar o que
aconteceria se não se omitissem as fontes de luz brilhantes:

Durante o Projeto Colorado, Frederick Ayer supervisionou o
estudo minucioso de uma noite de observações no
Observatório Haleakala no Havaí. Naquele caso, os analistas
foram orientados no sentido de não subtraírem quaisquer
deflexões. Todas as deflexões parecidas com estrelas foram
então comparadas com as posições de estrelas e planetas
conhecidos. Um tanto para nossa surpresa, em dois dos
registros verificados perto da meia-noite foram constatadas
deflexões inconfundíveis que não eram devidas a objetos
astronômicos conhecidos.

Roach concluiu ser importante estabelecer uma cuidadosa
distinção entre falta de relatos e falta de pesquisa sistemática
de fenômenos anômalos. Ele também percebeu que seus
registros mostravam que os óvnis, apesar de não serem
objetos conhecidos, não davam indicação alguma do que
eram de fato. (Apesar de não ter mencionado meteoros,
presumo que ele cogitou esta óbvia possibilidade.)
O Relatório Condon citou um estudo de mais de quarenta
astrônomos contido no chamado Relatório Blue Book N.° 8
de 31 de dezembro de 1952. Aparentemente, cinco dos
quarenta astrônomos tiveram visões de óvnis — uma
percentagem tida como superior ao que seria verificado caso
se considerasse a população como um todo. O autor desta
seção do Relatório Condon observou: "Talvez isto seja de se
esperar, já que, afinal, os astrônomos vivem observando o
céu. Por outro lado, não é provável que eles se deixem
enganar por visões de balões, naves aéreas e objetos
semelhantes, como pode ocorrer com o povo em geral." Em
seguida, ele teceu comentários sobre algumas discussões que
teve com os astrônomos:

Não me apressei em ter uma conversa bem séria com alguns
deles e em conscientizá-los do fato de algumas das visões
serem de fato enigmáticas e nada fáceis de serem explicadas.
Isto despertou-lhes o interesse, quase que imediato, de um
indício de que a letargia deles deve-se, em geral, à falta de
informação acerca do assunto. E, com certeza, outro fator
que contribui para eles não terem o menor desejo de
conversar sobre essas coisas é o pavor de virarem notícia.

Portanto, na verdade, astrônomos vêem óvnis, muito
embora não serem apresentadas provas da existência deles
em estudos astronômicos. Poderia o pavor da publicidade
estar induzindo os astrônomos a evitarem relatar suas
observações de óvnis e a evitarem estudar ou chamar a
atenção para as observações que são relatadas? Esta e outras
perguntas nos instigam ao lermos como o investigador de
óvnis Jacques Vallee despertou seu interesse por eles:

Passei a interessar-me seriamente pelo assunto em 1961,
quando presenciei alguns astrônomos franceses apagando
certa fita magnética onde nossa equipe de rastreamento de
satélites havia gravado onze dados de ocorrência sobre um
objeto voador desconhecido que não era avião, balão ou
alguma nave conhecida que estivesse em órbita. "As pessoas
ririam de nós se relatássemos isto!", foi a resposta que me
deram na ocasião. "Melhor esquecermos tudo isto e não
expor o observatório ao ridículo."

Na época, Vallee trabalhava como astrônomo profissional.
Mais tarde, tornou-se cientista da computação e entre suas
atribuições acumulava a direção de uma equipe de pesquisa
contratada pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada
nos Estados Unidos. Sua experiência no observatório, além
de estimulá-lo a encarar a pesquisa científica a partir de uma
perspectiva bastante radical, lançou-o numa carreira de
pesquisa sobre óvnis que rendeu muitos livros influentes
sobre o assunto.
Apesar da notória tendência de suprimir dados e divulgar
relatos incompletos, as visões de indivíduos responsáveis se
tornam, sem dúvida, contribuições significativas e,
conforme vão sendo divulgadas ou transmitidas oralmente,
contribuem para a geração de uma corrente informal de
interesse no assunto. Eis mais dois relatos de engenheiros,
constantes em The UFO evidence:

(1) Enquanto caminhava numa noite de meados de outubro
de 1954, o major A. B. Cox, formado pela Universidade de
Yale, membro da Sociedade Americana de Engenheiros
Mecânicos e da Sociedade de Engenheiros Americanos,
observou um grande e acinzentado objeto discóide no céu
acima de sua fazenda em Cherry Valley, Nova York. Em
carta datada de 28 de dezembro de 1955 a Richard Hall,
diretor assistente de correspondência do NICAP, Cox
descreveu os incomuns padrões de vôo do objeto, que ele
avaliava ter cerca de 12m de diâmetro e 1,5 a 2m de
espessura. Movia-se como uma roda deslizando
lateralmente, mas sem rotação. A certa altura, o objeto parou
de repente para em seguida voar para o alto em ângulos
aproximadamente retos em relação ao seu curso anterior.
Isto despertou a curiosidade do engenheiro Cox, visto que a
virada foi mais brusca e mais rápida do que ele achava ser
possível para um avião.

(2) Uma bem testemunhada visão de óvni ocorreu em 24 de
abril de 1949, por volta das 10h30, no Campo de Provas
White Sands da Marinha americana no Novo México.
Charles B. Moore, aerólogo e engenheiro aerostático
graduado, avistou, com uma equipe de quatro recrutas do
Campo de Provas, um objeto branco cintilante e elipsóide
enquanto trabalhava para o Departamento de Pesquisa
Naval. Usando um teodolito ML-47 acoplado a um
telescópio com potência de aumento 25, eles estavam
rastreando balões meteorológicos quando localizaram o
objeto cintilante, que subtendia um ângulo de cerca de 0,02
grau e era duas vezes e meia mais comprido do que largo.
(Teodolito é um instrumento de precisão para medir a
direção horizontal e vertical de um objeto visto através de
um telescópio.) A olho nu bem como com o telescópio, eles
avistaram o objeto não-identificado por aproximadamente
um minuto, após o que ele sumiu de vista ao subitamente
elevar-se de 25 graus acima do horizonte para 29 graus.
Moore lançou outro balão quinze minutos depois para
avaliar as condições do vento. Este balão explodiu após
atingir 28 quilômetros de altura e viajar apenas 20
quilômetros em 88 minutos, dando prova positiva de que o
objeto não poderia ter sido um balão movendo-se a uma tal
velocidade angular abaixo de 24 quilômetros de altura.
Naquele dia, Moore e seu grupo identificaram, segundo a
aparência e o ruído do motor, cada avião que sobrevoou a
plataforma de lançamento. Nada passou por cima daquela
área que tivesse alguma semelhança com o cintilante objeto
branco que eles haviam visto mais cedo.
Por vir da parte de um engenheiro, a visão de Cox é digna
de nota, já que o comportamento do objeto por ele descrito
era diferente do comportamento de qualquer fenômeno
natural comumente conhecido ou de qualquer dispositivo
feito pelo homem. Contudo, descrições semelhantes surgem
de quando em quando em relatos sobre óvnis.
A visão no Campo de Provas White Sands é típica de toda
uma categoria de relatos procedentes de engenheiros e
técnicos vinculados à pesquisa militar. Uma dessas pessoas é
o Dr. Elmer Green, da Clínica Menninger em Topeka,
Kansas, que me transmitiu pessoalmente suas experiências
de quando trabalhava como físico para o Centro
Experimental da Marinha em China Lake, Califórnia, entre
1947 e 1957. Em 1954 ou 1955, ele era presidente da
Divisão de Sistemas Ópticos, uma subdivisão do Grupo
Interdisciplinar de Instrumentação. Era uma organização de
cientistas e engenheiros profissionais, civis e militares,
empenhados em gravar dados sobre testes armados em
diversas bases militares. Eram testes de foguetes, mísseis
teleguiados, bombas e naves aéreas. A Divisão de Sistemas
Ópticos interessava-se especificamente por fotografia
métrica, para o que usava câmeras de rastreamento de alta-
resolução, bem como fototeodolitos para determinar as
trajetórias de foguetes e outros objetos voadores. Muitos
destes equipamentos eram feitos por encomenda, atendendo
aos mais elevados padrões profissionais.
Em função de seu cargo de liderança, Green ficava sabendo
de freqüentes incidentes em que óvnis eram fotografados ao
passarem voando pelo âmbito de visão das câmeras durante
os testes armados. Além de ter ouvido falar de filmes de boa
qualidade que haviam sido feitos a respeito dos óvnis, ele
próprio viu diafilmes de óvnis em preto-e-branco feitos por
pessoas de seu grupo. Conhecia uns quarenta ou cinqüenta
profissionais que haviam tido alguma espécie de visão de
óvnis durante os testes.
Em um dos casos de White Sands, um foguete V2 quase
incendiou-se. Dois objetos de cerca de um metro de
diâmetro desceram, circularam o V2 diversas vezes e
subiram de novo, sumindo no céu. Como os fotógrafos
gastaram todos os seus rolos de filme com os óvnis, o vôo do
V2 foi cancelado até eles recarregarem suas câmeras.
O próprio Green viu um óvni na presença de Jack Clemente,
que foi, em certa época, o fotógrafo chefe do Centro
Experimental da Marinha em China Lake. Os dois estavam
esperando a chegada de um bombardeiro AJ, que eles
avistaram se aproximando a cerca de 240 metros. Enquanto
o avião sobrevoava a área, eles viram um objeto com cerca
de cinco metros de diâmetro voando a cerca de 120 metros
abaixo dele. O objeto parecia ser uma nave com estrutura
mecânica. Tinha uma dianteira semicircular marcada com o
que pareciam ser linhas de rebites, e uma traseira
semicircular de menor tamanho e da cor do âmbar como um
triângulo de artista. Num piscar de olhos, o objeto saltou
para a asa do avião. Ali ele permaneceu como que sondando
o avião por alguns segundos, e depois voou para longe a
grande velocidade, sumindo de vista em 2,5-3 segundos.
Com base em sua experiência com foguetes, Green avaliou
sua aceleração a 100-200m/s2. O objeto não fez ruído algum
nem apareceu no radar (embora outros óvnis tenham
aparecido). Contudo, foi fotografado, e Jack Clemente
escreveu um relatório sobre o incidente.
Mais tarde, Clemente pediu para ver uma cópia de seu
relatório e das fotos que o acompanhavam. Mas disseram-lhe
não haver vestígio algum de tal relatório nos arquivos da
base local. Segundo ele disse a Green, todos os filmes e
fotografias de óvnis desapareceram, tendo sido
presumivelmente enviados a Washington.
Perguntei a Green se ele alguma vez recebera ordem de
guardar segredo das informações sobre os óvnis. Ele
respondeu que, apesar de ter acesso a informações altamente
sigilosas, nunca lhe haviam dito para manter segredo sobre
os incidentes com óvnis. Tais incidentes nunca eram
discutidos por autoridades militares, explicou ele. Não havia
necessidade de ordenar sigilo sobre fenômenos que
simplesmente não existiam.
Green percebeu que, mesmo parecendo mecânicos, os óvnis
pareciam violar as leis da física. Embora eles freqüentemente
excedessem a velocidade do som, nunca foram produzidos
ruídos sônicos. Suas manobras lembravam-no os
movimentos de um feixe de luz projetado sobre uma parede
por uma lanterna, e ele especulava que aqueles objetos
poderiam ser estruturas projetadas de alguma forma em
nossa massa espaço-temporal contínua.
Segundo disse ele, as pessoas de seu grupo experimentaram
muito mais incidentes com óvnis no começo dos dez anos
iniciados em 1947 do que no fim deles. Tão logo começou a
trabalhar em China Lake, observou, ele via com regularidade
os clarões das rajadas de ar expelidas por bomba atômica no
centro de testes nucleares de Nevada. Conforme pôde notar,
algumas pessoas especulavam sobre uma ligação entre as
atividades dos óvnis e os testes nucleares. O motivo para o
aparente acobertamento dos óvnis, segundo ele especulava,
era o fato de as autoridades governamentais não quererem
admitir sua incapacidade para entender os óvnis ou impedi-
los de voar com impunidade por nossos céus.
Esta é uma história surpreendente que nos remete outra vez
a questões envolvendo credibilidade, ridicularização e
supressão de informação. Se a história é verdadeira, então,
sem dúvida, pelo menos quarenta ou cinqüenta cientistas
profissionais sabiam da existência dos óvnis nos primórdios
dos anos 50. Sendo assim, por que os óvnis não são
reconhecidos abertamente por cientistas e líderes da
sociedade? Esta história introduz um elemento novo, o sigilo
do governo, que será examinado no Capítulo 3. A
eliminação sistemática de provas "concretas" por parte de
autoridades governamentais aliada ao temor do ridículo e à
perda da carreira podem explicar o motivo para que nenhum
desses cientistas jamais tenha feito apresentações públicas
convincentes de suas experiências, individuais ou coletivas,
com óvnis.

Sobre cientistas que estudam óvnis

Gerard Kuiper, do Laboratório Lunar e Planetário da
Universidade do Arizona, discorda da idéia de poderem os
cientistas se deixar controlar pela pressão social. Numa
reunião na Academia de Ciências do Arizona em 29 de abril
de 1967, ele disse: "Sinto-me na obrigação de corrigir uma
afirmação que vem sendo feita quanto ao fato de os
cientistas se intimidarem com respeito aos relatos sobre
óvnis por temor ao ridículo. Como cientista praticante,
declaro que isto é puro disparate." O cientista, salientou ele,
"escolhe sua área de investigação, não por causa de pressões,
mas sim por ver a possibilidade de promover algum avanço
científico significativo".
Sem dúvida, em parte Kuiper está certo. Talvez alguns
cientistas não tenham tido visões anômalas envolvendo
óvnis, e talvez acreditem sinceramente que, se viessem a tê-
las, haveriam de relatá-las abertamente. Outros talvez já
tenham de fato avistado óvnis e mais tarde suprimido suas
observações ao depararem cara a cara com o temor de
perderem suas carreiras. Isto, por sua vez, reforça a opinião
do primeiro grupo, segundo a qual não tem havido visões
sérias de óvnis.
Alguns cientistas profissionais têm se dedicado abertamente
a investigações sobre óvnis. Contudo, as histórias deles
também envolvem os temas da credibilidade e da supressão
de dados. A título de ilustração, vou primeiro abordar as
idéias de J. Allen Hynek, astrônomo e tarimbado consultor
da Força Aérea para assuntos relacionados a óvnis. Com o
passar dos anos, os pontos de vista de Hynek acerca dos
óvnis mudaram bastante e, neste meio tempo, ele fez uma
série de afirmações aparentemente contraditórias que
geraram dúvida e confusão, entre outros cientistas, quanto
ao tema dos óvnis.
Num artigo sobre óvnis, William Markowitz cita uma carta
endereçada a Science na qual Hynek declara que, embora se
diga que cientistas jamais fazem relatos a respeito de óvnis,
na verdade, "alguns dos melhores e mais coerentes relatos
têm-se originado de pessoas com formação científica". Em
seguida, Markowitz cita uma afirmação de Hynek na
Encyclopaedia Britannica, na qual se refere ao "fracasso da
contínua e extensa vigilância de observadores treinados" no
sentido de avistar óvnis. Para Markowitz, estas afirmações
aparentemente contraditórias põem em dúvida a
confiabilidade dos dados sobre óvnis.
Markowitz também cita uma carta do Dr. William T. Powers
endereçada a Science em 7 de abril de 1967:

Em 1954, mais de duzentos relatórios do mundo inteiro
tratavam da aterrissagem de objetos, muitos deles com
ocupantes. Destes, cerca de 51% foram observados por mais
de uma pessoa. De fato, pelo menos 624 pessoas estiveram
envolvidas nestas visões, e apenas 98 das mesmas estavam
sozinhas. Em dezoito casos com testemunhas múltiplas,
algumas das testemunhas não tinham conhecimento de que
alguém mais já tivesse visto a mesma coisa na mesma época
e no mesmo lugar. Em treze casos, havia mais de dez
testemunhas. Que fazer com relatos como estes? Um fato
fica claro: não podemos simplesmente fingir que eles não
existem.

Powers estava fazendo uma afirmação um tanto forte.
Houve de fato mais de cem casos nos Estados Unidos em
1954 em que pelo menos duas pessoas tivessem visto um
óvni aterrissar? Segundo Markowitz, em 1966, Hynek
informou-o não ter relatos confiáveis de aterrissagens e
decolagens de óvnis, tampouco registros de casos em que
uma testemunha confiável tivesse visitado uma nave
extraterrestre ou conversado com um ocupante. Esta
declaração também encheu Markowitz de dúvidas.
No entanto, a declaração em si já era duvidosa. Num
simpósio sobre óvnis realizado sob os auspícios da AAAS em
1969, Hynek disse o seguinte acerca de contatos imediatos
com óvnis:

Eu não seria um bom relator nem um bom cientista se
rejeitasse dados de forma deliberada. Temos hoje registrados
cerca de 1.500 relatos de contatos imediatos, metade dos
quais inclui também a presença de ocupantes nas naves.
Embora faça anos que estamos recebendo relatos sobre tais
ocupantes, apenas poucos deles encontram-se registrados
nos arquivos da Força Aérea. De modo geral, a equipe do
Projeto Blue Book categorizou tais relatos, sumariamente e
sem maiores investigações, como "psicológicos" ou birutas.

Hynek, conforme se poderia sugerir, julgava esses relatos
duvidosos, muito embora não tivesse expressado suas
dúvidas ao mencioná-los perante os membros da AAAS.
Porém, em 1972, Hynek escreveu acerca de seu encontro
com Betty e Barney Hill, duas pessoas que afirmavam ter
falado com alienígenas a bordo de uma nave extraterrestre.
Falando da "aparentíssima sinceridade" deles, ele disse "não
haver a menor dúvida quanto à normalidade e sanidade dos
dois". Este encontro com os Hill ocorreu por volta de 1966,
próximo da época da declaração feita por Hynek a
Markowitz.
As aparentes contradições nas afirmações de Hynek podem
talvez ser atribuídas à evolução gradual de suas idéias acerca
dos óvnis e à sua cautela quanto a fazer declarações públicas
que viessem a prejudicar sua credibilidade. Por muitos anos,
Hynek foi professor de astronomia e titular do departamento
de astronomia da Universidade Northwestern. Por cerca de
vinte anos, a partir do início de 1948, foi, também,
consultor científico da Força Aérea americana para assuntos
relacionados a óvnis, e mais tarde atuou como diretor de
uma organização civil de pesquisas sobre óvnis chamada
Centro para Estudos sobre Óvnis (CUFOS).
Os pontos de vista de Hynek sobre óvnis mudaram muito
com o passar dos anos. A princípio, era um cético declarado,
para o qual os óvnis não passavam de loucura ou farsa
inteiramente ridículas, fadadas a rápido declínio. Porém, por
volta de 1979, ele já dava crédito sério a idéias que
pareceriam ultrajantes para físicos conservadores como
Hoagland ou Markowitz. Em sua introdução ao livro The
Andreasson Affair (O romance de Andreasson), de
Raymond Fowler, Hynek escreve:

Temos aqui "criaturas de luz" para as quais paredes não
impedem o ingresso livre em recintos e para as quais é tão
fácil exercer controle excepcional sobre as mentes das
testemunhas. Se isto representa uma tecnologia avançada,
então, com certeza, incorpora o fenômeno paranormal tanto
quanto nossa tecnologia incorpora transistores e
computadores. De alguma forma, "eles" se tornaram mestres
no enigma da mente sobre a matéria.

Poder-se-ia perguntar por que um professor de astronomia
publicaria semelhante declaração. Estava ele dizendo o que
as "criaturas de luz" viriam a ser se existissem, e sustentando,
ao mesmo tempo, um ceticismo saudável acerca da
existência ou não das mesmas? Talvez, mas, segundo ele
também disse em sua introdução ao livro, este representaria
um forte desafio aos céticos que tivessem a coragem de fazer
um exame honesto do texto, declarando, ainda, que o
mesmo não mostrava o menor sinal de embuste ou
artimanha.
Um resumo da posição de Hynek quanto aos humanóides
dos óvnis consta em seu livro The UFO Experience,
publicado em 1972:

Nosso bom senso, além de retroceder ante a própria idéia da
existência de humanóides, provoca troças, ridicularização e
piadas sobre homenzinhos verdes. Estes induzem-nos a
desacreditar de todo o conceito de óvni. Talvez óvnis
pudessem realmente existir, dizemos, mas humanóides? E se
eles são mesmo fantasias de nossa imaginação, os óvnis
comuns devem sê-lo também. Mas são defendidos por tantas
testemunhas respeitáveis que não temos como encará-los
como meras falhas de percepção. Acaso, então, todos esses
relatores de óvnis seriam mesmo doentes?...
Ou será que tanto os humanóides como os óvnis revelam
uma "realidade" paralela que por algum motivo manifesta-se
para alguns de nós por períodos muito limitados? Mas que
realidade seria esta? Há um filósofo em casa?
Muitas de tais perguntas e muitas das informações a elas
relacionadas são difíceis de compreender. De fato, contudo,
não se podem desconsiderar os contatos com ocupantes: são
por demais numerosos.

Contudo, as idéias que Hynek estava disposto a discutir em
público, em 1966, eram muito menos radicais. Por exemplo:
numa audiência do Comitê Nacional das Forças Armadas
sobre óvnis em 5 de abril de 1966, perguntaram a Hynek se
os óvnis seriam pilotados por seres extraterrestres ou não.
Ele respondeu:

Não sei de prova alguma que confirme isto, tampouco
conheço algum cientista competente que o saiba ou que
acredite no envolvimento de algum tipo de inteligência
extraterrestre. No entanto, devemos manter em aberto a
possibilidade desta hipótese. (...) Mas não há, sem dúvida,
provas reais do comportamento inteligente de ferragens.

Ao lhe perguntarem se procurava uma explicação para os
óvnis baseada em fenômenos naturais, Hynek respondeu:
"Sim." Conforme estas declarações dão a entender, em 1966
Hynek não achava que os óvnis fossem controlados por
alguma espécie de inteligência. Todavia, em seu livro de
1972, ele diz que em primeiro de agosto de 1965 ocorreu
uma série de eventos notáveis nas instalações da Força
Aérea americana perto de Cheyenne, Wyoming. Segundo
declarou, estes eventos chegaram ao seu conhecimento na
época por intermédio de sua ligação com o Projeto Blue
Book. Eis os relatos registrados:

1h30 — O capitão Snelling, do posto de comando da Força
Aérea americana perto de Cheyenne, "Wyoming, ligou para
informar ter a estação de rádio local recebido de quinze a
vinte telefonemas a respeito de um grande objeto circular
emitindo diversas cores, mas nenhum som, avistado
sobrevoando a cidade. Segundo relataram dois oficiais e um
piloto-aviador da base de controle, após ser avistado
sobrevoando diretamente a base de operações, o objeto
passara a mover-se depressa em direção ao nordeste.

2h20 — O coronel Johnson, comandante da Base Aérea
Francis E. Warren, próxima a Cheyenne, Wyoming, ligou
para Dayton informando que o oficial comandante do posto
de treinamento de recrutas em Sidney, Nebraska, avistou
cinco objetos à 1h45...

2h50 — Nove outros óvnis foram avistados, e às 3h35 o
coronel Williams, oficial comandante do posto de
treinamento de recrutas em Sidney, Nebraska, relatou ter
avistado cinco óvnis rumando para o leste.

4h05 — O coronel Johnson fez outra ligação telefônica para
Dayton para informar que, às 4h, o vôo Q registrou ter
avistado nove óvnis: quatro para o noroeste, três para o
nordeste e dois sobrevoando Cheyenne.
4h40 — O capitão Howell, do Posto de Comando da Força
Aérea, ligou para Dayton e para o escritório do Serviço
Secreto para informar que uma Equipe Estratégica de
Comando Aéreo no Sítio H-2, às 3h, registrou um óvni
branco e oval sobrevoando diretamente a área. Mais tarde, o
Posto Estratégico de Comando Aéreo transmitiu o seguinte:
a Base Aérea Francis E. Warren relata (Sítio B-4, 3h17) —
um óvni 160 quilômetros a leste de Cheyenne em alta
velocidade e descendo — oval e branco com linhas brancas
em ambos os lados e uma luz vermelha brilhante em seu
centro, rumando para o leste; registro de aterrissagem
dezesseis quilômetros a leste da área.

3h20 — Sete óvnis avistados a leste da área.

3h25 — Sítio E registrou seis óvnis agrupados na vertical.

3h27 — G-l registrou um óvni ascendendo e, ao mesmo
tempo, E-2 registrou dois outros óvnis que se haviam
juntado aos sete, totalizando nove.

3h28 — G-l registrou um óvni descendo mais distanciado,
na direção leste.

3h32 — No mesmo sítio, um óvni decola e aplaina.

3h40 — Sítio G registrou um óvni a 70° do azimute e outro
a 120°. Em seguida, três vieram do leste, agrupados na
vertical, passando pelos outros dois, para então todos os
cinco rumarem para o oeste.

Para o espanto de Hynek, quando ele perguntou ao major
Quintanilla, o oficial responsável pelo Blue Book, o que
estava sendo feito para investigar estes relatos, Quintanilla
respondeu que os objetos avistados nada mais eram do que
estrelas. Se isto parece improvável, que eram eles, afinal?
Tanto o comportamento ordenado dos objetos quanto sua
tendência a sobrevoar instalações militares sugerem, de fato,
uma orientação inteligente. Além disso, formatos ovais com
luzes vermelhas brilhantes no centro são sugestivos de um
design inteligente.
Em seu livro publicado em 1972, Hynek deu, sem dúvida,
margem a que o leitor interpretasse estes relatos recebidos
em 1965 como prova de uma inteligência desconhecida.
Todavia, menos de um ano após recebê-los, Hynek disse ao
Congresso que não "existem provas reais do comportamento
inteligente de ferragens".
Analisei o desenvolvimento das idéias de Hynek com certa
minúcia para ilustrar tanto o caráter extremo dos fenômenos
ufológicos relatados quanto o impacto que isto exerceu sobre
um cientista conservador que tentava estudar e entender
estes mesmos fenômenos. Aparentemente, movido pela
necessidade de proteger sua credibilidade, Hynek acabou
fazendo declarações contraditórias que minaram a
credibilidade das provas ufológicas em geral. Ao mesmo
tempo, é impressionante como se acentuou a sua disposição
para levar a sério os fenômenos ufológicos mais extremos.
Considerando o fato de Hynek ter demonstrado ser um
pensador cuidadoso e criterioso, poder-se-ia indagar o que o
levou a adotar, por fim, uma posição tão radical.
Embora em meados dos anos 60 Hynek menosprezasse a
idéia de controle inteligente dos óvnis, um destacado
cientista chamado James McDonald a defendia com
veemência. McDonald era físico sênior do Instituto de
Física Atmosférica e professor do departamento de
meteorologia da Universidade do Arizona. Num depoimento
público preparado para editores de jornal, ele apresentou o
seguinte resumo de seus pontos de vista:

Concluo, após analisar a fundo centenas de destacados
relatos sobre óvnis e entrevistar pessoalmente dúzias de
testemunhas-chave de casos importantes, que o problema
óvni é de suma importância científica. Longe de merecer ser
tachado de "problema disparatado", conforme o tem sido
durante vinte anos de desmando oficial, ele tem merecido a
atenção da ciência, da imprensa e do público, não só dos
Estados Unidos, mas também do mundo inteiro, por ser
considerado um sério problema da maior importância. [...]
Apesar de sua probabilidade a priori parecer remota, a
hipótese de os óvnis serem talvez sondas extraterrestres é,
segundo sugerem, a menos insatisfatória para explicar as
provas ufológicas atuais.

O artigo de McDonald contém resumos de dezoito análises
de visões de óvnis, bem como um comentário sobre a
história da controvérsia ufológica e do papel que nela têm
representado a ciência, o governo americano e as forças
armadas. A este respeito, ele discorda da tão difundida idéia
de que o governo esteja deliberadamente acobertando
informações sobre óvnis. Pelo contrário, conclui ele, esta é
"uma grande injustiça desencadeada por pessoas de limitada
competência científica, que se sentem apalermadas diante
de um problema tão confuso e constrangedor". Hynek
também tendia à mesma conclusão.
O desmascaramento científico dos óvnis é outro tema
abordado com certa minúcia por McDonald. Neste caso, ele
faz menção específica do trabalho do Dr. Donald Menzel,
astrônomo que foi em certa época diretor do Harvard
College Observatory e escreveu livros atribuindo as visões
de óvnis a erros de percepção de fenômenos astronômicos
ou meteorológicos.
McDonald analisa a maneira como Menzel explica a
supramencionada visão de óvni do astrônomo Clyde
Tombaugh. Na concepção de Menzel, Tombaugh viu as
janelas iluminadas de uma casa refletidas por uma pequena
ondulação no limite de uma camada de cerração. À medida
que esta ondulação avançava com seu movimento sinuoso,
teria parecido que a casa refletida se locomovia como um
disco voador. Os comentários de McDonald a este respeito
são sarcásticos:

Bem, pode ser que um leigo engula esta explicação. Mas,
para quem tem noção básica de física da reflexão e, em
particular, das propriedades da atmosfera, (...) é
simplesmente absurda a sugestão de que há "camadas de
cerração" com gradientes com índices de refração fortes o
bastante para gerar reflexos visíveis de luzes de janela.
Porém, nas explicações de Menzel, reflexos de luz
originários de camadas de cerração são de fato uma vista e
tanto. E é isto que eu não alcanço entender.

Apesar de o artigo de McDonald ter sido elaborado apenas
para editores de jornal sem jamais ter sido publicado, ele
chegou a escrever um artigo sobre óvnis para o jornal
Astronautics and Aeronautics (Astronáutica e Aeronáutica).
Trata-se do estudo minucioso de um episódio de julho de
1957, em que um RB-47 da Força Aérea, tripulado por seis
oficiais, foi seguido por um objeto luminoso e altamente
manobrável por cerca de uma hora e meia desde o
Mississippi, passando por Louisiana e o Texas, até Oklahoma
(veja páginas 225-26). Este caso é significativo por ter
envolvido a observação do objeto simultaneamente pela
visão humana, pelos radares da base aérea e do avião e pelo
equipamento de alarme eletrônico do avião.
Lamentavelmente, a mesma edição que publicou este artigo
também anunciou o óbito de McDonald, que parece ter
cometido suicídio no deserto próximo a Tucson em 13 de
junho de 1971. Na nota de óbito incluiu-se a seguinte
declaração, que nos remete ao tema de ridicularização,
ciência e óvnis:

A história do problema óvni tem sido marcada por eventos
incomuns e trágicos. Homens responsáveis por admiráveis
conquistas científicas têm-se deixado levar por pontos de
vista os mais controversos. Outros têm-se tornado vítimas
de ataques mordazes ou, o que é talvez pior, do ridículo.
MacDonald foi um deles.

Estudos científicos recentes sobre óvnis

Em anos mais recentes, tem persistido a tendência da
comunidade científica de desdenhar o assunto dos óvnis. No
entanto, em 1982, treze professores de ciência de
universidades americanas renomadas fundaram a Sociedade
para Exploração Científica. O propósito explícito desta
sociedade é promover o estudo de fenômenos anômalos que
os cientistas tendem a negligenciar, e ela publica um jornal
técnico de referência intitulado Journal of Scientific
Exploration (Jornal de Exploração Científica). Além de vir
publicando uma série de artigos sobre óvnis, este jornal
também publica artigos sobre fenômenos paranormais.
Um dos artigos publicados no Journal of Scientific
Exploration descrevia com bastante minúcia a reação da
NASA a uma recomendação, feita em 1977 pelo assessor de
assuntos científicos do presidente Carter, no intuito de se
formar um comitê de inquérito sobre os óvnis. O autor do
artigo, Dr. Richard Henry, fez algumas observações acerca
dos motivos para a NASA ter rejeitado esta recomendação.
O principal motivo era o medo do ridículo. Conforme
palavras do próprio Henry, os óvnis são como um boneco
de piche e, "uma vez que um cientista toque no boneco de
piche, como é o meu caso, corre o risco de ficar cada vez
mais grudado nele. Eu não tenho estômago para isto." Outro
motivo importante era o fato de os estudos sobre óvnis
solaparem os fundos já escassos destinados a outros projetos
científicos prioritários.
Em 1977, o governo francês criou uma comissão civil de
estudos científicos sobre óvnis. Esta comissão, inteiramente
subsidiada com recursos federais, chama-se Grupo de
Estudos de Fenômenos Aeroespaciais Não-identificados
(GEPAN). A comissão produziu um relatório de quinhentas
páginas em cinco volumes, que em 1978 foi resumido da
seguinte forma pelo sociólogo Dr. Ronald Westrum:

A maior parte da obra foi dedicada a onze casos de alta
credibilidade e grande estranheza (...) [que] foram estudados
com bastante minúcia; apenas dois deles mostraram ter uma
explicação convencional. Os outros nove dão a entender
que a distância entre as testemunhas e os objetos era de
menos de 250 metros. Dos cinco volumes do relatório, três
foram inteiramente dedicados à análise desses onze casos,
todos, exceto um são anteriores a 1978. O mais antigo data
de 1966. Dois deles tratavam de visões de humanóides.
A análise e a investigação de cada caso foram realizadas por
uma equipe de quatro pessoas; a equipe contava com um
psicólogo, que aplicava um exame psicológico paralelo,
relevante para a avaliação do depoimento das testemunhas.
Comparativamente, o esmero com que foram avaliados
distanciamentos, ângulos e fatores psicológicos faz o grosso
do Relatório Condon parecer muito medíocre. Em muitos
casos, as investigações estabeleciam verdadeiros modelos
didáticos de como as mesmas devem ser levadas a cabo.
A razão do número de casos sem explicação convencional
para o número total de casos dependerá do processo de
triagem utilizado para se chegar ao conjunto inicial de casos.
Se os casos forem aceitos sem discriminação, então, esta
razão poderá ser muito baixa, fato que poderá ser usado para
argumentar que o "resíduo inexplicado" de visões é
insignificante. O Projeto Blue Book, por exemplo,
relacionou 10.147 visões no período de 1947 a 1965, 646
das quais, ou seja, cerca de 6%, foram tidas como
inexplicadas. Em seu depoimento perante o Congresso em 5
de abril de 1966, o ministro da Aeronáutica Harold Brown
descartou este pequeno resíduo, dizendo que, com efeito,
devido às imperfeições contidas nos relatórios, não é de se
esperar que tudo tenha explicação:

As restantes 646 visões relatadas são aquelas cuja informação
disponível não fornece uma base adequada para análise, ou
para as quais a informação sugere uma hipótese, mas não se
pode provar que o objeto ou fenômeno que a explica tivesse
estado aqui ou acontecido naquele dado momento.

Na França, os relatos sobre óvnis também foram
investigados pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais
(CNES), o equivalente francês da NASA. Em 1989, J. J.
Velasco, em depoimento feito numa conferência da
Sociedade para Exploração Científica, dos Estados Unidos,
afirmou que 38% dos casos de óvnis estudados pelo CNES
permaneciam não-identificados como fenômenos naturais.
Tudo indica, portanto, que o CNES utilizou procedimentos
de triagem mais rígidos do que a Força Aérea americana,
sendo que os casos estudados pelo GEPAN foram avaliados
com mais rigidez ainda.
As conclusões do estudo do GEPAN contrastam agudamente
com as conclusões de Harold Brown, ministro da
Aeronáutica americano:

Para nove dos onze casos, concluiu-se que as testemunhas
haviam presenciado um fenômeno material impossível de
ser explicado como um fenômeno natural ou um invento
humano. Conforme uma das conclusões da íntegra do
relatório, por trás do fenômeno como um todo, existe uma
"máquina voadora cujas modalidades de sustentação e
propulsão estão além de nosso conhecimento".

Desta forma, ao invés de verem falta de provas de uma
explicação natural no "resíduo desconhecido", os cientistas
do GEPAN viram provas positivas de uma máquina voadora
inexplicável.
Em suma, o objetivo deste capítulo tem sido demonstrar que
a questão ufológica tem merecido a séria atenção de um
número razoável de cientistas respeitáveis, além de ter sido
tema de debate em fóruns científicos oficiais. Isto sugere
não ser possível simplesmente descartar o fenômeno
ufológico como sendo algo disparatado ou pseudocientífico.
Ao mesmo tempo, muitos dos fenômenos relatados parecem
ser incompatíveis com abalizados princípios científicos,
enquanto outros, de tão bizarros, violam as normas de bom
senso vigentes na sociedade moderna. Muito embora alguns
cientistas renomados tenham argumentado que os relatos
sobre tais fenômenos deveriam ser estudados com seriedade,
outros há que os têm denunciado com muita veemência.
Isto, aliado à tendência natural das pessoas para rejeitar
histórias bizarras, tem rodeado o tema ufológico com uma
aura de ridicularização que acaba dificultando o estudo sério
do assunto.

2
Contatos imediatos de diversos graus

Nos Estados Unidos, costuma-se dizer que a história dos
óvnis teria começado com a famosa visão de Kenneth
Arnold, um homem de negócios de Boise, Idaho. Pilotando
seu avião particular no estado de Washington, em 24 de
junho de 1947, Arnold avistou nove objetos brilhantes e
chatos voando enfileirados perto do monte Rainier, e
comparou o peculiar movimento daqueles objetos ao de um
disco ricocheteando sobre a água. Um repórter, inspirado
pela descrição, cunhou a expressão "discos voadores",
popularizada à medida que assomavam ondas de relatos
sobre estranhos objetos vistos nos céus.
Surpreendentemente, com o transcorrer dos anos, o número
de relatos não diminuiu. Pelo contrário, além de persistir em
países do mundo todo, o fenômeno prossegue até hoje.
Como já vimos, muitos desses objetos voadores não-
identificados, ou óvnis, não se enquadram muito bem em
teorias científicas consagradas, e por isso têm mostrado ser
motivo de embaraço para os cientistas. Conforme se
constatou, alguns deles eram estranhos o bastante para
escandalizar a visão de mundo de praticamente qualquer
pessoa. Neste capítulo, apresentarei uma visão geral dos
típicos contatos com óvnis que as pessoas têm relatado.
Para começar, tecerei alguns comentários sobre minha
forma de abordar as provas da existência de óvnis. Todo este
conjunto de provas consiste em histórias narradas por
testemunhas. Conforme mencionei na Introdução, mesmo
"provas concretas" sob a forma de fotografias ou vestígios de
aterrissagem resultam insignificantes se não vêm
acompanhadas de algum testemunho pessoal. Suponhamos
que alguém apresente, por exemplo, uma amostra de metal
de composição incomum e diga tratar-se de parte de um
óvni. Considerando ser este um testemunho válido, a
amostra de metal poderá revelar-nos algo sobre o material
com que o óvni foi feito. Mas, sem este testemunho, a
amostra não nos servirá para nada. Deste modo, a evidência
crucial, em se tratando de casos de óvnis, é sempre
anedótica — o que simplesmente quer dizer que ela consiste
em testemunho humano.
Ao recontar as experiências das pessoas com os óvnis, eu
costumo apenas narrar os fatos como me foram ditos.
Entenda-se, contudo, que esta é, em geral, a história contada
pela testemunha ao investigador. Em outros casos, trata-se
daquilo que um autor extraiu do relato feito por um
investigador sobre o que uma testemunha lhe contou.
Poucos são os casos em que a própria testemunha me conta
a sua história.
A abordagem segundo a qual confiamos no testemunho de
outrem é de uso universal no âmbito da ciência. Por
exemplo: o que sabemos do que Michelson e Morley
fizeram em seu famoso experimento com o interferômetro
depende por completo do testemunho humano e da
transmissão deste testemunho por meio de relatos escritos.
Poucos levantariam objeções à história de Michelson e
Morley. Contudo, no caso das bizarras histórias associadas
aos óvnis, é possível objetar que o testemunho humano não
é confiável e salientar as muitas falhas da mente e dos
sentidos humanos. Mesmo levando em conta estas falhas, o
testemunho humano é tudo de que dispomos.
Sugiro ser errôneo fazer objeções a testemunhos bizarros só
por eles serem bizarros. Fazê-lo seria legislar que apenas
afirmações convencionalmente aceitáveis podem ser
admitidas como provas. Isto seria correto se a natureza
absorvesse nossas noções do que seria aceitável, mas é bem
possível que a natureza não se comporte assim. Portanto,
prefiro adotar a estratégia de dar crédito ao testemunho
humano e reconhecer que as objeções a este falível
testemunho também dependem do também falível
julgamento humano.
Ao analisarmos relatos sobre óvnis, é importante termos um
entendimento claro do que vem a ser um óvni. Este termo
poderia ser usado para referir-se a praticamente qualquer
coisa vista no céu, ou em terra, que pareça incomum ou
inexplicável. No entanto, com base no uso social que
remonta à época da visão de Kenneth Arnold, o termo em
geral se refere a algo parecido com um veículo
desconhecido e guiado por alguma espécie de inteligência.
"Desconhecido" neste contexto significa que a manifestação
observada não se assemelha a fenômenos naturais
conhecidos ou a conhecidos objetos feitos pelo homem.
A expressão "veículo guiado por alguma espécie de
inteligência" quer dizer que a manifestação ou se assemelha
a um objeto fabricado, ou se comporta de determinada
forma sugestiva de inteligência. Por exemplo: se algo tem
aspecto metálico, suavemente curvo e simétrico, podemos
dizer que parece um objeto fabricado. Esta impressão se
acentua ainda mais se o objeto parece ser dotado de janelas,
portas ou trem de aterrissagem. Em alguns casos, embora só
se veja uma luz distante, os movimentos da luz podem
sugerir uma orientação inteligente. Deste modo, se a luz se
movimentar em diferentes direções, as testemunhas poderão
achar que não se trata de um meteoro ou um satélite. Se,
além disso, a luz parecer mover-se de unia maneira que não
seria de se esperar no caso de um balão ou uma nave aérea,
então, poderão chamá-la de óvni.
Como podemos ver a partir daí, sendo um óvni considerado
como qualquer coisa, menos algo não-identificado, a
expressão "objeto voador não-identificado" é uma
designação errônea. Chamar algo de óvni quer dizer que se
trata de um tipo específico de fenômeno, conforme definido
acima. Deste modo, por vezes encontraremos quem diga:
"Não era um avião nem uma estrela. Era um óvni autêntico."
Isto não significa que o fenômeno observado era
autenticamente não-identificado. Significa, antes, que se
deseja identificar o fenômeno como uma manifestação
desconhecida que aparenta ser um veículo guiado por
alguma espécie de inteligência.
Algumas das visões de óvnis envolvem luzes distantes vistas
à noite, objetos de aparência sólida vistos durante o dia ou
objetos detectados pelo radar. J. Allen Hynek classifica-as
como luzes noturnas, discos diurnos e casos de radar. Nesta
última classificação, incluem-se visões por meio do radar em
que, segundo se constatou, uma observação visual se
correlacionava fortemente com observações de radar. Alem
disso, há os chamados contatos imediatos (CI), categorizados
por Hynek da seguinte maneira:

CI1: Objetos vistos em terra ou a uma distância próxima do
observador.
CI2: O mesmo que CI1, mas com nítidos efeitos sobre o
meio ambiente, os observadores ou os instrumentos, tais
como áreas chamuscadas, ressecadas ou impactadas, paralisia
temporária da testemunha ou interferência com
aparelhagem elétrica.
CI3: Visão de entidades alienígenas, quer sozinhas, quer
acompanhadas de um óvni.

Os contatos imediatos do terceiro grau (ou CI3) envolvem
material estranhíssimo. É comum histórias em quadrinho
associarem discos voadores a "homenzinhos verdes". Desde
fins dos anos 40, tem sido pouco divulgado o relato regular
da presença, junto com os óvnis, de seres semelhantes aos
humanos. Estes seres, dotados de variados formatos e
tamanhos, costumam ter estatura baixa, mas raramente são
verdes. Por tenderem a ter formas semelhantes à humana,
são chamados de humanóides.
Em alguns casos, estes seres são apenas vistos, ao passo que,
em outros, segundo se diz, eles se comunicam, quase
sempre por telepatia. Na maioria dos relatos de casos CI3, os
seres não fazem captura física das testemunhas, embora às
vezes as ensurdeçam ou paralisem-nas temporariamente.
Nos últimos anos, contudo, tem havido muita publicidade
em torno de um subgrupo dos casos CI3 em que, segundo se
relata, alienígenas raptam humanos com agressividade e os
levam a bordo de seus veículos. São os chamados raptos por
óvnis ou contatos imediatos do quarto grau (CI4).
Examinarei os casos CI3 sem rapto neste capítulo e deixarei
os raptos por óvnis para o Capítulo 4.
Em ainda outro tipo de contato com óvni, não incluído nas
quatro categorias de contato imediato, a testemunha
estabelece uma relação amistosa com humanóides
alienígenas, mantém prolongadas conversas com eles e pode
até ser levada para passear em seus veículos. Estes chamados
casos de contato, tidos como infames entre os investigadores
de óvnis, costumam ser rotulados como embustes. Muitos
provavelmente o são, mas, conforme argumentarei no
Capítulo 5, parece haver uma série contínua de casos
estendendo-se desde casos de CI4 até casos de contato
plenos. Por ser muito difícil traçar uma nítida linha divisória
entre esses dois tipos de casos, é preciso levar ambos em
consideração em um estudo de provas da existência de
óvnis.
As estatísticas sobre os números de visões de óvnis são
sobremodo variáveis. Conforme mencionei no Capítulo 1,
entre 1947 e o final de 1965, a Força Aérea americana
acumulou 10.147 relatos sobre óvnis. É possível inclusive
pensar que isto dá uma boa idéia de quantas visões de óvnis
realmente acontecem. Contudo, até 1981, o Centro para
Estudos sobre Óvnis de Illinois já havia reunido, em um
arquivo computadorizado chamado UFOCAT, cerca de
sessenta mil relatos sobre óvnis oriundos de 113 países. Este
arquivo, iniciado pelo Dr. David Saunders, após ele ter se
vinculado à equipe Condon de estudos sobre óvnis, abrange
o período de 1967 a 1981. Dentre os sessenta mil casos
arquivados no UFOCAT, cerca de dois mil envolvem casos
de CI3 e duzentos são casos de CI4.
Evidentemente, o número de relatos sobre óvnis em
qualquer coletânea dependerá dos critérios de seleção e do
número de pessoas empenhadas em coligir os citados
relatos. Portanto, é muito difícil avaliar o número total de
visões de óvnis em qualquer período de tempo determinado
ou em qualquer parte do mundo.
Escrevendo em 1990, Vallee avaliou poder oscilar entre três
mil e dez mil o número de casos de contato imediato de que
se tinha conhecimento naquela época. Segundo argumentou
ainda, a média de casos de contato imediato realmente
relatados seria de um para dez. Tomando cinco mil como
uma estimativa do número de casos conhecidos, isto
significa dizer que poderão ter de fato ocorrido cinqüenta
mil contatos imediatos. Como os casos conhecidos se
concentram na Europa, nas Américas do Norte e do Sul e na
Austrália, seria possível obter o dobro de casos, sustentou
Vallee, se fosse possível realizar um rastreamento completo
de casos no mundo inteiro. Isto resultaria numa estimativa
de cem mil contatos imediatos.
Segundo constatou Vallee, os contatos imediatos tendem a
ser noturnos, atingindo um auge mais significativo às 21h e
outro menos significativo por volta das 3h. No entanto,
como as pessoas costumam estar dormindo entre 21h e 3h,
o número de testemunhas em potencial é menor neste
período. Fazendo uso da estatística para calcular o número
de pessoas ativas fora de casa em diferentes momentos do
dia, pode-se computar uma curva para contatos com óvnis
por observador disponível. Ela apresenta crescimento
regular a noite inteira e atinge seu auge por volta das 3h.
Conforme sugeriu Vallee, esta curva poderia delinear um
quadro fiel da atividade ufológica em função do momento
do dia, o que implica um nível genérico de atividade
quatorze vezes superior ao nível de fato relatado. Ele
também observou que os casos de CI4 registram um auge
pronunciado entre 20h e meia-noite.

Falsos relatos sobre óvnis

Um aspecto notório da controvérsia em torno dos óvnis é o
fato de as pessoas tenderem a confundir diversos objetos ou
fenômenos conhecidos com óvnis. Isto é bem analisado no
Casebook of a UFO Investigator (Histórico de uma
investigação sobre óvni), de Raymond Fowler, que salienta
algumas causas para falsos relatos sobre óvnis:

Objetos voadores feitos pelo homem: luzes de aviões, aviões
de propaganda com sinais multiluminosos, o dirigível da
Goodyear, exercícios militares de reabastecimento,
aeroplanos amadores (asas-delta), pipas, fogos de artifício,
balões de gás de criança, balões meteorológicos, balões de
pesquisa de diversos tipos, lançamento e regresso de
foguetes, nuvens de sódio e bário expelidas por foguetes para
testes atmosféricos, satélites (e o regresso deles) e chamas
caindo de naves militares.
Fenômenos naturais: miragens, relâmpagos, aves, meteoros
(bolas de fogo, bólides), estrelas (por exemplo: Sirius, Capella
e Arcturus no hemisfério norte), planetas (Vênus, Marte,
Júpiter e Saturno) e a lua (freqüentemente quando cheia e
próxima do horizonte).

Para se ter uma idéia da freqüência com que se fazem essas
identificações equivocadas, comenta Fowler, nos primeiros
seis meses de 1978, o canal receptor de informações do
Centro para Estudos sobre Óvnis recebeu 452 relatos sobre
óvnis atribuídos a objetos comuns. Entre estes, 210 eram de
aviões, 127 de estrelas ou planetas e 54 de meteoros.
Devido à autocinese, um processo causado pelo movimento
dos olhos, pode parecer que as estrelas estão se mexendo.
Também pode parecer que existem corpos celestes
acompanhando um carro em movimento porque, numa
estrada reta, a posição deles em relação ao carro
permanecerá a mesma. Um amigo meu, por exemplo,
relatou ter sido seguido certa noite por uma luz que pairava
sobre o Oceano Pacífico enquanto dirigia de San Diego para
Los Angeles. Mas Vênus, estando em muito destaque no céu
noturno àquela época, teria estado visível à esquerda dele
durante a maior parte da viagem.
Talvez ele tenha visto Vênus e pensado que era um óvni.
Devo enfatizar, contudo, que o simples fato de se poder dar
uma explicação deste tipo para determinado caso não
significa que a mesma seja necessariamente correta. Pode ser
que dados adicionais acabem por indicar que o objeto visto
era mesmo incomum.
Outras causas para relatos falsos sobre óvnis são as
alucinações provocadas por drogas, álcool ou insanidade
mental. Há, ainda, os embustes — balões de gás,
bumerangues e modelos fotografados por crianças, bem
como fraudes requintadas criadas por adultos. Segundo
salienta Fowler, os embustes — na maior parte das vezes
travessuras de crianças em idade escolar — representam
uma percentagem mínima dos relatos sobre óvnis.
As visões de objetos relativamente distantes poderiam ser
atribuídas a leves erros de percepção ou a meros embustes.
No caso de contatos imediatos simulados, porém, parece ser
necessária alguma causa mais forte. Quando uma pessoa
relata ter visto um humanóide de perto, fica parecendo que
(1) ela realmente viu um ser incomum, (2) viu uma ilusão de
semelhante ser projetada por uma causa desconhecida, (3)
viu um embuste tramado por algum ser humano, (4)
experimentou uma alucinação, (5) usou de má-fé. Para
avaliarmos as opções (4) e (5), é importante termos
condições para averiguar o caráter, a saúde mental e as
motivações pessoais das testemunhas de casos de contato
imediato.
Ao passo que as testemunhas de certos casos são
mentalmente desequilibradas, as de outros se revelam
vigaristas, dispostas a conquistar dinheiro e influência
explorando os ingênuos. No entanto, há inúmeros casos de
testemunhas sãs e responsáveis que não lucram nem se
tornam famosas com suas experiências e que costumam
preferir o anonimato para evitar o ridículo. Nestes casos,
encontram-se algumas das provas mais convincentes das
experiências de contato imediato. Mas pode-se alegar,
mesmo assim, que falhas de percepção e memória em
pessoas mentalmente sãs poderiam gerar relatos sobre
experiências bizarras. Discutirei esta possibilidade com mais
minúcia na seção seguinte.
É possível que os relatos de pessoas mentalmente sãs
também se devessem a embustes requintadíssimos, que
poderiam ainda contar com um considerável apoio de verba
e mão-de-obra. Por alguma razão nefasta, certos seres
humanos poderiam raptar alguém e tentar transformar este
delito num rapto por óvni. Fantasiados de alienígenas, os
raptores poderiam não só alterar a consciência da vítima
com o auxílio de drogas e hipnose, mas também levá-la para
um cenário alienígena de estilo hollywodiano.
Há, de fato, casos em que algo deste tipo pode muito bem
ter acontecido. Por exemplo: num caso de rapto relatado por
Jenny Randles, investigadora de óvnis britânica, uma mulher
parece ter sido raptada, drogada e programada com sugestões
pós-hipnóticas. Ao passar a lembrar-se, mais tarde, dos
detalhes do episódio, ela repetiu o que um de seus raptores
comentou em tom divertido: "Vão pensar que são discos
voadores."
Neste caso, os raptores tinham aparência inteiramente
humana, e o local para onde levaram a mulher parecia ser
uma casa comum. Não ficaram bem claras as intenções deste
rapto. Por que, por exemplo, dar-se ao trabalho de
representar um falso rapto por óvni, e estragar tudo fazendo
comentários diante da vítima? Conforme veremos adiante,
contudo, muitos casos de contatos imediatos com óvnis
apresentam aspectos que seriam bastante difíceis de serem
simulados por seres humanos. Se conspiradores humanos
estivessem simulando contatos imediatos com óvnis, seria
necessário em geral, um tremendo investimento secreto em
mão-de-obra e efeitos especiais de Hollywood.
Parece improvável que se esteja levando a efeito tamanho
esforço. Contudo, devo mencionar um possível motivo para
se representarem ocasionais embustes elaborados. Isto
poderia estar sendo feito para confundir as pessoas com
histórias falsas e — à medida que se expõem os embustes —
convencê-las da fraudulência de todas as provas da
existência de óvnis. Existe, também, o método de desiludir
as pessoas, começando-se com um embuste crível para em
seguida escalá-lo até o ponto de completa incredibilidade.
Faço menção disto apenas como uma possibilidade a ser
levada em conta, e a examinarei com mais minúcia no
Capítulo 3 (páginas 137-43).

Sobre erros de percepção a falhas de memória

O psiquiatra Ian Stevenson faz algumas observações sobre
erros de percepção e falhas de memória que podem ser
aplicadas à avaliação de relatos sobre óvnis. Stevenson
passou muitos anos estudando o que ele chama de casos
espontâneos no campo da parapsicologia. São casos em que
uma pessoa relata alguma experiência ostensivamente
paranormal e fora do âmbito de uma situação laboratorial
controlada. Entre eles, incluem-se impressões telepáticas e
premonitórias, experiências extracorporais, lembranças de
vidas passadas, casos de poltergeist e aparições.
Especializando-se no estudo de memórias de vida pregressa
em criancinhas, Stevenson estudou a fundo o uso de
entrevistas com testemunhas como o principal método de
pesquisar estes casos.
Apresentarei um resumo de algumas considerações tecidas
por Stevenson quanto à avaliação da evidência de casos
espontâneos. Apesar de ele não ter mencionado óvnis em
sua análise, suas observações são bastante relevantes para a
avaliação dos relatos sobre este fenômeno.
Segundo um de seus primeiros comentários, os adjetivos
"autêntico" e "comprobatório" aplicam-se aos casos
espontâneos. Um caso é autêntico se as testemunhas e o
material relatado são confiáveis a ponto de se poder acreditar
que os eventos em questão aconteceram conforme o
relatado. É comprobatório se é autêntico e há justificativa
para se pensar que o caso apresenta aspectos paranormais.
J. Allen Hynek expressa idéias semelhantes. Ele fala de um
índice de credibilidade e um índice de estranheza. O índice
de credibilidade mede a confiabilidade das testemunhas de
óvnis, de conformidade com suas reputações, históricos
médicos, ocupações, agudeza de visão e outros fatores. Casos
de uma única testemunha, diz ele também, não devem
"merecer credibilidade superior a um quarto de escala". O
índice de estranheza mede até que ponto os eventos
relatados parecem opor-se a explicações feitas segundo
termos físicos normais. Assim como Hynek supõe existirem
casos de óvnis de alta credibilidade e estranheza, Stevenson
supõe, da mesma forma, existirem casos espontâneos que
são autênticos e comprobatórios.
Um defeito de muitos casos espontâneos, salienta
Stevenson, é o fato de só terem sido descritos bem depois de
terem acontecido. Isto também ocorre com muitos (mas de
forma nenhuma com todos) casos de óvnis. Resulta que, em
vista do fato de as memórias humanas tenderem a desgastar-
se com o tempo, os relatos podem vir a ser enxertados com
reconstituições ou matéria suplementar. Contudo, como
frisa Stevenson, a retenção de minúcias na memória
depende da intensidade emocional da experiência, da
repetição e da motivação para a lembrança. Muitas
experiências paranormais envolvem um alto grau de
intensidade emocional e motivação para a lembrança. O
mesmo é relatado por muitas testemunhas de contatos
imediatos com óvnis.
Stevenson prossegue destacando quatro casos em que se
poderia demonstrar o fato de testemunhas terem retido boa
memória de experiências para-normais, depois de
transcorridos vários anos. Conforme um dos exemplos, em
1909 um homem escreveu um relato minucioso de um
sonho, aparentemente premonitório, que ele tivera em
1902. Oito anos mais tarde, a esposa dele escreveu outro
relato sem consultar quaisquer anotações nem discutir o
caso com ele. Este relato diferia em apenas um único detalhe
mínimo do relato anterior. Em todos os quatro casos,
salienta Stevenson, havia não apenas pouca perda de
minúcia como também pouca elaboração de novas minúcias.
Costuma-se acusar sensitivos, em casos espontâneos, da
tendência a embelezarem suas memórias com o passar do
tempo, o que impossibilita descobrir mais tarde o que eles
experimentaram a princípio. Apesar de admitir tal
tendência, Stevenson diz: "Em minha própria experiência, é
muito raro alguém embelezar os principais fatores de um
relato." Ele diz ter averiguado isto diversas vezes ao abordar
uma testemunha de surpresa, após um ou vários anos, e
entrevistá-la de novo acerca de suas experiências. Não tenho
conhecimento de alguma característica de testemunhas de
óvnis que as fizesse mais propensas ao embelezamento do
que as testemunhas de eventos paranormais que não
envolvem óvnis.
Segundo observa Stevenson, o embelezamento é mais
suscetível de ocorrer em relatos feitos por terceiros do que
no caso de testemunhas primárias. Contudo, mesmo estes
terceiros nem sempre embelezam o caso. Comenta ele:
"Com bastante freqüência, quando não quase sempre, eles
omitem detalhes importantes e, deste modo, diminuem a
comprovação do caso."
Estas tendências poderiam ter um sério efeito sobre os
relatos de óvnis apresentados em textos secundários. Talvez
os autores de livros sobre óvnis estejam mais propensos a
distorcer depoimentos do que muitas testemunhas originais.
A única maneira pela qual alguém poderá se proteger contra
isto será estando ciente das reputações de quantos escrevam
sobre óvnis e identificando as preferências de apresentações
específicas através do rastreamento de uma ampla variedade
de livros e relatos. Minha impressão pessoal, após ter feito
um amplo rastreamento da literatura da área, é que
determinados autores populares tendem, de fato, a inserir
suas próprias preferências nos relatos sobre óvnis. Eles
costumam fazer isto omitindo aspectos dos relatos sobre
óvnis que não se enquadrem em suas hipóteses favoritas.
Outro problema com referência a relatos de casos
espontâneos é a observação equivocada. Faz parte de muitos
estudos realizados por advogados e psicólogos forenses
dramatizar-se um evento perante testemunhas, para em
seguida contarem o acontecido. Observa-se a grande
freqüência com que as testemunhas cometem erros ao
relatarem o que viram. Por exemplo: num confronto armado
simulado, elas talvez não logrem identificar corretamente
quem sacou a arma primeiro.
Segundo comenta Stevenson: "Apesar de tais experimentos
serem sem dúvida relevantes para o nosso campo de
pesquisa, eu me oponho mesmo assim a usá-los como forma
de rejeitar toda espécie de testemunho humano em casos
espontâneos." Uma das razões que ele deu para isto é o fato
de testemunhas poderem confundir-se com relação a
detalhes que são cruciais num tribunal, tais como quem
sacou a arma primeiro. Mas nada as confunde quando se
trata do fato básico de o evento em si ter ocorrido — neste
caso, a alegação de que sacaram armas.
Suponhamos, por exemplo, que um homem tenha ido ao
banco e, justamente enquanto espera na fila para descontar
um cheque, tenha ocorrido um assalto. Ao relatar o
acontecido durante o assalto, é bem possível que ele se
confunda a respeito de uma série de detalhes.
Suponhamos, agora, que o mesmo homem tenha ido ao
banco, descontado seu cheque e voltado para casa sem
experimentar nenhum incidente. Chegando em casa, ele
não apenas diz ter ocorrido um assalto enquanto estava no
banco como também insiste no fato de ter uma vivida
lembrança do mesmo. Na certa, o erro crasso nesta história
será muito mais evidente do que os erros revelados pelos
experimentos com eventos simulados. Neste caso, ou o
homem está mentindo ou está padecendo de um grave
distúrbio mental. Pode-se usar o mesmo argumento no que
diz respeito a contatos imediatos com óvnis.
Outro detalhe: testemunhas que ouvem afirmações
enganosas sobre o que aconteceu numa cena simulada
podem se deixar influenciar pelas mesmas, o que poderá
fazer com que prestem falso testemunho. Porém, isto tende
a limitar-se a minúcias sobre as quais as pessoas
provavelmente não teriam certeza, muito embora estas
mesmas minúcias sejam cruciais num julgamento. Após um
evento ter acontecido, por exemplo, pode ser que uma
testemunha não tenha certeza da cor da camisa de um
participante. Se lhe dizem que era vermelha, ela pode até se
convencer de que isto é verdade, e assim poderá imaginar
que a camisa era mesmo vermelha.
Suponhamos, porém, que, após pacificamente descontar um
cheque no banco, um homem seja repetidas vezes
informado de um assalto armado envolvendo seis homens
mascarados e ocorrido enquanto ele estava no banco. Acaso
isto o induzirá a lembrar-se do assalto, apesar de não ter
havido distúrbio algum no banco? Caso sim, ficará
parecendo que o homem padece de um grau incomum de
sugestibilidade, uma condição que na certa teria sido
percebida por seus amigos, colegas de trabalho e familiares.
Conforme se argumenta às vezes, erros de testemunho
humano em casos espontâneos "são quase todos no sentido
de consolidar crenças favoráveis já consagradas acerca de
eventos paranormais, por parte daquele que os percebe e
seus corroboradores". Logo, existe a tendência de alegações
bizarras serem feitas por crentes cujos erros motivados
ampliam uma experiência normal a fim de que ela pareça
paranormal.
Stevenson diz ter encontrado casos deste tipo de ampliação.
Isto é provável de acontecer, especialmente em se tratando
de pessoas que buscam fama ou dinheiro mediante a
divulgação de suas experiências. Contudo, muitas pessoas
que relatam eventos paranormais, salienta ele, só o fazem
após muita relutância por temerem o ridículo ou sugestões
de insanidade. Além disso, "muitos indivíduos insistem que,
antes de suas experiências, eles não tinham convicções
formadas ou conhecimento acerca das experiências
estudadas pela parapsicologia". Essas pessoas, sugere ele, não
tendem a transformar eventos normais em paranormais,
podendo, inclusive, tentar fazer o contrário. Observações
muito semelhantes têm sido feitas por investigadores de
contatos imediatos com óvnis.

Um contato imediato bem corroborado

Passo agora a analisar a fundo alguns casos de contato
imediato. O primeiro caso, apesar de ser um típico contato
imediato com óvni em termos de conteúdo, apresenta um
número incomum de testemunhas oculares, aparentemente
independentes, que prestam testemunho corroborador. O
investigador original deste caso foi Budd Hopkins,
pesquisador de óvnis da cidade de Nova York, cujo relato
resumo a seguir.
Em janeiro de 1975, George O'Barski, um astuto nova-
iorquino de 72 anos de idade, viajava de volta a casa, em
North Bergen, New jersey, após ter fechado sua loja de
bebidas em Manhattan e ter contabilizado e reabastecido
suas prateleiras. Era por volta de uma ou duas horas da
manhã. Em North Hudson Park, vindo de Manhattan e
atravessando o Hudson, enquanto o rádio de seu carro
começava a detectar interferências, um objeto de
extraordinária luminosidade passou a uns trinta metros à
esquerda do carro. Emitindo um zumbido discreto, parou
numa área de recreação à frente do carro. Incrédulo,
O'Barski aproximou-se da área e viu uma nave arredondada
de nove metros de comprimento que agora pairava a três
metros acima do solo. A nave tinha janelas a intervalos
iguais, medindo cerca de trinta centímetros de largura por
um metro de altura. Tendo a nave baixado a uma altura de
um metro do solo, abriu-se uma porta entre duas das janelas;
então, de nove a onze pequenas figuras com capacetes e
vestes inteiriças assomaram à porta e desceram usando uma
espécie de escada. Tinham entre 90 centímetros e um metro
de altura e pareciam crianças trajando roupas de inverno.
Enquanto O'Barski, aterrorizado, prosseguia dirigindo
devagar e observando tudo aquilo, os seres, parecendo
ignorá-lo, enchiam as bolsas que traziam consigo de terra,
colhida com ferramentas parecidas com colheres. Após
terem feito isto, eles reentraram na nave depressa e
ascenderam, rumando para o norte. Segundo avaliou
O'Barski, o episódio inteiro durou cerca de quatro minutos.
Ele recordou-se do mesmo conscientemente, sem recorrer à
hipnose.
Na manhã seguinte, O'Barski retornou ao local, viu os
buracos feitos pelas entidades escavadoras e tocou em um
deles com a mão para convencer-se de que eram reais. Diz
ele: "Um homem da minha idade narrando uma história
assim — isto seria caso de internação. Se você tivesse vindo
aqui um ano atrás e me contado a mesma história, eu
também não teria acreditado em você."
Acontece, porém, que Iiopkins conseguiu encontrar outras
pessoas que teriam visto o mesmo objeto voador. Sua
segunda testemunha foi um homem chamado Bill
Pawlowski, porteiro do Stonehenge, edifício situado
próximo ao sítio do pouso em Hudson Park. Segundo o
depoimento de Pawlowski, ele estava de plantão no prédio
às duas ou três da manhã em certo dia de janeiro de 1975.
Olhando na direção do parque adjacente, avistou uma fileira
de dez a quinze luzes brilhantes, situadas uniformemente
lado a lado e que, rodeadas por uma massa escura, pareciam
estar a uns três metros do solo. Aproximou-se da janela para
poder ver aquilo melhor; virou-se, então, para interfonar
para um inquilino do prédio. Naquela altura, foi
surpreendido por uma vibração aguda e um som de
estampido. O vidro da janela havia sido quebrado por algo
que o atingira de fora, segundo se constatou mais tarde.
Quando Pawlowski voltou a olhar para fora, as luzes já
tinham desaparecido. Ele relatou o incidente à polícia de
North Bergen, que veio examinar a janela. Mas teve a
discrição de evitar mencionar as estranhas luzes avistadas no
parque. Mais tarde, contudo, relatou o incidente ao tenente
de polícia Al Del Gáudio, que morava no prédio. Segundo
Del Gáudio — disse a Hopkins, embora se lembrasse de ter
ouvido a história de Pawlowski sobre a "coisa grande com
luzes" —, ele a rejeitara por considerá-la inacreditável.
Frank Gonzalez, outra testemunha localizada por Hopkins,
trabalhava como porteiro no Stonehenge nas noites de folga
de Pawlowski. Ele avistara um objeto semelhante no mesmo
lugar, entre duas e três horas da manhã do dia 6 de janeiro,
seis dias antes da visão de O'Barski. Descreveu sua
experiência da seguinte maneira: "Sabe, vi algo redondo e
muito brilhante (...) com algumas janelas. Ouvi um barulho
(...) mas não era barulho de helicóptero nem de avião. Algo
diferente. (...) Depois, vi aquela luz indo direto para o alto e
disse: 'Meu Deus!'"
Há também a experiência da família Wamsley. Depois de
Gerry Stoehrer, colega de Hopkins, ter dado uma palestra
sobre óvnis para uma associação de pais e professores de
North Bergen, ele foi abordado por Robert Wamsley, doze
anos de idade, e sua mãe, Alice. Segundo os dois lhe
contaram, enquanto a família assistia à televisão numa noite
de sábado, em janeiro, Robert olhou pela janela e viu uma
nave redonda e iluminada lá fora. Tinha janelas retangulares
que emitiam um brilho amarelado e flutuava a um metro ou
um metro e meio do solo. Quatro membros da família,
incluindo a sra. Wamsley descalça e com roupão de banho,
correram então para a rua e, por cerca de dois minutos,
seguiram o objeto a se mover lentamente.
A família Wamsley morava a cerca de quatorze quadras do
edifício Stonehenge, em cuja direção o óvni rumou ao sumir
de vista. Isto parece ter ocorrido no mesmo dia da visão de
O'Barski, menciona Hopkins; uma prova comprobatória da
data era que tanto O'Barski quanto os Wamsley repararam
no clima incomumente moderado para o mês de janeiro.
Logo, segundo tudo indicava, O'Barski, Pawlowski e os
Wamsley teriam visto a mesma nave na mesma data.
Gonzalez teria visto a mesma nave ou uma semelhante
durante outra visita seis dias antes.
Esta história é típica de muitos relatos sobre contatos
imediatos com óvnis. Há a nave estranha, parecida com uma
peça de arquitetura voadora, sem qualquer meio evidente de
propulsão. A nave produz um zunido e traz luzes brilhantes.
Pequenas figuras humanas com trajes peculiares saem dela,
fazem algo aparentemente sem sentido e depois partem.
O óvni, não resta dúvida, parece ser controlado por alguma
espécie de inteligência. Ele não funciona segundo princípios
físicos conhecidos de alguma maneira imediatamente óbvia.
Ao mesmo tempo, porém, a história não contém evidência
direta de que o óvni seja extraterrestre. Esta conclusão
poderia ser tirada apenas de forma indireta ao se dizer que,
se os "homenzinhos" não vivem na Terra, eles na certa vêm
de outro planeta. Mas decerto esta não é a única
possibilidade.
Poderia a história ser um embuste, uma alucinação ou uma
percepção errônea de fenômenos naturais? Parece fácil
descartar a hipótese dos fenômenos naturais. Quanto à
hipótese de alucinação ou embuste, a dificuldade está em
que diversas pessoas alegaram ter visto o estranho objeto.
Seria possível argumentar que as testemunhas influenciaram
umas às outras, talvez em nível subconsciente, de modo que
todas apresentaram histórias que se apóiam mutuamente.
Este poderia ser o caso no que se refere a Pawlowski e
Gonzalez, pois ambos trabalhavam no edifício Stonehenge.
Porém, os três grupos formados por (1) O'Barski, (2)
Pawlowski e Gonzalez, e (3) os Wamsley eram
supostamente desconhecidos entre si. Se tivessem de fato se
influenciado uns aos outros, teriam que já ter se conhecido
antes — e isto sugeriria uma conspiração deliberada. Ou
então se poderiam propor que, ao visitar Stonehenge,
Hopkins influenciou Pawlowski e Gonzalez a imaginarem
suas histórias. Depois, a palestra de Stoehrer influenciou os
Wamsley a inventar a sua.
Como está evidente que apenas O'Barski viu as figurinhas
em seus uniformes, seria o caso de se perguntar se ele tinha
um histórico de insanidade mental. No entanto, Hopkins
caracterizou-o como inteligente, "vivido", reflexivo — além
de estrito abstêmio. E mais: ele não "acreditava" em óvnis
antes da experiência.
A escavação de amostras de solo feita pelas figurinhas é
intrigante. Esta atividade tem sido relatada em um grande
número de casos de óvnis, tendo mesmo sido popularizada
em filmes como ET. Talvez O'Barski tivesse ouvido falar
nisso, mas por que iria se expor ao ridículo de alegar ter
pessoalmente visto semelhante coisa?
Mas acontece que há aspectos adicionais da história do
contato em Stonehenge que eu ainda não abordei.
Poderemos encarar esta história sob outra perspectiva se nos
voltarmos para o depoimento do psiquiatra e pesquisador de
óvnis Berthold Schwarz:

Eu também estive com quatro dos protagonistas de
Stonehenge em rápidos levantamentos psiquiátricos e
paranormais. (...) E. U., porteiro diurno e contumaz
paranormal, tem tido atividade mediúnica de alta qualidade a
vida inteira: i. e., possível premonição — ele alegou saber da
atividade dos óvnis de antemão —, aparições e telecinesia.
Seu filho e sua esposa também tinham experiências
mediúnicas pouco comuns. E. U. e o eletricista do prédio
compartilharam uma visão de óvnis, de perto, à luz do dia.
Repararam que o andar superior de seu prédio, sendo
singular, poderia assemelhar-se ao conceito estereotipado de
um óvni convencional, por seu formato circular e pelas
luzes paralelas cintilantes. E. U. perguntou-se: "Será que este
prédio tem algum atrativo?"

Aparições e telecinesia? Quatro protagonistas? Começa a
parecer que o edifício Stonehenge era um foco de atividades
psíquicas e alienígenas. O fato de diversas pessoas em
Stonehenge se interessarem por ufologia poderia contribuir
para que especulassem que toda a história da visão havia sido
inventada por pessoas dotadas de imaginação fértil. Mas
devemos levar em conta que a primeira pista de Hopkins foi
a história de O'Barski, que — excluindo qualquer
possibilidade de conspiração — não tinha vínculo algum
com Stonehenge. Como, então, poderia a história ter se
originado em Stonehenge? E acaso a família Wamsley foi
levada a mentir ou ter alucinações por histórias originárias
daquele prédio?
A informação acrescentada por Schwarz ilustra dois pontos
importantes acerca do fenômeno óvni. O primeiro é que,
por mais que saibamos acerca de determinado caso de
contato com óvni, há sempre a probabilidade de existirem
informações importantes a respeito das quais nada sabemos.
Em muitos exemplos, estas informações simplesmente não
vêm à tona durante a investigação do caso. Em outros, o
investigador poderá acreditar em certos aspectos do caso e
relatá-los; porém, achará outros aspectos tão incríveis que
decidirá não mencioná-los. Ou poderá não mencionar certos
aspectos por temer que as pessoas desprezem todo o caso ao
ouvirem falar deles.
O segundo ponto é que casos de contato com óvnis tendem
a estar vinculados a fenômenos paranormais. Às vezes, as
testemunhas, ou pessoas ligadas a elas, têm um histórico
pregresso de experiências paranormais. Outras vezes, uma
pessoa passará a ter experiências paranormais após o contato
com o óvni, envolvendo telepatia, fenômenos poltergeist ou
cura psíquica. Esta é uma observação empírica que tratarei
de documentar aos poucos, com uma série de exemplos.
Mais adiante, examinarei o que ela poderia significar.

Um relato ao Congresso

A seguir, apresento um caso de contato imediato com óvni,
relatado ao Congresso em 5 de abril de 1966, durante as
audiências sobre objetos voadores não-identificados, pelo
Comitê de Inquérito das Forças Armadas. O relato sobre o
caso foi submetido ao Congresso por seu investigador,
Raymond Fowler, que foi identificado como administrador
de projetos e engenheiro do programa de mísseis
Minuteman. Este caso envolve uma visão de perto do que
parecia ser uma estranha máquina voadora, tendo também
envolvido diversas testemunhas oculares. A íntegra do
relatório, segundo consta nos registros do Congresso, ocupa
cerca de 33 páginas.
A história se desenrolou perto de Exeter, New Hampshire,
durante as primeiras horas da manhã de 3 de setembro de
1965. O primeiro sinal de que algo estranho estava
acontecendo veio à 1h30. Àquela altura, o oficial de polícia
Eugene Bertrand, investigando um carro estacionado,
encontrou uma mulher atormentada (alguns relatos dizem
duas mulheres) que alegava que seu carro foi seguido, no
intervalo de uns vinte quilômetros, por um objeto voador
circundado por um brilhante fulgor vermelho. Segundo
afirmou ela, o objeto mergulhou diversas vezes na direção
de seu automóvel em movimento.
Apesar de ter rejeitado esta história, Bertrand foi logo
solicitado por sua delegacia policial a investigar uma história
semelhante contada por Norman Muscarello, 18 anos de
idade. O adolescente irrompera na delegacia entre 1h45 e
2h, quase em estado de choque. Enquanto esperava uma
carona ao longo da Rodovia 150, declarou ele, um objeto
cintilante com pulsantes luzes vermelhas de repente veio
flutuando por sobre um campo próximo dali, na direção
dele. O objeto, prosseguiu ele, tinha o tamanho de uma casa
e se movia na direção dele em total silêncio. Após ele se
abaixar para se proteger, o objeto retrocedeu e desapareceu
por sobre as árvores. Depois de bater em vão à porta de uma
casa próxima dali, ele fez parar um carro, que o levou à
delegacia de polícia.
Bertrand e Muscarello voltaram ao local e, entre 2h25 e
2h40, ambos viram o objeto erguer-se silencioso por trás de
um arvoredo. Conforme descrição posterior de Bertrand, o
objeto era do tamanho de uma casa. Parecia comprimido,
como se fosse redondo ou ovalado, sem definitivamente
nenhuma saliência, tal como asas, leme de direção ou
estabilizador. O objeto tinha uma carreira de quatro ou cinco
luzes vermelhas ofuscantes que piscavam ciclicamente,
lançando uma outra luz vermelho-cintilante, cor de sangue,
sobre o campo e uma casa de fazenda próxima. As luzes,
disse Bertrand, eram mais brilhantes do que quantas ele
jamais vira, dando a impressão de que ele e Muscarello
teriam se queimado se não tivessem corrido do objeto à
medida que este se aproximava deles.
As luzes pareciam fazer parte de um grande e sólido objeto
negro. Enquanto os cavalos próximos dali escoiceavam nos
estábulos e os cães uivavam, o objeto flutuava a cerca de
sessenta metros acima do solo, guinando de lado a lado com
um movimento adejante, como uma folha a cair. Ao todo, a
visão durou cerca de dez minutos.
Este depoimento foi confirmado pelo oficial David Hunt,
que chegou ao local a tempo de observar o objeto por uns
cinco ou seis minutos, antes de ele partir na direção de
Hampton. A polícia também recebeu uma chamada
telefônica de um homem alvoroçado em Hampton que
relatou ter visto um "disco voador" — mas a ligação caiu
antes que ele pudesse identificar-se.
A certa altura, esta visão foi identificada num jornal como
sendo um avião de propaganda de propriedade da Sky-Lite
Aerial Advertising Agency, de Boston. Contudo, após
alguma investigação, constatou-se que este avião, além de
não ter voado na noite em questão, carregava um sinal feito
de quinhentas luzes brancas — e não vermelhas.
Conforme propôs a Força Aérea, a princípio, Muscarello,
Bertrand e Hunt haviam visto aviões em vôo alto num
exercício de reabastecimento. No entanto, como a duração
daquela visão descartasse esta hipótese, os oficiais da Força
Aérea concluíram:

As primeiras visões de duas mulheres não identificadas e do
Sr. Muscarello são atribuídas a naves em operação de
reabastecimento. A observação subseqüente, feita pelos
oficiais Bertrand e Hunt e ocorrida após as duas da manhã, é
considerada não-identificada.

A alta intensidade das luzes relatadas pelas testemunhas
parece ser crucial para a interpretação desta visão. Ao que
tudo indica, um avião de propaganda ou aviões militares
praticando exercício de reabastecimento não produziriam
uma impressão tão esmagadora de luz ofuscante para
observadores em terra. E se as testemunhas estavam vendo
um fenômeno natural desconhecido, por que haveriam as
luzes de estar dispostas em carreira e piscar em seqüência?

Un disco volante

A maioria dos casos bem divulgados, registrados na literatura
sobre óvnis nas décadas de 1940 e 1950, e no início da
década de 1960, envolvia visões de estranhos objetos
voadores a distância. No entanto, também se relatavam casos
de contatos imediatos durante essa época. Conforme a
declaração já citada do Dr. William Powers, na Science, em
1954 registraram-se mais de duzentos relatos de
aterrissagens de óvnis, muitos com ocupantes. O nível real
de relatos pode até ter sido superior. Tanto que Edward J.
Ruppelt, encarregado das investigações sobre óvnis da Força
Aérea americana em 1952, escreveu em The Report on
Unidentified Flying Objects (Relatório sobre objetos
voadores não identificados) que, como se sentia
importunado por relatos de aterrissagens, sua equipe os
eliminou conscientemente.
Não se sabe ao certo por que os relatos sobre óvnis
tornaram-se muito mais numerosos após 1947 do que o
eram antes. Apesar de haver registro de relatos anteriores,
estes somam um número relativamente pequeno. Por
exemplo: Raymond Fowler, explicando a origem de seu
interesse por óvnis, salienta que em 1917 sua mãe, ainda
criança, tivera contato com um óvni em Bar Harbor, Maine.
Certa noite, relata Fowler, sua mãe e a irmã dela voltavam
para casa na companhia de amigos após uma reunião na
igreja. Enquanto atravessavam um campo por um atalho, um
objeto enorme e silencioso apareceu repentinamente acima
de suas cabeças, e "tons de vermelho, azul, verde e amarelo
refletiram sobre seus rostos assustados". Neste caso, as
crianças aterrorizadas correram para casa, e o incidente foi
dado por encerrado.
O que surpreende neste contato é o fato de compartilhar
características com as visitas a Fátima, Portugal, também
ocorridas em 1917, só que muito mais elaboradas. Os
eventos de Fátima são descritos no Capítulo 8 (páginas 360-
74), mas os detalhes a seguir são relevantes para melhor
apreciarmos o contato de Maine:

Olhando ao nosso redor, reparamos uma luz estranha que já
havíamos visto e voltaríamos a ver. Nossos rostos brilhavam
em tons de rosa, vermelho, azul — todas as cores do arco-
íris. (...) O solo estava dividido em quadradinhos, cada um
de uma cor diferente. Nossas roupas pareciam também ter se
transformado nas cores do arco-íris.

A semelhança entre estas histórias pode ser superficial ou
coincidente, mas as pessoas experimentam com que
freqüência luzes multicoloridas refletindo-se em seus rostos
e originando-se de alguma fonte desconhecida no céu? Por
que teriam as pessoas alegado experimentar isto em 1917,
tanto em Bar Harbor, Maine, quanto em Fátima, Portugal?
Detalhes estranhos deste tipo são mistificantes, porém
sugestivos, quando aparecem em casos independentes.
Observo, aliás, que, segundo está registrado, as
manifestações em Fátima foram testemunhadas por milhares
de pessoas, e muitas delas prestaram depoimento,
descrevendo um extraordinário espetáculo de luzes vindo do
céu.
Voltando a 1947, dizia-se ter ocorrido na Itália, no dia 14 de
agosto daquele ano, um clássico contato com diminutos
humanóides. Este relato é interessante por antecipar todos
os demais relatos famosos de "homenzinhos" saindo de
óvnis. Ao mesmo tempo, ele nunca foi bastante divulgado,
sendo difícil, portanto, ver como o mesmo poderia ter
influenciado os muitos casos semelhantes ocorridos depois
dele.
A testemunha neste caso foi Rapuzzi Luigi Johannis, um
conhecido pintor e escritor de ficção científica italiano. Seu
contato ocorreu perto de Villa Santina, ao norte de Veneza e
perto das fronteiras com a Áustria e a Iugoslávia. Johannis
disse ter primeiro confidenciado sua história a duas pessoas,
em uma visita aos Estados Unidos em 1950. Em 1952, ao
tentar publicar um relato do ocorrido em L'Europeo, este foi
recusado por falta de provas. Por fim, publicou-o numa
revista italiana, Clypeus, n° 2-5, de maio de 1964, com o
título "Ho visto un disco volante". Eu menciono estas datas
para mostrar que Johannis poderia ter inventado a história,
baseando-se na literatura sobre óvnis já disponível até 1964.
Isto não quer dizer, é claro, que ele de fato a inventou.
No dia do contato, Johannis, que se interessava por geologia
e antropologia, escalava uma montanha pelo leito de um
ribeirão à procura de fósseis. Ele avistou, incrustado numa
fenda transversal da vertente da montanha, um objeto
discóide metálico, vermelho, com uma cúpula central baixa
e nenhuma abertura. Este objeto tinha uma antena
telescópica e cerca de dez metros de largura. Segundo
observou em seu relato, naquela época, ele nada sabia a
respeito de discos voadores.
Ao olhar à sua volta para ver se havia mais alguém por ali,
avistou dois "meninos" a uma distância aproximada de
cinqüenta metros. Ao aproximar- se deles, deu-se conta de
que não eram humanos e sentiu-se paralisado e
enfraquecido. Não teriam mais que 90 centímetros de altura
e vestiam translúcidos macacões azul-escuros, com golas
vermelhas e cintos. Tinham cabeças maiores que a de um
homem normal. Os rostos deles, prosseguia Johannis,
descritos em termos antropomórficos, incluíam enormes e
salientes olhos redondos, um nariz reto e de corte
geométrico e uma boca fendida com o formato de um
acento circunflexo. A "pele" era de cor verde terrosa.
Após ficar boquiaberto de assombro por alguns minutos, ele
brandiu sua picareta geológica e deu um grito. Em resposta,
uma das entidades tocou em seu cinto, emitindo um "raio"
que deixou Johannis prostrado no solo, sem a menor força
para se mexer. Ele conseguiu se revirar devagar, a tempo de
ver uma das entidades fugir com sua picareta. Em seguida, as
entidades regressaram à nave, que logo alçou vôo,
deslocando uma cascata de pedras da vertente da montanha.
Ele testemunhou que o disco, adejando no ar, diminuiu
subitamente e desapareceu. Isto foi acompanhado por uma
rajada de vento que o derrubou no solo.
Após umas três horas, Johannis, apesar de todo dolorido,
sentiu-se forte o bastante para regressar à casa. Ele se
recorda de ter resolvido nada dizer acerca do incidente, já
que não queria ser considerado um visionário louco, ou algo
pior. Ao viajar para Nova York, dois meses mais tarde, ficou
sabendo pela primeira vez dos discos voadores vistos por
Kenneth Arnold. Naquela altura, decidiu confidenciar sua
história. Segundo também disse ele, duas pessoas da região
declararam ter visto uma bola vermelha ascendendo ao céu
e desaparecendo por volta do momento do incidente.
Este relato contém diversos aspectos que ocorrem repetidas
vezes em contatos imediatos com óvnis. O raio paralisante é
típico, tanto quanto o desaparecimento abrupto do disco à
hora de sua partida. Em seu depoimento perante o
Congresso, em 5 de abril de 1966, J. Allen Hynek observou
que, se são mesmo objetos tangíveis, os óvnis deveriam ser
vistos voando de ponto a ponto ao longo de distâncias
consideráveis. Hynek achou intrigante o fato de isto não ter
sido observado. Ao invés disso, os óvnis costumam aparecer
de forma abrupta, manobrar numa área restrita e depois
desaparecer também de forma abrupta. Após examinarmos
mais exemplos disto, analisarei algumas idéias a respeito do
que poderia estar acontecendo.
Os homenzinhos vistos por Johannis também eram típicos
de uma série de maneiras. Os uniformes, a estatura baixa,
cabeças e olhos grandes e bocas fendidas manifestam-se
repetidas vezes em casos de contato imediato. A pele verde,
contudo, é pouco comum — não obstante as piadas sobre
homenzinhos verdes.
O vento que se seguiu ao desaparecimento da nave é um
aspecto curioso. Johannis não mencionou propulsores ou
jatos no disco que pudessem produzir uma rajada de ar, e
mesmo assim a rajada teve força suficiente para deitá-lo no
solo. Num relato independente, uma mulher alemã,
chamada Elsa Schroder, conta ter deparado com um disco
voador com um ocupante de aparência inteiramente
humana, no deserto entre o Irã e o Paquistão, em 1975.
Alienígenas com aparência humana também são constantes
em inúmeros relatos. Neste caso, porém, me interessa em
particular a forma pela qual o veículo partiu:

Depois, o Disco ascendeu sem ruído algum e sobrevoou
quase que na minha direção. De repente, algo parecido com
uma força invisível pressionou-me para baixo, fazendo-me
cair e rolar pela duna de areia. Ainda um pouco tonta,
levantei-me de novo e observei o Disco Voador ascendendo
devagar, para em seguida afastar-se em disparada e se esvair
no céu azul com um tom estranho.

Neste caso, a testemunha não relatou o desaparecimento
abrupto do óvni, mas mencionou, isto sim, um efeito de
pressão semelhante àquele descrito por Johannis.

Marcianos, fertilizante e psiquiatria

A validade do relato de Johannis depende por completo da
integridade do próprio Johannis. Sem dúvida, ele era um
indivíduo inteligente e talentoso, mas aqui alguém poderia
suspeitar de excesso de talento. Teria ele simplesmente
inventado a história? Embora não esteja claro, por que ele
faria isto ou o que ele teria a lucrar com isto?
Em contraste com o caso de Johannis, o Dr. Berthold
Schwarz conta também uma história bizarra, testemunhada
por alguém cujo caráter, depois de avaliado com cuidado,
não dá margem a dúvidas. Como a credibilidade desta
história se baseia na reputação de Schwarz, é bom lembrar
que ele é um psiquiatra que tem escrito livros tanto sobre
psiquiatria infantil quanto sobre pesquisa psíquica. Um
desses livros, que trata dos aspectos psíquicos do fenômeno
óvni, é a fonte da história que passo a apresentar.
Por volta das dez horas de 24 de abril de 1964, um
fazendeiro de 26 anos de idade, chamado Gary Wilcox,
espalhava esterco numa área de sua fazenda em Newark
Valley, Nova York. Vendo um brilhante objeto branco
acima da área, na margem de um bosque, ele foi até lá com
seu trator para investigar aquilo. A princípio, pensando ser
uma fuselagem ou o tanque de combustível de um avião, ele
se aproximou e tocou no objeto. Então, da parte de baixo do
objeto surgiram dois homens de um metro de altura
segurando uma bandeja de metal cheia de alfafa, raízes, terra
e folhas. Usavam roupas metálicas esbranquiçadas que não
deixavam nenhuma parte de seus corpos à mostra.
Enquanto Wilcox, parado e aflito, imaginava que tipo de
truque era aquele, um dos homens disse: "Não se alarme",
em uma voz sinistra que parecia emanar do seu corpo todo.
Em seguida, eles fizeram perguntas a Wilcox sobre lavoura e
fertilizantes, alegando ter vindo de Marte, que é feito de
substâncias rochosas inadequadas para a agricultura. Fizeram
comentários sobre a poluição do ar em áreas congestionadas,
e predisseram as mortes dos astronautas Glenn e Grissom
por demasiada exposição à atmosfera do espaço. Depois, os
homens se abaixaram sob a nave e desapareceram. A nave
produziu um ruído como o do motor de um carro em
marcha lenta, deslizou a uma distância de 45 metros e
desapareceu no ar.
Em resposta à solicitação de um pouco de fertilizante feita
pelos homens, mais tarde Wilcox trouxe um saco até o local.
Na manhã seguinte, reparou que o saco havia desaparecido.
Bem, que tipo de pessoa contaria uma história dessas?
Berthold Schwarz aplicou um exame psiquiátrico em Wilcox
e constatou que ele "não tinha história pregressa de
distúrbios neonatais, doenças graves em seu período de
crescimento, traços de caráter neurótico, experiências
dissociativas ou amnésicas, fugas, comportamento
sociopático, problemas na escola, lesões na cabeça,
encefalopatia, cirurgia ou qualquer tipo de comportamento
aberrante". Ele gozava de boa saúde e havia sido um bom
aluno na escola. Não tivera nenhum interesse anterior em
óvnis ou em assuntos exóticos, e se limitava a ler jornais e
revistas populares. Às vezes, participava dos cultos de uma
igreja batista local.
Schwarz examinou Wilcox, usando três conhecidos testes
de saúde física e mental (Cornell Medicai Index Health
Questionnaire, Rotter Incomplete Sentences Test e
Minnesota Multiphasic Personality Inventory-MMPI). Os
resultados acusaram um bom estado de saúde física e
emocional. Segundo o MMPI, "uma busca estrutural de
traços e forças positivas mostrou correlações suficientes para
se descrever o paciente como dócil, metódico, ordenado,
socialmente reservado e sincero".
Schwarz concluiu: "Seria muito fora do comum (...) Gary
Wilcox inventar uma história tão fantástica sem que seu
exame psiquiátrico ou as entrevistas com seus amigos,
conhecidos e familiares indicassem pistas para isto." Ao
mesmo tempo, observou ele, não havia razão alguma para se
supor que os seres da história vieram mesmo de Marte só
porque assim o disseram.

Casos envolvendo crianças

Num rastreamento de casos, é importante atentar para o fato
de que crianças também narram contatos com óvnis. A
seguir, apresento três exemplos de semelhantes relatos. É
possível objetar que, sendo as crianças propensas a mentir e
a fantasiar, o testemunho delas não pesa muito. Contudo,
como ficou demonstrado pela tradicional história do menino
que dava falso alarme, os adultos têm meios de distinguir
honestidade e desonestidade nas crianças. Mesmo sendo
difícil detectar uma mentira, é improvável que uma criança
minta só uma vez — logo, os adultos que estiverem
avaliando uma criança acabarão conhecendo seu padrão de
comportamento desonesto.
Embora as histórias que detalharei nesta seção não sejam tão
bem autenticadas como a do caso Wilcox, acho que elas
merecem ser levadas em consideração. Como acontece com
todas as histórias de óvnis, elas não constituem provas
cabais. Porém, só se podem reunir provas de autenticidade
satisfatória entendendo-se o padrão genérico de grandes
conjuntos de dados, para então se passar ao julgamento de
casos individuais, apurando-se até que ponto estes se
enquadram no padrão. Se deixarmos de considerar grandes
conjuntos de dados, poderemos perder pistas importantes
para a apuração do padrão.
O primeiro dos três relatos de crianças integra um artigo
intitulado "The londing at Villares del Saz", de Antonio
Ribera, famoso pesquisador de óvnis da Espanha. A principal
testemunha neste caso foi um vaqueiro analfabeto de
quatorze anos chamado Máximo Munoz Hernáiz. Seu
contato se deu enquanto ele apascentava vacas no início de
julho de 1953, perto da aldeia de Villares del Saz, em
Cuenca, Espanha central. A seguir, vão trechos de uma
entrevista com o menino, realizada pelo editor do jornal
Ofensiva:

— O que você viu não existe. Como, então, pode explicar
isto?
— Eu vi sim. Eu vi os homenzinhos sim.
— Que horas você viu a máquina?
— A uma da tarde.
— Que estava fazendo naquele momento?
— Estava sentado, cuidando para que o gado não se
aproximasse da lavoura.
— Ouviu algum som antes da visão?
— Sim, mas bem leve. Por isso, nem me virei para ver.
— Você estava de costas para aquela direção?
— Sim, senhor.
— Que ouviu?
(Máximo Hernáiz disse ter ouvido um assovio débil, abafado,
intermitente. Ao virar-se para aquela direção, a máquina já
havia aterrissado.)
— Que você fez quando a viu?
— Nada. Pensei que era um balão grande, um daqueles que
soltam em feiras. Só depois me dei conta de que não era.
Brilhava com muito fulgor.
— Brilhava o tempo todo?
— Quando estava parado brilhava menos do que quando se
movimentava.
— Qual era a sua cor?
(Segundo indicou o menino, o objeto tinha cor cinza, cerca
de 1,30 m de altura e formato parecido com o de uma
pequena jarra d'água.)
— Permaneceu ali no solo por muito tempo?
— Bem pouco tempo. Como eu pensava que era um balão,
andei na direção para pegá-lo. Antes que eu tivesse tempo
de atingi-lo, uma porta se abriu e uns homenzinhos
começaram a sair por ela.
— Como eram os homenzinhos?
— Eram minúsculos. Assim (cerca de 65 centímetros).
— Tinham rostos como os nossos?
— Seus rostos eram amarelos, e os olhos, estreitos.
(O pintor Luis Roibal, que estava com o editor do jornal, fez
uma série de esboços de homenzinhos de acordo com a
descrição do rapazinho.)
— Sim, assim, mas mais chaparrete.
(Os traços dos rostos são completamente orientais.)
— Quantos homenzinhos desceram do balão?
— Três.
— Por onde saíram?
— Por uma portinha que a coisa tinha em cima.
— Como desceram?
— Deram um pulinho.
— Que fizeram depois?
— Vieram até onde eu estava.
— E falaram algo?
— Sim, senhor, mas não consegui entendê-los.
— Onde eles pararam?
— Um a minha esquerda, outro a minha direita, e o que
falava comigo ficou na minha frente.
— Eles lhe fizeram algo?
— Como eu não entendi o que aquele que estava na minha
frente me dizia, ele me deu um tapa no rosto.
— E depois?
— Nada. Foram embora.
— Como subiram para a máquina?
— Agarraram uma coisa que estava no balão, pularam e
entraram.

Os homens, disse o menino, vestiam roupas de um azul vivo
como as de músicos numa feira, e usavam chapéus chatos
com viseiras. Embora também usassem peças de metal nos
braços, ele não conseguiu descrevê-las bem. Depois que os
homens entraram, o objeto reluziu com muito fulgor e
decolou rapidamente, não deixando sinais de exaustão e
fazendo o mesmo som de assovio que antes.
Segundo Ribera, o pai do menino foi até o local com o
delegado de polícia da região e, além de pegadas, eles
encontraram quatro buracos, formando um quadrado com
cada lado medindo 36 centímetros. Outras testemunhas,
incluindo o oficial da polícia de delegacia de Honrubia,
próxima a Villares, relataram ter visto uma esfera voadora
branco-acinzentada, vindo aproximadamente do local em
Villares del Saz à hora do contato.
Por mais estranha que pareça esta história, ela é semelhante
a muitas outras contadas no mundo todo. Se ela é mesmo
oriunda de um rapazinho analfabeto da Espanha central, é
difícil entender por que ele teria pensado em detalhes
amiúde relatados, tais como os rostos orientais, o som de
assovio, o fulgor do globo e seu vôo sem um rastro visível de
exaustão. Presumivelmente, ele teria precisado de aulas
particulares de alguém versado no assunto, o que não parece
plausível para um menino analfabeto de quatorze anos,
oriundo de uma família de fazendeiros. Se a história é falsa,
então, é bem provável que toda a descrição do menino e sua
situação sejam falsas também.
Outro exemplo do testemunho de uma criança vem de John
Swain, filho de doze anos de um fazendeiro morador perto
de Coldwater, Kansas. Ele teve contato com um óvni em
setembro de 1954, e escreveu uma carta sobre o acontecido
para um certo reverendo Baller, em 3 de outubro de 1954:

O senhor me pergunta sobre o disco que eu vi. Eu estava
arando o campo quando tudo aconteceu. Tivemos
problemas com o trator e já era tarde quando finalmente o
consertamos. Como estava um clima ameno, trabalhei até às
20h. Depois deixei o arado e vim para casa. Eu o encontrei a
cerca de 120 metros, mas não vi nada suspeito. Fui dar num
(...) [terraço?]. Ele estava agachado e um pouco escondido.
Deu um salto e olhou para mim, meio flutuando. Saltou para
dentro do disco, que se acendeu e decolou. Sumiu de vista.
Contei o que tinha acontecido a minha mãe e meu pai e
conversamos a respeito. Depois, mamãe chamou o xerife.
Ele apareceu naquela noite e me fez perguntas. Disse que
viria de novo pela manhã para ver se havia alguma pegada
nas redondezas. Havia e ele enviou os relatórios para
Washington, D.C. Assinado: John Swain.

As pegadas em questão, segundo disseram, eram
cuneiformes e diferentes daquelas feitas por sapatos comuns.
Além de entidades ufológicas flutuantes serem relatados
com freqüência, temos, mais uma vez, uma referência a um
objeto voador que acende ou brilha ao decolar. Se isto é uma
fantasia, tem coerência com o padrão dos temas ufológicos e
não com rasgos de imaginação livre.
O terceiro exemplo de contato com óvni relatado por
crianças vem da África do Sul. Em 2 de outubro de 1978,
por volta das 11h15, quatro estudantes adolescentes
esperavam a mãe do mais velho deles vir pegá-los num
ponto isolado do Parque Ecológico Groendal. Os meninos se
deram conta de um objeto prateado que se projetava acima
do bosque a algumas centenas de metros de distância, do
outro lado de um vale. Neste momento, um dos meninos
reparou que havia dois homens vestidos com macacões
prateados, a cerca de 275 metros a oeste do objeto. Instantes
após, um terceiro homem juntou-se aos outros dois, e os
meninos repararam que eles tinham um jeito peculiar de
caminhar. "Caminhavam movimentando apenas dos joelhos
para baixo e usavam suas pernas com se fossem
estabilizadores", disse um dos meninos.
Após o ocorrido ter sido relatado, uns dez dias mais tarde, os
meninos foram entrevistados em separado e contaram
histórias semelhantes. Também em separado, eles fizeram
desenhos comparáveis dos homens.
Diversos investigadores, inclusive um major da polícia,
levaram cerca de noventa minutos para abrir uma trilha por
entre a mata densa que ia dar no local. Encontraram "uma
área com depressão de 6x18m onde o bosque havia sido
aplanado até o nível do solo e, no perímetro externo da
depressão oval, havia nove marcas, cada uma contendo três
ou quatro impressões minúsculas".

Rastros e efeitos físicos

Nos casos recém-descritos, vimos diversos exemplos em que
óvnis aterrissaram e deixaram rastros físicos de sua presença
na terra e na vegetação. Como podem ser avaliados num
laboratório, tais rastros fornecem uma das principais séries
de provas científicas da realidade física dos óvnis.
Um caso envolvendo mensuráveis rastros no solo foi
investigado pelo grupo de estudos sobre óvnis chamado
GEPAN, instituído em 1977 pela CNES, o centro de estudos
espaciais francês (veja página 80). Este caso foi descrito da
seguinte maneira pelo chefe do GEPAN, Jean-Jacques
Velasco:

Por volta das 17h do dia 8 de fevereiro de 1981, o Sr. Collini
trabalhava tranqüilamente em seu jardim em Trans en
Provence. De repente, teve sua atenção atraída por um
assovio baixo que parecia vir de um dos extremos de sua
propriedade. Voltando-se, ele viu no céu, acima das árvores,
algo aproximando-se de um terraço, no fundo do jardim. O
objeto aterrissou de repente. A testemunha aproximou-se e,
escondida atrás de uma casinha, observou o estranho
fenômeno.
Menos de um minuto depois, o fenômeno ascendeu de
repente e afastou-se na direção de onde parecia ter chegado,
ainda emitindo um assovio baixo. O Sr. Collini dirigiu-se
imediatamente ao aparente cenário da aterrissagem e
observou marcas circulares e uma nítida impressão em
forma de coroa no solo. A Gendarmaria chegou no dia
seguinte para fazer o relatório e, seguindo nossas instruções,
colheu amostras do solo e da vegetação circundante. Trinta e
nove dias após a visão, uma equipe do GEPAN foi enviada
ao local para fazer investigações. Os primeiros resultados da
análise mostraram ser interessantes, acusando impactos
significativos às amostras de solo e vegetação, em particular
distúrbios bioquímicos na vida das plantas.

Segundo demonstrou a investigação, a testemunha, além de
não apresentar problemas psicológicos, foi de todo coerente
em seu depoimento. Também foram detectados, no local da
aterrissagem, sinais de aquecimento do solo, entre 300° e
600°C, afora o provável depósito de quantidades
identificáveis de fosfato e zinco.
Uma análise bioquímica foi realizada pelo laboratório de
bioquímica do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônoma
(INRA), na França, sob a supervisão de um certo Prof.
Bounias. Este estudo analisou o teor de pigmento de clorofila
e carotenóide de uma espécie de alfafa silvestre existente na
área da aterrissagem. Trinta e nove dias após a visão,
observou-se uma redução, entre 30 e 50% dos pigmentos A
e B da clorofila, sendo que os rebentos das folhas
apresentaram as maiores perdas, além de sinais de
envelhecimento prematuro. O efeito reduzia-se
visivelmente à medida que se distanciava do centro da
aterrissagem. Contudo, não havia sinais de radioatividade
residual.
Segundo parece demonstrar esta investigação, alguns
fenômenos ufológicos são receptivos à investigação
científica séria. Neste caso, a integridade da testemunha e as
medições empíricas no local de aterrissagem aliam-se para
indicar que algo desconhecido, porém fisicamente real,
aconteceu efetivamente. Talvez a hipótese mais simples para
se explicar os dados observados seja que um tipo
desconhecido de nave aérea realmente aterrissou no jardim
do Sr. Collini, deteve-se por alguns minutos e em seguida
retomou seu vôo.
Casos de rastros deixados no solo por óvnis têm sido
estudados a fundo por Ted R. Phillips, tarimbado
investigador que tem participado de diversos estudos
científicos sobre óvnis nos Estados Unidos. Em 1981, ele
concluiu, após quatorze anos, um estudo de 2.108 casos,
procedentes de 64 países, envolvendo aterrissagem com
rastro físico. Ele próprio investigou mais de trezentos destes
casos e resumiu seu estudo dizendo:

1. Os casos apresentam relevantes padrões estatísticos.
2. Os óvnis observados por testemunhas múltiplas parecem
ter sido veículos sólidos construídos sob alguma espécie de
controle inteligente.
3. Eles produziram rastros físicos que, em muitos casos, não
têm explicação natural ou convencional.
4. Tem havido pouquíssima investigação científica em
torno destes relatos.

Phillips apresentou uma série de estatísticas sobre relatos de
aterrissagem com rastros físicos. Por exemplo: nas quatro
primeiras décadas deste século, seus registros acusaram cerca
de seis casos de rastro físico por década. Este número subiu
para 43 nos anos 40 e, nos anos 70, houve 1.001 casos de
rastro físico.
Do seu total de 2.108 casos, disse ele, cerca de 275 contaram
com duas testemunhas e cerca de 430 com três ou mais.
Houve relato de humanóides em 460 casos, sendo que em
310 destes casos os humanóides eram pequenos se
comparados a humanos normais. Em 87 casos, eles eram de
tamanho normal, tendo sido considerados grandes em 63
casos.
Phillips apresentou os seguintes dados sobre os aspectos
externos dos óvnis observados em seus casos. Cada aspecto é
acompanhado pelo número de casos em que foi relatado:

som 214
portas ou janelas 207
luzes externas 207
ascensão vertical 184
feixe de luz 183
trem de pouso 159
abóbada 144
vapor 128
o óvni girava 125
antena 117
calor 117

Os rastros de aterrissagem foram descritos como tendo
formatos circulares, ovais ou irregulares. A vegetação
atingida pelos rastros estava queimada, abaixada ou
desidratada, havendo marcas freqüentes em disposição
simétrica, sugestivas de marcas de trem de pouso.
Apesar de poderem nos dar alguma idéia daquilo que é
típico, as estatísticas não podem explicá-lo. No entanto, a
análise estatística pode revelar alguns padrões interessantes,
próprios dos dados sobre óvnis. Por exemplo: os
investigadores de óvnis Coral e Jim Lorenzen compilaram,
num livro publicado em 1976, algumas estatísticas sobre
relatos de visão de humanóides. Numa coletânea de 164
relatos datados entre 1947 e 1975, eles classificaram os
humanóides como pequenos (abaixo de noventa
centímetros) e grandes (acima de noventa centímetros).
Também dividiram os óvnis relatados em diferentes
categorias, incluindo discos grandes e pequenos e formas
ovais grandes e pequenas.
Em relatos mencionando discos grandes, eram apresentados
em 24 humanóides grandes e humanóides pequenos em
cinco. Em relatos mencionando discos pequenos, nove
apresentavam humanóides grandes e 28 humanóides
pequenos. Deste modo, o tamanho dos seres parece
corresponder aproximadamente ao tamanho dos discos. O
mesmo padrão manifestou-se nos casos de óvnis ovalados.
Embora eu desconheça a explicação deste padrão, seria
interessante averiguar se ele ocorre nos casos de rastro físico
de Phillips como uma correlação entre o tamanho dos
humanóides e o espaçamento do campo de pouso.

Efeitos eletromagnéticos sobre carros

Além de produzirem efeitos físicos sobre o solo, os óvnis
também são famosos por produzirem efeitos
eletromagnéticos transitórios sobre veículos automotores.
Isto foi descrito da seguinte maneira por Roy Craig, no
famoso Relatório Condon:

De todos os efeitos físicos tidos como causados pela
presença de óvnis, o alegado enguiço de motores de
automóveis talvez seja o mais intrigante. Trata-se de uma
alegação freqüente, às vezes em relatos que são
impressionantes, por envolverem múltiplas testemunhas
independentes. As testemunhas parecem ter certeza de que
o funcionamento de seus carros foi afetado pelo objeto não-
identificado, que só teria sido visto, segundo os relatos, após
a constatação do enguiço. Não existe uma explicação
satisfatória para semelhantes efeitos, se é que eles de fato
ocorreram.

Casos de interferência em automóveis são relatados em
muitos países diferentes, no mundo todo. Eis um exemplo
da Austrália:

Em 20 de outubro de 1986, perto de Edmonton,
Queensland, uma mulher de 41 anos, nativa da região,
dirigindo de volta para casa, oriunda de Cairns, ao longo da
estrada Kamma Pine Creek, começou a experimentar
extrema dificuldade para controlar seu carro. Ele tendia para
o lado direito da estrada. Cerca de quatrocentos metros
adiante, as lanternas e faróis quase se apagaram. Então, a
mulher ouviu um zumbido e o veículo perdeu a força do
motor. Olhando para o alto, a testemunha avistou à frente
do carro uma brilhante e oval luz azul-esverdeada. Apesar
de ela "ter dado uma freada brusca", o motor pareceu apenas
manter-se em ponto morto e o carro continuou em frente a
uma velocidade bem baixa. Estes fenômenos continuaram
por cerca de quatro quilômetros.

Segundo disse a senhora, a experiência toda demorou de oito
a dez minutos e o óvni parecia estar viajando em linha
aproximadamente paralela à estrada. Ao passar por uma
ponte de mão única, o óvni "de repente decolou" e, logo em
seguida, ela recuperou controle total sobre seu carro. O
carro, declarou ela, estivera funcionando bem antes e depois
do episódio.
Conforme uma explicação às vezes dada para justificar tais
incidentes, os mesmos seriam causados por um fenômeno
natural que envolve um vórtice de plasma eletrificado. Esta
idéia é fruto de recente elaboração do meteorologista inglês
Terence Meaden ao tentar explicar os célebres círculos em
campos agrícolas ingleses, os quais, segundo sugestão da
pesquisadora de óvnis Jenny Randles, poderiam estar
associados a certos relatos de fenômenos ufológicos. A "luz
azul-esverdeada, brilhante e oval", que acompanhou o carro
da senhora australiana, poderia ser interpretada como um
plasma cintilante que produziu um zumbido e interferiu no
sistema elétrico do carro. Mas, para que isto acontecesse,
seriam necessárias energias altíssimas dentro da massa
eletrificada, e é muito difícil descobrir que processo natural
poderia produzir semelhantes energias e retê-las dentro de
um volume limitado de espaço, por mais que uma fração de
segundo. De um ponto de vista científico ortodoxo, é quase
tão difícil justificar um vórtice de plasma capaz de interferir
no funcionamento de um carro durante oito minutos quanto
o é justificar uma nave aérea de origem não-humana.
Acontece que nem todos os casos de contato de óvnis com
carros são iguais. Eles naturalmente se enquadram em
diversos grupos distintos, dentre os quais um grupo em que
poderia haver o envolvimento de algum tipo de plasma
eletrificado. É possível realizar esta divisão em grupos
mediante a análise estatística de uma ampla coletânea de
casos.
Semelhante estudo foi realizado pelo Dr. Donald Johnson,
psicólogo e estatístico que é diretor de uma empresa de
consultoria em administração de New Jersey. Johnson
empreendeu uma análise sistêmica de duzentos casos de
contato com carros, com datas variando de 1949 a 1978.
Esta análise baseou-se nas três seguintes variáveis: duração
do evento, distância estimada do automóvel para o óvni e
tamanho estimado do óvni.
Para cada caso, podem-se considerar estas três variáveis
como as coordenadas x, y e z de um determinado ponto no
espaço. (Na verdade, Johnson usou os "desvios-padrão das
transformações logarítmicas de base 2" das variáveis.)
Podemos imaginar que os duzentos pontos correspondentes
aos duzentos casos podem enquadrar-se numa série de
conjuntos no espaço. Os casos de determinado conjunto
compartilham algo em comum, diferindo dos casos de outro
conjunto. A análise sistêmica não revela por que os casos
deveriam enquadrar-se em grupos distintos, mas pode ajudar
os pesquisadores a identificar semelhantes grupos para
estudos posteriores.
Segundo descobriu Johnson, seus duzentos casos
enquadravam-se nos sete conjuntos seguintes:

Conjunto 1: [19] Pequenos objetos (dois metros) que
aparecem durante um ou dois minutos a distâncias bem
próximas. Alguns são bolas de luz vermelhas, brancas ou
amarelo-alaranjadas que poderiam estar relacionadas a
relâmpagos. Oito, porém, envolvem relatos de aterrissagem.

Conjunto 2: [48] Objetos maiores que a média (doze a vinte
metros de diâmetro), mantendo uma distância de duzentos a
trezentos metros. Contatos duram em média de quinze a
vinte minutos. Mais da metade são discos abobadados, sendo
um terço deles descritos como metálicos. Outras
características destes casos são: flutuação (58%), feixes de
luz (21%), movimento de folhas caindo (25%) e algum tipo
de conserto, em que as entidades surgem de um óvni
pousado e parecem trabalhar nele.

Conjunto 3: [33] Objetos ligeiramente menores que o
tamanho médio (seis metros), a uma distância média
(noventa metros), com uma duração de contato
normalmente inferior a um minuto. Mais da metade deles
são metálicos, sendo típico deles a partida rápida de um
pouso (42%) ou de uma posição próxima ao solo.

Conjunto 4: [11] Objetos de tamanho médio, que ficam a
uma distância média de cerca de quinze metros. A duração
média do contato é de cerca de uma hora. Muitos destes
casos envolvem perseguição (82%), aterrissagem (45%) e
rapto (27%). Quase 66% envolvem efeitos fisiológicos tais
como paralisia, choque elétrico, formigamento ou calor. Há
ruídos freqüentes (zumbido, por exemplo) vindos do óvni
(45%), um feixe de luz (45%) e o óvni costuma ter cores
múltiplas (45%). Ao partir, o óvni sai em disparada ou
desaparece num estalo de dedos (64%), e 75% das
testemunhas experimentam temor ou pânico durante ou
após o evento.

Conjunto 5: [62] Objetos com nove ou dez metros de
diâmetro, com distância média de 25 metros e tempo médio
de contato de cinco minutos. Mais de 60% são clássicos
discos abobadados, com 40% descritos como metálicos e
58% como tendo cor esbranquiçada ou tendo uma luz
branca. Outras características são flutuação (68%),
aterrissagem (40%) e partida a uma velocidade incrível
(39%). Metade das testemunhas expressam temor.

Conjunto 6: [12] Objetos grandes (tipicamente com sessenta
metros de comprimento), às vezes com formato de charuto,
que são vistos apenas por alguns minutos a distâncias
moderadamente grandes (110 metros). Metade deles
cintilam vermelho ou laranja (e nenhum deles é verde).
Outras características são: bloqueio da estrada e rápida
partida ao serem detectados (30%), flutuação (50%),
aterrissagem (50%), partida em disparada (50%) e vôo
silencioso (75%). Em geral, não deixam rastros físicos.

Conjunto 7: [5] Objetos pequenos (um metro ou menos de
diâmetro), a uma distância média de 150 metros, com uma
duração média de contato de 45 minutos. Não há efeitos
eletromagnéticos, e nenhum dos objetos é descrito como
sendo metálico. Estes, suspeitava Johnson, podem ser
fenômenos naturais.

Uma vez que uma série de conjuntos tenha sido identificada
com base nas três variáveis, pode-se perguntar se os
conjuntos diferem significativamente de outras maneiras.
Por exemplo: acaso os relatos da evidência de discos tendem
a enquadrar-se, sobretudo, em certos conjuntos e não em
outros? Se isto ocorre, então, é indicação de que os
conjuntos são significativos. Diferentes conjuntos envolvem
diferentes espécies de fenômenos.
Segundo a análise de Johnson, há de fato uma série de
características que tendem a marcar forte presença em
alguns conjuntos e não em outros. Ao que tudo indica,
existem diferentes tipos de casos de contato de óvnis com
carros, sendo que alguns envolvem fenômenos naturais e
outros envolvem diferentes tipos de naves aéreas bem
estruturadas.
Johnson concluiu: "Aconselho a que tenham cuidado com
os ruidosos discos abobadados e dotados de feixes de luz
branco-azulados, por ser provável que, se tiverem contato
com um deles, sofram no mínimo alguns efeitos fisiológicos.
Isto parece aplicar-se em especial ao caso de o objeto estar
pairando sobre a estrada em frente de seu carro e interessar-
se pelo rumo de sua viagem!"

Evidência fotográfica

Por ser vasta a evidência fotográfica em torno dos óvnis, só
poderei abordá-la de forma sucinta. Segundo se alega, nos
últimos anos se têm tirado muitas fotografias de óvnis,
havendo, também, filmes e videoteipes. Em alguns casos,
estes registros fotográficos mostram apenas pontos de luz, de
forma que podem representar luzes de avião ou fenômenos
naturais. Contudo, há muitos casos de fotografias ou filmes
mostrando claramente uma nave metálica bem estruturada.
Nestes casos, sempre há a dúvida quanto ao fato de as
imagens terem sido burladas ou não. É lamentável ser
praticamente impossível provar, com relação a qualquer
caso específico, que não se tenha cometido um embuste.
No Relatório Condon, William K. Hartmann resume o status
de evidência fotográfica dos óvnis. Após levantar diversos
casos fotográficos, ele admite que "uma fração mínima de
casos fotográficos potencialmente identificáveis e
interessantes permanece não-identificada". Com relação a
estes casos, ele diz:

1. Nenhum deles estabelece de forma conclusiva a
existência de "discos voadores", ou de qualquer nave
extraordinária, ou de algum fenômeno até agora
desconhecido. Quanto às observações de qualquer um destes
casos, por mais estranhos ou intrigantes que pareçam, é
sempre possível "explicá-las", quer formulando-se a hipótese
de alguma circunstância extraordinária, quer alegando-se um
embuste. Logo, nenhum dos casos fotográficos residuais aqui
investigados é convincente o bastante para ser conclusivo
por si só.
2. Para alguns dos casos, fica suficientemente explícito que
a escolha se limita à existência de uma nave aérea
extraordinária ou a um embuste.
3. Apesar de o grupo residual de não-identificados não ser
compatível com a hipótese de que naves desconhecidas e
extraordinárias tenham penetrado o espaço aéreo dos
Estados Unidos, nenhum deles produz evidência suficiente
para se estabelecer esta hipótese.

Talvez casos que podem envolver ou uma nave aérea
desconhecida ou um embuste não sejam tão raros quanto
sugere Hartmann. É possível encontrar uma grande
coletânea de tais casos no livro UFO Photographs
(Fotografias de óvnis), de Stevens e Roberts. Eis um exemplo
daquele livro.
Em 29 de julho de 1952, George Stock, técnico em
consertos de cortadores de grama de Passaic, New Jersey,
estava em seu quintal trabalhando em uma dessas máquinas.
Por volta das 16h30 da tarde, ao ver um objeto
desconhecido voando no céu, ele gritou para seu pai lhe
trazer a máquina fotográfica deles. Com a máquina, Stock
tirou sete fotos em preto-e-branco de um disco metálico de
aparência sólida com uma abóbada semitransparente em sua
parte superior. Este objeto parecia ter entre 6 e 6,5m de
diâmetro, e viajava lentamente a cerca de sessenta metros
acima do solo. Após revelar as fotografias com um fotógrafo
profissional local chamado John H. Riley, Stock as publicou
no "Morning Call", Vol. CXLI, n° 28 de Paterson, New
Jersey, em 3 de agosto de 1952.
George Wertz, do Escritório de Investigações Especiais da
Força Aérea (OSI), entrou em contato com Stock e insistiu
bastante para que este lhe cedesse os negativos das
fotografias. Estas ficaram retidas na Força Aérea durante seis
meses, e então, depois de Stock reclamar muito, cinco dos
sete negativos foram-lhe devolvidos.
Investigando o caso, August Roberts descobriu que uma
mulher, que morava a três quadras e meia da casa de Stock,
também viu um objeto voador em forma de disco por volta
da mesma hora em que Stock tirou suas fotos. Embora
houvesse outras testemunhas, estas silenciaram subitamente.
O próprio Stock, aparentando estar bastante aborrecido,
acabou entregando os cinco negativos restantes a Roberts e
arrematando: "Diga-lhes que os tirou ou que eles são falsos.
Nada disso me interessa."
Que conclusões poderíamos tirar deste caso? Se examinamos
as fotos, fica claro que elas devem ser farsas ou imagens de
uma nave genuína da típica variedade do disco abobadado.
Tanto Roberts quanto Wertz, o oficial do OSI, parecem ter
ouvido um boato sobre o fato de certo vizinho ter visto
Stock "lançando um modelo no ar". Mas não lhes foi
possível apurar este boato. Ademais, Wertz, baseado em seu
estudo das fotos, achava que "o objeto em questão estava
bem alto e por isso teria sido preciso usar um modelo bem
grande, se é que era mesmo um modelo". Segundo Roberts,
Wertz, mesmo mantendo-se evasivo quanto às fotos de
Stock, tendia a ser favorável à idéia de elas serem genuínas.
Uma característica tanto dos relatos sobre óvnis quanto das
fotografias de óvnis é que, apesar de ser bastante
reconhecido o fato de as formas de óvnis se enquadrarem
em geral em umas poucas categorias básicas (tais como
disco, esfera e elipsóide), é grande a variedade de suas
formas em particular. Em conseqüência disso, são
relativamente poucos os casos de óvnis de aparência idêntica
fotografados independentemente em locais diferentes. O
caso Stock exemplifica este fato, uma vez que, em meados
de 1952, fotografaram óvnis muito parecidos com o de
Stock em Chauvet, França, e em Anchorage, Alasca.
Outro exemplo de duas fotos, aparentemente
independentes, de formas ufológicos quase idênticas foi
relatado pelo Dr. Bruce Maccabee, físico da Marinha e
presidente do Fundo para Pesquisa sobre Óvnis (FUR), em
Maryland. Durante a noite de 7 de julho de 1989, o Sr.
Hamazaki de Kanazawa, Japão, filmou em vídeo um objeto
que passou quase por cima de uma casa. Segundo descrição
de Maccabee, o objeto tinha a forma de um quadrado
brilhante com um hemisfério escuro estendendo-se abaixo
dele, dando a impressão do planeta "Saturno com um anel
quadrado". Um objeto virtualmente idêntico parece ter sido
fotografado por Michael Lindstrom no Havaí em 2 de
janeiro de 1975. Segundo Maccabee, a única diferença
notável entre os óvnis de Hamazaki e Lindstrom era que,
enquanto o óvni de Hamazaki tinha um anel brilhante com
um hemisfério escuro, o de Lindstrom tinha um anel escuro
com um hemisfério brilhante.
Minha última ilustração de evidência fotográfica é extraída
de outra categoria importante: fotografias e filmes que
alegam ser obra de oficiais militares, mas não estão à
disposição do público. No Capítulo 1 (páginas 46-48),
apresentei o depoimento do Dr. Elmer Green com respeito a
fotos e filmes de óvnis feitos em bases militares por
cientistas e engenheiros que eram membros da Divisão de
Sistemas Ópticos.
Eis um caso semelhante baseado no depoimento do Dr.
Robert Jacobs, primeiro-tenente reformado da Força Aérea,
hoje professor adjunto de rádio-filme-tevê da Universidade
de Wisconsin. Segundo alega Jacobs, em 15 de setembro de
1964 ele foi encarregado de filmar um teste com o míssil
Atlas F na Base Aérea de Vandenberg, Califórnia. Alguns
dias após fazer o filme, diz ele, foi convocado por seu oficial
superior, o major Florenz J. Mansmann. O major pediu a
Jacobs para assistir ao filme, chamando-lhe atenção para o
que nele aparecia a uma certa altura:
De repente, vimos um óvni navegando no filme. Era um
objeto redondo, claramente distinguível. Ele voou bem na
direção de nosso míssil e emitiu um vivido clarão de luz. Em
seguida, alterando seu curso, pairou brevemente sobre nosso
míssil (...) e depois veio um segundo vivido clarão de luz.
Então, o óvni voou duas vezes ao redor do míssil e lançou
mais dois clarões de diferentes ângulos, e enfim
desapareceu. Alguns segundos mais tarde, nosso míssil
entrava em pane e tombava sem controle no Oceano
Pacífico, centenas de quilômetros antes do alvo programado
para ele.

Disse-lhe o major Mansmann: "Você não deve dizer nada
sobre esta filmagem. Quanto a você e a mim, isto nunca
aconteceu! Certo...?" Jacobs diz ter esperado dezessete anos
para contar a história.
Segundo disse o Dr. Green, autoridades militares
comunicaram aos membros de sua divisão não haver registro
algum de que os incidentes com óvnis por eles
testemunhados tivessem alguma vez acontecido. Porém, não
receberam ordem de manter sigilo sobre os mesmos.
Conforme também salientou Green, nenhuma das fotos e
filmagens de óvnis de alta qualidade feitas pela Divisão de
Sistemas Ópticos foi colocada à disposição dos cientistas que
prepararam o Relatório Condon. Todas as supramencionadas
conclusões do Relatório Condon sobre evidência fotográfica
basearam-se em fotografias tiradas ocasionalmente por civis
com equipamento fotográfico amador.


3
O Papel do Governo

O clamor público em torno dos "discos voadores" que teve
início em 1947 foi acompanhado de uma crescente
preocupação nos círculos militares americanos. Dois anos
após o fim da Segunda Guerra Mundial, desenvolvera-se
uma controvérsia dentro da recém-formada Força Aérea
americana na tentativa de esclarecer se os óvnis constituíam
ou não uma ameaça à segurança nacional. Segundo Edward
Condon, havia uma acentuada polarização de opiniões:

Dentro da Força Aérea havia quem acreditasse
enfaticamente que o assunto era absurdo e que a Força
Aérea não lhe devia dedicar atenção alguma. Outros oficiais
encaravam os óvnis com a máxima seriedade e acreditavam
ser bem provável que o espaço aéreo americano estivesse
sendo invadido por armas secretas de poderes estrangeiros,
ou possivelmente por visitantes do espaço exterior.

Neste capítulo, resumirei a história do envolvimento do
governo americano e suas forças militares com a questão dos
óvnis. Começarei com a história oficial, conforme Edward
Condon a apresentou no Scientific Study of Unidentified
Flying Objects (Estudo científico sobre objetos voadores
não-identificados).
O primeiro esforço oficial no sentido de lidar com relatos
sobre discos voadores data de 23 de setembro de 1947, por
iniciativa do tenente-general Nathan Twining, chefe do
Estado-maior das Forças Armadas americanas e
comandante-geral da Força Aérea. Twining escreveu uma
carta recomendando a formação de um grupo de estudo para
investigar o problema dos "Discos Voadores". Nesta carta,
ele aventurou opinar que:

1. O fenômeno relatado é algo real, e não visionário ou
fictício.
2. Existem objetos provavelmente com a forma aproximada
de um disco, parecendo ser de tamanho tão mensurável
quanto o são as naves aéreas feitas pelo homem.
3. É possível que alguns dos incidentes sejam causados por
fenômenos naturais, tais como meteoros.
4. As características operacionais relatadas — tais como
velocidades extremas de ascensão, manobrabilidade (em
particular em rolamento) e ação indubitavelmente evasiva
diante da visão ou da tentativa de contato por naves aéreas
amistosas ou por radar — levam a crer na possibilidade de
que alguns dos objetos são controlados manual, automática
ou remotamente.

Twining prosseguia dizendo ser possível se valer da
tecnologia americana daquela época para construir naves
aéreas, só que um esforço nesse sentido seria sobremaneira
caro e consumiria tempo demais. Ele aventou a possibilidade
de os objetos desconhecidos serem produtos de um projeto
secreto americano fora da alçada de seu comando, além de
também ter considerado a hipótese de os mesmos terem
sido produzidos por alguma nação estrangeira.
O grupo de estudo recomendado pelo general Twining foi
alcunhado de Projeto Senha, tendo continuado ativo até
fevereiro de 1949. A execução do projeto ficou a cargo do
Centro Técnico de Inteligência da Aeronáutica (ATIC) na
Base Aérea Wright-Patterson, perto de Dayton, Ohio.
O relatório final do projeto parecia indicar uma atitude
ambivalente quanto à continuação das investigações sobre
óvnis:

Quaisquer atividades futuras relacionadas a este projeto
deverão ser conduzidas com o nível mínimo de esforço
necessário para registrar, resumir e avaliar os dados
recebidos sobre relatos futuros, e para encerrar as
investigações especializadas empreendidas. Quando e se um
número suficiente de incidentes for resolvido a ponto de
indicar que estas visões não representam uma ameaça à
segurança nacional, poder-se-á rescindir a atribuição do
status de projeto especial para a atividade.

Este tom de dúvida também se insinuou em dois apêndices
do relatório, escritos pelo Prof. George Valley, Instituto
Tecnológico de Massachusetts, e pelo Dr. James Lipp, da
Rand Corporation. Argumentando ser a existência de discos
voadores improvável do ponto de vista teórico, estes
cientistas sugeriram que se deveria recorrer a explicações
psicológicas.
Conforme ambos comentaram, os objetos voadores
pareciam comportar-se de forma disparatada, e Valley
chegou a sugerir que eles poderiam ser alguma espécie de
animal, muito embora admitisse jocosamente "haver poucos
relatos confiáveis sobre animais extraterrestres". Era
possível, salientaram ainda, que os óvnis fossem pilotados
por extraterrestres assustados com nossos testes nucleares.
Em seguida, Valley fez eco a outro tema sobre o fenômeno
óvni, dizendo: "Em vista da história pregressa da
humanidade, eles devem estar alarmados. Não surpreende,
portanto, sobretudo na época atual, que observemos
semelhantes visitas."
Após 11 de fevereiro de 1949, o trabalho de pesquisa sobre
óvnis realizado no ATIC passou a ser conhecido como
Projeto Rancor. Esta fase do estudo sobre óvnis parece ter
criado certo rancor entre os membros da equipe que dele
participavam. O astrônomo J. Allen Hynek, por exemplo,
responsável por uma série de análises de casos para o
projeto, disse mais tarde:

O fato de terem alterado o nome do projeto para Projeto
Rancor era indício da adoção de uma atitude de descaso para
com o problema ufológico. O departamento de relações
públicas passou a fazer declarações sobre casos específicos,
que pouca semelhança tinham com os fatos dos casos em si.
Bastava um caso conter algum dos elementos possivelmente
atribuíveis a naves aéreas, a um balão etc. para logo se tornar
aquele objeto no comunicado à imprensa.

Da mesma maneira, outro participante, o capitão Edward J.
Ruppelt, disse: "Esta drástica mudança na atitude oficial é tão
difícil de explicar como foi difícil, para muitas pessoas que
sabiam o que estava acontecendo dentro do Projeto Senha,
acreditar nela."
O Projeto Rancor produziu um relatório em agosto de 1949,
com as seguintes conclusões:

Não há provas de que os objetos relatados sejam o resultado
de um avançado desenvolvimento científico estrangeiro;
portanto, não constituem uma ameaça direta à segurança
nacional. Em vista disto, recomenda-se que se reduza o
âmbito da investigação e do estudo de relatos sobre objetos
voadores não-identificados. O quartel-general AMC
continuará a investigar relatos em que haja nítida indicação
de aplicações técnicas realísticas.
Obs.: É evidente que a continuação dos estudos sobre esta
área apenas confirmaria as descobertas aqui apresentadas.

Além disso, o relatório concluía que todos os relatos sobre
óvnis se devem a (1) interpretação errônea de objetos
convencionais, (2) moderada histeria em massa e guerra fria,
(3) invencionices e (4) personalidades psicopáticas.
Ademais, afirmava-se que a Divisão de Guerra Psicológica
deveria ser informada dos resultados do estudo, já que este
apontava o plantio sistemático de embustes e histórias falsas,
envolvendo óvnis como um possível causador de histeria
em massa. Em 27 de dezembro de 1949, foi publicado um
comunicado à imprensa anunciando o término do Projeto
Rancor.
Quanto ao ponto (4), segundo o próprio Condon afirmou,
"apenas uma proporção ínfima de testemunhas oculares
pode ser categorizada como portadora de psicopatia".
Conforme salientei em relação ao caso Gary Wilcox (páginas
84-85), muitas histórias fantásticas de contatos com óvnis
são contadas por pessoas completamente sãs e equilibradas.
Discutirei este ponto com mais minúcia no Capítulo 4
(páginas 183-87).
Seria de se pensar que este relatório marcasse o fim do
estudo sobre óvnis na Força Aérea. Segundo Condon,
porém, em 10 de setembro de 1951, foi cometido um erro
no centro de radar do corpo de sinaleiros do exército em
Fort Monmouth, New Jersey. Um objeto foi captado no
radar a uma velocidade muito maior que a de qualquer dos
aviões a jato existentes. Mais tarde, descobriram que o
objeto era um jato convencional; mas, antes disso ser
descoberto, o general C. B. Cabell, diretor do Serviço
Secreto da Força Aérea, reagiu ao incidente reativando o
Projeto Rancor sob forma nova e ampliada.
Para um projeto que parecia ter sido ressuscitado por uma
casualidade, esta fase do Rancor mostrou notável
longevidade. Foi a princípio encabeçado pelo capitão
Edward J. Ruppelt, tendo sido renomeado como Project
Blue Book, em março de 1952. Manteve este nome até a
publicação do Relatório Condon em 1969, quando a Força
Aérea finalmente encerrou seu envolvimento oficial com as
investigações sobre óvnis.

A CIA e a Comissão Robertson

Num certo nível do governo, parece que os relatos sobre
óvnis, e não os próprios óvnis, eram tidos como uma ameaça
à segurança nacional. Deste modo, em 24 de setembro de
1952, o diretor adjunto do Serviço Secreto Científico, H.
Marshall Chadwell, escreveu um memorando para Walter
Smith, diretor da CIA. Segundo indicava o memorando,
afora um enorme volume de cartas, chamadas telefônicas e
comunicados à imprensa, o Centro Técnico de Inteligência
Aérea recebera cerca de 1.500 relatos oficiais sobre óvnis
desde 1947 e 250 relatos oficiais somente em julho de 1952.
A Força Aérea julgou inexplicados cerca de 20% desses
relatos. Contudo, Chadwell estava preocupado com um
assunto mais premente do que a explicação dos relatos.
Entre suas prioridades, incluíam-se as seguintes:

1. O interesse do público pelos fenômenos, refletido tanto
na imprensa americana quanto na pressão de inquérito sobre
a Força Aérea, indica que uma considerável proporção de
nossa população está mentalmente condicionada a aceitar o
incrível. Neste fato, jaz o potencial para o desencadeamento
da histeria em massa e do pânico.
2. Apesar de a Rússia estar hoje capacitada a lançar um
ataque aéreo contra os Estados Unidos, a qualquer momento
poderá estar havendo uma dúzia de visões oficiais não-
identificadas, além de muitas extra-oficiais. O ataque pode
vir a qualquer momento e estamos agora numa posição em
que não temos como distinguir de imediato unidades bélicas
de espectros. E, à medida que a tensão se intensificar,
correremos um risco cada vez maior de alertas falsos e o
perigo ainda maior de falsamente identificarmos o real como
sendo espectral.
3. Deveria ser instituído um estudo para determinar que
utilização poderiam dar a estes fenômenos os planejadores
da guerra psicológica americana, se é que se pode dar
alguma, e que defesas se deveria planejar, se é que se pode
planejar alguma, contra as tentativas soviéticas de utilizá-los.

Que poderia ser feito? Era preciso arquitetar algum método
para fazer com que as pessoas parassem de fazer relatos
sobre óvnis, e é talvez por este motivo que a CIA tenha
convocado uma comissão especial de eminentes cientistas,
que se reuniram para discutir o assunto ufológico de 14 a 17
de janeiro de 1953.
A comissão foi nomeada em homenagem a seu presidente,
Dr. H. P. Robertson, diretor do Comitê de Avaliação de
Sistemas Bélicos, da pasta do secretário de Defesa. Incluía o
Dr. Luis Alvarez, físico que trabalhou no projeto da bomba
atômica e mais tarde recebeu o Prêmio Nobel de Física; o
Dr. Samuel Goudsmit, físico da rede de laboratórios
Brookhaven; o Dr. Thornton Page, ex-professor de
astronomia da Universidade de Chicago e diretor adjunto da
Agência Johns Hopkins de Pesquisa Operacional; e o Dr.
Lloyd Berkner, físico e diretor dos laboratórios Brookhaven.
Após deliberar por quatro dias (perfazendo um total de doze
horas), a comissão emitiu um relatório secreto que foi
finalmente tornado público em 1966. O relatório
apresentava as seguintes conclusões:

2. Como resultado de suas considerações, a Comissão
conclui:
a. Que as provas apresentadas sobre objetos voadores não
identificados não mostram indício algum de que estes
fenômenos constituam uma ameaça física direta à segurança
nacional.

Acreditamos firmemente não haver resíduo de casos que
indiquem fenômenos atribuíveis a artefatos estrangeiros
capazes de cometer atos hostis, e não haver provas de que os
fenômenos indiquem a necessidade de rever os conceitos
científicos atuais.

3. A Comissão conclui ainda:
a. Que, caso se continue dando ênfase ao relato destes
fenômenos nestes tempos perigosos, isto resultará numa
ameaça ao funcionamento ordeiro dos órgãos de proteção do
Estado.

Esta ameaça, segundo se pensava, envolvia o bloqueio de
canais de comunicação em função de relatos sobre óvnis, o
desconhecimento de sinais reais de ação hostil e o "cultivo
de uma mórbida psicologia nacional em razão da qual uma
hábil propaganda hostil poderia induzir ao comportamento
histérico e à nociva desconfiança da autoridade devidamente
constituída". Como conseqüência, a Comissão recomendava
que "as agências de segurança nacional tomem medidas
imediatas no sentido de privar os objetos voadores não
identificados do status especial que lhes tem sido conferido e
da aura de mistério que eles infelizmente adquiriram". O
método prescrito pela Comissão para se erradicar esta aura
de mistério era o "desmascaramento", um termo definido
por Condon como "aquilo que desmitifica um assunto". Eis a
estratégia de desmascaramento da Comissão:

O objetivo do "desmascaramento" seria reduzir o interesse
do público por "discos voadores", assunto que hoje evoca
uma forte reação psicológica. Seria possível implantar esta
estratégia de educação através dos meios de comunicação de
massa, tais como televisão, filmes e artigos populares. A base
deste processo educativo seriam as próprias histórias que
teriam intrigado as pessoas, a princípio, mas seriam
explicadas em seguida. Tal como no caso dos truques de
mágica, há muito menos estímulo se o "segredo" é
conhecido. Semelhante programa tenderia a reduzir a atual
credulidade do público e, conseqüentemente, sua
suscetibilidade a um hábil esquema de propaganda hostil.

Robertson e seus colegas pareciam confiantes de que, visto
serem os insólitos discos voadores, meras impossibilidades,
os relatos sobre semelhantes coisas decerto refletiriam
processos de pensamento irracionais. Instintivamente, eles
associaram os relatos sobre óvnis a truques de mágica, tanto
quanto Hudson Hoagland o fez, anos mais tarde, ao associar
os óvnis a médiuns espíritas farsantes, nas páginas de
Science (Capítulo 1). A convicção subjacente a este
contexto é de que a ciência conhece a verdade; logo, as
pessoas só fazem declarações contrárias a esta verdade por
serem crédulas e fáceis de manipular. Apesar de não serem
necessariamente loucas, em seu estado são e normal estão
propensas a acreditar em disparates pseudocientíficos.
Não há motivo algum para se pensar que os membros da
Comissão eram manipuladores cínicos. É bem possível que
estivessem sendo de todo sinceros em suas conclusões e
estivessem apenas tentando cumprir seu dever patriótico de
proteger os Estados Unidos ao tentarem ajustar a volátil
consciência das massas.

O que estava acontecendo enquanto isto?

Enquanto se desenrolavam estas atividades dentro da Força
Aérea e do governo, oficiais militares continuavam a relatar
visões e contatos com óvnis. Em 1964, o Comitê Nacional
de Investigação sobre Fenômenos Aéreos publicou uma
compilação de informações sobre óvnis intitulada The UFO
Evidence. Este documento incluía uma tabela de 92 visões
de óvnis por parte de oficiais da Força Aérea americana,
datadas de 1944 a 1961, com uma concentração maciça em
1952 e 1953. Esta tabela é reproduzida no Apêndice 1.
Há 92 casos nesta tabela. Estão incluídos 24 casos de aviões
da Força Aérea perseguindo óvnis, sendo perseguidos ou
repetidas vezes ameaçados por eles. Em outros vinte casos,
um óvni parecia deliberadamente seguir um avião da Força
Aérea (mas não persegui-lo) ou fazer um vôo rasante sobre
uma base militar. É difícil conciliar estas estatísticas com a
conclusão oficial da Força Aérea de que os óvnis jamais
foram encarados como uma ameaça militar. Se isto é mesmo
verdade, é de se supor que, volta e meia, os pilotos da Força
Aérea pensam estarem sendo perseguidos por balões
meteorológicos, meteoros ou o planeta Vênus, além de volta
e meia saírem atrás de tais objetos aos trambolhões.
Segundo observou Richard Hall, editor de The UFO
Evidence, após a decretação do Regulamento 200-2 da Força
Aérea em 6 de agosto de 1953, diminuiu bastante o número
de relatos de visões oriundos da Força Aérea. Este
regulamento estabelecia as normas da Força Aérea para lidar
com provas sobre objetos voadores não-identificados. Um
aspecto importante do regulamento era sua norma de
divulgação de relatos sobre óvnis ao público:

9. Exceções. Em resposta a indagações locais resultantes de
se ter avistado algum óvni na vizinhança de uma base da
Força Aérea, a informação relativa ao incidente poderá ser
divulgada à imprensa ou ao público em geral pelo
comandante da base em questão apenas se o referido objeto
tiver sido positivamente identificado como um objeto
familiar ou conhecido. (...) Se a visão for inexplicável ou
difícil de identificar, por causa de informação insuficiente ou
inconsistências, só será permitido comunicar o fato de que a
visão está sendo investigada, e qualquer informação relativa
a ela será divulgada em data posterior.

Isto poderia ser interpretado como um procedimento
perfeito para se evitar de histórias cruas e
desencaminhadoras serem levadas ao público. Com certeza,
se realmente não existem naves aéreas desconhecidas, não
se devem publicar relatos sobre óvnis até que se possam
encontrar explicações convencionais. Porém, no caso de
elas existirem de fato, o efeito deste regulamento é de
suprimir provas importantes que poderiam ajudar as pessoas
a entendê-las corretamente.

Exemplos de perseguições militares a óvnis

Estão disponíveis muitos relatos de atividades ufológicas
consideradas ameaçadoras por pilotos militares. Em 10 de
fevereiro de 1950, por exemplo, um certo tenente Smith,
comandante de avião de patrulha da Marinha americana,
realizava um rotineiro trabalho de segurança perto de
Kodiak, Alasca. A um raio de radar de nove quilômetros, ele
viu um objeto próximo ao nariz de boreste de sua nave.
Dentro de dez segundos, o objeto sobrevoava diretamente o
avião, o que indica uma velocidade aproximada de 3.500
quilômetros por hora. Para Smith e sua tripulação, o objeto
apareceu sob a forma de duas luzes alaranjadas girando
devagar em torno de um centro comum. Eis uma descrição
das interações de Smith com este objeto:

O tenente Smith ascendeu para interceptar o objeto,
tentando girar para mantê-lo à vista. Não logrou fazê-lo, pois
o objeto era por demais manobrável. Além disso, como
parecesse estar abrindo seu raio de ação, Smith tentou fechá-
lo. Smith observou o objeto ampliando-se um tanto, para
depois virar à esquerda e atingir a sua posição. Considerando
este gesto bastante ameaçador, Smith ligou todas as luzes da
aeronave. Quatro minutos depois, o objeto sumiu de vista
em direção ao sudeste.
Este é um de uma série de contatos com óvnis descritos
num relatório da Marinha americana. Recorrendo à Lei de
Liberdade de Informação, tive acesso a este relatório ao
consultar arquivos do FBI. Conforme um comentário anexo
ao final do documento, os objetos avistados não poderiam
ter sido balões, visto que, segundo constava, antes ainda da
época das visões, não haviam começado a lançar balões
meteorológicos. Um comentarista sugeriu que se tratava de
"fenômenos (possivelmente meteoritos) cuja natureza exata
não pôde ser determinada por este ministério". Segundo
disse outro comentarista, poderiam ser aviões a jato.
Em 8 de março de 1950, o capitão W. H. Kerr, e dois outros
pilotos da TWA relataram ter visto um óvni perto de
Dayton, Ohio. Naquela ocasião, surgiram mais de vinte
outros relatos procedentes da área, que ficava próxima à Base
Aérea Wright-Patterson. Operadores da torre de controle e
oficiais do Centro Técnico de Inteligência da base também
avistaram o óvni na mesma posição, e enviaram quatro
interceptadores. Dois pilotos de F-51 viram o óvni,
descrevendo-o como sendo enorme, metálico e de forma
redonda. Quando se acumularam nuvens no céu, os pilotos
tiveram que retornar à base. O suboficial que rastreou o
objeto no radar disse: "O alvo era um retorno bem sólido...
causado por um alvo bem sólido." Segundo disseram
testemunhas, o óvni partiu voando verticalmente, céu
acima, a uma grande velocidade.
Outro caso envolvendo perseguição a um óvni ocorreu no
Japão. Em 15 de outubro de 1948, um óvni viajando a cerca
de 320 km/h entre 1.500 e 1.800 metros de altitude foi
detectado no radar por um caça noturno F-61 do tipo "Viúva
Negra". Toda vez que o F-61 tentava aproximar-se do
objeto, este acelerava para cerca de 2.300 km/h,
distanciando-se do interceptador antes de reduzir a
velocidade. Em uma de suas seis tentativas de perseguição, a
tripulação aproximou-se do objeto o bastante para ver sua
silhueta. Eles descreveram o objeto como tendo entre seis e
nove metros de comprimento e o formato "da bala de um
rifle". Este caso foi relatado ao Projeto Senha original.
Com relação a estes contatos, o Dr. J. E. Lipp, um dos
consultores científicos do Projeto Senha, disse:

A falta de propósito aparente nos diversos episódios também
é intrigante. Apenas um motivo pode ser atribuído: que os
homens do espaço estão "sondando" nossas defesas sem
querer ser beligerantes. Se é assim, com certeza já
concluíram há muito tempo que nós não temos como
alcançá-los. Parece infrutífero para eles prosseguir repetindo
o mesmo experimento.

Podemos deduzir disto que o Dr. Lipp decerto examinou um
bom número de relatos de perseguição a óvnis. Com suas
observações, ele intenta lançar dúvida sobre a realidade dos
eventos relatados. Contudo, seu argumento de que os
"homens do espaço" teriam apenas um motivo possível não
é correto. Podemos pensar em muitos outros motivos
possíveis. Um motivo poderia ser, por exemplo, fazer os
humanos voltarem repetidas vezes para casa com a
mensagem de que existem seres com tecnologia superior à
nossa.

Casos envolvendo radar

É significativo o fato de muitos contatos militares com óvnis
envolverem a observação mediante o uso de radar. A Força
Aérea parece ter levado estes casos a sério, pelo menos nos
anos 50, visto que o Regulamento 200-2 da Força Aérea
continha instruções para lidar com fotos de óvnis tiradas
com o osciloscópio do radar:

(5) Radar. Encaminhar duas cópias de cada impressão
fotográfica. Intitular impressões fotográficas (de fotos tiradas
com o osciloscópio do radar) de acordo com RFA 95-7.
Classificar tais fotografias de acordo com a seção XII, RFA
205-1, de primeiro de abril de 1959.

O Relatório Condon contém uma seção sobre casos
envolvendo radar escrita por Gordon Thayer, da U.S.
Enviroment Science Services Administration. Nela,
encontramos uma típica declaração ambivalente, a qual
tenta explicar o inexplicável para depois admitir o
inadmissível:

(5) Parece haver alguns efeitos de propagação muito
incomuns, raramente encontrados ou relatados, que
ocorrem sob condições atmosféricas tão raras que podem
constituir fenômenos desconhecidos; se este é o caso, eles
merecem ser estudados. Esta parece ser a única conclusão
sensata a que se pode chegar a partir do exame de alguns dos
casos mais estranhos. (...)
(6) Existe um pequeno, porém significativo, resíduo de casos
nos arquivos relativos a visões detectadas por radar (i.e.,
1482-N, Caso 2) que não têm nenhuma explicação plausível
como fenômenos de propagação e/ou objetos feitos pelo
homem e interpretados de forma errônea.

Como o assunto radar é extremamente técnico, não terei
como examiná-lo em minúcias aqui. O radar opera
refletindo ondas de rádio de alta freqüência sobre objetos,
processo que pode ser afetado por muitas condições
atmosféricas diferentes, as quais fazem com que as ondas se
refratem ou se reflitam de maneira incomum. São os
chamados efeitos de propagação anômala. No entanto,
segundo efetivamente indica a análise de Thayer, num
número significativo de casos tais efeitos não podem
explicar as visões de óvnis envolvendo radar.
Os fenômenos desconhecidos por ele mencionados são
dignos de nota. Entre eles, incluem-se os gradientes de
temperatura atmosférica da ordem de 10 a 15°C em um
centímetro. Tais gradientes inauditos são necessários para
explicar certos óvnis em termos de miragens e propagação
anômala de radar.
Um exemplo de visão de óvni limitada estritamente ao radar
ocorreu ao largo da costa da Coréia, no outono de 1951. O
tenente comandante M. C. Davies teve um contato com um
óvni enquanto dispunha um esquadrão anti-submarino a
bordo de um porta-aviões. O incidente ocorreu enquanto
ele voava à noite, a 1.500 metros de altitude.
Ele captou um alvo, que vinha circundando a frota, no
osciloscópio de seu radar. Ao afastar-se da frota, o alvo
assumiu posição por trás de um de seus pilotos, voando
cerca de cinco quilômetros à popa, e manteve praticamente
a mesma posição relativa ao avião de Davies que o referido
piloto. O navio também registrou o alvo em seus radares.
Após cerca de cinco minutos, o alvo partiu a uma velocidade
de mais de 1.600 km/h e foi observado no osciloscópio do
radar por Davies até 380 quilômetros de distância, o alcance
máximo de seu radar. Depois de seu vôo, Davies ficou
sabendo que o alvo havia sido mantido por cerca de sete
horas nos radares do navio. Neste caso, parece estranho que
um efeito de propagação anômala fosse primeiro parecer
circundar a frota por horas a fio, depois seguir o rastro de
um avião por cinco minutos, e então partir voando em alta
velocidade.
Em outro caso envolvendo a combinação de observação
visual e por radar, a Base Militar de Observação localizou um
óvni sobrevoando os céus orientais perto de Rapid City,
South Dakota, em 12 de agosto de 1953. O radar da base
começou a rastrear o objeto, juntamente com o F-84 que foi
localizado pelo vetor em cima dele. O F-84 perseguiu o óvni
por 230 quilômetros. Quando o piloto abandonou a
perseguição, regressando à base, o óvni o seguiu. Quando
outro F-84 foi enviado à procura do objeto, perseguindo-o
por 310 quilômetros, obteve um bloqueio de radar
(dispositivo que guia o avião de forma automática na direção
do óvni). Contudo, o piloto ficou amedrontado e solicitou
que rompessem o bloqueio quando uma luz vermelha
começou a piscar na tela de seu radar, indicando haver um
objeto sólido à frente dele. O clímax da visão se deu quando
tanto o óvni quanto o F-84 foram vistos com nitidez na tela
do radar, e o piloto viu uma luz branca e não-identificada
correndo na sua frente. Neste caso, fotografias automatizadas
suplementaram o depoimento do piloto sobre o que ele
tinha visto.
Em outro caso ainda, um avião da Marinha americana, tendo
decolado de um porta-aviões na Coréia em setembro de
1950, rumava para um ataque a um comboio de caminhões
inimigos a cerca de 160 quilômetros do rio Yalu. O operador
de radar do avião fez o seguinte relato:

Enquanto observava o solo abaixo de nós à procura do
comboio, fiquei assustado ao avistar duas grandes sombras
circulares aproximando-se de nós, vindo do noroeste em alta
velocidade. (...) Quando vi as sombras, olhei para o alto e vi
os objetos que as estavam causando. Eram enormes.
Confirmei isto tão logo passei os olhos na tela do meu radar.
Também iam a passo rápido — cerca de 1.600 ou 1.800
km/h. A tela do meu radar indicava dois quilômetros entre
os objetos e nossos aviões, quando de repente os objetos
pareceram parar, retroceder e começar um movimento de
tremor ou fibrilação. Minha primeira reação,
evidentemente, foi atirar. Acionei minhas armas, as quais
acionaram suas câmeras de forma automática. Contudo,
quando eu estava pronto para atirar, o radar enlouqueceu. A
tela ficou arroseada e depois muito brilhante. (...) Dei-me
conta de que meu radar havia sido bloqueado, tornando-se
inútil. Em seguida, liguei para o porta-aviões, usando meu
código. Repeti o código duas vezes, mas meu receptor estava
desligado — bloqueado por um zunido estranho.
Tentei duas outras freqüências, mas não consegui fazer
contato. Toda vez que eu trocava de freqüência, a faixa
ficava nítida por um instante, mas em seguida o zunido
começava.

Segundo descreveu a testemunha, os objetos tinham a
aparência de um espelho prateado e uma circundante luz
vermelho-cintilante. Tinham o formato de chapéus de cule
e portas oblongas. Tinham um anel vermelho brilhante em
volta de sua parte superior e, quando manobravam por cima
do avião, dava para ver uma área circular negra da cor do
carvão.
Um aspecto muito curioso deste relato é o fato de o óvni ter
supostamente bloqueado o radar do avião, logo quando a
testemunha acionou suas armas. Ora, como poderiam os
pilotos do óvni saber o momento exato em que seriam
acionadas as armas? Este aspecto poderia, portanto,
comprometer a credibilidade do relato. Mas acontece que
muitos relatos sobre óvnis costumam envolver aparentes
reações diretas dos alienígenas aos pensamentos do
observador. Para outro exemplo militar, veja o caso do óvni
no Irã mais adiante (páginas 126-27).
Concluo esta seção com um contato tanto visual quanto por
radar, ocorrido perto de Lakenheath, Inglaterra, em 13 de
agosto de 1956. Extraí o resumo deste caso do Relatório
Condon.
Um alvo de radar foi a princípio observado viajando a 7.500
km/h pelo radar do controle de tráfego aéreo nas estações
coligadas das forças aéreas americana e inglesa (USAF e
RAF) próximas a Lakenheath. Além disso, segundo
relataram a equipe da torre de controle e a tripulação de um
avião C- 47 que sobrevoava a base, o mesmo alvo foi visto
como uma luz enodoada. Em seguida, foi observado um alvo
de radar que permanecia estacionário por algum tempo para
então movimentar-se a uma velocidade constante de cerca
de 1.100 km/h para outro ponto, onde outra vez permanecia
estacionário. Sua velocidade foi descrita como sendo
constante desde o momento em que se punha em
movimento até o momento em que voltava a parar. Nessa
altura, um avião interceptador da RAF foi lançado contra o
óvni:

Logo após dizermos ao avião interceptador que ele estava a
um quilômetro do óvni, que estava a doze horas da posição
dele, ele disse: "Roger, (...) minhas armas estão apontadas
para ele." Então, fez uma pausa e disse: "Aonde foi ele? Você
ainda o vê?" Nós respondemos: "Roger, ele parece ter ido
atrás de você e ainda está lá." (...) O piloto do interceptador
nos disse que tentaria abalar o óvni mais de uma vez. Ele
tentou de tudo — saltou, mergulhou, circulou etc., mas o
óvni agia como se estivesse colado bem atrás dele, sempre à
mesma distância, bem próximo, mas sempre tínhamos dois
alvos distintos."

Segundo a conclusão do Relatório Condon sobre este caso,
"apesar de sem dúvida não se poderem descartar explicações
convencionais ou naturais, parece pequena a probabilidade
das mesmas neste caso, ao passo que parece ser bem grande
a probabilidade do envolvimento de pelo menos um óvni
autêntico". O Relatório Condon também cita a conclusão do
relatório do Projeto Blue Book sobre este caso:

As manobras do objeto eram extraordinárias; no entanto, o
fato de terem feito observações (por radar e visuais — a
partir do solo) de sua rápida aceleração e suas paradas
abruptas, com certeza dá crédito ao relato. Segundo se
acredita, estas visões não teriam tido alguma origem
meteorológica ou astronômica.

Por último, na audiência sobre óvnis realizada no Congresso,
em abril de 1966, perguntaram ao major Hector Quintanilla,
diretor do Projeto Blue Book, se constavam no mesmo
relato sobre objetos vistos por radar que não podiam ser
explicados de maneira convencional. Quintanilla replicou:
"Não temos casos de radar que não tenham sido explicados."
Porém, segundo escreveu o Dr. J. Allen Hynek, existem
casos não identificados de radar nos arquivos do Blue Book.

O Relatório Condon

Após a formação do Projeto Blue Book e as deliberações da
Comissão Robertson nos primórdios dos anos 50,
continuaram a ocorrer visões e contatos com óvnis. Por
mais de uma década, autoridades civis e militares não
tomaram nenhuma nova medida pública sobre a questão dos
óvnis. Então, em 1965, o major-general E. B. LeBailly, chefe
do Departamento de Informação do Ministério da
Aeronáutica, propôs que se organizasse uma comissão de
cientistas físicos e sociais com o intuito de rever o Projeto
Blue Book. Segundo o raciocínio dele, dos 9.265 relatos
sobre óvnis processados pelo Blue Book, 663 ficaram sem
explicação. Porém, muitos destes "procedem de indivíduos
inteligentes e idôneos de cuja integridade não se pode
duvidar. Além do mais, os relatos recebidos em caráter
oficial pela Aeronáutica incluem apenas uma fração dos
relatos espetaculares que são levados à público por muitas
organizações privadas envolvidas com pesquisas sobre
óvnis". Esta solicitação formal resultou na formação do
Comitê Ad Hoc para Revisão do Projeto Blue Book,
consistindo no físico Brian O'Brian, os psicólogos Launor F.
Carter e Jesse Orlansky, os engenheiros elétricos Richard
Porter e Willis H. Ware, e o astrônomo e cientista espacial
Carl Sagan. Em suas conclusões, os membros do Comitê
enfatizaram não haver provas de que os óvnis representem
uma ameaça à segurança nacional ou de que estejam
claramente fora da estrutura do que é hoje conhecido em
termos de ciência e tecnologia. Além disso, para a maioria
das visões não identificadas de óvnis, "a informação
disponível simplesmente não fornece uma base adequada
para análise".
Mas eles também salientaram que muitas visões foram
classificadas como identificadas sem justificativa adequada.
Portanto, uma forma de revigorar o Blue Book, segundo
recomendação deles, seria negociar contratos de pesquisa
científica sobre óvnis com uma série de universidades. Esta
pesquisa precisaria talvez de mil homens/dia por ano para
cerca de cem visões selecionadas. Seria coordenada por uma
universidade ou uma organização sem fins lucrativos, que se
manteria em contato constante com o Projeto Blue Book, e
seria publicada em relatórios ampliados do Blue Book.
Segundo ainda recomendou o Comitê (por razões não
declaradas), "qualquer coisa que pudesse sugerir alguma
retenção de informação deveria ser suprimida" desses
relatórios. Segundo advogavam eles, tais relatórios
científicos ajudariam a fortalecer a posição pública da Força
Aérea quanto aos óvnis.
Logo após o Comitê Ad Hoc lançar seu relatório, ocorreu,
perto de Dexter, Michigan, uma divulgadíssima série de
visões de óvnis, explicadas pelo Dr. J. Allen Hynek com sua
famosa teoria do gás de pântano. O congressista Gerald Ford,
fazendo objeções à notoriedade que Michigan estava
obtendo como o "estado do gás de pântano", insistiu que se
realizasse uma investigação no Congresso. Isto culminou
numa audiência de um dia do Comitê Nacional das Forças
Armadas sobre o assunto óvni, em 5 de abril de 1966.
Nesta audiência, Harold Brown, ministro da Aeronáutica,
recomendou a realização de um estudo científico acerca dos
óvnis de acordo com as diretrizes estipuladas no relatório do
Comitê Ad Hoc, para o que recebeu o apoio de J. Allen
Hynek. Hynek expressou a urgência do problema dizendo:

Durante todo este período de quase vinte anos, tenho
procurado me manter tão imparcial sobre o assunto óvni
quanto permitiram as circunstâncias — a despeito do fato de
o mesmo parecer ridículo. Além do mais, muitos de nós
acreditávamos piamente que, assim como algum tipo de
moda ou mania passageira, o referido assunto se acalmaria
numa questão de meses. Todavia, nos últimos cinco anos,
foram apresentados mais relatos à Força Aérea do que nos
primeiros cinco anos.
A despeito da aparente futilidade do assunto, eu senti que,
como cientista, estaria faltando com minha responsabilidade
para com a Força Aérea se não salientasse a possibilidade de
haver, no fenômeno óvni como um todo, aspectos dignos da
atenção da comunidade científica.

O engenheiro Raymond Fowler também fez seu
depoimento sobre a visão de Exeter nas audiências (páginas
77-79). Declarou ele: "Após anos de estudo, estou certo da
existência de provas de observação de alta qualidade, por
parte de testemunhas habilitadas e confiáveis, para indicar o
fato de haver, em nossa atmosfera, objetos sólidos parecidos
com máquinas, tripulados por alguma forma de controle
inteligente." Conforme sugeriu também, a Força Aérea deve
estar retendo informações importantes que apóiam sua
conclusão sobre esses objetos: "Parece-me sensato deduzir
que, se idôneos cientistas e investigadores civis conseguiram
chegar a esta conclusão, então, a Força Aérea dos Estados
Unidos, apoiada pelos tremendos recursos a sua disposição,
já deve ter concluído o mesmo há muito tempo."
Após a audiência congressual, o Departamento de Pesquisas
Científicas da Força Aérea (AFOSR) foi incumbido da
responsabilidade de implementar as recomendações do
Comitê Ad Hoc. Resolveram que só uma universidade, e
não várias, deveria realizar um estudo sobre os óvnis. Assim,
no verão de 1966, o AFOSR solicitou a realização do estudo
à Universidade do Colorado e, para dirigi-lo, convidou o
eminente físico Dr. Edward U. Condon.
Para Condon, aquela foi uma tarefa difícil. Ele estava
acostumado ao erudito e racional mundo da física, onde
partículas subatômicas dançam elegantemente em
obediência a equações exatas. No campo dos óvnis, porém,
ele foi bombardeado por bizarros disparates não-científicos.
Por um lado, os aspectos mais fantásticos do fenômeno
ufológico pareciam tanto repugná-lo quanto fasciná-lo e, por
outro, pareciam incentivá-lo a dissimular sua atitude em
relação aos óvnis em geral.
Condon dedicou, por exemplo, uma página inteira de seu
relatório final a um exame do robô de Cisco Grove. No fim
de semana do Dia do Trabalho de 1964, três homens foram
caçar com arco e flecha perto de Cisco Grove, Califórnia.
Um deles, chamado aqui de "Sr. S" para proteger sua
identidade, perdendo-se na floresta ao escurecer, acendeu
fogueiras sinalizadoras para atrair guardas florestais que
pudessem lhe ajudar a sair dali. Então, ele reparou em uma
luz móvel de aparência incomum e, amedrontado, subiu
numa árvore.
Reparou em um "negócio abobadado" a cerca de 350 ou 450
metros de distância, e então duas figuras estranhas
aproximaram-se da árvore e olharam para onde ele estava.
Elas tinham cerca de 1,5m de altura, trajavam uma roupa
com tecido cinza-prateado e não tinham pescoço ou traços
faciais visíveis. Logo veio se juntar às primeiras outra figura
mais sinistra que pareceu ter chegado cambaleando através
dos arbustos, em vez de tê-los rodeado:
A terceira "entidade" era cinza, cinza-escuro ou negra.
Também não tinha pescoço discernível, mas dois "olhos"
laranja-avermelhados cintilavam e bruxuleavam onde seria a
sua "cabeça". Tinha uma "boca" que, aberta, parecia
"pendente", formando um orifício retangular no "rosto".

Esta aparição tentou "gasear" a testemunha, que se havia
cingido aos galhos superiores da árvore, emitindo "fumaça"
de sua "boca". Esta fumaça deixava o homem
temporariamente inconsciente, após o que ele despertava,
abatido e com ânsia de vômito, apenas para enfrentar outra
rajada de "fumaça". Após um ataque final de gás, ele
despertou cansado, com frio e enjoado, para descobrir que as
entidades haviam partido.
Um tanto consternado, Condon observou que esta
informação havia sido coligida por um profissional, o Dr.
James A. Harder, professor adjunto de engenharia civil da
Universidade da Califórnia, em Berkeley. Contudo, histórias
desta espécie eram demais para Condon, que por isso se
sentia inclinado a rejeitar as histórias e o fenômeno óvni em
geral.
O meteorologista James McDonald criticou Condon por isto,
dizendo: "Não consigo entender como se poderia justificar a
repetida alusão do Dr. Condon a casos birutas por ele
examinados diante de seu interesse aparentemente escasso
em se aprofundar nos aspectos sérios do problema."
No entanto, a abordagem de Condon ocasiona um problema
sério que afeta o estudo científico dos óvnis. A história dos
óvnis começa com relatos sobre aeronaves desconhecidas
que parecem capazes de sobrepujar o desempenho de naves
militares. Embora tais relatos possam parecer esquisitos para
um cientista, o que ele poderia descobrir na busca de
maiores informações sobre estas máquinas estranhas?
Descobre serem elas pilotadas por estranhos seres
humanóides e isto é pior ainda. Porém, se investiga a
natureza destes seres, descobre que eles são dotados de
poderes misteriosos que fazem lembrar as superstições há
muito rejeitadas pela ciência. Quanto mais avança na
investigação, mais ele se embrenha no território do
cientificamente proibido.
Logo, uma forma de encarar a posição de Condon é que ele,
reconhecendo no fenômeno ufológico uma ameaça a seu
sistema de crença científica, teve o instinto de escolher
fazer o que parecia ser logicamente necessário para manter
intacto aquele sistema. De qualquer modo, em 1969,
Condon apresentou o Scientific Study of Unindentified
Flying Objects (Estudo científico sobre objetos voadores não
identificados). Suas conclusões foram as seguintes:

1. Conforme nossa conclusão geral, nos últimos 21 anos,
nada resultou do estudo sobre os óvnis que tivesse
contribuído para o conhecimento científico. Pelo exame
meticuloso do registro à nossa disposição, concluímos não
ser provável poder justificar a continuação dos estudos
extensivos sobre óvnis, com a expectativa de que eles
promovam algum avanço para a ciência.
2. Resta saber o que o governo federal deverá fazer, se é
que deva fazer algo, a respeito dos relatos sobre óvnis
encaminhados pelo público em geral. Sentimo-nos
inclinados a achar que nada poderia ser feito com eles
esperando que possam vir a contribuir para o avanço da
ciência.
3. Não sabemos de razão alguma para questionar a
conclusão da Força Aérea, segundo a qual o conjunto de
relatos sobre óvnis até aqui considerado não representa um
risco para a segurança nacional.
4. Portanto, recomendamos firmemente que os professores
se abstenham de dar crédito a seus alunos por trabalhos
escolares baseados na leitura de livros e artigos de revistas
sobre óvnis. Caso encontrem em seus alunos uma forte
motivação neste sentido, os professores deverão tentar
canalizar-lhes os interesses para o estudo sério da astronomia
e da meteorologia, como também para uma análise crítica
dos argumentos constantes em proposições fantasiosas, que
têm contado com o apoio do apelo a raciocínios enganosos
ou dados falsos.

Tenho citado o Relatório Condon em várias ocasiões e,
examinando estas citações, não me resta dúvida de que há
uma diferença substancial entre o corpo principal do
relatório, que é sobretudo da autoria de membros da equipe
de Condon, e as conclusões do próprio Condon. Isto tem
sido constatado por diversas pessoas. Por exemplo: um
subcomitê instituído para investigar óvnis pelo Instituto
Americano de Aeronáutica e Astronáutica disse o seguinte
sobre o Relatório Condon:

Assim como existem diferenças nas opiniões e conclusões
dos autores dos diversos capítulos, também existem
diferenças entre estas e o resumo de Condon. Nem todas as
conclusões contidas no relatório em si estão plenamente
refletidas no resumo de Condon.

Da mesma forma, o Dr. Claude Poher, pesquisador ufológico
francês e um dos diretores do Comitê Espacial francês, disse
a J. Allen Hynek que passou a se interessar pelos óvnis por
causa do Relatório Condon. A maioria das pessoas, replicou
Hynek, tinha uma reação contrária ao mesmo. Poher
respondeu: "Bem, se você realmente ler o relatório de ponta
a ponta, sem se deter apenas no resumo de Condon,
perceberá que há um problema ali." Apesar de alguns
cientistas terem identificado um fenômeno verdadeiro nos
dados sobre óvnis, a opinião científica predominante tem
sempre sido que, se não é possível explicar tais dados em
termos científicos ortodoxos, então eles simplesmente não
têm explicação. Em alguns casos, isto se dá por falta de
provas adequadas. Em muitos outros, porque as provas
distoam da visão científica vigente acerca do que é possível,
sendo, portanto, descartadas.
Um exemplo disto é o tratamento dado pelo Relatório
Condon a um caso de contato imediato em Beverly,
Massachusetts, em 22 de abril de 1966. Eis uma síntese do
caso, conforme apresentado no próprio Relatório Condon.
Na noite do dia 22, Nancy Modugno, onze anos, avistou da
sua janela uma brilhante luz tremeluzente, logo após as 21h.
Ao olhar para fora, viu um objeto voador do tamanho de um
carro e com o formato de uma bola de futebol americano,
que produzia um zunido ricocheteante e portava luzes
coloridas intermitentes. Este objeto se dirigia a um amplo
campo que ficava atrás da Escola Secundária de Beverly,
próxima dali. A menina alertou sua mãe, Claire, que estava
visitando suas amigas Barbara Smith e Brenda Maria, num
apartamento vizinho. Após avistarem a luz intermitente
perto da escola, as três mulheres se dirigiram até a margem
do campo, a cerca de 250 metros do prédio da escola, para
averiguar aquilo. Ali elas viram três objetos voadores
brilhantemente iluminados que circundavam, paravam e
outra vez circundavam o prédio da escola e outros prédios
próximos.
Achando que fossem aviões ou helicópteros, as três
atravessaram o campo para vê-los mais de perto. Nessa
altura, desenrolaram-se os seguintes eventos:

Ainda achando que fossem aviões ou helicópteros, uma das
mulheres acenou para a luz mais próxima com um meneio
de braço, depois do que a mesma veio bem na direção dela.
Segundo disse ainda, tão logo a luz se acercou sobrevoando
quase à altura de sua cabeça, ela pôde ver que se tratava de
um disco de metal, do tamanho aproximado de um carro
grande, com luzes cintilantes ao redor de sua parte superior.
Ela descreveu o objeto como sendo de fundo chato e sólido,
com um contorno arredondado e uma superfície que parecia
de alumínio opaco. As duas outras mulheres saíram
correndo. Olhando para trás, viram a amiga bem abaixo do
objeto, que estava a apenas uns cincos metros acima dela.
Ela mantinha as mãos unidas por sobre a cabeça como que
para se proteger, tendo mais tarde relatado ter pensado que o
objeto ia esmagá-la. O objeto inclinou- se de repente e
voltou a se posicionar a cerca de quinze metros acima da
escola.

Mais tarde, dois policiais observaram os óvnis. Como disse
um deles numa entrevista, apesar de não ter visto "nem um
avião nem um helicóptero, ele não sabia do que se tratava.
Pareceu-lhe que o objeto tinha o formato de uma moeda de
meio dólar, com três luzes de cores diferentes em
reentrâncias de sua 'extremidade', algo semelhante a luzes
sobressalentes".
Na página seguinte do Relatório Condon, os investigadores
Roy Craig e Norman Levine deram a seguinte explicação
para estes eventos: em primeiro lugar, "conforme indicou
uma análise de todos os relatos, todos os observadores,
exceto a menina e o grupo de três mulheres, haviam visto
algo parecido com uma estrela". Isto contradiz a declaração,
feita por eles na página anterior do relatório, acerca das
observações do policial; contudo, não a mencionaram.
Segundo disseram eles, as cores mutáveis dos "objetos"
poderiam dever-se ao bruxuleio comum da luz das estrelas.
Quanto ao aparente movimento dos mesmos, poderia ser
devido à autocinese, segundo a qual os movimentos do olho
criam a ilusão de movimento numa fonte de luz
estacionária. A estrela poderia ter sido Júpiter, visto que este
planeta, visível no céu àquela época, encontrava-se bem no
campo de visão das testemunhas. Que se deveria fazer com
o depoimento das três mulheres? Craig afirmou:

Mesmo sem os casos recém-investigados produzirem,
sequer em nível de teor narrativo, provas residuais
convincentes o bastante para apoiar a hipótese da presença
física de um veículo alienígena, as narrativas de eventos
anteriores, tais como o incidente de 1966 em Beverly,
Massachusetts, (Caso 6), não se enquadrariam em nenhuma
outra explicação se o depoimento das testemunhas fosse
levado ao pé da letra.

Porém, podemos sempre optar por desconsiderar tal
depoimento se assim o desejarmos. Neste caso, Craig fez isto
ao rotular as provas de "anedóticas" e dizer ser tarde demais
para submeter as testemunhas a testes psicológicos
significativos. Numa carta a Raymond Fowler, um dos
investigadores originais do caso de Beverly, Craig comentou
ainda: "Não vou especular, nem neste nem em qualquer
outro caso, a respeito do que as mulheres teriam visto".
Um comitê de revisão organizado pela prestigiosa Academia
Nacional de Ciências (NAS) contentou-se, é claro, com esta
abordagem para as provas sobre óvnis. Em seu Relatório
Anual para o Ano Fiscal 1968-69, a NAS endossa o Relatório
Condon da seguinte maneira:

Conforme nossa opinião unânime, tem-se envidado um
esforço dos mais louváveis no sentido de aplicar, com
objetividade, as técnicas científicas pertinentes para a
solução do problema ufológico. O Relatório reconhece ainda
restarem visões de óvnis que não são fáceis de se explicar.
Contudo, com o mesmo Relatório sugerindo tantas
orientações razoáveis e possíveis para se poder encontrar
uma explicação, não parece haver motivo para atribuir as
referidas visões a uma fonte extraterrestre, sem provas que
sejam muito mais convincentes.


Mais eventos recentes

Logo após a publicação do Relatório Condon, a Força Aérea
divorciou- se em caráter oficial do estudo sobre alienígenas
— no entanto, continuaram a acontecer contatos de
militares com óvnis. Nos últimos anos, órgãos civis de
pesquisa sobre óvnis, recorrendo à Lei de Liberdade de
Informação, demonstraram que tanto militares quanto
diversas agências de serviço secreto continuavam a
documentar casos de óvnis às ocultas. Em conseqüência,
foram divulgadas grandes quantidades de material
relacionado ao fenômeno, procedente de arquivos do
governo — material este analisado extensivamente em livros
como Above Top Secret (Além do Segredo), de Timothy
Good, e The UFO Cover-up (O encobrimento do fenômeno
óvni), de Lawrence Fawcett e Barry Greenwood.
Também a China e a antiga URSS dispõem de bastante
material sobre visões e contatos com óvnis. Parte deste
material pode ser encontrada em Above top secret, junto de
relatos sobre óvnis do Canadá, da Austrália e de diversos
países da Europa ocidental. Pode-se encontrar uma série de
relatos sobre óvnis da antiga União Soviética em A Study
Guide to UFOs, Psychic and Paranormal Phenomena in the
USSR (Um guia de estudo para óvnis, fenômenos psíquicos e
paranormais na URSS), de Antonio Huneeus. Esse livro
inclui contatos de militares soviéticos com óvnis, bem como
contatos imediatos de civis com óvnis e entidades
humanóides afins.
Pode-se encontrar uma ampla coleção de relatos de visões
da China comunista em UFOs Over Modem China (Óvnis
sobre a China moderna), de Wendelle Stevens e Paul Dong.
Dentre outras coisas, esse livro inclui histórias de uma séria
disputa de divisas entre a China e a União Soviética, em
1970. Esta disputa, alega-se, teria sido provocada por visões
de óvnis em massa na fronteira mongólica setentrional. Os
russos teriam interpretado os óvnis como sendo armas
dispostas pelos chineses, enquanto os chineses acharam que
se tratava de armas russas. Caso seja verdadeira, esta história
é uma confirmação prática de certos temores do começo da
década de 1950, quando estrategistas militares americanos
preocupavam-se com a possibilidade de visões de óvnis mal
interpretadas acabarem deflagrando guerras.
Voltando às informações sobre óvnis obtidas através da Lei
de Liberdade de Informação, eis um exemplo fornecido por
Raymond Fowler. Durante outubro e novembro de 1975,
declarou Fowler, diversas bases importantes da Força Aérea
experimentaram visitas de óvnis, o que provou a
possibilidade de usar a Lei de Liberdade de Informação para
se obter documentos editados pelo governo descrevendo
estas incursões. Os incidentes a seguir foram extraídos do
diário de bordo do diretor sênior da Base Aérea de
Malmstrom, Montana:

07 de novembro/1035 Z (5h35): Chamada recebida do 341°
SAC CP (Posto Estratégico de Comando Aéreo), afirmando
que as seguintes localidades de arremesso de míssil relataram
ter visto um grande objeto, ora vermelho, ora alaranjado, ora
amarelo: M1, L-3, LIMA e L-6. A localização aproximada do
objeto seria de dezesseis quilômetros ao sul de Moore,
Montana, e de trinta quilômetros a leste de Buffalo, Montana
Informou o Auxiliar de Operações.

07 de novembro/1203 Z (7h03): Segundo informação do
SAC, a Base de Controle de Lançamentos em Harlowton,
Montana, observou um objeto emitindo uma luz que
iluminava a rodovia local.

08 de novembro/0635 Z (1h35): Uma equipe de segurança
acampada em K-4 relatou ter visto um óvni com luzes
brancas, com uma luz vermelha 45 metros atrás da luz
branca. Oficiais de K-1 viram o mesmo objeto.

08 de novembro/0645 Z (1h45): Operadores de radar
localizaram objetos a três ou quatro mil metros. (...) Eram
sete objetos.

08 de novembro/0753 (2h53): Desconhecido...
Estacionário/sete nós/ 3.600... Dois F-106... notificaram.

08 de novembro/0820 Z (3h20): Contato de radar perdido,
aviões de caça sem comunicação.

08 de novembro/0905 Z (4h05): Aviões de caça e objetos
avistados em postos-L; aviões de caça não alcançaram
objetos.

08 de novembro/0915 Z (4h15): Do Posto de Comando
SAC: De quatro pontos diferentes: Objetos e aviões de caça
observados; quando caças chegaram à área, suas luzes se
apagaram; quando se afastaram, as luzes se reacenderam...

É importante observar que mísseis nucleares
intercontinentais são distribuídos nestas bases de Comando
Aéreo Estratégico (SAC). Em função de seu cargo de
administrador do Projeto Minuteman, Fowler alega ter
recebido, de conhecidos escalados para bases do
Minuteman, informação indicando que, durante a semana
de 20 de março de 1967, o lançamento de dez mísseis
nucleares se tornou inoperante na Base Aérea de
Malmstrom. Foi confirmada por radar a presença
coincidente de um óvni, que caças a jato tentaram
interceptar. Um incidente do mesmo tipo ocorreu no
começo da primavera de 1966. Em outra ocasião, quando
dez mísseis ficaram inoperantes ao mesmo tempo, devido a
uma falha em seus sistemas de direção e controle, oficiais de
serviço relataram ter visto óvnis exatamente à hora da falha.
Relatos como estes são inúmeros. No New York Times de
17 de junho de 1974, o escritor científico Barry J. Casebolt
afirmou:

Em agosto passado [1973], a Força Aérea lançou um míssil
da Base Aérea de Vandenberg (...) direcionado a um ponto
próximo (...). Área de Teste de Lançamento de Míssil
Kwajalein. (...) A ogiva já havia se separado da terceira etapa
do míssil e se dirigia a seu alvo a cerca de 6.500 m/s. (...) A
cerca de 120.000 metros, o radar localizou um objeto, em
forma de pires invertido, à direita e acima da ogiva cadente.
(...) Segundo se descreveu, o objeto tinha três metros de
altura e cerca de doze metros de comprimento.

Segundo Casebolt, peritos em mísseis do Exército, que
pediram para não serem identificados, garantiram a ele que o
óvni, além de ter sido rastreado independentemente por
dois sistemas de radar, não era produto de fenômenos
naturais (tais como inversões de temperatura), nem pedaços
das etapas do míssil.
Outro incidente, ocorrido no Irã em 1976, durante o
reinado do Xá, envolveu um contato entre um óvni e jatos
de caças da Força Aérea Imperial iraniana. Trata-se de um
exemplo de perseguição de óvni, em que o piloto alega ter
ficado com seus sistemas de controle de armas bloqueados
no preciso momento em que tentava usá-los contra o óvni.
Eu já dei um exemplo destes, envolvendo um piloto que
sobrevoava a Coréia na Guerra da Coréia (veja páginas 113-
14).
O incidente foi descrito num relatório da Agência de Defesa
do Serviço Secreto, que é reproduzido em Above Top
Secret. Eis uma transcrição parcial daquele relatório,
começando do ponto em que um jato de caça F-4 foi
enviado da Base Aérea de Shahrokhi, perto de Teerã, para
investigar o óvni relatado:

B. À 1h30 do dia 19 [de setembro de 1976], o F-4 decolou
em direção a um ponto a cerca de 40 MN [milhas náuticas] a
norte de Teerã. Devido a seu brilho, era fácil ver o objeto a
uma distância de 130 quilômetros. Tão logo o F-4 se
aproximou de um raio de 25 MN, perdeu controle de toda
sua instrumentação e ficou sem contato (via UHF e sistema
de comunicação). O piloto desistiu da intercepção e rumou
de volta a Shahrokhi. Quando o F-4 afastou-se do objeto,
aparentemente deixando de representar uma ameaça para
ele, a nave aérea recuperou controle de toda instrumentação
e do sistema de comunicação. A 1h40, um segundo F-4 foi
enviado à mesma área. O operador de radar da aeronave
detectou um bloqueio do radar quando eles atingiram as 27
MN, a uma média de 150 MNPH [milhas náuticas por hora].
À medida que o raio de alcance caía para 25 MN, o objeto se
afastava a uma velocidade que era visível no osciloscópio do
radar e permanecia a 25 MN.

C. O tamanho do retorno do radar era comparável àquele
de um navio-tanque 707. Era difícil discernir o tamanho
visual do objeto por causa de seu brilho intenso. A luz que
ele emitia era como a de estroboscópios intermitentes
dispostos em padrão retangular e alternando as cores azul,
verde, vermelha e laranja. A seqüência das luzes era tão
rápida que todas as cores podiam ser vistas de uma vez só. O
objeto e o F-4 perseguidor prosseguiam rumo ao sul de
Teerã, quando outro objeto brilhantemente iluminado, cujo
tamanho aproximado era de metade ou um terço do
tamanho aparente da lua, saiu do objeto original. Este
segundo objeto rumou exatamente na direção do F-4 a uma
velocidade impressionante. O piloto tentou lançar um míssil
AIM-9 contra o objeto, mas naquele instante seu painel de
controle de armas se desligou e ele se viu privado de todos
os seus recursos de comunicação (UHF e Interfone). Nessa
altura, o piloto iniciou um giro em mergulho negativo para
afastar-se dali. À medida que ele girava, o objeto pareceu se
retardar no rastro em cerca de 3 ou 4 MN. Enquanto o
piloto continuava se afastando do objeto primário, o
segundo objeto emparelhou-se com o seu percurso para
depois regressar até onde estava o objeto primário e com
este reunir-se em fusão perfeita.

Um exemplo final envolve contatos de militares com óvnis
na Bélgica, em 1990. O relato seguinte é de 5 de julho de
1990, extraído do jornal Paris Match, e traduzido por R. J.
Durant, no International UFO Repórter (Relatório
internacional sobre óvnis) (15h23, julho/agosto de 1990):

Na noite de 30 de março, uma das pessoas a ligar relatando
um óvni foi um capitão da polícia nacional em Pinson, e o
quartel-general [da Força Aérea belga] decidiu fazer um
esforço sério no sentido de averiguar os relatos. Além das
experiências visuais, duas instalações de radar também viram
o óvni. Um radar fica em Glons, a sudeste de Bruxelas, que é
parte do grupo de defesa da OTAN, e outro em
Semmerzake, a oeste do Capitol, que controla o tráfego
militar e civil de todo o território belga. (...) O quartel-
general se determinou a fazer estudos bastante precisos
durante os próximos 55 minutos para eliminar a
possibilidade de se darem explicações prosaicas para as
imagens de radar. As condições atmosféricas estavam
excelentes, não havendo possibilidade de ecos falsos devido
a inversões de temperatura.
(...) A 00h05 foi dada a ordem para que os F-16 decolassem
e encontrassem o intruso. O líder dos pilotos se concentrou
na tela de seu radar, que à noite é seu melhor órgão de visão.
(...)
Subitamente, os dois caças localizaram o intruso nas telas de
seus radares — parecia uma abelhinha dançando no
osciloscópio. Usando seus manches como em um
videogame, os pilotos deram ordens para que os
computadores de bordo perseguissem o alvo. Assim que o
foco se fechou sobre o alvo, ele apareceu na tela com o
formato de um diamante, significando que daquele
momento em diante os F-16 estariam rastreando o objeto de
forma automática.
[Antes de o radar focar o alvo por seis segundos] o objeto
aumentou sua velocidade dos iniciais 280 km/h para 1.800
km/h, enquanto descia de 3.000 metros para 1.700 metros...
em um segundo! Esta aceleração fantástica corresponde a
400 m/s2. Causaria morte imediata a um humano que
estivesse a bordo. O limite suportável por um piloto humano
é de cerca de 80m/s2. A trajetória do objeto era
sobremaneira desconcertante. Ele atingia uma altitude de
1.700 metros, depois mergulhava rapidamente em direção
ao solo, a uma altitude de menos de 200 metros e, fazendo
assim, escapava dos radares dos caças e das unidades de terra
em Glons e Semmerzake. Esta manobra aconteceu acima
dos subúrbios de Bruxelas que, de tão cheios de luzes
urbanas, fizeram com que os pilotos perdessem o objeto de
vista abaixo deles. (...)
Conforme tudo indica, este objeto era orientado por alguma
forma de inteligência a escapar dos aviões perseguidores.
Durante as horas seguintes, a mesma cena repetiu-se duas
vezes. (...)
Este fantástico jogo de esconde-esconde foi observado do
solo por muitas testemunhas, entre elas vinte policiais, que
viram tanto o objeto quanto os F-16. O contato durou 75
minutos, mas ninguém ouviu o estrondo supersônico que
deveria ter acompanhado o momento em que o objeto
ultrapassou a barreira do som. (...) Dadas a baixa altitude e a
velocidade do objeto, muitas janelas deveriam ter se
quebrado.

Estes eventos fizeram parte de uma onda de óvnis na
Bélgica, envolvendo centenas de visões bem testemunhadas.
No Simpósio Internacional sobre Pesquisa Ufológica
realizado em Denver, Colorado, em maio de 1992, um relato
sobre esta onda foi apresentado por Patrick Ferryn,
documentarista que lidera a organização ufológica belga de
estudos chamada SOBEPS. Ele discorreu sobre muitas visões
de óvnis a pouca distância relatadas pelos gendarmes (a
polícia belga), e apresentou um videoteipe da
supramencionada detecção por radar dos óvnis feita pelos F-
16. Segundo disse ele, o teipe foi colocado à disposição pela
Força Aérea belga, que tem cooperado abertamente com os
pesquisadores ufológicos civis da Bélgica.
É digno de nota o fato de nenhum estrondo sônico ter sido
relatado quando o óvni saiu do raio de alcance dos F-16. No
Relatório Condon, salientou-se o fato de haver muitos casos
em que se relatava um óvni locomovendo-se a velocidades
supersônicas, sem produzir um estrondo sônico. Num
capítulo dedicado a este assunto, William Blumen observou:

Alguns fatores meteorológicos poderiam, de quando em
quando, reduzir a intensidade do estrondo sônico ou, ainda
mais raramente, impedir que estrondos sônicos chegassem a
atingir o solo. Contudo, a relatada ausência total de
estrondos sônicos originários de óvnis em vôos supersônicos
e submetidos a acelerações rápidas ou a manobras
complicadas, particularmente perto da superfície da Terra,
não pode ser explicada com base no conhecimento atual.
Pelo contrário, nessas condições é de se esperar a ocorrência
de intensos estrondos sônicos.

Segundo também observou Blumen, a Northrop Corporation
estava envidando esforços no sentido de evitar estrondos
sônicos, modificando a corrente de ar ao redor do avião por
meio de um campo eletromagnético. Seria concebível que
os óvnis usassem alguma espécie de efeito de campo para
suavemente desviar o ar em volta do corpo do avião.

Conspirações Sinistras

É comum o governo americano ser acusado de omitir de
forma maciça e injustificável as informações sobre óvnis.
Esta acusação tem sido feita, com freqüência, no tocante ao
material processado pelo Projeto Blue Book, mas, segundo
sugerem J. Allen Hynek e James McDonald, o mau uso se
deve não a uma omissão, mas sim a um grande estrago
(páginas 54-56). A acusação de omissão tem sido feita em
relação a registros sobre óvnis obtidos de agências do
governo por meio do uso da Lei de Liberdade de
Informação. Porém, pode-se argumentar que esta
informação, por mais intrigante que seja, reflete não uma
grande conspiração, mas sim um medíocre sigilo
burocrático. Da mesma forma, pode-se argumentar que o
sigilo militar vinculado aos óvnis estaria apenas refletindo
procedimentos militares usuais, o que também poderia ser
justificado por considerações de segurança nacional bastante
comuns. Um filme de um óvni atacando um míssil, por
exemplo, pode revelar segredos relativos ao míssil.
Porém, há tendências ocultas mais profundas na
controvérsia em torno dos óvnis. Desde o princípio dos
anos 50, tem havido alegações de óvnis avariados, que
teriam sido apreendidos pelo governo americano
juntamente com os corpos de seus pilotos alienígenas, tanto
vivos como mortos. Além disso, existem histórias de
projetos de pesquisa instituídos para se aprender os
princípios operacionais dos óvnis capturados e histórias
sobre organizações governamentais secretas que dirigem as
pesquisas e as mantêm sob rígido sigilo. Afora isso, há ainda
histórias de acordos clandestinos entre forças alienígenas e o
governo americano.
Estas histórias costumam ser bastante fantásticas, e algumas
delas tendem à paranóia extrema. Muitas, sendo
provavelmente falsas, constituem ciladas às quais devemos
estar atentos. Algumas, porém, podem ser verdadeiras,
sendo um fato curioso que alguns relatos sobre discos
avariados pareçam de fato ter o respaldo de provas
respeitáveis. Na minha opinião, nada deste material é
essencial para a tese que desenvolverei na segunda parte
deste livro. Mas acho que deva ser mencionado, já que
representa um papel importante na literatura ufológica atual.

O Desastre de Roswell

Que eu saiba, a mais substancial história de disco avariado é a
do famoso caso em que destroços anômalos foram
recolhidos, segundo se alega, por militares americanos numa
fazenda perto de Roswell, Novo México, no início de julho
de 1947. Em primeiro lugar, resumirei esta história, para em
seguida analisar algumas das provas vinculadas a ela.
Tudo começou quando o administrador da fazenda, William
"Mac" Brazel, encontrou escombros metálicos espalhados
numa ampla área perto de Corona, cerca de 150 quilômetros
a noroeste de Roswell. Isto se deu um dia depois que o povo
da cidade alegou ter visto um objeto discóide brilhante
sobrevoando a noroeste de Roswell. As autoridades militares
foram por fim acionadas, e parte dos destroços foi recolhida
pelo major Jesse Marcel, um oficial do serviço secreto do
509° Departamento de Operações Secretas com Bombas, em
Roswell Field. Entre estes destroços, havia pequenas vigas
que eram levíssimas, como pau-de-balsa, mas extremamente
duras e não-inflamáveis. Segundo disseram, algumas delas
traziam estranhos escritos hieroglíficos consistindo em
símbolos geométricos. Havia também folhas de metal, leves
e finas, parecidas com papel de estanho, mas impossíveis de
dentear com uma marreta.
Um comunicado à imprensa relatando o recolhimento de
um disco voador avariado foi divulgado pelo comandante da
base de Roswell, coronel William Blanchard, e os destroços
foram levados para bordo de um B-29 de modo a serem
transportados para Wright Field, em Ohio, onde seriam
examinados. Mais tarde, contudo, um segundo comunicado
à imprensa foi divulgado por ordem do general Roger
Ramey, o comandante da 8a Força Aérea. Segundo constava
neste segundo comunicado, os destroços eram de um balão
meteorológico avariado acoplado a um refletor de radar, e
foram publicadas, junto da história, fotografias de oficiais da
Força Aérea olhando para fragmentos de balão. Esta
continua sendo a história oficial desde então.
O caso Roswell foi publicado pela primeira vez em The
Roswell Incident (O incidente Roswell), de Charles Berlitz e
William Moore, em 1980. Outros estudos das provas de
Roswell podem ser encontrados em artigos de Stanton
Friedman e William Moore de 1981 e de William Moore de
1985. Um livro que analisa a mais recente pesquisa sobre o
caso foi publicado por Kevin Randle e Donald Schmitt em
1991 com o título UFO Crash at Roswell (Queda de óvni em
Roswell).
O aspecto mais surpreendente do caso Roswell é que várias
testemunhas, oculares e indiretas, permitiram que seus
depoimentos sobre o caso fossem gravados em vídeo e
distribuídos publicamente. Num videoteipe popular, "Óvnis
são reais", há um monólogo de Jesse Mareei que dura cerca
de dois minutos. Mareei confirma ter observado destroços
muito incomuns no local do desastre em Roswell, e diz ter
recebido ordem de seu comandante para ocultar seu
testemunho. Ele fala do metal fino impossível de queimar ou
dentear com uma marreta e das vigas marcadas com
hieróglifos. Referindo-se a seu cargo de oficial do serviço
secreto, ele também diz: "De uma coisa eu tinha certeza,
familiarizado que estava com todas as nossas atividades: não
se tratava de um balão meteorológico, nem de uma
aeronave, nem de um míssil."
O depoimento gravado em vídeo tem a vantagem de
fornecer provas diretas da iniciativa voluntária das pessoas
envolvidas para fazerem declarações públicas. A única
alternativa plausível é que estivessem filmando atores
contratados, mas seria fácil desmascarar semelhante fraude.
Outro videoteipe contendo depoimentos sobre Roswell,
intitulado "Lembranças de Roswell", foi patrocinado pelo
Fundo para Pesquisa sobre Óvnis de Washington, D.C. A
tabela na página seguinte relaciona algumas das pessoas que
depuseram nesta fita, além de breves resumos do que elas
disseram. Outras testemunhas depuseram em respaldo à
história geral contada pelas pessoas relacionadas na tabela.

Alguns dos depoimentos filmados sobre o caso
Roswell

TESTEMUNHA

Major Jesse Marcel, ex-oficial do Serviço Secreto do Exército
que investigou o local do desastre. Seus comentários sobre
os destroços vistos por ele foram semelhantes à seus
comentários em "Óvnis são reais".

Dr. Jesse Marcel (M.D.), filho do major Jesse Marcel -
Tinha onze anos na época e viu alguns dos destroços
quando seu pai os trouxe para casa para mostrá-los à sua
mãe. Havia uma viga em forma de "I" com inscrição de tom
violeta, composta de formas geométricas de textura curva
diferentes de quaisquer símbolos que ele vira até então.
Segundo disse ele, não poderiam ter sido símbolos russos ou
japoneses "de forma alguma".

Lewis "Bill" Rickett, aposentado, Serviço de Contra-
espionagem do Exército. Acompanhou Sheridan Cavitt,
oficial de contra-espionagem em visita ao local do desastre.
Confirmou que os pedaços dos destroços eram
extremamente duros e leves como uma pluma.

William Brazel, filho de "Mac" Brazel. Tinha doze anos na
época, e seu pai lhe mostrou pedaços dos destroços. Disse:
"Parecia com pau-de-balsa, mas não queimava nem era
possível cortá-lo com uma faca."

Loretta Proctor, vizinha de "Mac" Brazel. Brazel mostrou-lhe
um pouco dos destroços. Havia algo parecido com um
pedaço de fita gravada com uma inscrição: "Não era o tipo
de escrita que conhecemos, nem tampouco era escrita
japonesa."

Robert Shirkey, ex-oficial auxiliar da Base de Operações.
Confirmou que o coronel Blanchard lhe perguntou se um
avião B-29 que havia sido convocado estava pronto, ao que
ele disse que sim. Cinco ou seis pessoas carregando partes do
que ele entendeu ser um disco voador embarcaram depressa
no B-29 para voarem para Fort Worth, e ele as viu passando
pela base. Viu de relance o pedaço de viga em forma de "I"
com a escrita incomum nela.

Conforme "Mac" Brazel relatou a Randle e Schmitt, ele
próprio encontrou alguns pedaços dos destroços do acidente
e mencionou o achado num bilhar de Corona, a cidade
próxima do local do desastre. Segundo ele, assim que
declarou, "olhem só, aí vêm os militares", lhe pediram para
entregar o material. Disse também ter o desastre deixado um
rastro no local que levou um ano ou dois para "se encher de
grama novamente". Randle e Schmitt disseram também que,
segundo o major Marcel, os destroços cobriram uma área de
cerca de 1,2 km de comprimento por sessenta a noventa
metros de largura. Esta área estava coberta de fragmentos
metálicos, havendo, ainda, uma área estriada de solo de
cerca de 150 metros de comprimento por três metros de
largura.
Randle e Schmitt apresentaram o depoimento de um
general-de-brigada da Força Aérea chamado Arthur E. Exon.
Em 1947, Exon era tenente-coronel e foi designado para
Wright Field. Confirmou ter estado presente em Wright
Field quando trouxeram os destroços de Roswell para lá, e
disse também ter sobrevoado o local do desastre em
Roswell. Disse ter ouvido falar da análise dos destroços do
acidente: "O metal e o resto do material eram desconhecidos
para todos com quem conversei. Jamais fiquei sabendo dos
resultados da análise do material encontrado. Dois oficiais
acharam que poderia ser algo da Rússia, mas, pelo consenso
geral, as peças eram do espaço exterior."
Em termos genéricos, este depoimento dá a impressão de
que algo incomum espatifou-se na Terra perto de Roswell,
Novo México, em 1947. De fato, soa esquisito que destroços
de um balão, um míssil ou um avião avariados parecessem
tão estranhos para as pessoas, inclusive para Jesse Marcel,
um oficial do serviço secreto das forças armadas. Que era
aquilo, afinal? Há quem tenha sugerido a hipótese de ter sido
um avançado aparelho experimental feito pelo homem. Com
relação ao metal incomum, Jacques Vallee afirmou:

O material recolhido no próprio local do desastre, embora
mantenha uma aura de algo fascinante, não estava
necessariamente além da tecnologia humana de fins da
década de 1940. O saran aluminizado, também conhecido
como saran prateado, surgiu da tecnologia já disponível em
1948 para trabalhos em nível de laboratório. Era fino como
papel, não era denteado pelo golpe de um martelo e
recuperava seu acabamento liso após ser comprimido.

Contudo, Jesse Marcel jurava não ser possível queimar o
material fino nem denteá-lo com uma marreta. Isto não soa
a saran aluminizado, que seria um composto de alumínio e
um tipo de plástico. (O termo saran refere-se a qualquer uma
de uma série de resinas termoplásticas usadas para se fazer
tecidos, tubos resistentes a ácidos e material transparente
para embrulho.) É bem possível que os destroços de Roswell
viessem, de fato, de algum dispositivo aéreo de origem
não-humana.

A vexaminosa questão dos corpos alienígenas

Segundo Randle e Schmitt, o general Exon também disse:
"Havia outra localidade onde (...) o corpo principal da nave
espacial parecia estar (...) onde eles de fato disseram haver
corpos. (...) Aparentemente, foram todos encontrados fora
da própria nave, mas estavam passando bem." Esta afirmação
surpreendente é corroborada por uma observação feita sobre
o videoteipe "Lembranças de Roswell" por Sappho
Henderson, viúva de um piloto da Força Aérea chamado
"Pappy" Henderson. Conforme relatou, seu marido lhe
disse: "Sou o piloto que transportou os destroços do óvni
para Dayton, Ohio." Ele mencionou corpos de alienígenas
mortos, tendo-os descrito como sendo pequenos, com
cabeças grandes demais para o seu tamanho e usando roupas
de um estranho tipo de tecido.
Isto nos traz à controvertida questão dos corpos de
alienígenas que foram apreendidos. Faz anos que correm
boatos sobre óvnis avariados e acompanhados de cadáveres
de alienígenas. Pelo que sei, no depoimento de Exon está o
primeiro exemplo de uma figura pública responsável que
teria abertamente confirmado tais boatos.
Uma história de corpos alienígenas que poderia estar
relacionada ao caso Roswell envolve um funcionário do
Departamento Americano de Preservação do Solo chamado
Grady L. "Barney" Barnett. Em 3 de julho de 1947, a cerca
de 230 quilômetros da fazenda de Brazel, nas planícies de
San Agustin, Barnett teria deparado com outra nave que
também teria se espatifado. Esta data é próxima daquela do
desastre de Roswell, o qual teria ocorrido na noite de 2 de
julho.
Barnett morreu em 1966 sem ter confirmado publicamente
a ocorrência deste caso, mas ele chegou a comentar a
respeito do mesmo com seu amigo Vern Maltais. Eis um
resumo do que Maltais disse no videoteipe "Lembranças de
Roswell":

Segundo disse o Sr. Barnett, enquanto regressava de uma
viagem de estudos práticos, ele deparou com uma nave que
se espatifara, e reparou haver quatro seres no solo. Enquanto
ele e um grupo de quatro ou cinco arqueólogos da
Universidade da Pensilvânia se detinham a investigar o
acontecido, apareceu um grupo de militares dizendo-lhes
que fossem embora e mantivessem sigilo sobre o que
haviam visto por questões de segurança nacional. Barnett
disse não ter dúvidas de que os seres vinham do espaço
exterior. Os seres não eram exatamente como seres
humanos. Tinham cerca de um metro de altura. Eram
esguios e não tinham cabelo, nem sobrancelhas, nem cílios.
Tinham cabeças com o formato de peras e com a parte de
cima maior que a de baixo. Tinham quatro dedos nas mãos.

Esta versão da história distancia bastante os destroços vistos
por Barnett daqueles vistos no desastre de Roswell.
Contudo, segundo Randle e Schmitt, Barnett não estava
necessariamente a 230 quilômetros do local em Roswell. Os
destroços espalhados pelo campo próximo a Roswell
poderiam ter vindo de uma nave em desintegração que
acabou vindo pousar num segundo local a quatro
quilômetros de distância, e foram vistos mais tarde por
Barnett. Eles citaram o depoimento de um anônimo
mecânico do serviço secreto que havia sido designado para o
Campo de Aviação do Exército em Roswell, em 1947, e que
confirmou a existência deste segundo local próximo.
Randle e Schmitt também apresentaram desenhos de Glenn
Dennis, que trabalhava como agente funerário em Roswell,
em 1947. Segundo disse Dennis, seus desenhos se baseavam
nos desenhos feitos em sua presença por uma enfermeira
que participou das autópsias dos corpos alienígenas em
Roswell, um dia após estes terem sido recolhidos. Segundo
alega Dennis, a enfermeira lhe contou que os corpos eram
pequenos e de compleição delicada, com cabeças
incomumente grandes e mãos de quatro dedos. Os olhos
eram grandes, e o nariz, orelhas e olhos, ligeiramente
côncavos. Ela disse também que os corpos estavam
parcialmente decompostos e haviam sido roídos por
predadores. Emitiam um forte mau cheiro.
A história dos arqueólogos contada por Barnett parece ter
sido confirmada em outubro de 1989 por Mary Ann
Gardner, enfermeira que havia trabalhado no departamento
de oncologia do St. Petersburg Hospital na Flórida. Segundo
ela, uma paciente que estava morrendo de câncer disse que,
quando ainda estudava em fins da década de 1940, esteve
envolvida num levantamento de sítio arqueológico no Novo
México. A mulher moribunda prosseguiu relatando a
descoberta dos destroços de uma nave alienígena e dos
cadáveres de sua tripulação.
Hoje em dia, os pesquisadores que investigam o caso
Roswell discordam entre si sobre alguns pontos. O físico
nuclear Stanton Friedman, um dos investigadores originais
deste caso, sustenta ter havido dois acidentes envolvendo
óvnis na noite de 2 de julho de 1947: um perto de Roswell e
outro nas planícies de San Agustin. Segundo argumenta ele,
foram recolhidos corpos de ambos os acidentes,
possivelmente provocados por uma colisão aérea. Randle e
Schmitt argumentam ter havido apenas um acidente perto
de Roswell.
Friedman apresentou provas em respaldo ao depoimento de
um homem chamado Gerald Anderson, que escreveu para
ele e Kevin Randle, após assistir a um programa de tevê
sobre o caso Roswell, em 14 de janeiro de 1990. Anderson
testemunhou que, aos cinco anos de idade, esteve presente
no local de um acidente com seu pai e seu tio Ted. Segundo
disse ele, havia quatro criaturas alienígenas ali, duas mortas,
uma moribunda e a outra ainda viva. Tinham cerca de um
metro de altura, pele acinzentada, olhos grandes e braços e
dedos esquálidos e compridos.
Num programa nacional de televisão narrado por Tim White
em 18 de outubro de 1991 e intitulado The UFO Report:
Sightings (O relatório sobre óvni: visões), Anderson disse
que, enquanto seu pai e seu tio conversavam com o ser que
ainda estava vivo, "de repente ele se virou para olhar para
mim. E bastou isso acontecer para uma série de coisas
começarem a se processar dentro da minha cabeça. Comecei
a ter sensações de estar tropeçando e caindo e a sentir uma
estranha solidão por não haver maneira de ele regressar ao
mundo de onde viera". Logo depois disso, disse Anderson,
os militares chegaram, isolaram a área e instruíram para que
não falássemos sobre o que havíamos visto. Segundo
Friedman, Anderson fez um teste poligráfico sobre sua
história em 14 de julho de 1991, e, conforme a conclusão do
teste, não há evidência alguma de fraude.

Desinformação e o MJ-12

Há quem alegue que certos agentes do serviço secreto
americano, buscando a desinformação, propagam falsas
histórias sobre óvnis — uma técnica própria para desviar a
atenção das pessoas das linhas de pesquisa promissoras, mas
indesejáveis para o rastro de indicações falsas. Howard
Blum, por exemplo, jornalista premiado e autor de Out
Tbere, jura que a seguinte história é verdadeira: Paul
Bennewitz, presidente da Thunder Scientific Corporation
em Albuquerque, Novo México, vinha fazendo filmes e
gravando transmissões radiofônicas de óvnis que pareciam
estar voando perto do complexo do Sandia National Labs,
uma agência secreta de energia na Base Aérea de Kirtland.
Enquanto isso, um famoso pesquisador de óvnis chamado
William Moore se vinculara a certos agentes do
Departamento de Investigações Especiais da Força Aérea
(AFOSI), como parte de seu plano para ter acesso a
informações sigilosas sobre óvnis.
Segundo Blum, os agentes do AFOSI vinham
sistematicamente alimentando Bennewitz com histórias
falsas sobre óvnis com o intuito de confundi-lo, desanimá-lo
e difamá-lo. Valendo-se de disfarces sofisticados de toda
espécie, liberaram falsos documentos oficiais para
Bennewitz. Estes "detalhavam o tratado secreto entre o
governo americano e os malévolos alienígenas, a existência
de bases alienígenas subterrâneas, os intercâmbios de
tecnologia, a onda de implantes de cérebro e inclusive a
lenda sobre a nave espacial que se espatifara contra o pico
Archuleta".
Os agentes do AFOSI teriam recrutado Moore para participar
com eles da campanha de desinformação contra Bennewitz.
Jacques Vallee não apenas confirmou esta história como
também salientou que Moore a teria revelado publicamente
numa conferência da Mutual UFO Network em Las Vegas,
em 1989.
Segundo conta Blum, após fazer amizade com Bennewitz,
Moore testemunhou como aquele constante bombardeio de
fantasias paranóicas acabou levando-o à loucura e
provocando-lhe um ataque nervoso. Depois, Moore
conseguiu o que queria. Num certo dia de dezembro de
1984, Jaime Shandera, amigo de Moore, recebeu um
misterioso rolo de filme não revelado pelo correio. Ao
revelá-lo, obteve o famoso documento MJ-12.
Este documento parece ser um dossiê preparado pelo
almirante Roscoe Hillenkoetter para o presidente eleito
Dwight D. Eisenhower, em 18 de novembro de 1952.
Informa o presidente da existência de um grupo secreto de
doze cientistas e altos oficiais do governo envolvidos na
apreensão de um veículo avariado e de quatro corpos
alienígenas perto da Base Aérea do Exército em Roswell, em
julho de 1947. Este grupo deveria continuar a operar em
regime de sigilo absoluto durante a administração
Eisenhower, recomendava o documento.
A autenticidade ou não deste documento tem suscitado
muita controvérsia. Um dos principais proponentes de sua
autenticidade é Stanton Friedman. Segundo argumenta ele,
mesmo após muito investigarem os registros do governo,
não conseguiram encontrar qualquer informação que
contradissesse as afirmações sobre pessoas, épocas e lugares
constantes no referido documento. Ele também argumenta
ser possível confirmar inúmeros detalhes de estilo no
documento, comparando-os a outros documentos
governamentais do mesmo período.
Nada disso determina em definitivo a autenticidade do
documento MJ- 12. Mas pelo menos parece demonstrar que,
caso o documento tenha sido forjado, então o foi por um
perito consumado — do tipo que se encontraria num
serviço secreto.
Comparando o documento MJ-12 a conhecidos exemplos de
escritos do almirante Hillenkoetter, o professor Roger
Wescott, um perito em lingüística da Drew University, em
New Jersey, concluiu não haver razão convincente para se
pensar que o documento tivesse sido escrito por qualquer
outra pessoa que não o próprio Hillenkoetter. Contudo,
quando perguntei a Wescott se ele poderia explicar os
motivos desta conclusão, ele replicou: "Duvido que alguém
consiga chegar à prova cabal, ou da autenticidade, ou da
fraudulência do documento."
Grosso modo, as alternativas com relação ao MJ-12 parecem
ser as seguintes: (1) O documento MJ-12 é autêntico, e há
uma alta incidência de acobertamento, por parte do
governo, de casos envolvendo óvnis avariados e corpos
alienígenas. (2) O documento MJ-12 é uma falsificação
encomendada por altos oficiais do governo. Isto implica uma
política governamental de alto escalão no sentido de
propagar desinformação a respeito dos óvnis. (3) O
documento MJ-12 é uma falsificação produzida por um
pequeno grupo de agentes do serviço secreto por suas
próprias razões. Talvez este grupo tenha sido responsável
pelo bombardeio de desinformação contra Bennewitz, e
nele poderiam também estar incluídos os agentes do AFOSI
envolvidos com Moore. (4) O documento MJ-12 é uma
fraude perpetrada por pessoas não vinculadas ao governo ou
às forças armadas.
Quer o documento MJ-12 seja autêntico ou não, existe,
segundo parecem sugerir certas provas, um alto esquema de
acobertamento, por parte do governo, de casos envolvendo
óvnis. Um exemplo disto é a seguinte carta, escrita pelo Dr.
Robert Sarbacher para o investigador ufológico William
Steinman. Sarbacher foi reitor da Escola Técnica da Geórgia
de 1945 a 1948, e consultor do Conselho de Pesquisa e
Desenvolvimento do governo americano. Em 1983, era
presidente e diretor do conselho do Instituto Washington
de Tecnologia, Oceanografia e Física, em Palm Beach,
Flórida. Em 29 de novembro daquele ano, ele escreveu o
seguinte em resposta às persistentes cartas de Steinman
indagando acerca dos óvnis avariados e apreendidos:

1. Com relação a minhas próprias experiências relativas a
discos voadores apreendidos, não tive nenhuma ligação com
nenhuma das pessoas envolvidas nas apreensões, e
desconheço quando foram feitas. Se soubesse, lhe teria
enviado tal informação.
2. Quanto à confirmação de as pessoas relacionadas pelo
senhor estarem envolvidas nestes eventos, tudo o que posso
dizer é:

John von Neumann com certeza esteve envolvido. O Dr.
Vannevar Bush com certeza esteve envolvido, e acho que o
Dr. Robert Oppenheimer também. Meu vínculo com o
Conselho de Pesquisa e Desenvolvimento sob a direção do
Dr. Compton durante a administração Eisenhower foi um
tanto limitado: na verdade, apesar de ter sido convidado a
participar de diversos debates associados às chamadas
apreensões, não pude comparecer às reuniões. Na certa, eles
teriam convidado o Dr. von Braun. É provável que tenham
convidado os demais relacionados pelo senhor, os quais
podem ter comparecido ou não. Isto é tudo de que tenho
certeza. (...)
Praticamente a única coisa de que me lembro agora é que
determinados materiais tidos como provenientes de
desastres envolvendo discos voadores eram levíssimos e
duríssimos. Estou certo de que nossos laboratórios os
analisaram com todo o cuidado.
Segundo constava nos relatórios, os instrumentos ou as
pessoas que operavam essas máquinas também eram
levíssimos, o suficiente para suportar o tremendo impacto
de desaceleração e aceleração vinculado ao maquinário
deles. Conversando com algumas pessoas da agência,
lembro-me de ter tido a impressão de que esses "alienígenas"
tinham a compleição semelhante à de determinados insetos
observados na Terra, motivo pelo qual o impacto da baixa
massa das forças de inércia envolvidas na operação desses
instrumentos seria bem reduzido.
Ainda desconheço o motivo do alto nível de sigilo atribuído
a tais fatos e por que se nega a existência desses dispositivos.

Em apoio à autenticidade desta carta, Steinman citou um
boletim sobre óvnis, Just Cause, publicado por Lawrence
Fawcett e Barry Greenwood. Na edição de 5 de setembro de
1985, Greenwood escreveu que havia entrado em contato
com Sarbacher por telefone. Disse Greenwood: "Em
primeiro lugar, e o que é mais importante, Sarbacher
confirmou para mim o fato de a informação na carta de
Steinman se basear em sua memória, e não num embuste."
Não é mais possível obter confirmação direta de Sarbacher,
pois ele morreu em 26 de julho de 1986.
Conforme indicam as observações de Sarbacher, ele não
teve envolvimento direto com as apreensões dos óvnis
avariados. Segundo me contou Stanton Friedman, ele
próprio havia discutido esses assuntos com Sarbacher, e lhe
pareceu que este estava apenas relatando as fofocas
veiculadas pelos consultores científicos do governo. Mesmo
assim, é curioso que tais boatos estivessem circulando
naqueles círculos.
Victor Marchetti apresenta outro exemplo de testemunho
confirmando o cenário do acobertamento de casos de óvnis
por parte do governo. Marchetti foi assistente executivo do
Diretor Adjunto da CIA, e foi co-autor de um
desmascaramento da CIA intitulado The CIA and the Cult of
Intelligence (A CIA e o culto da inteligência). Num artigo
intitulado "How the CIA views the UFO phenomenon"
(Como a CIA enxerga o fenômeno Óvni), na edição de maio
de 1979 de SecondLook (Segundo olhar), Marchetti disse
que, apesar de ter ouvido boatos "entre os altos escalões"
sobre óvnis avariados e corpos alienígenas durante sua
passagem pela CIA, não deparara com nenhuma prova
definitiva da realidade dos óvnis. Não obstante, sentiu-se
impelido a especular o seguinte:

Existem óvnis ou tem havido contatos — ou ao menos sinais
— do espaço exterior, mas a evidência revela que o único
interesse dos alienígenas é de nos observar. (...) Porém, o
conhecimento público desses fatos poderia tornar-se uma
ameaça. Se a existência dos óvnis fosse confirmada em
caráter oficial, seria possível iniciar uma reação em cadeia
capaz de provocar o colapso da atual estrutura de poder da
Terra. Deste modo, as potências do mundo chegaram a um
entendimento secreto internacional — uma conspiração—
no sentido de manter o público ignorante e confuso quanto
aos contatos ou visitas de além da Terra.
Seja qual for o status das especulações de Marchetti, não
resta dúvida de que o público vem sendo submetido a muita
confusão e ignorância com respeito aos óvnis. A propaganda
sinistra do tipo supostamente inculcado a Bennewitz vem
sendo hoje difundida em todos os Estados Unidos, tendo um
efeito negativo tanto sobre a credibilidade da pesquisa
ufológica quanto sobre a credibilidade das autoridades do
governo. Pessoas como William Cooper e John Lear (filho
do inventor do jato Lear) têm dado muitas palestras sobre as
relações alienígenas com o governo e outras teorias de
conspiração relacionadas a óvnis. Têm sido distribuídos
volantes descrevendo bases alienígenas subterrâneas e
advertindo para uma dominação alienígena. Segundo
escreveu a pesquisadora Linda Howe, uma das agentes do
AFOSI ligada à história de Bennewitz, ele mostrou sua
documentação secreta detalhando contatos entre o governo
americano e os alienígenas.
Em 14 de outubro de 1988, um documentário de televisão
intitulado UFO Cover-up Live foi transmitido para todos os
Estados Unidos. Este programa apresentava o depoimento de
Falcon, agente do serviço secreto que estaria envolvido com
o caso Moore/Bennewitz, e que falou, em voz velada pelo
computador, sobre as relações entre os alienígenas e o
governo. Num programa de televisão intitulado UFOs: The
Best Evidence (Óvnis: a maior evidência) e narrado por
George Knapp, um físico chamado Robert Lazar fez
declarações extraordinárias sobre o fato de ter sido
empregado para reengenhos a tecnologia alienígena, em
mãos do governo americano, numa base secreta em Nevada.
São histórias sem fim.
Não é o objetivo deste livro tentar responder às muitas
perguntas envolvendo o papel representado por agências
secretas do governo na questão dos óvnis. Meu único
propósito é salientar que, para certos relatos sobre óvnis,
parece haver o esforço, por parte de alguma fonte
desconhecida, no sentido de disseminar desinformação
organizada.
Para averiguar, em caráter definitivo, os boatos de atividades
de acobertamento por parte do governo, seria necessário
empreender um esforço de contra-espionagem que exigiria
recursos disponíveis, em geral, apenas por governos
nacionais. É interessante o fato de Edward Condon ter
reconhecido este problema, ao qual reagiu de forma
pragmática:

Adotamos a expressão "hipótese de conspiração" para o
ponto de vista de que alguma agência do governo — quer
dentro da Força Aérea, da CIA ou de algum outro órgão —
sabe tudo a respeito dos óvnis e mantém sigilo deste
conhecimento. Sem negar a possibilidade de isto ser
verdade, concluímos, logo no início de nossos estudos, não
ter como realizar com êxito alguma forma de serviço de
contra-espionagem em oposição a nosso próprio governo,
na esperança de solucionar este problema. Portanto,
resolvemos não lhe dar atenção especial, mas, em vez disso,
nos mantermos alerta quanto a quaisquer indícios que
pudessem nos levar a alguma prova de que nem todos os
fatos essenciais conhecidos do governo estavam chegando a
nossas mãos.

Condon não acreditava que existisse um projeto secreto do
governo ligado aos óvnis, embora admitisse não ter como
provar isto. No entanto, reconhecia que o governo guarda
segredo do assunto ufológico e deplorava isto, dizendo: "O
sigilo oficial também incentivou uma sistemática exploração
sensacionalista da idéia da existência de uma conspiração do
governo, no sentido de camuflar a verdade."

4
Raptos por óvnis

Até aqui analisei relatos sobre contatos imediatos com óvnis
nos quais (1) objetos voadores incomuns foram vistos de
perto, (2) estes objetos, segundo disseram, deixavam rastros
tangíveis de diversas espécies e (3) foram vistos seres
humanóides associados aos objetos. Os humanóides,
incluindo alguns que parecem saber manobrar objetos
desconhecidos com inteligência e sem a menor dificuldade,
constituem um empecilho para muitas pessoas. Neste
contexto, J. Allen Hynek diz: "Seria proveitoso (...) se
pudéssemos demonstrar haver uma diferença sistemática
entre os contatos imediatos do terceiro grau e as outras
cinco categorias de experiência com óvnis. Poderíamos,
assim, descartá-los com certo alívio." Ele prossegue dizendo,
contudo, não saber de critérios mediante os quais se possa
isolar estes casos do conjunto geral de relatos sobre óvnis.
Os casos discutidos neste capítulo poderão parecer ainda
mais repugnantes para a nossa sensatez do que os relatos
sobre humanóides até aqui abordados. Os casos a seguir
referem-se a seres de aparência estranha que, segundo
consta, intervém à força nas vidas de cobaias humanas. As
pessoas têm relatado experiências de terem sido capturadas,
levadas a bordo de óvnis e submetidas a exames físicos
humilhantes. Estes casos chamam-se contatos imediatos do
quarto grau, ou raptos por óvnis.
Ao examinar estes dados, sugiro que suspendamos tanto a
crença quanto a descrença, e simplesmente tentemos obter
uma visão geral das provas disponíveis. Todos os casos que
passo a mencionar baseiam-se em testemunhos humanos.
Sendo assim, não estabelecem provas. Neste campo, somos
forçados a nos valer do raciocínio indutivo, segundo o qual
o entendimento de um fenômeno genérico origina-se de um
estudo de padrões repetidos numa grande quantidade de
exemplos. Na minha opinião, os relatos sobre raptos por
óvnis passarão a fazer sentido quando forem encarados à luz
de categorias mais amplas dos fenômenos recentes e antigos
por mim apresentados no transcurso deste livro.
Cabe aqui um comentário sobre metodologia. Com
freqüência estarei salientando certos aspectos que costumam
vir à tona em casos de contato imediato. Muitos destes
aspectos são interessantes por também constarem em relatos
védicos sobre contatos com seres humanóides. Outros são
de interesse por parecerem ajudar na interpretação dos casos
de óvnis, e ainda outros, simplesmente me surpreendem. Ao
avaliar estes aspectos, farei referência freqüente a
determinados casos bem divulgados pela literatura ufológica,
que também os expõe. Como estes não são os únicos casos
em que estes aspectos aparecem, outros exemplos
ilustrativos também poderiam ser utilizados. Logo, meu
objetivo não é de destacar estes casos em particular por
achá-los sobremaneira significativos.


O caso de Buff Ledge

Começarei a análise dos raptos por óvnis com um exemplo
clássico. Este caso foi estudado por Walter N. Webb,
tarimbado investigador ufológico e diretor do planetário do
Museu de Ciência de Boston. O resumo do caso apresentado
a seguir baseia-se num relato feito por ele em 1988.
Segundo o relato, o contato se deu em 7 de agosto de 1968,
no lago Champlain, a norte de Burlington, Vermont. As
duas testemunhas primárias, Michael e Janet, trabalhavam
em Buff Ledge Camp, um acampamento de verão para
moças localizado às margens do lago. Michael, com
dezesseis anos na época, trabalhava transportando os
equipamentos de esqui aquático de volta do lago para a doca,
e fazendo manutenção dos demais equipamentos aquáticos.
Janet, uma estudante de 19 anos, de New Hampshire, era
instrutora de esqui aquático. Webb usou pseudônimos para
proteger as identidades de todas as testemunhas do caso.
Um dos aspectos-chave deste caso é que Michael e Janet
tomaram rumos distintos logo após sua experiência com o
óvni, e não se comunicaram um com o outro até o caso ser
investigado por Webb dez anos depois. Quando esta
investigação começou, a primeira pessoa a depor foi
Michael. Eis um resumo de sua versão do ocorrido naquela
noite, conforme ele pôde lembrar sem o uso da hipnose:
Michael e Janet relaxavam na extremidade da doca após
passarem a tarde tomando sol. Uma luz estelar brilhante se
precipitou para baixo subitamente, formando um arco, e se
tornou visível como um objeto em forma de charuto. Então,
emitiu três pequenas "luzes" brancas de seu corpo e se
afastou voando depressa. As três luzes fizeram ziguezagues,
descidas — como se fossem folhas a cair —, espirais e outras
manobras extraordinárias e, à medida que se aproximaram,
Michael pôde ver que se tratavam de discos abobadados.
Após cerca de cinco minutos, dois dos discos voaram para
longe, enquanto o terceiro aproximou-se deles, atravessando
o lago. Ele pôde ver que o disco tinha uma faixa de luz
plasmática colorida girando em volta de sua borda e que ele
produzia complexos tons sincronizados com a pulsação desta
luz. Parecia ter de doze a quinze metros de lado a lado e ser
"do tamanho de uma casa pequena".
Em seguida, o óvni disparou céu acima, voltou a descer,
entrou no lago e depois emergiu. Como ele se aproximou a
uns dezoito metros da doca, Michael pôde ver duas
entidades sentadas sob sua abóbada transparente. Os seres
pareciam ser bem baixos, com cabeças grandes, grandes
olhos ovais, aberturas nasais duplas e bocas pequenas.
Vestiam uniformes justos de cor acinzentada ou prateada.
Enquanto isso, Janet parecia estar em estado de transe.
Telepaticamente, um dos seres garantiu a Michael que não
lhe fariam mal algum. Eles eram de outro planeta e já
haviam feito viagens à Terra antes. Haviam regressado após
as primeiras explosões nucleares.
Quando o óvni passou bem acima de suas cabeças, Michael
tentou em vão tocar seu fundo para confirmar sua solidez.
Um feixe brilhante de luz se acendeu então, e a próxima
coisa de que Michael se lembra é de ter se escorado em
Janet enquanto ele e ela caíam na doca. Lembra-se de ter
perdido os sentidos enquanto estava sob o foco do feixe de
luz, mas também de ter sentido como se estivesse flutuando.
Lembra-se de vozes alienígenas, de sons de máquina e de
"luzes suaves numa penumbra".
Quando recobraram os sentidos, o óvni pairava sobre eles,
estando agora inteiramente às escuras. Ele pôde ouvir os
ruídos de outras pessoas ali acampadas, regressando de seu
exercício de natação. No instante em que Susan e Barbara,
duas mocinhas do acampamento, vieram correndo em
direção à ribanceira que dava no lago, o óvni partiu.
Então, as duas conduziram Janet até a cabana dela. Após o
incidente, ambas as testemunhas experimentaram um lapso
de tempo/memória e muito cansaço, tendo adormecido num
piscar de olhos. No entanto, antes de adormecer, Michael
foi até os alojamentos da equipe masculina, onde encontrou
Patrick, com vinte anos na época, que parecia ter observado
parte do contato imediato. Patrick incentivou Michael a ligar
para a Base Aérea de Plattsburgh, próxima dali. Ele se
lembrou de ter ouvido o porta-voz da Força Aérea dizer que
a base fora informada de diversos relatos sobre óvnis aquela
noite, mas que as aeronaves militares não eram responsáveis
por eles.
Michael acordou uma vez aquela noite (cerca de uma hora
após adormecer), e fez então sua única tentativa de procurar
Janet para conversar sobre a experiência deles. Porém, além
de ela estar profundamente adormecida, rapazes não tinham
permissão de entrar na cabana dela. Mais tarde, Michael,
logo desiludido pela descrença demonstrada em relação à
história por sua família e seus amigos, não procurou
conversar mais a respeito daquilo com Janet enquanto
ambos estiveram acampados. Ele e Janet tomaram rumos
distintos após o término do acampamento algumas semanas
depois.
Dez anos mais tarde, em outubro de 1978, Michael teve a
inspiração de entender mais a respeito do que efetivamente
acontecera aquela noite, e foi aconselhado por pesquisadores
de óvnis do Centro para Estudos sobre Óvnis a entrar em
contato com Walter Webb. Concordando em investigar o
caso, Webb primeiro localizou Janet que, agora casada,
estava morando no sudeste do país. Recordou ter estado na
doca com Michael e visto o movimento de luzes no céu,
seguido da aproximação de uma "grande luz". Ela e seu
companheiro, disse ela, desceram para a doca quando lhes
pareceu que o objeto ia atingi-los, mas, depois disso, deu um
branco em sua mente. Também lembrou ter querido
muitíssimo falar com Michael sobre algo no dia seguinte à
experiência, mas, como estivesse confusa quanto ao que iria
falar realmente, a conversa acabou não acontecendo.
Segundo constatou Webb, Michael e Janet não voltaram a se
encontrar desde aquele acampamento dez anos antes.
Conseguiu dois hipnotizadores clínicos profissionais, Harold
Edelstein e Claire Hayward, para hipnotizá-los em separado,
para ver se lhes reavivava os detalhes do incidente. Entre
setembro de 1979 e abril de 1980, Michael submeteu-se a
cinco entrevistas hipnóticas, de uma hora cada; e, entre
fevereiro e dezembro de 1980, Janet submeteu-se a três
entrevistas, cada uma de duas horas.
O uso de dois hipnotizadores é significativo. A estratégia de
Webb foi obter dois relatos independentes das experiências
das testemunhas. Isto foi possibilitado pela feliz
circunstância de Michael e Janet não terem aparentemente
se comunicado desde o incidente com o óvni e, assim, um
não teve nenhuma oportunidade de influenciar a memória
do outro acerca do acontecido. Tendo-os hipnotizados em
separado por hipnotizadores diferentes, minimizaram-se as
probabilidades de a história de uma testemunha poder
influenciar, direta ou indiretamente, a história da outra.
Eis um resumo do que brotou da memória de Michael
durante as sessões de hipnose: enquanto estava sob o foco
do feixe de luz, ele ouviu uma espécie de ganido e sentiu-se
como que "pleno de luz". Parecia estar flutuando para o alto.
Viu feixes de luzes coloridas e parecia estar voando pelo
espaço. Em seguida, lembrou-se de ter estado ao lado de um
dos seres alienígenas num plano superior dentro do óvni.
Ao olhar para fora da abóbada transparente, viu a Terra, as
estrelas, a Lua e uma enorme nave em forma de charuto.
Abaixo dele, Janet, deitada sobre uma mesa, era examinada
por dois outros alienígenas. Em uma das paredes, um
consolo repleto de telas variadas parecia acusar dados do
exame. Os seres tinham grandes cabeças ovais, roupas justas
e esverdeadas, membros finos e compridos, e mãos de três
dedos com membrana interdigital. Tinham olhos grandes e
ovais com grandes pupilas negras, suas bocas pareciam
consistir numa pequena fenda e seus narizes em dois meros
orifícios. Tinham a pele azul-esverdeada.
Um ser atuou como intérprete telepático de Michael durante
o rapto. Surpreendido com a vigilância com que Michael
passara pela experiência, advertiu-o de que isto dificultaria as
coisas para ele mais tarde. Michael lembrou-se de ter se
sentido íntimo deste ser.
No plano inferior, ele observou enquanto os examinadores
raspavam a pele do corpo de Janet, tiravam-lhe sangue do
braço com uma seringa e "sugavam" fluidos de seu corpo por
meio de duas aberturas, usando uma máquina embutida no
teto. Tendo Michael indagado seu guia acerca daquele
procedimento, este lhe disse que eles estavam "desovando
consciência". Ao chegar sua vez de ser examinado, os seres
o conduziram até uma mesa próxima à de Janet; nessa altura,
ele perdeu os sentidos. Instantes antes disso, porém, viu a
nave deles se aproximar da grande nave em forma de
charuto lá fora.
Ao despertar, Michael teve a impressão de a nave deles se
encontrar agora dentro da grande nave. Ele e seu guia
flutuaram pelo fundo da nave em direção a um tubo de luz,
por onde foram projetados para uma espécie de hangar na
nave maior. Atravessaram uma das paredes daquele recinto
e, entrando numa espécie de elevador, subiram até dar em
outro recinto cheio de outras entidades de aparência
semelhante. Ali puseram algo parecido a um elmo na cabeça
de Michael, após o que as entidades, fitando uma tela em
forma de bolha, aplaudiram e emitiram sons audíveis entre
si. Em seguida, levaram-no para outro recinto, onde ele
presenciou uma cena estranha: sob um céu púrpura e
rodeados por gramado, árvores e fontes, havia uns humanos
comuns, mas atordoados. Janet chorava de medo perto dele.
Daí, ele adormeceu.
A próxima coisa de que ele se lembrou foi de estar caindo
pelo espaço em direção a um globo facetado com telas como
as de tevê. A imagem das telas era de Michael e Janet no
piso da doca, com o óvni pairando acima deles. Após
atravessar uma tela, Michael voltou a si. Nessa altura, seu
guia transmitiu-lhe uma mensagem telepática, dizendo que
eles gostavam dele, que ele ficaria sem entender muito do
que se passara no contato e que Janet não se lembraria de
nada. Outra voz garantiu-lhe que Janet estava bem, e por fim
ele ouviu uma voz dizer: "Adeus, Michael."
Antes de se submeter à hipnose, Janet mal podia se lembrar
da experiência em estado consciente. Porém, já hipnotizada,
ela recordou eventos que confirmaram o relato de Michael.
Durante o período de suas sessões de hipnose, enfatizou
Webb, ela ainda não conhecia a história de rapto de
Michael.
O que vai a seguir é um resumo da experiência de Janet
naquela noite, conforme reavivada por meio da hipnose. Ela
se lembrou da luz original descendo do céu. Daquela,
pensou ela, outras luzes teriam emergido. Após realizar
diversas manobras aéreas no céu, uma das luzes passou em
frente a eles e depois desapareceu. Ovalado e rodeado de
luzes, o objeto emitia um som agudo. Era "maior que um
carro ou uma casa" e parecia "uma nave espacial". Janet
também viu, no objeto, figuras alienígenas que os
espreitavam. Estas tinham cabeças incomuns e usavam
uniformes inteiriços.
Ela se lembrou tanto do objeto parando e pairando sobre
eles, no mesmíssimo local mencionado por Michael, quanto
de um brilhante feixe de luz saindo de baixo dele. A seguir,
lembrou estar deitada sobre uma mesa, sob uma abóbada
transparente, rodeada por "pessoas". Nem ela nem Michael
conseguiram lembrar como foi feita a transferência para o
óvni. Janet lembrou, ainda, que um ser cuidava dela,
garantindo-lhe por telepatia que tudo ia correr bem — e isto
a deixou bem relaxada e calma.
Lembrou ter sido examinada por diversos seres que lhe
diziam para não olhar ou se mexer enquanto faziam seus
testes. Ao dar uma espiada neles, ficou horrorizada com o
que viu; conforme lembrou também, seu guia foi
repreendido pelos outros seres por ter deixado isso
acontecer. Com muita relutância, ela descreveu a aparência
dos seres. Sua descrição, apesar de semelhante à de Michael,
diferia desta nos seguintes pontos: (1) a pele deles era de cor
esbranquiçada e aparência insalubre, e (2) eles usavam trajes
parecidos com macacões. Sua lembrança dos procedimentos
usados em seu exame diferiu um pouco da de Michael, mas
sua descrição do painel de instrumentos bateu com a dele.
Dentro do óvni, ela sentiu a presença de Michael em outra
mesa em algum momento e se lembrou de tê-lo visto duas
vezes em outras ocasiões.
Então, ela se lembrou de ter acordado na doca ao lado de
Michael, que parecia assustado e fascinado ao mesmo tempo.
Segundo recordou, ela não entendeu a razão para ele estar
tão encantado com "algumas luzes". Porém, em transe, veio-
lhe a lembrança de ter visto um disco escuro pairando acima
deles e a vaga lembrança de tê-lo observado partindo.
Lembrou ter subido os degraus ribanceira acima com
Michael e lá ter visto Susan e Barbara. Nessa altura, sentiu-se
muito cansada e estonteada, indo logo dormir na cabana das
funcionárias.
Segundo Webb, Janet confirmou 70% das descrições de
Michael para o ocorrido na doca e 68% de suas descrições a
bordo da nave. Após averiguar com outras pessoas presentes
em Buff Ledge no verão de 1968, Webb conseguiu localizar
Barbara e Susan. Fazendo depoimentos independentes,
ambas se lembraram por alto de ter visto um escuro e
silencioso objeto circular, com luzes em volta de sua borda,
partindo depressa da beira do lago, Contudo, nenhuma delas
conseguiu se lembrar de ter visto Michael ou Janet na área
àquela altura.
Webb também entrou em contato com o amigo de Michael,
Patrick, mas este não confirmou a alegação de Michael,
segundo a qual ele teria observado parte do contato
imediato. Patrick só conseguiu lembrar que Michael alegara
ter visto um óvni naquele verão. Segundo contou Patrick,
depois disso ele e outros que estavam na praia observaram
luzes estranhas manobrando no céu à distância, e mais tarde
viram diversos jatos da Força Aérea sobrevoando o lago. Em
resposta a isto, Michael negou a presença de quaisquer jatos
na ocasião, argumentando que a memória de seu amigo
estava confusa. Segundo também notou Webb, o
depoimento de Patrick era questionável, pois ele vinha se
submetendo a tratamento psiquiátrico de longa data.
Webb procurou confirmar o fato de a Base Aérea de
Plattsburgh ter recebido chamadas telefônicas sobre óvnis
naquela noite. Contudo, depois de um ano, haviam
destruído todos os troncos telefônicos e, após seis meses,
haviam destruído todos os relatos de visão de óvnis
(arquivados no quartel-general do SAC).
Webb também entrou em contato com "Elaine", que tinha
25 anos e era recreadora do acampamento no início de
agosto de 1968. Segundo lembrou ela, alguém veio até a casa
de recreação gritando algo a respeito de luzes no céu. Todas
as crianças correram para fora em direção a uma clareira na
ribanceira, e ela lembrou ter visto um brilho prateado se
movendo por sobre as árvores enquanto ia atrás das crianças
em ritmo mais lento, isto pode ter ocorrido no momento do
contato de Michael e Janet, mas não foi possível apurar uma
data exata.
Foram aplicados diversos testes psicológicos tanto em
Michael quanto em Janet, inclusive o Minnesota Multiphasic
Personality Inventory (MMPI) e o Psychological Stress
Evaluation (PSE). Embora ambos mostrassem ser normais, os
testes de Michael indicaram uma certa rebeldia intelectual
quanto a idéias tradicionais e regras familiares e sociais. Com
base nestes testes e em averiguações de antecedentes de
caráter, Webb acredita firmemente serem ambas as
testemunhas pessoas honestas e dignas de crédito, que não
criaram um embuste nem compartilharam algum tipo de
alucinação. Michael graduou-se em História da Religião em
1978, tendo seguido carreira de modelo e ator em Nova
York. Janet se graduou em 1971, com distinção, em
Psicologia, trabalhou como administradora de uma escola, e
depois se casou com um médico e teve dois filhos.

Histórico e freqüência de casos de rapto

Nos últimos trinta anos, as chamadas experiências de rapto
por óvnis, tais como a de Buff Ledge, têm sido relatadas
repetidas vezes. Embora os casos de rapto já revelados
remontem à década de 1940, só em anos recentes o padrão
moderno dos raptos por óvnis passou a ser reconhecido.
A primeira destas experiências a ser bem divulgada foi o caso
de Betty e Barney Hill, que relataram ter tido um contato
imediato com um óvni em 9 de setembro de 1961. Ambos
voltavam para casa de uma viagem de férias, dirigindo por
uma solitária estrada de New Hampshire. A princípio, os
Hill se lembraram de ter visto, no céu noturno, uma nave
estranha manobrando com abruptas alterações de direção.
Quando a nave se aproximou do carro, eles a observaram
com binóculos, e Barney pôde ver figuras humanóides nas
janelas iluminadas da nave. Nessa altura, os Hill aceleraram.
Afora uns zunidos estranhos, eles não conseguiram se
lembrar de nenhum outro incidente durante o regresso para
casa.
Após o contato, Betty Hill se viu importunada por sonhos
estranhos em que era levada a bordo do óvni por
alienígenas, e Barney passou a sofrer de úlcera e de outros
sintomas de esgotamento. Entre 14 de dezembro de 1963 e
27 de junho de 1964, eles fizeram hipnoterapia com o
psiquiatra Benjamin Simon, resultando daí uma detalhada
história de rapto por alienígenas, semelhante àquela de
Michael e Janet. Este caso, também investigado por Walter
Webb, foi publicado no livro The Interrupted Journey (A
jornada interrompida), de John Fuller.
Sob hipnose, Barney Hill descreveu seus raptores com
termos quase que banalizados mais tarde pelo uso. Eles
tinham pele acinzentada de aparência quase metálica,
nenhum cabelo, grandes olhos oblíquos que pareciam
enrolar-se pelos lados da cabeça, duas fendas como narinas e
uma boca em linha horizontal. Segundo disse, falavam entre
si em murmúrios, ao passo que o líder deles se comunicava
com ele mentalmente. Além disso, o líder exercia controle
mental de longo alcance sobre ele: "Era como se eu soubesse
que o líder estava em outro lugar, mas sua eficácia me
acompanhasse."
Desde 1964, muitos raptos por óvnis têm sido revelados.
Para se ter uma idéia da freqüência com que ocorrem estas
experiências, observe-se que, só em 1988, a pesquisadora
ufológica britânica Jenny Randles ficou sabendo de 32
relatos de rapto por óvnis no continente europeu. Em 1981,
Budd Hopkins, um pesquisador americano famoso por seus
estudos sobre raptos por óvnis, disse ter pessoalmente
investigado 19 casos de rapto desde o princípio de suas
pesquisas sobre óvnis em 1976.
Até 1981, prosseguiu Hopkins, havia-se estudado um total
de cerca de quinhentos casos de rapto. Ele baseou esta
estimativa em trezentos casos do HUMCAT, um catálogo de
relatos sobre humanóides compilado por Ted Bloecher e
David Webb, mais os casos investigados pelo Dr. James
Harder, um engenheiro, e o Dr. Leo Sprinkle, um psicólogo.
Jacques Vallee apresentou uma estimativa comparável em
1990, dizendo: "Até a época deste escrito, mais de
seiscentos raptados foram interrogados por pesquisadores de
óvnis, às vezes assistidos por psicólogos clínicos."

Características genéricas dos raptos por óvnis

Apesar de parecer bastante estranha, a história de Michael e
Janet apresenta uma série de aspectos repetitivos. Eis uma
lista de alguns destes aspectos, mais ou menos na ordem em
que aparecem na história:
1. O óvni é amiúde (mas nem sempre) descrito como um
disco abobadado com diversas luzes intermitentes ou
pulsantes.
2. É freqüente se ouvirem sons agudos e incomuns,
especialmente no princípio da experiência.
3. Às vezes, as testemunhas vêem seres alienígenas
olhando pelas janelas de suas naves. Ao que parece, os seres
costumam exercer alguma espécie de influência hipnótica
sobre as pessoas que os observam.
4. Estes seres costumam ser pequenos, com cabeças e olhos
grandes e bocas, narizes e orelhas rudimentares. O
termogray costuma aplicar-se a este tipo racial. Às vezes,
contudo, há relatos sobre entidades ufológicas dotadas de
belas feições humanas e, em certos casos, humanos e
entidades do tipogray parecem estar trabalhando juntos
dentro dos óvnis.
5. É comum as entidades se comunicarem com as
testemunhas humanas por telepatia. No entanto, costuma-se
dizer que elas se comunicam entre si por meio de sons
incompreensíveis.
6. Elas costumam dizer que visitaram este planeta no
passado remoto e regressaram por causa de nossos testes
nucleares.
7. Em geral, garantem que nada farão de mal para as
testemunhas.
8. Tipicamente, dá-se uma perda de memória de partes da
experiência e um conseqüente lapso de tempo. Isto se
tornou famoso como o fenômeno do "tempo perdido".
9. A forma pela qual a testemunha entra no óvni costuma
envolver um feixe de luz, mas não há uma lembrança
precisa de como isto acontece.
10. Às vezes, as testemunhas relatam terem visto a Terra ou
outros planetas do espaço exterior enquanto estiveram a
bordo do óvni.
11. Às vezes, o óvni é levado para dentro de uma "nave-
mãe" maior.
12. Estas experiências costumam acarretar um grande temor.
Neste caso, o temor experimentado por Janet não foi tão
extremo como acontece em muitos casos.
13. Em geral, as testemunhas dizem terem se sentido muito
calmas em determinado momento, devido ao fato de seus
apreensores lhes transmitirem tranqüilidade.
14. Tipicamente, a testemunha é submetida a um exame
"médico" enquanto deitada sobre uma mesa. Neste exame,
realizado por máquinas elaboradas, o corpo da testemunha
costuma ser perscrutado, aguilhoado, raspado e injetado com
fluidos.
15. Conforme vimos neste caso, com a referência a "desovar
consciência", o exame costuma ter algo a ver com
reprodução, e acontece de extraírem amostras de óvulos ou
esperma.
16. As testemunhas costumam ver painéis com muitas telas
do tipo tela de tevê.
17. Após o exame, é comum se fazer uma espécie de visita
pela nave. Levada a diversos recintos, a testemunha vê
diversas coisas incompreensíveis.
18. As testemunhas costumam experimentar flutuar pelo ar
em feixes de luz, e às vezes relatam terem flutuado através
de paredes.
19. Às vezes se descrevem convocações de entidades
alienígenas em recintos grandes.
20. Às vezes estranhas paisagens surreais são mostradas às
testemunhas.
21. Costuma haver experiências que parecem alucinatórias
ou visionárias. Um exemplo disto, neste caso, foi a queda de
Michael no globo facetado com telas de tevê. Ao mesmo
tempo, muitos aspectos destas experiências parecem
envolver percepção sensorial normal sob circunstâncias
estranhas.
22. As testemunhas costumam relatar esgotamento extremo
após a experiência.

Pequenos detalhes recorrentes

Além destes aspectos, existem muitos pequenos detalhes
que se repetem em relatos sobre raptos. Por exemplo:
embora as testemunhas não costumem se lembrar de como
entraram num óvni (item 9), em alguns casos a testemunha
se lembra de ter entrado por uma porta, havendo, também,
muitas referências a portas dentro dos óvnis. Quase que
invariavelmente, tais portas, dizem as testemunhas,
desaparecem de forma inconsútil ao serem fechadas.
Um exemplo disto seria a história de rapto recontada em
The Andreasson Affair, de Raymond Fowler. Nesta história,
em 1967 uma dona de casa da Nova Inglaterra chamada
Betty Andreasson foi visitada por seres do tipo gray, que a
fizeram flutuar através da porta fechada de sua casa (item 18)
e depois a levaram para um óvni estacionado em seu quintal.
Entrando no óvni, ela foi de recinto em recinto dentro dele,
passando por portas da forma normal; mas, segundo
comentou, estas portas se tornavam invisíveis ao serem
fechadas. Outro exemplo é a história do fazendeiro brasileiro
Villas Boas que relatou ter visto vãos de porta inconsúteis
num óvni em 1957 (veja página 165).
Em 1950, Frank Scully publicou um livro muito
controvertido, Behind the Flying Saucers (Por trás dos
discos voadores) sobre a apreensão de um disco voador
avariado perto de Aztec, Novo México, em fins da década de
1940. Segundo ele menciona no livro, a porta que dava
acesso ao disco se tornava invisível ao ser fechada. Muitos
pesquisadores ufológicos têm rejeitado a história de Scully
por considerá-la um embuste, mas William Steinman a tem
defendido energicamente. Sem querer tomar partido nesta
questão, observo que Steinman apresenta alguns
depoimentos adicionais com relação aos vãos de porta
inconsúteis. Segundo sustenta ele, Baron Nicholas von
Poppen, estônio expatriado e hábil fotógrafo, foi convocado
por autoridades militares ao local do acidente em Aztec para
fotografar o óvni derrubado. Von Poppen teria descrito o
que viu para George C. Tyler em 1949. Em sua descrição, ele
diz: "A porta era tão finamente acabada que, ao se fechar,
não deixava o menor indício de sua existência."
Que está acontecendo aqui? Teria alguém inventado a
história da porta inconsútil em 1949, ou talvez tomado a
mesma emprestada de alguma história de ficção científica?
Teria Betty Andreasson, dona de casa e cristã
fundamentalista, embutido a idéia de algum livro sobre óvnis
em sua própria história, talvez sem ter consciência disso?
Teriam as muitas outras testemunhas que mencionam vãos
de porta inconsúteis feito o mesmo, inclusive o fazendeiro
brasileiro Villas Boas (o qual supostamente não teria como
acionar esta informação)? Ou será que testemunhas
independentes estavam mesmo observando portas
inconsúteis nos óvnis?
Pela "hipótese nula", os detalhes das histórias dos óvnis, tais
como a idéia da porta inconsútil, são transmitidos de uma
pessoa para outra através de meios comuns, tais como de
viva voz ou lendo livros e artigos de revistas. É muito difícil
determinar com certeza se esta hipótese se aplica a qualquer
caso ou se a testemunha está recontando uma experiência
verdadeira. Portanto, a melhor política é ter ambas as
possibilidades em mente e ver de que maneira as provas
parecem fazer sentido no final das contas. Devo também
observar a possibilidade de memórias de uma experiência
autêntica se misturarem com idéias oriundas de outras
fontes.
Antes de mudar de assunto, devo mencionar dois outros
pequenos detalhes constantes no livro de Scully. O primeiro
tem a ver com a força e a leveza do metal do qual se
constitui o disco avariado de sua história. Scully cita as
seguintes palavras de seu informante, o "Dr. Gee": "Na nave
grande, bastavam dois ou três homens para erguê-la de um
lado, de tão leve que era. Por outro lado, pelo menos uma
dúzia deles rastejara para cima da asa que, de tão forte, não
sofreu o menor abalo." Segundo também diz Scully, dez mil
graus de calor não conseguiram romper dois dos metais que
formavam a nave de trinta metros de diâmetro. É curioso o
fato de as testemunhas no caso Roswell de 1947 (páginas
130-34) terem enfatizado que os fragmentos de metal vistos
por elas eram levíssimos e extremamente resistentes a
dobraduras, cortes ou queimaduras.
Conforme o segundo detalhe, o disco avariado de Scully
teria um anel externo de metal que girava ao redor de uma
cabine central fixa. Como Scully descreveu num artigo de
Variety, em 1949: "Seu centro permanecia em repouso, mas
uma borda externa girava em torno dele a uma velocidade
impressionante." Esta idéia também consta no depoimento
de Betty Hill com relação a seu contato com o óvni.
Hipnotizada, ela disse: "Mas havia uma espécie de aro
girando em volta da nave. E não sei por que, mas me
ocorreu a idéia de que era um aro móvel, como se girasse
em torno do perímetro, talvez. Ou como se fosse um
enorme giroscópio de alguma espécie."

Ferimentos e doenças

Em muitos casos, vinculam-se sintomas de ferimento físico
ou doença a contatos com óvnis, inclusive aqueles
envolvendo raptos. Barney Hill, por exemplo, parece ter
contraído uma úlcera como resultado da ansiedade causada
por sua experiência. Também apareceram-lhe verrugas na
virilha, causadas talvez por um instrumento colocado, pelo
que ele lembra, sobre seus órgãos genitais enquanto ele
esteve a bordo do óvni. Esta experiência e um "teste de
gravidez" administrado em sua esposa, Betty, pelas entidades
do óvni também ilustram o item 15.
Segundo outro relato, de novembro de 1975, um rapaz
experimentou um contato bizarro na reserva florestal
Catskill envolvendo uma nave oval semi-luminosa, um
ataque de figuras parecidas a robôs e um espaço de tempo
perdido. Cerca de uma semana após este evento, uma série
de vergões bem marcados foi pipocando de seu umbigo até a
virilha num padrão convergente. No caso Villas Boas, a
testemunha ficou esgotada, nauseada e sem conseguir comer
ou dormir direito após sua experiência de rapto. Acabou
contraindo uma doença de pele crônica e incomum.
Também experimentou fortes dores de cabeça, ardor e
lacrimação dos olhos.
A irritação dos olhos parece ser comum em casos de contato
imediato com óvnis que costumam fazer uso de feixes de luz
ofuscantes. Uma série de exemplos de casos de CI3 com
danos aos olhos é citada num artigo, "The medical evidence
in UFO cases", de John Schuessler. De acordo com Budd
Hopkins, é freqüente testemunhas de raptos relatarem
irritação dos olhos provocada por luzes brilhantes vistas
dentro dos óvnis.
Ao mesmo tempo, há relatos de curas extraordinárias ligadas
a contatos imediatos com óvnis. Algumas delas parecem ser
de natureza mística (veja páginas 193-94). Outras são
atribuídas a intervenções médicas que parecem fazer uso de
reconhecíveis técnicas de alta tecnologia.
Um exemplo deste último caso é relatado pela psicóloga
Edith Fiore. Um de seus pacientes disse ter nascido com um
vaso sangüíneo malformado no cérebro. Conforme os
médicos disseram à mãe dele, como este vaso podia se
romper a qualquer momento, ele seria retardado e sua
expectativa de vida seria mínima. No entanto, ele já é um
quarentão e é normal. Resulta que, ao ser hipnotizado por
Fiore, ele se lembrou de "ter visto, numa tela, ETs fazendo-
lhe um tratamento, tendo ainda podido ver alguns vasos
sangüíneos que pareciam estar fora de seu cérebro".
Fiore alega já ter detectado cerca de duzentos relatos de CI4
no transcurso de regressões hipnóticas realizadas para fins de
psicoterapia. Cerca de 50% deles envolviam curas de
doenças tidas como incuráveis, tais como câncer, ou de
condições dolorosas, tais como enxaquecas. Pode-se sugerir,
é claro, a hipótese de as pessoas imaginarem estas curas
feitas por ETs por sentirem necessidade de explicar curas
naturais ocorridas por motivos desconhecidos. Mas a cultura
ocidental dispõe de explicações místicas familiares para curas
incomuns (tais como a graça de Jesus). Por que, então,
deveria alguém tentar explicar as curas misteriosas
recorrendo aos ETs, que são mais misteriosos ainda?
A evidência segundo a qual muitos contatos com óvnis
tendem a vir acompanhados de efeitos físicos — maléficos
ou benéficos — apóia a hipótese da realidade física destes
contatos. Isto se aplica, em especial, a casos cujo efeito físico
pode estar vinculado a recordações de eventos específicos
ocorridos dentro de um óvni.
Ao mesmo tempo, contudo, são conhecidos os
extraordinários efeitos que alguns estados mentais são
capazes de produzir sobre o corpo. Um exemplo famoso
disto seriam os estigmas surgidos nos corpos de certos
monges e freiras católicos em decorrência de eles terem
meditado na crucificação de Cristo. Alguns estigmas,
segundo consta, assemelham-se bastante a feridas causadas
por unhas. Mas quer tenham sido obra de agentes "naturais"
ou "sobrenaturais", decerto não foram produzidos por
unhadas. Poderiam os raptos por óvnis ocorrer apenas em
nível mental, e deste modo envolver efeitos incomuns da
mente sobre a matéria?
A questão sobre a realidade física ou não dos raptos por
óvnis vem a ser bastante complexa. As comparações com o
material védico poderão elucidar este assunto, que voltarei a
analisar com mais minúcia no Capítulo 10, após apresentar
um pouco daquele material. Por ora, eu sugeriria que alguns
contatos imediatos com óvnis parecem envolver fenômenos
físicos grosseiros, enquanto outros parecem envolver a ação
de energias sutis ligadas à mente.

Anatomia de uma alucinação?

Conforme sugere a literatura ufológica, os seres humanóides
envolvidos em raptos apresentam, com algumas notáveis
exceções, uma extraordinária uniformidade de aparência e
comportamento. A pesquisadora britânica Jenny Randles,
por exemplo, salientou, com base em seus dados, ser
possível identificar duas categorias básicas de entidades
raptoras.
A primeira categoria, na qual ela inclui os "seres pequenos e
feios", corresponde ao já mencionado tipo gray. Segundo
ela, "eles têm entre noventa centímetros e 1,5m de altura,
grandes cabeças em forma de pêra, grandes olhos redondos
e narizes e bocas fendidos; costumam não ter cabelo e usar
uniformes esverdeados; têm a pele às vezes cinzenta ou
enrugada". Salientou também haver uma desconcertante
falta de variedade nas descrições destes seres.
A segunda categoria é a dos "altos e magros". A altura típica
destes é 1,80m ou mais e, como se costuma dizer, têm
traços escandinavos, incluindo pele pálida e cabelo louro.
Em geral, seus olhos são do tipo oriental ou felino, de cor
azul ou rosa. São dotados de estranha beleza, sendo mais
parecidos com os humanos que com os seres gray.
A divisão entre humanóides altos e baixos também se
evidencia em termos estatísticos na tabela de 164 relatos
sobre humanóides, publicada em 1976 pelos investigadores
ufológicos Coral e Jim Lorenzen. Conforme salientei no
Capítulo 2 (página 92), os Lorenzen mencionaram
humanóides pequenos e grandes, e (o que é estranho) o
tamanho dos humanóides relatados parece se correlacionar
com o tamanho do óvni que os acompanha.
Os Lorenzen também mencionaram quatro outros tipos de
entidades, descritas como sendo robôs grandes e pequenos e
monstros grandes e pequenos (confira a história de robô em
Cisco Grove, página 118). Na tabela deles, predominam os
humanóides grandes e pequenos, conforme podemos
constatar, contando o número de relatos apresentando
entidades das diferentes categorias. (Embora na tabela deles
só haja um caso apresentando dois tipos diferentes de
entidades, eles são bastante comuns na literatura sobre
óvnis.)

Humanóide grande - 60
Humanóide pequeno - 81
Monstro grande - 3
Monstro pequeno - 4
Robô grande - 1
Robô pequeno - 3

Os Lorenzen também relacionaram diversas características
corpóreas dos humanóides. Resulta que, entre os
humanóides grandes, oito tinham olhos de notável
grandeza, enquanto dez tinham olhos normais, uma divisão
aproximadamente igual. Porém, entre os humanóides
pequenos, o relato foi de dezoito com olhos grandes para
apenas dois com olhos pequenos. Isto é compatível com a
descrição usual de olhos grandes para as entidades gray.
Acaso os compatíveis padrões anatômicos destes
humanóides refletem a estrutura corpórea de seres vivos
verdadeiros, ou refletem a anatomia de alguma espécie de
alucinação? Embora possa haver outras explicações possíveis
para os humanóides, por ora vamos considerar estas duas.
Seria possível articular a idéia da alucinação da seguinte
forma: por algum motivo, as histórias de rapto apresentando
determinados tipos de seres foram a princípio criadas pela
imaginação humana. Estes seres têm aspecto humano por
ser natural para as pessoas imaginar formas humanas. As
histórias são divulgadas por meios normais de comunicação.
Quando as pessoas relatam contatos vividos e chocantes
com estes seres, isto pode se dar em função de um processo
psicológico que incorpora as histórias que elas ouviram a
uma experiência aparentemente real. Esta poderia ser a
chamada teoria do folclore.
Randles cita um estudo de duzentos casos de rapto feito por
um estudante de folclore chamado Thomas E. Bullard.
Segundo argumentou Bullard, se as histórias de óvnis se
espalhassem como sendo uma espécie de folclore, deveriam,
então, apresentar as características esperadas de um contexto
folclórico. As histórias deveriam apresentar, por exemplo,
um grau de variação típico de produtos da imaginação
humana. Deveriam variar de uma região geográfica para
outra, além de mostrar a influência de casos bastante
divulgados.
Randles sumariou as conclusões de Bullard como segue:
embora os casos americanos acusem de maneira acentuada,
uma quantidade menor de exemplos dos seres altos do que
os casos não-americanos, nos casos de rapto oriundos de
diferentes partes do mundo detecta-se, não obstante, um
alto nível de uniformidade. Casos bastante divulgados não
parecem exercer impacto detectável sobre os relatos de
rapto. Além do mais, as histórias de rapto são
estereotipadíssimas, apresentando um leque muito menor de
variação do que o encontrado, por exemplo, em ficção
científica. Logo, as histórias de rapto não parecem obedecer
aos padrões esperados de um contexto folclórico.
Seria possível argumentar, contudo, que as experiências de
rapto tendem a demonstrar um alto nível de uniformidade
em virtude de um processo psicológico que seleciona
determinadas idéias e as intensifica. No entanto, os relatos
sobre raptos só entraram em evidência a partir do início da
década de 1960. Por que teriam estas histórias em particular
se revestido de potência psicológica em anos recentes, e não
antes disso?
Outro inconveniente desta idéia: muitas das características
uniformes evidenciadas repetidas vezes em relatos sobre
raptos não parecem ser significativas do ponto de vista
psicológico. Qual seria a relevância psicológica, por
exemplo, de portas inconsúteis em óvnis, ou de bocas em
forma de fenda em humanóides pequenos? O que motivaria
as pessoas a falarem de luzes brilhantes dentro dos óvnis e a
imaginar entidades dotadas da faculdade de comunicação
telepática? Uma boa teoria psicológica em torno destas
características as relacionaria de forma convincente a
princípios psicológicos conhecidos.
Conforme ainda se poderia argumentar, certas
características-chave dos relatos sobre raptos revestem-se de
determinantes psicológicos. As outras são criações arbitrárias
da imaginação que pegam uma carona, por assim dizer, nos
elementos de relevância psicológica da história. Mas, se estes
elementos não se afiguram tão importantes para as pessoas,
por que, então, não variam tanto de um relato para outro em
função do capricho individual?

Sobre a evolução dos humanóides

Se os humanóides relatados não são produtos da psicologia e
do folclore, talvez sejam seres vivos reais. Se é assim, então,
as características comumente relatadas em histórias de rapto
poderiam ser devidas ao fato de estes seres terem certos
traços físicos e culturais. Alguns deles poderiam de fato ter
bocas fendidas, e as portas inconsúteis poderiam integrar a
sua tecnologia.
Pelo que sei, apesar de não ficar provada pelos relatos sobre
contato imediato, esta hipótese continua sendo uma forte
possibilidade. Contudo, também traz à tona a questão do
lugar e do processo de origem dos humanóides.
Por ora, limitemo-nos à idéia de que os corpos físicos dos
humanóides teriam surgido por meio de processos de
evolução neodarwiniana. Conforme o argumento de alguns
cientistas, tais como Carl Sagan, alguma espécie de vida
inteligente pode ter evoluído em outros planetas dentro de
nossa galáxia. Outros argumentam que, se os dinossauros não
tivessem se extinguido, a evolução poderia ter gerado um
dinossauro bípede de cérebro grande, com inteligência e
aparência comparáveis às de um ser humano. Com base
nestas considerações, há quem sugira a possibilidade de os
humanóides terem evoluído em outro planeta.
Contudo, o preeminente evolucionista Theodosius
Dobhzhansky rejeitou esta idéia e explicou porquê,
analisando um experimento hipotético. Ele disse:
"Suponhamos que, por alguma casualidade de todo
improvável, exista outro planeta em alguma parte no qual
surgiram animais, vertebrados e mamíferos como aqueles
que viveram na Terra durante o eoceno. Acaso isto
significaria dizer, necessariamente, que também as criaturas
humanóides teriam se desenvolvido neste planeta
imaginário?"
Segundo a estimativa de Dobhzhansky, seriam necessárias
alterações em cerca de cinqüenta mil genes para que os
humanos modernos tivessem se desenvolvido a partir de
ancestrais do eoceno de cerca de 55 milhões de anos atrás.
Entre estas alterações, estariam incluídas mutações e outros
tipos de alteração da estrutura genética. Já que cada uma
dessas alterações não passa de uma dentre uma vasta gama
de alternativas, seria virtualmente igual a zero a
probabilidade de as alterações terem ocorrido e sido
escolhidas na mesma seqüência em que o foram na história
da evolução humana. Pequenos desvios na seqüência de
alterações bastariam para fazer descarrilar o processo
evolutivo de humanização das criaturas pré-humanas. Assim
como seria possível, em se tratando do ambiente pré-
humano, que desvios na evolução de outras plantas e
animais descarrilassem a evolução humana, da mesma
maneira, o rumo da Terra, em nível de história climática,
teria sido outro se ela sofresse desvios climáticos.
Portanto, ponderou Dobhzhansky, eram mesmo mínimas as
probabilidades de qualquer coisa semelhante a um humano
ter evoluído em seu planeta hipotético. Para redundar em
algo consideravelmente semelhante ao gênero humano,
seria preciso que o processo de evolução da Terra tivesse
sido o mesmo desde o eoceno, pelo menos durante a maior
parte dos seus 55 milhões de anos. Se não, provavelmente,
os pré-humanos trepadores de árvores do eoceno teriam se
extinguido ou se transformado em alguma forma
desconhecida de mamífero.
O famoso evolucionista George Gaylord Simpson chegou a
conclusões semelhantes. Ele usou termos bastante amplos ao
definir humanóide como sendo "um organismo vivo natural
com inteligência comparável à do homem em quantidade e
qualidade, podendo, portanto, comunicar-se conosco de
forma racional". Segundo argumentou ele, a evolução de
semelhante ser depende de uma infinidade de circunstâncias
especiais, sendo bastante remota a probabilidade de
circunstâncias equivalentes surgirem em outro planeta.
Entre estas circunstâncias, incluem-se as condições químicas
necessárias para a produção de células vivas, as condições
ambientais prevalecentes durante milhões de anos de
evolução na Terra e as muitas mutações necessárias para se
produzirem organismos complexos. "Acho, portanto",
concluiu, "sobremodo improvável que exista, em alguma
parte de nosso universo acessível, algo semelhante a nós o
suficiente para de fato se comunicar conosco em nível de
pensamento."
Caso este entendimento da evolução esteja correto, então, a
existência de humanóides ufológicos, enquanto seres reais e
parecidos aos humanos, representa um desafio para a atual
teoria da evolução. Podemos argumentar que a evolução
estava fadada a produzir algo, sendo a humanidade um de
seus produtos na Terra. Deste modo, a existência de
humanos na Terra não representa problema algum. No
entanto, é mínima a probabilidade de a evolução produzir,
em separado, algo parecido com a humanidade em dois
planetas diferentes desta galáxia.
Seria possível argumentar, é claro, que os humanóides
ufológicos se assemelham aos humanos apenas de modo
superficial. Por uma hipótese, os humanóides que as pessoas
vêem são meras simulações da forma humana que estão
sendo manipuladas por um agente desconhecido. Talvez o
agente esteja se valendo destas simulações para se comunicar
conosco. Ou talvez os motivos do agente sejam de todo
incompreensíveis para nós. Como pode ser aplicada a todo e
qualquer dado, esta teoria da simulação traz o inconveniente
de nos deixar com um mistério irrevelado. Sugiro só
lançarmos mão dela em última instância.
Por outra hipótese, os humanóides ufológicos têm de fato
certas características semelhantes às humanas, só que, em
nível fundamental, são totalmente diferentes de nós.
Embora em parte isto possa ser verdade, alguns dos traços
sobremaneira humanos atribuídos a estes seres me fazem
duvidar de que represente toda a verdade.
Por exemplo: é costumeiro relatar casos de humanóides
vestidos. Se não é mera ilusão ou um espetáculo projetado
por um agente desconhecido, como, então, devemos
entender isto? É comum as roupas dos humanóides
incluírem detalhes familiares, tais como faixas ou insígnias.
Isto parece sugerir a existência, por trás da roupa, de uma
mente semelhante à nossa.
Consideremos a mente de um humano de um país
estrangeiro. Talvez este indivíduo tenha padrões de
pensamento difíceis de serem entendidos por nós, mas,
mesmo assim, sua mente será semelhante à nossa de muitas
formas importantes. Possivelmente, isto também se aplica ao
caso dos alienígenas ufológicos.
Os humanóides também têm formas corpóreas similares às
humanas, com cabeças, braços e pernas parecidos aos dos
seres humanos. Para entender o que quero dizer ao me
referir a um braço como sendo semelhante ao humano,
considere o quanto ele poderia se desviar deste padrão. Algo
que funcione como um braço poderia ter duas articulações
intermediárias em vez de uma articulação no cotovelo.
Poderia ser flexível como um tentáculo. Poderia terminar
com torqueses em vez de mãos, ou terminar com um
dispositivo de sucção agregado a uma boca denteada, como
aquela de um ouriço do mar. As possibilidades são ilimitadas.
Todavia, segundo os relatos, a maioria das entidades
ufológicas (mas não todas!) tem braços que só diferem do
padrão humano pelo número de dedos.
Por quê? Acaso elas são apenas toscas simulações ou são
fundamentalmente semelhantes aos humanos? A última
alternativa é com certeza uma hipótese possível. Esta
hipótese tem a virtude da simplicidade, além de conter uma
afirmação forte e específica. Mas ela também sustenta a
existência do tipo de ser que, segundo Simpson, não
evoluiria em parte alguma do universo acessível.
Deixe-me sumariar minhas observações nesta seção e na
precedente. A hipótese de folclore-mais-psicologia pode
explicar por que as entidades ufológicas pareceriam
semelhantes à humanos de tantas maneiras (é natural
imaginarmos humanos), porém, não logra explicar as
estranhas, mas tão repetitivas, características destas
entidades. A hipótese de evolução extraterrestre pode
explicar estas características estranhas como sendo os traços
físicos e tecnológicos de uma raça (ou raças) alienígena(s).
Contudo, esta teoria não é compatível com os muitos
aspectos parecidíssimos aos humanos das entidades
relatadas.
Resta-nos, nesta altura, a explicação segundo a qual os
humanóides seriam seres semelhantes a nós, mas com uma
origem não-evolucionária. Ou seriam ilusões ou
manifestações externas de algo incompreensível. Porém,
estamos apenas começando nossas conjecturas. Há outros
pontos a serem considerados que poderão elucidar a
natureza dos humanóides. A última hipótese a este respeito
depende dos pontos que apresentarei aos poucos no
decorrer deste livro.

Sedução e genética

Tendo dito isto, volto-me agora para um dos aspectos mais
perturbadores do fenômeno do rapto por óvnis. Caso após
caso, surgem relatos de interações sexuais entre os humanos
raptados e as entidades ufológicas. Estas interações parecem
enquadrar-se em duas categorias: (1) experimentos com a
reprodução humana envolvendo manipulações médicas, e
(2) relações sexuais diretas entre os raptados e os seus
captores. Começarei com uma breve revisão de quanto foi
escrito sobre estes fatos, para depois fazer algumas
observações.
O primeiro exemplo conhecido da categoria (2) é a história
de rapto do fazendeiro brasileiro Antonio Villas Boas. Este
incidente foi investigado pelo Dr. Olavo T. Fontes, M. D.,
poucas semanas após ter ocorrido em outubro de 1957. O
resumo a seguir se baseia na versão inglesa do estudo
original de Fontes publicada por Gordon Creighton,
pesquisador ufológico britânico.
Quando ocorreram os incidentes relatados, Villas Boas tinha
23 anos de idade e vivia com sua família numa fazenda perto
de Francisco de Sales, em Minas Gerais. Embora fosse
inteligente, ele tinha pouca cultura e trabalhava na fazenda
da família.
Nas noites dos dias 5 e 14 de outubro, Villas Boas observou
luzes estranhas que fizeram manobras ao redor da fazenda e,
a certa altura, desapareceram misteriosamente. O episódio
principal, contudo, ocorreu na noite do dia 15. Ele estava
sozinho no campo, arando a terra com seu trator à uma da
manhã para evitar o calor abrasante do sol. Viu uma estrela
vermelha vindo bem rápido na sua direção e aumentando de
tamanho até se transformar num luminoso objeto oval. O
objeto se deteve cerca de cinqüenta metros acima de seu
trator e, ao iluminar a área, deu a impressão de que era pleno
dia. Fez uma pausa de alguns minutos e por fim aterrissou
devagar. Tinha formato arredondado com pequenas luzes
purpúreas e um grande farol dianteiro vermelho. Tinha três
pernas de sustentação e uma cintilante cúpula giratória na
parte superior.
Villas Boas tentou escapar em seu trator, mas o motor pifou
e as luzes se apagaram. Ao tentar sair correndo, uma
figurinha vestida com roupa estranha o agarrou pelo braço.
Ele se desvencilhou do atacante, mas foi agarrado por outros
três e arrastado, ainda se debatendo, em direção à máquina.
Após ter sido arrastado para dentro da máquina, a porta
externa se fechou, não restando vestígio algum de seu
contorno. Seus captores conversavam emitindo sons
semelhantes a latidos. Eles o despiram, lavaram-no com
alguma espécie de líquido e o levaram para outro recinto.
Outra vez, a porta se fechou e ficou invisível. Foi usado um
aparato para tirar duas amostras do seu sangue, após o que
ele foi deixado sozinho no recinto. Em seguida, uma fumaça
nauseante, introduzida no recinto por meio de tubos, fê-lo
vomitar.
Os homens usavam vestes cinzentas e justas, parecidas com
uniformes, além de elmos que escondiam suas expressões
faciais. Acima de seus olhos, que pareciam ser claros, os
elmos eram duas vezes maiores do que uma cabeça normal.
As calças, também justas, formavam uma peça inteiriça com
os sapatos volumosos e de ponta curva.
Após algum tempo, uma mulher nua, muito atraente, entrou
no recinto e o seduziu. Ela parecia um ser humano normal
sob todos os aspectos, embora tivesse um rosto incomum,
com cabelos louros, quase brancos, grandes olhos oblíquos,
ossos malares muito salientes, lábios finos e um queixo
estreito e pontudo. Depois que a mulher saiu, as roupas dele
foram devolvidas. Após se vestir e aguardar por algum
tempo (além de tentar sem êxito apanhar um objeto como
prova de sua experiência), ele foi levado num passeio ao
redor da parte externa da nave e depois liberado.
Nessa altura, a cúpula giratória passou a rodar com mais
rapidez e a mudar da cor esverdeada para a vermelha; a nave
se ergueu no ar para em seguida disparar, como uma bala,
rumo ao sul. Segundo calculou Villas Boas, ele esteve na
nave durante quatro horas e quinze minutos. Ao ser
indagado, disse não ter sofrido nenhuma forma de influência
telepática durante a experiência.
Conforme mencionei na seção anterior, Villas Boas sofreu
uma série de enfermidades após este episódio, todas elas
registradas pelo Dr. Fontes. Villas Boas, observou ainda o Dr.
Fontes, tinha duas marcas no queixo correspondentes aos
lugares de onde lhe haviam extraído as amostras de sangue.
Pela avaliação de Fontes, Villas Boas parecia
psicologicamente normal, com bom grau de inteligência e
sem tendência ao misticismo.
Tendo considerado a história obviamente inverídica, Fontes
concluiu que Villas Boas devia ser um mentiroso de
imaginação fértil, hábil em se lembrar de uma história
imaginária nos seus mínimos detalhes e recontá-la sem se
contradizer. Fontes manteve a história em sigilo até enviá-la
a Gordon Creighton em abril de 1966. A história, baseada
em entrevista concedida por Villas Boas ao Dr. Walter
Buhler do Rio de Janeiro, em 1962, já havia sido publicada
em inglês pela Flying Saucer Review (Discos voadores em
revista) em janeiro de 1965.
Nesta história, há muitos detalhes que vêm à tona repetidas
vezes em casos de contato imediato com óvnis. Entre eles
temos: (1) luzes de fonte desconhecida que dão voltas para
em seguida desaparecer de forma abrupta; (2) brilhantes
feixes de luz projetados por um óvni cintilante; (3) o
enguiço do motor do trator; (4) portas que se tornam
invisíveis depois de fechadas; (5) uniformes justos formando
peças inteiriças com elmos e sapatos; e (6) cabeças com
grandes olhos oblíquos, lábios finos e queixos pontudos.
Assim, fica parecendo que, se Villas Boas tivesse mesmo
inventado a história, ele seria não só imaginativo como
também informado no estudo de óvnis.
A história de Villas Boas é um tanto incomum em vista do
fato de não o terem paralisado ou controlado mentalmente
durante a experiência. Contudo, tem havido casos de relatos
feitos por homens que, estando sob o efeito de alguma
forma de paralisia, foram forçados a fazer sexo com
estranhas mulheres alienígenas. Foram experiências
sobremodo constrangedoras e revoltantes para os homens a
elas submetidos à força, e as mulheres envolvidas pareciam
cruzamentos entre humanos e os seres gray. Três casos deste
tipo são descritos em minúcia no livro Intrusos, de Budd
Hopkins, publicado nos Estados Unidos em 1987. É curioso
o fato de o ser descrito por Villas Boas nos idos de 1957
também parecer compartilhar características humanas e
gray.
Budd Hopkins também é famoso por sua análise de casos de
mulheres que de alguma forma são engravidadas e cujo
embrião é então removido por entidades ufológicas. Estes
casos às vezes envolvem cenas de "apresentação", onde
mostram à mulher uma criança meio-humana, meio-
alienígena, que parece ser sua prole. Um exemplo disto seria
o caso de "Kathie Davis", relatado por Hopkins.
Estas histórias, segundo argumentam, teriam sido criadas por
Hopkins nas mentes de seus pacientes através do processo
de hipnose. Por exemplo: Ann Strieber, esposa do raptado
Whitley Strieber, afirma que cerca de 2.500 pessoas
escreveram cartas em resposta a Comunhão, o livro de
Strieber, descrevendo suas próprias experiências com óvnis.
A respeito destas cartas, ela diz:

Não temos literalmente carta alguma que mencione a cena
de remoção de feto descrita por Budd Hopkins, exceto cartas
de pessoas influenciadas pelo livro dele (Intrusos) ou, na
maioria dos casos, hipnotizadas por ele. Apesar de serem
pouquíssimas cartas, me impressionou o fato de as pessoas
hipnotizadas por ele — poucas das quais nos escreveram —
terem relatado exatamente a mesma coisa. É como se fossem
convertidos religiosos.
Curiosamente, o próprio Whitley Strieber aceitou a cena de
remoção de feto e disse ao jornalista Ed Conroy: "Afinal, os
visitantes somos nós mesmos, e não me surpreenderia se
alguns dos seres meio-visitantes, meio-humanos que eu vi
fossem nossos descendentes — eles são os fetos removidos
após o cruzamento entre neonatos puros e seres humanos
maduros." A experiência de rapto de Strieber, conforme ele
relata em Comunhão, também envolveu estranhas
interações sexuais com os seus "visitantes".
Sem dúvida, devemos ter muita cautela quanto a aceitar
depoimentos obtidos por meio da hipnose (veja páginas 176-
81). Devemos reconhecer, contudo, que a cena de remoção
de feto foi descrita por outros investigadores além de
Hopkins. David Jacobs, professor adjunto de história da
Universidade de Temple, escreveu um livro apresentando
diversos casos de rapto com cenas de remoção de feto. Uma
cena idêntica consta no depoimento dado sob hipnose por
Betty Andreasson e relatado em Watchers (Observadores),
livro de Raymond Fowler. Da mesma forma, Jenny Randles,
da Inglaterra, fala de uma "jovem atormentada por
lembranças repetidas e conscientes, pelo menos em parte,
de estar sendo levada para um recinto por pequenos seres
que, então, a engravidam. Depois, o feto é removido". Neste
caso, a hipnose não foi empregada.
Randles cita cerca de sete outros casos com fortes
características sexuais ou ginecológicas. Em um deles,
lembrado sem o uso da hipnose pela "Sra. Verona",
estuprada num contato com óvni na Inglaterra, em 1973.
Neste caso, as "entidades", apesar de parecerem humanas,
estavam a bordo de uma nave abobadada e discóide, e
usaram uma "espécie de robô de resgate" metálico para
capturar sua vítima.
Em outro caso de 1965, seres de olhos grandes, cabelos
louros e dois metros de altura, informaram a testemunhas
venezuelanas que estavam "estudando a possibilidade de
cruzar com vocês para criar uma nova espécie".
Num caso de 1978, um brasileiro descreveu, sob hipnose,
um episódio de sedução muito semelhante ao de Villas Boas.
Em outro caso brasileiro, este de 1979, a famosa pianista Luli
Oswald alega ter sido submetida a um exame ginecológico
completo por seres gray, os quais disseram ter vindo de
"uma pequena galáxia perto de Netuno". E num caso
investigado pelo Dr. Hans Holzer, no estado de Nova York,
em 1968, pequenas entidades calvas, usando uma agulha
comprida para tirar amostras de óvulo de uma mulher,
disseram-lhe que a haviam escolhido para lhes dar um bebê.
De fato, muitos raptos por óvnis parecem ter um forte
componente sexual. Esta é uma característica compatível
com a hipótese segundo a qual as experiências de rapto
seriam expressões da psicologia humana. Contudo, perdura a
dúvida quanto ao motivo de as pessoas expressarem suas
fantasias sexuais escolhendo histórias de óvnis repletas de
detalhes estranhos, mas repetitivos.
Os exames médicos feitos durante raptos por óvnis mais
parecem estudos científicos de humanos realizados por
visitantes de outro planeta. De fato, é comum as entidades
ufológicas dizerem isto aos raptados. William Hermann, da
Carolina do Sul, por exemplo, relatou ter sido raptado em
1978 por humanóides que lhe disseram ter vindo da
constelação Reticulum e estarem raptando humanos para
fins de pesquisa. Porém, as entidades ufológicas tendem a
transmitir mensagens não-confiáveis ou auto-contraditórias,
conforme podemos constatar pela história dos seres
oriundos de uma "pequena galáxia perto de Netuno".
Segundo argumenta Jacques Vallee, os exames físicos feitos
nos óvnis não precisam ser necessariamente de natureza
científica, visto ser possível examinar o corpo humano e lhe
extrair amostras de tecido sem se recorrer aos métodos
traumáticos experimentados pelos raptados. Isto pode ser
feito por médicos humanos; logo, seria muito fácil para
ufonautas detentores de alta tecnologia. Como também
sugere o componente sexual dos raptos por óvnis, estes
envolvem algo mais do que pesquisas científicas objetivas.
Assim como se poderiam realizar experimentos genéticos
usando espermas e óvulos colhidos sem o indivíduo saber,
da mesma forma não é necessária a atividade sexual direta
com os raptados.
Se os humanóides ufológicos são seres verdadeiros que
evoluíram em outro planeta, o raciocínio de Dobhzhansky e
Simpson indica ser bastante improvável que haja
compatibilidade genética entre eles e os humanos ou
quaisquer outras formas de vida na Terra. Um motivo para
isto seriam as múltiplas possibilidades de se acionar a tabela
de código genético da Terra. Logo, na eventualidade de
surgir vida de forma independente em algum outro lugar,
seria bastante improvável que se acionasse a mesma tabela
de código. Mesmo que os seres tivessem aparência externa
semelhante à nossa, com certeza sua constituição molecular
seria inteiramente diferente.
Estes ufonautas detentores de alta tecnologia, seria possível
argumentar, teriam como superar estas dificuldades com
facilidade e produzir corpos geneticamente compatíveis
com os humanos. Mas, neste caso, por que produzir formas
semi-humanas e tentar fazê-las acasalar-se com humanos?
Por que não criar corpos humanos perfeitos usando métodos
de alta tecnologia? Pode-se alegar serem incompreensíveis
os motivos das entidades. Embora isto talvez seja verdade,
sugiro podermos sempre usar, como último recurso, a
hipótese dos agentes desconhecidos com motivos
incompreensíveis. Melhor ainda seria primeiro adotarmos a
estratégia da busca da compreensibilidade para depois
vermos até onde conseguimos chegar.
Por uma hipótese compreensível, os humanóides seriam
seres verdadeiros dotados de psicologia sexual semelhante à
nossa. Segundo esta hipótese, a manipulação sexual de
humanos por parte desses seres se deve, pelo menos em
parte, aos seus próprios motivos sexuais. Esta hipótese, além
de aceitável em termos genéricos, leva em conta as diversas
interpretações dos controvertidos casos de mulheres
raptadas cuja própria progênie meio-alienígena lhes teria
sido mostrada. Ou isto foi uma ilusão criada na esfera mental
pelas entidades, por exemplo, ou aquelas mulheres tiveram
de fato semelhante progênie.
Esta hipótese sugere que os humanóides não evoluíram
independentemente dos humanos à maneira darwiniana.
Isto fica decerto implícito caso eles compartilhem com os
humanos de proximidade genética suficiente para suas
tentativas de cruzamento valerem a pena. A mesma hipótese
fica indicada caso os humanóides careçam de
compatibilidade genética com os humanos, mas tenham,
não obstante, uma psicologia sexual reconhecível.
O termo-chave aqui é psicologia. Seria provável que, num
planeta hipotético de capacidade tecnológica evoluída,
também evoluísse uma reconhecível psicologia semelhante
à humana? Suspeito que Dobhzhansky diria que não. A
evolução independente dos humanos e dos humanóides é
improvável, e a co-evolução de ambas as formas na Terra é
descartada no cenário evolucionista atual. Se os humanóides
são seres verdadeiros, fica parecendo, então, que há algo de
não-darwiniano na origem deles ou mesmo na nossa.

O elemento medo

Uma característica comum em relatos sobre raptos por óvnis
é o medo intenso. Este medo é típico do desamparo
experimentado por um raptado quando os operadores do
óvni o colocam em estado de paralisia temporária. Uma
surpreendente ilustração deste fato foi vivenciada por
"David Oldham", dezesseis anos, conforme relato de Budd
Hopkins. Em setembro de 1966, David e seus amigos
adolescentes andavam de carro à procura de algo para fazer.
A certa altura, eles pararam o carro numa estrada secundária
e avistaram uma grande luz alaranjada pairando sobre
árvores próximas dali. David se lembra de ter desejado
conversar com os outros rapazes sobre a luz, e ter sentido
sua mente bloqueada de alguma forma. Conforme sua
próxima lembrança consciente, ele e os amigos se dirigiram
a uma boate e nela entraram.
Hipnotizado, David lembrou que, ao ver a luz, saiu do carro
e se pôs a andar em direção a ela. Então, sentindo-se
paralisado, deparou com seres que o levaram para dentro do
óvni. Ele reagiu a esta situação com extremo terror:

QUE É ISTO? QUE... QUE É ISTO? (Respiração muito
ofegante) Que é isto? Por que... por que... ficando
dormente... todo ... dormente. (...) Oh! Oh! Não consigo me
mexer... não consigo me mexer. Oh! Oh! Que está
acontecendo? Não consigo me mexer. Oh! Que... que
vocês... querem?

O medo e outras reações emocionais se misturam às vezes
de maneiras muito complexas em casos de rapto. O temor
avassalador, por exemplo, é um dos principais temas dos
livros Comunhão e Transformation (Transformação), nos
quais o popular autor Whitley Strieber descreve seus
contatos com seres humanóides que ele chama de
"visitantes". Embora transparecesse certo temor, Strieber
também enfatizou a idéia de desenvolver um
relacionamento positivo com esses seres. Uma atitude
semelhante parece ter sido expressa por muitas pessoas que
escreveram para ele acerca de suas experiências com
entidades ufológicas. Sua esposa Anne diz: "Recebemos um
monte de cartas de pessoas dizendo: 'Eles [os alienígenas]
pareciam familiares'; ou: 'Sempre senti que não pertencia à
Terra; quando criança, eu olhava para o céu e dizia a minha
mãe que viera para cá numa nave espacial.'"
Budd Hopkins, cuja opinião acerca das entidades alienígenas
costuma ser negativa, tece alguns comentários sobre os
possíveis motivos para Strieber ter uma visão positiva de
seus visitantes:

Strieber ligou para mim certa vez, revelando-me que os
alienígenas haviam lhe dito para mudar o título de seu livro
de Body Terror (Terror corporal) para Comunhão, de um
título sugerindo que eles eram assustadores para outro
sugerindo que eles eram bem mais simpáticos. Depois de um
mês, ele voltou a me ligar, bastante irritado, dizendo ser
importantíssimo eu mudar o título de meu livro de Intrusos
para algo mais agradável — ou, então, eu acabaria me
encrencando. Ele dizia aquilo para se referir ao fato de "eles"
não estarem gostando do título, e não ao fato de o título
representar algum inconveniente do ponto de vista editorial.

Em muitos casos, pessoas que experimentam raptos por
óvnis tendem a considerar seus captores indiferentes e
carentes de compaixão, além de costumarem dizer que
sentiram ter sido tratadas como cobaias. Em vista de nossa
própria e notória crueldade para com humanos e animais
indefesos, certas pessoas têm apreendido uma justiça irônica
nesta espécie de depoimentos. E, o que é mais interessante,
as próprias entidades ufológicas, segundo relatos freqüentes
de humanos que dizem ter estado com elas, tecem
comentários sarcásticos sobre os motivos e comportamento
humanos.
Contudo, nem todas as testemunhas de rapto descrevem
suas experiências em termos negativos ou temerosos. Em
certos casos, as pessoas relatam terem se encontrado com
entidades ufológicas, a princípio, durante uma aterradora
cena de rapto, para acabarem, então, desenvolvendo um
relacionamento amistoso no transcurso de encontros
subseqüentes. Dois exemplos disto são as histórias de
William Herrmann e Filiberto Cardenas. Estes relatos
representam um cruzamento entre raptos por óvnis e os
chamados casos de contato, em que uma pessoa alega ter
estabelecido uma voluntária relação amistosa com seres
alienígenas. As histórias de Herrmann e Cardenas serão
analisadas junto do fenômeno contato, no Capítulo 5.
Outro exemplo de reação positiva a um rapto por óvni foi o
apresentado por John Salter. Professor de sociologia da
Universidade de Dakota do Norte e um ativista em prol da
justiça social, Salter esteve bastante envolvido com o
movimento de direitos civis no Mississippi, na década de
1960. Segundo conta ele, em 20 de março de 1988, viajava
com seu filho John III de Dakota do Norte para o
Mississippi, onde iria apresentar um trabalho sobre direitos
civis. Àquela época, ele não tinha o menor interesse em
óvnis e não lera praticamente nada sobre o assunto.
Por algum motivo, salientou, ele escolhera um percurso
através de Wisconsin, cheio de pequenas estradas de terra,
que acabou o afastando bastante de seu destino. À uma certa
altura ao longo do caminho, tanto ele quanto seu filho
experimentaram amnésia por um tempo considerável da
viagem, estendendo-se desde o final da tarde até por volta
das 19h45, com um pequeno lapso de recuperação da
memória por volta das 18h30. Após recuperarem a
memória, dirigiram por mais algum tempo, pernoitaram, e
então prosseguiram viagem pela manhã. Por volta das
10h14, avistaram uma prateada e tremeluzente forma
parecida com um pires que se precipitou por sobre eles e
desapareceu em alta velocidade. Tanto o pai quanto o filho
sentiram que aquilo tinha algo a ver com suas experiências
do dia anterior.
Em fins de junho de 1988, o Salter pai passou a ter
lembranças espontâneas do que havia acontecido durante
seu período de amnésia. Segundo observou ele, seu filho
passou a ter lembranças semelhantes a partir de novembro
de 1988. Salter disse ter deliberadamente esperado as
memórias do contato de seu filho virem à tona para lhe
contar o conteúdo de suas próprias lembranças.
Lembrou-se de ter se embrenhado por uma estrada estreita e
acidentada que dava numa área de floresta. Ao estacionar,
duas ou três pequenas figuras humanóides e outra figura
mais alta vieram ao encontro dele e de seu filho. As figuras
menores tinham de 1m a 1m20 de altura, com cabeças
grandes e olhos oblíquos notavelmente grandes. A figura
mais alta parecia "mais humana". Estes seres os levaram até
um óvni estacionado, onde lhes fizeram exames médicos. O
Salter pai disse que eles inseriram algum tipo de sonda pela
sua narina direita e também lhe aplicaram diversas injeções.
Depois, ele e o filho foram devolvidos ao seu veículo.
Apesar de este ser um típico relato de rapto por óvni, Salter
e seu filho compartilharam a forte sensação de terem tido
um contato positivo e benéfico. Salter também percebeu
uma nítida melhora de saúde física após o contato, tendo
atribuído isto aos tratamentos administrados pelos
humanóides. O fato de esta reação não se limitar apenas a
Salter é indicado por uma carta que lhe foi escrita pelo
folclorista Thomas Bullard:
Em meus estudos iniciais, pareceu-me prevalecer um padrão
de hostilidade, frieza e exploração que me persuadiu quanto
ao fato de estes seres não estarem tramando nada de bom.
Desde então, tenho recebido diversas cartas de pessoas que
encararam a experiência delas da mesma forma positiva que
você. Com certeza sempre aparecem pessoas com sensações
negativas. Isto é compreensível, até mesmo razoável se
levarmos a experiência do rapto ao pé da letra. Todavia,
quanto mais eu aprendo, mais me dou conta do fato de a
experiência ter um lado positivo menos óbvio. Alguns
raptados, além de sentirem uma profunda e permanente
afeição por seus captores, percebem que esses sentimentos
são correspondidos.

Tempo perdido

O caso Salter demonstrou a característica comum do tempo
perdido, em que as pessoas percebem uma misteriosa lacuna
em sua memória devido às experiências relacionadas a óvnis.
O caso Buff Ledge é um outro exemplo disto. Nestes dois
casos, constatamos que as pessoas reagiram de forma
diferente a este período de amnésia. Michael e Janet, do
caso Buff Ledge, não conseguiram se lembrar de suas
experiências no óvni sem o auxílio da hipnose, e a
lembrança de Janet foi menos completa que a de Michael. Já
os Salter lograram se lembrar de seu encontro com os
humanóides espontaneamente, mas o Salter pai recuperou
sua memória do acontecido diversos meses antes de seu
filho. Isto sugere que a perda de memória induzida pelos
óvnis pode, como outras formas de amnésia, dever-se em
parte a mecanismos psicológicos individuais.
Também há a possibilidade de as entidades ufológicas
induzirem deliberadamente a perda de memória de modo a
esconder suas operações. Em alguns casos relatados, as
entidades incutem na testemunha ameaçadoras sugestões
pós-hipnóticas do tipo "você vai morrer caso se lembre
desses eventos". Hopkins apresenta vários exemplos,
inclusive as histórias de "Steven Kilburn", "Dr. Géis" e
"Kathie Davis". Barney Hill também se lembrou de quando
seus captores lhe disseram: "Você tem que esquecer, você
vai esquecer, pois, se não esquecer, isto só vai lhe fazer
mal."
Em outros casos, segundo é contado, as entidades apenas
dizem às testemunhas que ele ou ela não se lembrarão de
nada. Num contato ocorrido ao norte de Los Angeles, em
1956, elas parecem inclusive ter convencido uma das
testemunhas, uma mulher chamada Emily, de que era
melhor ela não falar nada porque ninguém ia se interessar de
fato por aquela experiência. Embora parecesse se lembrar de
tudo, Emily não falava nada e, ainda por cima, tomava o
partido das entidades ufológicas contra as pessoas que a
interrogavam.
Há casos de as testemunhas se darem conta do tempo
perdido vinculado à visão de um óvni, apesar de não se ter
conhecimento da ocorrência de um rapto. Eis um exemplo
ocorrido em setembro de 1963 na Inglaterra. Paul, 21 anos
de idade, dirigia rumo ao povoado de Little Houghton, às
duas horas da manhã. De repente, se viu a pé e
completamente molhado nas redondezas de Bedford às sete
horas da manhã. Sua última memória consciente foi de ter
visto uma brilhante luz branca no céu se precipitando em
direção ao pára-brisa de seu carro. Um amigo levou-o de
volta pela auto-estrada A428 em busca de seu carro, que eles
encontraram trancado no meio de um campo encharcado
pela chuva, sem pista alguma que indicasse como ele foi
parar ali. Paul trazia as chaves do carro no bolso.
Neste caso, não se usou a hipnose. Na ausência de maiores
informações, seria possível suspeitar que Paul sofria de
epilepsia ou de alguma espécie de estado de fuga psicológica.
Contudo, a história do carro encontrado no campo, se for
verdadeira, acrescenta um elemento de mistério ao caso.
Como teria ido parar no campo sem deixar pistas? Teria o
carro sido içado e levado até ali por via aérea?
Em outro caso britânico, este de janeiro de 1974, Jeff e Jane,
os dois com vinte anos de idade, andavam de carro às
21h30. Tiveram a experiência de serem seguidos por uma
luz verde no céu. À uma certa altura, a luz pareceu
desaparecer, mas, quando eles pararam e saíram do carro,
foram iluminados por feixes de luz verdes e azuis de um
escuro objeto oval acima deles. Ambos saíram, com o carro,
mas, de repente, acharam-se em outra cidade à 1h30, sem
memória alguma de como foram parar ali. Então, após terem
dirigido por mais alguns minutos, acharam-se em uma
terceira cidade, a quarenta quilômetros de distância da
primeira, com outro lapso de memória. Agora eram 3h30.
Neste caso, também não se usou a hipnose.
Eis um exemplo de um caso semelhante de tempo perdido
em que o rapto foi revelado após ser usada a hipnose para
sondar uma possível perda de memória. Em 11 de junho de
1976, em Romans, França, Helene Giuliana, empregada da
casa do prefeito de Hostun, avistou um grande brilho
alaranjado no céu enquanto voltava para casa depois de
assistir a um filme. Naquela altura, o Renault dela enguiçou.
Após a luz desaparecer de súbito, o carro de Helene tornou
a funcionar e ela voltou para casa — com cerca de quatro
horas de tempo perdido. Hipnotizada, ela relatou ter sido
levada para um recinto por "pequenas figuras com olhos
grandes e rostos feios, presa numa mesa e examinada,
sobretudo em volta do abdome".

O papel da hipnose

Até aqui, muitos dos relatos de rapto por mim apresentados
ficaram conhecidos por meio da hipnose. Nestes casos, seria
possível sugerir que o processo da hipnose, de alguma
forma, estimula fantasias de rapto nas mentes das
testemunhas de óvnis. Evidentemente, sobressai no caso
Buff Ledge o fato de Michael e Janet terem produzido
histórias sob hipnose que se ratificaram entre si, muito
embora os dois não tivessem oportunidade de conversar a
respeito do assunto das histórias. Mas seria possível aventar a
hipótese de os dois hipnotizadores terem extraído histórias
semelhantes das duas testemunhas ao lhes fazerem
perguntas capciosas.
Esta idéia foi explorada por Alvin Lawson, professor de
inglês da Universidade Estadual da Califórnia, em Long
Beach, num ensaio intitulado: "Que podemos aprender com
a hipnose de raptos imaginários?" Lawson hipnotizou oito
pessoas e lhes fez perguntas do tipo: "Imagine estar vendo
algumas entidades ou seres a bordo de um óvni. Descreva-
os"; e então: "Você está se submetendo a certo tipo de
exame físico. Descreva o que está lhe acontecendo." Embora
não parecessem ter conhecimento algum acerca de óvnis, as
oito pessoas produziram histórias de rapto em resposta a tais
perguntas. Para explicar isto, mais tarde, Lawson publicou a
teoria de que cenas de rapto envolvendo seres com cabeças
grandes e corpos esguios se baseiam em memórias do trauma
do nascimento e de nosso formato corpóreo enquanto fetos.
No entanto, o trabalho de Lawson tem sido muito criticado.
Segundo salienta Jenny Randles, as perguntas feitas por ele
eram capciosas e seu banco de dados de oito pessoas era
pequeno demais. Além disso, nas histórias de rapto
imaginário de suas oito cobaias, havia seis tipos de entidades
alienígenas, incluindo quatro tipos que quase nunca
aparecem em relatos de rapto. E além de tudo sua teoria da
memória fetal é infundada, já que as pessoas jamais vêem a si
mesmas ou a outros fetos à hora do nascimento.
Apesar de o estudo de Lawson ter sido invalidado, há,
mesmo assim, motivos para se suspeitar que a hipnose possa
induzir alguém a gerar ou seriamente distorcer depoimentos
de rapto por óvni. Em geral, a hipnose é reconhecida como
um veículo para recuperar memórias perdidas, mas também
é notório o fato de as pessoas hipnotizadas às vezes criarem
fantasias — um processo conhecido como "confabulação".
Uma análise interessante deste processo, com referências à
literatura da hipnose, foi apresentada por Ann Druffel e D.
Scott Rogo a respeito de certos depoimentos de rapto que
pareciam ser misturas de confabulação e recordação
autêntica.
Não é verdade que toda hipnose realizada por investigadores
ufológicos faça surgir relatos de rapto por óvnis. Conforme
observa Randles, em certos casos britânicos, para os quais se
usou a hipnose com o intuito de desvendar um rapto por
óvni, nenhum cenário de rapto foi revelado. Segundo
salienta ainda a mesma Randles, Budd Hopkins tem casos
nos Estados Unidos em que ocorreu a mesma coisa. De fato,
num estudo de 79 casos mencionado por Hopkins, os dados
disponíveis são: em vinte deles um rapto foi lembrado com
o auxílio da hipnose, em onze se usou a hipnose, mas
nenhum rapto foi lembrado, e em cinco casos um rapto foi
lembrado sem o auxílio da hipnose. Os 43 casos restantes
não haviam sido avaliados por completo à época do
relatório.
Randles também cita um estudo do Dr. Thomas Bullard de
mais de duzentos casos de rapto dos quais um terço tinha
integralmente a memória consciente da experiência.
Segundo demonstrou uma análise destes casos, as
experiências de rapto lembradas sob hipnose foram
essencialmente iguais àquelas lembradas sem hipnose. A
diferença mais notável entre os dois grupos de casos foi que
os exames médicos foram mencionados com duas vezes
mais freqüência em casos envolvendo o auxílio da hipnose
do que em casos de lembrança direta. Isto seria de se
esperar, é claro, visto serem os exames médicos mais
passíveis de serem bloqueados por uma amnésia do que
outros aspectos menos traumáticos das experiências de
rapto.
As descobertas mencionadas por Randles se equiparam
àquelas de David Webb num estudo de trezentos relatos de
rapto do HUMCAT, um banco de dados de contatos com
óvnis envolvendo humanóides. Destes trezentos relatos,
Webb descobriu que 140 satisfaziam os cinco seguintes
critérios de confiabilidade: (1) clara indicação de rapto, (2)
caso razoavelmente bem investigado, (3) nenhuma
evidência de embuste ou de psicopatia por parte da
testemunha, (4) dados suficientes para avaliar o cenário geral
e o grau da hipnose utilizada, e (5) caso não envolvendo
óvnis avariados.
Webb dividiu estes casos em três categorias: aquelas em que
a informação a respeito do rapto abordo do óvni foi obtida
(I), sobretudo com, (II) em parte com e (III) inteiramente
sem o uso da hipnose. A última categoria foi dividida em
duas subcategorias: (IIIa) em que se usou a hipnose, mas esta
nada acrescentou e (IIIb) em que não se usou a hipnose. À
época deste relatório, ele havia revisto 117 dos 140 casos e
obtido os seguintes resultados:

Categoria Número de relatos %
I 61 52
II 11 9
IIIa 8 7
IIIb 37 32

Resulta daí que, em 39% dos casos, nenhuma informação de
rapto a bordo dos óvnis foi obtida usando a hipnose.
Conforme salientou Webb, eram extraordinárias as
semelhanças entre os conteúdos dos relatos das categorias I
e II.
O caso de Betty e Barney Hill se enquadra na categoria II de
Webb. Antes de se submeter à hipnose, Barney Hill se
lembrou de ter visto, com o auxílio de um binóculo, um
homem com olhos estranhos dentro de um óvni que pairava
no ar. Alegou, também, que aquele homem parecia estar
assumindo o controle da mente dele. Da mesma forma,
Betty Hill sonhou com certos detalhes de sua experiência de
rapto antes das sessões de hipnose.
A história revelada por esses sonhos era muito semelhante
àquela desvendada mais tarde sob hipnose. O psiquiatra dos
Hill, Dr. Benjamin Simon, não acreditava de forma alguma
em óvnis e, de acordo com seu argumento veemente, a
experiência do rapto teve origem nos sonhos de Betty Hill e
foi mais tarde incorporada na mente de Barney mediante a
comunicação deste com a esposa. Barney, porém, não estava
ciente dos sonhos da esposa. Segundo escreve Raymond
Fowler, ele esteve com os Hill antes de suas sessões de
hipnose com o Dr. Simon e ouviu Betty recontar seus
sonhos. Disse ele: "Ambos expressaram o temor de terem
sido levados a bordo de uma nave alienígena para um exame
físico."
Entretanto, a comunicação entre marido e mulher não
explica o motivo para Betty Hill ter a princípio sonhado com
o cenário padrão do rapto, acompanhado do exame médico.
Este cenário era praticamente desconhecido nos Estados
Unidos àquela época, mas havia muitos cenários usuais em
ficção científica que poderiam ter fornecido a base para um
aterrorizante sonho com alienígenas.
Outra peculiaridade vinculada à hipnose enquanto
ferramenta recuperadora de memórias perdidas é que, em
certos casos, a informação obtida sob hipnose é corroborada
de modo independente. Um exemplo disto seria a história
de "Steven Kilburn" apresentada por Budd Hopkins. Sob
hipnose, Steven (cujo nome verdadeiro é Michael Bershad)
revelou um típico cenário de rapto, incluindo um exame
físico, realizado pelas entidades gray usuais, no qual pareceu
constar um exame neurológico.
Steven descreveu este exame para um neurocirurgião
chamado Paul Cooper. Eis a reação do Dr. Cooper,
conforme relato de Hopkins:

Steven é um rapaz extraordinário. Além de ser sobremaneira
brilhante e acreditável, é um excelente observador. (...)
Tudo que me contou sobre o que fizeram com ele e como
seu corpo reagiu correspondia exatamente ao que deveria ter
acontecido se estimulassem os diferentes nervos que,
segundo ele, foram tocados pelos seres. Eu até tentei
desorientá-lo. (...) E ele não tem conhecimento específico
sobre o sistema nervoso. Ele teria que saber muito para
inventar tudo aquilo, e estou certo de que não é do tipo que
mente. É um rapaz decente que me impressionou de fato.

Subentende-se disto que, sob hipnose, vieram à tona
informações anatômicas especializadas jamais estudadas por
Steven em nível consciente. Supondo que ele não estava
mentindo acerca de sua falta de informação médica, seria
possível aventar a hipótese de ele ter certa vez lido um livro
didático de neuroanatomia, lembrando-se dele apenas de
forma subconsciente e incorporando o seu conteúdo em sua
história de rapto. E sabido que este tipo de coisa ocorre de
fato — chama-se criptomnésia. Existem casos, por exemplo,
onde uma "vida pregressa" lembrada sob hipnose é atribuída
a um livro lido e depois esquecido pelo paciente.
Mesmo sendo uma possível explicação para o depoimento
de Steven sobre seu exame neurológico, a criptomnésia
parece ser uma explicação improvável. Uma coisa é se
lembrar de informações extraídas de um texto médico, e
outra bastante diversa é converter esse conhecimento numa
descrição precisa de como se comportaria o corpo durante
um exame. Isso poderia muito bem exigir uma espécie de
treinamento médico em nível prático que não seria
esquecido tão facilmente. Logo, se o depoimento do Dr.
Cooper é mesmo autêntico, parece por certo acrescentar
valor à história de rapto de Steven.
Em resumo, esses dados subentendem que as experiências
de rapto típicas são por vezes lembradas com ou sem
hipnose. Como as experiências lembradas com o auxílio da
hipnose tendem a ser praticamente iguais àquelas lembradas
sem ela, o processo de hipnose em si não parece ser uma
causa maior de relatos de rapto. Se os raptos lembrados sem
a hipnose fossem reais, também o seriam os raptos
lembrados com hipnose.
Devo salientar, no entanto, que, sob hipnose, podem vir à
tona histórias muito duvidosas. A psicóloga Edith Fiore, por
exemplo, reconta a história de um homem chamado "Dan",
em quem ela aplicou uma regressão hipnótica na esperança
de recuperar memórias de possíveis contatos imediatos. Dan
prosseguiu descrevendo uma vida anterior como um cruel
soldado numa espaçonave interestelar. Sua função era dar
"descidas" em planetas designados e eliminar cidades-alvo
com "feixes luminosos de força" sem fazer perguntas. O
soldado e seus compatriotas eram de todo humanos e
levavam uma vida que faz lembrar Jornada nas estrelas. O
soldado teria sido "aposentado" ao ser transferido
mentalmente para o corpo de uma criança do estado de
Washington, desalojando a mente original desta criança, que
cresceu, então, como Dan.
Neste caso, parece duvidoso que a história tenha sido
produzida em decorrência de perguntas capciosas, pois a
hipnotizadora não fazia a menor idéia de que uma história
dessas viria à tona. Porém, em contraste com os relatos
sobre raptos por óvnis, a história de Dan parece muito
semelhante àquelas de ficção científica, além de ter o
próprio Dan figurando no papel ególatra de um soldado
durão e autoconfiante. Como Dan havia lido bastante ficção
científica, é bem possível que tivesse transformado esses
temas numa fantasia subconsciente. A hipnose, ao que
parece, é uma ferramenta imperfeita e mal entendida que,
mesmo produzindo resultados úteis, não pode gozar de
nossa plena confiança.
Já que é assim, mostrarei o exemplo resumido de um famoso
caso de rapto em que duas testemunhas oculares depuseram
sobre a experiência delas sem hipnose umas poucas horas
após o ocorrido. A informação a seguir é extraída do relato
de William Mendez, que investigou este caso detidamente.
Durante a noite de 11 de outubro de 1973, Charles Hickson,
42 anos, e Calvin Parker, 19, pescavam na beira de um cais
no rio Pascagoula, no Mississippi. Segundo relataram,
repentinamente surgiu um óvni de forma oval que emanava
uma luz azul pulsante e produzia um "zunido". Apareceu
uma abertura no objeto, de onde três estranhas figuras
flutuaram para fora, agarraram os homens e flutuaram de
volta com eles através da mesma abertura. Lá dentro,
Hickson relatou ter experimentado luzes brilhantes e ser
examinado por uma espécie de "olho" que saía da parede.
Após o que pareceu durar pouco tempo, os dois homens
foram devolvidos ao local onde haviam sido pegos, e o óvni
pareceu desaparecer de repente. Eles ligaram para a Força
Aérea e foram encaminhados ao departamento de polícia
local.
No escritório do xerife, eles foram interrogados, tendo
depois sido deixados a sós num recinto interceptado por um
gravador secreto. Eis uma transcrição de algumas das
observações feitas por eles após serem deixados a sós.

Charles: Calvin, cê tá legal?
Calvin-. Qué sabê, tô morrendo de medo.
Charles: A gente tem de sair e contar pra Blanche, ela... tô te
dizendo, é uma coisa que te faz morrer de medo, sabe? Meu
Deus!
Calvin: Quem ouve um negócio desse não acredita.
Charles: É mesmo, quem ouve... eu sei, Calvin, eu sei, mas...
Calvin: Na certa é negócio que os Estados Unidos botou lá
em cima!
Charles: Não, não, não pode ser.
Calvin: Sei não.
Charles: Mas não o que vimos, não o que vimos — é
diferente — e a Força Aérea sabe disso também — e essa
não vai ser a única vez, vai acontecer de novo. E até eles...
Calvin: Essa noite eu queria ter um ataque do coração, sem
sacanagem.
Charles: Tô sabendo.
Calvin: Quase morri.
Charles: Tô sabendo, filho, também tô morrendo de medo.
Calvin: Tô quase chorando — não consigo.
Charles: Tô sabendo — é uma coisa que não dá pra esquecer.
Meu Deus!
Calvin: Que esse negócio tem demais — ninguém vai
acreditar mesmo!
Charles: Eu pensava que já tinha ido pro inferno nesta Terra,
inda por cima tenho que passar por um troço desse. Mas eles
podiam ter feito qualquer coisa com a gente — eles não me
machucaram.
Calvin: Por que será que nos pegaram?
Charles: Sei lá, sei lá. Só sei que não tô entendendo nada.

Um pouco mais adiante na conversa, os dois homens se
referiram de modo mais explícito ao que haviam visto:

Calvin: Porque eu vi eles. Não consigo entender aquele
troço... você viu aquela porta abrir de repente na nossa
frente?
Charles: É, só não sei como abriu, filho. Eu não.
Calvin: Não vi vaivém de porta nem...
Charles: Não sei como abriu... não sei.
Calvin: Eu não vi ela abrir. Tudo que vi foi aquele zunido.
Charles: Você já tinha visto um troço desse?
Calvin: Depois olhei em volta... aquelas malditas luzes azuis
e aqueles filhos da mãe de repente apareceram.
Charles: Eu sei, não dá pra acreditar e não dá pra fazer as
pessoas acreditarem.

Segundo consta, o xerife, após ouvir a fita desta conversa,
ficou convencido de que os dois homens estavam contando
uma história honesta. Mas poderiam eles estar agindo ou
sofrendo de alguma espécie de delírio? Mendez relatou ter
estudado com minúcia o caráter dos dois homens através de
entrevistas pessoais e entrevistas com amigos, familiares e
patrões. Pelo que ele descobriu, parecia muito improvável
que os dois estivessem encenando um embuste.
Testes psicológicos administrados pelo Dr. Bernard Bast no
Hospital Harper de Detroit, em 1976, não indicaram sinal
algum de comportamento psicótico, histeria ou distúrbio
mental, nem em Hickson nem em Parker àquela época. Bast
também disse ser improvável que eles estivessem sofrendo
de Folie a deux. Trata-se de um distúrbio através do qual a
influência de uma pessoa psicótica predominante sobre um
companheiro submisso resulta em experiências de delírio
compartilhadas por ambos.

Avaliação psicológica dos raptados

Evidentemente, é natural supor que as estranhas histórias de
pessoas raptadas por óvnis se devam a alguma espécie de
aberração mental. A fim de pôr esta hipótese à prova, foram
feitos diversos estudos psicológicos com os raptados, alguns
dos quais analisarei nesta seção.
Um destes estudos foi realizado em 1981 por dois
pesquisadores ufológicos, Ted Bloecher e Budd Hopkins, e
uma psicóloga, a Dra. Aphrodite Clamar. Eles selecionaram
cinco homens e quatro mulheres que haviam relatado
experiências de rapto por óvni envolvendo tempo perdido,
contatos com alienígenas, exames físicos a bordo das naves e
assim por diante. Solicitaram a uma psicóloga, a Dra.
Elizabeth Slater, uma avaliação comparativa das forças e
fraquezas psicológicas daquelas pessoas. Além de não terem
dito a esta psicóloga que as nove pessoas tinham algo a ver
com óvnis, orientaram as mesmas para que não lhe
revelassem nada.
Os pacientes eram uma professora secundária (fotografia),
um perito em eletrônica, um ator e instrutor de tênis, uma
advogada, uma publicitária, um executivo, o diretor de um
laboratório químico, um vendedor, um técnico em
eletrônica e uma secretária. Foram-lhes administrados os
testes MMPI, o Wechsler Adult Intelligence Scale, o
Thematic Apperception Test (TAT), o teste Rorschach e o
teste de desenhos projetivos.
Os nove pacientes eram "bastante heterogêneos" em termos
de personalidade, concluiu Slater, mas tendiam a
compartilhar os seguintes traços:

1. inteligência relativamente alta com concomitante
riqueza de vida interior;
2. fraqueza relativa quanto ao sentido de identidade, em
especial identidade sexual;
3. concomitante vulnerabilidade no âmbito interpessoal;
4. certa orientação no sentido de uma prontidão que se
manifesta... em determinada sofisticação e vivacidade
perceptuais ou em hipervigilância e cautela interpessoais.

A Dra. Slater descobriu, também, que os nove pacientes
tendiam a ser ansiosos, por vezes até demais. Tendiam a
sofrer de baixa auto-estima e de uma sensação de
vulnerabilidade a insultos e danos. Embora mostrassem ser
desconfiados e cautelosos, ela os descreveu como
supersensíveis, e não como paranóicos.
Após ficar sabendo das histórias de óvnis dos pacientes,
Slater ficou estupefata. Após ler o livro Missing time (Tempo
perdido), de Hopkins, e se encontrar com Clamar, Hopkins
e Ted Bloecher, ela disse o seguinte em seu relatório final:

A primeira e mais crucial pergunta é se as experiências
relatadas por nossos pacientes poderiam ser estritamente
atribuídas a alguma espécie de psicopatia como, por
exemplo, um distúrbio mental. A resposta é um não
categórico. Em termos gerais, se os raptos relatados fossem
produções de fantasia confabulada, baseadas no que
conhecemos sobre distúrbios psicológicos, poderiam apenas
ter-se originado de mentirosos patológicos, esquizofrênicos
paranóicos, doentes gravemente perturbados e histeróides
extraordinariamente raros sujeitos a estados de fuga e/ou
alterações múltiplas de personalidade. [Grifo de Slater.]
Logo, não foi possível explicar as experiências de rapto dos
pacientes psicologicamente. Contudo, observou Slater, a
ansiedade e a insegurança deles poderiam ser atribuídas de
imediato a verdadeiros raptos por óvnis:

Decerto, uma experiência inesperada, aleatória e
literalmente do outro mundo, tal como é o rapto por óvni,
no qual o indivíduo não tem nenhum controle sobre o
desfecho, constitui um trauma de grandes proporções.
Hipoteticamente, seu impacto psicológico poderia ser
análogo àquele constatado em vítimas de crimes ou vítimas
de desastres naturais, já que representaria um evento
durante o qual o indivíduo se vê dominado por
circunstâncias externas de uma maneira extrema. Convém
atentar para o fato de ser típico os pacientes se lembrarem
de terem sido submetidos tanto ao controle mental quanto a
uma perda ainda mais básica do controle sobre a função
motora — i.e., segundo relataram eles, pareceu-lhes terem
sido fisicamente transportados para os óvnis, além de terem
sido de alguma forma privados de qualquer capacidade
mental de resistência física. Eventos assim, em que se nega
ao indivíduo toda oportunidade de exercitar formas mínimas
de domínio, só podem ser caracterizados como sendo
psicologicamente traumáticos.

Slater salientou ser possível, portanto, estabelecer uma
analogia entre pessoas raptadas por óvnis e vítimas de
estupro. Conforme concluiu ela, apesar de não provar a
realidade dos raptos por óvnis, o estudo demonstrou que os
problemas psicológicos dos pacientes poderiam ser
explicados em termos de tais experiências, e não ao
contrário.
Outro estudo psicológico acerca de pessoas raptadas por
óvnis foi realizado por Rima Laibow, M. D., uma psiquiatra
de Dobbs Ferry, Nova York, formada pela Faculdade de
Medicina Albert Einstein da cidade de Nova York. Baseada
em seu trabalho pessoal com onze raptados e em seu
conhecimento de 65 casos, ela fez observações semelhantes
às de Slater. Embora esperasse detectar psicose em pessoas
relatando experiências tão bizarras, apenas constatou a
ansiedade que seria conseqüência normal de tais
experiências.
Nos raptados, ela constatou distúrbio de esgotamento pós-
traumático (PTSD), o qual, segundo se pensa, só é produzido
por traumas decorrentes de eventos. (O PTSD refere-se a
traumas de fatos ocorridos em nível físico, e não de fantasias
geradas dentro da mente.) As fantasias, também observou
ela, costumam variar muito de indivíduo para indivíduo, ao
passo que as histórias de rapto por óvni tendem a ser muito
semelhantes.
A Dra. June Parnell, consultora profissional da Universidade
de Wyoming, escreveu um ensaio de cem páginas intitulado
Características de personalidade, segundo os testes MMPI,
16PF e ACL, de pessoas que alegam ter tido experiências
com óvnis, publicado pela universidade em 1986. Ela
aplicou estes testes em 225 testemunhas relatando contatos
com óvnis de toda espécie. Segundo sua descrição das
pessoas relatando contatos e raptos exóticos, elas "têm um
alto nível de energia psíquica, são auto-suficientes,
habilidosas e preferem suas próprias decisões (...) [com]
inteligência acima da média, positividade e tendência a
serem pensadoras experimentais, a terem uma atitude
reservada e a ficarem na defensiva. Havia também um alto
nível dos seguintes traços nestas testemunhas de contato
profundo: 'suspeita ou desconfiança (...) criatividade e
imaginação fértil (...)'".
Esta descrição é bastante semelhante à de Slater. As pessoas
raptadas por óvnis também têm sido estudadas pela Dra. Jean
Mundy, que trabalhou dez anos como psicóloga clínica
sênior no St. Vincent's Hospital, em Nova York,
diagnosticando doentes mentais. As pessoas raptadas por
óvnis, segundo concluiu ela, não apresentam nenhuma das
facetas do comportamento clássico de portadores de
distúrbios mentais. Ela também as encarou como vítimas da
síndrome do esgotamento pós-traumático: "Assim reagem as
pessoas que experimentaram traumas terríveis — vítimas do
holocausto, veteranos do Vietnã, ou vítimas de estupro.
Apesar de desconhecermos a natureza do trauma
experimentado por elas, sabemos que não se trata de
imaginação; é algo que as atingiu de fora, sendo, neste
sentido, 'real'."
Da mesma forma, Aphrodite Clamar, a psicóloga de Nova
York e freqüente parceira de trabalho de Budd Hopkins,
afirma: "As pessoas que alegam ter tido um contato
estranho, de qualquer que seja o grau, são pessoas comuns,
nem psicóticas nem mediúnicas, pessoas como você e eu.
Não consegui encontrar nenhum ponto em comum entre
elas — além, é claro, de sua experiência com os óvnis —, e
nenhuma patologia em comum; de fato, absolutamente
nenhuma patologia discernível."
Cabe observar que Clamar, responsável por boa parte da
regressão hipnótica feita em testemunhas de óvnis no
trabalho de pesquisa inicial de Budd
Hopkins, manteve suas reservas no tocante à realidade dos
óvnis. Ela não era de forma alguma uma "crente em óvnis".

O fator psíquico

Vários psicólogos concordam claramente em que as pessoas
raptadas por óvnis não tendem a ser mentalmente
perturbadas, ou "psicóticas". Contudo, muitas parecem
tender a ser "mediúnicas", no sentido de que experimentam
fenômenos psíquicos incomuns.
Já tive oportunidade de mencionar a existência de um
elemento psíquico nos relatos sobre óvnis (páginas 76-77) e,
nesta seção, analisarei este assunto com mais minúcia.
Infelizmente, para isto é necessário conciliar dois temas
desacreditados: óvnis e fenômenos psíquicos. Conforme já
argumentei, os relatos sobre óvnis merecem ser levados a
sério. Porém, antes de analisar o elemento psíquico nestes
relatos, devo também dizer algumas palavras indicando por
que se deve levar a sério os relatos sobre fenômenos
psíquicos. Tentarei fazer isto apresentando fortes provas de
alguns fenômenos psíquicos extremamente controvertidos.
Destaquei as observações feitas por Hudson Hoagland sobre
médiuns e óvnis num editorial publicado na Science, em
1969 (Capítulo 1). Seus comentários a respeito da história da
pesquisa psíquica refletem os pontos de vista de muitos
cientistas com relação a este campo:
Desde a Segunda Guerra, o interesse por óvnis vindos do
espaço exterior, controlados por seres inteligentes,
assemelha-se, e muito, ao interesse pelos chamados
fenômenos físicos da pesquisa psíquica após a Primeira
Guerra. Médiuns espiritualistas alegavam poder movimentar
objetos por meio de forças sobrenaturais, incluindo a
produção de emanações ectoplasmáticas de seus corpos. (...)
A crença nesta espécie de coisa envolveu muitos
profissionais, inclusive alguns distintos cientistas, religiosos,
médicos, escritores e homens de negócios, e as sociedades
de pesquisa psíquica publicaram inúmeros ensaios de apoio
de natureza pseudocientífica.

Para Hoagland, a pesquisa psíquica e a pesquisa ufológica são
semelhantes no sentido de que ambas se caracterizam por
delírios, fraudes e ciência inútil em geral. Sem dúvida, ele
está certo quanto ao fato de se poderem encontrar estes
defeitos em ambos os campos. Em particular, o mundo dos
médiuns espíritas é famoso por seus casos de fraude, e
podem ser encontrados extensos relatos acerca disto em
livros como The Psychic Mafia (A máfia psíquica), escrito
pelo assumido médium vigarista M. Lamar Keene.
Contudo, poderia ser um equívoco descartar os fenômenos
ligados a médiuns por considerá-los de todo falsos. Seria
possível citar muitos casos demonstrando provas
significativas da realidade destes fenômenos. A seguir
apresento um resumo de um deles. Este caso é descrito em
maiores detalhes num livro intitulado The Limits of
Influence (Os limites da influência), de Stephen Braude,
professor de filosofia da Universidade de Maryland.
No início do século XX, havia uma médium chamada
Eusapia Palladino, que se tornou conhecida por produzir
movimentação sobrenatural de objetos e emanações
ectoplásmicas. Ela foi estudada por uma série de distintos
cientistas, tendo também sido flagrada em fraude. As pessoas
que a investigaram concordaram com o fato de que ela
trapacearia se lhe fosse oportuno, mas, conforme
argumentaram algumas pessoas, não poderia ter falseado
certos fenômenos estranhos observados em sua presença.
Procurando esclarecer este enigma, a Sociedade de Pesquisas
Psíquicas da Inglaterra reuniu um "Esquadrão da Fraude",
formado por:

1. Lorde Everard Feilding, que alegava ser um cético
integra! no tocante a médiuns espiritualistas e que flagrara
muitos deles em atos fraudulentos;
2. Hereward Carrington, mágico amador que escreveu The
Physical Phenomena of Spiritualism (O fenômeno físico do
espiritualismo), três quartos do qual eram dedicados a uma
análise da mediunidade fraudulenta; e
3. W. W. Baggally, habilidoso mágico, que "alegou ter
investigado quase todos os médiuns da Grã-Bretanha desde
Home sem encontrar um que fosse autêntico". (Daniel D.
Home foi um médium famoso do século XIX.)

Estes investigadores alugaram três quartos contíguos de um
hotel em Nápoles, Itália, em novembro de 1908, usando o
quarto central para sessões espíritas com Palladino. As luzes
elétricas do quarto ficavam no teto. Antes de cada sessão, os
investigadores examinavam bem o quarto e instalavam uma
cortina, chamada "gabinete", transversal a um de seus
cantos. Atrás da cortina havia uma mesinha rodeada pelas
paredes, piso e teto, sem portas nem janelas (e
presumivelmente nenhum alçapão). Examinavam bem a
mesa e a cortina à procura de quaisquer dispositivos
escondidos.
Após estes preparativos, um dos investigadores descia até a
recepção do hotel e escoltava Eusapia Palladino sozinha até
o quarto. O quarto era trancado, e Palladino se sentava a
uma mesa em frente à cortina, acompanhada pelos
investigadores. Dois dos homens se sentavam a cada lado da
cinqüentona Eusapia, agarrando-lhe braços e pernas e
observando-a cuidadosamente. Em frente à mesa da sessão
ficava uma mesa ocupada pelo estenógrafo Albert Meeson,
que era um estranho para Eusapia, encarregado de anotar
tudo quanto lhe falavam os investigadores.
Feilding explicou a estratégia dos investigadores como segue:
"Pelo nosso raciocínio, se após um número razoável de
experimentos, pessoas especialmente versadas em arquitetar
truques e de antemão advertidas e informadas quanto aos
truques específicos esperados, não lograssem descobri-los,
não seria presunçoso alegar como provável conseqüência o
envolvimento de algum outro agente."
Eis um trecho do relato das sessões feito por Feilding. Ele
começa salientando seu ceticismo, baseado em muitas
observações de fraude. Nas sessões espíritas com Eusapia,
contudo, ele testemunhou fenômenos que não logrou
explicar, valendo-se do princípio de fraude. Suas reações
diante de tal situação são interessantes:
A primeira sessão com Eusapia, desta maneira, provocou,
sobretudo, uma sensação de surpresa; a segunda, de irritação
— irritação por achar-se diante de um problema tolo, mas
aparentemente insolúvel. A terceira sessão, durante a qual se
descobriu um truque ridículo, veio como uma espécie de
alívio. Na quarta, em que fomos privados do controle da
médium [devido à presença de "convidados"], minha
inteligência frustrada buscou se esquivar da responsabilidade
de encarar os fatos, alimentando dúvidas grotescas quanto à
competência dos eminentes professores, que assumiram
nossos lugares, em observar as coisas de forma apropriada;
ao passo que na quinta, em que tal situação não era mais
possível, visto estar eu próprio constantemente controlando
a médium, a ginástica mental envolvida no ato de enfrentar
com seriedade a necessidade de concluir a favor do que era
manifestamente absurdo, produziu uma espécie de fadiga
intelectual.
Após a sexta, pela primeira vez descubro que minha mente,
da qual o fluxo de eventos havia até então escorrido como
chuva de uma capa impermeável, começa enfim a ter
capacidade de absorvê-los. Pela primeira vez, tenho a
absoluta convicção de que nossa observação não está
equivocada. Percebo, como um fato notável, que de um
gabinete vazio vi mãos e cabeças assomarem, que por trás da
cortina daquele gabinete vazio fui agarrado por dedos vivos,
cuja existência e até mesmo as unhas podiam ser sentidas. Vi
aquela mulher extraordinária sentada e visível por fora da
cortina, presa pelas mãos e pelos pés por meus colegas,
imóvel, exceto pela ocasional tensão de um membro,
enquanto alguma entidade dentro da cortina, repetidas vezes
pressionou minha mão numa posição claramente além do
alcance dela. (...)

Um relato mais detalhado das cabeças e mãos é apresentado
na passagem a seguir, na qual Feilding contemplava a
possibilidade de produzir os estranhos fenômenos por meio
de um mecanismo:

Seria interessante propor a um fabricante de máquinas de
magia que ele criasse um mecanismo capaz de produzir,
alternadamente, a silhueta de um rosto negro e sem relevo,
um rosto quadrado sobre um pescoço comprido e um rosto
parecido com um violoncelo sobre um corpo verruguento e
decrépito com sessenta centímetros de altura; além disso,
uma certa mão branca com dedos móveis e unhas, capaz de
se estender bem acima da cabeça da médium, ou de dar
palmadinhas, beliscar e puxar cabelo, e de agarrar B. pelo
sobretudo vigorosamente, a ponto de quase arremessá-lo
para dentro do gabinete. Nosso fabricante teria que construir
o mecanismo de tal maneira que este pudesse ser operado de
forma invisível por uma senhora um tanto robusta e idosa,
trajando um simples vestido justo, sentada do lado de fora da
cortina e visivelmente segura pelas mãos e pelos pés, para
assim escapar da observação de dois mágicos práticos
grudados nela e atentos a toda a operação.

Uma forma de encarar este depoimento é que ele representa
a prova nítida do fato de algum agente desconhecido ter de
fato produzido os estranhos fenômenos descritos por
Feilding. Também se pode dizer, porém, que não há como
provar que Feilding e seus colegas não estivessem mentindo,
ou que eles não foram ludibriados por Eusapia Palladino.
Poderíamos indagar qual seria de fato a prova da realidade de
semelhantes fenômenos. Também se pode duvidar de outras
histórias baseadas em depoimentos semelhantes ao do caso
Palladino. Provas fotográficas podem ser falseadas, e o
mesmo se pode dizer dos registros de instrumentos
científicos. Tanto quanto posso perceber, é impossível
apresentar à um cético provas incontestáveis da realidade
desses assuntos (a não ser que o próprio cético passe por
algumas experiências, como aconteceu com Feilding).
Munidos destes dados sobre fenômenos psíquicos, passemos
agora ao tema principal desta seção: a prova de que relatos
de semelhantes fenômenos tendem a se manifestar em casos
de contato imediato com óvnis. Tanto como as provas
relativas a médiuns espíritas, estas provas se originam de
depoimentos humanos. Uma vez que tais depoimentos
envolvem tanto fenômenos ufológicos quanto fenômenos
psíquicos, poderão parecer sobremaneira bizarros e
duvidosos. E na certa não podem ser apresentados como
prova de nada. Apesar de existirem casos relatados por
investigadores respeitáveis, infelizmente, o próprio ato de
relatar algo absurdo, tende a comprometer a reputação de
um investigador.
No final das contas, o vínculo entre os fenômenos
ufológicos e os fenômenos psíquicos só poderá se tornar
respeitável depois que muitas pessoas bem conceituadas o
tiverem ratificado por meio do estudo de um amplo número
de casos bem investigados. Por ora, contudo, o que
podemos fazer é apresentar alguns exemplos demonstrando
a possível existência de tal vínculo.
Começarei com o caso de Betty e Barney Hill. Segundo
observa o psiquiatra Berthold Schwarz, após o contato
imediato dos Hill numa solitária estrada de New Hampshire,
eles começaram a experimentar fenômenos poltergeist em
seu lar. Betty encontrava seus casacos espalhados de maneira
inexplicável pelo chão da sala, muito embora os tivesse
deixado no armário. Relógios paravam e voltavam a
funcionar misteriosamente, ou então a marcação dos
ponteiros era mudada. Torneiras se abriam sem ninguém por
perto e aparelhos elétricos enguiçavam e voltavam a
funcionar perfeitamente sem terem sido consertados.
Mais prosaicamente, Betty Hill também relatou que, após
sua experiência com o óvni, viviam seguindo-a, invadiam-
lhe o apartamento e sua linha telefônica vivia sendo
interceptada. A interceptação telefônica parecia surtir um
efeito contrário, pois ela vivia recebendo mensagens do
"Pease Air Force Base Intelligence".
A palavra alemã poltergeist, cujo significado literal é
fantasma barulhento, é usada para se referir a distúrbios em
que objetos se mexem ou se comportam de forma estranha,
sem nenhuma causa física óbvia. Em anos recentes, alguns
parapsicólogos, desejando evitar a palavra fantasma,
cunharam a expressão psicocinese espontânea e recorrente
para estes distúrbios. A motivação para esta mudança é a
hipótese de os efeitos poltergeist poderem ser produzidos
por alguma espécie de emanação energética oriunda de uma
pessoa-alvo. Neste caso, Betty Hill seria o provável
indivíduo-alvo, e seria possível especular se sua experiência
com o óvni lhe alterou o equilíbrio energético e acionou os
efeitos poltergeist.
Os fenômenos poltergeist são conhecidos há séculos, e
incluem o tipo de eventos relatados por Betty Hill, bem
como incêndios espontâneos, objetos voando pelo ar e
movimentos espontâneos de móveis. É freqüente a pessoa-
alvo num caso poltergeist estar padecendo de algum
distúrbio emocional ou de doença crônica.
Segundo salienta Schwarz, embora este não pareça ser o
problema de Betty Hill, ela tinha um histórico pregresso de
experiências psíquicas. Quando estava no curso secundário,
ela teve muitos sonhos premonitórios precisos, inclusive
dois em que anteviu as mortes de colegas de escola em
acidentes automobilísticos. Muitos dos seus familiares
também eram médiuns, inclusive sua avó materna e uma
filha adotiva. Sua irmã, Janet, relatou ter morado numa casa
assombrada por uma criança fantasma chamada Hannah,
cujo nome foi revelado por um médium e mais tarde
confirmado por antigos registros. Aparentemente, Barney
Hill e sua família não tinham histórico pregresso de
fenômenos psíquicos.
Que podemos dizer a respeito da integridade das provas
relatadas por Betty Hill? Baseado em material fornecido por
Berthold Schwarz e num livro famoso sobre o caso Hill
intitulado The Interrupted Journey, minha impressão é que
Betty Hill parece ser uma pessoa sensata e honesta.
Portanto, parece-me plausível que ela tenha de fato
experimentado os fenômenos poltergeist por ela relatados.
No entanto, The Interrupted Journey não fez menção
alguma dessas experiências. Embora desconheça a razão para
isto, percebo nas pessoas uma tendência natural de omitir de
suas histórias quaisquer provas aparentemente
desacreditadas. O efeito desta tendência sobre o nosso
quadro da realidade pode ser mais distorcido ainda do que a
fraude deliberada. Isto é lamentável, já que uma informação
que pareça desacreditada a partir de uma perspectiva teórica
poderá fazer sentido a partir de uma perspectiva mais ampla.
Poderá, também, fornecer-nos pistas que nos ajudem a
atingir ou solidificar aquela perspectiva mais ampla.
Os fenômenos psíquicos constantes em relatos sobre óvnis
tendem a enquadrar-se nas duas categorias a seguir:

1. Fenômenos psíquicos de ocorrência típica durante
contatos com óvnis, incluindo comunicação telepática,
levitação, matéria atravessando matéria e cura misteriosa. Às
vezes, os investigadores ufológicos atribuem estes
fenômenos à prerrogativa de alta tecnologia por parte das
entidades ufológicas. Mesmo que isto seja correto, ainda
persiste o fato de estes fenômenos também terem sido
estudados no domínio da pesquisa psíquica sem referência
aos óvnis. Não se deve, é claro, descartar a possibilidade de
que fenômenos psíquicos não vinculados a óvnis possam
também envolver alguma espécie de alta tecnologia.
2. Fenômenos psíquicos sem vínculo direto com óvnis (tais
como os fenômenos poltergeist domésticos), que poderão
passar a se manifestar de forma abrupta após um contato
com óvni, ou pode ser que a testemunha de um contato
imediato tenha um histórico antigo de experiências
psíquicas. As coisas se complicam pelo fato de as
testemunhas de contatos imediatos com óvnis acabarem
apresentando um histórico antigo de contatos que
remontam à primeira infância.

Já vimos relatos de contatos com óvnis envolvendo
comunicação telepática, levitação e a passagem de corpos
através de paredes. Um exemplo de cura misteriosa consta
no caso do "Dr. X", um médico francês. Este caso, a
princípio estudado por Aime Michel na França, foi
recontado por Jacques Vallee. Segundo Vallee, um aspecto
importante do caso é que um astrofísico, um psiquiatra e um
fisiologista conseguiram ter acesso rápido ao Dr. X, o que
lhes permitiu acompanhar toda a evolução do seu quadro.
Segundo depôs o médico, ele foi acordado, em 1º de
novembro de 1968, pelos gritos de seu bebê, de quatorze
meses, um pouco antes das quatro horas. Abrindo uma
janela, avistou dois objetos discóides pairando no ar. Eram
de cor branca prateada por cima e vermelha brilhante por
baixo. Após alguns movimentos de aproximação, os dois
discos se fundiram em apenas um, o qual apontou um feixe
de luz branca na direção do médico. Em seguida, o disco
desapareceu com uma espécie de explosão, deixando uma
nuvem que se dissipou lentamente.
O médico disse ter contraído um ferimento grave na perna
enquanto cortava madeira três dias antes. Após a partida
do(s) misterioso(s) objeto(s), o inchaço e a dor causados pelo
ferimento de súbito desapareceram e, nos dias subseqüentes,
ele também percebeu o desaparecimento de todos os
sintomas crônicos decorrentes de ferimentos graves
contraídos na guerra da Argélia. Poucos dias após o contato,
tanto o Dr. X quanto seu filho desenvolveram uma estranha
marca triangular avermelhada no abdome, marca que
permaneceu nos anos seguintes.
Por um período de dois anos após este incidente, não houve
recorrência dos sintomas associados, quer com os
ferimentos de guerra, quer com a ferida da perna.
Entretanto, passaram a ocorrer estranhos fenômenos
paranormais em torno do médico e sua família, incluindo
atividades poltergeist e inexplicados distúrbios em circuitos
elétricos. Segundo Jacques Vallee, "é freqüente o relato de
coincidências de natureza telepática e, conforme alegou o
médico, em pelo menos uma ocasião ele experimentou a
levitação sem ser capaz de controlá-la".
Outros incidentes eram ainda mais bizarros. O Dr. X relatou
que passou a ter encontros misteriosos com um estranho
homem anônimo que ele chamou "Sr. Bied". Ouvindo um
som de assovio dentro de sua cabeça, o médico se sentia
orientado a caminhar ou dirigir até determinado local. Ali
ele se encontrava com o estranho homem, que conversava
com ele sobre sua experiência com o óvni e lhe ensinava
coisas sobre assuntos paranormais. O Sr. Bied fez o médico
"experimentar a telecinesia e a viagem no tempo, incluindo
um episódio constrangedor com paisagens alternadas numa
estrada que 'não existe'". Além disso, certa vez o estranho
visitou o Dr. X em sua casa "acompanhado de um
humanóide de um metro de altura e com pele mumificada,
mantendo-se imóvel enquanto seus olhos disparavam
ligeiros pela sala".
Muito embora os casos de óvnis em geral pareçam bastante
estranhos, observa Vallee, é comum seus relatos serem
editados pela supressão de aspectos particularmente bizarros
ou incríveis. Não obstante, eventos estranhos do tipo
relatado pelo Dr. X também aparecem com freqüência em
outros casos de óvnis.
Vallee menciona, por exemplo, um caso em Lima, Peru, em
9 de dezembro de 1968, ocorrido com um inspetor de
alfândega que foi atingido no rosto por um feixe de luz
púrpura oriundo de um óvni, que então descobriu estar
curado de sua miopia e de seu reumatismo. Na Carolina do
Sul, em 21 de abril de 1979, o raptado por óvni William
Hermann relatou ter sido visitado em seu trailer por dois
seres alienígenas que pareceram se materializar em meio a
um brilho azul enquanto ele conversava ao telefone com um
investigador ufológico. Whitley Strieber relata muitos
efeitos paranormais vinculados a suas experiências com os
"visitantes", bem como visões de paisagens surreais. Entre
tais efeitos, incluem-se fenômenos poltergeist, levitação
espontânea e experiências extra-corporais.
A investigadora ufológica britânica Jenny Randles tem dado
muitos exemplos de pessoas relatando tanto contatos com
óvnis quanto experiências psíquicas. Joyce Bowles, por
exemplo, experimentou ser raptada e levada para um recinto
desconhecido junto de um homem chamado Ted Pratt e ter
tido um extenso encontro com três seres humanóides altos.
Conforme comenta Randles, Joyce também havia sofrido
um ataque poltergeist e "tinha um histórico de experiências
psíquicas".
Segundo salienta Raymond Fowler, Betty Andreasson e
alguns de seus familiares relataram uma série de estranhas
experiências psíquicas ocorridas antes do contato dela com o
óvni em 1967. Sua filha Becky, por exemplo, (que esteve
envolvida naquele contato), descreveu como acordou em
1964 para ver uma cintilante bola amarelo-alaranjada
pairando do lado de fora da janela de seu dormitório e
apontando um feixe de luz na direção dela. Pouco tempo
depois disso, Becky passou a produzir páginas cheias de
símbolos estranhos com escrita automática. A escrita
automática, um fenômeno psíquico comum, também
aparece nas histórias de muitas testemunhas de óvnis (veja
Capítulo 5).
Fowler também apresenta a história da Sra. Rita Malley, que
dirigia ao longo da Rodovia 34 rumo a Ithaca, Nova York,
em 1967, quando seu carro foi parado por um objeto
discóide abobadado e zunidor. Uma luz brilhante, disse ela,
projetou-se do objeto. "Então, comecei a ouvir vozes. Não
soavam como vozes masculinas ou femininas, mas eram
estranhas, as palavras saíam de forma espasmódica e
fragmentada (...) com um estranho coro de diversas vozes.
(...) As vozes mencionaram o nome de um conhecido e
disseram que naquele exato momento o irmão dele estava
envolvido num acidente terrível a quilômetros de distância."
Conforme a moça constatou no dia seguinte, a mensagem
estava correta.
Neste caso, a experiência com o óvni representou o papel de
uma advertência premonitória. Existe uma extensa literatura
sobre advertências premonitórias em sonhos e lampejos
repentinos de intuição. Segundo se relata, é muito freqüente
estas premonições corresponderem à verdade. Apesar de
não se enquadrarem no paradigma mecanicista da ciência
moderna, estas advertências paranormais e os demais
fenômenos psíquicos que eu tenho mencionado têm sido
parte da vida humana desde tempos remotos.
Em suma, existem provas indicando serem freqüentes os
relatos de fenômenos psíquicos (ou fenômenos em muito
semelhantes a eles) associados a casos de contato imediato
com óvnis. Estes fenômenos parecem ter ligação tanto com
as cobaias humanas destes casos quanto com as entidades
humanóides que elas encontram. Uma possível
interpretação para isto é que os humanóides não nos são tão
alienígenas quanto seria de supor.
Eis o raciocínio por trás desta interpretação: se os seres
humanos podem gerar fenômenos psíquicos, então deve
haver alguma espécie de mecanismo inerente aos seres
humanos que os faz gerar tais fenômenos. Por ora, não
importa se este mecanismo faz uso ou não de princípios
físicos conhecidos. A idéia, em termos simples, é que
fenômenos materiais obedecendo a um padrão sistemático
devem ser gerados por alguma combinação sistemática de
matéria e energia.
Se as entidades ufológicas são seres vivos e produzem
fenômenos psíquicos semelhantes aos relatados com relação
aos humanos, então é razoável supor que elas também os
geram com alguma espécie de mecanismo. Este não é
necessariamente algum dispositivo de alta tecnologia.
Aplicando o princípio da parcimônia, pode-se sugerir que o
mecanismo delas é igual ou parecidíssimo com aquele
encontrado nos seres humanos.
Consideremos, por exemplo, o fenômeno amiúde relatado
da comunicação telepática entre humanos e entidades
alienígenas. Para semelhante telepatia ser possível, o
mecanismo de transmissão e recepção dos humanos deve
ser compatível com aquele dos alienígenas. (Basta
considerarmos as dificuldades resultantes da tentativa de
fazer duas marcas diferentes de computadores se
comunicarem entre si.) Se estes dois mecanismos são
compatíveis, então é bem possível que funcionem com base
em princípios semelhantes ou que tenham inclusive uma
estrutura semelhante. Em suma, se as entidades ufológicas e
os humanos produzem fenômenos complexos semelhantes,
então, talvez sejam seres parecidos com estrutura interna
parecida.
Existem outras possibilidades, é claro, três das quais
menciono a seguir. A primeira é a hipótese extraterrestre
(HET), segundo a qual as entidades ufológicas teriam
evoluído num planeta distante. É difícil analisar a evolução
de faculdades psíquicas, já que, em geral, as mesmas não
existem para os cientistas dedicados a estudar a evolução.
Porém, se a origem delas envolve genes e mutações,
conforme reza a teoria evolucionária tradicional, então, o
raciocínio de Dobzhansky e Simpson tem fundamento aqui,
não sendo de se esperar que elas evoluam em outro planeta.
Teríamos de supor, portanto, que, ao manifestarem efeitos
psíquicos em interações com humanos, os extraterrestres
devem estar imitando funções psíquicas humanas por meio
da tecnologia.
Mas por que eles fariam isso? Os fenômenos psíquicos, além
de raros, são tidos como desacreditados na sociedade
moderna. Por que um agente alienígena optaria por simular
fenômenos como estes, e não algo mais convencional, como
programas de televisão? Pode-se dizer que os motivos deles
são inescrutáveis, mas isto significa dizer que jamais
poderemos entender o que está acontecendo.
No entanto, pressupondo seres semelhantes a nós com
faculdades psíquicas naturais superiormente desenvolvidas,
podemos formular uma explicação que pelo menos faça
sentido — seja ela correta ou não. Seria natural, para seres
com faculdades psíquicas naturais, interagir com os
humanos fazendo uso delas. Estas interações poderiam,
inclusive, estimular tendências psíquicas latentes nos seres
humanos, explicando-se, assim, os efeitos poltergeist
subseqüentes aos contatos com óvnis. Segundo outra
hipótese concebível, os humanos dotados de "registros de
experiências psíquicas" possuiriam compatibilidade especial
com as entidades alienígenas, explicando-se, deste modo, o
motivo para a constatação de tais registros em pessoas que
relatam contatos com óvnis.
A segunda possibilidade é a de todos os fenômenos
psíquicos serem mediados por seres sutis pertencentes a
uma determinada categoria, sendo os alienígenas ufológicos
exemplos de tais seres. Pode haver um elemento de verdade
nisto, já que, conforme sustentam muitos médiuns, suas
faculdades originaram-se de seres sutis. Porém, esta teoria
parece duvidosa quando aplicada a todos os fenômenos
psíquicos, pois já foi provado que alguns humanos podem
manifestar semelhantes fenômenos se valendo de suas
próprias faculdades. Este é um assunto muito estudado no
campo da parapsicologia, mas não é minha intenção me
aprofundar nele aqui.
Com isto chegamos à terceira hipótese: as entidades
ufológicas e todos os seus pertences são projeções psíquicas
da mente humana. Esta é uma idéia diferente daquela
segundo a qual estas entidades seriam mera imaginação. Ao
contrário, a hipótese é que elas se originam na imaginação
humana, mas assumem forma e criam efeitos físicos reais
através do poder psíquico humano. Como se trata de uma
idéia bastante popular, podemos chamá-la de a hipótese
psíquica (HP). A tabela na página seguinte relaciona seis
diferentes formulações desta hipótese apresentadas por
populares escritores e investigadores ufológicos. (Estas, é
claro, não são necessariamente as únicas teorias sobre óvnis
desenvolvidas por estes escritores.)
Parece-me duvidoso que seres humanos comuns tenham
mesmo o poder de gerar objetos voadores capazes de serem
captados em redor, perseguir aviões a jato e interferir no
funcionamento de automóveis. Estes fenômenos parecem
ter muito mais magnitude que os efeitos poltergeist, ou
mesmo as mãos e cabeças materializadas relatadas acerca de
Eusapia Palladino. Muitas experiências de rapto também
parecem mais desconcertantes do que inclusive as mais
fortes manifestações relatadas em sessões espíritas. Além do
mais, se a imaginação humana tem tanto poder assim, por
que, então, típicos monstros de filmes de ficção científica
não se materializam em cidades americanas? A extensão da
fantasia humana parece muito mais ampla que o observado
no âmbito dos fenômenos ufológicos ou psíquicos.
Estas teorias não esgotam todas as possíveis explicações para
o elemento psíquico constante em relatos sobre óvnis.
Contudo, a idéia de que as entidades ufológicas sejam seres
similares a nós parece ser uma competidora definitiva entre
possíveis teorias. Tendo dito isto, devo salientar que,
segundo é relatado, tanto os fenômenos psíquicos quanto os
fenômenos ufológicos violam as leis físicas conhecidas.
Deste modo, ao dizer que talvez as entidades ufológicas
sejam semelhantes a nós, não pretendo sugerir que elas
sejam meras máquinas moleculares, feitas da mesma matéria
concebida comumente por nós. Talvez os seres humanos
também sejam algo mais do que máquinas moleculares.

Declarações apoiando a hipótese de que as
manifestações ufológicas se revestem de realidade
física pelo poder da mente humana

1. Jacques Vallee: "Poder-se-ia teorizar acerca da existência
de um notável estado de funcionamento psíquico
responsável por alterar a visão que o observador tem da
realidade física, além de gerar vestígios reais e fenômenos
luminosos, visíveis para outras testemunhas em seu estado
normal."
2. Berthold Schwarz: "Quase todos os dados associados a
óvnis têm suas analogias em fenômenos psíquicos
espontâneos, ou ocorrem, segundo se tem observado, em
sessões espíritas." Apesar de talvez serem uma exceção, os
efeitos eletromagnéticos atribuídos a óvnis também podem
ser produzidos psiquicamente. Ele cita Eisenbud, que diz:
"Existe um pequeno núcleo sólido de dados parapsicológicos
indicando que tanto as entidades animadas quanto as
inanimadas podem ser criadas (sob os auspícios da mente,
presume-se), não apenas de forma gradativa, como uma
espécie de intromissão numa realidade mais comum, como
também sob a forma de uma realidade completamente
coexistente."
3. D. Scott Rogo, sobre raptos por óvnis: "Mesmo sendo
um evento físico real, o rapto reflete preocupações ou
traumas arraigados no inconsciente do indivíduo. Poder-se-
ia chamá-lo de sonho 'materializado' — i.e., um sistema de
imagens simbólicas que de repente se projeta para o mundo
tridimensional."
4. Tenente-coronel Thomas Bearden: "Em junho de 1947,
Kenneth Arnold, sobrevoando o estado de Washington — o
estado mais próximo da União Soviética na época —,
encontrou discos voadores, os quais não passavam de
mandalas femininas moduladas por nossa ficção científica
Buck Rogers e nossa inconsciência nacional/cultural. (...)
Não se engane, estas toupeiras são materializações
verdadeiras, e não alucinações ou fantasias."
5. Hilary Evans: "A experiência da entidade tem uma base
material que pode ser razoavelmente concebida como uma
comunicação física, fabricada por uma parte da mente do
observador que opera de forma autônoma, por conta própria
ou vinculada a um agente externo; expressa sob a mesma
forma de sinal codificado que qualquer outra comunicação
mental; apresentada à mente consciente como um substituto
para o ingresso de estímulo sensorial do mundo real; e
ocasionalmente recebendo uma expressão externa
temporária utilizando algum tipo de substância psíquica
quase-material."
6. Jenny Randles usou a idéia do campo morfogenético de
Rupert Sheldrake para formular uma teoria dos raptos por
óvnis: "Se algo passa a ser aceito como real, adquire cada vez
mais realidade efetiva. Não seria estender a hipótese de
Sheldrake em demasia considerar-se que os raptos estão se
tornando reais, isto por causa da repetida ênfase a eles
atribuída dentro da sociedade."

5
Contatos, canais e comunicações

Neste rastreamento dos fenômenos ufológicos relatados, há
três assuntos adicionais que precisaremos analisar: contatos,
canalização, e comunicações, e doutrinas relacionadas a
óvnis. Como eles têm feito parte do cenário ufológico desde
pelo menos fins dos anos 40, fica difícil desconsiderá-los.
Todavia, por também envolverem bastante material que soa
por demais implausível, a reação de querer descartar este
material sem hesitação é natural.
Há, contudo, bons motivos para se fazer uma cuidadosa
avaliação deste material. Mesmo assim, devemos atentar para
o fato de parte dele ser nitidamente fraudulenta. Outra parte
pode muito bem ser autêntica e fornecer importantes
esclarecimentos sobre a natureza do fenômeno ufológico. O
tema unificador dos três assuntos deste capítulo é o da
comunicação particularizada entre seres humanos e seres
aparentemente não-humanos. A oportunidade de fraude é
grande, neste caso, considerando a idéia de semelhante
comunicação representar um profundo atrativo para a mente
humana, dando vazão, portanto, a muitas formas de
exploração e auto-engano. Ao mesmo tempo, comunicações
minuciosas, quando autênticas, podem revelar uma boa
quantidade de informações úteis sobre os comunicadores.
Começarei tratando do assunto dos contatos ufológicos. Nos
últimos anos, o estudo de raptos por óvnis tem merecido o
respeito de muitos ufologistas, muito embora, em geral, a
comunidade científica o ignore ou rejeite. No entanto, é
relatado outro tipo de caso de contato imediato que mesmo
tarimbados pesquisadores ufológicos tendem a rejeitar. É o
chamado caso de contato, em que uma pessoa conhecida
com esse nome se encontra com seres de outros mundos
por amizade. Contatos poderão alegar terem sido escolhidos
por estes seres para transmitirem a mensagem deles à
humanidade, além de às vezes alegarem terem sido levados
para visitar outros planetas em naves espaciais.
A má reputação dos contatos tomou vulto nos primórdios
dos anos 50, quando muitas pessoas passaram a divulgar
extraordinárias histórias de contato com extraterrestres,
histórias apoiadas em pouquíssimas provas. O contato típico
da época era, segundo a sarcástica caracterização do
pesquisador ufológico Richard Hall, "um técnico desajeitado,
quase sempre homem, de 40 a 60 anos de idade, fruto de
uma infância perturbada ou desintegrada, inculto e
dependente de um ghost writer para escrever seu livro".
Era típico desses homens se apresentarem como profetas
especialmente escolhidos e, em alguns casos, eles tentavam
impressionar o público mediante a adoção falsa de títulos
grandiosos e graus acadêmicos. Era fácil descartá-los como
incompetentes alienados que recorriam a meios desonestos
para ganhar algum dinheiro, criar fama ou superar algum
desequilíbrio psicológico.
Eis a seguir uma breve lista dos principais contatos das
décadas de 1950 e 1960:

1. O "professor" George Adamski, filósofo amador e
sanduicheiro de carrocinha, alegava ter se encontrado com
Orthon, um homem de Vênus, em 20 de novembro de
1952, perto de Desert Center, Califórnia. Ele tirou fotos, em
geral tidas como embustes, de espaçonaves venusianas.
2. Truman Bethurum alegava ter se encontrado com uma
mulher do espaço chamada Aura Rhanes, originária do
Planeta Clarion, que fica do outro lado9 do Sol. Foi bastante
denunciado como charlatão, e o Dr. Edward U. Condon se
deu ao trabalho de provar, em seu Relatório Condon, que
um planeta como Clarion não poderia existir.
3. Daniel Fry escreveu que era "reconhecido por muitos
como o cientista mais bem informado do mundo sobre
assuntos relacionados a viagens no espaço e no tempo".
Alegava ter-se encontrado com a Falange do Espaço,
formada por descendentes da antiga civilização de Lemúria.
4. Howard Menger serviu no Exército americano e mais
tarde abriu uma empresa de publicidade e pintura de painéis.
Alegava ter tido, desde os cinco anos de idade, muitos
contatos com Legiões do Espaço oriundas de Vênus, Marte,
Júpiter e Saturno. Dizia ter vivido em Vênus numa vida
anterior.
5. George Van Tassel foi o anfitrião das Giant Rock Space
Conventions, muito populares entre 1954 e 1970. Alegava
estar em contato com o "Conselho das Sete Luzes", o qual
rege este sistema solar.
6. Orfeo Angelucci, um ítalo-americano inculto, mas
inteligente, teve experiências com óvnis de natureza
altamente mística e religiosa. Suas experiências, segundo as
interpretou o psicólogo Carl Jung, eram produto de
processos mentais inconscientes relatados com sinceridade.

Aliás, Jung é conhecido por ter interpretado as experiências
com óvnis como sendo projeções psicológicas. No entanto,
não é tão divulgado o fato de ele ter achado que alguns óvnis
eram objetos reais. Ele escreveu: "Tanto quanto sei, é um
fato confirmado, apoiado por inúmeras observações, que os
óvnis têm sido não apenas vistos a olho nu como também
detectados em telas de radar, além de terem deixado
vestígios na chapa fotográfica. (...) Em resumo, nada mais é
que isto: ou as projeções psíquicas devolvem um eco de
radar ou, então, o aparecimento de objetos reais nos propicia
uma oportunidade de experimentar projeções mitológicas."
Embora Jung fosse solidário com Angelucci, a maioria dos
autores que escreveram sobre contatos só fizeram descartá-
los com desprezo e zombaria. Tais rejeições a granel,
suspeito eu, podem ser ingênuas e injustas em certos casos,
já que as histórias da vida real acabam resultando mais
complexas do que seria de se esperar. Não obstante, muitos
desses homens talvez estivessem tentando ganhar dinheiro
ou conquistar seguidores veiculando alegações falsas.
Infelizmente, semelhante veiculação persiste ainda hoje,
com os chamados contatos administrando negócios de mala-
direta para anunciar artigos tais como:

1. Um Receptor Nuclear, baseado em tecnologia
extraterrestre, que absorve energia negativa e a transforma
em freqüências harmoniosas ($ 100).
2. "Leituras projetadas para sintonizar os Trabalhadores-da-
Luz e o Povo Estelar com sua Missão e Propósito Individual
de Corporificação Terráquia" ($ 125).
3. O videoteipe de um Comandante Espacial de 36 mil anos
de idade explicando "a brutal guerra interuniversal que vem
sendo travada há milhares de anos entre a Federação
Universa e a Confederação Negitária" ($ 19.95).

Por não ter investigado estes anúncios em particular, não
posso insistir no fato de se tratarem de informação falsa. Mas
a impressão geral suscitada por este material — e há uma
enxurrada dele — é que boa parte consiste em "contos-do-
vigário" elaborados para tirar dinheiro dos tolos. Isto não
aumenta a credibilidade de pessoas que alegam fazer contato
com seres desconhecidos. No entanto, o fato de certas
pessoas divulgarem histórias falsas não implica que sejam
falsas todas as alegações de contato com outros mundos. É
preciso avaliar cada alegação incomum pelos seus próprios
méritos.

O caso Adamski

Algumas histórias de contato podem ser embustes
deliberados, criados desde o princípio por motivos
comerciais. Em outros casos, talvez uma pessoa tente
explorar uma experiência autêntica e mais tarde fazer
acréscimos desonestos a sua história de modo a aumentar-
lhe o valor comercial. Ou talvez ela acredite sinceramente
em sua história, desenvolva um comprometimento
emocional com a mesma e, a partir daí, procure enfeitá-la
para torná-la mais convincente. Em casos assim, seria de se
esperar encontrar provas de uma experiência real revestidas
de provas refletindo um aumento de desonestidade e auto-
ilusão.
Talvez o caso de George Adamski seja um exemplo disto.
Existe uma análise solidária de Adamski escrita por Lou
Zinsstag, sobrinha do psicólogo Carl Jung. Conforme
argumenta Zinsstag, algumas das primeiras experiências de
contato de Adamski eram autênticas; mais tarde, porém, ele
se desvirtuou de alguma maneira, passando a fazer alegações
falsas tais como a de ter feito uma viagem para Saturno a fim
de participar do "Encontro dos Dozes Conselheiros de nosso
Sistema Solar". Ele também mantinha um atendimento por
mala direta, salienta ela, mediante o qual fazia uma leitura,
baseada na remessa de uma foto, data de nascimento e cinco
dólares, que revelava o planeta de onde provinham seus
"clientes".
Outro fato interessante, segundo diz Zinsstag, é que ela
própria vira provas indicadoras das incomuns faculdades
psíquicas de Adamski. Ela também o observou recorrendo
ao transe mediúnico para entrar em contato com seres do
espaço. Segundo especulação dela, talvez, em anos
posteriores, ele tenha sido desencaminhado por má
informação implantada por comunicadores psíquicos hostis
ou por humanos hostis peritos em hipnose.
Talvez o próprio egotismo crescente de Adamski também
tenha contribuído para o seu desvirtuamento. Apesar de ter
sido participante ativa do grupo de Adamski na Europa,
Zinsstag o rejeitou mais tarde, dizendo: "Agora ele quer
colaboradores que acreditem tacitamente nele como se
acredita em Deus. Isto é algo que eu não posso fazer."
Uma avaliação semelhante de Adamski foi feita pelo
pesquisador ufológico Ray Stanford. Stanford contou a
William Mendez, investigador do caso de Pascagoula
(páginas 181-83), que havia conhecido Adamski. Segundo
disse Stanford: "Adamski criou toda aquela história sobre
Vênus (e outras mais), mas, em certa ocasião, teve de fato
uma experiência com discos voadores; na mente de
Adamski, aquilo justificava toda a sua invenção de histórias
sobre eles."

De raptado a contato

Se fosse possível enquadrar as histórias de rapto e contatos
em duas categorias distintas, seria possível, então, simplificar
as coisas deixando as histórias de contatos de lado.
Infelizmente, contudo, isto não é possível. Quase todo
aspecto encontrado em histórias de contatos também pode
ser encontrado em certos relatos de rapto, e parece haver
uma série contínua de cenários variando de raptos típicos
num extremo a casos de contatos em outro.
Betty Andreasson, por exemplo, relatou ter sido levada a
bordo de um óvni por alienígenas gray num contato em
1967 e submetida a um angustiante exame físico. Também
se lembrou de ter tido surpreendentes experiências religiosas
durante este contato. Segundo relatou ainda, os alienígenas
lhe disseram que a haviam escolhido para "mostrar algo ao
mundo". Muitos aspectos de sua história são típicos de
raptos por óvnis, mas o fato de ela ter sido escolhida como
mensageira ou profetiza é típico de relatos de contatos.
A história de William Herrmann também compartilha
aspectos típicos tanto de casos de rapto quanto de casos de
contato. Este caso foi estudado pelo pesquisador ufológico
Wendelle Stevens. A informação a seguir faz parte de seu
relato escrito e de um videoteipe produzido por ele
apresentando entrevistas com Hermann.
Ao contrário de contatos que exploram suas histórias ao
máximo, Hermann pareceu encarar suas experiências com
os óvnis como meros estorvos à sua vida normal. Sendo ele
um cristão fundamentalista, seu envolvimento com os óvnis
parece ter causado sérias dificuldades de relacionamento
com os membros de sua igreja. Em conversas sobre suas
experiências, ele expressa, sobretudo, o seu atordoamento e
o desejo de entender o que lhe aconteceu. Também insiste
em que não acreditava em óvnis nem tinha interesse algum
neles antes de suas experiências com os mesmos.
Hermann relatou ter sido raptado em 18 de março de 1978,
perto de Charleston, Carolina do Sul, por seres que se
identificaram como reticulanos. Segundo a descrição dele,
eram baixos, pelados, com cabeças grandes, bocas em forma
de fenda e narizes pequenos. Disse, também, que eles o
levaram a bordo de sua nave atingindo-o com um feixe de
luz azul. Depois, ele ficou atordoado, só voltando a ter
memória nítida já deitado sobre uma mesa na presença de
três dos seres. Após fazerem-no passear pela nave e ver toda
espécie de maquinário incompreensível, ele foi devolvido à
Terra em estado de terror a trinta quilômetros do ponto
onde tudo começara. Naquela altura, perdeu toda memória
de suas experiências a bordo do óvni, só voltando a
recuperá-la mais tarde, com o auxílio da hipnose.
Até aqui, a história de Hermann corresponde ao cenário
padronizado das histórias de rapto. Segundo ele depôs,
contudo, mais tarde os reticulanos passaram a transmitir-lhe
mensagens complexas através de escrita automática, além de
lhe restituírem a memória completa do rapto. Depois disso,
ele entabulou uma relação amistosa com esses seres, tendo
sido voluntariamente levado a bordo da nave deles. Ele se
lembrou, sem hipnose, de o terem levado a passeio pelo rio
Salado na Argentina e em seguida de volta ao norte da
Flórida, onde lhe mostraram o Manned Space Complex. Esta
parte de sua história é típica de casos de contatos.
A recepção de mensagens através da escrita automática
ilustra um processo popularmente conhecido como
canalização, mediante o qual uma pessoa escreve ou fala do
tema que ela não reconhece ter se originado em sua própria
mente. Embora se costume achar que semelhante tema
emana de algum outro ser, o qual atua como um transmissor
de informação, ele pode de fato se originar na mente do
canalizador.
Comunicações canalizadas são ocorrências freqüentes em
casos de contatos; deste modo, a escrita automática
produzida por Hermann é um elo entre o caso dele e casos
desta espécie. Mais adiante neste capítulo (páginas 226-32),
analisarei o teor de algumas das mensagens produzidas por
ele.
Outro relato combinando aspectos de casos de rapto e casos
de contato envolveu Filiberto Cardenas, imigrante cubano e
morador de Hialeah, Flórida. Este caso foi averiguado por
um advogado e investigador de ufológico chamado Virgilio
Sanchez-Ocejo, de cujo relato vem minha informação sobre
o mesmo.
Em Cuba, Cardenas estudara fisioterapia e se tornara técnico
em eletro-cardiografia. Alistou-se no Exército cubano,
descobriu-se no lado errado da revolução comunista de Fidel
Castro e acabou passando nove anos na prisão. Libertado da
prisão, emigrou para os Estados Unidos, onde arrumou
diversos empregos, foi gerente de uma loja de presentes e,
enfim, gerente de um posto de gasolina.
Na noite de 3 de janeiro de 1979, Cardenas, seu amigo
Fernando Marti, a esposa de Marti e sua filha de treze anos
de idade andavam de automóvel pelas redondezas de
Hialeah, procurando um porco para fazer um assado. Não
encontrando o porco, eles voltaram para casa — só que, no
meio do caminho, o motor do carro pifou.
Os dois homens, verificando que as luzes e a ignição não
estavam funcionando, saíram do carro e se puseram a
examinar embaixo do capô. Nessa altura, viram luzes que se
alternavam entre as cores vermelha e violácea e se refletiam
no motor, e ouviram um som "como o de muitas abelhas". O
carro começou a se sacudir, a luz assumiu tonalidade branca
brilhante e Fernando engatinhou mais para baixo do capô
para se proteger. Enquanto isso, Filiberto, sentindo-se
paralisado, passou a se erguer no ar, gritando: "Não me
levem! Não me levem!" Fernando o viu subindo e, quando já
tinha saído de baixo do capô, tudo que pôde ver foi um
"objeto volumoso que ascendeu e depois afastou-se dali".
A próxima coisa de que Filiberto se lembrou foi de quase ter
sido atropelado por um carro na rodovia Tamiami, cerca de
dezesseis quilômetros de onde ele havia sido erguido. A
polícia ficou tão perplexa com a história que a identificou,
no relatório oficial de ocorrência, como "contato imediato
do terceiro grau".
Sob hipnose, Filiberto a princípio se recusou a dizer o que
acontecera durante o rapto porque "eles me disseram para
não falar nada". Mais tarde, ele contou uma história estranha
e elaborada que começava com ele despertando para se
achar sentado, paralisado, na presença de um ser parecido
com um robô e dois homenzinhos com vestes justas.
Um dos homens tentou falar com Filiberto em alemão,
inglês e por fim espanhol, girando um botão num canto de
seu peito toda vez que trocava de idioma. Fizeram um
exame em Filiberto, deixando, segundo ele, 108 marcas em
seu corpo, e em seguida levaram-no até a presença de um
indivíduo que estava sentado num trono elevado e vestia um
manto e uma corrente da qual pendia uma pedra triangular.
Este personagem teve uma longa conversa com ele, tanto
por telepatia quanto em espanhol perfeito, e mostrou-lhe
muitas cenas extraordinárias projetadas nas paredes.
Segundo disse Filiberto, os seres alienígenas pareciam bem
humanos. Tinham olhos alongados com pestanas, pequenos
narizes achatados, compridas bocas sem lábios e barbas ralas.
Portavam, também, um símbolo à direita do peito,
consistindo numa serpente sobre um X irregular.
A história se torna mais extraordinária ainda: em seguida, os
seres levaram Filiberto a uma base submarina, viajando no
fundo do mar, em alta velocidade, através de um túnel de
"água firme" que parecia se abrir em frente da nave para que
a água não a tocasse. Na base, ele se encontrou com um
humano que estava trabalhando com os alienígenas e foi
conduzido pelo que parecia ser uma cidade. Foi mais uma
vez paralisado e examinado, e extraíram-lhe uma amostra de
sêmen. Depois, outra figura entronizada e vestindo um
manto lhe deu instruções ilustradas com imagens projetadas
em conjuntos de telas de tevê. Após muitas experiências
semelhantes que pareceram continuar por muitos dias, ele
foi deixado perto da rodovia Tamiami depois de um lapso de
cerca de duas horas segundo os cálculos de tempo da Terra.
Esta poderia ser considerada uma história de tempo perdido
insuficiente. Sem dúvida, é uma história difícil de acreditar,
mas não há necessidade de supor que seja de todo verdadeira
ou de todo falsa. É possível, por exemplo, que Filiberto
Cardenas tenha mesmo sido levado pelo céu afora,
conforme depôs Marti. Mas as experiências relatadas por ele
sob hipnose podem ter sido em parte geradas por sua própria
mente. Ou, então, podem ter sido projetadas em sua mente
por meio de quem o raptou.
Tanto quanto no caso Hermann, houve um segundo
encontro com os alienígenas. Nesta ocasião, Filiberto e sua
esposa Íris voluntariamente subiram uma rampa para entrar
na nave alienígena e tiveram uma conversa amistosa com
seus ocupantes quase humanos. Mais tarde, eles lograram se
lembrar diretamente desta experiência, sem necessidade de
hipnose. Este tipo de encontro voluntário numa nave
alienígena é típico de histórias de contatos, mas é incomum
duas testemunhas participarem de semelhante encontro.
Apesar de seus muitos aspectos típicos de casos de contatos,
o caso Cardenas também apresenta muitos aspectos usuais
em relatos sobre rapto por óvnis. Entre estes, incluem-se
histórias de transplantes que não puderam ser detectados por
meio de recursos médicos, histórias de cruzamentos entre
alienígenas e humanos e histórias de fenômenos psíquicos
que sucederam ao rapto. O caso também inclui, é claro, o
próprio rapto dramático, que foi confirmado por três
testemunhas oculares.

O contato completo

Passo agora a uma história de contato com óvni que é
notável pela quantidade e variedade de provas de apoio. A
história tem sido bastante denunciada como sendo um
embuste, e eu tendo a concordar que ela o seja. No entanto,
há motivos para acreditarmos ser esta história mais que um
simples embuste consciente e deliberadamente arquitetado
pela testemunha. Poderia ser uma fraude elaborada
envolvendo um conluio entre diversas testemunhas e os
esforços de uma equipe de especialistas nos bastidores de
Hollywood. Outra possibilidade, que eu creio merecer séria
consideração neste caso, é o fato de o embuste talvez
envolver a manipulação da testemunha por parte de seres do
tipo vinculado aos óvnis. Seja qual for a explicação correta, é
importante saber que tais casos estão acontecendo.
Ao apresentar este caso, darei primeiro a boa notícia — os
motivos para se pensar em sua possível autenticidade. Em
seguida, mencionarei a má notícia e farei algumas
observações sobre o que poderia estar ocorrendo de fato
neste caso.
A história começa em 28 de janeiro de 1975, quando um
vigia noturno suíço, de apenas um braço, chamado Eduard
"Billy" Meier, passa a receber ordens telepáticas para
encaminhar-se sozinho a pontos de encontro em regiões
pouco freqüentadas nas proximidades de Hinwil, sua aldeia
rural. Chegando a um local designado, ele às vezes tira fotos
ou faz filmes de espaçonaves alienígenas seguindo
instruções telepáticas. Outras vezes, uma nave aterrissa e ele
mantém longas conversas em alemão com seu piloto de
aparência inteiramente humana, uma bela mulher chamada
Semjase. Outras vezes ainda, movido por telecinesia até a
espaçonave, é levado em extensos passeios.

Filmes e fotografias

Meier tinha mais a oferecer do que apenas uma história
fantástica. Muito embora tivesse apenas um braço, ele tirara
mais de seiscentas fotos de alta qualidade de naves
alienígenas sobrevoando as áreas rurais suíças, solitárias ou
em grupos. Tinha testemunhas oculares entre seus amigos
que também viram essas naves e, em certos casos, as
fotografaram. Além disso, fizera diversos filmes vividamente
realísticos das naves com uma câmera de oito milímetros.
Os filmes foram examinados por Wally Gentleman, um
perito de Hollywood em efeitos especiais que trabalhara em
2001: Uma odisséia no espaço. Ele concluiu: "Sem dúvida,
este Meier teria que ter uma equipe de assistentes peritos,
pelo menos quinze pessoas, que tivessem noção da interface
dos reflexos de um objeto brilhante em determinados
momentos do dia, que soubessem apoiar estes objetos sem
que os fios de sustentação fossem vistos... Para eu montar
um embuste desta magnitude para alguém, seriam
necessários trinta mil dólares e um estúdio com
equipamento adequado para fazê-lo. O equipamento custaria
mais cinqüenta mil."
Tendo a oportunidade de assistir aos filmes, tive a impressão
de que seriam necessários esforços consideráveis para
falsificá-los. Em um dos filmes, um óvni discóide parece
voar de um lado para outro em movimento pendular perto
de um velho pinheiro. Logo, por uma hipótese, o óvni seria
um modelo balançando como um pêndulo preso a uma linha
fina. Contudo, temos aqui apenas um movimento pendular
aproximado. Se alguém tentar duplicar o trajeto do vôo
balançando um pêndulo seguro pela mão, só logrará fazê-lo
mexendo a extremidade superior da linha de uma forma
complicada. Para o período de tempo do movimento de
vaivém do óvni, seria necessária uma linha de pêndulo de
cerca de seis metros de comprimento. Como alguém
conseguiria segurar a linha no ar e balançar-lhe a
extremidade superior para formar arcos amplos? Isto poderia
ser feito num estúdio, mas decerto seria difícil um homem
de um braço fazê-lo num campo agrícola.
Há, ainda, o célebre fato de que, no filme, quando o óvni
sobrevoa a copa da árvore, esta se mexe como que soprada
por seu deslocamento de ar. Considerando o aparente
realismo deste efeito, teria sido necessário prepará-lo e
coordená-lo com os movimentos do modelo. (Seria preciso
ter um pequeno modelo bem na frente de uma árvore de
verdade e, normalmente, a miniatura de uma árvore não
balançaria da maneira mostrada no filme.)
Além disso, um modelo em movimento pendular não
reproduziria a maneira como o óvni cambaleia em certos
momentos. Talvez fossem necessários fios múltiplos para
produzir este efeito. Ou talvez fosse preciso montar uma
fotografia, fotograma por fotograma, de um modelo
cuidadosamente suspenso. Acima de tudo, os comentários
de Wally Gentleman parecem bastante razoáveis, dando a
entender que, se houve um embuste, saiu caro e exigiu uma
equipe de conspiradores.
Algumas das fotografias foram estudadas pelo Dr. Michael
Malin, um perito em edição de imagens, que trabalhara
quatro anos no Laboratório de Propulsão a Jato antes de
ingressar na Universidade Estadual do Arizona, em Temple,
em 1979, para ensinar geologia planetária. Ele observa:
"Acho as fotografias em si acreditáveis. São fotografias boas.
Parecem representar fenômenos reais. Só acho inacreditável
a história de um fazendeiro da Suíça tendo intimidade com
dúzias de alienígenas que vêm visitá-lo."
Seria mais fácil falsificar as fotos do que os filmes, mas,
mesmo assim, seria necessário muito trabalho. Algumas
delas parecem mesmo realísticas, conforme os citados
comentários de Malin, mas algumas outras têm
impressionado muitas pessoas por parecerem bastante
implausíveis. Exemplos disto seriam as duas últimas fotos do
livro de fotografias UFO... Contact from the Pleiades,
volume II, escrito por Lee e Brit Elders. Para se produzir
estas fotos, contudo, seriam necessários modelos caros e de
primeira classe.
Muitos têm acusado Meier de ter feito e fotografado
modelos de óvnis. No entanto, segundo salienta o
investigador Wendelle Stevens, Meier pedira abertamente
para um jovem amigo fazer um modelo e o fotografara na
presença de outros amigos, sem alegar que as fotos
representavam o objeto em si. Meier tinha, afirma ainda
Stevens, fotos destes modelos reconhecidos nos álbuns que
mostrava aos visitantes.
Talvez tudo isto seja verdade. De qualquer modo, a única
conclusão a que se pode chegar sobre as fotografias é que,
caso sejam falsas, foram falsificadas com muito
profissionalismo. Provas fotográficas são sempre
insatisfatórias, uma vez que, com dinheiro, esforço e
inventividade suficientes, seria possível falsificar
praticamente qualquer fotografia.
Meier tinha intimidade com amigos curiosos e, segundo um
dos temas do caso Meier, alguns deles viviam querendo
acompanhá-lo num contato e ver as naves alienígenas com
seus próprios olhos. De fato, alguns desses amigos alegaram
ter visto fenômenos estranhos, às vezes impressionantes, no
céu, em excursões noturnas com Meier, tendo tirado suas
próprias fotografias destes fenômenos. Sem dúvida, se Meier
estava perpetrando um embuste, na certa seus amigos
estavam fazendo parte da mesma trama.

Pistas de pouso, sons e amostras minerais

Afora as provas fotográficas, Meier podia apontar muitos
exemplos de estranhas "pistas de pouso" volteadas em
campos agrícolas onde, segundo ele, as naves haviam
parado. Uma pista típica consistia em três volteios de grama,
cada um deles com dois metros de diâmetro, dispostos num
triângulo equilatero. A grama em cada volteio estava
depositada numa espiral bem-feita com uma borda externa
pontuda, semelhante aos "círculos agrícolas" que mais tarde
atrairiam a atenção de muitas pessoas na Inglaterra. A
testemunha local Herbert Runkel comenta: "Estou
certíssimo de que Billy não teria como fazer pistas como
aquelas. Tenho muitas vezes sido testemunha de pistas de
pouso e tenho fotos muito nítidas e minuciosas de muitos
locais diferentes, de modo que posso dizer isto com 100%
de certeza."
Depois, havia os sons. Meier fizera gravações em fita de
insólitos sons agudos produzidos pelas naves espaciais, e
tinha inúmeras testemunhas cujo depoimento afirmava
virem realmente do céu aqueles sons. Em Los Angeles, o
engenheiro de som Nils Rognerud e o desenhista de
sistemas eletrônicos Steve Singer analisaram um segmento
de três minutos dos sons das naves espaciais, que haviam
sido gravados na presença de quinze testemunhas. Segundo
concluíram eles, o complexo padrão alternado de
freqüências sonoras distintas apresentou "problemas de
duplicação além da capacidade dos equipamentos no seu
estágio atual".
Por fim, Meier tinha dado aos investigadores amostras
minerais fornecidas pelos alienígenas. Algumas dessas
amostras foram analisadas por Mareei Vogel, pesquisador
científico sênior da IBM. Vogel, especialista em engenharia
de materiais, inventou o revestimento de memória do disco
magnético IBM. Uma amostra, descobriu ele, continha um
mosaico de partículas microscópicas de elementos puros,
inclusive o túlio, raro elemento metálico terroso. Vogel
resumiu sua análise desta amostra como segue: "Não tenho
como explicar o tipo de material que veio parar em minhas
mãos. Na qualidade de cientista, não conheço nenhuma
combinação de elementos que pudesse formar aquele
material. Com quaisquer das tecnologias que conheço, não
teríamos como chegar a tal resultado neste planeta!"

Histórias confirmatórias

Wendelle Stevens compilou uma série de relatos sobre
óvnis, oriundos de fontes independentes, que parecem
apoiar direta ou indiretamente a história de Meier. A seguir,
apresento alguns deles:

1. O pesquisador ufológico europeu Ilse von Jacobi
conseguiu uma carta originalmente enviada de Antakaya,
Turquia, em 8 de março de 1975, por uma turista alemã
chamada Elsa Schroder. Esta carta fora escrita para Sr. Carl
Veit de Wiesbaden, editor de UFO Nachrichten (Noticiário
sobre óvnis). Segundo conta a senhorita Schroder, enquanto
dormia numa tenda com seu namorado, perto da cidade de
Zahedan, Irã, ela foi atraída até o deserto por um som
incomum. Lá ela viu uma mulher em trajes estranhos
fazendo escavações com alguma espécie de máquina. As
duas conversaram em alemão, e a estranha mulher se
identificou como Semjaze ou Semjase, nome usado pelo
contato pleiadiano segundo alegara Meier. Em seguida, ela
partiu voando num "Disco Voador". Supostamente, Meier
nada tinha a ver com esta carta, mas a teoria da conspiração
diria o contrário, é claro.

2. Um homem chamado Horst Fenner relatou que sua
mente foi atraída até a selva próxima a Trinidad, Bolívia,
onde estava pousado um óvni. Ali ele se encontrou com os
ocupantes do óvni, todos de aparência humana, que falaram
com ele em seu alemão nativo por meio de uma máquina de
tradução e lhe disseram que vinham de Próxima Centauri.
Contaram-lhe acerca dos pleiadianos, mencionaram ter um
contato chamado Billy na Suíça e disseram que sua
expedição à Terra era liderada por um homem chamado
Quetzal e sua auxiliar chamada Semjase. Stevens ficou
sabendo disto por uma carta datada de 2 de janeiro de 1976,
de Fenner para um amigo chamado Albers. Albers enviara
cópias desta carta para diversos grupos de estudo ufológicos.
Na certa, a teoria da conspiração sustentaria que esta carta
fora enviada a Stevens pelos conspiradores ligados a Meier.

3. Em Charleston, Carolina do Sul, William Herrmann tem
recebido mensagens de seres que afirmam vir da constelação
Reticulum e pertencer a uma federação chamada "The
Network" (veja páginas 205-07). Numa mensagem de 25 de
agosto de 1981, eles falaram da raça pleiadiana, do Conselho
de Dorado e da Assembléia Horologium. Reticulum,
Horologium e Dorado são três constelações adjacentes no
hemisfério sul. A mensagem reticulana autorizou a gravação
em vídeo de documentos da "Network" e, por volta da
mesma época, Meier recebeu uma permissão semelhante de
seus contatos pleiadianos.
Os reticulanos comentaram sobre uma expedição ao "sistema
estelar Andrômeda". Meier também mencionou
Andrômeda. Os pleiadianos, disse ele, obedecem a
autoridades de lá, que são entidades não-físicas com corpos
feitos de alguma forma de energia. Devo salientar, a este
respeito, os relatos sobre mensagens de óvnis do início da
década de 1950, segundo as quais Andrômeda seria um
mundo de grande avanço espiritual.

4. Meier disse que seus primeiros contatos extraterrestres
foram na infância, sempre envolvendo um homem idoso
chamado Sfath, o qual descia numa nave espacial. Segundo o
que uma certa mulher, L. V, informou a Stevens em 1984,
ela tinha toda uma vida de experiências de contato com
óvnis, desde os seus três anos e meio, em 1945. Àquela
época, ela se encontrou com um homem em seu quintal que
disse se chamar Sfath. Para efeitos de comparação, Meier
afirmou ter tido seu primeiro encontro com Sfath em 1944.
O caso da mulher foi estudado por investigadores em 1979,
mas, àquela época, ela nada sabia a respeito de Meier.
Segundo afirmou, ela só veio a conhecer a história de Meier
em 1984, tendo entrado em contato com a equipe de
Stevens logo em seguida.

Discrepâncias sortidas

Estas histórias, na medida em que sejam verdadeiras,
apresentam paralelos com a história de Meier. No entanto,
também existem discrepâncias dentro desta história.
Segundo a testemunha Herbert Runkel, por exemplo, certa
vez Meier revelou algumas fotografias de San Francisco após
um terremoto, dizendo terem elas resultado de uma viagem
no tempo com Semjase. Mais tarde, contudo, uma pintura
bastante parecida com aquelas fotos foi encontrada na
revista GEO por um dos amigos de Herbert, parecendo claro
que havia sido usada como modelo para as fotos de Meier.
Os pleiadianos, segundo teria alegado Meier, deviam ter
colocado um quadro do futuro verdadeiro na mente do
artista da GEO.AS Neste caso, Meier parece estar mentindo
ou, então, sendo ludibriado por uma fraude.
Embora isto não soe bem, o que chamo de má notícia
começa a vir à tona de fato ao examinarmos de perto as
conversas que Meier disse que teve com Semjase. Após cada
encontro com Semjase, diz Meier, ele voltava para casa e,
com o auxílio das técnicas pleiadianas de transmissão e
gravação de pensamento, fazia anotações precisas de tudo o
que fora falado.
Meier datilografou mais de duas mil páginas de "notas de
contato", salienta Stevens, detalhando suas conversas com
Semjase. Ele chegava a datilografar trinta a quarenta páginas
de uma vez e, "segundo relatam as testemunhas que
observaram a recepção dessas transmissões, a escrita flui
com muita rapidez e em cadência de constância
ininterrupta, do começo ao fim da mensagem".
É surpreendente a boa qualidade literária das notas de
contato de Meier, e o caráter arrogante de Semjase é mais
bem retratado do que os das personagens de muitas das
histórias populares de ficção científica. As notas de contato
também contêm informações científicas atualizadas,
informações bastante precisas para cuja aquisição por vias
normais seriam necessárias visitas regulares a uma boa
biblioteca. Afora o fato de Meier viver na Suíça rural e ter
freqüentado a escola apenas até o sexto ano primário, as
descrições de seu estilo de vida não fazem menção de visitas
a bibliotecas. Portanto, para se justificar a teoria do embuste,
seria necessário haver um bom assistente de pesquisa na
equipe de conspiradores de Meier.
Talvez seja significativo o fato de os dados científicos
constantes nas notas de contato de Meier se ajustarem bem
às mais recentes descobertas científicas publicadas à época,
apesar de nem sempre se ajustarem a posteriores avanços
científicos. Em julho de 1975, por exemplo, Meier alegou
ter sido levado a uma visita a Vênus na nave espacial de
Semjase. Suas notas de contato citam muitas informações
sobre as características da atmosfera e da superfície de
Vênus que são bem compatíveis com os dados então
divulgados a partir de estudos com radar e das sondas
espaciais Mariner e Venera.
Quanto à sua viagem a Vênus, diz Meier: "A paisagem é
inóspita e cheia de crateras. Montanhas não muito altas
podem ser vistas apenas em algumas partes. Num canto, vejo
uma enorme área sem montanhas e cheia de crateras." Isto é
interessante, pois se especulava muito sobre as crateras de
Vênus na época. Hoje em dia, contudo, segundo parecem
demonstrar as imagens por radar da sonda espacial Magellan,
"uma das mais surpreendentes características da topografia
venusiana é a sua nítida falta de crateras".
Como era ligeiro em produzir páginas e páginas de
informação detalhada sem notas de consulta, Meier parece
ter escrito tudo isso em alguma espécie de estado alterado de
consciência. Esta atividade parece ser outro exemplo de
canalização por parte de um contato, podendo ser
comparada à escrita automática relatada em relação a
William Herrmann. No entanto, a fonte de produção de
Meier pode ter sido algo bastante diferente de viajantes
espaciais pleiadianos. Resta saber se tal fonte era a própria
mente subconsciente de Meier ou algum agente externo.
Uma série de pontos nas notas de contato indica não terem
as mesmas se originado de viajantes espaciais sofisticados.
Por exemplo: durante um de seus encontros, Semjase disse a
Meier: "Esta chamada Era de Aquário (também conhecida
como a Era Dourada vindoura) abranda o sofrimento da atual
Era de Peixes, que está para terminar depois de quase dois
mil anos. Esta mudança se baseia na circulação de seu
sistema solar ao redor de um grande sol central uma vez a
cada 25.920 anos. Com isto, a passagem por cada um dos
dozes signos do seu Zodíaco dura cerca de dois mil anos,
com cada um destes signos imprimindo suas próprias
características sobre a humanidade que vive nestes
períodos."
Prosseguiu afirmando que esta mudança de um signo
zodiacal para outro será acompanhada por revoluções e
eventos catastróficos, incluindo terremotos, erupções
vulcânicas, enchentes, a mudança do eixo da Terra e
mudanças climáticas. É curioso o fato de predições desta
natureza serem feitas com freqüência por entidades
ufológicas, além de também ser freqüente testemunhas de
contatos imediatos sonharem com tais eventos. Também é
comum tais predições serem feitas por médiuns, tais como
Edgar Cayce.
Ora, de acordo com os astrônomos, a posição do Sol no
equinócio da primavera (quando dia e noite são iguais)
altera-se devagar contra o pano de fundo das estrelas a uma
média de 50,291 segundos de arco por ano. Esta é a
chamada precessão dos equinócios. O equinócio da
primavera leva cerca de 26 mil anos para fazer um circuito
completo e cerca de dois mil anos para atravessar um signo
do Zodíaco.
Sem dúvida, Semjase estava se referindo à precessão dos
equinócios. Todavia, a estimativa feita por ela de 25.920
anos corresponde a exatamente 50 segundos de arco por
ano, o que dificilmente seria uma coincidência. Isto parece
estranho, vindo de evoluídos viajantes do espaço. Por que
arredondar a taxa de precessão em segundos de arco por ano
e depois convertê-la a um significativo resultado de cinco
dígitos, ou seja, 25.920 anos?
A teoria de Semjase de que o sistema solar orbita ao redor de
um sol central distoa do entendimento moderno de que a
precessão é causada pela atração gravitacional do Sol e da
Lua sobre a saliência equatorial da Terra. Mas acontece que
Sri Yukteswar, o guru de Paramahansa Yogananda, tinha
uma teoria da precessão segundo a qual o sistema solar gira,
na verdade, em torno de um sol central. Como Meier
passara algum tempo vivendo em diversos ashrams na Índia,
ele pode muito bem ter tomado conhecimento desta teoria.
Também encontrei a teoria de precessão do sol central numa
série de outros escritos populares.
Outro número mencionado por Semjase é
311.040.000.000.000. Esta vem a ser a duração de vida de
Brahmã em anos solares, segundo calcula a literatura védica.
O mesmo número é usado de maneira diferente pelos
teosofistas, sendo o uso de Semjase semelhante ao deles.
Semjase também contou a Meier que os pleiadianos
preservam histórias de Hyperboria, Agartha, Mukulia e
Atlântida, continentes e civilizações perdidos muito
estudados pelos teosofistas. Os escritos de Meier parecem
definitivamente conter elementos teosóficos e, conforme
nos informa Stevens, ele era membro de um grupo de
estudos metafísicos que "se reunia com freqüência para
discutir textos teosóficos e metafísicos".

Extraterrestres bíblicos

Segundo diz Meier, ele foi levado pelos pleiadianos para
visitar uma enorme nave-mãe no espaço exterior, tendo
relatado que a citada nave tinha uma população de 144 mil
ocupantes. Decerto, não se trata de coincidência o fato de
144 mil ser o número dos eleitos mencionados no
Apocalipse bíblico. O líder desta nave-mãe era o pai de
Semjase. Este homem disse a Meier: "Chame-me Ptaah, pois
é por este nome que você me reconhece." Mas Ptaah é o
nome do deus-líder da antiga Mênfis no Egito. E, o que é
pior, o título Ptaah se transformou em IHWH, o nome
hebraico de Deus que costuma ser escrito como Javé ou
Jeová.
E quanto a Semjase? Se consultarmos este nome em A
Dictionary of Angels (Um dicionário de anjos),
descobriremos um nome muito parecido, com ortografias
que incluem Semjaza e Semyaza. Este Semjaza foi descrito
em antigos textos hebreus como um anjo caído. Consta da
lista de um grupo de anjos caídos chamados os Guardiões:

Segundo Book of Jubilees, os Guardiões são os filhos de Deus
(Gênesis, 6) enviados do céu para instruir os filhos dos
homens; eles caíram após descerem à Terra e coabitarem
com as filhas dos homens — e devido a este ato foram
condenados (assim diz a lenda) e tornaram-se anjos caídos.
Porém, nem todos os Guardiões desceram: os que ficaram,
os Guardiões santos, residem no Quinto Céu. Os Guardiões
maus residem, ou no Terceiro Céu, ou no Inferno.

Isto combina bem com o relato de Meier dos ensinamentos
de Semjase. Segundo Semjase, os ancestrais dela foram
responsáveis pela origem da raça humana moderna:
Quando nossos ancestrais se estabeleceram na Terra,
encontraram homens das cavernas vivendo sob condições
extremamente primitivas. Alguns destes ancestrais
encontraram fêmeas atraentes entre os primitivos e se
acasalaram com elas. Com este ato, contudo, infringiram
uma lei rígida imposta por seu líder, que queria preservar sua
própria raça hiper desenvolvida como ela era. Apesar de
terem recebido castigo severo, por meio daquele ato foram
produzidos os ancestrais da raça humana presente na Terra
hoje em dia. Naquela época, os produtos desta mistura eram
chamados "Adões", que queria dizer, simplesmente,
"homens da Terra", e suas contrapartidas femininas eram
chamadas "Evas", que significava "portadoras".

Acontece que Meier tem um antigo interesse em assuntos
bíblicos. Ele produziu um livro chamado The Talmud of
Jmmanuel (O Talmude de Immanuel) que, segundo alega
ele, é a tradução de um antigo texto aramaico sobre Jesus
Cristo. (O J em Jmmanuel deve ser pronunciado como um
I.) Jmmanuel, segundo Meier, é o nome próprio de Jesus
Cristo, e o texto é a história de Jmmanuel escrita há cerca de
1.900 anos por Judas Iscariotes. Este texto, disse Meier, foi
descoberto sob a forma de rolos de pergaminho por um
sacerdote ortodoxo grego chamado Isa Rashid. Rashid teria
trabalhado, supõe-se, sob a orientação de Meier numa
tradução para o alemão de alguns dos pergaminhos em
Jerusalém em 1963. Os pergaminhos originais se perderam
durante um ataque israelita a um campo de refugiados
libaneses onde estava Rashid, e o mesmo Rashid foi
assassinado mais tarde.
Meier foi franco em declarar não estar diretamente
apresentando o material que obteve com Rashid. Diz ele: "A
versão alemã representa uma cópia da tradução do aramaico
antigo, mas sob uma forma corrigida por Eduard A. 'Billy'
Meier e codificada segundo exigências da Missão." Segundo
Meier, 80% do "estilo e da estrutura das frases" na obra era
dele e 20% de Rashid.
Talvez alguém indague o que vem a ser a "Missão". De
qualquer modo, o texto apresentado por Meier começa com
a história de como o anjo Semjasa se acasalou com uma
mulher terráquea e gerou Adão. Os anjos são seres do
espaço, e Jmmanuel foi gerado por um deles numa mulher
da Terra (Maria). Segundo o texto, Jmmanuel ensinou uma
filosofia segundo a qual Deus é descrito como o líder de uma
raça de viajantes do espaço. Deus é um ser mortal, e a causa
última do universo não é Deus. Pelo contrário, é a Criação,
um termo usado por Meier para designar o Absoluto
impessoal.

A hipótese da trapaça alienígena

Nesta altura, uma reação natural seria estigmatizar Meier
como uma fraude completa e dispensá-lo de considerações
ulteriores. Contudo, se assim fizermos, poderemos estar
simplificando as coisas demasiadamente. Em primeiro lugar,
existem provas elaboradas apresentadas a favor da história de
contato de Meier. Eu argumentaria que, se tudo isto é
resultado de uma fraude, há um esforço organizado por trás
dela. Todavia, as pessoas nele envolvidas não foram
desmascaradas. Se a teoria da fraude é correta, quem são
estas pessoas, quais são os motivos delas e que mais
poderiam estar tramando?
James Deardorff, professor aposentado de ciências
atmosféricas da Universidade Estadual de Oregon, escreveu
um livro analisando The Talmud of Jmmanuel (TJ). Segundo
salienta Deardorff, este texto se assemelha muito ao
Evangelho de Mateus. Ele selecionou um destacado erudito
do Novo Testamento chamado Francis Beare, tendo
examinado aqueles versículos de Mateus criticados por Beare
pela probabilidade de serem inautênticos. Observou
existirem "cerca de 194 pontos onde Francis Beare foi
logicamente crítico quanto à autenticidade de Mateus, mas
onde os cognatos do TJ não sofrem a mesma crítica". Porém,
houve apenas 51 casos onde o TJ discorda das críticas de
Beare. Baseado nesta observação e em outras, concluiu
Deardorff, o TJ pode muito bem ser um precursor autêntico
do Evangelho de Mateus.
Embora retenha graves dúvidas quanto à autenticidade de
The Talmud of Jmmanuel, eu careço da perícia necessária
para fazer uma avaliação integral dos argumentos de
Deardorff. De fato, eles parecem indicar que, se esse texto é
um embuste, certamente, então, foi produzido por uma
pessoa com conhecimento sofisticado de erudição bíblica.
Isto acrescenta outra dimensão de complexidade à teoria
segundo a qual o caso Meier é uma fraude humana.
Como ainda não ficou provada a teoria da fraude organizada,
devemos estar abertos a outras possibilidades. Uma destas
possibilidades, bastante estudada por Jacques Vallee, poderia
ser chamada a hipótese da trapaça alienígena.
Vallee estudou o contato francês chamado Claude Vorilhon,
cuja história contém uma série de elementos semelhantes
aos de Meier. Vorilhon alega ter se encontrado com
extraterrestres chamados Elohim, os quais lhe deram o
nome de anjo Rael e ensinaram-lhe que haviam criado a raça
humana num laboratório. Estes ETs avançados, discordando
mais tarde de nosso desenvolvimento, dividiram-se em duas
facções lideradas por Jeová e Satã. Segundo também
disseram a Rael, Moisés, Buda e Jesus Cristo eram emissários
extraterrestres. Munido deste conhecimento, Rael acabou
fundando uma religião com cerca de trinta mil adeptos.
(Neste ponto ele difere de Meier, o qual se opôs à idéia de
fundar uma seita baseada em seus ensinamentos.)
Vallee não fez apenas descartar Vorilhon tachando-o de
mentiroso ou tolo iludido. Como, então, se explica a
estranha história de Vorilhon? A sugestão de Vallee foi a
seguinte:

Devemos buscar uma resposta na direção indicada pelo
próprio fenômeno: ele tem elementos humanos; todavia,
parece estranho. É físico em aparência; todavia, também se
comporta como uma projeção do inconsciente. Sugiro que
representa uma tecnologia, como o aparelho de televisão,
capaz de manipular as percepções da mente humana. Temos
a tentação de dizer que Vorilhon teria tido uma experiência
inicial, passando a alucinar mais tarde. (...) Alucinação é um
termo amplo, contudo, e implica que nada na experiência foi
real. Esta não é a minha intenção.
Nesta passagem, "fenômeno" se refere ao fenômeno
ufológico, interpretado por Vallee como sendo um sistema
de controle que intervém em assuntos humanos, mas nos é
desconhecido e talvez desconhecível. Conforme sugeriu ele,
este fenômeno poderia estar propiciando às pessoas
experiências extraordinárias, que, apesar de essencialmente
falsas, seriam mais do que simples ilusões geradas por suas
próprias mentes. Em outras palavras, o fenômeno ufológico
é um enganador.
Conforme uma versão mais concreta desta teoria da trapaça,
existem seres humanóides de verdade que se dedicam a atos
de trapaça. Esta versão traz a vantagem de levar em conta os
primórdios de uma explicação do motivo pelo qual a trapaça
acontece. Como sabemos que os humanos se sentem às
vezes motivados a fazer alguma trapaça, é plausível o fato de
os humanóides dotados de psicologia semelhante também
serem movidos por tais motivos.
A teoria da trapaça pode ser aplicada ao caso de Eduard
Meier como segue. Talvez Meier tenha mesmo tido contatos
com seres alienígenas, cujos óvnis teria fotografado por
influência deles. Ou talvez algumas ou todas as suas fotos
fossem falsas. Mas talvez sua história elaborada — com suas
tantas inconsistências — tenha sido projetada em sua mente
por visitantes alienígenas reais. Isto poderia ter acontecido
durante as sessões em que o observaram datilografando
trinta a quarenta páginas de material detalhado, sem
interrupção e sem consultar notas.
Seria possível descartar como sendo mentirosa a história da
datilografia ininterrupta de Meier. No entanto, existem
muitos casos conhecidos de canalizadores que produzem
grandes quantidades de material, quer através da escrita
automática, quer falando em transe. A história da datilografia
de Meier não é implausível. Resta saber se o material por ele
produzido se originou inteiramente de sua própria mente ou
se houve o envolvimento de uma fonte externa. Embora
seja difícil saber ao certo, é nítida a possibilidade de uma
fonte externa.
Apesar de também se poder explicar o embuste do próprio
Meier com a hipótese da trapaça alienígena, isto parece ser
uma evasiva. Explica-se: se Meier acreditasse piamente na
história que lhe haviam transmitido, ele também precisaria
trapacear de vez em quando a fim de fazê-la parecer mais
verossímil. Foi isto que Zinsstag e Stanford acusaram
Adamski de ter feito, o que é compatível com a natureza
humana.
Estes argumentos não são decisivos, é claro. Porém, contam
com o apoio de um conjunto adicional de provas que se
enquadra no modelo da trapaça externa. Tem-se repetidas
vezes relatado fenômenos paranormais com relação às
atividades de Meier. Segundo consta, Meier teria aparecido e
desaparecido misteriosamente, feito predições mediúnicas,
tido premonições de tentativas de assassinato e manifestado
diversas faculdades paranormais. Embora isto pudesse ser
encarado como outra prova da fraude, é compatível com o
vínculo óvni-fenômeno-psíquico descrito no Capítulo 4
(páginas 75-77). Meier atribuiu estes fenômenos a seus
contatos pleiadianos, mas a hipótese da trapaça seria
atribuída a seres entrando em contato com ele com
segundas intenções.
A hipótese da trapaça alienígena tem implicações
importantes em relação ao que podemos esperar obter como
prova. Suponhamos, para efeitos de argumentação, que seres
superiores a nós em tecnologia ou faculdades naturais
estejam entrando em contato conosco, mas não queiram que
tenhamos provas nítidas de sua existência. Teríamos alguma
chance de obter provas categóricas de que eles existem?
Talvez não. Sem dúvida, não seria de esperar que tais seres
concedessem uma conferência à imprensa nos jardins da
Casa Branca ou encaminhassem um ensaio sobre seus
sistemas de propulsão à Sociedade Americana de Física.

A qualidade das comunicações de óvnis

Passarei a me referir às mensagens que as pessoas dizem
receber de humanóides ufológicos usando a expressão
"comunicações de óvnis". No entanto, esta expressão não se
destina a insinuar nenhuma conclusão em particular sobre a
verdadeira origem dessas mensagens. Fazendo um
rastreamento dessas mensagens, descobrimos tenderem as
mesmas a conter uma considerável proporção de
informações enganosas ou de todo falsas, misturadas com
material que pode ser verdadeiro. Nesta seção, apresentarei
uma série de exemplos para ilustrar esta tendência à
falsidade, a qual é compatível com a hipótese da trapaça
alienígena.
Um dos exemplos envolve uma história relatada ao
investigador ufológico Jacques Vallee por uma mulher que
ele chamou de Helen. Helen viajava com três amigos de
Lompoc, Califórnia, para Los Angeles, no verão de 1968.
Enquanto dirigiam numa área plana e aberta por volta das
três horas, todos os quatro viram uma luz branca no céu
que, movimentando-se de maneira errática, aproximou-se
do carro deles. Com a aproximação, eles perceberam que se
tratava de um objeto branco e cintilante com uma largura de
cerca de seis pistas de auto-estrada. Precipitando-se por
sobre o carro, ele projetou quatro luzes afuniladas sobre os
corpos das quatro testemunhas. Isto fez com que eles se
separassem de seus corpos e saíssem flutuando para fora do
carro, o qual aparentemente prosseguiu estrada afora. Vallee
disse ter, em ocasiões distintas, entrado em contato com
duas das outras testemunhas, cada uma das quais confirmou
esta parte da história.
Sob hipnose, Helen se lembrou de ter sido levada a bordo do
óvni e de ter encontrado um homem vestido de branco que
lhe mostrou um motor espantoso. Ela ficou determinada a
construir uma réplica daquele motor. De fato, este passou a
ser o interesse central de sua vida, e ela abordou Vallee a
princípio a fim de lhe solicitar ajuda para construí-lo. Vallee,
porém, salientou que o motor, conforme o descreveu a
mulher, é de todo inexeqüível.
Uma história semelhante envolve a testemunha ufológica
chamada Sara Shaw, cujo caso foi investigado por Ann
Druffel e o parapsicólogo D. Scott Rogo. A história começou
com uma experiência aterradora envolvendo tempo perdido
numa cabana solitária em Tujunga Canyon, perto de Los
Angeles. Após esta experiência, Sara passou a se interessar
por medicina, chegando a conseguir emprego num hospital.
Enquanto trabalhou ali, um método para curar câncer lhe
ocorreu por meio de uma revelação repentina, que pareceu
vir de alguma fonte fora dela. Tanto quanto no caso de
Helen e do motor, Sara ficou determinada a revelar esta cura
ao mundo.
Ao investigarem a experiência vivida por Sara em Tujunga
Canyon fazendo uso da hipnose, veio à tona um clássico
cenário de rapto por óvni. Além disso, Sara relatou que, a
bordo do óvni, falaram-lhe sobre a cura do câncer.
Infelizmente, a cura do câncer, que se resume em injetar
vinagre nos tumores cancerosos, é um antigo e ineficiente
remédio popular.
Ora, a cura do câncer, seria possível argumentar, de fato
ocorreu a Sara por conta de uma noção em parte esquecida
do remédio popular, e a história do óvni não passou de uma
criação de sua mente inconsciente sob o efeito da hipnose.
No entanto, isto não explica a preocupação dela com esta
cura e o fato de seu fascínio pela medicina ter brotado logo
após sua experiência em Tujunga Canyon.
Também é curioso que, na seqüência da história, Sara tenha
procurado um médico para lhe contar a respeito da cura. Em
dado momento, sua intuição lhe revelou ser um certo Dr.
Allini o médico a ser abordado. Tendo ela lhe falado da cura,
calhou de ele estar mesmo receptivo a estudá-la. De fato, ele
disse já ter ouvido falar dela por intermédio de um homem
da região, que alegava tê-la recebido de entidades ufológicas.
Logo, parecemos ter duas histórias independentes nas quais
a mesma e ineficaz cura de câncer teria sido divulgada por
seres oriundos de óvnis.
Mas por que deveriam seres voando por aí em veículos de
alta tecnologia fazer com que as pessoas desenvolvessem
interesses preponderantes em motores impossíveis e curas
ineficazes? Seja qual for o motivo, conforme sugerem certas
provas, tais seres fazem, de quando em quando,
apresentações bastante elaboradas de informações
disparatadas. Um exemplo disto é o caso de rapto de William
Hermann (veja páginas 205-07).

Geringonças técnicas

A história de William Herrmann parece um produto híbrido
da história de Meier e de casos de rapto americanos
envolvendo aparentes exames médicos feitos por
humanóides olhudos. Assim como Meier, Herrmann tirou
umas tantas fotografias nítidas de óvnis, que pareciam posar
para a máquina dele. Assim como Meier, ele também foi
convocado, por meio de telepatia, para contatos com óvnis.
Hermann disse ter experimentado uma "fresca sensação de
afago em sua testa" durante a comunicação telepática. Para
efeito de comparação, o jornalista Gary Kinder citou Meier
falando da sensação de "brisa passando pela testa"
proporcionada pela telepatia. Esta última coincidência, de
tão surpreendente, não deixa passar despercebido o fato de
Wendelle Stevens ter investigado ambos os casos.
Conforme alega Hermann, os seres que entraram em
contato com ele em 1979 se identificaram como sendo
oriundos das estrelas Zeta l e Zeta 2 da constelação
Reticulum. Eles teriam feito isto transmitindo informações a
Hermann por intermédio da escrita automática.
Àquela época, estas estrelas estavam no auge da fama entre
os círculos de estudos ufológicos em conseqüência do
célebre mapa estelar relatado por Betty Hill. Após o rapto do
caso Hill, ocorrido em 19 de setembro de 1961, Betty Hill se
recordou de ter sonhado com um mapa estelar afixado numa
parede do óvni. Neste mapa estaria incluída a estrela natal
dos alienígenas. Hipnotizada, Betty desenhou este mapa
estelar pela primeira vez em 1964. Em 1966, Marjorie Fish,
professora secundária de brilhante capacidade intelectual,
iniciou um processo de modelagem dos padrões estelares da
vizinhança da Terra a fim de identificar o padrão
representado pelo mapa de Betty Hill. No início do outono
de 1972, ela concluiu que a base natal constante no mapa
devia ser Zeta l ou Zeta 2 da constelação Retícula. Esta
descoberta foi publicada na edição de julho de 1973 de Saga
e na edição de janeiro de 1974 de Pursuit. Foi também
discutida na edição de dezembro de 1974 da revista
Astronomy.
Em suas observações de 3 de novembro de 1975, Eduard
Meier menciona o fato de Semjase ter se encontrado com
seres de Zeta da constelação Reticulum. Se, de sua aldeia
rural suíça, Meier estava atualizado em ufologia americana,
ele pode muito bem ter ficado sabendo das descobertas de
Marjorie Fish sobre o mapa estelar de Betty Hill a tempo de
incorporá-las em suas histórias de contato em 1975.
Evidentemente, se Meier estava mesmo em contato com
alguns seres do outro mundo, é possível que eles estivessem
atualizados em ufologia americana.
Voltemos a Hermann, que era cristão fundamentalista e
mecânico de automóveis. Como ele veio a mencionar Zeta
de Reticulum? Ele jurava não ter se interessado em óvnis
antes de suas experiências de contato imediato e, caso isto
seja verdade, não deve ter ouvido falar do mapa estelar de
Betty Hill. No entanto, ele pode ter ouvido falar do mapa
estelar em conversas com investigadores ufológicos após seu
rapto em março de 1978. Pode-se, então, aventar a hipótese
de a informação ter aflorado de seu inconsciente durante sua
escrita automática.
Contudo, as mensagens que Hermann recebeu dos
reticulanos têm de fato uma série de estranhas características
difíceis de serem justificadas pela hipótese de terem sido
inteiramente produzidas por sua mente. Eis um trecho de
uma das mensagens:

Tecnologia reticulana
Hipótese da propulsão evolucionária:
Uma combinação da manipulação do equilíbrio gravitacional
pela conversão eletromagnética de energia-massa dentro de
um campo unificado de fusões de partículas positivas e
negativas de feixes de luz (...) usando energia cinética e
eletricidade estática aproveitada, ocorre uma conversão que
aumenta o fluxo de energia para dentro da câmara de força
coesiva de onda eletromagnética (...) resultando, assim, em
base de flutuação de ação/reação. O efeito da manipulação
mantém-se pelos contínuos aumento e diminuição da onda
eletromagnética MPS (manipulação por seqüência).

Segundo Stevens, este tipo de afirmação é de todo
inadequado para uma pessoa com a formação de Hermann.
Logo, é possível que envolva algo além do próprio
inconsciente de Hermann.
Ao mesmo tempo, a mensagem não parece ser autêntica
enquanto informação técnica. Se quiséssemos transmitir
conhecimento técnico utilizando este tipo de vocabulário, a
única forma racional de fazê-lo seria mediante definições
graduais de termos inteligíveis para a audiência, mas não é
isto o que vemos aqui. A mensagem faz lembrar o motor
impossível de Helen ou a ineficaz cura de câncer de Sara.
Até parece que alguém tinha algum motivo para estar
transmitindo geringonças técnicas a Hermann. Pode-se
postular, ainda, uma mensagem significativa sendo
deturpada ao ser transmitida por intermédio da mente de
Hermann. Mas seria de esperar que os seres inteligentes
responsáveis pela transmissão tivessem conhecimento de tal
distorção e fossem capazes de corrigi-la.
Boa parte desta geringonça faz uso de conhecimento técnico
do tipo que se poderia consultar em vários livros de
referência. Numa mensagem, por exemplo, há fórmulas
matemáticas complicadas e referência à
"EXCENTRICIDADE DE ÓRBITA: 0,0167". De fato, de
acordo com livros didáticos de astronomia, a excentricidade
da órbita da Terra é 0,0167.
Parece improvável que Hermann viesse a deparar com um
dado destes, a não ser que estivesse estudando astronomia.
Em seus escritos e em entrevistas gravadas em vídeo, ele
aparenta ser uma pessoa sincera do tipo incapaz de consultar
livros didáticos só para arquitetar uma história falsificada. Ao
mesmo tempo, parece duvidoso o fato de viajantes espaciais
alienígenas terem usado, em seus cálculos, este dado
específico. Restam-nos, portanto, as alternativas de fraude
por parte de Hermann ou de fraude por parte dos seres que
se comunicaram com ele.
Sem dúvida, alguns dos pontos técnicos constantes nas
mensagens não foram extraídos de livros didáticos atuais.
Em meados dos anos 70, por exemplo, alguns astrônomos
sustentavam que Zeta l e Zeta 2 estão a 36,6 anos-luz da
Terra. Em contraste, as mensagens transmitidas a Hermann
mencionam mais de uma vez uma distância de 32 anos-luz.
Outro ponto curioso: as mensagens dos reticulanos a
Hermann se referem repetidas vezes a uma organização por
eles chamada de "the Network" (a Rede). Ora, a palavra
reticulum quer dizer "rede" em latim. Logo, o criador da
história reticulana de Hermann, seja ele quem for, parecia
ter noção desses sutis detalhes lingüísticos. Isto soa um tanto
estranho, quer para um mecânico de automóveis da Carolina
do Sul, quer para alienígenas de outro planeta.
Há uma história curiosa por trás da expressão "manipulação
por seqüência" (MPS) na mensagem reticulana citada acima.
Esta expressão consta de notas, datadas de 10 de setembro
de 1985, sobre uma entrevista telefônica entre o
investigador ufológico James McCampbell e o físico Paul
Bennewitz. Bennewitz investigava atividades ufológicas na
área de Albuquerque, Novo México, e, segundo se comenta,
ele teria sido desencaminhado por desinformações acerca de
óvnis espalhadas por agentes do governo (veja páginas 137-
42).
Nas notas apresentadas por McCampbell, Bennewitz refere-
se à expressão MPS dizendo que, no caso das naves
alienígenas, "as MPS mudam de freqüência a intervalos
regulares". Compare isto à referência de Hermann aos
"contínuos aumento e diminuição da onda eletromagnética
MPS".
Existem outras coincidências óbvias entre as afirmações de
Bennewitz e Hermann. Herrmann disse ter observado os
veículos reticulanos movimentando-se em padrões
triangulares, e também disse terem os reticulanos lhe
explicado, durante o rapto, que faziam aquilo para evitar
efeitos prejudiciais de radares militares americanos.
Bennewitz alegou ter fotografado os óvnis enquanto estes
voavam em padrões triangulares ou quadrangulares, fazendo
voltas de ângulo agudo num vigésimo de segundo.
Conforme disse ainda, radares de alta potência podem
interferir nesses óvnis. Alguns dos alienígenas, mencionou
ainda, seriam oriundos de Zeta da constelação Reticulum e
viriam de distâncias "até ou acima de 32 anos-luz". Assim
como Herrmann, ele também afirmou que eles faziam parte
de uma federação chamada "The Network".
Esta informação parece estabelecer um sólido elo entre
Hermann e o material atribuído a Bennewitz. Eis algumas
possíveis explicações para isto: (1) Bennewitz, ou algum
desinformante em contato com ele, copiou as informações
de Herrmann (cujas declarações precediam às de
Bennewitz), (2) tanto Bennewitz quanto Hermann foram
vítimas do mesmo grupo de desinformantes, ou (3) existe
alguma ligação entre os raptores de Hermann e os
alienígenas estudados por Bennewitz. É difícil dizer qual é a
alternativa correta.
Em todo este capítulo, uma hipótese que tem sempre estado
em segundo plano é aquela segundo a qual o conteúdo das
aparentes mensagens de entidades ufológicas está de fato
sendo transmitido à sociedade humana por meios comuns.
Analisemos com mais minúcia a idéia de acidentes com
óvnis induzidos por radares a partir deste ponto de vista.
É um pouco difícil desembaraçar o histórico e possível
gênese dos acidentes induzidos por radares. Um artigo de
um jornal de Kansas, The Wyandotte Echo, de 6 de janeiro
de 1950, apresentava uma versão da explicação para a
interferência de radares em acidentes de discos voadores.
Segundo dizia o artigo, "como parecem colidir quase sempre
perto de instalações de radar, são atraídos, supõe-se, por
radares, ou talvez as ondas de radar interfiram em seus
sistemas de controle". De acordo com William Moore, a
história de The Wyandotte Echo pode ser atribuída a amigos
de Silas Newton, que serviu de fonte de informação para o
controvertido livro de Frank Scully, Behind the Flying
Saucers. Este livro, publicado em 1950, estudava uma colisão
de óvni que teria ocorrido em 1948.
A história do radar também aparece num memorando que
teria sido enviado de Guy Hottel para o diretor do FBI em
22 de março de 1950. Nele, havia uma descrição, um tanto
artificial de três discos voadores de quinze metros de
diâmetro, cada um deles contendo três corpos humanóides,
que haviam sido resgatados pela Força Aérea no Novo
México. E prosseguia dizendo:
De acordo com o Sr... informante, os discos foram
encontrados no Novo México devido ao fato de o governo
ter uma possante instalação de radar naquela área —
acredita-se que o radar interfere no mecanismo de controle
dos discos.
Nenhuma outra avaliação foi feita por SA (apagado) com
respeito ao exposto acima.

Este memorando, conforme outra alegação de Moore, pode
estar vinculado a The Wyandotte Echo, embora isto pareça
duvidoso em vista de o artigo do jornal falar de dois discos
voadores com dois corpos em cada um. De qualquer modo,
a história de acidentes induzidos por radares parece
remontar a 1950.
Durante o primeiro rapto por óvni de Hermann, em 1979,
seus captores lhe disseram, segundo relatou, que algumas de
suas naves espaciais eram sensíveis a radares.
Aparentemente, algumas de suas naves perderam o controle
e colidiram porque a interferência dos radares danificou os
computadores a bordo das mesmas. As entidades disseram a
Hermann que isto acontecera pela última vez cerca de trinta
anos antes da data de seu rapto. Como o rapto ocorreu em
1979, isto significa que a última colisão fora em 1949. Isto
vincula a história de radar de Hermann às histórias
relacionadas a colisões de óvnis por volta de 1948.
Teria a história de Hermann se originado destas primeiras
histórias através dos meios de comunicação comuns? Sendo
a história por certo obscura, teríamos de supor a hipótese de
Hermann ter ficado sabendo dela por algum investigador
ufológico irresponsável (ou por outra pessoa interessada no
assunto) e depois tê-la forjado em seu próprio relato. Ou,
então, teríamos de supor que, contrariando seu depoimento,
Hermann lera bastante sobre óvnis.
A idéia da colisão induzida por radar se manifesta em outra
história de contato imediato. Em 3 de dezembro de 1967, às
2h30, um oficial de polícia chamado Herb Schirmer viu um
estranho objeto iluminado à sua frente numa estrada. Ao
acender o farol alto de seu carro na direção do objeto,
Schirmer relatou ter visto um disco voador decolando. Após
o comitê Condon ser informado deste relato, foram tomadas
providências para hipnotizar Schirmer. A hipnose revelou
uma experiência complexa, na qual certos seres se
aproximaram de Schirmer em seu carro para levarem-no a
bordo do óvni. Ali, os seres lhe disseram muitas coisas
bizarras, inclusive que a nave deles funcionava à base de
eletromagnetismo de inversão, que eles extraíam energia de
reservatórios d'água e que suas naves haviam sido derrubadas
por radares. É interessante o ponto de vista de Jacques
Vallee a este respeito: para ele, isto seria um truque de
desinformação por parte dos seres ufológicos.
Para piorar as coisas, os seres, disse Schirmer, vestiam
macacões com o emblema de uma serpente alada. Da mesma
forma, os seres vistos por William Hermann traziam uma
figura metálica estampada no lado superior esquerdo de seus
uniformes inteiriços. Era a imagem de uma serpente alada.
Além disso, Filiberto Cardenas e sua esposa relataram ter
visto o emblema de uma serpente no lado superior direito
dos uniformes usados por seus captores.
Acaso também estariam circulando histórias de emblema de
serpente e sendo incorporadas a relatos sobre óvnis de
testemunhas tidas como honestas? O que motivaria alguém a
adotar essas histórias sem sentido e mentir a respeito delas?
Conforme se poderia argumentar, as pessoas as ouvem,
esquecem-nas e mais tarde fazem-nas brotar de seu
inconsciente. Mas por que estas histórias arbitrárias exercem
tamanho impacto sobre o inconsciente das pessoas, a ponto
de conseguirem lhes anular a capacidade de discriminar
entre imaginação e realidade?
Outra história de radar surge no caso do segundo-sargento
Charles L. Moody da Força Aérea americana, que teve um
contato imediato com um óvni em 13 de agosto de 1975,
perto de Alamogordo, Novo México (página 272). Por um
período de dois meses, Moody foi se lembrando aos poucos
de um rapto típico por seres do clássico tipogray. Entre
outras coisas, estes seres lhe disseram, segundo relatou, que
o radar interfere em seus dispositivos de navegação.
É impossível saber ao certo como estão sendo transmitidas
estas histórias. Algumas delas talvez sejam de todo
verdadeiras, mas aquelas que são falsas não se devem
necessariamente a mentiras e delírios humanos. A opção de
Vallee também é uma possibilidade. É concebível, por
exemplo, o fato de uma história de radar, fruto da
imaginação humana e datada de 1950, ter sido transmitida a
Hermann, Schirmer e Moody por verdadeiros seres não-
humanos, talvez como parte do próprio plano de
desinformação deles. Isto seria compatível com o uso de
citações de livros de astronomia em comunicações com
Hermann.
Seria possível perguntar o motivo para seres humanóides
pretenderem espalhar desinformação à respeito deles
mesmos. Segundo uma possível resposta, o ato de
desinformar tem a função de pôr um assunto em descrédito.
Se "eles" pretendem ocultar suas atividades, então, a difusão
de histórias ridículas sobre eles mesmos é uma forma muito
prática de consegui-lo.
Para resumir esta subseção, pode-se sempre descartar
Hermann como sendo fraudulento ou vítima sugestionável
de manipuladores humanos. Também existe, porém, a
possibilidade de que ele estivesse relatando uma história
autêntica de suas experiências. Talvez Hermann tenha
mesmo tido um encontro com seres estranhos navegando
óvnis. Sendo assim, estes seres parecem ter apresentado a
ele comunicações disparatadas fazendo uso de material —
parte dele bastante obscura — tomado emprestado da
cultura terráquea.

A teoria da intervenção genética

Pelo material que acabo de analisar, podemos fazer alguma
idéia da qualidade e nível de veracidade das comunicações
de óvnis. Nesta seção e na seguinte, eu gostaria de analisar
alguns dos temas específicos que surgem repetidas vezes
neste material. Começarei voltando à história de Meier,
segundo a qual os extraterrestres teriam criado os humanos
modernos acasalando-se com os povos primitivos existentes
na Terra. A teoria da criação da humanidade por alguma
espécie de manipulação genética extraterrestre se manifesta
repetidas vezes em comunicações relacionadas a óvnis,
estando vinculada a histórias atuais de manipulação genética
de humanos por parte de entidades ufológicas.
Segundo alguns eruditos, pode-se encontrar a teoria da
intervenção genética em antigos textos hebreus e sumérios.
Como argumenta o geólogo Christian O'Brien, por exemplo,
estes textos descrevem uma raça de seres chamada os
Brilhantes — sua tradução para a palavra hebraica Elohim.
Estes seres criaram os humanos modernos a partir de formas
humanas primitivas por meio da manipulação genética.
Alguns destes seres, chamados Guardiões, acasalaram-se
com os humanos, o que os Brilhantes consideraram um
crime. Um dos Guardiões chamava-se Shemjaza (lembre-se
da Semjase de Meier), e Jeová era um dos Brilhantes.
Segundo argumenta O'Brien, os Brilhantes, apesar de
superiores, eram seres mortais de origem desconhecida.
O erudito israelita Zecharia Sitchin se baseou em antigos
textos sumérios e babilônios para argumentar que os seres
humanos modernos foram criados por viajantes do espaço
chamados os Nefilim, que teriam se acasalado com eles e se
desentendido sobre o que fazer com os mesmos. Segundo
Sitchin, os Nefilim criaram os humanos fazendo
modificações genéticas no Homo erectus.
O'Brien e Sitchin basearam suas idéias em antigos textos do
Oriente Próximo. Porém, em 1950, o Papa Pio XII
apresentou uma idéia muito semelhante ao fazer uma
aparente tentativa de conciliar a evolução com a Bíblia. Ele
decretou ser aceitável para os católicos o fato de o corpo
humano ter evoluído de outra matéria viva já existente.
Sustentou, no entanto, ser essencial que os católicos
continuem acreditando no fato de os humanos atuais serem
descendentes de Adão e Eva, visto que, de outra forma, a
doutrina do pecado original deixaria de existir. Subentende-
se daí que Adão e Eva resultaram da intervenção divina, mas
que todos os demais organismos, inclusive os primatas,
evoluíram à maneira darwiniana.
A teoria da intervenção genética tem aparecido nas histórias
que circulam sobre óvnis e o governo americano. Segundo
alega a pesquisadora ufológica americana Linda Howe, uma
versão desta teoria fazia parte de um "informativo
presidencial" mostrado a ela pelo agente Richard Doty, do
Departamento de Investigações Especiais da Força Aérea.
Segundo este documento, os extraterrestres em contato com
o governo americano têm vindo à Terra em diferentes
épocas para manipular o DNA em primatas terrestres.
Supostamente, isto foi feito há 25.000, 15.000, 5.000 e
2.500 anos. Além disso, há dois mil anos os extraterrestres
criaram um ser, que foi "colocado nesta Terra para ensinar o
amor e a não-violência à humanidade"
Doty negou publicamente o fato de ter mostrado
semelhante documento a Linda Howe, e a história da
manipulação genética continua pertencendo ao âmbito dos
boatos e da desinformação. Mas de onde se originou a
história?
A teoria da intervenção genética também vem à tona por
intermédio de uma variedade de comunicações canalizadas
relacionadas a óvnis. Isto poderia indicar o fato de a idéia
exercer um forte poder sobre as mentes das pessoas,
tendendo, portanto, a emergir do inconsciente. Ou talvez
esteja de fato sendo comunicada a canalizadores a partir de
uma fonte externa. Uma combinação destas possibilidades
também poderia ser válida.
Eis um exemplo em que a teoria emerge de uma
comunicação canalizada. A médium Carla Rueckert
produziu elaboradas comunicações em estado de transe
atribuídas à entidade Ra, um "complexo de memória social"
que visitara a Terra em naves espaciais na época do Egito
antigo. A história de Ra para as origens da humanidade pode
ser resumida como segue:

A guerra em Marte fez com que aquele planeta se tornasse
inóspito e sua população humana morresse. O grupo "Jeová"
produziu humanos do tipo moderno na Terra 75 mil anos
atrás, clonando material genético a partir dos marcianos
mortos. Os primeiros humanos modernos na Terra
apareceram nesta época; metade deles se originou dos
marcianos; a outra metade, de bípedes nativos semi-eretos, e
um quarto deles veio de outros planetas.

As comunicações de Ra declaravam ser o grupo Jeová uma
força-tarefa de extraterrestres avançados. A teoria da
intervenção genética apresentada aqui se assemelha a outras
que temos visto, mas contém diferenças, tais como a
referência aos marcianos. Isto é típico de comunicações de
óvnis e mensagens canalizadas. Embora determinados temas
surjam repetidas vezes, todas as histórias tendem a diferir
entre si nos detalhes.
A teoria da intervenção genética remonta pelo menos ao
começo dos anos 50. Naquela época, Ralph M. Holland,
engenheiro morador de Cayahoga Falls, Ohio, disse ter
entrado em contato com viajantes espaciais humanóides que
chamou de Etéricos. Estes seres diziam viver num plano de
existência etérica. Segundo Holland, eles lhe contaram que
haviam criado a raça humana da seguinte maneira:

Ao virem pela primeira vez ao plano físico de seu planeta,
estes grupos descobriram que seus corpos físicos não eram
de todo adaptados ao ambiente. Empenhando-se para
melhorar a situação, eles passaram a desenvolver um corpo
físico mais bem adaptado mediante a reprodução seletiva e a
hibridação. A escolha final foi a raça ancestral das atuais
raças adâmicas, resultante de um cruzamento entre as
próprias Raças Antigas e um certo animal parecido ao
homem nativo de seu planeta.

Linda Howe apresenta um caso de rapto em que se
manifesta a teoria da intervenção alienígena. É o caso de
uma mulher de New Jersey chamada A. Allen, uma mestiça
americana (filha de negro com índia). Sob hipnose, ela se
lembrou de ter tido um contato com um ser masculino de
dois metros de altura cujos olhos tinham pupilas de corte
vertical. Segundo declara Howe, esta mulher "acredita que
os Homo sapiens foram originalmente criados para ser a
mão-de-obra de alguém mais na Terra, e incumbidos de
extrair minerais e fazer o esforço físico para uma raça de
seres altos que vêm ceifando este planeta em busca de eões
(seres imaginários do gnosticismo).
Quando perguntei a Howe de onde a mulher teria tirado
estas idéias, ela disse que as mesmas afloraram durante as
sessões de hipnose realizadas para investigar seu rapto. A
mulher, arrematou Howe, não era instruída nem tinha o
hábito de ler. Entretanto, a idéia de os humanos terem sido
criados para serem mineiros aparece no livro The 12th
Planet (O 12° planeta) de Zecharia Sitchin. O detalhe dos
mineiros pode ser um elo entre a história de Allen e o livro
de Sitchin.
Meu último exemplo da teoria da intervenção genética
encontra-se no livro The Watchers, de Raymond Fowler.
Neste livro, Fowler pergunta: "O homem de Cro-Magnon
foi colocado na Terra intacto ou foi o resultado de uma
transformação genética do homem de Neandertal feita por
seres alienígenas?" Esta idéia especulativa se fundamenta nas
provas, por ele reunidas, de um elemento genético
constante em relatos sobre raptos por óvnis, aliadas à tão
conhecida idéia de que o homem de Cro-Magnon teria de
súbito substituído o homem de Neandertal. Além disso,
Fowler registra as passagens bíblicas sobre os "Filhos de
Deus", que acharam as filhas do homem bonitas e com elas
se acasalaram, produzindo "homens poderosos, homens de
renome".
Fowler chamava os extraterrestres de os "Guardiões" e
especulava quanto ao fato de estes terem se preocupado com
a raça humana desde os seus primórdios. Fowler adotou este
termo a partir de seu extenso estudo da contato Betty
Andreasson, cujos raptores, conforme afirmou, referiam-se a
si mesmos como "Guardiões". A manipulação genética dos
humanos é um tema saliente nos relatos sobre rapto de
Andreasson.
Todas estas versões da teoria da intervenção genética
compartilham elementos comuns encontrados nas tradições
culturais da humanidade — neste caso, tradições registradas
nos livros apócrifos da Bíblia e na mitologia suméria. Apesar
de ser enigmático o fato de esta teoria estar sempre
aflorando em histórias de contato com alienígenas, eis
algumas possíveis razões para isto: (1) Isto acontece porque a
teoria da intervenção genética tem um estranho atrativo
psicológico que induz as pessoas a imaginarem seres
alienígenas lhes falando a respeito dela. (2) Acontece porque
uma conspiração de sinistros desinformantes está difundindo
a teoria. (3) Acontece porque as entidades ufológicas
extraem a teoria da intervenção genética da cultura humana
e a usam para o seu próprio programa de condicionamento
da sociedade humana. (4) Por ser a teoria um retrato
verdadeiro de nossas origens, as entidades a estão
apresentando a nós como tal.
A opção (1) goza de certo apoio. A teoria da intervenção
genética é uma nítida solução conciliatória para o conflito
entre a teoria da evolução de Darwin e o criacionismo
bíblico. Por este motivo, poderia ter atrativo intelectual para
muitas pessoas. Mesmo assim, isto não explica o motivo da
experiência das pessoas que dizem ter ouvido os seres
alienígenas falando a respeito da teoria.
A opção (2) também não explica a razão para as pessoas
relatarem tais experiências. No entanto, as opções (3) e (4)
têm uma explicação para isto. A rigor, a opção (4) não pode
ser verdadeira, visto existirem muitas versões divergentes da
teoria da intervenção genética, e nem todas elas podem ser
corretas. Resta-nos a opção (3).
Temos, no caso de Betty Andreasson, outro exemplo de
experiência relacionada a óvnis que é compatível com a
opção (3). Quando aplicaram a hipnose para investigar o
rapto de Betty ocorrido em 1967, ela se lembrou de ter sido
levada num óvni para um túnel perfurado em rocha sólida.
Este túnel dava numa estranha paisagem com vista para um
oceano, uma cidade distante e uma pirâmide encimada por
uma "cabeça egípcia". Duas entidades a conduziram ao longo
de uma pista elevada até um lugar onde ela viu a
representação vivida do mito egípcio da Fênix, ave gigante
que se auto-consome com o fogo para depois renascer das
cinzas.
Esta experiência teve fortes implicações religiosas, e Betty
Andreasson é uma cristã fundamentalista. No entanto, a
história da Fênix não é usada por fundamentalistas
modernos, muito embora o fosse pelos cristãos antigos.
Portanto, o motivo Fênix teria sido escolhido pelas entidades
visitantes, e não pela mente consciente ou inconsciente de
Andreasson. Para defender esta idéia, Fowler salientou o
fato de a representação da história da Fênix recordada por
Andreasson envolver pequenos detalhes que fazem parte do
mito egípcio original, mas que não são muito conhecidos
(como o fato de uma lagarta emergir das cinzas, e não uma
avezinha).

Desastres e mais genética

Um tema comum em comunicações de óvnis é o fato de os
seres humanos estarem correndo perigo de algum desastre
terrível provocado pela natureza ou por seus próprios atos.
Este tema tende a se intercalar com o tema da manipulação
genética. Nesta seção, analisarei estes temas com o objetivo
de aprofundar a compreensão dos motivos por trás das
comunicações de óvnis e suas possíveis fontes.
Desastres envolvendo a atmosfera da Terra são mencionados
repetidas vezes em comunicações de óvnis. Whitley
Strieber, por exemplo, disse que lhe mostraram
"representações gráficas da morte da atmosfera, isto para não
mencionar o planeta inteiro simplesmente explodindo". Os
contatos reticulanos de William Hermann, segundo ele,
informaram-no que o campo magnético da Terra estava
decaindo e que a radiação proveniente do espaço logo
causaria danos aos organismos vivos.
O comunicador Ra, usando um estilo mais filosófico, falou
de uma transição vindoura da Terra na qual ela não seria
mais habitável por seres com a chamada "terceira densidade"
de corporificação grosseira. Isto envolve uma crise
acompanhada de rupturas na "vestimenta externa" da Terra
— presumivelmente, a atmosfera. Em 1953, um médium
chamado Mark Probert fez a seguinte declaração numa
comunicação em estado de transe sobre os óvnis e seus
ocupantes: "O seu perigo atual, por ora mitigado pelos
Guardiões, jaz no colapso progressivo dos éteres superiores,
i.e., da ionosfera."
Conforme podemos ver em outras comunicações de óvnis,
estas declarações sobre a atmosfera têm uma qualidade
surreal. Parecem ser expressas mais em simbolismo onírico
do que em linguagem científica objetiva. A declaração de
Probert soa como a mais realística de todas, embora a
camada de ozônio, que julgam estar se rompendo hoje em
dia, se encontre abaixo da ionosfera. A declaração foi feita
em 1953, bastante tempo antes da época das controvérsias
sobre a camada de ozônio do início dos anos 70. As outras
declarações sobre a atmosfera foram feitas, é claro, durante
ou após este período.
Há quem ache comunicações canalizadas como a de Probert
dúbias e indignas de serem mencionadas. Não obstante, elas
podem ter uma relação importante com mensagens
recebidas durante contatos com óvnis porque (1) elas
costumam ter conteúdo semelhante e (2) ocorre canalização
em alguns casos de contato com óvnis. Talvez seja
significativo o fato de muitas das coisas mencionadas em
comunicações de óvnis atuais também terem sido
mencionadas em comunicações canalizadas do início da
década de 1950. Dois outros exemplos disto são a teoria da
intervenção genética e a idéia de que radares podem fazer
com que os óvnis colidam.
Os perigos da poluição causada pelo homem e dos testes
nucleares são mencionados com freqüência em
comunicações de óvnis. Estes tópicos afloraram, por
exemplo, num caso de contato imediato ocorrido em maio
de 1973 perto de Houston, Texas. A testemunha, Judy
Doraty, dirigia seu carro acompanhada de quatro familiares.
Todos os cinco se lembraram de ter visto no céu uma luz
muito brilhante que seguia o carro. Os familiares se
lembraram de Judy estacionando o carro no acostamento da
estrada e caminhando para a sua traseira, para depois voltar,
entrar de novo no carro e se queixar de sede e náusea.
Voltaram para casa com aquela luz ainda seguindo o carro e,
ao chegarem, todos eles assistiram a ela realizando estranhas
cabriolas no céu. Descobriram ter perdido cerca de uma
hora e quinze minutos.
Esta lacuna de tempo foi apurada por meio de uma sessão de
hipnose administrada em 3 de março de 1980 pelo Dr. Leo
Sprinkle, então diretor da Divisão de Consultoria e Testes da
Universidade de Wyoming. Sprinkle também submeteu a
mulher a testes psicológicos, através dos quais constatou ser
ela perfeitamente normal. Sob hipnose, Judy Doraty revelou
informações comunicadas por entidades, num óvni que ela
visitou, por meio de uma experiência extracorporal.
Enquanto retalhavam um bezerro, as entidades explicaram
estar fazendo aquilo para monitorar a progressiva poluição
do meio ambiente. Segundo disseram as entidades, os
humanos acabarão se destruindo através da poluição.
Disseram ainda que os testes nucleares, inclusive os testes
no espaço exterior, estão ocasionando efeitos muito nocivos
à Terra.
É comum testemunhas de contatos imediatos dizerem que
foram advertidas dos perigos da poluição desencadeada pelo
homem, inclusive a poluição causada pelos testes nucleares.
Todos nós sabemos da existência destes perigos, é claro.
Logo, talvez por estar sob o efeito da hipnose, Judy Doraty
estivesse externando preocupações em torno da poluição e
dos testes nucleares em seu depoimento. Contudo, este
depoimento contém características curiosas corroboradas
por outros relatos sobre óvnis. Por exemplo: os seres
disseram que as perigosas atividades da humanidade afetam
outros seres não especificados:

Doraty: Se continuarmos agindo como fazemos agora, o
perigo vai afetar não somente a nós, mas possivelmente a
outros também... e eles estão tentando conter algo que
poderia provocar uma reação em cadeia. E que talvez os
comprometa. Não sei.
Sprinkle: Eles disseram que tipo de reação em cadeia é esta?
Doraty: Não, apenas que ela compromete... não somos os
únicos preocupados.
Sprinkle: Eles dizem quem mais está comprometido?
Doraty: Não.
Sprinkle: Acaso falam de suas origens, de onde vêm?
Doraty: Que foram designados para vir aqui.
Sprinkle: À Terra?
Doraty: Não sei.

Este assunto também aflorou num caso estudado pelo Dr.
James Harder, professor de engenharia civil na Universidade
da Califórnia em Berkeley e tarimbado pesquisador
ufológico. Pat Price, a principal testemunha do caso,
lembrou-se de ter se sentado em frente a uma escrivaninha a
bordo de um óvni e conversado com o "líder" por telepatia.
Eis parte da conversa, conforme foi lembrada sob hipnose:

Price: Bem, (pausa) ele desenhou um círculo para mim,
mostrou-me umas linhas e me disse: "As pessoas podem
coexistir... e não saber disso."
Harder: Que tipo de linhas ele desenhou no círculo?
Price: Linhas paralelas.
Harder: Que você acha que ele quis dizer com isto?
Price: Ele disse: "O que fizermos, de maneira destrutiva, os
afetará também." (Suspiro.) Eu não sei sobre o que ele estava
falando... só sei que me apavorou.
Se nossas atividades "os" afetam, é bem possível que alguns
deles vivam aqui na Terra. Esta idéia se manifesta no
depoimento de Doraty, e Betty Andreasson também faz
menção explícita dela em seu depoimento. Eis uma
transcrição de uma sessão de hipnose na qual entidades
alienígenas parecem estar falando por intermédio da voz de
Betty Andreasson, usando-a como uma espécie de canal ou
médium espírita. Além de falar de muitas raças de seres
visitantes que trabalham em cooperação, ela salienta que
algumas dessas raças vivem na Terra:

Entrevistador: Betty, eles têm inimigos como nós?
Betty: Existe um planeta que é hostil, e também muitos
homens são hostis, só porque não compreendem. (...)
Entrevistador: Betty, existem muitos clãs ou raças visitando a
Terra no momento e vindos de muitos planetas?
Betty: Sim... Setenta... raças.
Entrevistador: Estas raças trabalham juntas?
Betty: Sim, exceto a ofensora.
Entrevistador: Eles vêm de diferentes planetas, então? Eles
não vêm do mesmo planeta? Isto é correto?
Betty: Alguns. Alguns vêm de reinos cujos esconderijos não
se pode ver. Alguns vêm da própria Terra. (...) Sim, há um
lugar na própria Terra que vocês desconhecem.
No depoimento de Andreasson também consta a idéia de
que a poluição acabará causando sérios danos à raça humana.
Numa experiência a bordo de um óvni recordada sob
hipnose, Betty vira os alienígenas extraírem dois fetos de
uma mulher raptada. Horrorizada, ela viu os alienígenas
introduzirem compridas agulhas na cabeça e nos ouvidos de
um dos fetos e o colocarem num tanque contendo um
líquido ligado a um estranho aparelho. Os alienígenas lhe
deram a seguinte explicação para isto:

Estão me dizendo que precisam fazer isto. E eu digo: "Por
que vocês precisam fazer algo tão terrível?" E um deles diz:
"Precisamos fazê-lo porque, com o passar do tempo, a
Humanidade ficará estéril. Eles não conseguirão se
reproduzir por causa da poluição das terras, das águas e do
ar, e por causa das bactérias e das coisas terríveis que estão
na Terra!"

Esta declaração vincula o problema da poluição mencionado
a Judy Doraty à idéia de que uma raça alienígena está
empenhada em fazer experimentações genéticas com seres
humanos. Estes dois temas também aparecem num relatório
apresentado por Jenny Randles. Em 5 de fevereiro de 1978,
em Medinaceli, Espanha, um veterinário de 33 anos
chamado Júlio foi raptado, junto de seu cão, por entidades
altas de aparência nórdica. As entidades examinaram Júlio,
colhendo amostras de sangue, suco gástrico e sêmen.
Segundo lhe disseram, o mundo deles é um tenebroso lugar
deteriorado, e por isso pretendem estudar nosso maravilhoso
mundo repleto de vida antes que estraguemos tudo como
eles fizeram. Também mencionaram pequenas e feias
entidades que têm a estranha idéia de reprogramar humanos
biologicamente.
As entidades relatadas por Betty Andreasson parecem
corresponder a estes "pequenos e feios" seres interessados
em manipulações genéticas. No entanto, ela se lembrou de
ter sido levada, em certa ocasião, até o mundo deles, que
descreveu como sendo cinzento, escuro e nebuloso o tempo
todo. Isto condiz com a declaração de Júlio a respeito das
entidades de aparência nórdica, o que nos faz indagar se
existem dois mundos escuros. Ou talvez exista uma relação
entre os dois tipos de entidades.
John R. Salter, cuja experiência de rapto ocorreu em 20 de
março de 1988 (veja páginas 173-74), também fala de um
obscuro mundo alienígena. Em 9 de janeiro de 1990,
durante um sonho vivido, ele se lembrou de os seres
raptores lhe terem dito que vinham da estrela Zeta na
constelação Reticulum. Em 4 de março de 1990, teve outro
sonho vivido, percebido por ele não como uma recordação,
mas sim como uma comunicação telepática direta de um
daqueles seres. Neste sonho, ele visitava o mundo deles,
tendo reparado que a luz era muito fraca e os prédios todos
brancos. Este tipo de sonho vivido é semelhante a uma
comunicação canalizada pelo fato de o indivíduo sentir as
informações recebidas virem de fora para dentro. (Salter me
disse já saber de Betty Hill e da constelação Reticulum antes
do sonho de 9 de janeiro de 1990. Porém, tinha apenas uma
ligeira noção do caso Hill e desconhecia a história de
Reticulum antes de sua experiência de rapto em março de
1988.)
Outra idéia sobre o mundo dos alienígenas é expressa por
"Lucille Forman", uma psicoterapeuta de Nova York cuja
experiência de rapto foi estudada por Budd Hopkins.
Segundo o depoimento dela, seus raptores alienígenas, que
eram do tipo gray, vêm de uma sociedade moribunda onde
se enfatiza o desenvolvimento intelectual à custa do
crescimento emocional. Algo saiu errado com eles do ponto
de vista genético. Seus filhos morrem prematuramente, e
eles estão empenhados numa luta desesperada para
sobreviver. Hopkins associou isto ao interesse deles por
genética e reprodução humanas. Existe ainda uma associação
com a idéia do mundo sombrio, embora neste caso a
escuridão do mundo dos alienígenas seja metafórica, e não
literal.
Passando a outro relato citado por Jenny Randles, em
Pudasjarvi, Finlândia, uma mulher chamada Aino Ivanoff
dirigia seu carro nas primeiras horas do dia 2 de abril de
1980. Subitamente, o carro foi rodeado por uma bruma e em
seguida ela se viu num recinto onde pequenas entidades a
examinaram sobre uma mesa. Estes seres lhe disseram que a
guerra é nociva e que ela devia apoiar grupos pacifistas.
Disseram, também, não serem capazes de gerar seus
próprios filhos.
Isto se encaixa com a declaração de Betty Andreasson — no
outro lado do Atlântico — de que as fêmeas alienígenas não
conseguem gerar filhos e que as fêmeas humanas são usadas
para portar fetos alienígenas. Ela atribuiu a isto o motivo
pelo qual os alienígenas estão preocupados quanto à
autodestruição dos seres humanos: "Os fetos tornam-se eles
— iguais a eles. Eles dizem ser Guardiões... e preservam a
semente do homem e da mulher para que a. forma humana
não se perca."
Os grifos desta citação são de Raymond Fowler. Esta é a
declaração que parece vincular a história de Andreasson à
antiga história hebraica dos anjos chamados Guardiões, que
teriam se acasalado com seres humanos.
Se algumas dessas comunicações são ajuntadas, a imagem
obtida dos alienígenas gray é a de uma raça parasitória,
dependente dos humanos para a reprodução e preocupada
com o fato de os humanos estarem prestes a se dizimarem.
No entanto, outras histórias contradizem isto. As
comunicações relatadas por Lucille Forman e as das
entidades de aparência nórdica de Júlio não concordam
exatamente com esta teoria. E também incompatível o fato
de os raptos de cunho ginecológico só passarem a ser
relatados com freqüência em décadas recentes. Por que as
atividades reprodutoras dos alienígenas não eram evidentes
no século XIX se eles precisam de humanos para se
reproduzirem? Além do mais, histórias retratando os
alienígenas como procedentes de uma estrela distante, tal
como Zeta da constelação Reticulum, são incompatíveis
com a idéia de eles dependerem de humanos terráqueos para
a reprodução.

Conclusão

Em conclusão, as comunicações que, segundo se relata, se
originam de entidades ufológicas costumam conter
determinados temas usuais. Estes abrangem desde
declarações perturbadoras relativas à genética e às origens
humanas até aparentes trivialidades, tais como a história do
acidente induzido por radar. As comunicações costumam ter
uma qualidade surreal, e muitas vezes se contradizem.
Muitas parecem ser um cruzamento entre desinformação e
puro disparate, e muitas contêm material encontrado nas
tradições culturais da humanidade.
Sem dúvida, ocorrem embustes e delírios, havendo provas
sugerindo a montagem de embustes organizadíssimos.
Também é possível que sinistros agentes secretos estejam
difundindo desinformação acerca dos óvnis. Isto não quer
dizer, no entanto, que as histórias de contato com óvnis
sejam todas produto de mentiras e delírios humanos.
Podemos sempre atribuí-las a estas causas, mas, se assim
fizermos, estaremos, acho eu, desnecessariamente
rebaixando nosso juízo de testemunhas humanas que
aparentam ser sãs e responsáveis. Em última análise, isto
rebaixaria nosso juízo de nossa própria capacidade de
distinguir a verdade da ilusão.
Se atribuímos todas as histórias aparentemente absurdas a
mentiras e delírios, acabamos formando uma imagem
exagerada da desonestidade humana. Por exemplo: sabe-se
que a médium Eusapia Palladino trapaceava às vezes, mas
seria irrealístico tachar de mentiroso ou de tolo iludido todo
aquele que relata histórias extraordinárias acerca dela (veja
páginas 187-91). Observação semelhante pode ser feita a
respeito de muitas histórias de contato com óvnis.
No mundo real, é comum encontrarmos a verdade mesclada
com a falsidade. Ao escrever este capítulo, achei ser meu
dever chamar a atenção do leitor para o material
provavelmente falso, bem como para o material que parece
ser verdadeiro. Apesar de talvez ser difícil distinguir o
verdadeiro do falso, acho que seria errado desconsiderar um
conjunto de histórias só por conter elementos falsos. Na
realidade, podemos reverter as coisas e sugerir que, se um
conjunto de depoimentos humanos não parecesse conter
nada de falso, isto seria, então, contrário à natureza humana
e altamente suspeito.
Podemos, também, reverter a teoria segundo a qual as
histórias de óvnis não passam de um fenômeno folclórico
secundado pela trapaça. É possível que verdadeiros seres
não-humanos sejam responsáveis por muitas das
comunicações de óvnis relatadas. Estes seres podem estar
tentando condicionar os processos de pensamento das
pessoas, fazendo uso de temas extraídos, em certos casos,
das próprias tradições culturais dessas pessoas.
Se é assim, então, eles contribuem para o enriquecimento
das tradições ao manipularem temas tradicionais. Até que
ponto, pode-se perguntar, seriam as tradições culturais
orquestradas pela intervenção de diversas espécies de seres
inteligentes? Além disso, até que ponto seriam as tradições
culturais verdadeiras e até que ponto seriam elas
"desinformações" introduzidas — não por sacerdotes
coniventes e poetas imaginativos — mas sim por fontes
transumanas? Até que ponto seria boa esta orquestração
cultural, e até que ponto poderia ela gerar maus efeitos?

PARTE 2
Paralelos védicos aos fenômenos ufológicos

6
Contato transumano na civilização védica

Nos últimos 45 anos, os relatos sobre visões de óvnis e
contatos com os mesmos têm sugerido para alguns que a
raça humana vem sendo abordada por seres inteligentes que,
mesmo não sendo humanos, têm uma surpreendente
semelhança conosco. Em muitos casos, é tanta a semelhança
que o termo alienígena soa impróprio. Todavia, estes seres
parecem ser alienígenas pelo fato de haver alienação entre
eles e nós. Apesar da aura de sigilo e desinformação em
torno do tema das visões e contatos com óvnis, não parece
ser possível julgar o governo americano como o único
responsável por isso. Por um lado, os óvnis parecem se
comportar de maneira evasiva e, por outro, as comunicações
com entidades ufológicas são ambíguas e contraditórias.
Parecem destinadas a influenciar a sociedade humana a
distância, sem estabelecerem relações baseadas numa clara
compreensão mútua.
Não há relações formais socialmente reconhecidas entre a
sociedade humana de hoje e os seres responsáveis pelos
óvnis. Na maioria dos países, os órgãos oficiais de pesquisa
científica não reconhecem que tais seres possam existir e
estar em contato com a sociedade humana. Em
conseqüência disso, o conhecimento a respeito dos óvnis
não é regulamentado por órgãos acadêmicos convencionais,
transformando o campo de estudos ufológicos num deus-
nos-acuda no qual pesquisadores sérios são obrigados a
agüentar uma efusão de material vulgar e fraudulento.
Os próprios seres ufológicos parecem planejar seus contatos
com as pessoas de modo a deixarem pouquíssimas provas
tangíveis de sua existência real. Embora estes contatos
envolvam fenômenos considerados muito estranhos,
segundo a perspectiva humana moderna, os ufonautas fazem
pouquíssimo esforço para reduzir esta estranheza. Mesmo
quando possuem um histórico de contatos remontando à
infância, as testemunhas de contatos imediatos ainda assim
dispõem de poucas explicações e praticamente não têm
oportunidades de apresentar seus visitantes do outro mundo
a um círculo maior de testemunhas. Muitas testemunhas
parecem pessoas responsáveis cujas experiências de contato
resultam no mínimo incomuns; no entanto, o fato de as
informações transmitidas durante os contatos parecerem
absurdas ou contraditórias não aumenta a credibilidade
destas testemunhas.
Surpreendentemente, talvez as coisas nem sempre tenham
sido assim. Entre as sociedades tribais, contatos místicos
com seres superiores têm sido ocorrências comuns desde
tempos remotos e, segundo consta, acontecem ainda hoje.
As sociedades civilizadas da antigüidade também alegavam
estar em contato com seres superiores. Em muitos casos, os
dados de contatos transumanos constantes destas fontes,
além de serem classificados como parte de alguma doutrina
religiosa, envolvem as experiências singulares de poucos
indivíduos com dotes místicos. No entanto, há relatos de
sociedades humanas terráqueas que têm mantido regulares
elos diplomáticos com uma hierarquia de seres
extraterrestres e supradimensionais.
Isto se aplica, em particular, à antiga sociedade védica da
Índia. Esta sociedade é retratada numa literatura volumosa,
que muito nos ensina sobre como vivia sua gente e como
esta interagia com uma sociedade transumana maior. Neste
capítulo, apresentarei um breve panorama da antiga visão de
mundo védica. Demonstrarei que muitas facetas do
fenômeno ufológico moderno podem ser encontradas em
relatos védicos sobre contatos entre humanos e membros de
outras raças semelhantes à humana. Mostrarei, além disso,
como a organização social do antigo povo védico favorecia
os contatos regulares com seres superiores.
Procurarei apresentar, da melhor maneira possível, o
material védico conforme o entendem quantos estejam
imersos no tradicional ponto de vista védico. A princípio,
talvez este material pareça muito estranho para pessoas de
antecedentes culturais ocidentais, e talvez algumas sintam
reservas baseadas numa perspectiva religiosa ou científica.
Contudo, a única forma científica de entender outra cultura
é procurar adentrar a verdadeira visão de mundo das pessoas
que vivem naquela cultura. Portanto, eu aconselharia o
leitor a suspender qualquer tipo de julgamento para, assim,
poder apreciar o material védico como ele é. No Apêndice
2, analiso com mais minúcia minha abordagem à
interpretação da literatura védica.
Conforme salientei na Introdução, sabemos que os relatos
modernos sobre óvnis podem parecer muito estranhos.
Sendo assim, não devemos ficar surpresos se as histórias e
tradições de pessoas que mantêm contato regular com seres
superiores também nos parecerem estranhas. Talvez elas nos
ajudem a lograr uma compreensão mais ampla do estranho
universo que inclui nosso próprio sistema de conhecimento
e cultura como uma partícula de uma realidade muito maior.
Uma sinopse da visão de mundo védica

O Bhagãvata Purãna, o Mahãbhãrata e o Rãmãyana são três
obras importantes na tradição védica da Índia. Embora sejam
bem conhecidos como escrituras religiosas hindus, não
devem ser encarados como mera mitologia ou como
representações de algum credo sectário. Seu valor
verdadeiro se concentra no fato de revelarem com minúcia
uma forma inteiramente diferente de ver o mundo e de nele
viver, forma esta seguida durante milhares de anos por uma
civilização humana altamente desenvolvida.
Do ponto de vista dos indólogos modernos, estas obras
variam em idade do século IX d.C. para o Bhãgavata Purãna
ao século V ou VI a.C. para o Mahãbhãrata e o Rãmãyana.
No entanto, os indólogos concordam que os textos
existentes incorporam material muito mais antigo do que os
períodos históricos em que, segundo eles acreditam, estes
mesmos textos teriam sido escritos. A própria palavra purãna
quer dizer antigo e, segundo a tradição indiana nativa, todos
os três textos remontam pelo menos ao ano 3.000 a.C.
Cabe aqui uma observação técnica quanto ao uso do termo
védico. Eruditos ocidentais modernos insistem que esta
palavra só pode ser aplicada aos quatro Vedas: Rg, Yajur,
Sãma e Atharva. Contudo, na tradição indiana viva esta
palavra aplica-se a uma categoria muito mais ampla de
literatura. Isto inclui os Purãna, ou os relatos cosmológicos
antigos, e os Itihãsas, ou epopéias históricas. O Bhãgavata
Purãna é um dos dezoito Purãna principais, e o Mahãbhãrata
e o Ramãyana são Itihãsas. Portanto, usarei o adjetivo védico
para me referir tanto a estas obras quanto aos quatro Vedas.

Vimãnas

É importante atentar para o fato de que os veículos aéreos,
chamados vimãnas em sânscrito, eram bem conhecidos à
época da antiga civilização védica. Podiam tanto ser
máquinas de densidade física quanto ser feitas de dois tipos
de energia, as quais podemos chamar de energia sutil e
energia transcendental. De um modo geral, os humanos
desta terra não fabricavam semelhantes máquinas, embora às
vezes as adquirissem de seres mais avançados tecnicamente.
Há antigos relatos indianos de veículos de madeira de
manufatura humana que voavam com asas à maneira dos
aviões modernos. Embora estes veículos de madeira também
fossem chamados vimãnas, a maioria dos vimãnas não era
em absoluto como os aviões. Os vimãnas mais típicos
tinham características de vôo semelhantes àquelas relatadas
a respeito dos óvnis, e os seres a eles associados possuíam,
segundo se dizia, faculdades semelhantes àquelas hoje
atribuídas às entidades ufológicas. Um exemplo de vimãna
interessante é a máquina voadora do antigo rei indiano
Salva, adquirida de Maya Danava, habitante de um sistema
planetário chamado Talãtala. A história de Sãlva será
apresentada mais adiante neste capítulo, e no Capítulo 7
apresentarei mais informações sobre os vimãnas.

Outros mundos

Na sociedade védica, entendia-se que é possível viajar para
outros mundos. Isto podia significar viagens a outros
sistemas estelares, viagens a dimensões superiores ou
viagens a regiões supradimensionais em outro sistema
estelar. Entendia-se, também, que é possível deixar o
universo material de uma vez por todas e viajar através de
níveis gradativos de reinos transcendentais.
A literatura védica não usa termos geométricos tais como
"dimensões superiores" ou "outros planetas" ao se referir a
este tipo de viagem. Pelo contrário, a viagem a outros
planetas é descrita em função das experiências dos viajantes,
sendo, por isso, necessário o leitor moderno deduzir, a partir
dos relatos, o fato de esta viagem envolver mais do que
movimentação através do espaço tridimensional. Como as
pessoas da sociedade moderna estão acostumadas a pensar
que uma viagem é necessariamente tridimensional, usarei o
termo "supradimensional" para me referir a relatos védicos
impossíveis de serem entendidos em termos
tridimensionais.
Talvez se faça objeção ao fato de os indianos da antigüidade
terem tido uma compreensão decerto muito ingênua e não-
científica das estrelas e dos planetas, não fazendo sentido
supor terem eles, portanto, realmente tido contato com
seres de tais regiões. A resposta é que a descrição védica do
universo soa bastante estranha e mitológica para uma pessoa
de antecedentes ocidentais porque contém muitas idéias
inteiramente alheias às concepções ocidentais conhecidas.
Entretanto, ela também contém muitas idéias sobre o
universo encontráveis na ciência moderna.
Consideremos, por exemplo, a seguinte descrição das
viagens do herói Arjuna à região das estrelas:

Embora o Sol não brilhasse lá, nem a Lua, nem o fogo, eles
brilhavam com uma luz própria adquirida por seus méritos.
As luzes que são vistas como as estrelas parecem pequenas
lamparinas por causa da distância, mas elas são muito
grandes. O Pãndava as viu brilhantes e belas, ardendo em
seu próprio ambiente com um fogo próprio delas. (...)
Contemplando aqueles mundos luminosos por si mesmos,
Phalguna, atônito, indagou de Mãtali em tom amistoso, ao
que o outro lhe disse: "Esses que lá viste, meu amo, são
homens de feitos santos, ardendo por seu próprio fogo
interno e parecendo estrelas para quem os vê da Terra."

Esta passagem revela uma mistura de elementos conhecidos
e desconhecidos. Segundo supomos, se viajássemos entre as
estrelas, estaríamos bem distantes do Sol e da Lua e não os
veríamos. Também achamos que as estrelas são grandes
mundos de luz própria que parecem pequenos por causa da
distância. No entanto, não supomos encontrá-las habitadas
por "homens de feitos santos", e parece-nos estranho,
estrelas serem chamadas de homens. Parece costumeiro os
textos védicos se referirem a uma estrela como sendo uma
pessoa, sendo esta pessoa normalmente a regente daquela
estrela, ou seu habitante predominante.
Poderia também ser levantada a objeção de que a Terra era
considerada plana na Índia antiga. Na verdade, a literatura
védica descreve duas idéias da Terra. A Terra é descrita
como um globo de 1.600 yojanas de diâmetro no texto
sânscrito de astronomia Sürya-siddbãnta. O yojana é uma
medida de distância, e pode-se argumentar que este texto
usa cerca de dez quilômetros por yojana. Isto faria o
diâmetro da Terra ter cerca de dezesseis mil quilômetros, o
que está bem de acordo com as cifras modernas. O mesmo
texto calcula em 480 yojanas, ou 4.800 quilômetros, o
diâmetro da Lua. Isto pode ser comparado à cifra moderna
de 4.320 quilômetros.
A Terra também é descrita como um disco plano, chamado
Bhü-mandala, que tem quinhentos milhões de yojanas de
diâmetro. Contudo, um estudo meticuloso dos textos
védicos demonstra que esta "Terra" corresponde, na
verdade, ao plano da eclíptica. Este é o plano determinado,
a partir de um ponto de vista geocêntrico, pela órbita do Sol
ao redor da Terra. Trata-se, é claro, de um plano horizontal e
por isso, em certo sentido, a literatura védica fala de fato de
uma Terra plana. É preciso estar atento ao fato de que o
termo Terra, conforme usado em textos védicos, nem
sempre se refere ao pequeno globo terrestre.
O pensamento védico dá a entender a existência de reinos
supradimensionais e habitados que se estendem para dentro
e por sobre a Terra, bem como através do espaço exterior.
Em particular, a "Terra" plana de Bhü-mandala é um reino
habitado cuja extensão aproximada abrange o plano do
sistema solar, não sendo diretamente visível ou acessível à
nossos sentidos grosseiros. O termo sânscrito genérico para
semelhantes reinos habitados é ioka, em geral traduzido
como planeta ou sistema planetário. Existem quatorze graus
de lokas, sete superiores e sete inferiores. Bhü-mandala ou
Bhü-loka é o mais baixo dos sete sistemas planetários
superiores.
O Sol, a Lua e os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e
Saturno são chamados grahas, sendo todos eles considerados
habitados. (Contudo, não encontrei referência a Urano,
Netuno ou Plutão em textos védicos.) Não surpreende o fato
de considerarem que os habitantes do Sol tenham corpos de
energia ígnea, bem como o fato de dizerem que os corpos
dos habitantes de outros planetas sejam constituídos de tipos
de energia adequados aos ambientes daqueles planetas.

Humanóides

Os Purãna falam de quatrocentos mil raças semelhantes à
humana vivendo em diversos planetas e de outros oito
milhões de formas de vida, incluindo plantas e animais
inferiores. Das quatrocentas mil formas semelhantes à
humana, os seres humanos tal como os conhecemos estão
enquadrados entre os menos poderosos. Isto é compatível, é
claro, com o quadro emergente de relatos de contatos com
óvnis.
Assim como venho usando o termo bumanóide para me
referir a seres semelhantes aos humanos relatados em
contatos com óvnis, também o usarei para me referir às
raças védicas semelhantes à humana. Apesar de ser comum
os relatos sobre óvnis retratarem os humanóides como
tendo aparência estranha ou repulsiva, alguns destes são
descritos como sendo belos. Os humanóides védicos
também variam bastante em aparência. Segundo consta,
alguns deles, como os Gandharvas e os Siddhas, têm formas
humanas belíssimas. Outros são de aparência feia,
assustadora ou deformada. Um grupo deles é o dos
chamados Kimpurusas Neste caso, kim significa é mesmo?, e
purusa, humano.
Muitas das raças humanóides védicas, segundo consta, são
naturalmente dotadas de determinados poderes chamados
siddhis. Os humanos desta Terra também têm o potencial
para adquirir estes poderes, e alguns deles gozam de maiores
capacidades a este respeito do que outros. Eis uma lista de
alguns desses siddhis. Visto parecerem estar diretamente
relacionados com alguns dos poderes atribuídos às entidades
ufológicas, vou examiná-los com mais minúcia em seções
posteriores.

1. Comunicação mental e leitura de pensamento. Embora
estes sejam atributos regulares entre os humanóides védicos,
também é comum o uso da fala normal por meio do som.

2. Capacidade de ver ou ouvir de muito longe.

3. Laghimã-siddhi: levitação ou antigravidade. Há, além
disso, o poder de aumentar muito o peso.

4. Animã e mahimã-siddhis: poder de alterar o tamanho de
objetos ou corpos vivos sem lhes romper a estrutura.

5. Prãpti-siddhi: poder de movimentar objetos de um lugar
para outro, aparentemente sem atravessar o espaço
intermediário. Este poder está vinculado à capacidade de
viajar para reinos supradimensionais paralelos.

6. Capacidade de mover objetos diretamente através do
éter, sem o impedimento de obstáculos físicos grosseiros.
Este tipo de viagem chama-se vihãyasa. Há também uma
espécie de viagem chamada mano-java, na qual a ação da
mente faz a transferência direta do corpo para um ponto
distante.

7. Vasitã-siddhi: poder de controle hipnótico a longa
distância. Segundo salientam relatos védicos, pode-se usar
este poder para controlar os pensamentos das pessoas a
distância.

8. Antardhãna ou invisibilidade.

9. Capacidade de assumir formas diferentes ou de gerar
formas corpóreas ilusórias.

10. Poder de adentrar o corpo de outra pessoa e controlá-lo.
Faz-se isto usando o corpo sutil (definido abaixo).
Muitas diferentes raças humanóides védicas, segundo
consta, vivem em reinos supradimensionais paralelos dentro
da Terra, em sua superfície e em sua vizinhança imediata.
Uma característica surpreendente dos relatos védicos é que
raças diferentes, tais como os siddhas, cãranas, uragas,
guhyakas e vidyãdharas, segundo se costuma descrever,
vivem e trabalham em cooperação, muito embora tenham
hábitos e aparências muito diferentes.
Em geral, estes seres são bem dotados com os diversos
siddhis. No passado, era possível encontrar muitos destes
tipos humanóides na Terra, quer como visitantes, quer como
habitantes. De fato, grandes áreas da superfície da Terra têm
sido por vezes controladas e povoadas por uma série de
espécies humanóides. Este é o cenário básico do Rãmãyana,
o qual conta como o Senhor Rãmacandra resgatou sua
esposa Sitã do reino de Lankã, para onde um rãksasa
chamado Rãvana a havia levado. Os rãksasa são uma das
quatrocentas mil raças humanóides, e governavam Lankã
naquela época.
É amplo o leque de durações de vida entre as espécies
humanóides védicas. Segundo relatos védicos, os seres
humanos terrestres gozavam de períodos de vida muito mais
longos, milhares de anos atrás. Por exemplo: antes de cinco
mil anos atrás, a vida humana durava, segundo consta, cerca
de mil anos. Durações de vida típicas de seres humanóides
vivendo fora desta Terra são da ordem de dez mil anos.
Existem também, segundo consta, seres chamados devas,
que são administradores do universo e vivem centenas de
milhões de anos.
Ainda hoje, pessoas da Índia relatam contatos com
humanóides do tipo védico clássico. Dois exemplos disto são
o caso da curadora de varíola e o caso da Jaladevata
registrados no Apêndice 3.

A alma

Conforme uma característica-chave da visão de mundo
védica, os seres vivos são almas que habitam corpos. A alma
chama-se ãtmã ou jivãtmã, sendo dotada com a faculdade da
consciência. O corpo é constituído de um corpo grosseiro,
composto dos conhecidos elementos físicos, e de um corpo
sutil feito das energias conhecidas como mente, inteligência
e falso ego. Em virtude do fato de nossos atuais instrumentos
científicos não terem capacidade de detectar estas energias,
a visão científica convencional alega que as mesmas não
existem. No entanto, segundo o entendimento védico, estas
energias interagem naturalmente com a matéria grosseira e,
quando controladas de maneira apropriada, podem exercer
uma poderosa influência sobre ela.
Segundo consta, a alma e o corpo sutil, além de
transmigrarem de um corpo grosseiro para outro, podem,
também, fazer viagens temporárias fora do corpo grosseiro.
Existem humanóides envolvidos com a tarefa de controlar o
processo de transmigração, que é regulado por leis
universais. Há um processo natural de evolução da
consciência, mediante o qual as almas aos poucos alcançam
tipos cada vez mais refinados de corpos.
No nível mais elevado de consciência, é possível a alma se
livrar do corpo sutil e se libertar do mundo material. O
estado de liberação, ou mukti, envolve a transferência da
alma para um reino inteiramente transcendental. Falando de
modo geral, há duas formas de liberação: (1) a experiência de
Brahman, ou unidade transcendental, e (2) a experiência de
atividade variada a serviço do Supremo nos planetas
espirituais de Vaikuntha.
Segundo a filosofia védica, todas as manifestações emanam
do Ser Supremo, que é conhecido por muitos nomes,
inclusive Krsna, Govinda, Nãrãyana e Visnu. As almas
individuais são consideradas partes do Ser Supremo, sendo
comparadas a centelhas dentro de um grande fogo. Todas
elas compartilham as qualidades do Supremo em grau
diminuto, motivo pelo qual estão todas intimamente
relacionadas entre si. As almas libertas manifestam estas
qualidades espirituais na sua plenitude, mas aquelas que se
encontram confinadas em corpos materiais tendem a
manifestar qualidades pervertidas por causa da influência da
energia material.
Os relatos sobre óvnis contêm muitas referências à alma, à
transmigração e a experiências extracorporais. Estas são
analisadas no Capítulo 10. Há, ainda, referências à
experiência de Brahman, assunto que examinarei no
Capítulo 11.

A hierarquia cósmica

Uma idéia que costuma aflorar em comunicações de óvnis é
a de que existe lei e ordem no cosmos. Diversas
confederações de planetas são mencionadas e, segundo
consta, elas costumam obedecer autoridades superiores
dotadas de elevadíssimos estados de consciência e habitantes
de planos ou estados vibracionais superiores. Como salientei
no Capítulo 5, estas comunicações de óvnis não parecem ser
muito confiáveis. Não obstante, é interessante que a idéia
básica de um governo universal hierárquico seja um
elemento-chave da visão de mundo védica.
Na hierarquia cósmica védica, há uma série gradativa de
sistemas planetários superiores, cada um dos quais é
inacessível aos habitantes dos sistemas situados abaixo dele.
A autoridade máxima no universo material, conhecida como
Brahmã, vive no sistema planetário material máximo,
chamado Brah-maloka. Abaixo de Brah-maloka, ficam os
sistemas planetários Tapoloka, Janaloka e Maharloka,
habitados por sábios (rsis) que vivem como ascetas e
cultivam conhecimento e consciência transcendental.
Abaixo desses planetas, existe o reino de Svargaloka, que é
regido pelos seres conhecidos como devas. Os devas estão
organizados segundo uma hierarquia militar. Dedicam-se à
política e à guerra, e suas batalhas contra as forças inferiores
podem às vezes representar um impacto sobre a vida na
Terra. No entanto, devido às prolongadíssimas durações de
vida dos devas, suas relações sociais e políticas tendem a ser
estáveis.
Apesar de o universo estar completamente sob a influência
de um controle inteligente, os controladores superiores,
como os devas e os grandes sábios, em geral não interferem
de forma direta nas vidas dos seres subordinados, inclusive
os terrestres humanos. Pelo contrário, eles providenciam
para que estes seres transmigrem de um corpo a outro
conforme o trabalho desenvolvido por cada um deles,
proporcionando-lhes, deste modo, uma evolução gradual de
consciência. Também providenciam a disseminação de
ensinamentos espirituais em diversas sociedades de forma a
orientar as almas corporificadas na direção do
desenvolvimento espiritual superior. Segundo a perspectiva
védica, o avanço espiritual deve ser a meta principal da vida
humana.
Acima da hierarquia cósmica do mundo material, existe uma
hierarquia espiritual comandada pelo Ser Supremo. Apesar
de este sistema hierárquico estabelecer uma grande distância
entre o Ser Supremo e os humanos desta Terra, a literatura
védica enfatiza o fato de haver uma ligação íntima entre
todas as almas espirituais e este Ser, que acompanha cada
alma como Para-mãtmã, ou Superalma. Além do mais, o Ser
Supremo em pessoa desce a diversos planetas materiais na
qualidade de avatãra. A história do avatãra conhecido como
Krsna é o tema do Bhãgavata Purãna, ao passo que o
Rãmãyana é a história do avatãra conhecido como Senhor
Rama, ou Rãma-candra.

Elementos egocêntricos

Entre os diferentes tipos humanóides, há raças cujo perfil é
essencialmente egocêntrico. Estas se distinguem daquelas
cuja propensão é se dedicarem ao serviço do Ser Supremo e
da hierarquia cósmica. Alguns destes humanóides parecem
playboys celestiais que vivem em meio a grande opulência.
Outros se caracterizam por um estado alienado de
consciência, e ainda outros ostentam uma hostilidade
acentuada. As raças egocêntricas manifestam uma forte
tendência à exploração de poderes e tecnologia místicos.
Isto fica ilustrado pelo exemplo de Maya Danava, o ser
responsável pela construção do vimãna do supramencionado
rei Salva.
Todos estes diferentes grupos de seres estão sob o controle
da hierarquia universal, não sendo capazes, portanto, de agir
inteiramente de acordo com suas próprias propensões. Isto
explicaria o motivo pelo qual eles não logram nos dominar
por completo. No entanto, existem seres que, movidos por
uma rebeldia ativa contra a hierarquia cósmica, por vezes
interferem sobremaneira nos assuntos da Terra.
Os rebeldes mais famosos são os asuras, que são parentes
próximos dos devas. Os Purãna descrevem prolongadas
guerras entre devas e asuras em Svargaloka, e a trama básica
do Mahãbhãrata tem a ver com uma invasão da Terra por
parte dos asuras. Isto é analisado, no Capítulo 10, com
relação a certas atividades nocivas que têm sido atribuídas
aos óvnis.
Como os devas são seres de índole divina que ocupam
cargos administrativos na hierarquia universal, é comum o
uso da palavra semideus, tomada emprestada da clássica
mitologia grega e romana, em referência a eles. Em
contraste, é comum chamarem os rebeldes asuras de
demônios, já que estes tendem a ser ateístas e se oporem à
ordem divina.
Na verdade, o termo demônio adquiriu suas conotações
negativas pela influência do cristianismo. Esta palavra
provém de daemon, que na Roma clássica significava um ser
intermediário entre os semideuses e o homem. Segundo
entendiam os romanos e os gregos, havia muitos tipos de
seres nesta categoria, e nem todos eles eram encarados
como maus ou demoníacos. A literatura védica também
descreve muitas raças intermediárias entre os devas e os
seres humanos, entre as quais se incluem os vidyãdharas,
uragas e rãksasas.
Os rãksasas são demoníacos e bastante hostis aos humanos.
Os vidyãdharas e os uragas são essencialmente neutros —
eles cooperam com a hierarquia universal, mas têm seus
próprios compromissos, não sendo nem favoráveis nem
contrários à raça humana. Pertencem a uma categoria de
seres conhecidos como upadevas, ou quase-devas.

Origens humanas

Segundo o sistema de pensamento védico, as diversas
espécies de seres vivos passaram a existir por meio de um
processo de criação e emanação. As almas espirituais são
todas emanações do Supremo, tanto quanto o é o corpo de
Brahmã, o primeiro ser vivo a surgir no universo. Brahmã
gerou diversas formas corpóreas pela ação mental direta e, a
partir destas formas, produziram-se gerações de
descendentes pela reprodução sexual. Ao contrário das
espécies vivas de que temos experiência, estes seres
portavam bijas, ou sementes, para muitos tipos diferentes de
seres, de modo que podiam produzir diferentes tipos de
progênie. (Como os corpos destes seres são compostos de
formas sutis de energia, as bijas não são feitas de matéria
densa, como o DNA.)
Todas as diferentes raças humanóides foram produzidas
desta maneira e, sendo assim, estão todas relacionadas pela
ancestralidade comum. Os humanos desta Terra, em
particular, descendem dos devas aliados a diversas linhagens
em épocas diferentes. Portanto, gozam de uma
ancestralidade celestial bastante complexa. Conforme
indicam claramente os relatos védicos, pode ocorrer
hibridação entre diferentes espécies humanóides. Em
particular, alguns dos heróis do Mahãbhãrata eram tidos
como descendentes de mãe humana e pai deva. Este assunto
é analisado com mais minúcia no Capítulo 8 (páginas 336-
40).

Contato

Na antiga civilização védica, havia uma sólida tradição de
contato com diversas raças não-humanas. Rsis e devas
celestiais faziam visitas regulares às cortes de grandes reis da
Terra. Havia sólidas relações diplomáticas e satisfatórios
entendimentos mútuos entre destacados membros da
sociedade humana e representantes de outras sociedades da
hierarquia cósmica. Isto fica ilustrado pela descrição, no
Bhãgavata Purãna, do sacrifício rãjasüya realizado pelo rei
Yudhisthira, o que ocorreu, segundo tradicionais cálculos de
data, cerca de cinco mil anos atrás na cidade de
Indraprastha, próxima à atual Nova Déli. A conclusão deste
evento é descrita como segue:

Os celebrantes do sacrifício, os sacerdotes e outros
brãhmanas excelentes vibraram mantras védicos em tom
retumbante, enquanto os semideuses [devas], sábios divinos
[rsis], pitãs e gandharvas entoaram louvores e lançaram
chuvas de flores. (...)
Os sacerdotes orientaram o rei quanto à execução dos rituais
finais de patni-saãyãja e avabhrthya. Em seguida, fizeram
com que ele e a rainha Draupadi sorvessem água para sua
purificação e se banhassem no Ganges. (...)
Depois, o rei se vestiu com novas roupas de seda e se
adornou com jóias requintadas. Honrou então os sacerdotes,
os celebrantes do sacrifício, os brãhmanas eruditos e outros
convidados, presenteando-lhes com ornamentos e roupas.
De diversas maneiras, o rei Yudhisthira, que dedicara sua
vida toda ao Senhor Nãrãyana, conferiu honras ininterruptas
a seus parentes, sua família imediata, outros reis, seus amigos
e simpatizantes, bem como todos os demais presentes. (...)
Assim, os cultíssimos sacerdotes, as grandes autoridades
védicas que haviam atuado como testemunhas do sacrifício,
os reis convidados especiais, os brãhmanas, ksatriyas,
vaisyas, südras, semideuses, sábios, antepassados e espíritos
místicos, e os principais governantes planetários e seus
seguidores — todos eles, tendo sido adorados pelo rei
Yudhisthira, pediram-lhe permissão e partiram, O Rei, cada
um para sua própria morada.

Os antepassados, ou pitãs, são habitantes de Pitrloka, planeta
vinculado ao regulamento concernente à transmigração das
almas. Os gandharvas, uma raça de seres belíssimos,
enquadram-se na categoria de upadevas, e os governantes
planetários são preeminentes líderes dos devas. A expressão
espíritos místicos refere-se aos bhütas, seres espectrais cuja
mentalidade é um tanto negativa e alienada. Ao se afirmar
que estes diversos seres pediram permissão ao rei
Yudhisthira para partir para suas moradas, isto não quer
dizer que ele era o governante deles. Eles estavam apenas se
portando conforme as boas regras de etiqueta.

Relatos védicos de fenômenos de contato
imediato

Muitos são os paralelos entre a visão védica da realidade,
conforme a descrição acima, e o quadro emergente de
relatos sobre óvnis. Sem dúvida, a literatura védica não
sofreu influência das histórias sobre óvnis, visto que mesmo
os mais recentes cálculos de data de textos védicos
importantes os situam no início da Idade Média. Entretanto,
é possível ter havido influência da informação védica sobre
algumas das citadas comunicações de óvnis. Segundo
observei no Capítulo 5 (página 217), por exemplo, a duração
de vida de 311.040.000.000.000 de anos de Brahmã foi
mencionada nas notas de contato de Eduard Meier. Baseado
no contexto da referência de Meier a este cálculo, é
provável que o mesmo tenha se originado do temas
teosóficos que, segundo se sabe, Meier teria estudado.
Sempre consta algum material védico nas obras dos
teosofistas e outros escritores místicos ocidentais, muito
embora todos eles o reelaborem à seu próprio modo. Há três
maneiras pelas quais parte deste material poderia se infiltrar
em comunicações de óvnis. Em primeiro lugar, certas
pessoas, ao apresentarem comunicações falsas, poderiam
fazer uso de parte deste material, que é bastante difundido
em círculos populares. Há ainda a possibilidade de o material
aflorar do inconsciente e ser embutido nas histórias de
contato relatadas por pessoas sinceras. Isto é chamado de
criptomnésia.
Segundo a terceira possibilidade, as entidades ufológicas
teriam extraído semelhante material da cultura humana
popular para inseri-lo em mensagens transmitidas às pessoas
com as quais entram em contato. Conforme argumentei no
Capítulo 5, às vezes afloram elementos da cultura ocidental,
como, por exemplo, o mito egípcio da Fênix, em casos de
contato imediato com óvnis. Questionei, além disso, se seres
não-humanos estariam ou não influenciando a cultura
humana ao introduzirem nela as suas próprias idéias. É
concebível, por exemplo, o fato de que o mito da Fênix
tenha se originado séculos atrás numa cultura não-humana.
Se detalhes específicos da literatura védica (tais como a
duração da vida de Brahmã) surgem de quando em quando
em aparentes comunicações de óvnis, há, então, a
possibilidade de terem saído da literatura védica por uma
destas rotas. No entanto, grande parte do material constante
em textos védicos é praticamente desconhecido de
ocidentais sem nenhum interesse explícito em temas
védicos.
Parte deste material apresenta paralelos com características
amiúde relatadas do aparecimento e comportamento dos
óvnis e das entidades ufológicas. Para que os ocidentais
falseiem estas características relatadas com base em material
védico, o interesse deles em temas védicos teria que ser bem
maior do que o observado em geral. Da mesma forma,
parece implausível que entidades ufológicas tivessem
decidido extensamente falsear coisas com base em textos
védicos. Estes paralelos poderiam, portanto, indicar uma
relação autêntica entre as experiências de pessoas que
viveram nos tempos védicos e as experiências modernas
envolvendo óvnis. No restante deste capítulo, ilustrarei isto
com uma série de exemplos.

O bombardeio aéreo a Dvaraks

Pode-se encontrar uma série de interessantes paralelos com
relatos sobre óvnis na história de Sãlva no Décimo Canto do
Bhãgavata Purãna. Sãlva era um rei desta Terra que nutria
intensa hostilidade contra o Senhor Krsna e jurou destruir
Dvãrakã, a cidade de Krsna. Para tanto, adquiriu um
extraordinário vimãna adorando o Senhor Siva. Começarei
citando uma descrição do vôo do vimãna de Sãlva,
mencionado pelo tradutor como avião:

O avião ocupado por Sãlva era muito misterioso. De tão
extraordinário que era, às vezes parecia haver muitos aviões
no céu, enquanto outras vezes aparentemente não se via
avião algum. Às vezes, o avião ficava visível, e outras
invisível, e os guerreiros da dinastia Yadu ficavam perplexos
quanto ao paradeiro do singular avião. Ora eles viam o avião
no solo, ora voando no céu, ora pousado no pico de uma
colina, ora flutuando na água. O maravilhoso avião voava no
céu como um tição rodopiante — não se estabilizava um
instante sequer.

É significativo que, em seus extensos escritos, o tradutor
desta passagem, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupãda,
jamais tenha se referido a óvnis ou discos voadores. Todavia,
as características de vôo deste "avião" assemelham- se às dos
óvnis sob muitos aspectos. O veículo brilha e se movimenta
de maneira irregular, como um tição rodopiado por um
dançarino. Também aparece e desaparece. Os óvnis são bem
conhecidos por este tipo de comportamento e, segundo
também se descreve, eles pousam ou pairam sobre a água
para em seguida decolarem abruptamente.
A título de exemplo, consideremos o caso de um óvni
observado por oficiais da Força Aérea no centro-sul dos
Estados Unidos em 17 de julho de 1957. Este caso foi
resumido no jornal Astronautics and Aeronautics como
segue:

Um RB-47 da Força Aérea, equipado com mecanismo
eletrônico de medida defensiva e tripulado por seis oficiais,
foi seguido por um objeto não-identificado por uma
distância de bem mais de 1.400 quilômetros e por um
período de uma hora e meia, enquanto voava do Mississippi,
passando por Louisiana e Texas, para Oklahoma. O objeto
foi, mais de uma vez, visto a olho nu pela tripulação da
cabine de comando como uma luz intensa, seguido pelo
radar de terra e detectado no monitor do mecanismo
defensivo a bordo do RB-47. São de especial interesse, neste
caso, as diversas ocorrências de aparecimentos e
desaparecimentos simultâneos em todos os três "canais"
fisicamente distintos, bem como a rapidez das manobras,
que extrapola a experiência anterior da tripulação.
Um dos aparentes desaparecimentos do objeto ocorreu justo
quando o RB-47 estava prestes a sobrevoá-lo. Segundo
observou o piloto, o objeto parecia se esvair visualmente e
simultaneamente desaparecer do alcance do monitor
supramencionado. Ao mesmo tempo, ele desaparecia do
alcance dos radares localizados em Utah. Instantes depois, o
objeto ressurgia visualmente e, em concomitância, aparecia
no monitor de bordo e no radar de terra. Os observadores
no RB-47 também repararam que às vezes o óvni gerava
dois sinais com ângulos diferentes em seu equipamento de
monitoração eletrônica. Embora não saibamos na verdade o
que o óvni estava fazendo, isto nos faz lembrar a afirmação
de que o vimãna de Sãlva parecia às vezes existir sob formas
múltiplas.
Como Sãlva adquiriu seu extraordinário veículo? Em vista da
controvérsia relativa a acordos entre o governo americano e
os alienígenas, vale destacar o fato de o vimãna de Sãlva ter
sido fabricado por um perito em tecnologia de outro planeta.
Eis a história. (Pasupati e Umãpati são dois nomes do Senhor
Siva.)

Tendo assim feito seu juramento, o tolo rei [Sãlva] passou a
adorar o Senhor Pasupati como sua deidade, comendo um
punhado de terra cada dia, e nada mais.
O grande Senhor Umãpati é conhecido como "aquele que se
satisfaz rapidamente", todavia, só depois de terminado um
ano é que ele recompensou Sãlva, que se refugiara nele,
oferecendo-lhe o direito de escolher uma bênção.
Sãlva escolheu um veículo que não pudesse ser destruído
por semideuses [devas], demônios [asuras], humanos,
gandharvas, uragas nem rãksasas, que pudesse viajar para
onde quer que ele desejasse ir e que aterrorizasse os Vrsnis.
O Senhor Siva disse: "Que assim seja." Por ordem dele, Maya
Danava, que conquista as cidades de seus inimigos, construiu
uma cidade voadora de ferro chamada Saubha e a presenteou
a Sãlva.
Este veículo inatacável era todo escuro e podia ir a qualquer
lugar. Tendo-o obtido, Sãlva foi para Dvãrakã, lembrando-se
da hostilidade dos Vrsnis contra ele.
Sãlva acossou a cidade com um grande exército, Ó melhor
dos Bharatas, dizimando os parques e jardins exteriores, as
mansões e seus respectivos observatórios, os altos portais e
os muros circundantes, bem como as áreas de recreação
pública. De sua excelente nave aérea, ele lançou uma
torrente de armas, inclusive pedras, troncos de árvores,
raios, serpentes e granizos. Surgiu um violento redemoinho
que empoeirou todas as direções.
Assim atormentada pelos TERRÍVEIS ataques da aeronave
Saubha, a cidade do Senhor Krsna não tinha paz, O rei,
assim como a Terra ao ser atacada pelas três cidades aéreas
dos demônios.

Como podemos ver neste relato, Sãlva não contratou
engenheiros para fabricar sua aeronave na Terra. Existem
descrições em sânscrito, conforme salientarei no Capítulo 7,
de naves mecânicas parecidas com aviões, construídas,
segundo consta, por seres humanos. No entanto, tanto
quanto eu sei, não há relatos indicando que seres humanos
comuns tenham alguma vez construído veículos como o de
Sãlva, capazes de ostentar modalidades místicas de vôo.
É significativo que Sãlva lançasse coisas tais como serpentes,
pedras e troncos de árvore de seu vimãna. Não se faz
menção de bombas e, muito embora possuísse uma
aeronave extraordinária, Sãlva não parecia dispor do tipo de
tecnologia de armas aéreas usado na Segunda Guerra
Mundial. De fato, porém, dispunha de uma tecnologia
bastante diferente, que podia ser usada para afetar o clima e
produzir redemoinhos, raios e granizos.
Nesta história, como em muitas outras, o fabricante do
vimãna era o ser chamado Maya Danava. Este personagem
era o soberano de um reino de dãnavas situado no planeta
conhecido como Talãtala. Os dãnavas, poderoso grupo de
humanóides, eram famosos por sua perícia em tecnologia. A
palavra mãyã significa não só a energia formadora do
universo material mas também o poder da ilusão. Maya
Danava era assim chamado por ser um perito manipulador
de mãyã.
Umã, a esposa do Senhor Siva, também é conhecida como
Mãyã Devi, ou a deusa encarregada da energia ilusória. Ela
também é a Mãe Divina, adorada no mundo todo com
muitos nomes diferentes. Como Siva é esposo de Umã, ele é
o senhor da ilusão e da tecnologia. Deste modo, existe um
elo natural entre o Senhor Siva, de quem Sãlva se aproximou
a fim de obter seu vimãna, e Maya Danava, o senhor da
ilusão que o fabricou.
É significativo o fato de Sãlva ter solicitado um veículo que
não pudesse ser destruído por devas, asuras, gandharvas,
uragas ou rãksasas. Visto serem todas estas poderosas raças
humanóides visivelmente ativas na Terra ou em suas
redondezas na época de Sãlva, era natural ele querer ter
capacidade para se defender delas.
O veículo de Sãlva é descrito como uma cidade de ferro e
devia ter, portanto, aparência metálica e ser bem grande.
Como veremos no Capítulo 7, muitos vimãnas védicos são
descritos como cidades voadoras, o que nos faz lembrar as
enormes "naves-mãe" às vezes mencionadas em relatos
sobre óvnis. O mesmo veículo também é descrito como a
"morada da escuridão", ou tamo-dhãma. "Escuridão", neste
caso, se refere à ignorância, ou ilusão, que caracteriza o
mundo material em geral e que a literatura védica associa em
particular a seres de caráter negativo, tais como os asuras e
os dãnavas. Refere-se à falta de compreensão espiritual, e
não à falta de conhecimento técnico.

Invisibilidade e flechas sensíveis ao som

A história do vimãna de Sãlva contém uma série de
características que podem nos ajudar a compreender o
fenômeno ufológico. Já mencionei, por exemplo, o poder de
invisibilidade do vimãna. E interessante ver como Krsna,
atuando como um guerreiro humano em defesa de Dvãrakã,
lidou com esta invisibilidade. Na passagem abaixo, Krsna
dirige a palavra ao rei Yudhisthira:
Peguei meu arco cintilante, melhor dos Bhãratas, e, com
minhas flechas, cortei as cabeças dos inimigos de Deus a
bordo do Saubha. Atirei contra o rei Sãlva flechas bem
preparadas, que mais pareciam serpentes venenosas, flechas
em chamas que atingiam grandes altitudes quando disparadas
de meu Sãrriga. Então, o Saubha tornou-se invisível, Ó
próspero descendente da linhagem de Kuru, escondido por
meio de feitiçaria, e eu fiquei atônito.
Os bandos de dãnavas, com caritas no rosto e cabeças
desgrenhadas, berravam, enquanto eu mantinha minha
posição, grande rei. Mais do que depressa arremessei uma
flecha, programada para ir ao encalço do som, para matá-los,
e a gritaria se esvaiu. Todos os dãnavas que estiveram
gritando jaziam mortos, atingidos pelas flechas, flamejantes
como o sol, que eram acionadas pelo som.

Como podemos constatar por esta passagem, muito embora
Sãlva fosse um rei humano, um contingente de grotescos
soldados dãnavas estava presente em seu vimãna. Isto faz
sentido, é claro, se levamos em conta que Sãlva obtivera a
nave do líder dos dãnavas. Há muitos relatos védicos de
semelhantes alianças entre seres humanos e outras raças
humanóides. Mesmo parecendo duvidoso para os
historiadores modernos o fato de ter alguma vez existido
esta espécie de alianças, fica evidente que a idéia das mesmas
esteve em voga na índia antiga. E, se tais alianças de fato
existiram, então é de se supor que elas também pudessem
ser feitas hoje em dia.
Os arcos e flechas usados pelos defensores de Dvãrakã,
segundo também demonstra a passagem citada, não eram de
um nível primitivo ou medieval de tecnologia. O arco era
utilizado como dispositivo de lançamento para muitos tipos
de flechas. Estas costumam ser descritas como "flamejantes"
ou "semelhantes ao sol", sendo, neste caso, dotadas de
alguma espécie de sistema de orientação que lhes
possibilitava encontrar seus alvos por meio do som. Por ser
evidente o fato de o desenvolvimento tecnológico não ser
necessariamente linear, conclui-se que nem todas as formas
de tecnologia superiores à nossa são aprimoramentos do tipo
de tecnologia de que dispomos hoje.
Conforme também demonstra a história das flechas
sensíveis ao som, mesmo ao se tornar invisível, o vimãna de
Sãlva ainda estava presente no plano físico, e era possível
ouvir os sons que emanavam dele. Esta característica
também se manifesta numa série de relatos sobre óvnis.
Encontramos um exemplo disto na história de um homem
chamado Maurice Masse, cujo resumo vai a seguir.
Masse era produtor de alfazema em Valensole, uma aldeia da
Provença, França. Na manhã de 1º de julho de 1965, por
volta das 5h45, ele terminava de fumar um cigarro antes de
começar a trabalhar. De repente, ouviu um zunido e, ao se
virar, avistou uma máquina com formato de bola de rúgbi e
do tamanho de um Dauphine. Apoiava-se sobre seis pernas,
com um pivô central fincado no solo abaixo dela. Masse viu
dois meninos perto do objeto, mas, ao se aproximar do
mesmo, percebeu que não eram meninos. A uma distância
de cerca de cinco metros, um dos seres paralisou-o ao
apontar um aparelho semelhante a um lápis na direção dele.
Após algum tempo, os seres voltaram à sua máquina, e
Masse pôde vê-los olhando para ele de dentro da nave.
Nessa altura, as pernas retraíram-se e, com um baque do
pivô central, a máquina alçou vôo e distanciou-se
silenciosamente. Aos vinte metros depois, desapareceu, mas
deixou vestígios de sua passagem no campo de alfazema,
num raio de quatrocentos metros. Segundo dizem, não
cresce mais alfazema no local onde pousou o veículo.
Conforme podemos constatar por esta descrição, na certa o
veículo esteve presente no plano físico após ter sumido de
vista a uma distância de vinte metros. Pelo menos, esta é
uma conclusão natural em virtude do fato de o campo de
alfazema ter sido afetado pela passagem do veículo num raio
de no mínimo quatrocentos metros. Logo, sua invisibilidade
parece ter sido semelhante à do vimãna de Sãlva. Em ambos
os casos, parece ter havido manipulação da luz ou do sentido
da visão de modo a ocultar a nave aérea, que mesmo assim
expôs sua presença pelo som ou pelas alterações do ar.
A faculdade da invisibilidade não se limitava apenas ao
vimãna de Sãlva. O próprio Sãlva também era capaz de se
tornar invisível e viajar para outro lugar neste estado. Além
disso, tinha o poder de projetar formas ilusórias:

Tomado de ira, o Senhor Krsna desferiu um golpe de maça
tão forte contra a clavícula de Sãlva que este passou a ter
sangramento interno e a tremer de frio como se estivesse a
ponto de desfalecer. Antes que Krsna pudesse atingi-lo de
novo, contudo, Sãlva se tornou invisível por meio de seu
poder místico.
Dentro de poucos instantes, um misterioso homem
desconhecido apareceu ante o Senhor Krsna. Mergulhado
em prantos, ele se prostrou aos pés de lótus do Senhor e
disse-Lhe: "Por seres o tão amado filho de Vasudeva, Teu
pai, Tua mãe, Devaki, enviou-me para informar-Te da triste
notícia de que Sãlva capturou Teu pai e levou-o à força,
assim como um carniceiro arrasta cruelmente um animal."
Ouvindo o homem desconhecido relatar esta triste notícia, o
Senhor Krsna ficou perturbadíssimo a princípio, tal qual um
ser humano comum. (...) Enquanto Sri Krsna estava assim
absorto em pensamentos, Sãlva trouxe até Ele um homem
acorrentado de aparência idêntica à de Vasudeva, o pai d'Ele.
Tudo não passava de criações do poder místico de Sãlva.
Sãlva disse então a Krsna: "Krsna patife! Este é o Teu pai, que
Te gerou e por cuja misericórdia ainda vives. Agora vê como
matarei Teu pai. Se tens alguma força, trata de salvá-lo." O
prestidigitador místico Sãlva, falando neste tom perante o
Senhor Krsna, logo decepou a cabeça do falso Vasudeva. Em
seguida, sem hesitar, agarrou o cadáver e embarcou em seu
avião.

Logo depois, Krsna percebeu que de fato não havia ali
nenhum corpo de Vasudeva. Tratava-se apenas de uma
ilusão projetada por Sãlva usando métodos aprendidos com
Maya Dãnava. Mais adiante neste capítulo (páginas 289-92),
analisarei casos nos quais entidades ufológicas parecem ter
feito pessoas verem miragens — tais como uma bela corça
no bosque — a fim de manipular- lhes o comportamento.
Exemplos disto se multiplicam tanto na literatura védica
quanto na literatura ufológica.
Na literatura ufológica também encontramos casos de
indivíduos desaparecendo subitamente e viajando para outra
localidade. Um exemplo disto ocorreu em Nouatre, Indre-
et-Loire, França, em 30 de setembro de 1954. Por volta das
16h30, Georges Gatey, chefe de uma equipe de
construtores, deparou com um homem de aparência
estranha parado em frente a uma grande abóbada brilhante
que flutuava cerca de um metro acima do solo. Meu
interesse neste caso está na forma pela qual estas estranhas
aparições desapareceram:

Repentinamente, o estranho homem desapareceu, e isto de
forma inexplicável para mim, já que ele não saiu andando de
meu campo de visão, mas sim esvaiu-se como uma imagem
que de súbito se apaga.
Então, escutei um forte zunido que abafou o ruído de nossas
escavadeiras; o disco subiu no sentido vertical fazendo
movimentos abruptos para em seguida também se apagar
numa espécie de bruma azul, como que por milagre.

O Sr. Gatey, um pragmático veterano de guerra que afirmava
não estar habituado a ímpetos de fantasia, teve sua história
confirmada por diversos dos construtores.
Outra história de óvni desaparecendo de repente envolveu o
policial Charles Delk, de Forrest County, Mississippi,
condecorado por sua dedicação no cumprimento da lei. Às
20h15 de 7 de outubro de 1973, Delk assistia à televisão
quando o assistente do delegado ligou para ele, pedindo-lhe
para investigar uma visão de óvni ocorrida perto dali. Cético,
Delk se recusou a desperdiçar seu tempo com tal coisa e
voltou a assistir a seu programa. Porém, tendo sido solicitado
uma segunda vez, resolveu investigar a queixa. Como era de
se prever, quando ele chegou ao local da visão, o óvni já se
fora.
No entanto, a caminho de casa, Delk viu um cintilante
objeto em forma de copa de árvore, com luzes piscantes, a
flutuar lentamente pelo ar. Mantendo contato pelo rádio
com seu superior, Delk descreveu como o objeto pairava
sobre uma instalação de energia elétrica e emitia jatos
sibilantes parecidos com os de um maçarico. Após Delk tê-
lo seguido por diversos quilômetros, o objeto se aproximou
de seu carro, e motor, luzes e rádio deixaram de funcionar.
Cerca de quinze minutos após o objeto partir, o carro e o
rádio voltaram a funcionar. Delk alcançou o objeto de novo
e observou-o virando lentamente de cabeça para baixo.
Então, ainda plenamente à vista, sumiu de repente.
Conhecidos de Delk o descreveram como um policial
pragmático e modelar que gozava de sólida reputação e nada
tinha a lucrar por inventar histórias absurdas.
Em resumo, a história do vimãna de Sãlva envolve uma nave
aérea com características semelhantes àquelas relatadas com
referência a visões de óvnis. Envolve, também, pessoas que
manifestam incomuns poderes e padrões de
comportamento, os quais são típicos daqueles relatados em
contatos imediatos com óvnis. De maneira engraçada, isto
foi reconhecido por J. A. B. van Buitenen na introdução à
sua tradução do Mahãbhãrata. Eis as suas observações sobre a
batalha de Krsna com Sãlva:

Temos aqui o relato de um herói que tomou estes
astronautas visitantes pelo que eles eram: intrusos e
inimigos. A cidade aérea nada mais é que um campo armado
com lançadores de chamas e canhão trovejante, sem dúvida
uma nave espacial. O nome dos demônios também é
revelador: eles eram nivãtakavacas, "trajados com armaduras
herméticas", que nada mais podem ser além de trajes
espaciais. É encorajador saber que alguma vez no passado
remoto se destacou um homem que destruiu a nave espacial,
abortando-lhe a missão munido de arco e flecha.

Os nivãtakavacas são um subgrupo dos dãnavas. A palavra
nivãta quer dizer nenhum ar, e kavaca, armadura. Talvez
isto se refira mesmo a trajes espaciais.

Levitação, ou Laghima-siddhi

Voltemos à história de Maurice Masse e analisemos sua
descrição dos seres que ele viu. Conforme ele disse, as
criaturas tinham menos de um metro e meio de altura,
usavam roupas cinza-esverdeadas justas e tinham cabeças
parecidas com abóboras. Tinham bochechas altas e carnudas,
grandes olhos oblíquos que varavam os lados do rosto, bocas
fendidas e sem lábios, queixos bem pontudos.
Movimentavam-se, prossegue a descrição, como que
"subindo e descendo no espaço como bolhas numa garrafa
sem apoio aparente" ou "deslizando ao longo de faixas de
luz".
Referências a seres estranhos que deslizam ou flutuam no ar
são por demais comuns em relatos sobre contatos imediatos
com óvnis. Encontramos outro exemplo disto na história do
sargento Charles L. Moody do Programa de Confiabilidade
Humana da Força Aérea americana, um grupo de elite cujos
candidatos a membro são submetidos a uma cuidadosa
triagem psiquiátrica para a identificação de distúrbios
emocionais (página 196). Ele relatou ter sido raptado de seu
automóvel nas redondezas de Alamogordo, Novo México,
na madrugada de 13 de agosto de 1975. Descreveu seus
captores como nanicos e disse: "Sei que vai soar ridículo e
espero que ninguém me coloque uma camisa-de-força, mas
aqueles seres não caminhavam, eles deslizavam."

A literatura védica descreve um poder místico chamado
Laghimã-siddhi, que capacita a pessoa a superar a força da
gravidade. Há inúmeras referências a seres e objetos que
flutuam como plumas por meio deste poder, de uso comum
entre os devas e raças humanóides afins. Portanto, um
comentário sobre o Bhãgavata Purãna declara: "Os residentes
dos sistemas planetários superiores, a começar de
Brahmaloka... até Svargaloka... são tão avançados na vida
espiritual que, ao virem visitar este ou outros sistemas
planetários inferiores semelhantes, mantêm sua
antigravidade. Isto significa que lhes é possível ficar de pé
sem tocar o solo."
Consta que os yogis podem adquirir o poder de Laghimã-
siddhi. Krsna descreve como se pode fazer isto no 11° Canto
do Bhãgavata Purãna:

Eu existo dentro de tudo, e sou por isso a essência dos
constituintes atômicos dos elementos materiais. Vinculando
sua mente a Mim desta forma, o yogi pode atingir a
perfeição chamada laghimã, mediante a qual percebe a
substância atômica sutil do tempo.

É curioso o fato de a antigravidade ser vinculada ao tempo.
Talvez seja significativo que, na teoria geral da relatividade, a
gravidade está ligada a transformações de espaço e tempo.
Também é digno de nota que nos tempos védicos já
conhecessem a idéia das partículas atômicas.

Desaparecimento e reaparecimento

É possível que Sãlva, ao desaparecer após ser golpeado por
Krsna, tenha apenas se tornado invisível e se afastado de
onde estava. Em outros casos constantes em relatos védicos,
contudo, alguém desaparece fisicamente de determinada
localidade para reaparecer em outra parte, e isto sem
atravessar o espaço intermediário da forma costumeira.
Segundo a perspectiva védica, a capacidade para se fazer isto
nada mais é que um poder místico natural, ou siddhi —
certos seres, tais como os cãranas e os siddhas, herdam-no
ao nascerem, enquanto outros logram adquiri-lo mediante
determinados métodos práticos. Tanto quanto no caso de
faculdades corpóreas comuns, este poder místico depende
das leis da natureza e da organização grosseira e sutil do
corpo.
Eis um dos muitos relatos védicos cuja trama tem este poder
como elemento padrão. Quando criança, o grande sábio
Vyãsa fizera uma promessa a sua mãe, Satyavati, dizendo:
"Mãe, se alguma vez precisares de mim, basta fixares tua
mente em mim que eu irei aonde estiveres." Passados alguns
anos, Satyavati precisou consultar Vyãsa por ocasião da
morte de Vicitravirya, então rei da dinastia Kuru e irmão
caçula de Vyãsa. Como o rei morrera sem deixar filhos,
Vyãsa poderia, segundo a lei, gerar filhos com as viúvas do
irmão para dar continuidade à linhagem real. Após Bhisma,
o estadista mais velho, ter aprovado este procedimento,
"Satyavati fixou a mente em seu filho, que recitava os Vedas
naquele momento. Bastou o grande sábio perceber que sua
mãe fixara a mente nele para num instante aparecer perante
ela".
Neste caso, parece que Vyãsa desapareceu do lugar onde
recitava os Vedas para logo aparecer diante de sua mãe num
local inteiramente diferente. O fato de Vyãsa ter feito isto
"num instante" sugere que ele viajou até onde estava sua
mãe se valendo de algum método paranormal. A
comunicação telepática entre Vyãsa e sua mãe também é
uma característica comum em relatos védicos.
O sábio Vyãsa era um ser humano imbuído de grandes
faculdades místicas, resultantes de ele ter sido dotado de
poder pelo próprio Ser Supremo. Uma pessoa assim é
conhecida como saktyãvesa-avatãra. Vyãsa é famoso por ter
compilado os Vedas e, segundo dizem, ele ainda vive nos
Himalaias. Na civilização védica, sábios deste tipo atuavam
como elos entre a sociedade humana terrestre e a hierarquia
celestial.
Encontramos, na literatura ufológica, muitos relatos de seres
que aparecem ou desaparecem de repente e que parecem ser
capazes de viajar mediante um misterioso artifício de
invisibilidade. No caso de William Hermann da Carolina do
Sul (veja páginas 206 e 227-32), dois seres alienígenas do
tipo atarracado e cabeçudo surgiram, segundo o relato, em
meio a um fulgor azul no quarto de Hermann enquanto ele,
no corredor, conversava ao telefone com o investigador
ufológico John Fielding. Um dos seres, conforme
reconheceu Hermann, estivera com ele num óvni durante
um rapto anterior. Após uma breve conversa telepática
durante a qual os seres disseram poder confiar em Fielding,
eles voltaram para o quarto de Hermann e sumiram.
Segundo disse Hermann, um pouco antes disso eles haviam
feito com que um objeto de metal, com inscrições gravadas
aparecesse ante seus olhos em meio a uma cintilante bola de
luz azul.
Num caso em Altrincham, Inglaterra, em fins de 1984, um
homem encontrou por duas ocasiões, conforme relata, um
pequeno ser feioso em seu quarto. Ele formula duas questões
interessantes sobre estas experiências: (1) Como era míope,
teve de esforçar-se para focalizar o ser, tanto quanto o fazia
normalmente com objetos reais. Por que uma experiência
alucinatória haveria de se sujeitar às limitações de sua pobre
visão? (2) A figura sumiu num instante sem fazer ruído
algum. Por que não deixou um vácuo parcial, acompanhado
de seu conseqüente ruído?
Num caso um tanto diferente relatado por um estudante
universitário de vinte anos, este, ainda criança, teria visto
um ser em seu quarto: "Era baixo e tinha olhos grandes...
também parecia ter uma aura ou alguma espécie de brilho à
sua volta. Acho que não consegui me mexer enquanto ele
esteve ali. Parece ter falado com meu irmão, mas não sei o
que disse. Parece ter entrado e saído pela parede por trás da
cômoda." Seria possível descartar esta história, é claro,
tachando-a de pesadelo ou alucinação. No entanto, como
semelhantes histórias ocorrem repetidas vezes e costumam
envolver seres de aparência padronizada, também é possível
que as experiências relatadas tenham sido provocadas por
visitas de entidades reais.
Por fim, há o controvertido caso de Eduard Meier (páginas
209-23). Segundo consta, Meier teria de súbito aparecido e
desaparecido em diversas ocasiões, supostamente como
resultado de manipulações de alta tecnologia por parte dos
seres com quem ele mantinha contato. Jacob Bertschinger,
por exemplo, descreveu o súbito aparecimento de Meier
como segue: "De repente, fiquei sobressaltado. Como num
súbito passe de mágica, apareceu uma figura humana no lado
direito do meu carro. Para falar a verdade, fiquei
perturbadíssimo." Ou, ainda, Engelbert Wachter, que estava
trabalhando com Meier e mais duas pessoas, telhando uma
casa. Assim depôs Wachter: "Senti os dedos dele tocarem
meu ombro. Então, virei-me e ele tinha sumido." Não
conseguiram encontrar Meier até ele aparecer de repente,
quatro horas mais tarde. Este tipo de depoimento constitui
parte das provas mais significativas do caso Meier — a não
ser que as testemunhas estivessem mentindo.

Viagem corpórea através da matéria e do espaço

Nestes exemplos de aparecimento e desaparecimento, os
objetos físicos não parecem ser movimentados apenas de
forma invisível através do espaço. Também são
movimentados através, ou de algum modo ao redor, da
matéria sólida. Os seres que visitaram William Hermann,
por exemplo, parecem ter entrado em seu quarto sem
passarem visível ou invisivelmente pela porta de seu trailer.
Ora, existe um processo védico de viagem, chamado
vihãyasa, mediante o qual um objeto físico é movimentado
diretamente através do éter para outro local, sem interagir
com a matéria grosseira intermediária. Neste caso, a palavra
éter é usada para traduzir o termo sânscrito ãkãsa. Ãkãsa é
espaço, mas é considerado uma substância, ou um espaço
cheio de matéria, e não um vácuo.
A história do rapto de Aniruddha no Bhãgavata Purãna
contém um exemplo de viagem vihãyasa. Uma jovem
princesa chamada Üsã vivia nos aposentos bem protegidos
do palácio de seu pai, na cidade de Sonitapura. Certo dia, Usa
teve um sonho vivido sobre um belo jovem que se tornava
seu amante. Como tinha certeza de que a pessoa do sonho
existia de verdade, ela pediu a sua amiga, a yogini mística
Citralekhã, que o encontrasse para ela:

Citralekhã disse: "Vou mitigar a tua aflição. Se é que pode ser
encontrado em alguma parte dos três mundos, hei de trazer-
te este teu futuro esposo que roubou o teu coração. Por
favor, mostra-me quem é."
Tendo dito isto, Citralekhã passou a desenhar retratos exatos
de diversos semideuses, gandharvas, siddhas, cãranas,
pannagas, daityas, vidydharas, yaksas e humanos.
Ó rei, entre os humanos, Citralekhã desenhou retratos dos
vrsnis, inclusive Sürasena, nnakadundubhi, Balarãma e
Krsna. Ao ver o retrato de Pradyumna, Üsã acanhou-se e, ao
ver o retrato de Aniruddha, curvou a cabeça para esconder
seu embaraço. Sorrindo, exclamou: "É Ele! É Ele!"
Citralekhã, dotada como era de poderes místicos,
reconheceu-O [Aniruddha] como o neto de Krsna. Meu
caro rei, ela então saiu viajando pela mística rota celestial
[vihãyasa] em direção a Dvãrakã, a cidade protegida pelo
Senhor Krsna.
Lá, encontrou o filho de Pradyumna, Aniruddha,
adormecido numa cama luxuosa. Com seu poder de Yogue,
ela O levou para Sonitapura, onde presenteou a amiga Üsã
com o seu amado.

O nome Citralekhã quer dizer alguém capaz de fazer belos
desenhos. Seguindo uma típica tendência védica, Citralekhã
imaginou ser o amante de Üsã originário de uma ampla
variedade de raças humanóides. Uma vez tendo-o
identificado como Aniruddha, ela viajou diretamente através
do espaço até o quarto dele, que ficava num palácio em
outra cidade. Portanto, do ponto de vista de quem estava
naquele quarto, ela apareceu ali vinda de parte alguma,
agarrou o adormecido Aniruddha sem perturbá-lo e sumiu
de vista. Trouxe-o diretamente para dentro do aposento
íntimo do palácio de Usa sem precisar usar as entradas
normais e alertar os guardas incumbidos de proteger a
castidade de Üsã. Esta história é semelhante a muitos relatos
de rapto por óvni, com a exceção de que, para Aniruddha, a
experiência não foi traumática — pelo menos até o pai de
Üsã descobrir o que estava acontecendo.
Muitos exemplos de histórias de contato com óvni parecem
envolver esta espécie de viagem mística através do espaço e
da matéria. Um destes exemplos é o caso do rapto de Sara
Shaw (veja páginas 224-25). Segundo ela reparou, seus
raptores entraram em seu quarto por uma janela fechada. Ao
lhe perguntarem como eles conseguiram fazer isto, ela disse:
"Isto me faz sentir ridícula de verdade, mas parece que eles
atravessaram a vidraça sem a quebrarem." Em outro caso, a
psicóloga Edith Fiore fazia uso da hipnose para explorar a
experiência de rapto de uma pessoa chamada Gloria. No
decorrer de uma sessão, Gloria disse: "Eu saí flutuando até lá.
Foi assim que cheguei à calçada. Atravessei a parede e fui
parar na calçada."
Em ainda outro caso investigado por Edith Fiore, uma
testemunha chamada Fred lembrou-se da seguinte
experiência sem o auxílio da hipnose:

Durante a noite, algo me acordou. Olhei ã minha volta, mas
não havia ninguém no quarto. O quarto dava para a rua.
Tinha uma janela ampla de dois e meio por dois com aquelas
venezianas antigas. (...) As venezianas estavam abertas. Eu
estava ali deitado e comecei a me revirar. Há algo sobre a
experiência toda que jamais consegui aceitar ou entender
por completo. E provavelmente jamais conseguirei. Eu
atravessei aquelas venezianas! Confesso que fiquei
aterrorizado. Eu as atravessei. Elas não se abriram. A janela
não se abriu. Literalmente, atravessei aquelas venezianas.
Até hoje, isto me espanta! A próxima coisa que vi foi uma
placa de rua, "Church Street".

Num caso investigado por Trevor Whitaker no Reino
Unido, um motorista de ambulância chamado Reg relatou
ter encontrado estranhos visitantes em seu quarto em
fevereiro de 1976. Os visitantes, dois seres altos, com rostos
cinzentos e grandes olhos felinos, trataram-no como a um
espécime. Disseram-lhe para se deitar de bruços em sua
cama e o paralisaram. Ele experimentou sair flutuando pelo
teto em direção ao céu, onde pairava um óvni em forma de
banheira. Submeteu-se a exames médicos a bordo do óvni e,
por meio de telepatia, ouviu uma série de referências
bíblicas sobre o Alfa e o Ômega. "Disseram-lhe que mil de
seus anos não passam de um dia para nós" e também lhe
informaram que um ser como ele, semelhante a um verme,
não devia fazer perguntas a respeito da identidade dos
visitantes. Mais tarde, viu-se de volta em seu quarto
sofrendo de grandes lapsos de memória, mas se lembrou de
sua experiência sem o auxílio da hipnose.
Meu último exemplo é extraído da história de Betty
Andreasson. Neste caso, utilizou-se a hipnose para estimular
a memória da testemunha. Eis parte da transcrição de uma
das sessões:

Joseph Santangelo: Como eles foram parar ali, Betty?
Betty: Atravessaram a porta.
Joseph Santangelo: Você abriu a porta para eles?
Betty: Não.
Joseph Santangelo: Eles abriram a porta?
Betty: Não. (...) Eles entraram como na brincadeira infantil
follow-the-leader (uma criança é seguida por outras em fila,
e cada ação dela é imitada pelas outras). (...) Estão
começando a atravessar a porta agora (...) atravessando a
madeira, um após o outro. É impressionante! Atravessando!
Retrocedi um pouco. Era mesmo real? Lá vêm eles, um após
o outro. (...) Agora já estão todos dentro de casa.
Mais tarde, disse Andreasson, dois dos seres se posicionaram
em frente e atrás dela, fazendo-a flutuar através da porta até
um óvni estacionado do lado de fora.
Segundo a literatura védica, é possível um indivíduo, usando
os poderes de sua mente, fazer sua própria viagem mística.
No Bhãgavata Purãna, por exemplo, Krsna explica uma
modalidade de viagem mística, chamada mano-java, como
segue:

O yogue, mantendo sua mente absorta por completo em
Mim e fazendo então uso do vento que acompanha a mente
para absorver o corpo material em Mim, obtém, mediante a
potência da meditação em Mim, a perfeição mística por
meio da qual seu corpo acompanha sua mente de imediato
para onde quer que ela vá.

No caso de Citralekhã e Aniruddha, ou no caso de Vyãsa na
seção precedente, fica claro que a viagem foi realizada por
meio da potência direta dos indivíduos em questão.
Citralekhã conseguiu não apenas movimentar seu próprio
corpo através da matéria como também trazer consigo o
corpo adormecido de Aniruddha. Isto pode ser um paralelo
a relatos sobre óvnis, segundo os quais seres humanóides
fazem pessoas atravessarem por paredes sólidas.
Conforme se argumenta às vezes, o maquinário de alta
tecnologia localizado num óvni seria utilizado para
locomover corpos e transformá-los de modo a poderem
atravessar a matéria sem interferência. Segundo sustentava
Eduard Meier, por exemplo, suas súbitas aparições
misteriosas sucediam quando ele entrava numa máquina de
telecinese, a bordo de um óvni em pleno vôo, para ser
transmitido diretamente para um certo ponto na superfície
da Terra.
De acordo com o relato do jornalista Gary Kinder, o método
de telecinese funciona à Star trek, desmontando-se a
estrutura molecular de uma pessoa num certo ponto e
remontando-a em outro. Contudo, isto não explica a forma
como os átomos desestruturados passam de um ponto a
outro. Segundo enfatiza o próprio Meier, o processo só
funciona "se estou com a cabeça e o coração serenos", o que
sugere que o método tem algo a ver com a mente.
Este é um exemplo da forma pela qual a trapaça alienígena
pode ter representado seu papel no caso Meier. Como em
outros casos de óvnis, talvez Meier tenha experimentado o
translado paranormal através do espaço. Mas talvez a
explicação a respeito do realinhamento molecular seja uma
história falsa elaborada para atrair pessoas versadas em
ciência moderna e ficção científica.
Apesar de a história de Meier ter muitos elementos
duvidosos, sua descrição de uma máquina de telecinese
mereceu certa confirmação aparentemente independente da
parte de Budd Hopkins. (Hopkins, aliás, foi categórico em
tachar Meier de embusteiro.) Hopkins reconta a história de
como Kathie Davis, testemunha de um contato imediato, foi
posicionada por seus captores sobre uma plataforma redonda
dentro de um óvni. Então, o recinto pareceu tremeluzir, e
ela sentiu uma dor repentina no peito. Quando voltou a si,
estava deitada no gramado de seu quintal, e pôde ver o óvni
partindo, semelhante a uma tiara ornada com pequenas
luzes.
É provável que a telecinese da matéria não possa ser feita
por mecanismos subordinados às leis físicas conhecidas, mas
é bem possível que existam princípios de física ainda por
descobrir. Aparentes ocorrências de telecinese costumam
ser relatadas em casos de poltergeist, nos quais objetos que
se sabia estarem em outro lugar são vistos de repente em
pleno ar e seguindo trajetórias estranhas. Estes fenômenos
podem também estar relacionados a siddhis védicos, tais
como prãpti e mano-java.
Como os siddhis são princípios naturais, existe a
possibilidade de terem sido construídas máquinas que tiram
proveito destes princípios, e talvez alguns vimãnas e óvnis
com base neles funcionem. Logo, seria possível fazer uso do
Laghimã-siddhi para tornar a nave antigravitacional e do
mano-java para locomovê-la através do éter. Outros veículos
poderiam fazer uso de métodos de propulsão mecânica ou
eletromagnética mais conhecidos, ou poderiam empregar
uma combinação de siddhis e princípios mais conhecidos.
Os siddhis e os princípios físicos conhecidos são, uns e
outros, aspectos da natureza, que é considerada pela filosofia
védica como uma manifestação da potência divina. Uma
compreensão profunda tanto dos siddhis quanto das leis da
física proporcionaria, presume-se, um entendimento
unificado segundo o qual ambos representam facetas de um
todo maior.


O rapto de Arjuna por Ulupi

No caso Villas Boas (veja páginas 165-67), os ufonautas
parecem ter raptado um ser humano a fim de induzi-lo a
fazer sexo com uma alienígena. De fato, a história de Üsã e
Aniruddha não se compara a esta, visto que eles
desenvolveram um relacionamento de igual para igual e
acabaram se casando. No entanto, temos, em certos relatos
védicos, casos onde um membro de outra raça humanóide
rapta um ser humano por motivos de luxúria.
Isto é ilustrado por um relato do Mahãbhãrata envolvendo o
herói Pãndava Arjuna. Tudo começou quando Arjuna foi
exilado por doze meses por ter acidentalmente invadido a
privacidade de seu irmão Yudhisthira com Drau-padi, esposa
comum de ambos. Arjuna, também conhecido como o filho
de Kunki, foi visitar Haridvãra ao longo do rio Ganges nos
Himalaias. Lá, ele participou de ritos de sacrifício com
diversos sábios.

Enquanto o filho de Kunti residia ali entre os brãhmanas, O
Bharata, os sábios realizaram muitos agni-hotras, oferendas
ao fogo sagrado. Enquanto se acendiam as fogueiras em
ambas as margens do rio, as oferendas abundavam e flores
eram ofertadas em adoração por eruditos sábios auto-
controlados, devidamente consagrados e fixos como grandes
almas no caminho espiritual, e então, O rei, a passagem do
Ganges brilhava com extraordinário esplendor.
Quando sua residência foi assim coroada de divindade, o
querido filho de Pãndu e Kunti mergulhou então na água do
Ganges, para ser consagrado para o rito santo. Tomando seu
banho ritual e adorando seus antepassados, Arjuna, feliz por
ter participado do rito do fogo, estava saindo da água, Ó rei,
quando foi puxado de volta para o fundo por Ulüpi, a filha
virgem do rei serpente, que podia viajar à vontade e se
encontrava dentro daquelas águas naquela ocasião.
Agarrando-se a ele, ela o fez descer até a terra dos nãgas, à
casa do pai dela.

Ulüpi se ofereceu então a Arjuna, argumentando desejá-lo
ardentemente, motivo pelo qual ele deveria ser
misericordioso e satisfazê-la. Arjuna o fez de acordo com o
código dos ksatriyas, a classe védica dos guerreiros. Deste
modo, "o impetuoso herói Arjuna passou a noite no palácio
do rei nãga e, ao nascer do sol, partiu das profundezas da
morada de Kauravya".
Kauravya é o nome do rei nãga. Observe que, quando Ulüpi
puxou Arjuna para o fundo do rio, em vez de ir dar num
fundo de rio rochoso ou arenoso, ele acabou parando no
reino nãga. Este é outro exemplo de viagem mística, só que,
neste caso, os viajantes passaram a um mundo paralelo ou
supradimensional. Os nãgas são uma raça de seres
inteligentes que, segundo consta, vivem ou no sistema
planetário chamado Bila-svarga ou em realidades paralelas na
superfície da Terra. Analisaremos estas realidades paralelas
com mais minúcia na seção seguinte e no Capítulo 8.
Por ora, lembremo-nos de que, segundo é relatado, as
entidades ufológicas afirmam compartilhar de nosso mundo;
nossas atividades, afirmam ainda, afetam os mundos delas
diretamente (veja página 240). Se algumas delas vivessem
em mundos paralelos como aqueles dos nãgas, então, isto
faria sentido.

O rapto de Duryodhana

Embora a atração sexual pareça representar seu papel tanto
em histórias modernas quanto em histórias védicas de rapto,
é possível também haver outros fatores motivadores. O
rapto do rei Duryodhana no Mahãbhãrata é um exemplo
cujos motivos subjacentes envolviam política e estratégia
militar.
Certa feita, o rei Duryodhana teve um embate com alguns
gandharvas, que haviam isolado uma área ao redor de um
lago para fins de recreação e impedido o acesso do exército
de Duryodhana. Como Duryodhana tentasse furar o cerco
de qualquer maneira, resultou uma violenta batalha, após a
qual ele foi capturado pelas forças armadas dos gandharvas.
Arjuna, então hospedado próximo dali, valeu-se de seus
vínculos políticos com os gandharvas para libertar
Duryodhana. Embora Arjuna e seus irmãos tivessem sido
exilados por Duryodhana, Arjuna interveio para salvá-lo dos
gandharvas com base no fato de o mesmo ser seu parente e
um ser humano.
Duryodhana se sentiu humilhado por ter sido salvo por
alguém que ele havia desprezado e maltratado como se fosse
um inimigo; por isso, resolveu abandonar tudo e jejuar até
morrer. Entretanto, alguns outros grupos pareciam ter
planos duradouros para Duryodhana, não ficando nada
satisfeitos com o rumo que as coisas tinham tomado:
Em conseqüência disso, os daityas e os dãnavas, medonhos
residentes do mundo inferior que haviam sido derrotados
pelos deuses, ao ficarem sabendo da decisão de Duryodhana
por abandoná-los, realizaram um rito de sacrifício a fim de
recuperá-lo.

Com mantras, os dãnavas convocaram uma "mulher
maravilhosa com boca carnuda", solicitando-lhe que fosse
buscar Duryodhana. Esta mulher, pertencente a uma raça de
seres demoníacos chamada krtyã, era capaz de transportar o
rei por meio de viagem mística: "Krtyã deu sua palavra de
que o faria e, num piscar de olhos, foi até o rei Suyodhana
[Duryodhana]. Ela se apoderou do rei e com ele entrou no
mundo inferior, entregando-o aos dãnavas logo em seguida."

O "mundo inferior" não é exatamente a região abaixo da
superfície da Terra. Segundo a literatura védica, existem três
regiões conhecidas como Svarga, ou céu. Elas são delineadas
em relação à eclíptica, ou a rota orbital do Sol contra o pano
de fundo das estrelas fixas. Há o Divya-svarga (céu divino), a
região dos céus ao norte da eclíptica; o Bhauma-svarga (céu
terrestre), aproximadamente no plano da eclíptica; e o Bila-
svarga (céu subterrâneo), ao sul da eclíptica. Às vezes, o
Bhauma-svarga é chamado de Bhü-mandala, a "terra plana"
já mencionada aqui (veja página 254).
O "mundo inferior" é o Bila-svarga. Está "lá" nos céus, mas,
ao mesmo tempo, é possível atingi-lo adentrando a Terra
mediante viagem mística. Também é possível adentrar as
regiões inferiores tomando o caminho pitr-yãna, que,
segundo diz o Visnu Purãna, começa perto das constelações
Escorpião e Sagitário e se estende para o sul na direção da
estrela Agastya, ou Canopus. Isto é descrito com mais
minúcia no Capítulo 7 (página 323).
Uma vez estando Duryodhana na presença dos dãnavas, eles
explicaram que seu nascimento na Terra fora
predeterminado como parte do plano deles. Sua grande força
corpórea e sua quase total imunidade a armas haviam sido
providenciadas por manipulações dos dãnavas. Portanto, ele
não devia pôr tudo a perder sacrificando sua vida. Dãnavas e
daityas, nascendo como heróis terrestres, ajudá-lo-iam em
sua batalha contra os Pãndavas. Segundo salientaram ainda
os dãnavas, eles fariam uso do controle da mente para se
certificar de que esta batalha tivesse o desfecho desejado:
Outros asuras irão se apoderar de Bhisma, Drona, K.rpa e os
demais; e, possuídos por aqueles, estes lutarão contra teus
inimigos sem piedade. Quando estiverem travando a batalha,
melhor dos Kurus, não terão a menor piedade nem de filhos
nem de irmãos, nem de pais nem de parentes, nem de
alunos nem de amigos, nem de jovens nem de velhos.
Cruéis, possuídos pelos dãnavas, com seus espíritos
subjugados, travarão a batalha, deixando de lado qualquer
sentimento de amor. Jubilantes e com as mentes
obscurecidas, os homens-tigre, embriagados pela ignorância
segundo o destino traçado pelo Ordenador, dirão uns aos
outros: "Não escaparás de mim com vida!" Firmados em seu
poder humano para empunhar múltiplas armas, melhor dos
Kurus, eles orgulhosamente perpetrarão um holocausto.

Como se isto não bastasse, o herói Karna e os "guerreiros
declarados" (um bando de rãksasas), explicaram ainda os
dãnavas, matariam Arjuna. Os mesmos dãnavas
providenciaram o regresso de Duryodhana após o
convencerem de que ele sairia vitorioso:

A mesma Krtyã trouxe a fortíssimo homem de volta quando
este foi dispensado, para o mesmíssimo local onde ele
estivera jejuando até a morte. Krtyã baixou o herói, saudou-
o e, após o rei dispensá-la, sumiu de vista aí mesmo.
Após ela partir, o rei Duryodhana pensou que tudo não
passara de um sonho, Bhãrata, restando-lhe a seguinte idéia
fixa: "Eliminarei os Pãndus na batalha."
Esta história do Mahãbhãrata tem uma série de
características também constantes em relatos sobre raptos
por óvnis. Entre outras, incluem-se:

1. Um ser estranho leva o corpo de Duryodhana para outro
local, onde este tem um encontro com outros seres
estranhos.
2. Usa-se transporte místico ou supradimensional.
3. Os seres estranhos têm forma humana, mas aparência
"medonha". Com certeza, são "alienígenas".
4. Estes seres vêm orientando a vida de Duryodhana desde
o princípio.
5. Eles projetaram o corpo de Duryodhana de modo a que
ele fosse quase imune às armas. Portanto, parecem ter
realizado manipulações genéticas, ou algo semelhante.
6. Os alienígenas planejavam manipular seres humanos
através do controle da mente.
7. Após sua entrevista, Duryodhana foi devolvido ao local
de onde fora levado e, após baixá-lo, sua captora sumiu.
8. Após a experiência, tudo ficou parecendo um sonho.

Há, na literatura ufológica, relatos comparáveis à história do
transporte paranormal de Duryodhana de um lugar a outro.
Whitley Strieber, por exemplo, disse ter certa vez acordado
e encontrado um de seus estranhos visitantes ao lado de sua
cama — um ser de forma mais ou menos humanóide que,
além de feminino, parecia um inseto. Esta visitante
controlou-lhe os movimentos e se pôs a fazê-lo flutuar para
fora de seu quarto: "Bastava eu andar para tudo voltar ao
normal. Mas, tão logo parava de andar, eu começava a
flutuar de novo. Eu podia senti-la me empurrando pelas
costas. (...) Não tinha o menor controle sobre para onde ia.
Eu não estava me movimentando — estava sendo
movimentado."
A princípio, ele se viu em movimento pelo interior de sua
casa, que parecia perfeitamente normal. Agarrou sua gata,
Sadie, ao passar por ela, de modo a ter alguma prova de que
não estava sonhando. Porém, ao atingir uma porta externa,
entrou em outro estado:

Movemo-nos de novo, só que desta vez me vi numa
situação profundamente diferente. Já não conseguia
enxergar direito. Havia uma escuridão cintilante à minha
frente. Ainda podia sentir Sadie em meus braços, e a
companhia dela me agradava muito. Quando me dei conta
de mim novamente, estava parado num recinto. Era um
cômodo comum. Eu estava de frente para uma escrivaninha
grande e simples.
Havia três outros seres no recinto: uma mulher de aparência
normal, um homem louro de dois metros de altura vestido
com macacão e um sujeito de rosto comprido, negros olhos
arredondados e uma peruca, que "parecia algo de outro
mundo vestido como nos anos 40".

Paralisia induzida e hipnose a longa distância

Conforme uma característica comum de muitos relatos
sobre raptos por óvnis, a pessoa raptada é paralisada de
alguma forma por seus captores. Isto parece envolver uma
faculdade hipnótica que os raptados costumam associar aos
olhos de seus estranhos visitantes. Um exemplo clássico
disto seria Barney Hill, que relatou ter se sentido dominado
pelo olhar de um ser alienígena, visto, com o auxílio de um
binóculo, a observá-lo da janela de um óvni pairando no ar
(veja páginas 151-52).
A faculdade de paralisar pelo olhar representa o seu papel
numa história do Mahãbhãrata. Deixando de lado diversas
complexidades da trama, a história começa com Indra, o rei
dos devas, sendo levado pela deusa Gangã ao cume da
montanha King, nos Himalaias:

Indra a acompanhou enquanto ela lhe indicava o caminho, e
viu, próximo ao cume da montanha King, um belo jovem
sentado num trono, rodeado por jovens companheiras e
jogando dados. Indra, o rei dos deuses, disse-lhe: "Fica
sabendo que este universo é meu, pois o mundo está sob
meu controle. Eu sou o senhor." Indra falou isto cheio de
ira, vendo o jovem completamente distraído com seus
dados.
O jovem, que também era um deus, só fez gargalhar e em
seguida levantou os olhos devagar na direção de Indra. Tão
logo o jovem lhe dirigiu o olhar, o rei dos deuses ficou
paralisado e enrijecido como o tronco de uma árvore.
Após terminar seu jogo, o jovem disse à deusa chorosa:
"Traze-o até mim e eu cuidarei para que o orgulho não o
domine outra vez."

O jovem vinha a ser o Senhor Siva, que então castigou Indra
para curá-lo do falso orgulho. Todas as pessoas envolvidas
nesta história eram devas. No entanto, existe um poder
místico de controle da mente a longa distância, chamado
vasitã-siddhi, que é possuído por muitas raças humanóides,
podendo ser adquirido por yogues humanos também. Este
poder é descrito como segue:

Esta perfeição nos permite manter qualquer pessoa sob
controle. É uma espécie de hipnotismo quase irresistível. Às
vezes, vê-se um yogue, que tenha atingido certa perfeição
neste poder místico vasitã, aparecer entre as pessoas e lhes
falar toda classe de disparates, controlar-lhes as mentes,
explorá-las, tirar-lhes o dinheiro e depois ir embora.

Há algumas provas de que mesmo a hipnose "comum" pode
atuar à distância. Isto poderia ter implicações importantes no
que diz respeito à capacidade de pessoas comuns atingirem o
vasitã-siddhi, além de também poder esclarecer a natureza
do controle da mente e da paralisia induzida em casos de
óvnis.
Eis um possível caso de sugestão hipnótica a longa distância,
relatado pelo pesquisador metapsíquico F. H. W. Myers em
fins do século XIX. A história começa às 21h de 22 de abril
de 1886. Quatro pesquisadores, Ochorowicz, Marillier, Janet
e A. T. Myers, atravessaram furtivamente as ruas desertas de
Le Havre, França, e se posicionaram do lado de fora do
chalé de Madame B. Aguardaram ansiosos. "Às 21h25",
escreveu mais tarde Ochorowicz, "vi um vulto aparecer no
portão do jardim: era ela. Escondi-me detrás da esquina para
poder ouvir sem ser visto."
A princípio, a mulher se deteve no portão e voltou para o
jardim. Depois, às 21h30, saiu correndo pela rua afora,
cambaleando rumo à casa do Dr. Gibert. Os quatro
pesquisadores, ao tentarem segui-la da maneira mais discreta
possível, puderam constatar seu óbvio estado sonambúlico,
Por fim, ela chegou à casa de Gibert, entrou e correu agitada
de quarto em quarto até encontrá-lo.
Este foi o resultado planejado de uma experimentação com
influência hipnótica a longa distância. A Madame B. era uma
pessoa facilmente hipnotizável, tendo sido a cobaia de
muitos experimentos organizados pelo Prof. Pierre Janet e o
Dr. Gibert, preeminente médico de Le Havre. Nesta
pesquisa, juntaram-se a eles F. Myers da Sociedade Londrina
de Pesquisas Metapsíquicas, o Dr. A. T. Myers, o Prof.
Ochorowicz da Universidade de Lvov e M. Marillier da
Sociedade Francesa de Psicologia.
Naquela ocasião, o plano do Dr. Gibert era permanecer em
seu estúdio e, mentalizando, convocar a Madame B. a deixar
seu chalé e vir ter com ele. O chalé ficava a cerca de um
quilômetro da casa dele, e nem a Madame B. nem nenhuma
das outras pessoas que ali viviam haviam sido informadas da
realização do experimento. Gibert passou a emitir comandos
mentais para convocá-la às 20h55 e, dentro de cerca de
meia hora, ela começou sua jornada para a casa dele.
Segundo F. Myers, de 25 experimentos semelhantes, 19
foram igualmente bem-sucedidos.
Experimentos como este do Dr. Gibert e seus colegas talvez
não pareçam de confiança. Foram preparados de maneira
um tanto vaga e não fizeram uso do tipo de rígidos
protocolos de laboratório que associamos a trabalhos
científicos bem aceitos. No entanto, muitos bem-
organizados experimentos com influência hipnótica à
distância têm sido realizados dentro de laboratórios.
Por exemplo: o Prof. Leonid Vasiliev da Universidade de
Leningrado realizou muitos experimentos nos anos 20.
Numa série de experimentos, uma cobaia chamada Fedorova
costumava chegar ao laboratório de Vasiliev por volta das
20h. Após cerca de vinte minutos de repouso e conversa,
deitava-se numa cama numa câmara escura. À intervalos
regulares, alguém lhe dizia para apertar um balão de
borracha ligado a um tubo de ar enquanto estivesse desperta
e para parar de apertá-lo quando começasse a adormecer. O
tubo de ar estava ligado a um aparelho no recinto contíguo,
aparelho este responsável por registrar quando ela
adormeceria e despertaria.
Uma vez estando Fedorova na câmara escura, ela não tinha
mais contato com os experimentadores. Quando ela ali
entrava, o experimentador que estivera conversando com
ela transmitia um sinal a outro experimentador, denominado
transmissor, que aguardava a dois cômodos de distância. O
transmissor passava então a uma câmara equipada com sonda
especial e abria uma carta que havia sido preparada de
antemão e não tinha sido lida pela cobaia ou os dois
experimentadores. Esta carta instruía o transmissor a fazer
uma das três coisas seguintes: (1) permanecer dentro da
câmara equipada com sonda e, mentalizando, ordenar a
cobaia a adormecer; (2) colocar sua cabeça para fora da
câmara e emitir os mesmos comandos mentais; e (3) colocar
sua cabeça para fora da câmara e não emitir nenhum
comando mental.
Em 29 rodadas deste experimento, o tempo médio que a
cobaia levava para adormecer quando não lhe eram
transmitidos comandos mentais era de 7m24. Em contraste,
o tempo médio de adormecimento quando lhe eram
transmitidos os comandos era de 4m43. Quando os
comandos eram transmitidos fora da câmara, o tempo médio
era de 4m13.
A cobaia parecia adormecer mais rápido quando uma pessoa
a dois cômodos de distância lhe transmitia ordens mentais
para que adormecesse do que quando não recebia ordem
alguma. Vasiliev realizou muitos outros experimentos deste
tipo, todos organizados com esmero, tendo registrado
resultados parecidos. Entre estes, incluiu-se um experimento
vitorioso envolvendo a transmissão de comandos mentais
para adormecer e despertar de Sebastopol para Leningrado,
uma distância de 1.700 quilômetros.
O objetivo da câmara era verificar se a influência de longo
alcance era transmitida ou não por ondas radiofônicas, o que
seria impedido pela sonda. Segundo Vasiliev concluiu a
partir de seus muitos experimentos, não havia envolvimento
de ondas radiofônicas, uma vez que o transmissor parecia
obter os mesmos resultados tanto dentro quanto fora da
câmara.
Esta pesquisa mostra ser relevante para o assunto dos raptos
por óvnis, já que, caso após caso, a testemunha ou
testemunhas relatarão ter sido atraídas mentalmente para
uma determinada localidade onde ocorre um contato
imediato com um óvni. A experiência de Madame B., que
foi orientada mentalmente até a casa do Dr. Gibert, é um
exemplo humano deste mesmo fenômeno. Conforme
sugerem as provas empíricas relativas à hipnose a longa
distância e a informação védica sobre vasitã-siddhi, este tipo
de controle mental pode ser uma faculdade natural da mente
tanto de seres humanos quanto de raças humanóides afins.

Projeção de formas ilusórias

A projeção de formas ilusórias fornece outro paralelo entre o
fenômeno ufológico e a visão de mundo védica. Há muitos
relatos sobre óvnis em que se projeta alguma espécie de
ilusão. Em alguns casos, o óvni parece vir disfarçado como
um objeto comum e, em outros, as entidades ufológicas
parecem se disfarçar assumindo ou mentalmente projetando
formas irreais, inclusive formas de animais. Eis um exemplo,
recontado por Jacques Vallee, de um homem que relatou ter
visto uma nave estranha de perto, ao passo que seu
companheiro relatou ter visto apenas um ônibus comum.
Às 21h30 do dia 17 de novembro de 1971, um brasileiro
chamado Paulo Gaetano voltava de carro de uma viagem de
negócios, acompanhado pelo Sr. Elvio B. Ao passarem pela
cidade de Bananeiras, Paulo disse haver algo de "anormal"
com o carro, mas seu companheiro só se declarou cansado e
com vontade de dormir. Segundo Paulo, o motor pifou e ele
precisou parar o carro no acostamento da estrada. Um feixe
de luz vermelha parece ter feito a porta se abrir. Diversos
seres pequenos apareceram então, levaram-no até uma nave
próxima dali e submeteram-no a alguma espécie de exame
médico, que incluiu a retirada de uma amostra de sangue de
seu braço. Também lhe mostraram dois painéis ilustrando
uma explosão atômica e a planta de uma cidade próxima dali.
Paulo não conseguiu lembrar como ele e Elvio voltaram para
casa.
Elvio contou uma história diferente:

Perto de Bananeiras, Paulo passara a mostrar sinais de
nervosismo, relatou Elvio. Disse-lhe haver um disco voador
os acompanhando, quando de fato era um ônibus, mas
mantendo uma distância razoável atrás do carro.

Elvio viu o carro parar no acostamento da estrada e se
lembrou de ter encontrado Paulo deitado no solo atrás do
carro estacionado. Mas não se lembrou de ter visto Paulo
saindo do carro, nem sabia o que lhe havia acontecido. Ele
levou Paulo de ônibus para a cidade vizinha de Itaperuna,
mas não conseguiu explicar por que eles haviam abandonado
o carro. Um oficial de polícia daquela cidade observou o
corte no braço de Paulo e encontrou o carro estacionado no
acostamento da estrada.
Se aceitarmos a veracidade desta história, precisaremos
pressupor alguma espécie de ilusão para explicar os eventos
relatados. Poderíamos supor o caráter ilusório da experiência
de Paulo, ou da de Elvio, ou de ambas. Se presumirmos que
Paulo viu um óvni ilusório (e que Elvio teria visto um ônibus
de verdade), então, teremos de explicar por que Elvio ficou
tão confuso, por que Paulo experimentou um rapto ilusório
envolvendo um corte no braço e como aquele corte
aconteceu de fato. Podemos, é claro, sempre atribuir a
confusão e o rapto ilusório a um agente desconhecido
dentro ou fora das mentes das testemunhas. O corte poderia
também ter sido feito por este agente, ou pode ter sido
produzido de alguma outra forma, esquecida pelas
testemunhas em sua confusão.
Esta é uma explicação complexa, mas poderemos dispor de
uma mais simples se admitirmos que Paulo teve uma
experiência autêntica. Neste caso, poderemos atribuir a
observação do ônibus por parte de Elvio e sua conseqüente
confusão a percepções falsas induzidas pelas entidades
ufológicas. Esta opção tem a vantagem de envolver uma
ilusão simples, o ônibus, e não uma ilusão complexa, ou seja,
a experiência do rapto. Além disso, proporciona prováveis
suspeitos para os perpetradores da ilusão, ou seja, os pilotos
do óvni, em vez de atribuir isto a um agente desconhecido.
Passo a seguir ao exemplo de uma adolescente que, num
piquenique com sua família, relatou a extraordinária
experiência de ter visto uma bela corça no bosque — apenas
para descobrir, através da hipnose, que aquilo
aparentemente era acobertamento de um contato imediato
com um óvni. A testemunha, hoje advogada de uma
empresa de grande porte, recebeu de Budd Hopkins o
pseudônimo Virgínia Horton a fim de proteger sua
identidade. Eis a descrição por ela feita da corça, conforme
recordada diretamente sem o auxílio da hipnose:

Bem, eu até pensei no caso, mas nada me ocorreu exceto me
lembrar novamente de ter ficado maravilhada, na época,
com a belíssima corça que eu vi. Você sabe como é, é como
se eu tivesse saído do bosque e dissesse ter visto um
unicórnio. Eu tive aquela sensação de excitamento e
maravilha. (...) E, pelo que me lembro, a corça olhava para
mim e dizia adeus. A corça me dizia adeus de forma
telepática. (...) Era como se eu estivesse conversando com
ela e dizendo: "Ora, não se vá ainda", e então ela acabasse se
desmaterializando, sumindo.

Ao voltar a ter com a família após ter visto a corça, Virginia
notou-os preocupados com a ausência dela, muito embora
sentisse não ter se ausentado por tanto tempo. Sua mãe
também reparou uma mancha de sangue na blusa dela, como
se o seu nariz tivesse sangrado. Esta prova específica foi
percebida num filme feito então pelo pai de Virginia.
Sob hipnose administrada pela psicóloga Aphrodite Clamar,
Virginia revelou ter sido atraída até uma estranha nave
estacionada no bosque:

Estou caminhando pelo bosque. Há uma luz bem brilhante.
Há uma nave como aquelas que aparecem nos filmes. Ela é
redonda. Tem o formato aproximado de uma abóbada, mas
não tenho certeza quanto a isto. (...) A luz é tanta que na
verdade não é possível ver direito. (...) E depois ouço quase
como num sussurro: "Virginia... Virginia", e penso que eles
chamavam por mim dentro da minha cabeça.

Virginia passou então a descrever um contato bastante
complexo com típicas entidades de olhos grandes a bordo da
nave. Durante este contato, introduziram um instrumento
no nariz dela, aparentemente para extrair uma amostra de
tecido. Isto tem a ver com o sangue na blusa dela, é claro. O
episódio da corça ocorreu após ela deixar a nave, talvez
como forma de arrumar uma desculpa natural para a sua
ausência prolongada.
Há outros exemplos de formas animais ilusórias que parecem
vinculados, direta ou indiretamente, às visitas das entidades
ufológicas. Por exemplo: conforme salienta Whitley
Strieber, às vezes ele se lembra de seus visitantes sob a
forma de corujas, um fenômeno por ele interpretado como
"memória de triagem" gerada pela mente para disfarçar a
verdadeira forma horripilante destes seres. Ed Walters, a
principal testemunha do famoso caso da foto de Gulf Breeze,
relatou um contato aos dezessete anos, no qual ele foi
seguido por um sinistro cão negro de aparência anormal
durante o dia e visitado à noite por um medonho ser calvo e
de olhos grandes.
Em outro caso mencionado por Budd Hopkins, uma amiga
dele chamada Mary se lembrou de ter visto um belo beija-
flor em 1950, mais ou menos aos seis anos de idade. Ela
tentou capturá-lo numa jarra e achou tê-lo conseguido. Mas,
para a sua consternação, além da jarra estar vazia, ela
descobriu um sangramento misterioso na perna. Hopkins
encontrou, na batata da perna da amiga, uma fina cicatriz
cuja origem ela desconhecia. Reparou, ainda, que aquela
cicatriz era semelhante àquelas por ele encontradas numa
série de casos de rapto por óvni. Mary se lembrou deste
incidente quase esquecido ao ouvir Hopkins descrever o
caso Virginia Horton numa reunião de amigos.
Para alguns pesquisadores, o fato de ocorrerem ilusões em
contatos com óvnis, aliado à qualidade onírica em geral
atribuída a eles, sugere que os mesmos são de todo ilusórios.
O fato de alguns contatos parecerem ocorrer num estado
extracorporal também representa o seu papel nesta
interpretação (veja páginas 417-19). Conforme sugerem
estes pesquisadores, a ilusão poderia ser devida a alguma
faceta mal entendida da psicologia humana ou a algum tipo
de intermediação astral. Evidentemente, a presença de
provas físicas, tais como cortes e manchas de sangue, sugere
o envolvimento de uma intermediação detentora de
realidade física. Seria possível aventar a hipótese de
semelhante intermediação consistir em seres dotados de
corpos físicos e da faculdade de criar ilusões nas mentes das
pessoas, valendo-se de alguma espécie de tecnologia ou de
dons naturais.
A literatura védica tende a apoiar a última hipótese. Muitas
raças de seres, segundo consta, têm a capacidade de criar
formas corpóreas ilusórias, bem como objetos ilusórios de
diversos tipos. Em alguns casos, as formas ilusórias parecem
ter substância física. Existem descrições, por exemplo, de
cascatas de rochas produzidas num campo de batalha —
rochas que provocam danos reais ao atingirem soldados
inimigos. Em outros casos, a forma ilusória parece menos
substancial, já que deixa de existir quando o ser que a gera
fica incapacitado.
Na epopéia chamada Rãmãyana, há uma história famosa
envolvendo o último tipo de ilusão citado. Nesta história, o
Senhor Rãmacandra, herdeiro do trono de Ayodhyã, havia
sido banido em conseqüência de intrigas políticas. Portanto,
vivia na floresta, acompanhado apenas por Sua esposa Sitã e
Seu irmão Laksmana. Embora representasse o papel de um
ser humano, o Senhor Rãmacandra era na verdade uma
encarnação de Visnu, a Divindade Suprema, que aparecera
na Terra para demonstrar a conduta de um rei ideal.
A certa altura da história, Rãvana, o rei dos rãksasas,
sentindo atração por Sitã, arquitetou um plano para raptá-la.
Os rãksasas, famosos por terem a capacidade de assumir
formas ilusórias, colocaram-na em prática naquela ocasião.
Rãvana visitou seu velho compatriota Mãrica e lhe pediu que
assumisse a forma de um veado dourado de modo a afastar
Rãma e Seu irmão Laksmana de Sitã. Assim, Rãvana teria a
oportunidade de raptá-la. Embora a princípio Mãrica se
negasse a fazer aquilo, ele acabou aquiescendo por Rãvana
tê-lo ameaçado de morte.
Então, Mãrica, sob a forma de um maravilhoso veado com
manchas prateadas e uma aura com o resplendor das jóias,
apareceu perante Sitã na floresta. Tinha as patas feitas de
pedras azuis e um rabicho que brilhava como o arco-íris.
Andava para lá e para cá, mordiscando trepadeiras e às vezes
galopando. Atraiu a mente de Sitã de tantas maneiras que ela
pediu a Rãmacandra que o pegasse para ela. Rãmacandra
estava ciente, é claro, de que aquela poderia ser a magia
rãksasa de Mãrica, mas resolveu ir ao encalço do veado. Se
fosse mesmo Mãrica, Ele o mataria. Após muito alertar
Laksmana, deixou-o guardando Sitã e saiu perseguindo o
veado.
Como se tornasse esquivo, e mesmo invisível, Rãma
resolveu matá-lo. Atirou uma flecha mortal que penetrou o
coração de Mãrica como se fosse uma serpente em chamas.
Desfeito agora de seu disfarce, Mãrica, sob a forma hedionda
de um rãksasa enorme, jazia ensangüentado no solo.

Os rãksasas eram descendentes do sábio celestial Pulastya,
que, segundo consta, vive numa das estrelas da Ursa Maior,
uma constelação conhecida em sânscrito como Sapta-rsi
(Sete Sábios). Tinham toscas formas humanas e enorme
estatura, grande força muscular e aterrorizantes expressões
faciais, inclusive dentes salientes e orelhas pontudas. Com a
possível exceção de certos casos de "monstros cabeludos"
(veja páginas 375-78), a forma física deles não corresponde à
de nenhuma das entidades ufológicas tão relatadas hoje em
dia. No entanto, os poderes a eles atribuídos são típicos
tanto de entidades ufológicas quanto de muitas raças
humanóides védicas.

O fator Oz

A pesquisadora ufológica britânica de óvnis Jenny Randles
introduziu a expressão fator Oz para se referir a um peculiar
estado, quase onírico, de silêncio que costuma preceder
contatos com óvnis. É muito comum este fenômeno ser
narrado. Por exemplo: um homem descreve o fator Oz para
Budd Hopkins no seguinte relato do começo de uma
experiência de rapto:

Talvez seja coisa da minha mente, mas o fato é que tudo
pareceu se aquietar ao mesmo tempo. É como aquele
segundo de silêncio absoluto logo após o impacto auditivo
de um acidente de automóvel. Bem, foi este tipo de som, ou
de falta de som, que eu experimentei.

Betty Andreasson faz a seguinte descrição do começo de um
contato, com seres alienígenas entrando em sua casa:

Vejo agora algo como uma luz de cor rosada. E agora a luz
está ficando mais brilhante. É laranja-avermelhada e pulsa.
Digo para as crianças: "Fiquem quietas e já para o quarto; o
que quer que seja, vai logo embora." A casa inteira parece
ter um vácuo sobre ela. Como se tudo em volta fosse
silêncio... silêncio.

Conforme já observei, muitos têm acusado Eduard Meier de
ser fraudulento. Mas, se o foi, teve a esperteza de incluir o
fator Oz na história de seu primeiro contato com óvni em
1975, perto da aldeia suíça de Hinwill:

Montando em seu ciclomotor, Meier se dirigira então,
através da campina, em direção ao lugar onde vira o disco
pela última vez. Foi só uma questão de instantes para ele
sentir um súbito sossego se instaurar na campina. Aí, o disco
novamente surgiu como um raio dentre as nuvens.

Segundo tem interpretado Jenny Randles, o fator Oz é um
estado alterado de consciência induzido pela intermediação
existente por trás do fenômeno ufológico. Conforme uma
das hipóteses concebidas por Randles, esta intermediação
seria uma inteligência baseada em outro planeta e capaz de
atravessar o vazio do espaço pelo poder da consciência e
influenciar os cérebros de pessoas dotadas de sensibilidade
psíquica. A intermediação manipula a consciência da pessoa
afetada para criar a experiência com o óvni. Segundo
Randles, esta experiência "não ocorre de fato, todavia, é
muito mais do que mera alucinação".
A literatura védica também se refere a experiências de
silêncio anormal que são muito parecidas com o fator Oz.
Estas experiências resultam de ilusões vividas e deliberadas
produzidas por seres poderosos. No entanto, os seres em
questão não se encontram distantes no espaço. Pelo
contrário, estão fisicamente presentes na vizinhança das
pessoas iludidas.
Meu primeiro exemplo deste fenômeno é um trecho do
Rãmãyana. Depois de o Senhor Rãmacandra e seu irmão
Laksmana terem sido afastados de Sitã pelo veado ilusório,
Rãvana, o rei rãksasa, se aproximou de Sitã sob uma forma
ilusória com o objetivo de raptá-la:

A seguir, Rãvana, disfarçado de monge mendicante e se
aproveitando da oportunidade, aproximou-se depressa do
eremitério com o objetivo de raptar Vaidehi [Sitã]. Com
madeixas entrançadas, vestido de manto açafroado e
portando um cajado triplo e losta, aquele ser poderosíssimo,
sabendo que Sitã estava sozinha, abordou-a na floresta, sob a
forma de um asceta, no crepúsculo, quando a escuridão
oculta a Terra na ausência do Sol e da Lua. (...)
Diante daquela monstruosa aparição, as folhas das árvores
pararam de se mexer, o vento estancou, a turbulenta
corrente do rio Godaveri se aquietou para fluir sossegada. O
Rãvana de dez cabeças, no entanto, tirando proveito da
ausência de Rãma, aproximou-se de Sitã disfarçado de
monge venerável enquanto ela estava tomada de pesar por
conta de seu senhor.

Nesta passagem, a declaração acerca das folhas e das águas do
rio "silenciando" diante da presença de Rãvana indica que
este exercia influência direta sobre aqueles elementos da
natureza. No caso do Rãmãyana, o silêncio incomum não foi
uma simples ilusão gerada dentro da mente de Sitã, senão
que estava acontecendo de fato ao redor dela. Cabe
observar, também, a descrição de Rãvana como tendo dez
cabeças. Seu corpo era dotado de poderes místicos, ou
siddhis, que o capacitavam a transcender as limitações do
corriqueiro espaço tridimensional.
O segundo exemplo védico é extraído do Mahãbhãrata.
Nesta história de alta complexidade, o herói Arjuna se
encontra com o Senhor Siva, que se aproxima dele sob a
forma de um montanhês do Himalaia. Um daitya intruso sob
a forma de um javali aparece em cena ao mesmo tempo:

Quando todos os grandiosos ascetas haviam partido, o
abençoado Senhor Hara [Siva], que empunha o Pinãka,
perdoador de todo mal, disfarçou-se de montanhês. (...) O
resplandecente Deus estava acompanhado pela Deusa Umã,
que estava com o mesmo disfarce e observava o mesmo
voto, e por excitadas criaturas de todas as formas. Em seu
disfarce de montanhês, o Deus, ladeado por suas milhares de
mulheres, emanava um brilho inigualável, Ó rei Bhãrata.
De súbito, a floresta inteira silenciou e os sons de riachos e
aves cessaram. À medida que se aproximava do Pãrtha
[Arjuna] de feitos imaculados, ele viu o assombroso Müka,
um daitya, que assumira a forma de um javali com a
incumbência malévola de matar Arjuna.

Então, Arjuna e Siva discutiram sobre quem tinha o direito
de matar o javali ilusório. Como seria de esperar, quando
eles atiraram no javali, o corpo morto assumiu a forma de
um rãksasa. A discussão entre Siva e Arjuna resultou numa
terrível batalha, na qual Siva mostrou ser de todo imune às
armas de Arjuna. Apesar de Arjuna ter sido derrotado, Siva
ficou satisfeito com sua coragem de guerreiro e presenteou-
o com uma poderosa arma celestial.
Nesta história, é difícil saber se o fator Oz se deve ao
aparecimento do Senhor Siva ou do daitya, Müka. De
qualquer modo, está vinculado à projeção de ilusões
poderosas por parte de seres pessoalmente presentes na
vizinhança imediata.

7
A história dos vimãnas

A literatura védica da índia contém muitas descrições de
máquinas voadoras, em geral chamadas vimãnas. Elas se
enquadram em duas categorias: (1) naves feitas pelo homem
que parecem aviões e voam com o auxílio de asas
semelhantes às dos pássaros; e (2) estruturas sem aero-
dinâmica que voam de maneira misteriosa e em geral não
são feitas por seres humanos. As máquinas da categoria (1)
são descritas, sobretudo, em obras sânscritas medievais de
caráter secular que tratam de arquitetura, autômatos,
máquinas de cerco militar e outros inventos mecânicos. As
máquinas da categoria (2), descritas em obras mais antigas
como o Rg Veda, o Mahãbhãrata, o Rãmãyana e os Purãna,
têm muitas características que fazem lembrar os óvnis. Além
disso, há um livro intitulado Vaimãnika-sãstra, que foi
psicografado no século XX e parece ser a transcrição de uma
obra antiga preservada no registro akáshico. Esse livro faz
uma elaborada descrição dos vimãnas de ambas as categorias.
Neste capítulo, examinarei parte da literatura disponível
sobre vimãnas, começando com textos que remontam à
grande antigüidade e ao período medieval. O material
referente a este período é descrito com alguma minúcia por
V. Raghavan num artigo intitulado "Yantras or mechanical
contrivances in ancient Índia". Começarei examinando o
saber indiano referente a máquinas em geral para depois
abordar a questão das máquinas voadoras.

Máquinas na Índia antiga e medieval

Em sânscrito, chama-se uma máquina de yantra. A palavra
yantra, segundo definição do Samarãngana-sütradhãra do rei
Bhoja, é um dispositivo que "controla e orienta, segundo um
plano, os movimentos das coisas que atuam cada uma de
acordo com a sua própria natureza". São muitas as variedades
de yantras. Um exemplo simples seria a taila-yantra, uma
roda que é puxada por bois ao redor de uma pista circular
para moer sementes e extrair-lhes o óleo. Outros exemplos
são máquinas militares do tipo descrito no Artha-sãstra de
Kautilya, redigido no século III a.C. Entre estas, incluem-se
a sarvato- bhadra, uma roda que gira em torno de um eixo
para arremessar pedras; a sara-yantra, uma máquina que atira
flechas; a udghãtimã, uma máquina que demole muros
usando barras de ferro, e muitas outras.
Apesar de estas máquinas serem todas bastante
compreensíveis e críveis, outras máquinas parecem menos
plausíveis do ponto de vista do pensamento histórico
moderno. Raghavan menciona, por exemplo, um dispositivo
capaz de criar uma tempestade para desmoralizar tropas
inimigas. Semelhante arma também é mencionada por
Flavius Philostratus, escritor romano do século III, que
descreveu sábios da índia que "não enfrentam um invasor,
mas o repelem com artilharia celestial de raios e trovões,
pois eles são homens santos". Segundo disse Philostratus,
este tipo de arma de fogo ou de vento foi usado para repelir
uma invasão da Índia por parte do Hércules egípcio. Numa
carta apócrifa, Alexandre, o Grande, conta a seu tutor
Aristóteles que também ele encontrou tais armas.
Embora eruditos modernos tendam a considerar fictícia a
obra de Philostratus, esta demonstra de fato que certas
pessoas dos tempos romanos espalhavam histórias sobre
estranhas armas de fogo ou vento da Índia. Em epopéias
antigas como o Mahãbhãrata, há muitas referências a
extraordinárias armas de vento, tais como a vãyavya-astra, e
armas de fogo, tais como a sataghni (ou "que mata cem").
Em geral, as armas descritas em obras mais antigas tendem a
ser mais poderosas e extraordinárias do que as descritas em
obras mais recentes. Há quem atribua isto à fantástica
imaginação dos escritores antigos ou de seus editores
modernos. Mas isto também poderia ser explicado pela
perda progressiva de conhecimento à medida que a antiga
civilização indiana foi se enfraquecendo por causa da
corrupção e foi sendo repetidas vezes dominada por
invasores estrangeiros.
Segundo argumentam, pistolas, canhões e outras armas de
fogo eram conhecidas na antiga índia. No entanto, o
conhecimento acerca das mesmas teria declinado aos poucos
até desaparecer perto do início da era cristã. Isto é analisado
a fundo num livro de Gustav Oppert.

Robôs e outros autômatos

Os robôs formam outra categoria de máquinas
extraordinárias. Muitas histórias da literatura sânscrita
secular tratam de um yantra-purusa, ou homem-máquina,
que pode se comportar tal qual um ser humano. Um
exemplo disto é a história, constante no Bhaisajya-vastu
budista, de um pintor que esteve no país dos yavanas, onde
visitou o lar de um yantrãcãrya, ou mestre de engenharia
mecânica. Lá ele encontrou uma moça-máquina que lhe
lavou os pés e parecia humana, até ele descobrir que ela não
sabia falar.
Era comum robôs fantásticos desta espécie aparecerem em
histórias de ficção destinadas ao entretenimento, de forma
que tinham o mesmo status dos robôs da ficção científica
moderna. No entanto, há muitas descrições de autômatos
bastante críveis, de fato construídos e usados nos palácios de
reis abastados. Entre estes, incluíam-se: aves cantantes e
dançantes, um elefante dançante, elaborados cronômetros
com figuras móveis de marfim e um instrumento
astronômico mostrando os movimentos dos planetas.
Os modelos desses autômatos são semelhantes aos dos
autômatos que eram populares na Europa no século XVIII.
Eis uma descrição extraída do Sama-rãrigana-sütradhãra, do
século XII:

Figuras masculinas e femininas são projetadas para diversos
tipos de serviço automático. Cada parte destas figuras é feita
e ajustada em separado, com orifícios e pinos, de modo que
coxas, olhos, pescoço, mão, pulso, antebraço e dedos possam
agir de acordo com a necessidade. Em geral, usa-se madeira,
mas é aplicada uma cobertura de couro para dar a impressão
de um ser humano. Os movimentos são administrados pelo
sistema de varas, pinos e cordas ligados às hastes que
controlam cada membro. Entre outras coisas, estas figuras
miram-se no espelho, tocam um alaúde e estendem a mão
para tocar em algo, dar uma panela, borrifar água e fazer
vênias.

Afora suas aplicações práticas, os robôs também
representavam uma metáfora para a relação entre a alma e o
corpo. Deste modo, no Bhagavad-gitã, Krsna diz:

O Senhor Supremo está situado no coração de todos, ó
Arjuna, e orienta as divagações de todas as entidades vivas,
que se encontram sentadas como que numa máquina
(yantra) feita da energia material.

Raghavan, de sua parte, considerava esta metáfora
lastimável. Embora ele lamentasse o fato de as máquinas
terem levado outros países ao materialismo, na Índia elas só
faziam reiterar a idéia de Deus e do Espírito. Portanto,
"mesmo escritores cujo tema eram os próprios yantras,
como Somadeva e Bhoja, viam na máquina operada por um
agente uma analogia apropriada para o corpo e os sentidos
mundanos presididos pela Alma, e para o maravilhoso
mecanismo do universo, com seus elementos constituintes e
sistemas planetários, todos exigindo um senhor divino para
mantê-lo em revolução constante".

Aviões

A literatura medieval indiana traz muitas histórias sobre
naves aéreas. Assim, no Harsa-carita de Bãna consta a
história de um yavana que fabricou uma máquina aérea para
ser usada no rapto de um rei. Da mesma forma, o Avanti-
sundari de Dandi fala de Mãndhãtã, um arquiteto habituado
a usar um carro aéreo para fins casuais, como viajar de um
lugar distante para ver se o filho estava com fome. Aliás, este
filho, segundo consta, teria criado homens mecânicos que
travavam um duelo farsesco e uma nuvem artificial que
produzia torrentes de chuva. Essas duas obras datam do
século VII d.C., aproximadamente.
Entre os séculos IX e X, Buddhasvãmin escreveu uma versão
do Brhat-kathã, uma maciça coletânea de histórias
populares. Buddhasvãmin chamava os veículos aéreos de
ãkãsa-yantras, ou máquinas celestes, e os atribuía aos
yavanas — nome amiúde usado para se referir a forasteiros
bárbaros. Era bastante comum textos sânscritos atribuírem as
naves aéreas e os yantras em geral aos yavanas.
Para alguns eruditos, os yavanas seriam os gregos, e as
histórias indianas de máquinas teriam sua origem na Grécia.
Na opinião de Penzer, por exemplo, o filósofo grego
Archytas (aproximadamente 428-347 a.C.) teria sido o
"primeiro inventor científico" de dispositivos semelhantes
aos yantras indianos. Archytas, salienta ainda Penzer,
"construiu uma espécie de máquina voadora, consistindo
numa figura de madeira equilibrada por um peso suspenso
de uma roldana, que era colocada em movimento por meio
de ar comprimido".
Sem dúvida, havia muito intercâmbio de idéias no mundo
antigo, e hoje é difícil saber ao certo onde uma determinada
idéia teria sido concebida e até que ponto teria se
desenvolvido. Sabemos, porém, que a índia medieval já
conhecia idéias bem detalhadas relativas a máquinas
voadoras semelhantes a aviões.
Segundo afirma o Samarãngana-sütradhãra de Bhoja, o
principal material do corpo de uma nave aérea é a madeira
leve, ou lagbu-dãru. A nave tem o formato de um grande
pássaro com uma asa de cada lado. A força motriz é
fornecida por uma câmara de fogo com mercúrio disposto
sobre uma chama. A força gerada pelo mercúrio aquecido,
aliada ao bater das asas acionado por um piloto dentro da
nave, faz com que ela voe pelo ar. Como a nave vinha
equipada com um motor, podemos especular que o bater das
asas destinava-se a controlar a direção do vôo, e não a suprir
a força motriz.
Também se descreve um dãru-vimãna mais pesado (alaghu).
Ele contém quatro bilhas de mercúrio sobre fornos de ferro.
"Os fornos de mercúrio fervente produzem um ruído
terrível, usado em batalhas para espantar elefantes.
Fortalecendo-se as câmaras de mercúrio, era possível
aumentar o rugido de modo a deixar os elefantes
inteiramente fora de controle."
Tem-se especulado muito sobre exatamente como a força
gerada pelo aquecimento do mercúrio seria usada para dirigir
o vimãna pelo ar. Isto foi discutido num dos primeiros livros
sobre óvnis, escrito por Desmond Leslie e George Adamski.
Segundo propôs Leslie, o mercúrio aquecido mencionado no
Samarãngana-sütradhãra teria algo a ver com o vôo dos
óvnis.
Segundo me parece, os vimãna descritos por Bhoja são
muito mais parecidos com aviões convencionais do que os
óvnis. Portanto, são feitos de materiais comuns como a
madeira, têm asas e voam como pássaros. O motor de
mercúrio, sugere Raghavan, destinava-se a ser a fonte de
força mecânica para fazer as asas baterem como no vôo de
um pássaro. Sua afirmação se baseia no fato de Roger Bacon
ter descrito uma nave aérea dotada de alguma espécie de
motor giratório para fazer as asas baterem por meio de um
encadeamento mecânico.
Ramachandra Dikshitar, contudo, disse que, segundo o
Samarãngana-sütradhãra, o vimãna "tem duas asas
resplendentes, sendo propulsionado pelo ar." Isto sugere o
uso de alguma espécie de propulsão a jato.
Seja qual fosse a verdadeira fonte de energia destes vimãnas.
Eles pareciam depender de algum método mecânico
convencional, que extraía energia do combustível aquecido
e usava-o para produzir um fluxo de ar sobre as asas.
Podemos contrastar isto com as características de vôo dos
óvnis; que além de não terem asas, jatos ou propulsores,
parecem voar de um jeito que contradiz princípios de física
conhecidos.
Teria alguém alguma vez de fato construído os vimãnas
mencionados no Samarãngana-sütradhãra, ou seriam eles
meros produtos da imaginação? Eu não sei. Entretanto,
conforme sugerem as elaboradas descrições de yantras
encontradas em textos medievais indianos, muitas máquinas
sofisticadas eram feitas na índia de outrora. Se já existia
conhecimento de tecnologia mecânica sofisticada em
tempos remotos, então é bem possível que também fossem
construídos aviões de algum tipo.
É interessante a menção, feita no texto sânscrito sobre
astronomia intitulado Sürya-siddhãnta, de um motor a
mercúrio usado para suprir de movimento giratório um gola-
yantra, um modelo mecânico do sistema planetário.18 Isto
sugere o uso de pelo menos um tipo de motor a mercúrio
para produzir força giratória. O desenho do motor a
mercúrio, afirma ainda o texto, deve ser mantido em sigilo.
Segundo era de praxe na Índia antiga, um mestre só devia
transmitir seu conhecimento técnico a um discípulo de
confiança. Uma lamentável conseqüência disto era a
tendência de o conhecimento se perder toda vez que se
rompiam tradições orais dependentes de mestres e
discípulos. E bem possível, portanto, que muitas artes e
ciências conhecidas em tempos antigos tenham se perdido
para nós, praticamente sem deixar vestígio.
Outras obras sânscritas se referindo a naves aéreas estão
relacionadas num livro de Dileep Kanjilal. São elas: o Yukti-
kalpataru de Bhoja (século XII d.C.); o Mayamatam atribuído
a Maya Danava mas provalvemente datando do século XII
d.C.; o Kathãsaritsãgara (século X d.C.); a literatura Avadãna
(séculos I a III d.C.); o Raghuvanisam e o Abhijnãna-
sakuntalam de Kãlidãsa (século I a.C.); o Abhimãraka de
Bhãsa (século II a.C.); e os Zãtakas (século III a.C.). Estas
datas costumam ser aproximadas, e o material constante nas
diversas obras costuma ser extraído de obras e tradições mais
antigas.

O Vaimãnika-sãstra

O Vaimãnika-sãstra é uma descrição detalhadíssima dos
vimãnas, e ele mereceu todo o crédito em uma série de
livros e artigos. Entre estes, incluem-se os escritos de
Kanjilal, Nathan e Childress. Em particular, conforme
escreve o ufólogo indiano Kanishk Nathan, o Vaimãnika-
sãstra é um texto sânscrito antigo onde se "descreve uma
tecnologia que está, não apenas muito além da ciência desta
época, como também muitíssimo além da possível
imaginação conceitual científica de um indiano antigo,
incluindo conceitos tais como energia solar e fotografia".
De fato, é verdade que esse livro contém muitas idéias
interessantes sobre tecnologia aérea. É importante salientar,
porém, o fato de ele ter sido escrito no começo do século
XX por meio de um processo mediúnico conhecido hoje em
dia como canalização.
A história por trás deste processo é apresentada na
introdução à tradução de G. R. Josyer do Vaimãnika-sãstra.
Como se explica ali, era costume, na Índia antiga, transmitir-
se conhecimento oralmente. Porém, com o declínio desta
tradição, passou-se a escrever em folhas de palmeira.
Infelizmente, como manuscritos em folhas de palmeira não
duram muito no clima indiano, uma grande quantidade de
escritos antigos acabou se perdendo pelo fato de não ter sido
recopiada com regularidade.
Sem dúvida, isto é verdade. Mas, conforme prossegue
dizendo Josyer, os textos perdidos "permanecem embutidos
no éter do céu, para serem revelados — como em televisão
— a médiuns dotados de percepção oculta". O médium,
neste caso, foi Pandit Subbaraya Sastry, "um léxico
ambulante dotado de percepção oculta", que começou a
ditar o Vaimãnika-sãstra para o Sr. Venkatachala Sarma no
dia 1º de agosto de 1918. A obra completa foi anotada em 23
cadernos até o dia 23 de agosto de 1923. Em 1923,
Subbaraya Sastry também contratou um projetista para fazer
alguns desenhos dos vimãnas seguindo as instruções dele.
Segundo Subbaraya Sastry, o Vaimãnika-sãstra é uma seção
de um vasto tratado do sábio Mahãrsi Bharadvãja, intitulado
Yantra-sarvasva, ou a Enciclopédia das máquinas. Embora
Mahãrsi Bharadvãja seja um antigo rsi mencionado no
Mahãbhãrata e em outras obras védicas, não sei de nenhuma
referência indicando seu interesse por máquinas. O Yantra-
sarvasva já não existe sob forma física, mas existe, segundo
se afirma, no registro akáshico, onde foi lido e recitado por
Subbaraya Sastry. Tanto quanto sei, não há referências a esta
obra na literatura existente. Isto é examinado no livro de
Kanjilal sobre vimãnas.
Apesar da possibilidade de o Vaimãnika-sãstra ser um
embuste, não tenho motivo algum para supor que não
tivesse sido ditado por Subbaraya Sastry da maneira descrita
por Josyer. Mas será que a obra é autêntica? Mesmo
considerando a hipótese de esta obra existir no éter como
um modelo vibracional, ela poderia, durante o processo de
leitura e ditado mediúnicos, ter sido distorcida ou adulterada
por elementos do inconsciente do médium.
De fato, há bons motivos para se pensar que este seria o
caso. O texto do Vaimãnika-sãstra é ilustrado por diversos
dos desenhos feitos sob a supervisão de Subbaraya Sastry.
Entre estes, incluem-se os perfis do ruktna-vimãna, do
tripura-vimãna, do sakuna-vimãna. Estes perfis mostram o
tipo de tosca tecnologia mecânica e elétrica existente no
período logo após a Primeira Guerra. Há grandes eletroímãs,
manivelas, cubas, engrenagens helicoidais, pistões,
serpentinas de aquecimento e motores elétricos movendo
hélices. O rukma-vimãna seria alçado ao ar por "ventoinhas
de elevação" movidas por motores elétricos e muito
pequenas se comparadas ao tamanho do vimãna como um
todo. Não se tem a menor impressão de que semelhante
dispositivo conseguisse voar.
Estes dispositivos mecânicos podem muito bem ter sido
inspirados pela tecnologia do início do século XX. Porém, se
nos voltamos para o texto do Vaimãnika-sãstra, encontramos
dados de natureza bastante diferente. Para ilustrar isto,
apresento a seguir dez exemplos, extraídos de uma lista do
Vaimãnika-sãstra, de 32 segredos que um piloto de vimãna
deve saber. Tecerei alguns comentários sobre as relações
entre estes itens e as características comuns do fenômeno
óvni.

1. Goodha: Conforme explica o "Vaayutatva-Prakarana",
utilizam-se os poderes Yaasaa, Viyaasaa e Prayaasaa na oitava
camada atmosférica que cobre a Terra para atrair o teor
negro do raio solar, usando-se este teor para esconder o
Vimaana do inimigo.
2. Drishya: Pela colisão da energia elétrica com a energia
eólica na atmosfera, cria-se um brilho, cujo reflexo deve ser
absorvido no Vishwa-Kriyaa-darapana, ou espelho na
dianteira do Vimana, por cuja manipulação se produz um
Maaya-Vimaana ou Vimana camuflado.
3. Adrishya: Segundo o "Shaktitantra", por meio do
Vynarathya Vikarana e outros poderes no núcleo da massa
solar, atrai-se a força do fluxo etéreo no céu, mesclando-a
com a balaahaa-vikarana shakti no globo aéreo, produzindo-
se deste modo uma cobertura branca, que tornará o Vimana
invisível.

Descrevem-se acima três métodos para esconder um vimãna
do inimigo. Embora soem fantasiosos, é interessante
observar que o vimãna descrito nos Purãna e no
Mahãbhãrata tem a capacidade de se tornar invisível. Apesar
de este também ser um aspecto característico dos óvnis,
com certeza não era muito conhecido em 1923.
É interessante a idéia de um brilho sendo criado pela colisão
da energia elétrica com a eólica. Os óvnis são famosos por
brilharem na escuridão, e isto pode ser devido a um efeito
elétrico que ioniza o ar ao redor do óvni. A palavra shakti
(sakti) significa poder ou energia.

4. Paroksha: Segundo o "Meghotpatthi-prakarana", ou a
ciência do nascimento das nuvens, penetrando na segunda
das camadas de nuvens de verão, e atraindo o poder nela
existente com o shaktyaakarshana darpana, ou espelho de
absorção de força do Vimana, e aplicando-se este ao
parivesha, ou halo do Vimana, gera-se uma força
paralisadora, mediante a qual Vimanas adversários são
paralisados e tirados de combate.
5. Aparoksha: Segundo o "Shakti-tantra", pela projeção do
feixe de luz Rohinee, as coisas que estão na frente do
Vimana tornam-se visíveis.

É comum serem mencionados feixes luminosos de força
paralisadora em relatos sobre óvnis, bem como feixes de luz.
A menção de um halo ao redor do vimãna pode ser
significativa, já que os óvnis, conforme se costuma dizer, são
rodeados por alguma espécie de campo energético.

6. Viroopa Karena: Como afirma o "Dhooma Prakarana",
produzindo-se o 32° tipo de fumaça através do mecanismo e
carregando-o com a luz das ondas de calor no céu e
projetando-o através do tubo do padmaka chakra no
bhyravee Vyroopya-darpana untado de óleo no topo do
Vimana, e rodopiando com o 132° tipo de velocidade,
surgirá uma forma muito feroz e aterrorizadora do Vimana,
provocando pavor extremo nos observadores.
7. Roopaantara: Como declara o "Tylaprakarana",
preparando óleos de griddhra-jihwaa, kumbhinee e
kaakajangha e untando-os no espelho distorcedor do
Vimana, aplicando-lhe o 19° tipo de fumaça e carregando-o
com a kuntinee shakti do Vimana, formas como leão, tigre,
rinoceronte, serpente, montanha e rio aparecerão para
espantar e confundir os observadores.

Apesar de estas descrições parecerem de todo absurdas, é
interessante o fato de já terem sido relatados tanto óvnis
mudando de forma de maneiras misteriosas quanto criaturas
monstruosas surgindo dos óvnis aterrissados para assustar as
pessoas (veja páginas 375-78). Muitos dos itens desta lista de
segredos têm a ver com a criação de ilusões destinados a
confundir os inimigos, e os óvnis também parecem criar
semelhantes ilusões.

8. Saarpa-Gamana: Atraindo o dandavaktra e sete outras
forças do ar, e mesclando-o aos raios do sol, passando-o pelo
centro ziguezagueante do Vimana, e ligando o botão, o
Vimana passará a ter um movimento em ziguezague
semelhante ao de uma serpente.

A capacidade de os óvnis voarem em ziguezague é bem
conhecida hoje, mas não o era em 1923.
9. Roopaakarshana: Por meio do yantra fotográfico do
Vimana, obtém-se uma visão televisiva de coisas que estão
dentro de um avião inimigo.
10. Kriyaagrahana: Virando a chave no fundo do Vimana,
faz-se aparecer um tecido branco. Eletrificando os três
ácidos no setor nordeste do Vimana, e submetendo-os aos
sete tipos de raios solares, e passando a força resultante para
o tubo do espelho Thrisheersha... serão projetadas na tela
todas as atividades que estiveram acontecendo no solo.
A palavra televisiva do item 9 foi empregada na versão
inglesa do Vaimãnika-sãstra, lançada em 1973. O texto
sânscrito original foi escrito em 1923, antes do surgimento
da televisão.
Há, contudo, muitas referências a telas de televisão dentro
de óvnis. Elas aparecem, por exemplo, nos seguintes casos
de rapto descritos neste livro: o caso Buff Ledge, Vermont
(páginas 144-51), o caso de Filiberto Cardenas (páginas 207-
09), o caso de William Hermann (páginas 205-07 e 226-32)
e o caso Cimarron, Novo México (páginas 389-94). William
Herrmann, em particular, disse terem lhe mostrado uma tela
a bordo de um óvni que produzia imagens em close-up de
objetos em terra. Sendo assim, ele pôde ver com bastante
nitidez os rostos atônitos de quantos observavam o óvni do
solo.
No todo, as descrições do Vaimãnika-sãstra parecem
vividamente fantásticas. Existem, porém, muitos paralelos
entre estas descrições e certas características também
estranhas de relatos sobre óvnis. Não sei se estes paralelos
são mesmo significativos, mas é curioso o fato de eles
constarem num livro escrito entre 1918 e 1923, antes de o
fenômeno óvni tornar-se tão conhecido. Além disso, chamo
a atenção para o fato de as descrições técnicas apresentadas
no Vaimãnika-sãstra parecerem semelhantes em qualidade
às comunicações técnicas de óvnis psicografadas por
William Hermann.
Parece evidente o fato de as ilustrações do Vaimãnika-sãstra
estarem contaminadas pelo material do século XX absorvido
pelo inconsciente do médium. Todavia, as passagens acima
mencionadas contêm, sobretudo, material que não é do
século XX, material expresso em palavras e idéias védicas.
Talvez semelhante material seja apenas um produto da
imaginação de Subbaraya Sastry, aplicada a sua extensa
sabedoria védica, ou talvez seja uma tradução razoavelmente
fiel de um antigo texto védico preservado como modelo
etérico.
A única forma de descobrir a resposta para isto seria obter
outros textos sânscritos obscuros e ver se eles confirmam ou
não alguns dos elementos do Vaimãnika-sãstra.
Confirmações repetidas indicariam pelo menos o fato de
Subbaraya Sastry estar apresentando dados de uma tradição
autêntica, sendo necessárias investigações adicionais para
averiguar se esta tradição estaria fundamentada em fatos
reais ou não. Por enquanto, devemos nos manter abertos a
diversas interpretações possíveis dos dados do Vaimãnika-
sãstra.

Vimãnas na literatura védica

O Bhãgavata Purãna, o Mahãbhãrata e o Rãmãyana são três
obras importantes na tradição védica da índia. Como
salientei no Capítulo 6, estes três textos contêm bastante
material interessante acerca dos veículos aéreos chamados
vimãnas. Descrevem, também, diferentes raças de seres
semelhantes aos humanos que operam estes veículos, além
de analisarem as relações sociais e políticas existentes em
épocas antigas entre estes seres e os humanos desta Terra.
Para alguns, este material carece de valor por parecer
fantástico e mitológico. O ufólogo indiano Kanishk Nathan,
por exemplo, rejeita os antigos textos religiosos hindus em
virtude de os mesmos atribuírem proezas exageradas aos
deuses. Estes textos, opina ele, são meras manifestações
poéticas de "algum escritor que não esteja relatando um
evento de verdade, motivo pelo qual sua imaginação pode
tomar o rumo que ele preferir". Conforme salienta ainda,
estes textos pertencem a uma época pré-científica; por isso,
"considerando o conhecimento cultural, tecnológico e
científico daquele período histórico, um escritor pode se dar
ao luxo de, abusando das generalidades e evitando as
particularidades, criar inventos e combinações que de fato
não existem".
Até hoje, seria possível argumentar, não se conseguiu provar
que os escritores antigos só faziam se entregar a devaneios
poéticos, sem dar o menor valor aos fatos. Há um
preconceito moderno segundo o qual toda pessoa
interessada nas coisas do espírito tem de ser não-científica, e
tudo quanto ela escreva tem de ser imaginário. Para este
ponto de vista fazer sentido, é preciso que todos os dados
observáveis corroborem um modelo mecanicista de mundo,
que exclui antigas idéias religiosas por julgá-las falácias
desmoralizadas.
No entanto, se tivermos o cuidado de examinar o fenômeno
ufológico, acharemos extensas observações empíricas que
contradizem por completo nossa confortável visão de
mundo mecanicista. Vale notar que este material anômalo
— variando de padrões de vôo fisicamente impossíveis a
seres que flutuam atravessando paredes — enquadra-se de
maneira bem natural nas cosmologias de orientação
espiritual dos antigos textos védicos. Logo, vale a pena levar
em conta que os escritores destes textos estariam
apresentando uma descrição sólida da realidade conforme a
experimentavam, e não por um mero exercício arbitrário de
imaginação.

Vimanas para todos os fins

O capítulo precedente apresentou a história do vimãna de
Sãlva, a qual se encontra no Mahãbhãrata e no Bhãgavata
Purãna. Tratava-se de um grande veículo militar capaz de
transportar tropas e armas, tendo sido adquirido por Sãlva de
um não-humano perito em tecnologia chamado Maya
Dãnava. Os Purãna e o Mahãbhãrata também contêm muitos
relatos sobre vimãnas menores, incluindo naves de passeio
que parecem ser projetadas para um único passageiro. Em
geral, elas eram usadas por devas e upadevas, e não por seres
humanos.
Nesta seção, apresentarei uma série de exemplos,
demonstrando como os vimãnas figuram como elementos
comuns em muitas histórias diferentes constantes nestes
textos. Cada exemplo foi extraído de uma história maior, não
sendo possível apresentar a íntegra destas histórias neste
livro. Meu objetivo, ao apresentar os exemplos, é
demonstrar a freqüência com que os vimãnas são
mencionados nos Purãna e no Mahãbhãrata.
Aparentemente, eles eram tão comuns para as pessoas da
antiga cultura védica quanto os aviões o são para nós hoje
em dia.
No primeiro relato, Krsna mata uma serpente pitônica
enquanto esta tenta engolir seu pai, o rei Nanda. Por arranjo
de Krsna, a alma da serpente é transferida para um novo
corpo, do tipo possuído pelos seres celestiais chamados
vidyãdharas. Como aquela alma possuíra um corpo celestial
semelhante antes de ser colocada no corpo da serpente,
Krsna pergunta-lhe o motivo da degradação à forma de
serpente:

A serpente replicou: Eu sou o famoso vidyãdhara chamado
Sudarsana. Eu era muito opulento e belo e, a bordo de meu
avião, costumava passear à vontade em todas as direções.
Certa vez, vi alguns sábios feiosos da linhagem de Angirã
Muni. Orgulhoso de minha beleza, eu os ridicularizei e, por
causa de meu pecado, eles fizeram com que eu assumisse
esta forma inferior.

Nesta passagem, a palavra sânscrita vimãnena é traduzida
como "em meu avião". Este parece ter sido um pequeno
veículo particular.
A história seguinte é semelhante. Libertando a alma de um
certo rei Nrga do aprisionamento no corpo de um lagarto,
Krsna lhe concedeu um corpo celestial. Quando chegou a
hora de o rei partir, um vimãna de outro mundo veio pegá-
lo:
Tendo falado assim, Mahãrãja Nrga circungirou o Senhor
Krsna e tocou-Lhe os pés com sua coroa. Recebendo
permissão para partir, o rei Nrga embarcou então num
maravilhoso avião celestial diante dos olhos de todas as
pessoas presentes.
No caso seguinte, vemos o efeito de uma bela mulher sobre
o piloto de um vimãna. Aqui, o sábio Kardama Muni
descreve a beleza de Devahuti, sua futura esposa, para
Svãyambhuva Manu, o pai dela:

Ouvi falar que Visvãvasu, o grande gandharva, tendo a
mente entorpecida pela paixão, caiu de seu avião após ver
vossa filha brincando com uma bola no terraço do palácio,
pois ela estava mesmo linda com suas tilintantes
tornozeleiras e seus olhos irrequietos.

Pelo que parece, o vimãna de Visvãvasu era uma pequena
nave de um só assento. Talvez ele não tivesse cintos de
segurança adequados, pois inclinou-se demais enquanto
tentava ver Devahuti.
Após se casar com Devahuti, certa vez Kardama Muni
resolveu levá-la a passear pelo universo. Para tanto, ele
apresentou uma mansão aérea (chamada, como de costume,
vimãna) suntuosamente equipada para ser um palácio de
prazeres. Na passagem a seguir, o sábio Maitreya relata a
história desta mansão para seu discípulo Vidura:

Maitreya prosseguiu: Ó Vidura, desejando satisfazer sua
amada esposa, o sábio Kardama exercitou seu poder de
yogue e, num abrir e fechar de olhos, produziu uma mansão
aérea capaz de viajar segundo sua vontade.
Era uma estrutura maravilhosa, ornada com toda espécie de
jóias, adornada com pilastras de pedras preciosas e capaz de
produzir tudo quanto se desejasse. Era equipada com toda
sorte de mobília e de riquezas, que tendiam a se expandir
com o transcorrer do tempo. (...)
Com os mais seletos rubis incrustados em suas paredes de
diamante, parecia possuir olhos. Era mobiliada com
maravilhosos dosséis e valiosíssimos portões de ouro.
Espalhados por aquele palácio, havia multidões de cisnes e
pombos vivos, bem como cisnes e pombos artificiais tão
reais que os cisnes verdadeiros volta e meia se aproximavam
deles, pensando que fossem aves vivas como eles. Deste
modo, o palácio vibrava com os sons daquelas aves.
O castelo tinha jardins das delícias, câmaras de repouso,
dormitórios e pátios internos e externos projetados para
propiciar conforto. Até o sábio se espantava com tudo
aquilo.

O sábio se espantava porque na verdade não fora ele quem
projetara ou imaginara os detalhes do palácio aéreo. Na
prática, ele fizera apenas emitir uma ordem mental para que
se manifestasse um palácio voador, tendo-o recebido de uma
espécie de sistema de fornecimento universal em virtude de
ter adquirido crédito de bom karma por meio de sua
austeridade e sua prática de yoga. Para entendermos o que
acontecia aqui, é necessário considerarmos alguns aspectos
básicos da concepção védica do universo.
No decorrer dos anos, têm-se usado muitas analogias para
descrever o universo. Assim, os aristotélicos comparavam o
universo a um organismo vivo, ao passo que os primeiros
filósofos mecanicistas comparavam-no a um relógio
gigantesco. Para entendermos a concepção védica do
universo, a idéia moderna de um computador com um
sistema operacional de muitos níveis pode nos ser útil. No
disco rígido de semelhante computador, existem programas
acionáveis mediante a digitação de palavras-código
apropriadas. Ao ser digitada a palavra-código, o programa
correspondente será executado — se é que o usuário do
computador tem status adequado. Caso ele não o tenha, para
ele a palavra-código é apenas um nome inútil.
Tipicamente, o status do usuário é indicado pela senha que
ele digita quando começa a usar o computador. Usuários
diferentes terão senhas indicando diferentes níveis de status.
Acima de todos os demais usuários está uma pessoa chamada
(no sistema operacional Unix) de super usuário e que tem
pleno controle sobre todos os programas do sistema. É
comum esta pessoa ser responsável pela criação de todo o
sistema, tendo inserido diversas seções de software no
computador.
Segundo a concepção védica, o universo tem uma
organização semelhante. O super usuário corresponde ao Ser
Supremo, que manifesta todo o sistema universal. Dentro
deste sistema, existe uma hierarquia de seres vivos que
gozam de status diferentes. Um ser no nível humano
comum tem muitos poderes extraordinários, tais como a
faculdade da fala, e um ser num nível superior, tal como
Kardama Muni, pode manifestar poderes maiores ainda.
Quando crescemos usando determinada faculdade,
tendemos a não lhe dar valor e, quando carecemos por
completo de acesso a uma faculdade, tendemos a encará-la
como impossível ou mitológica. Mas todas as faculdades —
incluindo a de invocar palácios voadores — são apenas
programas embutidos no sistema universal pelo super
usuário.
O paralelo entre a concepção védica do universo e um
computador pode ser mais explicitado introduzindo o
conceito de um sistema de realidade virtual. É possível criar
um mundo artificial mediante cálculos de computador e
equipar participantes humanos com interfaces sensórias para
lhes dar a impressão de terem entrado naquele mundo. Por
exemplo: um participante terá pequenas telas de tevê
colocadas em frente de seus olhos que o capacitem a ver a
partir da posição vantajosa dos olhos virtuais de um corpo
virtual dentro do mundo artificial. De forma semelhante, ele
poderá estar equipado com sensores táteis que o capacitem a
experimentar a sensação de objetos virtuais seguros pelas
mãos virtuais daquele corpo. Os sensores que assimilam suas
contrações musculares ou seus impulsos nervosos poderão
ser usados para direcionar o movimento do corpo virtual.
Assim, muitas pessoas poderão entrar ao mesmo tempo num
mundo virtual, passando a interagir através de seus corpos
virtuais, mesmo com seus corpos verdadeiros bem isolados
uns dos outros. Dependendo dos status delas, conforme
identificados pelo super usuário do computador, os
diferentes corpos virtuais poderão ter diferentes faculdades,
algumas das quais poderão ser invocadas pronunciando-se
palavras-código, ou mantras.
Um poderosíssimo sistema de realidade virtual proporciona
uma metáfora para o universo védico de mãyã, ou ilusão, no
qual almas conscientes se identificam falsamente com
corpos materiais. Esta metáfora não deve ser levada ao pé da
letra, é claro. De fato, o universo não funciona com base
num computador digital. Pelo contrário, trata-se, segundo a
concepção védica, de um sistema de energias interativas
cujas características de design e organização inteligentes nos
fazem lembrar determinados sistemas de informática criados
pelo homem.
Voltando à história de Kardama Muni, consta que, após ter
adquirido seu maravilhoso palácio voador, ele saiu viajando
para diferentes planetas com sua esposa:

Satisfeito com sua esposa, ele desfrutou daquela mansão
aérea, não apenas no monte Meru, como também em
diferentes jardins conhecidos como Vaisrambhaka,
Surasana, Nandana, Puspabhadraka e Caitrarathya, e à beira
do lago Mãnasa-sarovara.
Viajou daquela maneira pelos diversos planetas, assim como
o ar passa livre por todos os lados. Cruzando o ar naquela
grandiosa e esplêndida mansão aérea, que podia voar
segundo a sua vontade, ele superou até os semideuses.

No sânscrito original desta passagem, o termo vaimãnikãn,
ou seja, "viajantes a bordo de vimãnas", refere-se aos devas.
Portanto, segundo o sentido literal do verso, o vimãna de
Kardama Muni excedia os vaimãnikãn. A palavra sânscrita
para planetas é loka, que pode se referir a outros globos
físicos ou a mundos supradimensionais inacessíveis aos
sentidos humanos comuns.
A idéia de acionar programas universais figura em outra
história envolvendo um vimãna. Parece existir uma espécie
de armadura mística chamada Nãrãyana-kavaca, que é
acionada invocando-se os nomes do Ser Supremo. (Nãrãyana
é um nome do Supremo, e kavaca significa armadura.) Em
certa ocasião, um brãhmana chamado Kausika abandonou
seu corpo físico após fazer uso desta armadura. Passado
algum tempo, Citraratha, o rei gandharva, experimentou
uma estranha interferência em seu vimãna ao sobrevoar os
restos do corpo de Kausika:

Rodeado por muitas mulheres lindas, Citraratha, o rei de
Gandharvaloka, certa feita estava passando a bordo de seu
avião por sobre o corpo do brãhmana no local onde este
morrera.
De repente, Citraratha se viu forçado a cair de ponta com
seu avião. Surpreendido, ele foi orientado pelos grandes
sábios chamados va/lakhilyas a atirar os ossos do bra\hmanúa
no rio Sarasvati, próximo dali. Além de fazer isto, ele ainda
teve de se banhar no rio antes de regressar a sua morada.

Um exemplo de vimãna usado para fins militares consta na
história de Bali, um rei dos daityas. O veículo de Bali é muito
parecido com aquele obtido por Sãlva, tendo também sido
construído por Maya Danava. Foi usado numa grande
batalha entre os daityas e os devas:
Para travar aquela batalha, o celebérrimo comandante-em-
chefe, Mahãrãja Bali, filho de Virocana, embarcou num
maravilhoso avião chamado Vaihãyasa. Ó rei, este avião
belissimamente decorado fora fabricado pelo demônio
Maya, estando equipado com armas próprias para todos os
tipos de combate. Era inconcebível e indescritível. De fato,
era às vezes visível e às vezes não. Sentado neste avião sob
um belo guarda-sol protetor e sendo abanado pela melhor
das câmaras, Mahãrãja Bali, rodeado por seus capitães e
comandantes, parecia a Lua nascendo à noite, iluminando
todas as direções.
Meu exemplo final de vimãna é de um trecho da história do
sacrifício de Daksa. Sati, a esposa do Senhor Siva, queria
assistir a um sacrifício organizado por seu pai, Daksa, mas
Siva não queria deixá-la ir por causa da hostilidade de Daksa
para com ele. Nesta passagem, vemos Sati implorando a seu
esposo que a deixe ir ao sacrifício após ter visto seus
parentes viajando para lá a bordo de vimãnas:

Ó jamais-nascido, ó ser da garganta azul, não só minhas
parentas, mas também outras mulheres, vestidas em lindas
roupas e decoradas com ornamentos, estão indo para lá com
seus esposos e amigos. Vê como seus bandos de aviões
brancos fizeram todo o céu belíssimo.

Todos os seres aqui referidos são devas e upadevas.
Conforme podemos ver por este e os outros exemplos, os
vimãnas eram considerados meios de transporte comuns
para seres destas categorias.

A cidade voadora de Hiranyapura

Wendelle Stevens menciona um estudo sobre a origem dos
óvnis realizado por um comitê em Bruxelas chamado
Laboratoire de Recherche A. Kraainem. Segundo concluía
este estudo, após atingirem determinado estágio de
tecnologia, os seres de uma civilização deixarão seu planeta
natal e "viverão em enormes 'naves-mãe', mundos artificiais
criados por eles mesmos, adaptados a suas próprias
necessidades e submetidos a constantes ciclos de
manutenção e aperfeiçoamento. (...) Além de gozarem de
auto-suficiência plena, os mundos artificiais não dependem
do apoio de nenhum outro planeta ou corpo físico. São
mantidos no espaço, onde singram por tempo indefinido".
No Mahãbhãrata também encontramos esta idéia de cidades
voadoras auto-sustentáveis a viajar por tempo indefinido no
espaço exterior. Nesta seção e nas duas seguintes, darei
diversos exemplos disto. O primeiro é a cidade voadora de
Hiranyapura. Arjuna a viu flutuando no espaço em sua
viagem pelas regiões celestiais, após ter derrotado os
nivãtakavacas numa grande batalha. Nesta jornada celestial,
Arjuna era acompanhado por um deva chamado Mãtali, a
quem perguntou acerca da cidade. Mãtali replicou:

Certa vez, havia uma mulher daitya chamada Pulomã e uma
grande asuri, Kãlaka, que praticaram rigorosas austeridades
por um milênio de anos dos deuses. Ao final de suas
mortificações, o Deus auto-criado lhes concedeu um favor.
Em resultado, elas escolheram ter uma progênie que sofresse
pouco, Indra dos reis, e fosse inviolável por deuses, rãksasas
e serpentes. Esta adorável cidade aerotransportada, com o
esplendor das boas ações, abarrotada de todas as pedras
preciosas e inexpugnável até mesmo para os imortais, os
bandos de yaksas e gandharvas, e serpentes, asuras e
rãksasas, repleta de todos os desejos e virtudes, livre do pesar
e da doença, foi criada para os kãlakeyas por Brahmã, O
melhor dos Bhãratas. Os imortais fugiam desta celestial
cidade voadora, Ó herói, que é habitada por asuras das
estirpes pauloma e kãlakeya. Esta grande cidade se chama
Hiranyapura, a Cidade-de-Ouro.

Nesta passagem, os habitantes da cidade, os paulomas e
kãlakeyas, são identificados como os descendentes de duas
parentas rebeldes dos devas chamadas Pulomã e Kãlakã. As
"serpentes" são uma raça de seres místicos, chamados nãgas,
que podem assumir forma humanóide ou de serpente (veja
páginas 356-60). O "deus auto-criado" é Brahmã, conhecido
como sendo o progenitor original de todos os seres vivos
dentro do universo material. Sendo de origem
transcendental, Brahmã não tem pais materiais, e por isso é
tido como auto-criado. Os imortais são os devas. Eles são
chamados de imortais porque vivem por milhões de nossos
anos. No entanto, segundo os Vedas, todos os seres
corporificados no universo material têm um período finito
de vida e têm de morrer após algum tempo.
Com seus poderes superiores, Brahmä providenciou para
que os paulomas e kälakeyas tivessem uma cidade voadora
contra a qual fracassassem os ataques de diversos grupos de
seres poderosos dentro do universo, inclusive os devas.
Contudo, ele deixou uma fresta aberta para os devas ao
declarar que um ser humano poderia ter êxito ao atacar a
cidade voadora.
Arjuna era metade humano, metade deva. Sua mãe era uma
mulher da Terra, e seu pai, Indra, o rei dos devas. Indra
equipara Arjuna com armas celestiais apenas com o
propósito de derrotar inimigos dos devas agraciados por
Brahmä com bênçãos de proteção que não se aplicassem a
humanos. Deste modo, Arjuna concluiu que atacar
Hiranyapura fazia parte de sua missão. Eis o relato de Arjuna
para o ocorrido após seu ataque inicial:

Quando estavam sendo massacrados, os daityas recuperaram
sua cidade e, empregando sua feitiçaria dänava, voaram céu
acima, com a cidade e tudo. Eu os detive com uma poderosa
saraivada de flechas e, bloqueando seu caminho, os impedi
de prosseguirem. Mas, por causa da bênção recebida, foi fácil
para os daityas reassumirem o controle de sua celestial,
divina e refulgente cidade aerotransportada, que gozava de
total autonomia de vôo. Ora ela adentrava o subterrâneo, ora
pairava no alto do céu, ora saía veloz em linha diagonal, ora
submergia no oceano. Voltei a atacar a cidade móvel, que
parecia Amarävati, com muitas espécies de mísseis, suserano
dos homens. Em seguida, subjuguei tanto a cidade quanto os
daityas com uma massa de flechas, que eram aceleradas por
mísseis divinos. Ferida por minhas flechas de ferro e de
disparo reto, a cidade asura caiu espatifada sobre a Terra, O
rei. Os asuras, atingidos por minhas céleres flechas de ferro,
rodopiaram, Ó rei, derrotados pelo Tempo. Mätali num
instante desceu à Terra, como que caindo de cabeça, em
nossa quadriga de refulgência divina.
A batalha entre Arjuna e os daityas começou na superfície
de um planeta (talvez a Terra). Ao serem vigorosamente
atacados por Arjuna, os daityas decolaram a bordo de sua
cidade voadora. É digno de nota o fato de a cidade ser capaz
de se mover no subterrâneo e debaixo d'água, bem como
pelo ar ou no espaço exterior. Muitos relatos descrevem
óvnis entrando e saindo de corpos d'água, e algumas
histórias associam óvnis a bases subterrâneas ou submarinas.
A história de Betty Andreasson sobre a Fênix, por exemplo,
parece ter ocorrido num reino subterrâneo, e Filiberto
Cardenas contou ter sido levado para uma base submarina.

Congressos aéreos dos devas

Segundo o Mahäbhärata, da mesma forma que os daityas têm
cidades voadoras como Hiranyapura, os devas têm
congressos voadores, nas quais eles realizam suas atividades
administrativas. Eis alguns exemplos, começando com o
congresso de Indra, ou Sakra, o rei dos devas. Nesta
passagem, uma légua equivale a uma yojana sânscrita, que
varia de nove a quinze quilômetros:

O esplêndido salão celestial de Sakra, conquistado mediante
suas façanhas — ele próprio o construiu, Kaurava, com o
resplendor do fogo. Tem cem léguas de largura, 150 de
comprimento e cinco de altura, tem plena autonomia de
movimento e é aéreo. Dissipador da velhice, da aflição e da
fadiga, isento de doenças, benigno, belo, repleto de câmaras
e assentos, adorável e embelezado com árvores celestiais é
aquele salão onde, Ó Pärtha, o senhor dos deuses se senta
com Saci.

É comum descreverem vimänas como naves ígneas ou de
brilho cintilante. Encontramos a mesma característica na
seguinte descrição do salão de Yama, que foi construído por
Visavakarmä, o arquiteto dos devas:
Este belo salão, com plena autonomia de movimento, nunca
fica apinhado de gente — ele é luminoso como que
envolvido pelas chamas de sua própria radiação, pois
Visavakarmä o construiu após acumular por muito tempo o
poder das austeridades, Bhärata. A ele vão ascetas de
terríveis austeridades, de bons votos e palavras verazes, que
são tranqüilos, desprendidos, vitoriosos, purificados por seus
atos santos, todos portando corpos refulgentes e trajes
imaculados; (...) e também vão gandharvas excelsos e hostes
de apsarãs às centenas. (...) Uma centena de milhares de
pacíficas pessoas sábias assistem de corpo e alma ao senhor
das criaturas.

É interessante o fato de o salão de Yama ser povoado por
seres de muitos tipos diferentes. Isto faz lembrar o
fenômeno ufológico, visto serem freqüentes os relatos da
presença de diversos tipos de ser num óvni, todos
aparentemente trabalhando em regime de cooperação. No
salão de Yama, além de gandharvas, apsarãs e diversos tipos
de ascetas, há os siddhas, com seus corpos de yogues, pitãs,
homens de ação malévola, e "os familiares de Yama
encarregados da administração do tempo".
Os últimos, sendo funcionários dotados de poderes místicos,
estão capacitados a regular o processo de transmigração de
almas. Yama é o senhor védico da morte, o supervisor do
processo de transmigração. Por mais estranho que pareça,
mesmo neste caso encontramos um paralelo com relatos
sobre fenômenos óvni. Segundo indicam muitos relatos,
algumas entidades ufológicas podem induzir as pessoas a
terem experiências extra-corporais para em seguida exercer
controle sobre seus corpos sutis (veja Capítulo 10). Esta
também vem a ser uma das faculdades dos familiares de
Yama.
Outro dado curioso sobre o salão de Yama é que ele jamais
fica apinhado de gente, por mais que nele entrem muitos
seres diferentes. Isto faz lembrar o relato de rapto por óvni
de "Steven Kilburn", apresentado por Budd Hopkins, no
qual um óvni parece ser muito maior por dentro do que por
fora. Isto sugere que dentro do salão de Yama — ou no óvni
de Kilburn — o espaço transforma-se de uma maneira além
do alcance de nossa experiência humana (veja Apêndice 3).
Em seu depoimento, Betty Andreasson relata ter visto um
óvni ser muito reduzido em seu tamanho aparente, muito
embora houvesse um passageiro humano dentro dele.
Apesar de isto parecer sobremaneira implausível, existem
siddhis védicos, chamados mahimã e anima, mediante os
quais um objeto pode ser muito expandido ou contraído em
tamanho, ao mesmo tempo que retém suas proporções e
estrutura interna.
O congresso de Brahmã fornece outro exemplo
surpreendente de transformações de espaço, as quais
parecem, incompreensíveis de um ponto de vista comum.
Neste caso, o grande sábio Nãrada Muni visitou o salão de
Brahmã e descobriu não ser capaz de fazer uma descrição
adequada de seu esboço arquitetônico:

Em seguida, o abençoado e poderoso senhor Sol me levou
até o imaculado salão de Brahmã, onde não existe fadiga.
Não é possível descrevê-lo como ele é de fato, rei das
pessoas, pois a cada instante ele assume uma nova aparência
indescritível. Não sei dizer qual seja seu tamanho ou sua
estrutura, Bhãrata, e jamais vi semelhante beleza. O salão é
muito confortável, rei, nem frio demais nem quente demais;
entrando-se nele, deixa-se de sentir fome, sede ou cansaço.
E como se fosse feito de muitos formatos diferentes, todos
muito coloridos e luminosos. Não há pilastras o sustentando.
É eterno, e por isso não se deteriora. É auto-iluminado além
da Lua e do Sol e do fogo flamejante; na abóboda celeste, ele
resplandece como se iluminasse o Sol. Nele se senta o
abençoado senhor, O rei, o avô dos mundos que, sozinho,
os cria constantemente com sua magia divina.

A mansão aérea de Ravana

Na epopéia chamada Rãmãyana encontramos um relato
interessante sobre um vimãna. Segundo a história principal
do Rãmãyana, um país da Terra chamado Lankã foi ocupado
outrora, por uma raça de seres malévolos chamados rãksasas.
(Lankã seria, segundo se pensa, a ilha conhecida hoje em dia
como Sri Lankã, embora haja quem questione isto.) Rãvana,
o rei dos rãksasas, reinava em Lankã, uma cidade então
fortificada, onde ele escondeu Sitã, a esposa do Senhor
Rama, após raptá-la com o auxílio de suas faculdades de
ilusão (veja páginas 292-93). Rãvana também possuía uma
mansão aérea cujo vôo, acionado por seus comandos
mentais, permitia-lhe melhor desempenho em suas façanhas
militares.
O Senhor Rãma pediu a um ser chamado Hanumãn,
pertencente a uma raça simiesca inteligente, para descobrir
o paradeiro de Sitã e lhe trazer notícias dela. Embora nascido
na Terra numa sociedade primitiva, Hanumãn também era
filho do deus-vento Vãyu, de modo que dispunha de
poderes místicos úteis para semelhante tarefa. Enquanto
procurava Sitã, ele viu a mansão aérea de Rãvana a pairar
sobre sua capital:

O heróico filho do deus-vento viu, em meio àquele
complexo residencial, a grande mansão-aeronave chamada
Puspaka-vimãna, decorada com pérolas e diamantes e cujas
janelas eram verdadeiras obras de arte feitas de ouro
refinado.

Tendo sido construída pelo próprio Visavakarmã, ninguém
era capaz de lhe avaliar o poder nem de destruí-la. Fora
construída com a intenção de ser superior a todas as
construções semelhantes. Não precisava de apoio para se
postar na atmosfera. Tinha a capacidade de ir a qualquer
lugar. Postava-se no céu como se fosse um marco no
caminho do Sol. (...)
Tratava-se do resultado final da grande mestria conquistada
com austeridades. Podia voar em qualquer direção que se
desejasse. Tinha cômodos de beleza extraordinária. Tudo
nela era simétrico e singular. Sabendo das intenções de seu
amo, era capaz de ir a qualquer lugar em alta velocidade sem
ser obstruída por ninguém, nem mesmo o próprio vento.
(...)
Suas torres eram verdadeiras obras de arte. Suas agulhas e
cúpulas eram como os picos das montanhas. Era imaculada
como a Lua do outono. Era ocupada por esguios rãksasas de
enormes proporções com rostos abrilhantados por seus
brincos cintilantes. Era deliciosa de se ver como a primavera
e as flores que desabrocham nesta estação. Além disso,
contava com a proteção de inúmeros elementais com olhos
redondos e profundos e capazes de fazer movimentos muito
rápidos.
Hanumãn, o filho do deus-vento, avistou, no meio do
edifício aéreo, uma construção bem espaçosa. Aquele
prédio, com meio yojana de largura e um yojana de
comprimento, e tendo diversos andares, era a residência do
rei dos rãksasas. (...)
Foi na região celestial que Visavakarmã construiu este
Puspaka-uimãna, ou mansão-aeronave de forma atraente,
que podia ir a qualquer parte e intensificava a natureza do
desejo de seus ocupantes. Kuvera, por conta de suas
austeridades, obtivera de Brahmã aquela mansão aérea toda
decorada com pedras preciosas e homenageada pelos
residentes de todos os três mundos. Rãvana, o rei dos
rãksasas, lograra apoderar-se dela ao suplantar Kuvera.

É especialmente interessante a referência a "elementais com
olhos redondos e profundos", cuja função é proteger o
vimãna. Estes seres pareciam vir com o próprio vimãna,
enquanto os rãksasas eram meros intrusos que o adquiriram
por intermédio das façanhas militares de Rãvana. Observe-se
também que, com cada yojana equivalendo a quinze
quilômetros, as dimensões da residência de Rãvana no
vimãna seriam sete por quinze quilômetros.

E os cavalos e quadrigas voadores?

Existem, está claro, ricas tradições védicas em torno de raças
humanóides capazes de voar à vontade por todo o universo
a bordo de veículos chamados vimãnas. Seria possível
objetar, contudo, que também existem histórias védicas
sobre quadrigas puxadas a cavalo que voam pelo céu. Com
certeza, estas histórias são de todo absurdas, já que não faz
sentido afirmar a possibilidade de um animal correr pelo ar
ou pelo espaço exterior usando suas pernas. Por causa deste
absurdo, alegam alguns, nada na literatura védica deve ser
levado muito a sério.
Em resposta a esta objeção, deve-se admitir que, apesar de os
textos védicos conterem de fato histórias sobre quadrigas
voadoras puxadas a cavalo, estas histórias não são
necessariamente absurdas. Para entendê-las da forma
correta, é preciso levar em conta diversos detalhes que as
situam no contexto do panorama geral do mundo védico.
Vistos desta maneira, tanto as quadrigas puxadas a cavalo
quanto os vimãnas autônomos fazem sentido.
Procurarei apresentar estes detalhes, referindo-me a algumas
histórias do Mabãbhãrata sobre Arjuna, o herói Pãndava. Na
primeira história, Arjuna viaja pelo espaço exatamente numa
quadriga puxada por cavalos. Esta descrição traz uma série de
características importantes, incluindo-se a viagem pelo
espaço sobre uma espécie de rodovia:

E, montado nesta solar, divina e prodigiosa quadriga, o sábio
descendente de Kuru saiu jubilante a voar. Tornando-se
invisível para os mortais que perambulam na Terra, ele viu
milhares de maravilhosas quadrigas aerotransportadas.
Embora ali não houvesse luz do Sol, nem da Lua, nem do
fogo, as quadrigas gozavam de seu próprio brilho adquirido
mediante seus méritos. Aquelas luzes que são como as
estrelas parecem minúsculas como candeias de azeite por
causa da distância, mas são de fato bem grandes. O Pãndava
as viu brilhantes e belas, ardendo em seus próprios lares com
seu próprio fogo. Lá estão os aperfeiçoados videntes reais, os
heróis abatidos em guerra, os quais, tendo conquistado o céu
com suas austeridades, reúnem-se em centenas de grupos. O
mesmo se dá com milhares de gandharvas com uma
cintilância como a do Sol ou do fogo, e com milhares de
guhyakas e videntes, além das hostes de apsarãs.
Contemplando aqueles mundos de luz própria, Phalguna,
atônito, questionou Mãtali em tom amistoso, ao que este lhe
disse: "Aqueles que lá viste, meu senhor, parecendo estrelas
quando vistos da Terra, são homens de feitos santos,
flamejantes em seus próprios lares." Em seguida, ele viu,
parado no pórtico, Airãvata, o vitorioso elefante branco de
quatro presas, altaneiro como o pontudo Kailãsa. Seguindo
viagem pela rodovia dos siddhas, aquele excelentíssimo kuru
Pãndava reluzia tanto como reluzira outrora o grande rei
Mãndhãtar. O príncipe de olhos de lótus passou pelos
mundos dos reis, indo parar em seguida em Amarãvati, a
cidade de Indra.

Conforme salientei no Capítulo 6 (página 253), é importante
atentar, com relação a esta passagem, para o fato de Arjuna
ter entrado numa região estelar onde não havia luz do Sol,
da Lua ou do fogo. É isto que alguém acabaria encontrando
se de fato chegasse a viajar entre as estrelas. Conforme se
declara ainda, as estrelas são bem grandes, mas parecem
pequenas por causa da distância quando vistas da Terra, o
que também corresponde às idéias modernas.
Naquela região, Arjuna constatou serem as estrelas não
apenas mundos de luz própria, mas também os lares de
gandharvas, guhyakas e outros, incluindo "homens de feitos
santos" que haviam sido promovidos ao céu. As próprias
estrelas são descritas, numa evidente expressão poética,
como quadrigas aéreas. São chamadas, ainda, de pessoas,
numa referência aos seres que predominantemente vivem
nelas.
Outro ponto a observar: Arjuna "seguia na rodovia dos
siddhas", que passava pelos mundos dos reis rumo à cidade
de Indra. Mais adiante, esta mesma estrada é chamada de a
"estrada das estrelas" e o "caminho dos deuses". Ao que
parece, portanto, a quadriga de Arjuna viajava sobre alguma
espécie de estrada pelo espaço exterior.
O Visnu Purãna traz algum esclarecimento sobre a
verdadeira rota seguida por Arjuna. Segundo se afirma ali, o
Caminho dos Deuses (deva-yãna) fica ao norte da órbita do
Sol (a eclíptica), ao norte de Nãgavithi (os naksatras Asvini,
Bharani e Krttikã) e ao sul das estrelas dos sete rsis. Asvini e
Bharani são constelações em Áries, ao norte da eclíptica, e
Krttikã é a constelação adjacente em Touro, conhecida
como as Plêiades. Asvini, Bharani e Krttikã pertencem a um
grupo de 28 constelações chamadas naksatras em sânscrito
(asterismos ou mansões lunares em linguagem ocidental). Os
sete rsis são as estrelas da Ursa Maior. A partir desta
informação, podemos formar uma idéia genérica do
Caminho dos Deuses como sendo uma rodovia que se
estende pelas estrelas no hemisfério celestial norte.
Outra rodovia celestial importante é o Caminho dos Pitãs
(ou pitr-yãna). Segundo o Visnu Purãna, esta rodovia fica ao
norte da estrela Agastya e ao sul de Ajavithi (os três
naksatras Mula, Pürvãsãdhã e Uttarãsãdhã), fora do caminho
Vaisvãnara. A região dos pitãs, ou Pitrloka, consta na
literatura védica como sendo o quartel-general de Yama, o
deva que pune os seres humanos pecaminosos e cujo
congresso aéreo foi descrito acima. Esta região, junto dos
planetas infernais, é dita no Bhãgavata Purãna como estando
no lado meridional do universo, ao sul de Bhü-mandala, o
sistema planetário terrestre. Os naksatras Mula, Pürvãsãdhã e
Uttarãsãdhã correspondem a partes das constelações de
Escorpião e Sagitário e, segundo se pensa, Agastya é a estrela
do hemisfério meridional chamada Canopo. Logo, pela
descrição do Visnu Purãna, podemos fazer uma idéia, em
função de marcos celestiais conhecidos, da localização de
Pitrloka e da estrada que vai até lá.
Tais rodovias celestiais cobrem longas distâncias e, como
atravessam o espaço exterior, geram o problema da falta de
uma atmosfera respirável. Que espécie de cavalos poderia
trilhar semelhantes estradas? Podemos responder a esta
pergunta recontando uma história do Mahãbhãrata onde o
gandharva chamado Citraratha oferece uma bênção a
Arjuna. Embora Citraratha possuísse um vimãna (veja
páginas 313-14), ei-lo interessado em cavalos:

Ó melhor dos homens, desejo agora oferecer a cada um de
vós, cinco irmãos, cem cavalos da raça criada pelos
gandharvas. As montarias dos deuses e gandharvas
transpiram uma fragrância celestial e se movimentam à
velocidade da mente. Mesmo quando esgotam sua energia,
não diminuem a velocidade. (...)
Estes cavalos gandharvas mudam de cor segundo lhes
convém e voam à velocidade que desejam. Bastará um
desejo vosso para eles aparecerem perante vós, prontos a
nos servir. Na verdade, estes cavalos sempre hão de honrar
vossa vontade.
Estes parecem ser cavalos místicos cuja atuação obedece às
leis que regulamentam categorias sutis da energia material. A
rodovia pela qual eles viajam é, presume-se, de natureza
semelhante, e eles conseguem cobrir distâncias imensas em
pouco tempo pelo fato de obedecerem às leis reguladoras da
energia sutil, e não às leis reguladoras da matéria grosseira.
Para entendermos o fato de ser possível conduzir um
grosseiro corpo humano ao longo de semelhante estrada,
basta levarmos em conta os siddbis místicos chamados prãpti
e mano-java, já discutidos no Capítulo 6. Em termos básicos,
as leis sutis incluem e suplantam as leis grosseiras. A matéria
grosseira, que obedece às leis físicas conhecidas, também
obedece às leis sutis. Porém, é possível aplicar as mesmas
leis sutis para fazer com que a matéria grosseira atue de
maneira a violar as leis comuns da física.
Consideremos agora a quadriga de Arjuna. Eis como é
descrita uma quadriga que ele usava:

A quadriga tinha todos os equipamentos necessários. Nem
deuses nem demônios tinham como conquistá-la, e ela
irradiava luz e reverberava com um profundo estrondo. Sua
beleza cativava as mentes de quantos a viam. Visavakarmã, o
senhor do design e da construção, a criara pelo poder de
suas austeridades, e não era possível discernir sua forma com
precisão, tanto quanto não se pode discernir a forma do sol.

Minha tentativa de conclusão, a partir deste material, é a
seguinte: a essência da tecnologia dos vimãnas e das
quadrigas voadoras puxadas a cavalo é a mesma. Ela depende
de poderes místicos e aspectos supradimensionais da energia
material, desconhecidos da ciência moderna, mas comuns
para os devas. Na sua essência, os vimãnas são construções
arquitetônicas capazes de voar, tanto em três dimensões
quanto em dimensões superiores, em virtude de poderes que
nos parecem místicos. Os cavalos gandharvas funcionam no
mesmo nível místico, e o mesmo se aplica às quadrigas por
eles puxadas.
Se isto é verdade, seria possível perguntar o motivo de os
devas e outros seres afins se darem ao trabalho de usar
veículos puxados por cavalo quando têm à sua disposição
vimãnas que se locomovem por sua própria energia. A
resposta, a julgar pelo Mabãbhãrata como um todo, é que
estes seres usam cavalos porque gostam deles. Eles fazem
uso de arquitetura voadora segundo sua conveniência, mas
também têm apreço por atividades eqüestres. De modo
semelhante, apesar de terem armas poderosas, como a
brahmãstra, baseadas em energia radiante, também dispõem
de regras elaboradas para lutas corporais com maças. Os
devas e os upadevas dão a impressão geral de preferirem a
vida e a bravura pessoal às máquinas.
Existiriam paralelos entre as rodovias celestiais dos devas e as
informações reveladas em relatos sobre ovnis? Há um
possível paralelo em histórias de pessoas que caminham pelo
espaço ao longo de feixes luminosos. Um exemplo disto está
no relato de Sara Shaw, raptada de uma choupana em
Tujunga Canyon, perto de Los Angeles, em março de 1953.
Após ser hipnotizada pelo Dr. William McCall, Sara contou
como foi levada a bordo de um óvni:

McCall: Você está perto da nave?
Sara: Não, estou começando a flutuar. Estou começando a
flutuar na direção dela.
McCall: Que quer dizer com começar a flutuar na direção
dela?
Sara: Bem... eles estão andando comigo, mas meus pés não
tocam o solo.
McCall: Eles estavam em terra quando você saiu da casa.
Que houve para eles não estarem mais tocando o solo?
Sara: Bem, há um feixe luminoso. É quase como se eu...
McCall: Você pode ver o feixe luminoso agora?
Sara: Eu estou sobre o feixe luminoso. Estou parada sobre ele
e ele está disposto obliquamente. É como uma esca... não!
Tem quase o mesmo ângulo que uma escada rolante teria, só
que sem quinas ou degraus. E apenas um feixe muito liso e
sólido, e a gente fica como que parada sobre ele. (...)
McCall: Que está acontecendo com seus amigos?
Sara: Estão todos em volta de mim.
McCall: Também estão sobre o feixe luminoso?
Sara: Mas é como se eles... agora estou andando. Todos nós
estamos andando, mas, além disso, o feixe vai nos
transportando. O feixe se mexe. Afora isso, é como se
estivéssemos andando sobre ele também. Mesmo assim, eu
não sinto nada debaixo de mim. Por exemplo: não é algo que
pareça sólido como se fosse terra firme.

Se é que se pode levar esta história ao pé da letra, o feixe
luminoso não apenas parece ter anulado o peso de Sara
como também capacitou-a a se equilibrar em posição ereta e
caminhar normalmente. Os seres no caso Masse (veja
páginas 268-69) parecem ter dado uma caminhada
semelhante sobre um feixe luminoso, pois, segundo consta,
"deslizavam ao longo de faixas de luz".
Um segundo exemplo envolve alguém nadando num feixe
luminoso. Este fenômeno foi relatado por William Curtis,
que experimentou ser raptado e levado para dentro de um
óvni em setembro de 1974 e recordou o acontecido em
dezembro de 1987. Ele fora raptado em seu quarto. Ao ser
devolvido ao mesmo, recordou-se ele, seus captores lhe
pediram para pular de uma abertura no fundo do óvni,
através da qual ele pôde ver seu quarto lá embaixo. Eis como
ele descreve esta experiência:

Quando caí, tive a sensação de... você já andou de
montanha-russa? Foi a sensação que tive. Foi de tirar o
fôlego. Mas, a uns sessenta centímetros do telhado, fui
amortecido. Pude até ver os contornos das telhas. E então
algo me pegou, me ergueu e me rodopiou para me despejar
bem através do telhado! Eles me colocaram de volta na
cama, agarraram meus braços e me levantaram. (...)
Há uma luz branca entrando pelo telhado e um serzinho vai
subindo por esta mesma luz. Ouço um zunido, como de um
gerador vindo de cima. Enquanto sobe, aquele serzinho
esperneia bem rápido. (...) Ele entra num óvni cinzento.
Parecem ter pressionado um botão, querendo que eu veja
aquilo tudo. Há um escapamento debaixo do objeto que eu
vejo — a "MAV" [máquina alienígena voadora]. A luz sobe,
o teto volta ao lugar e pronto.

No primeiro destes dois relatos, há um feixe luminoso
disposto obliquamente sobre o qual uma pessoa pode andar.
No segundo, há um feixe vertical e um ser escalando feixe
acima num movimento parecido com o da natação. Em
ambas as histórias, os eventos, conforme são descritos,
parecem de todo bizarros do ponto de vista dos princípios
físicos convencionais. Isto se aplica em especial à segunda
história, na qual o feixe luminoso parece ser usado para
transferir o corpo do homem através do telhado de sua casa.
No caso de Sara Shaw, porém, os seres intrusos entraram em
sua choupana passando através das vidraças de uma janela
(veja página 277), o que é um fenômeno semelhante.
O paralelo entre estes exemplos e as estradas celestiais
védicas é que o feixe parece definir um caminho através do
espaço, ao longo do qual uma pessoa pode se movimentar
usando as pernas. Os seres que usam estes caminhos têm
poderes que os capacitam a atravessar paredes, podendo,
também, transportar corpos humanos através delas. A
estrada celestial védica também é um caminho através do
espaço por onde se pode andar. Os cavalos e quadrigas que a
trilham têm propriedades místicas — por exemplo, os
cavalos podem aparecer e desaparecer à vontade. Um ser
humano como Arjuna também pode ser conduzido ao longo
de semelhante estrada. Um possível ponto de divergência na
analogia da estrada celestial com o caminho de feixe
luminoso está no fato de a estrada celestial ser de escala
cósmica e parecer ser relativamente permanente; o feixe
luminoso, por sua vez, é pequeno, sendo armado em caráter
temporário conforme a necessidade.
Muito curiosamente, os caminhos celestiais mencionados na
literatura védica são feixes luminosos de natureza peculiar.
Assim sendo, o Bhãgavata Purãna faz a seguinte descrição
das viagens de um místico ao longo do Caminho dos Deuses:

Ó rei, quando semelhante místico passa por cima da Via
Láctea ao longo do luminoso Susumna para chegar a
Brahmaloka, o mais elevado dos planetas, primeiro ele vai a
Vaisvanarã, o planeta da deidade do fogo, onde se purifica
por inteiro de todas as contaminações. Em seguida, ele sobe
mais ainda, até o círculo de Sisumãra, para ali se entender
com o Senhor Hari, a Pessoa Divina.

O caminho trilhado pelo místico é o caminho deva-yãna, o
luminoso Susumnã mencionado nesta passagem. Segundo o
dicionário sânscrito, Susumnã é o nome de um dos
principais raios do Sol. Logo, Susumnã deve ser alguma
espécie de feixe luminoso. Conforme fica evidente por sua
posição no espaço, contudo, ele não é um raio solar comum.
Vimanas de Vaikuntha

Em seu comentário ao Bhãgavata Purãna, A. C.
Bhaktivedanta Swami Prabhupãda descreve três processos
para locomoção no espaço exterior. O primeiro, chamado
kA-pota-vãyu, envolve naves espaciais mecânicas. Neste
caso, ka significa éter, ou espaço, e pota, nave. A expressão
ka-pota-vãyu também pode ser usada num trocadilho, uma
vez que kapota também quer dizer pombo.
O segundo processo chama-se ãkãsa-patana. "Assim como a
mente é capaz de voar para qualquer lugar desejado sem
precisar de dispositivos mecânicos, da mesma forma, o avião
ãkãsa-patana pode voar à velocidade da mente." Muitos dos
vimãnas por nós analisados parecem fazer uso do processo
ãkãsa-patana, e talvez muitos óvnis também funcionem pela
ação da mente. Talvez outros vimãnas e óvnis funcionem
mediante outros processos mecânicos que manipulam o éter
ou, em termos modernos, a textura do espaço-tempo.
Segundo o Bhãgavata Purãna, o éter é a textura do espaço, e
toda a matéria grosseira é gerada por transformações do éter.
Esta idéia faz lembrar a teoria de geometrodinâmica de john
Wheeler, segundo a qual todas as partículas materiais são
meras torções ou deformações de espaço-tempo. Tanto o
Bhãgavata Purãna quanto a teoria de Wheeler subentendem
estar a matéria diretamente vinculada ao éter. Logo, deve ser
possível manipular o éter pela manipulação da matéria
grosseira. A partir daí, podemos ver que seria possível
construir uma máquina física capaz de manipular o espaço-
tempo e propiciar incomuns modalidades de viagem.
Conforme afirma ainda o Bhãgavata Purãna, o éter é o
campo de ação da mente sutil. Isto sugere ser possível
manipular o éter pela ação da mente, propiciando-se, deste
modo, o sistema ãkãsa-patana de viagem. Observe-se que
ãkãsa significa éter e patana, voando.
Apesar de fazer uso da energia da mente sutil, ainda o
sistema ãkãsa-patana é material. Além dele, existe o processo
Vaikuntha, que é inteiramente espiritual. No sistema védico,
Vaikuntha é o mundo espiritual. O mundo material se
caracteriza por uma dualidade entre a matéria inanimada e o
espírito consciente, ao passo que, no mundo de Vaikuntha,
tudo é consciente e auto-refulgente. Os objetos em
Vaikuntha são feitos de uma substância consciente chamada
cintãmani, cuja tradução poderia ser gema da consciência.
A literatura védica contém muitas referências a vimãnas
puramente espirituais originários de Vaikuntha, sendo
possível encontrar referência aos mesmos em qualquer
relato sobre vimãnas védicos. Apesar de serem muitas vezes
comparados a cisnes, ou de se dizer que a forma deles
lembra a de um cisne, os vimãnas de Vaikuntha não são
cisnes. São estruturas voadoras feitas de cintãmani e viajam
por força da consciência pura.
Um vimãna de Vaikuntha consta na história em que um rei
chamado Dhruva se liberta do cativeiro material. Eis como
se descreve o aparecimento deste veículo perante Dhruva à
hora de sua morte:

Tão logo se manifestaram os sintomas de sua libertação, ele
viu um belíssimo avião [vimãna] descer do céu, como se a
brilhante Lua cheia estivesse baixando, a iluminar todas as
dez direções.
Dhruva Mahãrãja viu, no avião, dois belíssimos
companheiros do Senhor Visnu. Eles tinham quatro mãos e
um lustro enegrecido no corpo, eram muito joviais e seus
olhos eram como flores de lótus avermelhadas. Portavam
maças nas mãos e vestiam trajes muito atraentes, com elmos,
estando decorados com colares, braceletes e brincos.

Antes de embarcar no vimãna, o rei adquiriu seu corpo
espiritual, ou siddha-deha. Trata-se de uma forma corpórea
imperecível, feita de energia espiritual e adequada para se
viver na atmosfera de Vaikuntha. As viagens de Dhruva a
bordo do vimãna são descritas como segue:

Enquanto atravessava o espaço, Dhruva Mahãrãja viu, pouco
a pouco, todos os planetas do sistema solar e, no caminho,
viu todos os semideuses em seus aviões lançando chuvas de
flores para ele.
Assim, Dhruva Mahãrãja ultrapassou os sete sistemas
planetários dos grandes sábios conhecidos como saptarsi.
Além daquela região, ele atingiu a situação transcendental de
vida permanente no planeta onde vive o Senhor Visnu.

Em relatos védicos, menciona-se amiúde que os devas
gostam de lançar chuvas de flores sobre grandes
personalidades, em especial na ocasião de grandes vitórias ou
outros eventos gloriosos. Isto envolve a movimentação de
pétalas mediante a mesma espécie de transporte místico
típica dos devas. Um possível paralelo com isto é o
misterioso aparecimento de chuvas de pétalas perto de
Fátima, Portugal, na ocasião das visitas de um ser refulgente
tido por muitos como sendo a Virgem Maria. Isto é
discutido no Capítulo 8 (páginas 360-74).

8
Observações modernas e antigas tradições

Embora o principal tema deste livro sejam os paralelos entre
o fenômeno ufológico e as idéias védicas, também existem
estreitas ligações entre este fenômeno e idéias encontradas
em outros sistemas tradicionais de pensamento. Estas
ligações foram estudadas a fundo, no caso do antigo folclore
europeu, por Jacques Vallee em seus livros Passport to
Magonia e Dimensions. Não surpreende o fato de haver
também paralelos entre estas tradições e a tradição védica.
Neste capítulo, explorarei o triângulo de inter-relações que
liga os relatos sobre óvnis, a tradição védica e outras
tradições antigas.
Embora sejam extensos os dados empíricos sobre óvnis e
fenômenos afins, eles tendem a ser incompatíveis com
idéias teóricas modernas, sendo, por isso, difíceis de
interpretar. Em contraste, a antiga visão de mundo védica é
um sistema coerente e significativo de filosofia e
cosmologia, mas não inclui dados de observação atualizados.
Minha tese é que estas duas coisas tendem a se
complementar: os fenômenos ufológicos tendem a
corroborar a visão de mundo védica, e esta visão de mundo,
por sua vez, pode nos ajudar a compreender os fenômenos
ufológicos.
Apesar de Vallee fazer uma observação semelhante sobre os
fenômenos ufológicos e o antigo folclore europeu, sua
apresentação peca pelo fato de o folclore europeu em geral
carecer de exemplos bem definidos de objetos voadores
parecidos com óvnis. Seus paralelos enfocam, sobretudo, o
comportamento e as faculdades dos seres humanóides
descritos no folclore e nos relatos sobre óvnis. Portanto, seu
caso é reforçado pela observação de que há fortes paralelos
entre a visão de mundo védica e a antiga visão de mundo da
Europa. Já que a literatura védica contém muitas descrições
de naves aéreas, estes paralelos compensam a falta de
consistência na comparação óvni/folclore europeu.
Convém salientar que semelhanças entre histórias em duas
tradições antigas não têm o mesmo significado que
semelhanças entre relatos de eventos distintos feitos por
duas testemunhas contemporâneas. No caso das duas
testemunhas contemporâneas, é possível argumentar que
elas não se comunicaram entre si. Logo, segundo se pode
concluir, as semelhanças entre seus relatos indicam o fato de
ambas terem tido experiências reais semelhantes.
Não se pode dizer o mesmo acerca de semelhanças entre
tradições antigas. O próprio fato de as tradições serem
antigas significa que elas já tiveram bastante oportunidade de
se influenciarem mutuamente por intermédio de meios
comuns de comunicação humana. De fato, muitas são as
razões para suspeitarmos que as antigas culturas da Europa e
da Índia tiveram laços fortíssimos e que houve bastante
troca de comunicação entre elas. Com base nesta suposição,
podem-se atribuir muitas semelhanças entre a literatura
védica e o folclore europeu. Ao mesmo tempo, é bem
possível que algumas das visões de realidade específicas, que
durante séculos sobreviveram na Europa e na Índia, devam
pelo menos parte de seu poder de permanência a
experiências contínuas que tendem a corroborar aquelas
visões. Segundo esta idéia, os contatos com óvnis seriam
meros exemplos contemporâneos de semelhantes
experiências.
Eis um dos exemplos de Vallee, no qual uma visão de óvni
mostra uma ligação com antigas tradições européias.
Aconteceu no verão de 1968, por volta das quatro da
manhã. Uma mulher britânica dirigia perto de Stratford
quando ela e seu companheiro viram um disco brilhante no
céu. Pararam para observá-lo voando e rodopiando, e outro
carro também parou para observar. Após o disco desaparecer
por trás das árvores, ela prosseguiu dirigindo e, durante a
viagem, experimentou impressionantes insights sobre a
natureza da realidade que, segundo disse ela, transformaram
sua personalidade. Após o jantar daquela noite, ela
encontrou uma estranha aparição, a quem ela passou a
chamar de "Homem-escorpião":

A luz do quarto brilhou formando um arco de cerca de três
metros em torno da janela. Tão logo me aproximei da janela,
deparei com um ser estranho. A percepção que eu tinha
dele se intensificou pelo estado de pânico paralisante que ele
provocava em mim. Sem sombra de dúvida, considerei-o
um demônio ou diabo em virtude de minha orientação
ocidentalizada... Tinha pernas como as de um cão ou bode.
Estava revestido em peliça macia, felpuda, negra e cintilante
sob a luz. Tinha traços humanóides inconfundíveis e,
segundo meu julgamento, era malévolo. Agachava-se e
olhava para mim sem piscar os olhos claros e verdes cor de
uva que relanceavam para cima e não tinham pupilas. Os
olhos brilhavam e eram de longe o aspecto mais
amedrontador da figura. Agora entendo que tentava se
comunicar comigo, mas meu pânico interferia em qualquer
mensagem que eu pudesse estar recebendo. Se ficasse
completamente em pé, teria cerca de um metro ou um
metro e meio de altura. Tinha orelhas pontudas e um
focinho comprido. Dava a impressão de estar definhando:
suas mãos e dedos eram finos como gravetos.

Aqui as pernas de bode e a peliça macia parecem associar o
ser à demonologia européia tradicional, enquanto os olhos e
a aparência emagrecida são típicos de entidades relatadas em
contatos com óvnis. Acaso os demônios europeus
tradicionais são reais de certo modo? Teriam eles alguma
relação com as entidades encontradas a bordo de óvnis?
Vallee analisou a fundo as semelhanças entre visitas de óvnis
e a tradição folclórica pagã e cristã relativa a humanóides
com faculdades paranormais. Entre estas, incluem-se os
súcubos e íncubos mencionados em escritos católicos
romanos da Idade Média, além das fadas e elfos da antiga
tradição celta e germânica.


As fadas

Em geral, os humanóides celtas são chamados fadas em
linguagem atual. Apesar de este termo referir-se, é claro, a
diversos tipos diferentes de ser, seria difícil obter descrições
claras de todos eles. Alguns têm, segundo dizem, belas
formas humanas, ao passo que outros são feios. Alguns são
ínfimos e, outros, tão ou mais altos que os humanos
modernos. A palavra irlandesa para fadas é Sidhe
(pronuncia-se xi), sendo as mesmas também conhecidas
como as Boazinhas ou as Pequeninas.
As Tuatha de Danann são um tipo importante de Sidhe na
Irlanda. A expressão Tuatha de Danann significa os
descendentes da deusa Dana. Esta Dana, conhecida como
Brigit na Idade Média irlandesa, parece ter sido assimilada
pelo cristianismo como Santa Brígida. Segundo reza a
tradição, as Tuatha de Danann eram donas absolutas do país
quando os filhos de Mil, os ancestrais do povo irlandês,
chegaram pela primeira vez à Irlanda. Tão logo os humanos
invadiram a ilha, as Tuatha de Danann ali permaneceram,
mas ocultas por meio de seus poderes de invisibilidade.
Contudo, continuaram a se relacionar com a sociedade
humana, comunicando-se com videntes e tornando-se
visíveis para humanos escolhidos.
Segundo observação feita pelo etnógrafo Walter Evans-
Wentz, por vezes pensava-se que as Sidhe nasciam como
reis humanos entre os celtas. De fato, ele alude a provas
literárias demonstrando se acreditar que o famoso rei Artur
foi uma dessas encarnações, além de salientar que muitas das
pessoas ligadas a ele, nas lendas arturianas, ou foram criadas
pelas fadas ou eram membros da raça delas. A espada
Excalibur de Artur, por exemplo, segundo consta, teria sido
feita em Avalon, o outro mundo das Sidhe. Ele era protegido
por uma fada chamada a Senhora do Lago, e sua irmã, a Fata
Morgana.
Isto vem demonstrar que, conforme se pensava na antiga
tradição celta, os seres humanos viviam em amplo e íntimo
contato com raças sobre-humanas que viviam na Terra ou
em mundos invisíveis diretamente vinculados a ela. É
possível dizer o mesmo da antiga visão de mundo védica.
Aliás, segundo o Bbãgavata Purãna, existe um grupo de seres
chamados danavas, ou os descendentes da deusa Danu. Os
danavas incluem os nivãta-kavacas, panis, kãleyas e hiranya-
puravãsis, aos quais me referi algumas vezes em capítulos
anteriores. Segundo o lingüista Roger Wescott, existe um elo
cultural entre a Danu védica e a deusa irlandesa Dana.
Conforme demonstrou Vallee, há certos paralelos entre os
relatos sobre óvnis e as histórias das Sidhe na tradição celta.
Por exemplo: é sabido que as entidades ufológicas aparecem
e desaparecem de forma misteriosa diante dos olhos das
pessoas, e o mesmo se dá com as fadas. Neste contexto,
Evans-Wentz ouviu o seguinte de um certo John MacNeil,
de Barra, uma ilha nas Hébridas Ocidentais da Escócia:

Os antigos diziam não saber se as fadas eram de carne e osso
ou se eram espíritos. Viam-nas como humanos de estatura
bem menor que a da nossa própria raça. Ouvi meu pai dizer
que as fadas tinham o hábito de vir falar com os nativos para
depois desaparecerem diante da vista deles. (...) As fadas,
acreditava-se, eram espíritos capazes de se fazer visíveis ou
não, segundo a vontade delas. E, quando levavam alguém,
levavam seu corpo e sua alma.

As fadas pareciam ter uma evidente forma física porque
conseguiam transportar pessoas no plano físico, mas mesmo
assim pareciam etéreas por poderem aparecer e desaparecer
à vontade. Esta aparente contradição vem à tona repetidas
vezes com relação a casos de rapto por óvnis. Também vem
à tona em relatos védicos, assunto cujos detalhes analisarei
no Capítulo 10.
Na literatura védica, há muitos relatos sobre humanóides
capazes de aparecer e desaparecer, e que às vezes levam as
pessoas embora para outro mundo. Segundo consta, eles
fazem estas coisas por meio de faculdades, ou siddhis,
específicas envolvendo interações entre a mente, o éter e os
elementos físicos grosseiros. Conforme demonstram as
histórias de Duryodhana e de Arjuna e Ulüpi no Capítulo 6,
os humanóides védicos também raptam pessoas por meios
que encontram paralelos em alguns casos de óvnis.

Raptos e cruzamentos

O rapto é um tema usual em contos de fadas tradicionais
(com certeza, bastante distintos das versões expurgadas
destinadas às crianças de hoje). Nestas histórias, é comum
homens e mulheres serem raptados por fadas e duendes
movidos pela lascívia. Também há casos de rapto de crianças
e, segundo diz a lenda, uma fada criança pode vir a ser
trocada por uma criança humana. Assim como verificamos
em casos de óvnis, tanto o desejo sexual quanto
considerações de ordem genética parecem ser motivo para
estes raptos. Em apoio a esta suposição, Vallee cita Edwin
Hartland, um erudito em tradições de fadas, quanto aos
motivos apresentados por pessoas de países da Europa
setentrional para este rapto de crianças:

O motivo em geral atribuído a raptos feitos por fadas em
histórias do norte é o da preservação e aprimoramento da
sua raça, quer se apoderando de crianças humanas para
serem criadas entre os duendes e se unirem a eles, quer
obtendo o leite e o aconchego de mães humanas para a sua
prole de fadas.

Esta interpretação foi analisada por mitólogos do século XIX
com base em seus estudos de folclore. Ela é, por certo,
muito semelhante à explicação dada por Budd Hopkins,
Raymond Fowler e outros para raptos por óvnis durante os
quais, segundo consta, mulheres são fecundadas — e seus
fetos prematuramente removidos — por entidades
alienígenas.
O comentário de Hartland sobre o aconchego de mães
humanas é especialmente enigmático, visto ser questionável
o motivo pelo qual duendes precisariam do carinho de mães
humanas. No entanto, algo parecido vem à tona em estudos
sobre raptos por óvnis. David Jacobs, professor adjunto de
história da Universidade de Temple, na Filadélfia, escreveu
um livro sobre raptos por óvnis no qual descreve os detalhes
de "cenas de apresentação". Nestas, a pedido dos alienígenas,
uma humana raptada entra em contato físico com crianças
alienígenas ou meio-alienígenas:

As raptadas também são instadas a tocar, segurar ou abraçar
estas crianças. (...) Parece ser absolutamente essencial que a
criança tenha semelhante contato humano. Embora os
alienígenas prefiram o contato amoroso e acalentador dos
humanos, qualquer contato físico parece ser suficiente.

A literatura védica traz muitos relatos sobre relações sexuais
entre humanos e membros de raças não-humanas que dão
origem a prole. Um exemplo disto é a união ocorrida entre
Bhima, um dos heróis humanos do Mahãbhãrata, e Hidimbã,
uma mulher rãksasa. Hidimbã abordara Bhima ao sentir
atração sexual por ele e, a fim de fazer amor com ele,
assumiu a forma ilusória de uma bela humana. Resultou daí
uma criança, a qual é descrita como segue:
E, enquanto amava Bhima em toda parte, ágil como o
pensamento, a rãksasi deu à luz um filho do poderoso
Bhimasena. Era horroroso, poderoso, vesgo, tinha uma
bocarra, orelhas pontiagudas, corpo asqueroso, lábios
escarlates, dentes longos e afiados, tendo nascido um grande
arqueiro de bravura e coragem ímpares, braços fortes,
grande velocidade, corpo atlético, incomparável feitiçaria, e
domador de seus inimigos. Inumano, embora nascido de um
humano, de terrível velocidade e força imensa, ele
suplantou os pisãcas e outros demônios tanto quanto
suplantou os seres humanos.

Neste caso, Bhima e Hidimbã permaneceram juntos quando
a criança era pequena, mas logo ela partiu e levou o menino
consigo. Quando ele era recém-nascido, Bhima comentou:
"Ele é brilhante como um cântaro!" Por isso, chamaram-no
Ghatotkaca, ou seja, Brilhante-como-um-cântaro. Bhima e
seus irmãos, os pãndavas, gostavam muito do menino, muito
embora ele se parecesse muito com a mãe e tivesse uma
fisionomia distintamente não-humana. Sua aparência é típica
de rãksasas, sendo bem diferente tanto dos seres humanos
quanto dos humanóides ufológicos em geral relatados hoje
em dia.
Bhima e Hidimbã não realizaram nenhuma espécie de
manipulação genética mas; conforme salienta o
Mabãbhãrata, Ghatotkaca fora criado por Indra, o soberano
dos devas, para destruir um certo guerreiro chamado Karna.
Portanto, Indra teria praticado intervenção de ordem
genética (ou de outra ordem) na ocasião da concepção de
Ghatotkaca.
O motivo para Indra fazer isto era proteger seu próprio filho,
Arjuna: ele sabia que Arjuna acabaria tendo de lutar com
Karna. Arjuna era um dos irmãos pãndavas e, como filho de
Indra, era a progénie de um pai deva e uma mãe humana
chamada Kunti. Todos os cinco Pãndavas eram filhos de
diversos devas com duas mães humanas, Kunti e Mãdri, que
eram esposas de um rei humano chamado Pãndu.
Segundo indicam os relatos védicos, as diversas raças
humanóides do universo geralmente são capazes de se
cruzar e produzir progênie fértil. Todas elas devem estar,
portanto, geneticamente relacionadas entre si, conforme
corrobora a literatura védica. Todas as raças humanóides
descendem de formas masculinas e femininas geradas por
Brahmã, a criatura original. Os devas estão entre os
descendentes destas formas, enquanto os seres humanos
terrestres descendem de devas aliados a uma série de ramos
de genealogia diferentes.

Genética e origens humanas

Contudo, é preciso ampliar o sentido da palavra genética.
Todos os organismos vivos conhecidos pela ciência moderna
contêm genes feitos de DNA que especificam os traços
hereditários destes organismos. Os corpos de Brahmã e dos
devas são feitos de formas sutis de energia, e por isso não
contêm DNA. No entanto, portam informação genética sob
a forma de bijas, ou sementes, também feitas de energia
sutil. Para humanos poderem descender de devas, é
necessária uma transformação sistemática que converta
energia sutil em energia grosseira. Esta mesma
transformação deve converter as bijas sutis em genes
grosseiros feitos de DNA.
Isto em parte confirma e em parte contradiz a teoria da
intervenção genética para a origem humana, por mim
analisada no Capítulo 5 (páginas 232-37). Segundo a versão
védica, os humanos terrestres realmente descenderam de
humanóides superiores oriundos de outros planetas, só que
isto não se deu por meio da engenharia genética de
cruzamentos entre os seres superiores e os primitivos
homens-macaco habitantes da Terra. Pelo contrário, houve
acasalamento entre devas que geraram progênie humana por
intermédio de transformações genéticas pré-planejadas.
Em geral, os descendentes de Brahmã, em nível de devas e
seres superiores, eram capazes de produzir progênie de tipo
corpóreo diferente do seu. Embora eu não tenha encontrado
descrições específicas da maneira como isto era feito,
suponho que fosse algo pré-programado por Brahmã. Não há
indícios de que os devas o fizessem por meio de pesquisa
científica independente. Pelo contrário, eles parecem ter
apenas feito uso dos poderes de que Brahmã os investiu
numa etapa anterior da criação.
A concepção védica da origem das espécies vivas não é
darwiniana. Conforme salientei no Capítulo 4 (páginas 161-
71), se são reais os humanóides do tipo descrito com relação
aos óvnis, então sua existência impõe um desafio à teoria
darwiniana da evolução. Segundo o atual entendimento da
história natural, tais seres não poderiam ter evoluído na
Terra. Também é bastante improvável que seres tão
parecidos conosco pudessem ter tido evolução
independente em outro planeta.
A teoria da intervenção genética apresentada por Sitchin
propõe que os humanos surgiram de um cruzamento
planejado por engenharia genética entre extraterrestres e
homens-macaco cuja evolução se processou na Terra. Esta
teoria pressupõe os próprios extraterrestres evoluindo em
outro planeta. Porém, é difícil explicar por que tais seres
deveriam ter tantas semelhanças genéticas com os homens-
macaco a ponto de se justificar o cruzamento entre as duas
raças.
A fim de ilustrar esta questão, imaginemos alguém querendo
produzir um novo programa de computador pela
combinação de programas de linguagem de máquina,
oriundos de dois computadores diferentes e escritos em
separado. Mesmo com os dois programas fazendo coisas
semelhantes, é provável que as fizessem usando sistemas de
código interno de todo diferentes, e por isso seriam
incompatíveis entre si. Numa situação dessas, até o mais
avançado perito em computadores acharia mais fácil criar o
novo programa a partir do zero do que fazer com que os
dois programas incompatíveis funcionassem juntos. (Ou
talvez ele preferisse produzir o novo programa modificando
um dos programas existentes.)
O relato védico evita o problema da incompatibilidade
genética ao iniciar com os devas um processo de
transformação que altera a própria forma dévica. A forma
humana resultante, apesar de ser diferente da forma dévica,
parece ser próxima dela o suficiente para que seja possível o
cruzamento entre humanos e devas.
Cabe aqui observar que a necessidade de converter
informação genética de uma forma sutil para uma forma
grosseira não constitui uma barreira intransponível. Como
informação é algo abstrato, é possível armazená-la usando
diferentes tipos de energia. Converter informação do sutil
para o grosseiro é comparável a converter os sinais elétricos
de um texto computadorizado para caracteres impressos em
papel.
Apesar de a transformação de deva para humano parecer ter
sido pré-programada por Brahmã, existem descrições védicas
da criação de raças humanas por meio de manipulação
genética. Em certo relato, um rei chamado Vena revelou ser
um tirano cruel, sendo, por isso, morto por grandes sábios.
Sua mãe preservou-lhe o corpo "pela aplicação de
determinados ingredientes e cantando mantras". Mais tarde,
os sábios ponderaram que as qualidades hereditárias do rei
eram valiosas e, com o intuito de preservá-las, agiram da
seguinte forma:

Após tomarem sua decisão, os santos e sábios bateram as
coxas do cadáver do rei Vena com bastante força e
observando um método específico. Como resultado deste
processo, nasceu uma pessoa nanica do corpo do rei Vena.
Esta pessoa nascida das coxas do rei Vena, a quem se deu o
nome, tinha a tez negra como a plumagem de um corvo.
Todos os membros de seu corpo eram bem curtos, seus
braços e pernas eram curtos e o maxilar era grande. Tinha o
nariz chato, os olhos avermelhados e cabelos cor de cobre.
Devo salientar que não se deve usar esta história para
sustentar quaisquer teorias de superioridade ou inferioridade
raciais. Segundo o ponto de vista védico, todas as pessoas,
como seres espirituais, são iguais, sendo um equívoco tentar
julgá-las com base no corpo material, que não passa de
cobertura externa da alma.
Os sábios parecem ter produzido Bãhuka realizando uma
operação bastante parecida com o que hoje se conhece
como geração de clones. Segundo o atual entendimento
científico, o DNA quimicamente intacto de qualquer célula
no corpo de uma pessoa contém toda a informação genética
daquele corpo em particular. Em teoria, isto significaria ser
possível produzir um novo corpo vivo usando-se o tecido de
um cadáver, contanto que o tecido não tivesse começado a
degenerar.
Neste caso, também parece ter se processado uma
transformação do material genético, motivo pelo qual foi
produzida uma pessoa nanica cujas características eram bem
diferentes daquelas do rei Vena. Mais tarde, os sábios, ao
baterem os braços do corpo de Vena, produziram um belo
casal, Prthu e Arci, diferentes em forma e qualidade tanto de
Vena quanto do anão.

Súcubos e íncubos

A literatura ufológica, o folclore ocidental e a literatura
védica trazem relatos sobre relações sexuais entre seres
humanos e humanóides cuja motivação parece ser a lascívia,
em geral não resultando em progênie. Nesta seção, darei
alguns exemplos extraídos destas três fontes de informação.
Whitley Strieber escreveu acerca de seu encontro com um
estranho ser feminino com olhos grandes e membros
definhados. Segundo sua descrição, ela parecia o cruzamento
entre um humano e um louva-a-deus. Strieber disse ter se
encontrado mais de uma vez com este ser, com quem sentia
ter alguma espécie de relação erótica. Ele a descreveu da
seguinte maneira para o jornalista Ed Conroy:

Ela é um ser humano, como todos da espécie dela. Só que é
do outro nível de ser humano. Aquilo que chamamos de
"inconsciente" é pleno de luz entre a raça dela. Eu gostaria
de levá-la comigo, para que fosse minha. (...) Ela pode ser
inocente como um bebê e sensual como uma raposa. (...)
Como a ira alheia parece feri-la fisicamente, é preciso
mergulhar nas profundezas do eu para se encontrar um
nível de serenidade profundo o suficiente para deixá-la
calma. E quando a paixão a domina, ela surge no meio da
noite. (...) Temo dizer que meu súcubo é bem real.

O ser que visitou Whitley Strieber é bem diferente das fadas
celtas. Tipicamente, as fadas são descritas como tendo
aparência muito mais humana e, segundo dizem, muitas
delas são belíssimas pelos nossos padrões. Contudo, ela
parece de fato ter um precedente nos ensinamentos da
Igreja Católica relativo a súcubos e íncubos. Consideremos a
seguinte declaração de Santo Agostinho, escrita por volta de
420 d.C.:

Há, também, um boato muito genérico, que muitos têm
constatado por experiência própria, ou que pessoas
confiáveis confirmam por ficarem sabendo da experiência
alheia, de que silvanos e faunos, comumente chamados
"íncubos", teriam feito freqüentes ataques perversos às
mulheres, satisfazendo sua lascívia com elas. O fato de
determinados demônios, chamados duses pelos gauleses,
estarem volta e meia tentando e praticando esta impureza é
uma afirmação tão freqüente que seria insolência negá-lo.

Consideremos o supramencionado "Homem-escorpião",
visto por uma mulher britânica a bordo de um óvni. Este ser
parecia um fauno tradicional em virtude do fato de ter
pernas caprinas ou caninas. Seus aterrorizantes olhos
inclinados e aparência emagrecida também fazem lembrar a
visitante de Strieber.
Um súcubo de forma mais humana aparece numa história da
tradição celta recente relatada por Evans-Wentz. Trata-se de
uma história contada por Catherine MacInnis, a avó de um
informante de Barra. Ela costumava falar de um homem
chamado Laughlin, um conhecido dela que era apaixonado
por uma fada. Esta fada visitava Laughlin toda noite; por fim,
ela deixou-o tão esgotado que ele passou a temê-la. Para
escapar dela, emigrou para os Estados Unidos, mas parece
que ela o assediava lá também.
Ainda hoje são ouvidas histórias deste tipo no sul da Índia.
Segundo me contou um homem de família brâmane de
Tamil Nadu, na juventude ele se dedicara ao ocultismo
tântrico. Na ocasião, ele teve um encontro amedrontador
com um ser feminino nu e não exatamente humano. Foi
uma aparição repentina que lhe ocorreu à meia-noite. Um
perito em tantra explicou-lhe mais tarde o que ele vira:

Você viu Mohini, uma demônia do submundo. Se soubesse
como fazê-lo, você poderia ter feito um pacto com ela para
o próximo ciclo de Júpiter (doze anos). Você promete
satisfazer-lhe a lascívia uma vez por mês e ela o retribui
protegendo sua propriedade, destruindo seus inimigos,
qualquer coisa.
Mas um pacto com Mohini é muito perigoso. Quando surge
em busca de satisfação sexual, ela pode assumir dezoito
formas no transcorrer da noite, esperando que você satisfaça
as exigências de cada uma delas. Se você não o conseguir,
isto lhe custará a vida. E se, durante os doze anos de seu
relacionamento com ela, você sentir atração por outra
mulher, isto também lhe custará a vida. De repente você
vomita sangue — e pronto.

Como se contam muitas histórias deste tipo, é natural
perguntar se elas são tão bem respaldadas por testemunhos
quanto o são os casos de rapto por óvni. A única maneira de
saber a resposta seria realizar extensas investigações de
anamneses. As histórias de rapto por óvni atraíram a atenção
dos pesquisadores, suspeito eu, por estarem vinculadas a
óvnis de alta tecnologia que teriam vindo de outro planeta. É
possível tenderem a ignorar as histórias de súcubos e
íncubos, contadas no contexto das tradicionais visões de
mundo, por elas parecerem ter gosto de superstição e
mitologia.

Visitas a outro mundo

Eis uma tradicional história celta na qual o tema de rapto
combina-se com uma visita a outro mundo. Certa vez, o rei
Sidhe Manannan Mac Lir se cansou de sua esposa Fand, que
foi então para a Irlanda na companhia de sua irmã Liban na
esperança de se casar com o herói Cuchulainn. Elas
assumiram a forma de dois passarinhos e pousaram num lago
em Ulster, onde Cuchulainn poderia vê-las enquanto caçava.
O herói tentou capturá-los, mas fracassou e, sentindo-se
deprimido com isto, sentou-se ao lado de um menir
(monumento megalítico de pedra) e adormeceu. Então, viu
duas mulheres, vestidas em mantos de cor verde e
carmesim, que se revezavam em golpeá-lo com um objeto
parecido com um chicote. Depois disso, ele caiu de cama
com uma doença estranha que nenhum druida ou médico da
Irlanda conseguia curar.
Cuchulainn passou um ano doente sem falar com ninguém.
Então, um mensageiro desconhecido veio até ele e cantou
uma canção prometendo curá-lo de seu mal se ele aceitasse
visitar as filhas de Aed Abrat no outro mundo a convite
delas. Voltando ao local onde havia caído doente, ele viu a
mulher com o manto verde outra vez. Identificando-se
como Liban, ela pediu-lhe que a acompanhasse até a
Planície do Deleite para lutar contra os inimigos de Labraid.
Prometeu-lhe que, como recompensa, ele obteria Fand
como sua esposa.
Após algum tempo, ele acedeu ao pedido, derrotou os
inimigos de Labraid e passou um mês no outro mundo com
Fand. Retornando, então, à Irlanda, logo se viu em apuros
com sua esposa Emer, que estava morrendo de ciúme de
Fand. Emer obteve com os druidas uma bebida capaz de
fazer Cuchulainn se esquecer de tudo acerca do outro
mundo, e Manannan Mac Lir resolveu pegar Fand de volta.
Deste modo, o rapto de Cuchulainn para o reino das Sidhe
foi relativamente breve.
O outro mundo dos celtas tem diversos nomes, tais como
Avalon, Tir na nog (Terra da Juventude) e Planície do
Deleite. Examinando as histórias, fica claro que este reino
teria de existir numa dimensão superior. Para atingi-la, é
preciso ir ao lugar certo no espaço tridimensional, para em
seguida viajar segundo uma estratégia mística que foge ao
nosso entendimento. Podemos falar aqui de uma dimensão
de viagem suplementar, além das três que já conhecemos.
Já que é possível atingirmos o outro mundo saindo deste por
intermédio de uma viagem mística, podemos considerar este
outro mundo uma realidade paralela. Para entendermos esta
idéia, basta imaginarmos alguém pulando para a frente e para
trás entre dois planos paralelos e próximos entre si. Os
planos representam as realidades paralelas, e o pulo
corresponde à viagem supradimensional.
Além de introduzir a idéia do outro mundo celta, a história
de Cuchulainn tem uma série de características que afloram
tanto em relatos contemporâneos quanto em relatos
védicos. Uma delas é a idéia de uma bebida que induz à
amnésia. Jenny Randles, por exemplo, descreve um caso
ocorrido na Inglaterra em 19 de junho de 1978 e um outro,
na Rússia, em maio de 1978, nos quais foi usada uma bebida
salgada para fazer as testemunhas se esquecerem do
acontecido no contato com os óvnis. Diversas outras
testemunhas de óvnis, salienta ela, têm descrito uma bebida
semelhante, que parece atuar como um agente indutor da
amnésia.
A literatura védica contém muitos relatos sobre seres
dotados de faculdades místicas e capazes de projetar formas
ilusórias de animal semelhantes às formas de passarinho de
Fand e Liban. Apesar de parecerem de todo mitológicas do
ponto de vista moderno, semelhantes histórias têm seus
paralelos em relatos sobre óvnis. Budd Hopkins, por
exemplo, apresenta diversos casos de entidades ufológicas
que parecem tapear suas testemunhas fazendo uso de formas
ilusórias de passarinhos ou animais (veja páginas 290-92).
Outro paralelo védico à história de Cuchulainn é
estabelecido por relatos de heróis terrestres que são levados
aos planetas celestiais para travarem batalhas em nome dos
devas. Um destes heróis é Arjuna, cujas viagens ao reino de
Indra foram analisadas no Capítulo 7 (páginas 322-25).
Outro deles é um antigo rei chamado Mucukunda:

Ao serem aterrorizados pelos demônios, Indra e os demais
semideuses rogaram pela proteção de Mucukunda, que os
defendeu por muito tempo. Quando Kãrttikeya passou a
atuar como general dos semideuses, estes disseram a
Mucukunda: "Ó rei, podes agora desvencilhar-te de teu
incômodo dever como nosso guardião. Ao abandonares um
reino invencível no mundo dos homens, Ó valente, não
fizeste caso de todos os teus desejos pessoais enquanto
estiveste nos protegendo. Os filhos, rainhas, parentes,
ministros, conselheiros e súditos que foram teus
contemporâneos não vivem mais. Foram todos varridos pelo
tempo."

Dilatação do tempo

Isto nos remete a outro tema comum em histórias, tanto
védicas quanto celtas, de viagens místicas — a idéia de a
passagem do tempo ser mais lenta no outro mundo do que
em nosso mundo. A história celta de Ossian ilustra este fato.
Uma bela princesa Sidhe seduziu Ossian a vir para seu
mundo, Tir na nog, onde ele se casou com ela e viveu
durante trezentos de nossos anos. Finalmente, porém, ele
sentiu um desejo irresistível de regressar à Irlanda e
participar dos conselhos da Confraria Feniana (associação
revolucionária irlandesa formada com o fim de separar a
Irlanda da Inglaterra). Partiu montado no mesmo cavalo
branco que o levara ao outro mundo, e a fada sua esposa
preveniu-o de que não pusesse os pés em terra firme.
Ao chegar à Irlanda, ele saiu à procura da Confraria, mas
soube da morte de todos os seus antigos companheiros e das
muitas mudanças por que passara o país. Só então se deu
conta do longo tempo que estivera afastado dali. Por
infortúnio, em certa ocasião, um incidente o fez desmontar
do cavalo e, tão logo tocou em terra firme, transformou-se
num velhinho débil e cego. Muitas histórias do folclore
europeu apresentam elementos semelhantes, inclusive a
passagem para um outro mundo e o envelhecimento ou
morte do protagonista tão logo este percebe quanto tempo
se passou em nosso mundo durante sua ausência. Eis uma
história semelhante que remonta ao início do século XIX.
No Vale de Neath, País de Gales, dois fazendeiros chamados
Rhys e Llewellyn caminhavam de volta para casa certa
noite. Um misterioso som de música atraiu a atenção de
Rhys, mas Llewellyn nada ouviu. Assim, Llewellyn retomou
o caminho de casa enquanto Rhys ficou para trás para
dançar ao som da melodia que ouvira. No dia seguinte, como
Rhys não aparecesse, após uma busca infrutífera, prenderam
Llewellyn por suspeita de assassinato.
Contudo, um conhecedor de lendas de fadas adivinhou o
que acontecera. À conselho dele, um grupo de homens
acompanhou Llewellyn até o local onde Rhys fora visto pela
última vez. Ali, Llewellyn logrou ouvir o som de harpas
porque seu pé estava tocando um "anel-de-fada". Bastou
cada um dos outros membros do grupo tocar o pé de
Llewellyn para também lograr ouvir a música e ver muitas
fadas dançando num círculo. Rhys estava entre elas. Ao ser
puxado para fora do círculo por Llewellyn, Rhys declarou
ter estado dançando por apenas cinco minutos. Como nada
o convencesse de que tanto tempo se passara, ele caiu em
depressão, adoeceu e em breve morreu.
Se nos voltamos para o folclore chinês, encontramos um
paralelo com a história de Ossian, com seu lapso de tempo
de centenas de anos. Existe um livro intitulado The Report
Concerning the Cave Heavens and Lands of Happiness in
Famous Mountains, de Tu Kuang-t'ing, que viveu de 850 a
933 d.C. Este livro relaciona dez "paraísos subterrâneos" e
35 "pequenos paraísos subterrâneos" que, segundo se supõe,
teriam existido debaixo das montanhas da China. Eis o relato
das experiências vividas por um homem ao transpor uma
passagem que levava a um destes paraísos subterrâneos:

Após caminhar vinte quilômetros, ele se viu subitamente
numa bela região "com um límpido céu azul, brilhantes
nuvens róseas, flores fragrantes, salgueiros enormes, torres
da cor do cinabre, pavilhões de jade vermelho e amplos
palácios". Foi recebido por um grupo de mulheres amáveis e
sedutoras, que o trouxeram para uma casa de jaspe e tocaram
belas melodias para ele enquanto ele tomava "uma bebida
vermelha como o rubi e um suco da cor do jade". Tão logo
sentiu o impulso de se deixar seduzir, lembrou-se de sua
família e voltou para a passagem. Conduzido por uma luz
estranha a dançar em sua frente, caminhou de volta pela
caverna até o mundo exterior; mas, chegando a sua aldeia
natal, não reconheceu ninguém que tivesse visto e,
chegando em casa, encontrou seus próprios descendentes de
nove gerações posteriores à sua. Segundo lhe contaram eles,
um de seus ancestrais desaparecera numa caverna trezentos
anos antes e jamais fora visto de novo.

Encontramos aqui o mesmo efeito de dilatação do tempo
cuja ocorrência se repete tantas vezes no folclore europeu.
Este efeito, além do fato de o homem se ver numa região
com céu azul e nuvens, indica que a passagem subterrânea
conduziu-o a um mundo paralelo.
O Bhãgavata Purãna descreve uma realidade paralela
chamada Bila-svarga, ou o paraíso subterrâneo, relacionada,
é claro, com a história chinesa dos paraísos subterrâneos.
Bila-svarga, prossegue a descrição, é um lugar belíssimo,
com cidades brilhantemente decoradas, lagos de água
límpida e amplos parques e jardins. Ao mesmo tempo, não
se pode ver o Sol e a Lua neste lugar, cujos habitantes não
percebem a passagem do tempo. Bila-svarga se subdivide em
sete mundos chamados lokas, sendo, portanto, mais que
uma simples caverna subterrânea iluminada por luz artificial.
Segundo se diz, um dos lokas, Átala, é habitado por três
grupos de mulheres, chamadas svairini, kãmini e puniscali.
Eis o que ocorre a um homem que logra visitar esta região:

Se um homem adentra no planeta Átala, estas mulheres o
capturam de imediato e o induzem a tomar uma bebida
intoxicante feita com uma droga conhecida como hãtaka
[cannabis indica]. Este agente tóxico dota o homem de
grande habilidade sexual, da qual as mulheres tiram
prazeroso proveito. A fim de seduzir o homem, a mulher
lança-lhe olhares atraentes, fala-lhe de coisas íntimas, sorri
para ele com amor e depois o abraça. Desta maneira, ela o
induz a fazer sexo com ela para plena satisfação dela. Em
virtude do aumento de sua força sexual, o homem se julga
mais forte que dez mil elefantes e se considera pleno. De
fato, iludido e inebriado pelo falso orgulho, ele julga ser
Deus, ignorando a morte iminente.

É significativo o fato de esta tradução se referir a Átala como
a um "planeta". A palavra loka é às vezes traduzida como
"sistema planetário", ao passo que os sete lokas de Bila-svarga
são chamados de "sistemas planetários inferiores". Segundo
indica o Bhãgavata Purãna, o Bila-svarga se estende por todo
o plano do sistema solar, motivo pelo qual é chamado de
svarga, ou céu (veja página 283). No entanto, é possível
atingi-lo adentrando na terra, mediante o uso de
modalidades supradimensionais de viagem e, neste sentido,
ele é bila, ou subterrâneo.
A literatura védica aponta a existência de uma hierarquia de
sistemas planetários, os quais podemos considerar como
mundos paralelos. O sistema mais elevado é Brahmaloka, o
mundo de Brahmã, onde se manifesta o grau mais extremo
de dilatação do tempo em relação à Terra. Em outros
sistemas planetários, os intermediários, manifestam-se graus
intermediários de dilatação do tempo.
A história a seguir ilustra a dilatação do tempo em
Brahmaloka. Esta história começa mencionando um reino
submarino chamado Kusasthali, o qual parece envolver uma
realidade paralela por si só. Os protagonistas da história são
membros da Sürya-vamsa, uma dinastia que descende de
Sürya, o deva regente do Sol. Apesar de serem considerados
humanos, eles eram dotados de faculdades místicas às quais
os humanos normais de hoje não têm acesso. Um deles, um
rei chamado Kakudmi, logrou viajar até o mundo de
Brahmã, onde experimentou a escala de tempo de Brahmã:

Ó Mahãrãja Pariksit, subjugador dos inimigos, este Revata
construiu um reino conhecido como Kusasthali nas
profundezas do oceano. Ali ele viveu e governou regiões tais
como snarta etc. Ele teve cem ótimos filhos, o mais velho
dos quais era Kakudmi.
Levando Revati, sua própria filha, consigo, Kakudmi foi ter
com o Senhor Brahmã em Brahmaloka, que é transcendental
aos três modos da natureza material, para lhe pedir um
esposo para ela. Quando Kakudmi chegou lá, o Senhor
Brahmã, entretido com um concerto dos gandharvas, não o
atendeu de imediato. Por isso, Kakudmi teve de esperar o
final do concerto para prestar suas reverências ao Senhor
Brahmã e assim lhe apresentar seu desejo há muito
acalentado.
Após ouvir as palavras de Kakudmi, o Senhor Brahmã, que é
muito poderoso, deu uma boa gargalhada e disse-lhe: "Ó rei,
todos aqueles a quem porventura teu coração resolveu
aceitar como candidatos a teu genro já faleceram. Vinte e
sete catur-yugas já transcorreram. Aqueles que poderias ter
escolhido já partiram, bem como os filhos, netos e demais
descendentes deles. Nem mesmo os nomes deles lograrás
voltar a ouvir."
Em textos sânscritos tradicionais, um catur-yuga equivale a
4.320.000 anos. Com esta informação, podemos calcular a
taxa de dilatação do tempo em Brahmaloka. Se o concerto
dado pelos gandharvas durou cerca de uma hora pela escala
de tempo de Brahmã, então, aquela hora deve corresponder
a 27 vezes 4.320.000 anos da Terra. Por coincidência, este
cálculo corresponde aproximadamente a um cálculo de
dilatação do tempo baseado em outra história envolvendo
Brahmã.
Trata-se da história da Brahma-vimohana-lilã, ou de quando
Krsna confunde a mente de Brahmã. Há alguns milhares de
anos, Krsna desceu à Terra como um avatãra e brincava
como um vaqueirinho, apascentando bezerros na floresta de
Vrndãvana (que fica ao sul da Nova Déli de hoje). Com o
intuito de pôr a potência de Krsna à prova, Brahmã usou seu
poder místico para roubar os bezerros e vaqueirinhos
companheiros de Krsna e escondê-los em vida latente num
lugar ermo. Em seguida, afastou-se durante um ano do
tempo terrestre para ver o que aconteceria.
Krsna reagiu ao truque de Brahmã, expandindo-se em cópias
idênticas dos bezerros e meninos. Regressando para ver o
que havia acontecido, Brahmã viu Krsna brincando com os
meninos e bezerros exatamente como antes, o que o deixou
sobremaneira confuso. Ao verificar os meninos e bezerros
que havia escondido, ele descobriu serem indistinguíveis
daqueles que brincavam com Krsna, e ficou sem entender
como aquilo fora possível. Por fim, Krsna revelou a Brahmã
que aqueles meninos e bezerros eram na verdade idênticos a
Ele próprio, e concedeu a Brahmã uma visão direta do
mundo espiritual.
Bem, acontece que, muito embora Brahmã tivesse se
ausentado da Terra durante um ano, pela sua escala de
tempo apenas um instante se passara. A palavra sânscrita
aqui usada para indicar um instante é truti. Apesar de haver
diversas definições para um truti, o texto de astronomia
védica chamado Sürya-siddhãnta define um truti como
sendo 1/33.750 segundos. Logo, um ano da Terra
corresponde a 1/33.750 segundos do tempo de Brahmã.
Conforme salientei, a visita do rei Kakudmi a Brahmaloka
durou 27 vezes 4.320.000 anos da Terra. Se multiplicarmos
isto por 1/33.750, teremos que, no tempo de Brahmã, a
visita do rei Kakudmi durou 3.456 segundos, ou pouco
menos de uma hora. Isto é compatível com o fato de o rei
ter precisado esperar um concerto terminar para poder ter
uma breve conversa com o Senhor Brahmã.
A propósito, após ter se encontrado com Krsna, Brahmã
devolveu a consciência normal aos vaqueirinhos originais.
Para espanto deles, descobriram ter tido um ano de "tempo
perdido".

Reinos paralelos e óvnis

Há relatos contemporâneos de experiências nas quais uma
pessoa parece fazer um breve ingresso em outro mundo para
em seguida voltar a nosso mundo comum e descobrir ter
transcorrido muito tempo. Como a história de Rhys e
Llewellyn, a ocorrência destas histórias é típica do contexto
de sistemas de crenças tradicionais envolvendo seres com
poderes místicos.
Em junho de 1982, na Malásia, por exemplo, uma menina
de doze anos chamada Maswati Pilus dirigia-se ao rio às dez
horas para lavar algumas roupas. Subitamente, deparou com
um estranho ser feminino do seu mesmo tamanho que a
convidou a visitar outra terra. "Ela não sentiu medo algum e
foi parar num lugar belo e brilhante. (...) Era como se o
tempo tivesse passado zunindo." Dois dias depois, alguns
parentes a encontraram jazendo inconsciente na
mesmíssima área onde a estiveram procurando
freneticamente nos últimos dois dias! Na Malásia, estes seres
são chamados bunians e, segundo se diz, eles costumam
raptar crianças. No entanto, os óvnis não estão associados a
estes seres, tanto que, segundo relata Jenny Randles, uma
busca de casos de rapto por óvni na Malásia resultou
infrutífera.
Em suma, a história de Ossian é típica de lendas célticas
sobre fadas pelo fato de ocorrer numa realidade paralela,
além de envolver um efeito de dilatação do tempo em
virtude do qual passa mais lentamente no mundo paralelo do
que no mundo comum. Encontramos a mesma coisa na
história da caverna chinesa e em muitos relatos védicos.
Tanto a história de Rhys e Llewellyn quanto a história de
Maswati Pilus envolvem uma realidade paralela que parece
ter um vínculo direto com o mundo que conhecemos, além
de apresentarem um moderado efeito de dilatação do tempo.
Tanto quanto sei, não há paralelos diretos entre relatos sobre
óvnis e as histórias de Ossian, Rhys e Llewellyn, e Maswati
Pilus, nas quais ocorre o ingresso explícito num mundo
paralelo. Quem experimenta contatos com óvnis é às vezes
transferido para um estado que o capacita a atravessar
paredes. Há também histórias de pessoas levadas, a bordo de
óvnis, para estranhíssimos lugares desconhecidos, tais como
o reino subterrâneo descrito por Betty Andreasson.
Entretanto, é difícil dizer se estes lugares ficam na Terra, em
outro planeta ou em outra dimensão. Mesmo experiências
extra-corporais (EEC) abordo de óvnis poderiam estar
ocorrendo num espaço tridimensional comum, uma vez que
EECs de pacientes cardíacos vendo seus próprios corpos
inconscientes acontecem, de fato, em corriqueiros quartos
de hospital. (A relação entre EECs e óvnis é analisada no
Capítulo 10.)
Como Betty Andreasson relatou ter atravessado uma porta
fechada de sua casa e depois passar normalmente por uma
porta aberta do óvni estacionado do lado de fora, pode-se
argumentar que talvez o próprio óvni existisse em outra
dimensão. Neste caso, seria possível dizer o mesmo a
respeito do reino subterrâneo por ela visitado mais tarde.
Também é possível, é claro, que Betty recuperasse um
estado físico normal após atravessar a porta e entrasse num
óvni feito de matéria normal no espaço tridimensional
comum.
Talvez o mais forte dos argumentos vinculadores de relatos
sobre óvnis a relatos sobre realidades paralelas seja que
ambos envolvem seres com poderes místicos semelhantes e
modalidades semelhantes de comportamento. Se
determinados seres podem atuar num mundo paralelo e se
outros seres semelhantes atravessam paredes e pilotam naves
aéreas que parecem violar as leis da física, talvez, então, as
naves aéreas também possam atravessar mundos paralelos.
Talvez, elas também tiveram sua origem nesses mundos.
Uma vez tomado este passo, pode-se colocar o seguinte
argumento adicional: é imenso o número total de contatos
com óvnis relatados e autenticados, devendo ser maior ainda
o número total de contatos ocorridos de fato. Segundo
parece, estas operações devem representar um grande fardo
para as entidades ufológicas, se é que as mesmas precisam se
transferir regularmente de outro planeta para a Terra por
meio de viagens tridimensionais comuns e limitadas à
velocidade da luz. Porém, se elas vivem numa realidade
paralela, não precisam viajar longas distâncias para chegar
até nós.
Seria possível argumentar, é claro, que elas teriam como
viajar de outras estrelas mediante um processo rápido,
conveniente e capaz de evitar a limitação da velocidade da
luz. Mas, com isto, outros sistemas estelares se tornariam, de
fato, mundos paralelos diretamente vinculados a nosso
próprio mundo. Talvez a idéia védica dos planetas celestiais
subterrâneos seja semelhante a esta. Eles são planetas (lokas)
e estão nos céus. Se bem que também seja possível chegar
até eles num piscar de olhos, adentrando na terra.

A raridade das naves aéreas em tradições ligadas
a fadas

No Capítulo 7, salientei existirem muitas referências, na
literatura védica, a naves aéreas chamadas vimãnas. Muitos
vimãnas, além de serem bem parecidos com os óvnis, são
pilotados por humanóides dotados de faculdades
semelhantes àquelas atribuídas a entidades ufológicas.
Existem, ainda, paralelos substanciais entre relatos sobre
humanóides na literatura védica e relatos correspondentes
no folclore europeu. Neste folclore, contudo, são
relativamente poucas as descrições de naves aéreas dignas de
nota.
Por que motivo não é comum constarem aeronaves no
material europeu? Segundo sugerem os dados disponíveis,
isto poderia envolver um fenômeno cultural. Sabemos que
algumas culturas humanas usam aviões, enquanto outras
ainda hoje não o fazem. De forma semelhante, talvez alguns
grupos de humanóides façam uso de naves aéreas, enquanto
outros talvez não. Entre estes últimos podem estar incluídos
os seres místicos interdimensionais mencionados no folclore
europeu ainda existente. Seres semelhantes mencionados
na literatura védica (tais como os nãgas analisados a seguir,
páginas 356-58) também parecem ter passado sem naves
aéreas. Ao mesmo tempo, outros seres, tais como os devas,
gandharvas e dãnavas, sempre fizeram amplo uso de
diferentes espécies de vimãnas.
Em seu livro Dimensions, sobre os ovnis e o folclore
europeu, Jacques Vallee diz ser a moderna crença em discos
voadores, "idêntica" à antiga crença nas fadas. Em apoio a
esta idéia, Vallee apresenta muitos exemplos mostrando
paralelos entre o comportamento e os poderes das fadas, por
um lado, e os das entidades ufológicas, por outro. No
entanto, ele dá poucos exemplos de fadas usando veículos
aéreos.
Mas dá um exemplo extraído do livro Entretiens sur les
Sciences Secrètes (Entrevistas sobre as ciências ocultas),
escrito na França do século IX. Ele fala de quatro pessoas
que foram raptadas e levadas embora em naves aéreas:

Certo dia, entre outros casos, ocorreu em Lyons de três
homens e uma mulher serem vistos descendo destas naves
aéreas. Toda a cidade se reuniu em volta deles, gritando que
eram magos enviados por Grimaldus, duque de
Beneventum, inimigo de Carlos Magno, para destruir as
colheitas francesas. Em vão os quatro tentaram provar sua
inocência dizendo serem camponeses como os demais
presentes e terem sido levados embora pouco antes por
homens miraculosos que lhes haviam mostrado maravilhas
jamais vistas, e arremataram confessando terem desejado
lhes fazer um relato do quanto haviam visto. O populacho
frenético (...) estava a ponto de lançá-los à fogueira quando o
digno Agobard, bispo de Lyons, (...) tendo ouvido as
acusações do povo e a defesa dos acusados, pronunciou em
tom grave que tanto uns quanto outros eram falsos.

A história se refere aos "homens miraculosos" como silfos,
uma classe de seres que, segundo achava Paracelso, habitava
a atmosfera da Terra e tinha a faculdade de aparecer e
desaparecer à vontade perante os humanos.
Mais adiante em seu livro, Vallee diz: "Ainda não tive
oportunidade de extrair do folclore popular histórias
apoiando de forma mais direta a idéia de que, no decorrer da
história, têm-se visto estranhos objetos voadores associados
às fadas. Passemos, pois, a esclarecer este ponto." Todavia,
no prosseguimento do texto, infelizmente, Vallee não dá
exemplos de objetos parecidos com óvnis e associados a
contos de fada tradicionais.
Seu exemplo mais aproximado foi o de uma "carruagem com
rodas lamuriantes", a qual subia uma colina com espantosa
velocidade, sendo puxada por tradicionais anões peludos de
um tipo conhecido como farfadets. Isto foi visto numa
noite, por volta de 1850, por um grupo de mulheres perto
do rio Egray, na França. Segundo asseveraram as mulheres, a
estranha carruagem "saltou por sobre o parreiral e perdeu-se
na noite". Vallee parece ter encarado a carruagem como um
óvni típico. Entretanto, o espantoso aqui não é a carruagem,
mas sim os seres que a puxavam. Ainda que tivesse
propriedades extraordinárias — tais como a antigravidade —,
a carruagem foi, mesmo assim, descrita como um veículo de
rodas movido ao ser puxado. Isto em nada corresponde à
descrição de óvnis típicos.
Vallee também cita Evans-Wentz a respeito de uma batalha
aérea das fadas, observada durante a escassez de batata na
Irlanda de 1846-47. A testemunha desta batalha disse: "Eu vi
as fadas e centenas de pessoas além de mim os viram lutando
no céu acima de Knock Ma e na direção de Galway." Mas
não seria justificável concluir que as fadas estivessem
lutando a bordo de óvnis. Com certeza, a testemunha falava
de seres sob forma humana que pareciam se locomover
diretamente pelo ar e lutar entre si.
Segundo consta, também os supramencionados silfos da
França do século IX marchavam no ar em exércitos. De
acordo com a história: "Estes seres foram vistos no ar sob
forma humana, às vezes em formação de combate
marchando disciplinados, detendo-se prontos para o
combate ou acampados debaixo de tendas magníficas; às
vezes a bordo de naves aéreas de arquitetura maravilhosa,
cujos esquadrões voadores vagueavam segundo a vontade
dos zéfiros." De fato, há muitas histórias de exércitos vistos
no céu. Três explicações possíveis para isto são: (1) os
exércitos aéreos são ilusões criadas por efeitos naturais de
miragem, (2) são ilusões geradas por poder místico, e (3) são
formados por seres que se valem de poderes de levitação
para lutarem de verdade na atmosfera.
A explicação (1) seria adequada se os exércitos aéreos fossem
meras visões vagas. Sendo assim, talvez a imaginação
humana estivesse convertendo algum efeito natural de
miragem para uma visão ilusória de exércitos no céu. Por
outro lado, a explicação (2) seria justificável se os exércitos
fossem claramente visíveis. É significativo o fato de
miragens notáveis serem conhecidas pelo nome Fata
Morgana, que é a forma latina de Morgan le Fay, o nome da
fada irmã do rei Artur. Portanto, existem extraordinárias
miragens naturais, semelhantes a cidades ou exércitos no
céu, além de haver uma tradição indicando o poder das
Sidhe de projetar fabulosas ilusões aéreas.
William Corliss compilou muitos exemplos de miragens e
efeitos atmosféricos incomuns. Eis um exemplo de um
exército ilusório visto da terra em Westphalia, Alemanha,
em 1854:

No dia 22 do mês passado, um surpreendente prodígio da
natureza foi visto por muitas pessoas em Buderich, uma
aldeia entre Unna e Werl. Pouco antes do pôr-do-sol, um
exército, de extensão ilimitada, consistindo em infantaria e
cavalaria e um enorme número de carroças, foi visto
enquanto atravessava a região a marchar. Todas estas
aparições foram vistas de forma tão nítida que se podia
distinguir até o reluzir dos arcabuzes e a cor do uniforme da
cavalaria, que era branca. A formação inteira avançava na
direção da floresta de Schafhauser e, assim que a infantaria
adentrou na mata e a cavalaria se aproximou, uma fumaça
espessa as escondeu de uma vez junto das árvores. Também
duas casas, em chamas, foram vistas com a mesma nitidez.
Ao pôr-do-sol, todo o fenômeno se esvaiu. Quanto ao fato, o
governo reuniu provas de cinqüenta testemunhas oculares,
que prestaram seus depoimentos a respeito desta
extraordinária aparição.
Observe-se, segundo o depoimento das testemunhas, o fato
de o exército estar equipado com armas típicas daquele
período do século XIX. Quanto à literatura védica, sabe-se da
faculdade, de diversos tipos humanóides, para projetar
espantosas ilusões capazes de afetar um grande número de
pessoas de uma vez só. Um dos nomes para semelhantes
ilusões é gandbarva-pura, que significa "cidade dos
gandharvas" e se refere à imagem de uma cidade flutuante.
Ao mesmo tempo, os textos védicos também descrevem
cidades voadoras de verdade e batalhas cujos combatentes
fazem manobras no ar, valendo-se de suas faculdades de
levitação. Um exemplo disto seria a batalha entre Arjuna e
os soldados de Hiranyapura mencionada no Capítulo 7
(páginas 315-17). Não seria provável, é claro, que tais
batalhas fossem travadas com armas semelhantes àquelas da
sociedade humana contemporânea.
Concluindo, os exércitos aéreos, bem diversamente dos
veículos vistos em contatos típicos com óvnis, em geral não
passam de ilusões. Ao mesmo tempo, talvez alguns relatos
sobre óvnis envolvam ilusões elaboradas. Um exemplo disto
seriam os helicópteros ilusórios com rotores engrenados
relatados pelo jornalista Ed Conroy (páginas 384-85). Outro
exemplo é a história de Kathie Davis, testemunha
apresentada por Budd Hopkins, sendo atraída à noite até
algo semelhante a uma lanchonete que na verdade revelou
ser um óvni estacionado. É bem possível que os exércitos
ilusórios e as ilusões projetadas pelos óvnis sejam fruto do
uso de tecnologia parecida, podendo, inclusive, terem sido
produzidos por seres do mesmo tipo.
Ainda em sua seção sobre óvnis constantes em material
folclórico, Vallee menciona a visão, em 1790, perto de
Alençon, França, de uma esfera ígnea se locomovendo em
grande velocidade e fazendo um zunido, para em seguida
aterrissar e incendiar plantas. Um homem assoma de uma
porta na esfera, vestindo um collant. Fala algumas palavras
incompreensíveis para o grupo de observadores presente e
foge para a floresta. Então, a esfera explode sem o menor
ruído e arde em chamas. Embora tenhamos aqui um relato
antigo do que parece alguma espécie de acidente com óvni,
não temos motivo para vinculá-lo aos contos de fadas
tradicionais.
Vallee também faz algumas referências interessantes a
histórias de tradições não-européias semelhantes a relatos
sobre óvnis. Conforme contam os índios Paiute, por
exemplo, a Califórnia foi outrora habitada pelos chamados
Hav-Masuvs, um grupo civilizadíssimo. Este povo "usava
'canoas voadoras', que eram prateadas e tinham asas. Elas
voavam à maneira de águias e faziam um zunido. Além
disso, usavam uma arma muito estranha: um tubinho que
poderia ser seguro pela mão e estonteava os inimigos,
causando-lhes prolongada paralisia e a sensação de serem
atingidos por uma chuva de espinhos de cacto". Estes tubos
estonteadores são vez por outra mencionados em relatos
sobre óvnis.
No conjunto do material folclórico levantado por Vallee,
embora sejam bem raras, há algumas referências a naves
aéreas parecidas com os óvnis contemporâneos. Isto parece
se aplicar em especial ao folclore celta. No entanto, os
humanóides descritos no folclore europeu apresentam, na
verdade, muitos traços típicos dos humanóides associados
aos óvnis.

Fadas e nãgas

Nesta seção, procurarei estabelecer um elo explícito entre as
fadas européias e algumas das raças humanóides
mencionadas na literatura védica. Para se poder estabelecer
este elo, cumpre registrar que, por tradição, as fadas eram
associadas à colheita de cereais. Sobre isso, Robert Rickard
observa: "Em todo o âmbito das culturas indo-européias,
davam-se às fadas dízimos de milho e leite à época da
colheita, à qual elas presidiam." Não surpreende o fato de o
arcebispo Agobard ter se referido a uma idéia afim na
história dos silfos da França do século IX:

Temos visto e ouvido muitos homens mergulhados em
tamanha estupidez, afundados em tamanhas profundezas de
insensatez que chegam a acreditar existir uma certa região, a
qual chamam de Magonia, onde navios singram nas nuvens
a fim de trazer de volta para a referida região aqueles frutos
da terra que são destruídos pelo granizo e as tempestades; os
tais navegadores pagam recompensas aos feiticeiros das
tempestades, recebendo em troca milho e outros produtos.
Já, na Índia, é sabido que uma raça de seres chamados nãgas
está associada à colheita. Não se deve confundir estes nãgas
com os povos tribais da atual Nagalândia. Segundo consta, os
nãgas são uma raça não-humana descendente do sábio
celestial Kasyapa e sua esposa Kadrü. Eles são descritos ora
como tendo forma de serpente, ora tendo forma humana.
Parecem ter o poder de assumir ou projetar diversas formas.
Os nãgas também têm os poderes místicos comuns, tais
como a capacidade de viajar através da matéria sólida e de
aparecer e desaparecer. Vivem dentro da terra ou em corpos
aquáticos, estando talvez relacionados aos dragões da
tradição chinesa.

A Rãja-tarangini de Kalhana é uma história de Caxemira
escrita por volta do século XI d.C. Nela, encontramos o
seguinte relato sobre os nãgas. O cenário do acontecido é
uma bela cidade em Caxemira, fundada por um rei chamado
Nara, ou Kimnara:

Numa das aprazíveis lagoas do principal parque da cidade
moravam o nãga Suãravãs e suas duas belas filhas. Certo dia,
num arvoredo perto desta lagoa, descansava um pobre
brãhmana chamado Visãkha. Ele ia beber água de uma fonte
quando dela assomaram duas belas mocinhas, que,
parecendo ignorá-lo, puseram-se a comer sofregamente
vagens da grama kac-chaguccha que dava em abundância
por ali. O brãhmana, reunindo coragem, perguntou-lhes o
motivo de sua pobreza. Assim, ficou sabendo serem elas as
filhas do nãga Suãravãs, às quais cabia uma parte do rico
cultivo semeado nas redondezas de Kimnarapura. Porém,
como lhes fosse permitido pegar a sua cota só após o guarda
florestal partilhar cada nova colheita, elas estavam naquele
estado de penúria porque o referido guarda fizera um voto
de não comer um grão sequer das novas safras.
O jovem brãhmana, apiedando-se delas, furtivamente
colocou um pouco de milho fresco na panela do guarda
florestal em um determinado dia. Tão logo o guarda tocou na
comida, o nãga se apossou da rica colheita ao redor da
cidade, lançando raios e tempestades sobre ela. Em gratidão,
o nãga concedeu a mão de uma de suas filhas em casamento
ao brãhmana.
O feliz casal viveu em paz na cidade por algum tempo, até
que o rei Nara, sabendo da beleza da esposa do brãhmana,
tentou seduzi-la se valendo de seus emissários. Fracassado
este plano, ele tentou raptá-la à força, mas dessa vez Visãkha
e sua esposa correram o mais que puderam e mergulharam
na lagoa onde o nãga Suãravãs morava. Furioso, o nãga
destruiu Kimnarapura com uma terrível tempestade. Depois
disso, o nãga, sua filha e o genro criaram, para residir, um
lago de "brancura cintilante parecido com um mar de leite",
conhecido até hoje como Sesanãga.

Esta história tem três aspectos que a associam aos contos de
fada europeus: (1) os nãgas partilham das colheitas humanas,
(2) seres humanos podem se casar com mulheres da raça
nãga, e (3) um ser humano pode viver com os nãgas no
mundo. Visto ter o brãhmana conseguido viver com sua
esposa nãga no fundo de um lago, podemos entender que
eles viviam numa realidade paralela vinculada ao lago, e não
simplesmente nas águas do lago. Também é interessante
observar que, por um lado, os nãgas tinham o poder de criar
tempestades para se apossarem das colheitas e, por outro, o
arcebispo Agobard falava de feiticeiros da tempestade que
pareciam fazer o mesmo.

Os nãgas de Caxemira

Tem havido alguma controvérsia sobre se as entidades
ufológicas provêm de outros planetas ou de domínios
supradimensionais da Terra. De acordo com os textos
védicos, ambas as possibilidades poderiam ser verdadeiras.
Existem seres parecidos com os humanos que vivem em
outros planetas e às vezes visitam a Terra, quer a bordo de
veículos chamados vimãnas, quer se valendo de seu próprio
poder. Existem seres semelhantes habitando diversos reinos
terrestres aos quais a maioria dos humanos não tem acesso.
Além disso, alguns grupos de seres têm vivido tanto na Terra
quanto em outros planetas ao longo de sua história.
Os nãgas se enquadram nesta última categoria. No Nilamat
Purãna, há um relato parcial da história deles na Terra e de
suas relações com os seres humanos. Este Purãna, dedicado à
história de Caxemira, apresenta os regulamentos estipulados
por Nila, filho do sábio celestial Kasyapa e rei dos nãgas de
Caxemira. Ele proporciona uma interessante perspectiva da
visão védica da antiga história humana e transumana.
Hoje em dia, Caxemira fica num vale rodeado por uma
cadeia ininterrupta de montanhas, à exceção de um único
desfiladeiro ao sul, pelo qual passa o rio Jhelum. Segundo o
Nilamat Purãna, outrora o desfiladeiro não existia, e o vale
de Caxemira era um lago chamado Satisaras. Este nome foi
uma homenagem a Sati, a esposa do Senhor Siva, que às
vezes passeava de barco por ele.
Certa feita, um ser demoníaco chamado Jalodbhava
(significando "surgido das águas") fixou residência no lago,
de onde emergia de quando em quando para devastar as
regiões circunvizinhas. Solicitado pelos devas a destruir o
demônio, o Senhor Visnu assentiu. Para este fim, Seu irmão
Balabhadra drenou o lago, fendendo a cadeia de montanhas
e delimitando o vale ao sul. Então, enquanto os devas
assistiam dos circundantes picos das montanhas, Visnu
atacou o demônio, agora em desvantagem por ter sido
privado de seu elemento natural.
Após a morte de Jalodbhava, os pisãcas e os descendentes de
Manu (seres humanos) foram assentados no vale recém-
drenado pelo sábio Kasyapa. Os nãgas, que eram os
habitantes originais da região, fixaram suas moradas em lagos
e fontes, enquanto outros seres femininos assumiram suas
posições como deusas dos rios recém-formados.
Os pisãcas se adaptaram às condições de frio extremo que
prevaleciam no vale àquela época. Devido ao rigor do clima,
a princípio os humanos só conseguiam viver lá durante os
meses do verão. Por fim, contudo, o brâmane Candradeva
adquiriu uma série de ritos pela graça de Nila Nãga. Estes
ritos libertaram a região dos pisãcas e do frio extremo, após o
que os humanos passaram a viver ali em caráter permanente.
Mais tarde, o vale ficou conhecido como Caxemira, um
nome derivado de Kashaf Mar, que quer dizer a casa de
Kashaf.
O vale de Caxemira foi de fato um lago no período
pleistoceno da história geológica. O vale é formado de
camadas sedimentares chamadas karewas, as quais muitos
geólogos têm interpretado como sendo depósitos de lago de
água doce. Apesar de alguns geólogos terem interpretado
serem estas camadas depósitos de rio, a declaração a seguir
parece resumir as opiniões atuais sobre o assunto: "Neste
caso, pode-se declarar com toda certeza e sem a menor
hesitação que os sedimentos karewa ora investigados
pertencem a origem lacustre de água doce e de clima mais
frio."
Segundo os geólogos, o lago continuou no lado himalaico do
vale até fins do período pleistoceno, após o que foi drenado
pela formação do rio Jhelum no lado sul do vale. Segundo
indica a datação por radiocarbono, isto aconteceu há mais de
31 mil anos.
Isto se deu antes da época em que se acredita terem chegado
à região os primeiros seres humanos sob a forma atual.
Como, então, explicar a tradição segundo a qual o vale teria
outrora sido o leito de um lago? Conforme opinam alguns, os
primeiros povos a viverem em Caxemira teriam deduzido a
presença anterior de um lago baseados em provas geológicas.
No entanto, como indicam as discordâncias entre os
geólogos da atualidade, a interpretação de semelhantes
provas está longe de ser óbvia. (E algumas das provas
consistem nas conchas de criaturas aquáticas microscópicas
chamadas ostracódios, só visíveis com o auxílio de
microscópios.) Portanto, é bem possível que as tradições
tenham sido transmitidas a partir da experiência histórica
concreta da drenagem do antigo lago.
Quer se possa demonstrar isto ou não, o importante é que o
Nilamat Purãna se refere a quando Caxemira era uma
morada de devas, nãgas e outras inteligentes raças não-
humanas dotadas de faculdades místicas sobre-humanas.
Todos estes seres eram descendentes de sábios celestiais,
como Kasyapa, e estes sábios eram, por sua vez,
descendentes de Brahmã, a primeira criatura do universo. A
raça humana era de igual maneira descendente de seres
celestiais e, num determinado momento, os humanos foram
assentados no vale por Kasyapa, o sábio regente daquela
região.
Esta história se assemelha à história celta da Irlanda. Lá, a
terra também esteve em posse de uma raça de seres dotados
de faculdades místicas — os descendentes da deusa Dana.
Embora os seres humanos tivessem aparecido em certo
momento da história, os habitantes originais permaneceram,
vivendo em seus próprios reinos supradimensionais e
interagindo de maneiras variadas com seus primos humanos
de corpos grosseiros. A única diferença entre os relatos
celtas e os védicos é que estes são mais completos e
filosóficos, com descrições pormenorizadas da relação entre
a hierarquia de seres vivos dentro do universo e o
transcendental Ser Supremo. As histórias celtas são
fragmentárias, é claro, visto que grande parte dos
ensinamentos celtas desapareceu com o advento do
cristianismo na Europa.

Visões e milagres — o caso de Fátima

O cristianismo é uma fonte de muitas provas de contatos
entre humanos e seres parecidos com os humanos e dotados
de faculdades místicas. A Igreja Católica Apostólica Romana,
em especial, tem desenvolvido vasta literatura sobre este
assunto — por exemplo, alguns pontos de vista católicos
com respeito aos súcubos e íncubos já mencionados aqui.
Farei agora uma breve análise de um exemplo de encontro
com seres de natureza espiritual mais positiva. Esta é a
história dos encontros ocorridos em Fátima, Portugal, em
1917, entre três crianças chamadas Lúcia, Francisco e
Jacinta e uma senhora de brilhante refulgência que eles
entenderam ser a Virgem Maria. Conforme veremos, esta é
uma história de relevância para o tema ufológico, contando
com o respaldo de uma quantidade sem precedentes de
depoimentos de testemunhas oculares.
Os encontros ocorreram sempre no 13° dia do mês durante
seis meses consecutivos num anfiteatro natural chamado a
cova da Iria, perto da cidade de Fátima. As revelações foram
feitas às três crianças na presença de uma multidão de
espectadores, que aumentou muito a cada mês, à medida que
se espalhou a notícia. Como apenas as três crianças tiveram
as visões propriamente ditas da bela senhora, nosso
conhecimento dessas visões se limita ao testemunho delas.
Contudo, durante as revelações ocorreram fenômenos afins
que foram testemunhados por um grande número de
pessoas.
Entre esses fenômenos estão incluídos o aparecimento de
um brilhante veículo discóide e a ocorrência de uma chuva
de pétalas de rosa que se esvaíam ao tocar o solo. É
freqüente a menção de chuvas de pétalas em relatos védicos
sobre visitas celestiais. Eis, por exemplo, um trecho da
descrição da dança da rãsa de Krsna no Bhãgavata Purãna:

Os semideuses e suas esposas ansiavam testemunhar a dança
da rãsa, e logo lotaram o céu com suas centenas de aviões
celestiais. Ressoaram, tímpanos no céu então, enquanto
caíam flores e os líderes dos gandharvas e suas esposas
cantavam as glórias imaculadas do Senhor Krsna.
Quanto ao veículo aéreo, uma testemunha ocular, o Sr. J.
Quaresma descreve seu aparecimento no dia 13 de setembro
de 1917, como segue:

Para minha surpresa, avisto com nitidez um globo de luz
avançando do leste para o oeste, deslizando lenta e
majestosamente pelo ar. (...) De súbito, o globo com sua luz
extraordinária desaparece mas, perto de nós, uma garotinha
de cerca de dez anos grita, jubilante: "Ainda o vejo! Ainda o
vejo! Está descendo agora!"

Em seu relato sobre o que sucedeu após esses eventos,
Quaresma diz: "Meu amigo, entusiasmado, ia de grupo em
grupo (...) perguntando às pessoas o que elas tinham visto.
Eram pessoas das mais variadas classes sociais e todas,
unânimes, afirmavam a realidade dos fenômenos que nós
próprios observáramos."

O milagre solar

Durante uma das revelações, a menina Lúcia pedira à
Virgem Maria para mostrar um milagre de modo que as
pessoas incapazes de ver a divina senhora acreditassem na
realidade do que estava acontecendo. O milagre se daria no
dia 13 de outubro, disse-lhe a Virgem, e isto foi logo
comunicado aos demais.
Naquela data, calcula-se que cerca de setenta mil pessoas se
congregaram nos arredores da cova da Iria na expectativa de
presenciar o milagre. O dia estava nublado e chuvoso e a
multidão se amontoava sob guarda-chuvas em meio a um
mar de lama. Subitamente, as nuvens se abriram e começou
a se descortinar um extraordinário espetáculo solar.
Descreverei este ocorrido pelas palavras de algumas das
testemunhas:

Dr. Joseph Garrett, professor de ciências naturais da
Universidade de Coimbra: "O disco do Sol não permanecia
imóvel. Não se tratava da cintilância de um corpo celeste,
pois ele girava em torno de si mesmo num rodopio louco.
Repentinamente, se ouviu um clamor de todas as pessoas
presentes: o Sol, rodopiando, parecia se desprender do
firmamento e avançar ameaçadoramente na direção da Terra
como que para nos esmagar com seu imenso peso ígneo. A
sensação durante aqueles momentos foi terrível." Dr.
Formigão, professor do seminário de Santarém:
"Inesperadamente, as nuvens se deslocaram e o Sol, em seu
zênite, apareceu em todo o seu esplendor. Ele começou a
revolutear vertiginosamente sobre seu eixo, como a mais
magnífica roda de fogo que se pudesse imaginar, assumindo
todas as cores do arco-íris e lançando clarões multicoloridos
de luz, de efeito estarrecedor. Este espetáculo sublime e
incomparável, que se repetiu três vezes distintas, durou
cerca de dez minutos. A grande multidão, dominada pela
evidência de prodígio tão formidável, atirou-se de joelhos ao
chão."

Depoimentos semelhantes foram feitos por um grande
número de pessoas, tanto da multidão reunida na cova da
Iria quanto de uma área circunvizinha medindo cerca de
quarenta por sessenta quilômetros. Conforme sugere a
presença de testemunhas confirmadoras ao longo de uma
área tão grande, não se pode explicar o fenômeno como
sendo resultado de histeria coletiva. A ausência de relatos
oriundos de uma área mais ampla e a completa ausência de
relatos de observatórios científicos sugerem que o
fenômeno se deu apenas na região de Fátima. Logo, parece
haver duas possibilidades. Ou alguma intervenção
inteligente providenciou extraordinários fenômenos
atmosféricos para um momento anunciado de antemão ou se
tomaram providências semelhantes para que milhares de
pessoas experimentassem alucinações coordenadas neste
mesmo momento. Por uma interpretação ou por outra, é
difícil enquadrar estes fenômenos no contexto da ciência
moderna.
Embora pareça haver uma quantidade extraordinária de
depoimentos ratificando os incomuns fenômenos ocorridos
em Fátima, também é relativamente fácil descartá-los, se
assim se quiser fazer. Consideremos, por exemplo, a
seguinte declaração de um jornalista cético:

Pelo que ficamos sabendo, algumas pessoas parecem ter
visto o Sol sair de sua órbita normal, atravessar as nuvens e
descer ao nível do horizonte. A impressão destes videntes se
espalhou para outros, num esforço comum envidado no
sentido de explicar o fenômeno. Muitos gritavam temendo
que a estrela gigante se precipitasse na direção da Terra e
para cima deles e implorando a proteção da Santa Virgem. A
"hora miraculosa" passou.

Neste caso, a mera sugestionabilidade e a histeria coletiva
são usadas para explicar como a imaginação fértil de poucas
pessoas foi difundida e amplificada por crentes frenéticos.
No entanto, isto não explica como aconteceu de muitas
pessoas das comunidades circunvizinhas terem também
testemunhado o espetáculo solar. Em 1960, por exemplo, o
padre Joaquim Lourenço, advogado canônico da diocese de
Leira, descreveu o que viu quando menino na cidade de
Alburitel, que fica a uns dezoito quilômetros de Fátima:

Sinto-me incapaz de descrever o que vi. Olhei fixamente
para o Sol, que parecia pálido e não incomodava meus olhos.
Semelhante a uma bola de neve, girando em torno de si
mesmo, pareceu descer de repente em ziguezague,
ameaçando a Terra. Aterrorizado, corri e me escondi entre
as pessoas, que choravam e esperavam o fim do mundo a
qualquer momento.

Parece improvável que o fenômeno de histeria em massa
ocasionasse as mesmas ilusões em Fátima, Alburitel e outras
comunidades.
Os cientistas também apresentaram suas explicações. O
meteorologista britânico Terence Meaden, por exemplo,
projetou uma teoria explicando os famosos círculos
aparecidos em campos agrícolas ingleses com base em
vórtices ionizados naturais de ar (veja páginas 93-94).
Segundo sua teoria, os vórtices ionizados têm a capacidade
de perturbar a razão e as faculdades sensórias humanas,
produzindo efeitos eletromagnéticos no cérebro. Deste
modo, os vórtices ionizados podem gerar toda classe de
alucinações, podendo ser invocados para explicar quaisquer
depoimentos de testemunhas oculares. Eis como Meaden
tratou as manifestações de Fátima:

Em nossa teoria do vórtice luminoso, encontramos uma
resposta para as visões miraculosas do passado, sustentadas
pela "fé" de certos religiosos, mas por fim desacreditadas
pelos não-religiosos. Um caso óbvio é a aparição de 13 de
maio de 1917 na encosta de uma montanha perto de Fátima,
em Portugal. A visão relatada pelas três jovens testemunhas
poderia ter sido um vórtice plasmático.

Meaden explicou a sarça ardente de Moisés e a Estrela de
Belém da mesma maneira. Evidentemente, Meaden não
explicou o motivo para os vórtices ionizados aparecerem
com pontualidade no mesmo local por diversos meses no
13° dia de cada mês. Também não explicou como tais
vórtices lograram fazer as pessoas verem o espetáculo de 13
de outubro de 1917, numa extensão de área de muitos
quilômetros quadrados. No entanto, em virtude de poderem
soar plausíveis do ponto de vista científico, os vórtices
acabam sendo usados para enquadrar observações
perturbadoras num contexto familiar.
Pela citação a seguir, dá para se ter uma visão clara do
panorama de Meaden. Após enfatizar como os vórtices
ionizados poderiam afetar pessoas sensíveis, ele observa:

Esta compreensão poderia significar um certo avanço no
sentido de explicar algumas das experiências "místicas" da
história, inclusive algumas que teriam tido conseqüências
religiosas e sociológicas de grande projeção. (...) Apesar de
esta ser tida como uma iluminada era científica, mesmo hoje
as conseqüências culturais podem ser importantes para
algumas, senão para muitas pessoas: em especial as que
buscam conforto em crenças que estão além da ciência,
além de nossas normas, além da realidade.

Os seres vistos em Fátima

Sem dúvida, as preocupações de Meaden acerca de idéias
religiosas vinham a calhar no caso de Fátima, uma vez que
os contatos das crianças com a senhora refulgente tinham
uma forte conotação religiosa, associada em especial ao
catolicismo romano. Devo enfatizar, no entanto, a
exclusividade das três crianças quanto a todos os
depoimentos relativos à comunicação com a senhora e
outros seres paranormais, visto que só elas chegaram de fato
a ver esses seres e ouvi-los falar.
A senhora aparecia para as crianças como uma bela figura
deslumbrante, parada bem acima de um pequeno carvalho
nascido na cova da Iria. Segundo Lúcia: "Ela era mais
brilhante que o Sol, e irradiava uma luz cintilante de sua
pessoa, mais nítida e mais intensa que a de um cristal cheio
de água resplandecente e trespassado pelos raios do mais
ardente dos sóis." Sua mensagem às crianças, expressa
explicitamente na terminologia da Igreja Católica, consistia,
sobretudo, em advertências de que, a menos que as pessoas
abandonassem a vida pecaminosa e se voltassem para Deus,
o castigo divino seria terrível e diversas nações seriam
aniquiladas.
Antes de seus encontros com a senhora, as três crianças
também tiveram encontros com um anjo. À época do
primeiro encontro, elas apascentavam suas ovelhas num
outeiro rochoso não muito distante de sua casa. Viram, no
outro lado do vale, um deslumbrante globo de luz tal qual
um sol em miniatura, deslizando devagar na direção delas. À
medida que se aproximava, a bola de luz foi aos poucos se
transformando num jovem de brilho esplendoroso, o qual
aparentava ter cerca de quatorze anos. Ele se identificou
como o "Anjo da Paz" e incitou-as a recitar a seguinte
oração: "Meu Deus, acredito em Ti, Te adoro, espero em Ti,
Te amo. Peço perdão por aqueles que não acreditam em Ti,
nem Te adoram, nem esperam em Ti, nem Te amam." Em
seguida, desapareceu como que por encanto.

Fátima como um caso de contato com óvni

Como devemos interpretar estas experiências?
Naturalmente, uma abordagem possível é descartá-las como
ilusórias ou tentar explicações físicas semelhantes à de
Terence Meaden. Outra é propor que se tratam de contatos
com óvnis. Wendelle Stevens, por exemplo, fez isto sem
rodeios em um de seus livros, num capítulo intitulado "The
Fatima UFO sightings" (As visões de óvnis em Fátima).
Jacques Vallee também argumentou que os eventos
ocorridos em Fátima são contatos com óvnis, e não milagres
divinos conforme os entende a Igreja Católica.
Respondendo a esta proposta, eu digo "sim e não". Por um
lado, os eventos de Fátima apresentam muitas características
também vistas em relatos sobre óvnis. Os globos cintilantes
de luz, interpretados por algumas das testemunhas oculares
como sendo veículos, poderiam mesmo sê-los. Stevens e
Vallee chegaram a interpretar o espetacular e rodopiante
disco solar de 13 de outubro como sendo um óvni discóide.
Esta não deixa de ser uma hipótese válida, visto que o disco
se movia segundo um padrão de ziguezague, emitia feixes
coloridos de luz e era possível as pessoas olharem na direção
dele sem ferirem os olhos. Pode muito bem ter sido um
aparelho voador, o qual, ao partir finalmente, voou na
direção do Sol verdadeiro quando este se tornou visível em
meio ao céu carregado de nuvens.
Existe, por outro lado, um certo risco de se criar uma idéia
estereotipada dos óvnis e dos contatos com óvnis e de se
impor a referida idéia às provas. Por serem basicamente
empíricas, nossas idéias sobre os óvnis tendem a se expandir
e se transformar à medida que ficamos conhecendo mais
detalhes acerca de todo o escopo das provas empíricas
relevantes. Sem dúvida, nem todos os contatos com óvnis
são iguais. Tanto as entidades envolvidas quanto a tecnologia
por elas empregada apresentam uma considerável
variabilidade. Portanto, enquadrando Fátima à força numa
preconcebida teoria sobre óvnis, corremos o risco de obstar
nosso entendimento do que estava acontecendo de fato.
Para sustentar seu ponto de vista de que os eventos de
Fátima envolveram óvnis, e não revelações religiosas, Vallee
precisou espichar algumas das provas. Assim, a senhora que
aparecera para as crianças, disse ele, "não dissera ser a
Virgem Maria. Ela fizera apenas afirmar ser 'do Céu"'. De
fato, foi isto o que ela disse durante sua primeira visita em 13
de maio, mas ela acrescentou que revelaria sua identidade
em 13 de outubro. Naquela data, ela se identificou como a
"Senhora do Rosário" — uma designação explicitamente
católica.
Conforme argumentou Vallee, os contatos das crianças com
o Anjo da Paz "lançam sérias dúvidas quanto à interpretação
do 'milagre' apresentada pela Igreja Católica". Todavia,
durante um desses contatos com o anjo, "por intermédio da
irradiação branca da presença dele, as crianças puderam vê-
lo portando um cálice por cima do qual uma Hóstia
derramava gotas de Sangue". Se esta afirmação reflete de
forma honesta o que as crianças viram, então é para se
concluir que o anjo, quem quer que ele possa ter sido, estava
fazendo uso de simbolismo explicitamente católico. E, se
rejeitarmos esta hipótese por julgá-la desonesta, com que
base, então, poderemos aceitar ter mesmo havido a visão de
um anjo?
Após verem o anjo com o cálice, as crianças
experimentaram uma sensação de extrema fraqueza e
permaneceram prostradas no solo, orando, até o cair da
noite. Vallee interpretou isto como uma espécie de paralisia,
comparando-a à paralisia associada a muitos contatos com
óvnis. Entretanto, outras formas de fraqueza, inclusive a
chamada paralisia histérica, são causadas por experiências
emocionais intensas e talvez nada tenham a ver com óvnis.
No caso em questão, parece ser este o tipo de fraqueza
envolvido. Podemos contrastar as experiências das crianças
com aquelas de pessoas raptadas por óvnis, que descrevem o
terror de terem sido imobilizadas por seres esquisitos que as
deitam sobre mesas e enfiam sondas em seus corpos.
Pode-se dizer o mesmo a respeito da amnésia. Vallee cita o
depoimento de Albano Barros, o qual, ainda menino,
testemunhou o espetáculo solar de 13 de outubro de um
local a quinze quilômetros de distância de Fátima. Barros
diz: "Não consigo sequer lembrar se levei as ovelhas para
casa, se saí correndo, ou o que fiz." Vallee foi enfático ao
salientar esta perda de memória. Mas seria este um caso de
"tempo perdido" do tipo associado aos óvnis, ou seria apenas
o esquecimento que é de se esperar de uma memória de
infância acionada 43 anos mais tarde (em 1960)?
Existe um contraste surpreendente entre as visitas de Fátima
e muitos contatos com óvnis. Em grande parte desses
contatos, segundo consta, os seres envolvidos têm tez
cinzenta, pastosa ou parecida com um cogumelo,
aterrorizantes olhos oblíquos, bocas rasgadas e vestígios de
nariz. Eles aparecem à noite, arrastam as pessoas à força e
sujeitam-nas a tormentos sexuais. As vítimas experimentam
traumas psicológicos e, em certos casos, desenvolvem
doenças físicas.
Há, é claro, outros casos de pessoas alegando ter tido
contatos relativamente amistosos com humanóides de
descrições variadas, inclusive alguns de aparência de todo
humana. Em certos casos, estes seres trazem mensagens para
as pessoas, sendo algumas destas mensagens bastante
complexas. Tanto quanto no caso de Fátima, estas
mensagens costumam não apenas ter um teor de crítica ao
comportamento humano como também prever desastres de
diversos tipos (Capítulo 5). Além disso, contêm às vezes
material filosófico e teológico (Capítulo 11).
A exclusividade testemunhal é outra característica que
Fátima compartilha com muitos outros casos de óvnis.
Apesar de os anjos e a senhora refulgente terem sido vistos
apenas pelas três crianças, milhares de outras pessoas
presentes na cova da Iria testemunharam espetáculos aéreos
de luz que pareciam confirmar a história das crianças. Pode-
se aqui estabelecer um termo de comparação com o caso
Meier, no qual, apesar de apenas um homem alegar ter tido
contato pessoal com visitantes extraterrestres, vários amigos
seus conseguiram ver e fotografar notáveis espetáculos
noturnos de luz que deram crédito à sua história.
Podemos encarar os casos de óvnis como sendo
apresentáveis num amplo continuam de tipos. Este
continuum não é linear. Ele deve antes ser definido por
diversas variáveis, que poderiam incluir (1) o grau de
amizade dos contatos, (2) o grau de humanidade dos seres
contatantes, e (3) certa medida da qualidade do material
comunicado.
Embora se possa decerto anexar o caso Fátima a este
continuum, na minha opinião se trata de um ponto remoto
bastante diferenciado da maioria dos outros casos relatados
na literatura existente sobre óvnis. Portanto, receberia
classificação bem alta quanto às variáveis (1) e (2),
especialmente se medíssemos a humanidade em termos de
qualidades atraentes como a beleza. Embora seja difícil
definir um conceito de medida para a variável (3), as
comunicações de Fátima são sem dúvida incomuns em
função de terem uma forte orientação católica romana.
Afora isto, enfatizam a devoção espiritual, o que é raro ver
em comunicações de óvnis, inclusive aquelas de natureza
filosófica.
Seria um projeto interessante fazer um levantamento geral
de todas as tradições culturais em busca de casos de pessoas
alegando ter se encontrado com belos seres refulgentes que
lhes transmitiram ensinamentos espirituais. Apesar da
probabilidade de muitos destes casos virem a revelar
características típicas associadas ao fenômeno ufológico,
estas tenderiam mesmo assim a ter mais a ver com o
comportamento e as faculdades dos seres envolvidos do que
com os óvnis propriamente ditos. Sendo assim, o continuum
ufológico, poderia ser encarado como parte de um
continuum místico-humanóide maior. Fátima figuraria
provavelmente como um ponto típico neste conjunto
maior.
Vallee resume seu ponto de vista, dizendo: "Em muitas
histórias de óvni de outrora, as testemunhas achavam que
tinham visto anjos de Deus. (...) Outras, que tinham visto
demônios. A diferença pode ser pequena."
Pelo contrário, a diferença me parece bem grande. Talvez os
diversos tipos de contato no continuum ufológico sejam
todos semelhantes pelo fato de envolverem faculdades e
tecnologias semelhantes que fogem ao nosso entendimento
atual. Mas os pontos extremos do continuum são
surpreendentemente diferentes com relação ao
comportamento e, por dedução, à consciência dos seres
envolvidos.
Se as manifestações em Fátima não foram "fenômenos
ufológicos típicos" e de fato fizeram uso do simbolismo
cristão, acaso isto significa que devemos interpretá-las sob
uma ótica exclusivamente cristã? A resposta é não, porque o
mesmo raciocínio que induziria alguém a levar a sério as
manifestações de Fátima pode de igual maneira ser aplicado
a outros encontros com seres divinos ocorridos em
contextos não-cristãos. Poderão argumentar que só os
encontros cristãos (e em particular os católicos) são
autênticos, enquanto todos os demais são obra de Satã. No
entanto, se seres demonstrando qualidades divinas em todas
as tradições não-cristãs são na verdade sagazes trapaças
criadas por um embusteiro cósmico, então, decerto se pode
dizer o mesmo dos seres divinos do cristianismo. Isto nos
traz de volta à posição de Vallee, segundo a qual os anjos e
demônios são todos a mesma coisa.
Cabe ainda ressaltar que, apesar de terem sido expressas em
termos católicos explícitos, as comunicações de Fátima
também acrescentaram algo novo ao catolicismo. Ao
analisar as revelações de Fátima, Francis Johnston deixou
claro que elas provocaram bastante controvérsia dentro da
Igreja Católica e que o novo material (incluindo, por
exemplo, a idéia de consagrar a Rússia ao Coração de Maria)
não foi aceito imediata e universalmente. Do ponto de vista
dos protestantes, o culto católico a Maria é um acréscimo
controvertido ao cristianismo. Ademais, o próprio
cristianismo surgiu, é claro, num determinado momento da
História. A nova revelação feita em Fátima parece se inserir
no contexto de uma tradição mais antiga, o que não é
inédito no passado.
Eis outro exemplo. No século VI d.C., um homem na Arábia
experimentou uma visão do Anjo Gabriel "à semelhança de
um homem, postado no céu acima do horizonte". O
homem, tendo recebido ordem de se tornar um profeta,
passou vários anos entrando em transes periódicos e ditando
mensagens que seus seguidores tinham o cuidado de anotar
e memorizar. O homem se chamava Maomé e as mensagens
transmitidas por ele em estado de transe foram mais tarde
compiladas para formar o Alcorão.
De certa maneira, a história de Maomé é um típico caso de
contato. Ele se encontra com um ser não-humano e em
seguida dita elaboradas comunicações canalizadas. Assim
como no caso de Fátima e em alguns casos de óvni recentes,
o ser fez uso de tradições culturais existentes — nesta
ocasião —, de tradições de anjos que eram bem conhecidas
dos árabes.
Ao mesmo tempo, os ensinamentos de Maomé têm
exercido um impacto enorme sobre a história do mundo,
estando sem dúvida num nível de qualidade diferente
daquele dos ensinamentos transmitidos por muitos contatos
ufológicos. Na minha opinião, muitas comunicações
diferentes são continuamente injetadas na sociedade
humana mediante o uso da tecnologia sutil dos siddhis
místicos. Estas revelações variam sobremaneira em
qualidade. Embora costumem fazer uso de material cultural
humano já existente, elas também podem redundar em
extensas transformações da cultura humana.

A estrutura dos céus

De onde poderiam estar vindo semelhantes revelações? Ao
dirigir a palavra às três crianças, a brilhante senhora de
Fátima disse vir do céu. Seria natural, neste caso, interpretar
a palavra céu segundo um contexto cristão. Logo, é válido
analisar o conceito que os primeiros cristãos faziam do céu e
de sua localização.
Ao avaliar a reação das crianças às visões que tiveram do
anjo, Johnston diz: "A descrição feita por Lúcia desta
experiência fabulosa e de sua sensação de fraqueza extrema e
desprendimento de sua vizinhança terrestre faz lembrar as
palavras de São Paulo depois de este ter sido erguido para o
Terceiro Céu e só conseguir gaguejar não ter como saber se
desprendera por completo de seu corpo ou não."
É curioso o fato de São Paulo ter falado de céus numerados e
alegado ter sido de fato "erguido" para visitar tais lugares. Eis
a sua descrição, na terceira pessoa, daquela experiência:

Conheço um homem em Cristo que foi elevado ao terceiro
céu quatorze anos atrás. Se isto se deu no corpo ou fora do
corpo, eu não sei — Deus o sabe. E sei que este homem —
não sei se no corpo ou fora do corpo, mas Deus o sabe — foi
levado até o Paraíso. Ele ouviu coisas inexprimíveis, coisas
que nenhum homem tem permissão de contar.

Este relato apresenta, é claro, muitos paralelos com relatos
sobre raptos por óvnis. Conforme saliento no Capítulo 10,
alguns raptos por óvnis parecem ocorrer num estado extra-
corporal, enquanto em outros o corpo físico é levado
embora. Há ainda muitos relatos sobre óvnis cujas
testemunhas alegam terem lhes dito coisas inexprimíveis, ou
coisas que elas não podem contar até alguma data futura.
Na literatura apócrifa associada à Bíblia, existem descrições
destes céus. Zecharia Sitchin, por exemplo, cita uma destas
descrições do Livro dos segredos de Enoque. Segundo
parece, ao ser "elevado" aos céus, o profeta Enoque viu o ar
e depois o éter. Então, ele atingiu o primeiro céu, onde
"duzentos anjos regem as estrelas" e onde avistou um mar
"maior que o da Terra".
O segundo céu era sombrio. No terceiro céu, ele viu a
Árvore da Vida, com quatro riachos, de mel, leite, óleo e
vinho, brotando de suas raízes. A Morada dos Justos fica
neste céu, e a Morada Terrível fica onde os maus são
torturados. Havia, também, a "morada onde Deus descansa
quando vem ao Paraíso".
No quarto céu, ele viu luminárias, criaturas maravilhosas e a
Hoste do Senhor. Havia muitas "hostes" no quinto, e no
sexto ele viu "grupos de anjos que estudam as revoluções das
estrelas". Por fim, no sétimo céu, ele viu anjos excelsos,
além de ter tido um vislumbre distante do Senhor em Seu
Trono.
Não sei se São Paulo tinha em mente uma descrição
semelhante dos céus, mas ele concordou com o relato de
Enoque ao chamar o terceiro céu de Paraíso. Segundo se
presume, existiam diversas versões da narrativa de Enoque,
cuja história era há muito conhecida no antigo Oriente
Próximo e Médio.
Existem paralelos védicos a esta descrição. Segundo a
literatura védica, existem sete sistemas planetários superiores
e sete sistemas planetários inferiores. O sistema terrestre,
Bhürloka, é o primeiro do grupo de sistemas superiores.
Acima dele, existem os seguintes sistemas de planetas
celestiais: Bhuvarloka, Svargaloka, Maharloka, Janaloka,
Tapoloka e Satyaloka. Estes sistemas planetários são
supradimensionais, e os seres que vivem em um dos
sistemas em geral não têm acesso ao sistema seguinte.
Podemos chamá-los de céus sucessivamente superiores.
Os sete sistemas planetários superiores não correspondem
um a um aos céus de Enoque. O sétimo céu, onde Deus está
sentado em Seu Trono, poderia corresponder a Satyaloka, a
morada de Brahmã. O terceiro céu de Enoque, contudo,
parece muito semelhante à região conhecida como Ilãvrta-
varsa, que é descrita no Quinto Canto do Bhãgavata Purãna.
Deste modo, em Ilãvrta-varsa existem quatro árvores
gigantescas, de cujas raízes brotam quatro rios, incluindo um
rio de mel. Também existe uma cidade chamada
Brahmapuri, que é visitada pelo Senhor Brahmã e poderia
corresponder à "morada onde Deus descansa quando vem ao
Paraíso".
Ilãvrta-varsa é um paraíso terrestre considerado parte da
região chamada Jambüdvipa em Bhürloka. Pode-se concebê-
lo como sendo um reino supradimensional ligado à Terra.
Logo, é interessante o fato de os quatro riachos brotando das
raízes da Árvore da Vida no terceiro céu de Enoque fluírem
para o Paraíso do Éden na Terra, ligando, assim, a Terra ao
terceiro céu. Todos estes paralelos sugerem haver algum elo
histórico entre o relato de Enoque do terceiro céu e o relato
sobre Ilãvrta-varsa constante no Bhãgavata Purãna.
Obtemos maiores esclarecimentos sobre este ponto histórico
numa lista de sete céus atribuída ao Venerável Bede, teólogo
e historiador inglês do século VIII. Os sete céus, segundo
diz ele, são: (1) o Ar, (2) o Éter, (3) o Olimpo, (4) o
Elemento Fogo, (5) o Firmamento, (6) a Região Angelical, e
(7) o Reino da Trindade.
A lista corresponde aproximadamente àquela de Enoque. O
Reino da Trindade combina com o sétimo céu de Enoque,
com seu Trono de Deus, e a Região Angelical combina com
seu sexto céu. Seria possível dizer que o Elemento Fogo e o
Firmamento combinam com os céus de luminárias e hostes
de Enoque. Apesar de também serem mencionados por
Enoque, o Ar e o Éter estão abaixo de seu primeiro céu.
Talvez seja significativo o fato de Bede relacionar o terceiro
céu como o Olimpo. O Olimpo é bem conhecido como a
montanha onde residiam os deuses gregos. Segundo o
Quinto Canto do Bhãgavata Purãna, Brahmapuri e as
residências de oito devas preeminentes estão situadas no
cume de uma montanha em Ilãvrta-varsa chamada Meru, e
por isso o monte Meru corresponde ao Olimpo grego. De tal
forma, se Ilãvrta-varsa corresponde ao terceiro céu de
Enoque, então também é razoável dizer que este terceiro
céu corresponde ao Olimpo grego.
Embora seja difícil entender a estrutura védica dos sistemas
planetários superiores do ponto de vista da experiência
terrestre, é fácil entender as descrições védicas dos
habitantes destes sistemas e de sua disposição de espírito
predominante. Sendo assim, podemos comparar este
entendimento ao que podemos deduzir acerca da disposição
de espírito da senhora de Fátima pelo depoimento das
crianças que a viram.
Eis uma descrição da visita de uma pessoa chamada Gopa
Kumãra ao terceiro sistema védico acima da Terra, chamado
Maharloka:

Comecei minha mantra-japa com o intuito exclusivo de
encontrar aquele grande Deus e, em poucos dias, fui levado
por um avião ao Maharloka, onde em tudo pude constatar a
veracidade das palavras de Brhaspati. Pude sentir
prevalecendo, naquele Maharloka, a pureza excelente da
felicidade, da majestade e do bhajana, nem sequer sonháveis
nos três mundos. É praticamente impossível descrever em
palavras a sensação de prazer daí resultante. Quando almas
devotadas como Bhrgu e outros Ris começam a realizar
milhares e milhares de mahã-yajnas, de dentro do fogo do
yajna, Sri Visnu, a Deidade que preside o yajna, surge a
brilhar com refulgência transbordante para partilhar, com
todo deleite, das oferendas. Aquela manifestação de Visnu
como a Deidade do yajna é brilhante como dez milhões de
sóis.

Esta descrição é um trecho do Brhad-bhãgavatãmrtam, livro
escrito por Srila Sanãtana Gosvãmi no século XVI d.C. Gopa
Kumãra iniciou sua jornada para Maharloka saindo de
Svargaloka, o segundo céu. Não surpreende o fato de ele ter
feito a jornada num "avião", escolha evidente do tradutor
para o termo vimãna.
O termo mantra-japa se refere à prática da recitação repetida
de breves orações compostas dos santos nomes do Senhor.
Esta é uma prática védica bastante comum, sendo
comparável à prática católica de fazer recitações
semelhantes usando as contas do rosário. Talvez seja
significativo que as mensagens transmitidas às crianças em
Fátima enfatizassem a importância desta prática e que a
luminosa senhora se autodenominasse a Senhora do Rosário.
As mensagens de Fátima enfatizavam ainda a importância de
se realizar sacrifício para Deus. Na passagem onde se
descreve Maharloka, "o grande Deus" é Visnu, que é o Ser
Supremo, e não simplesmente um dos devas. A atividade
principal em Maharloka parece ser ofertar sacrifícios,
chamados yajnas, a Visnu. Isto é feito pelo antigo método de
se oferecer artigos, tais como frutas e flores, a um fogo
sagrado. Entretanto, em Maharloka, o próprio Visnu surge
de dentro do fogo sob uma forma de brilhante refulgência
para aceitar em pessoa as oferendas de Seus devotos. Isto
mostra a diferença em qualidade entre Maharloka e a Terra.
Logo, do ponto de vista védico, é perfeitamente possível
que as revelações de Fátima fossem autênticas e emanassem
de um dos "céus", tais como Maharloka. Outro ponto de
apoio para esta idéia é o fato de os seres destes sistemas
celestiais serem, segundo se diz, livres das dores e doenças
terrestres. Porém, segundo consta, eles ficam compadecidos
ao contemplarem a vida miserável das pessoas do sistema
terrestre. Em conseqüência disto, envidam diversos esforços
no sentido de elevar a consciência dos terrestres de modo
que estes possam ser transferidos a sistemas superiores, e às
vezes aparecem pessoalmente na Terra com este fim. Este é,
de fato, o tema principal das mensagens de Fátima.
Pela perspectiva védica, no universo há muitos e
diversificados grupos de seres humanóides, com costumes e
mentalidades também bastante diferenciados. Logo, é de se
esperar que o contato com os seres pertencentes a esses
diversos grupos venha a resultar numa ampla variedade de
experiências. Fátima parece ser candidata a uma visita de
seres de um sistema planetário superior.

9
O caminho penoso

Muitos dos contatos com óvnis analisados em capítulos
anteriores resultaram traumáticos e amedrontadores para
suas testemunhas principais, e muitos envolveram efeitos
físicos posteriores, tais como ferimentos e infecções
incomuns. Na maioria destes casos, porém, as pessoas não
pareciam estar sendo feridas de forma deliberada ou
aterrorizadas com ameaças de violência. Mas existem casos
de contato com óvnis que apresentam, de fato, um aspecto
negativo e violento, incluindo alguns que fazem lembrar
histórias de horror góticas. Há ainda eventos misteriosos,
como as notórias mutilações de gado, de qualidade sinistra e
ameaçadora e indiretamente associados aos óvnis. Como este
aspecto sinistro é uma parte importante do fenômeno
ufológico, farei uma breve análise dele neste capítulo. Pela
forma como se apresenta, ele também se enquadra no
protótipo védico de vida dentro do universo material.

Casos de monstros peludos

O psiquiatra Berthold Schwarz investigou um caso da
categoria de horror gótico, ocorrido perto de Greensburg a
oeste da Pensilvânia em 25 de outubro de 1973. Por volta
das 21 horas, um fazendeiro chamado Stephen Pulaski e
pelo menos 15 outras testemunhas avistaram uma brilhante
bola vermelha sobrevoando um campo. Pulaski e dois
meninos de dez anos foram de carro até o campo investigar
aquilo. Pulaski levava uma espingarda consigo. Ao se
aproximarem, a luz dos faróis foi ficando fraca enquanto eles
viam o objeto descer na direção do campo. Seguindo a pé
pelo topo de uma colina, viram o brilhante objeto cintilando
com uma luz branca e alternando pousos no campo com
sobrevôos bem acima dele. Segundo disse Pulaski, o objeto
parecia ter cerca de trinta metros de diâmetro. Era
abobadado e fazia um barulho de cortador de grama.
Enquanto observavam o objeto, um dos meninos viu,
caminhando rente a uma cerca, um vulto, acima do qual
Pulaski atirou um foguete sinalizador. Nisto, revelaram-se
duas criaturas que se destacavam trinta ou sessenta
centímetros acima da cerca de dois metros. Ambas as
criaturas tinham braços compridos pendendo quase até o
solo e eram recobertas por uma pelugem comprida e escuro-
acinzentada. Tinham olhos amarelo-esverdeados e
emanavam um odor forte — como de borracha queimando.
Pareciam querer se comunicar fazendo sons lamuriantes
como o choro de um bebê.
Pulaski deu três tiros na criatura maior, que reagiu gemendo
e erguendo o braço direito. Naquele momento, a nave
brilhante sumiu, deixando uma cintilante área esbranquiçada
no campo, e um dos meninos fugiu de medo. As criaturas se
viraram devagar e caminharam de volta mata adentro.
Embora não fossem vistas de novo, mais tarde, quando os
investigadores do WCUFOSG, grupo de estudo de óvnis de
Westmoreland, juntaram-se a Pulaski, um cão passou a
seguir a pista de algo invisível e diversos membros do grupo
sentiram um forte cheiro de enxofre ou de alguma outra
substância química.
Nessa altura, Pulaski se enfureceu e saiu correndo ao redor
da área, dando golpes violentos com os braços e rosnando
como um animal. Teve visões de um homem parecido com
o Ceifeiro, ouviu seu nome sendo chamado da mata e fez
declarações confusas, tais como: "Se o homem não tomar
jeito, o fim não tardará." Depois, desmaiou.
Tendo examinado Pulaski, o Dr. Schwarz concluiu não
haver precedente para tal comportamento desorientado em
seu desenvolvimento psicológico. Pulaski jamais
experimentara estados dissociados de transe, não
apresentando, tampouco, distúrbios convulsivos tais como a
epilepsia do osso temporal. No entanto, tinha de fato um
histórico de violência de sua época de escola, sendo ainda
um caçador pronto a lançar mão de sua espingarda sempre
que se via diante de uma situação ameaçadora e
desconhecida. A pressão da situação apavorante, concluiu
Scharwz, provocou a temporária alteração de Pulaski,
induzindo-o a um estado psicológico dissociado conhecido
como fuga.
Segundo salientou Scharwz, este caso foi um de uma
epidemia de pelo menos 79 casos de "criaturas" ocorridos
numa área de seis condados a oeste da Pensilvânia em 1973,
conforme documentados pelo WCUFOSG. Em todos estes
casos, as criaturas eram entidades lupinas que apareciam e
desapareciam de forma misteriosa, deixando poucos
vestígios de sua existência. Segundo alguns relatos, as
criaturas deixavam pistas; segundo outros, elas emitiam
odores fétidos. Em ainda outros casos, elas teriam matado
galinhas, esquartejado os traseiros de um cão são-bernardo e
cortado a garganta de um veado, mas não houve relatos de
danos a humanos.
Que são estas criaturas? A maneira mais fácil de explicar a
existência de tais seres seria dizer que não passam de
fantasias de imaginações sobrecarregadas. Mas ainda faltaria
explicar o motivo para ter havido um surto de incidentes
com criaturas bizarras numa ampla região geográfica durante
um espaço de tempo específico. Que teria feito as
imaginações das pessoas se sobrecarregarem desta maneira
particular numa área de seis condados do oeste da
Pensilvânia?
Para podermos entender estas entidades, precisamos
responder a duas perguntas. A primeira: qual é o status
ontológico delas? Ou seja, de que são feitas e qual é a sua
origem? A segunda: por que razão surgem criaturas que
parecem talhadas para invocar terror em quem as vê?
A natureza evasiva, tanto das criaturas quanto do óvni que as
acompanha, levou Schwarz a especular quanto à
possibilidade de elas serem materializadas e em seguida
desmaterializadas por alguma intervenção inteligente. Como
outro exemplo de tal materialização, ele mencionou um
relato de Pierre van Passen sobre como "seus pastores
alemães lutaram ferozmente com um cão poltergeist negro,
até que um dos pastores alemães caiu morto". Assim como
no caso Pulaski, este exemplo envolve tanto o fenômeno
paranormal quanto a violência. Faz lembrar um dos antigos
temores que as pessoas nutriam de fantasmas, bruxaria e
magia negra.
Um exemplo afim de violência paranormal consta no relato,
feito no Bhãgavata Purãna, sobre um certo Sudaksina, que se
vingou do assassinato de seu pai, um antigo rei de Benares.
Sudaksina realizou um ritual chamado abhicara, cujo
objetivo é invocar um ser demoníaco do fogo de sacrifício e
mandá-lo atacar algum inimigo. Isto teve o seguinte
resultado:

Em seguida, a fogueira se ergueu do centro do altar,
assumindo a forma de uma aterrorizante criatura nua. A
barba e o tufo de cabelo da criatura ígnea eram como o
cobre derretido, e seus olhos emitiam cinzas ardentes. Seu
rosto, de aspecto horrendo, tinha presas e terríveis cenhos
arqueados e estriados. Enquanto lambia os cantos da boca
com a língua, o demônio sacudia seu tridente em chamas.

Esta descrição faz sem dúvida lembrar histórias ocidentais
antigas e medievais envolvendo magia, sendo fácil descartá-
la por julgá-la um mero conto de fadas. Porém, a criação do
demônio ígneo se baseia num princípio racional, segundo o
qual formas sutis preexistentes podem se manifestar no nível
físico grosseiro. No Capítulo 7 (páginas 311-13), comparei a
visão védica do universo ao sistema operacional de um
computador, mediante o qual pessoas com o status correto
podem acessar programas digitando as palavras-chave
apropriadas. Num sistema computadorizado de realidade
virtual, com o software correto seria possível evocar
monstros ígneos por meio da prática de rituais.
O universo védico, descrito como um produto de mãyã, ou
ilusão, pode ser considerado um sistema universal de
realidade virtual. Um dos significados da palavra mãyã é
magia. Quando um mágico gera uma ilusão, como a de serrar
uma mulher pela metade, ele faz uso de uma aparelhagem
adequada. De forma semelhante, o mundo ilusório criado
por um sistema de realidade virtual depende do computador
enquanto aparelhagem e do seu programador enquanto
mágico.
No universo védico, o papel do computador é representado
por uma energia fundamental chamada pradhãtta. Esta
energia é ativada por uma expansão do Supremo conhecida
como Mahã-Visnu, que atua como o programador universal.
A pradhãna ativada produz formas sutis de energia e estas,
por sua vez, produzem a matéria grosseira. Pela perspectiva
védica, ambos os tipos de energia são comparáveis às
manifestações irreais produzidas por um sistema de realidade
virtual. Podemos, porém, considerar estas energias reais
porque elas se comportam de forma coerente e confiável
desde que o sistema universal esteja em funcionamento.
Embora, com nossos sentidos comuns, não seja possível
perceber a energia sutil diretamente, ela é um produto do
sistema universal tanto quanto o é a matéria grosseira,
sendo, por isso, tão substancial quanto a matéria grosseira.
Em certo sentido, ela é mais substancial ainda, visto que a
matéria grosseira é gerada a partir da energia sutil.
Na história de Sudaksina, o demônio ígneo já existia com um
corpo de energia sutil, cuja forma serviu de base para a
geração, em caráter temporário, da ígnea forma material
grosseira. É possível que as criaturas da Pensilvânia ou o
negro cão poltergeist fossem manifestações semelhantes.
Apesar de esta ser uma tentativa de explicação do status
ontológico destes seres, que podemos dizer acerca dos
motivos subjacentes a suas aparições repentinas e suas
formas aterrorizantes de comportamento? Podemos obter
algum esclarecimento a este respeito nos voltando para a
famosa conversa entre Krsna e Arjuna chamada Bhagavad-
gitã. Segundo afirma este texto, as manifestações materiais
de vida e consciência são geridas por três princípios
fundamentais: sattva, rajas e tamas. Traduzidos, estes
princípios são chamados de modos da bondade, paixão e
ignorância, os quais Krsna definiu como segue:

Ó impecável, o modo da bondade, sendo mais puro que os
demais, é esclarecedor e nos livra de todas as reações
pecaminosas. Aqueles situados neste modo se condicionam
a um sentido de felicidade e conhecimento.
O modo da paixão nasce de ilimitados desejos e aspirações,
Ó filho de Kunti, motivo pelo qual a entidade viva
corporificada fica atada a fruitivas ações materiais.
Ó filho de Bharata, já o modo da escuridão, nascido da
ignorância, é o delírio de todas as entidades vivas
corporificadas. Os resultados deste modo são a loucura, a
indolência e o sono, que atam a alma condicionada.

Um possível equívoco em relação à palavra bondade, neste
caso, é achar que os três modos têm algo a ver com
distinções éticas entre o bem e o mal. Não sendo este o
entendimento correto, seria melhor encarar os modos
(chamados gunas, ou cordas, em sânscrito) como programas
psicológicos básicos, reconhecíveis por seus característicos
sintomas comportamentais. Sattva, também traduzível como
existência pura, refere-se ao reconhecimento introspectivo
da própria existência por meio de uma autoconsciência.
Rajas, traduzível como colorido, avermelhado e empoeirado,
refere-se à contaminação da consciência por desejos
apaixonados. Tamas, cujo significado literal é escuridão,
refere-se à tendência dos seres conscientes de caírem em
ilusão profunda.
Segundo explica Krsna, é contínua a interação dos três
modos nas mentes dos indivíduos e, em conseqüência disto,
diferentes modos sobressaem em momentos diferentes.
Conforme o entendimento védico, diferentes raças de
humanóides tendem a se deixar influenciar por diferentes
combinações dos três modos. Logo, a tendência
predominante dos seres humanos da Terra é de estarem no
modo da paixão, com alguma mistura de bondade e
ignorância. A bondade é o modo predominante dos devas e
rsis de planetas superiores e, portanto, se comparados a nós,
eles são muito pacíficos e encantados pelo conhecimento.
Entre os humanóides védicos, existem vários grupos cujo
modo predominante é a ignorância. Em geral, são
conhecidos como bhütas (um termo que, bem a calhar, se
pode traduzir como entidades). Entre eles, estão incluídos os
pisãcas, yaksas, rãksasas e vinãyakas, bem como as dãkinis,
yãtudhãnis e kusmãndas. Segundo consta, estes seres vivem
sob forma sutil na Terra e na região logo acima da atmosfera
da Terra. São conhecidos por seus poderes místicos,
inclusive o de aparecer e desaparecer subitamente sob forma
material grosseira.
Segundo diz o Bhãgavata Purãna, estes seres são conhecidos
por causarem distúrbios ao corpo e aos sentidos. Também
provocam perda de memória e pesadelos e incomodam
particularmente as crianças. Sem dúvida, é freqüente e
menção a estes problemas em relatos sobre raptos por óvnis.
O Bhãgavata Purãna prossegue dizendo ser possível espantar
estes seres cantando o nome de Visnu (Deus). Em geral, o
cantar dos santos nomes do Senhor Supremo pode
neutralizar a influência de seres em tamo-guna.
O tamo-guna, ou modo da ignorância, não pressupõe
necessariamente uma falta de conhecimento ou capacidade.
Na verdade, amplos conhecimentos de assuntos materiais
podem se compatibilizar com a ilusão profunda. O Projeto
Manhattan da Segunda Guerra Mundial é um bom exemplo
disto. Nele, os melhores físicos da época usaram seu
conhecimento mais avançado para criar uma arma que até
hoje ameaça a segurança do mundo inteiro.
Seria possível argumentar ter havido bom motivos para se
construir e distribuir a bomba atômica. Por exemplo: ela
salvou milhões de vidas americanas e japonesas que teriam
sido deitadas a perder numa invasão do Japão e, se os
americanos não tivessem se empenhado em desenvolvê-la,
então os japoneses ou os alemães a teriam obtido primeiro.
Mas este argumento só faz demonstrar que uma ilusão pode
conter uma estrutura lógica. Uma ilusão pode ser poderosa e
irresistível ao ponto de ser difícil perscrutá-la e perceber a
realidade.
Na literatura védica, Maya Dãnava é o epítome de uma
pessoa avançadíssima em conhecimento material, por um
lado, e atoladíssima na ilusão, por outro. Apesar de ele ser
famoso por ter criado maravilhas tecnológicas, tais como o
vimãna do rei Sãlva descrito no Capítulo 6, seus esforços são
quase sempre dedicados a metas ilusórias ou destrutivas. Em
geral, segundo encontramos em relatos védicos, a tendência
dos seres no modo da ignorância é de se interessarem pela
aquisição de tecnologia avançada e poderes místicos.
Muitas manifestações de óvnis parecem não apenas mostrar
os sintomas do tamo-guna como também envolver um
avançado domínio de poderes místicos e tecnologia
material. Desta maneira, as criaturas vistas por Stephen
Pulaski eram monstros amedrontadores que apareciam e
desapareciam, estando acompanhadas por um esquisito óvni
cintilante, também desaparecido repentinamente.
De forma semelhante, segundo se relata, muitas entidades
ufológicas tratam as pessoas de maneira alienada e impessoal,
sendo ainda notórias por aparecerem, desaparecerem e
atravessarem paredes. Como argumentei no Capítulo 5, estes
seres costumam apresentar mensagens às pessoas que soam
absurdas ou enganosas. Estes aspectos são característicos de
alguns dos humanóides védicos, tais como os bhütas, cujo
modo preponderante é o tamo-guna.

Mutilações de gado

Uma intrigante ocorrência de anos recentes é o fenômeno
da mutilação de animais — cadáveres de animais
domésticos, como vacas e cavalos, são encontrados em
campos agrícolas com ferimentos bizarros. Em casos típicos,
constata-se a remoção, com precisão cirúrgica, de diversos
órgãos da vítima, tais como úberes, órgãos genitais ou o reto.
É possível que amputem olhos ou orelhas ou extraiam
dentes. Há casos de cortes serreados como que feitos com
instrumentos inadequados, e às vezes se remove um única
junta de uma perna. Repara-se, em quase todos os casos, um
corpo desprovido de sangue, não havendo, porém, sinal
algum de sangue na área circunjacente.
As primeiras ocorrências de casos de mutilação datam de
fins da década de 1960, a partir de quando são registrados
inúmeros destes casos. Deste modo, em Elbert, Colorado, o
delegado de polícia George Yarnell registrou 64 casos de
mutilação entre 6 de abril de 1975 e 23 de setembro de
1977. No mesmo período, mais de cem relatos foram
registrados na delegacia de polícia de Logan, na região
nordeste de Colorado. Entre 1967 e 1989, em quase todos os
estados contíguos, exceto cinco ou seis, houve registro de
casos de mutilação, que também foram registrados em seis
das províncias meridionais do Canadá, bem como no
México, Panamá, Porto Rico, Brasil, Europa, Ilhas Canárias e
Austrália.
Em 1975, as mutilações de gado se tornaram tão comuns no
Colorado que o governador Richard Lamm se pronunciou
contra elas numa reunião da Associação de Pecuaristas de
seu estado. Disse ele: "As mutilações são um dos maiores
ultrajes na história da indústria bovina do oeste. É
importante que solucionemos este mistério o quanto antes.
A indústria bovina já está muito prejudicada do ponto de
vista econômico. Do ponto de vista humano, não podemos
permitir que estas mutilações continuem a acontecer." Não
posso aqui deixar de reparar a existência de certa parcela de
ironia na preocupação humanitária do governador. Afinal, o
objetivo da indústria bovina é criar animais para o abate, um
procedimento que só difere das misteriosas mutilações pelo
fato de ser levado a cabo por meios conhecidos, entre quatro
paredes e sob circunstâncias lucrativas do ponto de vista
econômico.
Segundo muitos têm sugerido, os predadores são
responsáveis pelas mutilações de animais, mas, conforme
outros têm salientado, os predadores conhecidos não
produzem cortes longos e limpos do tipo visto nos animais
mutilados. Outra teoria responsabiliza cultos satânicos pelo
fenômeno. Esta, além de parecer mais plausível, pode ser a
explicação para alguns casos. No entanto, a taxa de mutilação
de animais observada é tão alta que, se os cultistas fossem os
únicos responsáveis pelo fenômeno, na certa a polícia já
teria apreendido muitos deles e suas histórias já teriam vindo
ao conhecimento do público.
Como seria de se esperar, algumas pessoas têm sugerido
haver uma ligação entre as mutilações de animais e os óvnis.
Tudo por conta da observação de que os cortes feitos em
animais mutilados apresentam características difíceis de
serem duplicadas no campo com o uso da tecnologia
humana conhecida.
Um depoimento que parece ratificar esta teoria foi feito por
John Henry Altshuler, M.D., médico patologista e
hematologista que estudou na Universidade McGill e
trabalhava no Rose Medical Center, em Denver, 1967. Em
setembro daquele ano, mostraram-lhe o cadáver de uma
égua chamada Lady, na fazenda Harry King, no vale San
Luis, Colorado. A égua havia sido morta e mutilada na noite
de 7 de setembro de 1967. Ao ser levado pela polícia para
ver o animal cerca de dez dias após a noite do ocorrido, o
Dr. Altshuler disse: "As bordas externas da pele cortada
estavam firmes, quase como se tivessem sido cauterizadas
com um laser moderno. Mas em 1967 ainda não existia
tecnologia de cirurgia a laser como aquela." Ele prosseguiu:

Cortei amostras de tecido da borda firme e mais escura. Mais
tarde, observei o tecido com um microscópio. Em nível
celular, havia descoloração e destruição compatíveis com
alterações causadas por queimadura.
O mais espantoso era a ausência de sangue. Devo já ter feito
centenas de autópsias. E impossível cortar um corpo sem
encontrar um pouco de sangue. Mas não havia sangue na
pele nem no solo. Nada de sangue. Aquilo foi o que mais me
impressionou.
E depois me lembro de ter dado pela falta de órgãos dentro
do peito da égua. Quem quer que tivesse feito o corte, levou
o coração, os pulmões e a tiróide da égua. O mediastino
estava completamente vazio — e seco. Como seria possível
tirar o coração sem uma gota de sangue? Tratava-se de uma
inacreditável dissecação de órgãos sem nenhuma prova de
sangue.

Há quem pense ser possível que entidades ufológicas
dotadas de alta tecnologia fizessem incisões para as quais
fosse necessária uma tecnologia desconhecida do homem. É
interessante observar a tendência a se descartar cultos
satânicos pelo fato de seus participantes terem apenas
faculdades humanas comuns. Em época anterior, quando
acreditavam nos poderes sobrenaturais da bruxaria, a teoria
do culto satânico teria parecido bem mais convincente.
Grande parte das provas de uma possível ligação entre os
óvnis e as mutilações de animais tem sido circunstancial,
embora existam alguns relatos de testemunhas oculares
quanto ao direto envolvimento dos óvnis neste caso. Muitos
têm sido os relatos sobre luzes estranhas no céu nos mesmos
momentos e nos mesmos lugares onde ocorriam mutilações,
e já foram encontradas pistas de solo típicas de óvnis perto
dos corpos de animais mutilados. Também já foram vistos
estranhos helicópteros não-identificados — um fenômeno
inexplicado tantas vezes constatado em relação a contatos
com óvnis.

A ligação com o helicóptero

Para muitos, a ligação helicóptero/óvni parece um tanto
sinistra e ameaçadora por si só e por isso farei aqui algumas
observações a respeito dela. No famoso caso Cash-Landrum,
segundo foi relatado, duas mulheres e uma criança sofreram
aparentemente queimaduras de radiação num contato com
um objeto voador ígneo com forma de diamante e
acompanhado por cerca de 23 helicópteros bimotores. Neste
caso, o objeto, e com certeza os helicópteros, pareciam
pertencer às forças armadas americanas, apesar de isto ter
sido negado por oficiais militares quando o assunto foi
levado à justiça pelas duas mulheres.
Em outro caso, os contatos Betty e Bob Luca relataram que
negros helicópteros não-identificados fizeram repetidos
vôos rasantes sobre a casa deles, seguiram seu carro,
chegando inclusive a voar de forma rasante sobre áreas onde
eles estiveram acampados. (Betty Luca é o nome de Betty
Andreasson após seu segundo casamento.) Esta parece ser
uma experiência típica de testemunhas de contato imediato.
Houve quem especulasse que oficiais militares a bordo de
helicópteros estivessem confundindo testemunhas de óvnis
em vão, ou que óvnis disfarçados de helicópteros as
estivessem atormentando. De qualquer modo, o fenômeno
tem a qualidade negativa e insensata associada ao tamo-guna.
Ed Conroy, jornalista e escritor de um livro sobre Whitley
Strieber, também relatou ter sido repetidas vezes perseguido
por helicópteros misteriosos.
Em certa ocasião, ele viu um helicóptero voar por trás do
Tower Life Building, em San Antonio, Texas, e não aparecer
do outro lado. Noutra, viu dois helicópteros voando tão
próximos um do outro que era para seus rotores terem se
emaranhado como batedeiras de ovos. Sua vizinha, Linda
Winchester, também viu a mesma coisa. Curiosamente,
Whitley Strieber relatou um incidente quase idêntico: "Certa
vez, vi — na presença de duas outras testemunhas — dois
desses helicópteros em vôo rasante sobre uma área populosa
com seus rotores emaranhados como se fossem batedeiras
de ovos."
Em casos como estes, os helicópteros parecem ser ilusões.
Como os óvnis são, segundo se relata, capazes de se fazerem
invisíveis, nada indica que semelhantes ilusões pudessem ser
meros disfarces destinados a fazer os óvnis parecerem naves
aéreas comuns. Assim como acontece com muitas
manifestações de óvnis, os helicópteros-mistério são difíceis
de explicar. Talvez, segundo uma interpretação mais
simples, eles funcionem para mostrar às pessoas que certos
poderes do mundo fogem ao entendimento humano.

Pistas de solo em casos de mutilação

Marcas de solo semelhantes a típicas pistas de óvnis também
têm sido vistas nos locais das mutilações. No caso de Lady,
por exemplo, foi encontrado um arbusto quebrado a cerca
de 12 metros do corpo da égua, e "ao redor do arbusto havia
um círculo de noventa centímetros formado por seis ou oito
orifícios no solo, cada um com cerca de dez centímetros de
lado a lado por oito a dez centímetros de profundidade".
Desde fins da década de 1960, muitos artigos de jornal têm
analisado as possíveis ligações entre os óvnis e as mutilações
de animais. Exemplo disto é a matéria "Óvnis atacando
vacas? isto não é deste mundo", publicado em The Dispatch,
de St. Paul, Minnesota, em 27 de dezembro de 1974. Ela
relacionava declarações do pesquisador ufológico Terrance
Mitchell, tais como: "Estou convencido de que a extração de
orelhas, úberes e outras partes de animais faz parte de uma
investigação científica realizada por seres usuários de óvnis."
Para ele, o argumento definitivo foi uma novilha de 210
quilos encontrada morta no dia 1º de dezembro de 1974, em
terras do fazendeiro Frank Schifelbien, de Meeker,
Minnesota. "A novilha foi encontrada morta num perfeito
círculo de terreno sem vegetação, sobre um campo coberto
de neve, sem que nenhuma pegada tivesse sido encontrada
em parte alguma da vizinhança, segundo depoimentos de
policiais a Mitchell." Mitchell descartou a teoria segundo a
qual membros de seitas teriam sido responsáveis por aquilo
pelo fato de não terem, neste caso, deixado pegadas visíveis
na área. Salientou ainda o fato de fotos aéreas terem revelado
uma série de descoloridos círculos perfeitos, com diversos
centímetros de diâmetro, num pasto próximo ao corpo da
novilha.
Uma história de mutilação semelhante ocorreu em Cochran,
Texas, em 1975. Uma novilha morta foi encontrada na
fazenda de Darwood Marshall no meio de um "círculo
perfeitamente redondo", segundo relato do delegado
Richards de Cochran. Não havia, segundo o relato, sinal de
sangue no corpo da vaca nem no solo em volta dela.
Enquanto Richards investigava este caso, Darwood Marshall
encontrou um bezerro morto e mutilado a cerca de meio
quilômetro à oeste. Este animal jazia no meio de um círculo
com cerca de 90 centímetros de lado a lado. Este círculo, tal
como o primeiro, era um queimado trecho de terra num
campo de trigo novo de cerca de dez centímetros de altura.
Richards especulava sobre uma possível ligação com as
visões de óvnis:

Apesar de ter ouvido relatos sobre óvnis na área, eu próprio
ainda não vi um sequer. As pessoas que fazem estes relatos
sempre contam a mesma história. Ele (o óvni) é quase tão
largo quanto uma rodovia de duas pistas, redondo e de cor
parecida com a do Sol poente, além de ter um fulgor azulado
ao seu redor. Dois ou três dias após alguém dizer ter visto
esta coisa, ficamos sabendo da mutilação de alguma vaca.
Embora eu desconheça a identidade deste fenômeno, sem
dúvida, trata-se de algo que tem incomodado todo mundo
por aqui.

Relatos humanóides em casos de mutilação

A pesquisadora Linda Howe relata ter ouvido delegados,
fazendeiros e colegas jornalistas contarem muitas histórias
confidenciais que associam os óvnis a mutilações de gado.
Ela também cita depoimentos diretos ligando os óvnis e as
entidades humanóides a casos de mutilação de gado. Em
abril de 1980, por exemplo, perto de Waco, Texas, um
pecuarista caminhava em sua terra à procura de uma vaca
perdida quando avistou duas criaturas de l,20m de altura a
cerca de noventa metros de distância. Eram verdes ou
vestiam verde, tinham cabeças ovais e carregavam um
bezerro. Ele disse ter conseguido ver os olhos delas, os quais
descreveu como "olhos de abrunho, como grandes
amêndoas negras".
Como já havia lido a respeito de raptos por óvnis (fato que
deveria ser levado em conta ao se avaliar seu depoimento),
ele correu para seu caminhão com medo de ser raptado.
Dois dias mais tarde, voltou ao local com sua esposa e filho
para encontrar o traseiro vazio de um bezerro revirado por
cima de seu crânio, junto de uma coluna vertebral completa,
mas sem as costelas. Ele relatou não haver sangue sobre os
restos e nenhum sinal de aves de rapina.
Em maio de 1973, aconteceu, perto de Houston, Texas,
segundo se relatou, um contato imediato no qual uma
testemunha observou um bezerro sendo mutilado por
entidades ufológicas. Mencionei este caso no Capítulo 5
como exemplo de comunicações de óvnis advertindo
quanto aos efeitos adversos da poluição ambiental e dos
testes nucleares.
A testemunha, Judy Doraty, dirigia acompanhada de quatro
familiares quando os cinco viram no céu uma luz muito
brilhante que lhes seguia o carro. Os familiares se lembraram
de Judy estacionando no acostamento da estrada e saindo na
direção da traseira do carro, depois voltando, entrando e se
queixando de sede e náuseas. Este episódio parece ter
incluído um lapso de uma hora e quinze minutos na
memória de Judy, o qual foi apurado mediante a hipnose
administrada em 3 de março de 1980 pelo psicólogo Leo
Sprinkle.
Sob hipnose, Judy Doraty se recordou de uma experiência
de bilocação, durante a qual ela parecia estar tanto ao lado do
carro quanto dentro de um óvni onde seres estranhos
mutilavam um bezerro. Também viu os seres examinando
sua filha na nave. Aquelas criaturas, apesar de semelhantes
aos grays típicos, não eram exatamente idênticas a eles.
Tinham pele fina e de aparência pastosa, narizes e bocas
imperceptíveis e olhos bem grandes que não piscavam. Os
olhos, porém, em vez de serem negros, tinham pupilas
verticais e íris de um amarelo empalidecido. Falavam inglês
produzindo um som bastante monótono, mas sem usar a
boca. Aquilo parecia se tratar de comunicação mental, como
de costume.
O bezerro foi içado para a nave, contorcendo-se e se
debatendo, por um feixe de pálida luz amarela, que parecia
ter solidez. A luz parecia ser sólida ao tato, e formigava com
partículas como grãos de poeira num raio de sol. Uma vez a
bordo da nave, o bezerro teve partes de seu corpo
amputadas enquanto ainda estava vivo. Fluidos e outras
secreções do corpo foram sugados por intermédio de tubos,
e diferentes órgãos foram colocados em diferentes "bacias"
ou áreas côncavas. Segundo os seres explicaram a Judy
mentalmente, sua intenção, ao esquartejarem vacas e outros
animais, é de controlar a disseminação, pelo ambiente, de
alguma espécie de veneno que acabará afetando os
humanos. Por fim, encerrada a operação, o cadáver do
bezerro foi devolvido ao solo pelo feixe de luz.
Este relato tem a qualidade surrealista de muitas histórias de
contato imediato com óvnis. Quer tenha sido real ou
ilusória, a experiência de Judy Doraty com os seres foi de
uma vividez surpreendente. Seu conteúdo, no entanto,
parece ilógico. Não parece ser necessário mutilar animais de
maneira grotesca para controlar a poluição. Seria de
presumir que seres capazes de produzir feixes
antigravitacionais tivessem capacidade de detectar poluentes
em animais sem precisar feri-los. E, mesmo sendo
necessário cortar os animais, não seria preciso deixar seus
corpos jazendo nas fazendas. Talvez esta atividade seja
planejada — por quem quer que seja responsável pelas
mutilações — como uma forma de amedrontar as pessoas
com alguma ameaça desconhecida.
Assim como os casos das criaturas da Pensilvânia, as
mutilações de gado parecem combinar as qualidades
negativas do tamo-guna com eventos misteriosos
envolvendo poderes paranormais. O depoimento de Doraty
é interessante em especial por envolver uma experiência de
ingresso num óvni em estado de consciência extracorporal,
assunto que analisarei com mais minúcia no Capítulo 10.
Segundo Doraty, sua experiência extracorporal foi de algum
modo espontânea e, segundo lhe disseram os seres, não fora
intenção deles trazê-la a bordo. Não obstante, mesmo
estando eles empenhados na grosseira operação física de
esquartejamento de um bezerro, não lhes foi difícil vê- la e
se comunicarem com ela num nível sutil.
Esta faculdade de atuar nos níveis grosseiro e sutil é típica de
muitos dos humanóides descritos na literatura védica, e os
macabros atos de mutilação fazem lembrar determinados
grupos de seres influenciados pelo modo da ignorância. Se
tais seres estão mesmo mutilando animais, seria de se
perguntar o motivo para estarem fazendo isto neste período
em particular. Não tenho como responder a esta pergunta
com certeza, é claro. Mas, como uma possível resposta, os
seres estariam perturbados com atividades humanas atuais
envolvendo os testes nucleares e a poluição do meio
ambiente. Afinal, foi este o motivo que eles deram a Judy
Doraty. Se é mesmo verdade que certas atividades humanas
têm perturbado seres influenciados pelo modo da
ignorância, talvez as mutilações de animais sejam, então,
apenas a forma de eles manifestarem seu descontentamento.

Entidades ufológicas hostis aos humanos

A mutilação de animais acaba preocupando as pessoas pelo
fato de sugerir a possibilidade de os seres humanos também
estarem sujeitos a danos ou morte deliberados infligidos
pelas entidades ufológicas. Diversas categorias de provas
sugerem a possibilidade de que semelhante comportamento
hostil venha a se concretizar. Estas provas variam num
continuam de aterrorizantes e traumáticos casos de rapto a
raros casos de violência explícita. Nesta seção, darei alguns
exemplos destas provas. Começarei com uma história de
rapto que, além de ter sido incomumente traumática, apóia a
idéia de uma ligação entre os óvnis e as mutilações de
animais, contendo, ainda, sombrias pistas de mais atividades
hostis praticadas contra os seres humanos. Devo avisar ao
leitor, contudo, que no Capítulo 10 darei outra possível
interpretação para este caso.

O caso de Cimarron, Novo México

Uma mulher de 28 anos e seu filho de seis alegam ter visto
cinco óvnis descendo perto de uma pastagem, enquanto
voltavam para casa, de carro, por uma estrada próxima à
Cimarron, Novo México. Ela guardava lembranças confusas
de um contato imediato e relatou um tempo perdido de
cerca de quatro horas. Mais tarde, a mulher passou por uma
série de sessões de hipnose com o Dr. Leo Sprinkle, de 11
de maio a 3 de junho de 1980, na presença de Paul
Bennewitz, que fazia investigações como representante da
Organização de Pesquisa de Fenômenos Aéreos (APRO).
Aflorou daí um relato de rapto muito perturbador. Embora
este seja um relato por demais bizarro e horripilante, acho
importante apresentá-lo de modo a estabelecer uma visão
equilibrada das experiências recontadas por testemunhas de
óvnis. O resumo a seguir se baseia em notas feitas por Leo
Sprinkle durante as sessões de hipnose.
Sob hipnose, a mulher primeiro relatou ter visto luzes
brilhantes e testemunhado a mutilação de uma vaca. "Eles
estão pousando. Meu Deus!... A vaca está ganindo; é
horrível, é horrível! É muita dor. É dor demais!" Ela
descreveu uma fina faca prateada de cerca de 45 centímetros
de comprimento por um centímetro de espessura, que foi
enfiada no peito da vaca. Enquanto a vaca ainda estava viva
e se debatendo, as entidades amputaram-lhe os órgãos
genitais com um movimento de corte circular.
Em seguida, ela relatou ter sido capturada com seu filho por
vários seres de aparência estranha, sendo levados para
dentro de naves diferentes. Estes seres usavam uniformes de
cor marrom-escura com uma insígnia laranja e azul
composta por "três linhas verticais e uma linha horizontal
inferior".
A princípio, ela não conseguiu se mexer, mas, tão logo
recuperou a capacidade de movimento, começou a fazer um
esforço violento. Embora estivesse presa, conseguia chutar e
gritar e xingar seus captores. Lembrou-se de ter sido despida
à força e relatou um exame físico forçado, incluindo uma
sonda vaginal. Segundo dizem, depois ela passou a sofrer de
uma infecção vaginal gravíssima.
Embora alguns dos seres a tratassem com aspereza, outros
mostravam curiosidade: "Eles acham engraçado — adoram
meu cabelo. Suas cabeças são grandes. Mas não têm cabelo
algum, nem sobrancelhas. O ser amável da primeira nave
ficou fascinado com minhas sobrancelhas e meus cílios. Eles
não piscam!"
Enquanto tudo isto acontecia, um homem alto e parecendo
ictérico, vestido de branco e de aparência diferente da dos
outros, irritou-se. Conforme declarou, não era para terem
trazido a mulher: "Eles me pedem desculpas. Justificam-se
dizendo: 'Essas coisas acontecem; é uma pena. Mas o
menino está bem. (...) Pedem-me para entender que aquilo
[a mutilação da vaca] era necessário." Os seres lhe fizeram
este comunicado por via telepática, mas se comunicavam
entre si usando a linguagem falada. Outro detalhe: o homem
alto queimou o rosto dela, talvez sem querer, ao tocá-lo com
a mão.
Então, ele pareceu ordenar que castigassem os outros seres:
"Lembro-me de tê-los visto nus da cintura para cima,
magros, costelas, clavículas, mais costelas que nós — não
sei. A magreza deles, suas mãos tão finas, e mesmo assim
conseguiam me erguer. (...) Garras não, unhas compridas e
nodosas. Parecem ríspidos, ossos tão pequenos e finos. (...)
Um deles tem nariz torto, arrebitado e torto. Andam
arrastando os pés."
Estes seres também ostentavam roupas bizarras, mas de
aparência distintamente humana. "Havia uma gola de monge
franciscano. Cinto, botas do tipo militar, remendo. Feios,
brigões, rudes. Um era feminino. Usava uma gola franzida
— período vitoriano? Não parecia confortável. Remendo.
Cabeça achatada, orifícios fazendo às vezes de um pequeno
nariz — ou apenas dois orifícios. Verde-ervilha.
Honestamente: ela era verde! Ainda não consigo acreditar
no que vi! (...) Como eles podem ser assim?"
Em seguida, o homem alto levou-a a um tortuoso passeio
por uma série de lugares estranhos, talvez em naves
diferentes. Há descrições de um cômodo imenso com
painéis de controle e telas de tevê de 24 polegadas, e alguma
espécie de elevador. A certa altura, ela viu um planeta:
"Sobre a mesa, luz branca em meus olhos, a decolagem,
como meu corpo engordou — comando! Pesado! (...)
Entramos num cilindro redondo — swoosh! Sala enorme!
De tirar o fôlego! Estrelas para todo lado. Bonito, muito
bonito. Vejo um planeta. É grande, branco, preto, branco
aqui e preto. Só vejo a metade de cima. Eles não precisam
me dizer que não posso me aproximar da janela — dá para
perceber."
A seqüência de eventos é confusa, e ela também atribuiu
confusão a seus captores. "Quando o homem de branco
entra e restaura a ordem, sinto que ele me respeita. Ele
parece velho, bem velho. (...) Parece irritado, mas não
comigo. (...) Tenho medo, não dele, mas de sua confusão.
Preocupa-me o fato de eles não saberem o que estão
fazendo." Repetidas vezes lhe disseram ser "lamentável eles
terem de fazer aquilo".
A nave em que ela estava pareceu pousar. "Estou excitada,
em êxtase, e não amedrontada. Acho que eles me levaram
para algum lugar importante. (...) Entram mais pessoas como
o homem de branco, embora nem todas estejam vestidas de
branco. São cinco pessoas, duas olham de forma diferente:
olhos estreitos. Não são esverdeados nem fendidos, como os
dos seres da primeira nave, mas não são grandes. Parecem
ser importantes! Talvez médicos ou cientistas. Não sei por
que não sabem o que fazer comigo. Não me deixam ir até a
janela, mas posso ver naves, atividade, o esboço do terreno,
íngreme, mas não da altura de uma montanha." Nesse
momento, ela observou que fazia muito frio, tendo também
se apercebido de um zunido perturbador.
"São muito gentis; é bela a forma como se movimentam.
Todos andam arrastando os pés, grandes passadas. Mais altos
que eu. Um metro e oitenta ou mais." Como os demais, estes
seres careciam de cabelo, mas estavam vestidos de forma
atraente, e três tinham aparência bastante humana. Apesar
de terem lhe pedido perdão, não lhe deram permissão para
falar a respeito da experiência.
Em outra sessão, ela também disse que eles mencionaram
alterações: "Não quero mais falar sobre ele. Deixa pra lá. (...)
Alterações — falaram das 'alterações necessárias' para me
trazerem de volta." A palavra alterações parecia se referir aos
implantes colocados pelas entidades no corpo da mulher,
implantes supostamente encontrados no corpo dela por
meio de tomografia.
Enquanto era conduzida para fora da nave, ela reconheceu o
panorama: parecia ser a área de Roswell, Novo México, a
oeste de Las Cruces. Um elevador levou-a a um complexo
subterrâneo infestado de seres estranhos e troando com a
água de um rio subterrâneo. "Eles gostam de minha reação
— espanto! Incrível! Cidade-base de operação." Nessa altura,
ela viu seu filho num relance e foi outra vez separada dele.
Então, reagindo horrorizada, ela conseguiu se desvencilhar e
fugiu para um recinto com grandes tanques que pareciam
estar cheios de alguma espécie de peças de anatomia,
boiando em fluido corrente: "Abaixo de mim, vejo tanques
d'água. Algo me aterroriza. (...) Parte superior de cabeça
calva. Luz fraca. (...) Acho que estou vendo um braço com a
mão — humano! Mais alguma coisa vermelha e parecida
com sangue. Meu Deus! Esta visão me apavora. Ahh!
Línguas, enormes; elas parecem bem grandes. Estão imersos
em líquido, bem escuro. (...) Eles me encontraram, mas,
quando me encontraram, eu estava num canto, chorando
sentada no chão."
Ao ser recapturada, ela foi levada para uma sala onde foi
submetida a tratamento traumático, talvez com o propósito
de obliterar sua memória. "Ai! É uma dor tão intensa!
Clarões, luz brilhante cintilando, alguma coisa parecida com
dois fios ligados a uma lâmpada. Whoosh, whoosh, luz!
Estou gritando. Meu filho chora. Estão fazendo o mesmo
com ele. (...) Quer saber de uma coisa? Eles não gostam de
nós. Agora os vejo como algo monstruoso. Sinto como se
tivesse estado em Auschwitz."
Após este tratamento, ela e o filho foram levados de volta a
uma das naves. Enquanto a nave voava pelo ar, mostraram-
lhe seu carro, estacionado a bordo. Mãe e filho foram
colocados nele, e o carro foi transferido delicadamente para
o solo. Em seguida, ela dirigiu para casa sem nenhuma
memória consciente de suas experiências a bordo dos óvnis.
Muitos elementos desta história extraordinária aparecem
com freqüência em casos de rapto por óvnis, inclusive o
exame físico, a comunicação telepática, o estranho zunido
ouvido pela mulher, a manifestação de emoções, tais como a
irritação e a curiosidade, por parte das entidades humanóides
e a transferência do carro da mulher para um dos óvnis. A
possível inserção de implantes no corpo da mulher é
também uma característica que este caso compartilha com
outros descritos por Budd Hopkins e Raymond Fowler.
Há ainda aspectos desta história que são incomuns. Um
deles, claro, é a alusão a uma base subterrânea infestada de
seres alienígenas e localizada em alguma parte do Novo
México. Este assunto é bastante controvertido, tendo sido
analisado por alto no Capítulo 3 (páginas 137-42) em relação
a teorias de conspiração entre o governo e os alienígenas.
Ali, mencionei as alegações, pelo jornalista Howard Blum,
de que Paul Bennewitz teria sido desinformado a respeito de
conspirações do governo e bases alienígenas subterrâneas
por agentes militares americanos trabalhando em
cooperação com o pesquisador ufológico William Moore.
Deste modo, o caso Cimarron está envolvido numa
controvérsia sobremaneira convulsionada e repleta de
especulações e contra-especulações paranóicas. Segundo
Blum, a regressão hipnótica da mulher feita por Leo Sprinkle
ocorreu antes do período de campanha de desinformação do
governo contra Bennewitz. Ao mesmo tempo, parece haver
discrepâncias na versão da história apresentada por Blum.
Ele diz, por exemplo, que Sprinkle consultou Bennewitz
porque estava perplexo com o caso da mulher, ao passo que,
segundo indica a documentação de Linda Howe, Bennewitz
conheceu a mulher primeiro e em seguida encaminhou-a a
Sprinkle.
Ao avaliarmos este caso, devemos ter em mente esta
informação de fundo. Também devemos levar em
consideração o fato de haver outras provas, extraídas de
relatos sobre óvnis, sugerindo a possibilidade de diversas
raças humanóides terem bases subterrâneas ou submarinas
na Terra — embora estas talvez não tenham nenhuma
ligação com o governo americano. Filiberto Cardenas, por
exemplo, relatou que o levaram a uma base submarina
(páginas 207-09). De forma semelhante, Betty Andreasson
disse ter vivido uma experiência de rapto aos treze anos de
idade, quando levaram-na através da água até um complexo
subterrâneo.
Um aspecto surpreendente do caso Cimarron é o fato de as
entidades alienígenas parecerem ser de diversos tipos físicos.
Por estranho que pareça, a declaração da mulher, de que
alguns dos seres têm "mais costelas do que nós", equipara-se
à descrição de um corpo alienígena supostamente resgatado
por oficiais militares americanos de um disco voador que
colidiu em 1948 no México, perto do rio Sabrinas, ao sul de
Laredo, Texas. Segundo sustentou um participante anônimo
desta operação de resgate, em cartas escritas entre 1978-80,
naquele corpo, "todo o abdome estava coberto por uma
espécie de estrutura de costelas que ia até os quadris".

Incomum vestuário alienígena

Talvez o aspecto mais bizarro da história de Cimarron seja o
vestuário das entidades, parecido com algo que se poderia
encontrar numa loja de fantasias. Todavia, este mesmo
aspecto é confirmado pela história de Filiberto Cardenas,
cuja viagem a uma base submarina em 1979 incluiu um
encontro com uma personagem alienígena entronizada,
usando um manto e uma corrente com jóias. Também é
confirmado por outro caso de contato, aparentemente
independente, acontecido, segundo se relatou, alguns meses
após o incidente em Cimarron, na mesma região dos Estados
Unidos.
Em 1980, uma semana antes do Dia de Ação de Graças, um
casal dirigia ao norte de Denver. O homem, um artista
comercial, relatou ter visto uma "luz azul-celeste", após o
que o casal passou por uma hora de perda de tempo. A
regressão hipnótica foi realizada em 5 de julho de 1984 por
Richard Sigismund, um sociólogo de Boulder, Colorado. Sob
hipnose, a mulher disse que eles foram içados em seu carro
por um feixe luminoso e transportados para uma nave
próxima dali, pousada sobre esteios. Um "homem" alto e
calvo num manto azul os chamou por hipnose.
Em sua descrição desta cena, o homem reagiu ao aparente
absurdo do traje do ser:

Ele está olhando para nós, dizendo-nos para entrar. Ele é o
líder. O líder vestido num manto azul. Que estupidez! Isto
não tem lógica. Este manto é ilógico. Ele não precisa de um
manto. Não um manto desses. (...) Ele não fala com a boca.
Ele fala com a mente.

Atraídos pela influência do ser, eles entraram na nave e
foram submetidos a um exame físico feito por um
humanóide vestindo uma túnica amarela com gola de renda.
A mulher, grávida na época, sentiu-se violada e estuprada, e
contraiu uma doença grave após o rapto. No entanto,
constatou-se mais tarde que seu filho tinha 170 de QI.
Existem outros relatos apresentando entidades vestidas em
trajes estranhos. Um exemplo disto é o contato amistoso da
Sra. Cynthia Appleton com belos e altos seres vestidos em
roupas de plástico com golas "elisabetanas" (veja página 448).
Outros exemplos são os apliques com emblemas de serpente
usados pelos seres nos três casos de rapto envolvendo
Filiberto Cardenas, William Hermann e Herbert Schirmer
(veja página 231). Em muitos casos de óvnis os seres são
descritos como estando vestidos em uniformes justos e nada
interessantes, ao passo que, em outros, descrevem-se
uniformes espaciais ou trajes de "mergulho".
O estranho vestuário às vezes relatado no caso de contatos
com óvnis parece ressoar com a psicologia humana. Em
especial, as fantasias de bruxas com cinturões, mantos e
insígnias parecem se enquadrar na categoria do tamo-guna,
que se caracteriza por sonhos e loucura. É tentador supor,
então, que contatos envolvendo indumentárias estranhas são
uma projeção de mentes humanas perturbadas. Porém,
conforme indicam provas já analisadas neste livro, pessoas
avaliadas como normais do ponto de visto psicológico
também têm relatado semelhantes contatos. Existem, ainda,
muitas provas indicativas da realidade física de certos óvnis.
Cabe, portanto, considerar o fato de seres reais influenciados
pelo tamo-guna estarem envolvidos em alguns casos nos
quais se observam trajes estranhos. Nestes casos, o vestuário
poderia ser costumeiro para as entidades, ou ser adotado por
elas para impressionar testemunhas humanas.
Não sei de nenhum caso de contato imediato em cujo relato
constassem entidades ufológicas usando as roupas comuns
do país onde o mesmo ocorreu. Por exemplo: imagine-se
sendo levado a bordo de um óvni por seres olhudos vestindo
ternos e gravatas convencionais. Há, contudo, as visitas dos
"homens de preto", que analisarei mais adiante neste
capítulo (páginas 400-03).
Além dos casos onde se relatam trajes bizarros, há também
contatos envolvendo belas indumentárias, ou pelo menos
um efeito genérico de beleza. O caso de Fátima (páginas
360-74) é um exemplo disto, e outro exemplo é o caso da
dama da varíola constante no Apêndice 3. Vallee cita um
exemplo, que remonta a 1491 e foi relatado por um famoso
matemático italiano chamado Jerome Cardan (1501-76). Em
seu livro De subtilitate, Cardan conta a seguinte história,
testemunhada por seu pai:

13 de agosto de 1491. Tendo eu já encerrado os ritos
costumeiros, por volta da 12a hora do dia, sete homens
apareceram para mim vestidos em trajes de seda,
semelhantes às togas gregas, e calçados, por assim dizer, com
sapatos brilhantes. As roupas de baixo sob seus peitorais
cintilantes e avermelhados pareciam ornadas de carmesim e
eram de glória e beleza extraordinárias.

Os homens disseram que eram "compostos, por assim dizer,
de ar", viviam cerca de trezentos anos e estavam sujeitos a
nascimento e morte. Conversaram com o Cardan pai por
mais de três horas sobre diversos assuntos filosóficos e
discordaram entre si sobre a causa do universo. Jerome
Cardan concluiu seu relato do encontro do pai dizendo:
"Quer isto seja fato ou fábula, assim o foi."
Para efeitos de comparação, eis como o Mahãbhãrata
descreve o vestuário dos devas, nas palavras do sábio
Vyãsadeva a um rei chamado Drupada:

Em seguida, Srila Vyãsa, o sábio puro cujas obras são tão
magnânimas, conferiu, com sua força ascética, visão divina
ao rei, que viu então todos os filhos de Pãndu tal como eles
eram em seus corpos anteriores. O rei viu os cinco jovens
sob suas formas celestiais de regentes do cosmo, com elmos
dourados e guirlandas, da cor do fogo e do Sol, de peito
amplo, esbeltos, com ornamentos coroando suas cabeças.
Não havia uma partícula sequer de poeira em suas vestes
celestiais, que eram tecidas em ouro, e os Indras brilhavam
sobremaneira com valiosíssimos colares e guirlandas.
Dotados de todas as boas qualidades, eles eram como
expansões do próprio Siva, ou como os vasus e ãdityas
celestiais.

Segundo consta, os devas estão no sattva-guna, ou modo da
bondade. Suas vestes costumam ser de imaculada beleza, e
sempre são descritos com ênfase para sua brilhante
refulgência. Isto pode ser contrastado com casos
envolvendo humanóides estranhos ou amedrontadores com
suas roupas às vezes bizarras. Nestes casos, parece haver
uma justaposição de aspectos característicos do tamo-guna.

Ataques diretos a seres humanos

É evidente o paralelo existente entre uma série de aspectos
do caso Cimarron e outros casos de óvnis. Isto não prova a
autenticidade da história da mulher, é claro, mas nossa
credulidade por certo há de ficar enfraquecida por meu
próximo tema de análise — a parte a respeito dos órgãos
flutuando em tanques. Estes órgãos poderiam ser da vaca
que a mulher viu sendo mutilada, mas ela também
mencionou uma cabeça e uma mão flutuando. Seriam estas
partes de vítimas humanas? Até o momento, não são muito
significativas as poucas provas diretas que encontrei em
publicações sérias sugerindo já ter havido alguma mutilação
de humanos.
Eis um possível incidente de mutilação humana, ocorrido na
Índia em 1958 e relatado pela pesquisadora ufológica
britânica Jenny Randles. A testemunha, um negociante
indiano, preferiu se manter no anonimato e não permitiu
que a gravação de seu depoimento fosse publicada. Segundo
sua história, em plena luz do dia ele viu aterrissar um óvni e
dele saírem quatro entidades de um metro de altura. Logo
em seguida, dois meninos que brincavam em rochedos
próximos da área foram dados como desaparecidos. Um
deles foi encontrado morto mais tarde, com diversos de seus
órgãos removidos, como que por meio de "hábil cirurgia". O
outro estava em transe catatônico, morrendo cinco dias
depois num hospital sem falar uma palavra. Este caso se
enquadra no padrão de mutilação de animais, mas as provas
relativas a ele são fracas devido à reticência da testemunha.
Jacques Vallee relata casos envolvendo ataques a seres
humanos, por óvnis equipados com armas de feixe
luminoso, nas florestas tropicais do norte do Brasil. Nestes
casos, um pequeno e peculiar objeto em forma de caixa,
conhecido na região como chupa, é visto sobrevoando
alguma área e projetando um feixe brilhante de luz sobre o
solo. Às vezes, estes objetos atacam as pessoas "espancando-
as" com um feixe de luz de foco exíguo. Estes feixes
parecem ter uma variedade de efeitos. Em alguns casos, eles
provocam doenças e, em outros, a vítima morre — ou
devido aos efeitos diretos do feixe ou devido a efeitos
colaterais tais como ataques cardíacos.
O caso de Raimundo Souza é um exemplo desta última
categoria. Raimundo era um caçador profissional de
quarenta anos, famoso por seu bom estado de saúde, que
morava em Parnarama, perto de São Luís do Maranhão. A
técnica de caça usada por Raimundo e seus amigos era se
esconder à noite na floresta numa rede armada nos galhos de
uma árvore. Quando um veado passava pela área, eles lhe
ofuscavam os olhos com a luz de uma lanterna. O veado
ficava paralisado de medo, tornando-se fácil atirar nele.
Certa noite de agosto de 1981, enquanto esperava caça em
sua rede, Raimundo riscou um fósforo para acender um
cigarro. Um objeto voador veio disparado para cima da
cabeça dele e apontou um feixe luminoso para ele e seu
companheiro de caça, Anastácio Barbosa. Ao ver aquilo,
Anastácio saiu de sua rede e se escondeu sob alguns
arbustos, observando o objeto circular por cima da sua
cabeça. Na manhã seguinte, ele encontrou o cadáver de
Raimundo no chão com um braço quebrado pela queda e
com marcas roxas em diversas partes do corpo, exceto o
rosto. As marcas eram circulares e raspadas como uma
machucadura, medindo de 2,5 a seis centímetros, e não
havia marcas de perfuração. Como não fizeram autópsia, não
se sabe ao certo a causa da morte. No entanto, não houve
suspeita de que Anastácio fosse o assassino. Vallee conseguiu
boa parte da informação a respeito de Raimundo Souza com
o tenente Magela, que era chefe de polícia em Parnarama
em 1981-82.
De todo o material a que tive acesso, estes relatos do Brasil
são os únicos a sugerirem que feixes luminosos projetados
por óvnis teriam causado fatalidades humanas. No entanto,
existem histórias comprobatórias segundo as quais as pessoas
teriam sido atacadas de forma violenta por semelhantes
feixes.
Vejamos este exemplo da Espanha. Em 28 de janeiro de
1976, pouco após a meia-noite, um fazendeiro de 24 anos
chamado Miguel Carrasco voltava a pé para casa, vindo da
casa de sua namorada em Bencazon, quando avistou um
poderoso feixe luminoso sendo disparado por uma estranha
nave pairando no ar. Tão logo ele começou a correr, duas
entidades magras e altas emergiram da nave, cegando-o e
paralisando-o com um feixe. Ele voltou a si às 2h30, na
soleira da porta dianteira da sua casa, batendo com violência
e gritando: "O homem da estrela vai voltar — deixe-me
entrar e feche a porta!" Um médico da região reparou, na
bochecha de Miguel, queimaduras estranhas, tratadas num
hospital local. Contudo, elas desapareceram em sete horas, e
o Dr. Mauricio Geara, o médico que tratou delas, disse mais
tarde: "Na verdade, não sabemos a que se deveram aquelas
queimaduras."
Eis outro exemplo, este do Arizona. Na noite de 5 de
novembro de 1975, sete lenhadores voltavam para casa após
um longo dia de trabalho no Parque Nacional Apache-
Sitgreaves. Enquanto iam de carro ao longo de uma
esburacada estrada floresta afora, viram uma luz amarela por
entre as árvores e, em breve, aproximaram-se a ponto de
conseguirem ver um óvni discóide pairando. Movido pela
curiosidade, um deles, Travis Walton, saiu do caminhão e se
aproximou da nave. Seus seis colegas o viram cair estatelado
pelo golpe de um brilhante feixe luminoso verde-azulado
que emanava do óvni. Os homens fugiram apavorados e,
regressando após alguns minutos, já não acharam Walton
em lugar algum.
Quando os homens contaram sua história à oficiais da
justiça, estes a princípio suspeitaram de homicídio.
Entretanto, todos exceto um passaram num teste de
polígrafo indicando acreditarem na veracidade de sua
história de óvni. (Segundo se avaliou, o homem que não
passou no teste estava abalado demais para fazer um teste de
polígrafo.) Após ampla revista, grupos de busca orientados
pela polícia não encontraram nem sinal de Travis Walton.
Porém, após cinco dias, ele reapareceu contando ter voltado
a si na presença de estranhos alienígenas a bordo de um
óvni. Aparentemente, eles o haviam mantido entre eles
durante os cinco dias para em seguida o libertarem à beira de
uma estrada rural deserta. Embora este seja só o começo da
história de Walton, neste caso apenas estou interessado no
fato de o relato do ataque pelo feixe luminoso ter sido
confirmado por seis testemunhas.
Em 1989, Francis P. Wall contou ao investigador ufológico
John Timmerman outra história envolvendo um ataque por
um feixe de irradiação. Wall disse ter servido como cabo de
primeira classe do exército americano durante a guerra na
Coréia. No início da primavera de 1951, sua companhia
preparava um ataque de artilharia contra uma aldeia na
região de Iron Triangle, perto de Chorwon. Um cintilante
óvni discóide se aproximou deles, e Wall pediu permissão ao
comandante de sua companhia para atirar nele. Para tal, ele
usou uma carabina M-l com balas próprias para perfurar
blindagem e ouviu o som de metal atingindo metal. O objeto
"se descontrolou" e começou a se mexer de forma
desordenada e a acender e apagar sua luz. Então, o óvni
pareceu se preparar para atacar os homens ao aumentar a
rotação de alguma espécie de gerador:

Aí, veio um som, de um tipo que jamais tínhamos ouvido
antes, o som de... como de... locomotivas a diesel
aumentando de rotação. Era como aquilo soava. E então veio
o ataque — dava para chamá-lo assim, eu acho. De qualquer
modo, fomos varridos por alguma forma de raio que era
emitido em pulsações, em ondas só visíveis quando o raio
era apontado bem na nossa direção. (...) Tínhamos a
sensação de estar sendo queimados, um formigamento no
corpo todo, como se algo estivesse entrando em nós.

Segundo declarou Wall, a princípio a irradiação não pareceu
causar efeitos nocivos. Porém, dando prosseguimento a seu
relato, ele disse: "Três dias mais tarde, foi preciso evacuar
toda a companhia de ambulância. Como todos estavam
fracos demais para andar, foi preciso abrir estradas para levá-
los dali." Neste incidente, o feixe de irradiação era diferente
do relatado no caso Walton. Entretanto, o ataque contra
Walton também foi precedido por um som que fazia
lembrar um motor possante. Ao descrever o sucedido antes
de ser atingido pelo feixe, Walton disse: "De repente, fui
surpreendido por uma poderosa e ensurdecedora dilatação
no volume das vibrações oriundas da nave. Dei um pulo ao
ouvir o som, que era como aquele de uma multidão de
geradores de turbina dando a partida."

Homens de preto

Os chamados Homens de Preto (Man in Black — MIB) se
enquadrariam em outra categoria de provas envolvendo um
possível comportamento hostil de entidades alienígenas para
com os humanos. Numa história típica, um ou mais homens
estranhos visitam uma testemunha ou um investigador
ufológico e lhe ordenam que oculte qualquer informação
acerca do fenômeno ufológico sob ameaça de violência se a
ordem for desobedecida. Em muitos casos, estes homens,
por serem de aparência tão perfeitamente humana, acabam
sendo encarados como agentes do governo. Isto é típico de
histórias envolvendo oficiais militares que revelam
informações sobre óvnis em violação a seus juramentos de
sigilo.
Em muitos casos, contudo, os visitantes ameaçadores não
parecem humanos em absoluto. Em geral, estão vestidos em
desconfortáveis trajes negros, têm características corpóreas
anormais e manifestam formas de comportamento bizarras e
impróprias. Quando isto se combina a demonstrações de
estranhas faculdades paranormais, tem-se a impressão de
estar diante de alguma espécie de ser espectral e não-
humano sob um tosco disfarce humano.
O psiquiatra Berthold Schwarz relata um típico caso de MIB
desta espécie, vinculado ao Dr. Herbert Hopkins, médico
morador de Orchard Beach, Maine. Hopkins se envolveu
com investigações sobre óvnis ao usar a hipnose para sondar
as recordações de David Stephens, testemunha de um
contato imediato. Isto parece tê-lo feito atrair a atenção de
uma personalidade um tanto estranha.
Na noite de sábado, 11 de setembro de 1976, enquanto a
esposa e o filho de Hopkins estavam fora assistindo a um
filme, seu telefone tocou. A voz ao telefone se identificou
como sendo do vice-presidente de uma organização de
estudos sobre óvnis de New Jersey que mais tarde Hopkins
constatou não existir. Como era desejo dele vir conversar
com Hopkins sobre o caso de rapto que este estava
investigando, Hopkins o convidou para vir a sua casa.
O homem assomou quase que de imediato à porta de
Hopkins — aparentemente, sem ter havido tempo para ele
viajar de onde tinha feito a chamada telefônica. Estava
vestido como um agente funerário num impecável terno
preto, era calvo e não tinha sobrancelhas nem cílios.
Sentado como um imóvel manequim de loja, pôs-se a fazer
uma série de perguntas a Hopkins em inglês fluente, mas
numa inexpressiva monotonia de palavras proferidas a
intervalos iguais. Quando esfregou a boca reta e sem lábios
com a mão enluvada, deu para notar que estava usando
batom.
Após algum tempo de conversa, o homem disse que
Hopkins tinha duas moedas no bolso esquerdo, o que era
verdade, e pediu para ele pegar uma delas. Tendo Hopkins
tirado um centavo do bolso, o homem pediu para o colocar
na palma da mão. Segundo Hopkins, "a nova e cintilante
moeda de um centavo tinha agora uma brilhante cor de
prata... aos poucos, a moeda assumiu a cor azul-clara para em
seguida se tornar quase indistinta aos meus olhos. (...) Ficou
mais indistinta ainda, depois vaporosa, e foi sumindo aos
poucos". Declarando ser aquele um "truque limpo", Hopkins
pediu ao homem para fazer a moeda reaparecer. Ele
replicou: "Nem você nem ninguém mais neste plano (e não
planeta) jamais verá aquela moeda outra vez."
O homem então perguntou a Hopkins se ele sabia por que
Barney Hill tinha morrido. Hopkins disse achar que fora por
uma doença prolongada. Mas o homem respondeu que não:
Barney morrera por ter ficado sem o coração, assim como
Hopkins ficara sem sua moeda. Com isto, ele mandou
Hopkins destruir todas as suas fitas e outros documentos
relacionados ao caso de rapto de Stephens, ao que Hopkins,
amedrontado, obedeceu.
Nessa altura, o homem, parecendo exaurido, disse devagar:
"Minha energia está se esgotando — preciso ir agora —
adeus." Ao sair, desceu os degraus cambaleando. Enquanto o
homem virava a esquina de sua casa, Hopkins viu uma
estranha luz branco-azulada iluminando a entrada da
garagem. O homem prosseguiu na direção da garagem,
muito embora dali não tivesse para onde ir. Depois, não foi
visto mais.
Segundo Betty Hill, Barney Hill morreu de derrame, e não
de ataque cardíaco. Sendo assim, eram incorretas as
declarações do visitante sobre a retirada do coração de
Barney Hill. Não obstante, tiveram o efeito pretendido, pois
Hopkins logo destruiu suas fitas e outros registros
relacionados ao caso de rapto de Stephens.
Que poderia servir de prova da veracidade da história de
Herbert Hopkins? Segundo depoimento da sua esposa,
voltando para casa após aquela experiência, ela reparou que
ele havia acendido todas as luzes da casa e estava sentado à
mesa da cozinha com uma arma. Este comportamento
incomum, aliado à sua sinceridade ao contar a história, foi
suficiente para a convencer. Mas, mesmo que houvesse
outras testemunhas oculares da história de Hopkins, isto
ainda não constituiria uma prova. Talvez, pode-se
argumentar, as testemunhas oculares estivessem mentindo
ou alucinando. E, se alguém alegasse ter fotografado o
homem de preto, seria possível argumentar que talvez a
fotografia fosse um embuste.
Embora não haja como prová-la, a história pode muito bem
ser verdadeira. Caso o seja, trata-se de um exemplo de
comportamento sem dúvida hostil e manipulatório. Como
parecia anormal e atrofiado, e usava poderes ocultos para
causar medo, o estranho homem se enquadra perfeitamente
na categoria védica de seres no tamo-guna, ou modo da
escuridão. Temos aqui mais uma evidência associando pelo
menos algumas entidades ufológicas a seres desta categoria.

Hostilidade de humanóides védicos contra
humanos

Até aqui, fiz menção sucinta dos seguintes tipos de prova de
hostilidade por parte de desconhecidos seres inteligentes: (1)
casos envolvendo monstros amedrontadores, (2) macabras
mutilações de animais, (3) horrorosas experiências de rapto,
(4) ataques com armas de feixe luminoso, e (5) visitas de
"homens de preto" demoníacos. Além disso, segundo
sugerem algumas histórias, alienígenas têm capturado e
morto seres humanos, havendo, ainda, uma ampla literatura
sobre desaparecimentos misteriosos que eu não me detive
em analisar aqui.
Todos estes eventos parecem ocorrer à margem da
consciência social humana. Embora alguns deles causem
sensação nos noticiários por algum tempo, nenhum jamais
sobressaiu o bastante para ser reconhecido abertamente
como verdadeiro por órgãos civis e acadêmicos de caráter
oficial. Em parte, isto pode se dar em virtude de as pessoas
terem uma forte tendência a negar coisas que pareçam
incompreensíveis ou ameaçadoras. Esta negação começa,
claro, em nível individual, podendo ser formalizada por
políticas estabelecidas dentro de instituições governamentais
e acadêmicas.
Também é evidente que os eventos ameaçadores aqui
analisados são mesmo marginais em função do fato de não
estarem representando, no momento, graves interferências
às atividades humanas. As coisas seriam diferentes, por
exemplo, se uma força de invasão alienígena ocupasse
Londres, ou ainda se as pessoas sofressem ataques regulares
de armas aéreas de feixe luminoso nas ruas de Nova York.
A pergunta natural é: "Se existem mesmo estes seres
desconhecidos e se eles estão fazendo todas essas coisas,
qual é, então, o plano deles e que perspectivas têm para o
futuro? Será que vão invadir e ocupar o planeta, como talvez
o fizéssemos se estivéssemos na posição deles e, caso
contrário, por que não?" É difícil responder a estas perguntas
pelo exame dos relatos sobre óvnis, pois, segundo tais
relatos, as misteriosas entidades ufológicas não se sentem
inclinadas a explicar com clareza seus planos às pessoas com
quem fazem contato.
No entanto, a literatura védica contém vasta informação
acerca das relações entre diversas raças humanas e
humanóides, tanto na Terra quanto no espaço
interplanetário. Como existem fortes paralelos entre os
relatos de fenômenos ufológicos e as descrições védicas de
raças humanóides, esta informação poderá proporcionar
alguma compreensão a respeito das ações ameaçadoras que
as pessoas têm associado aos óvnis. Nesta seção, portanto,
analisarei alguns exemplos, extraídos do Mahãbhãrata e do
Rãmãyana, da forma hostil com que raças não-humanas
tratam os seres humanos.

Guerras nas estrelas e suas conseqüências

Conforme um tema comum abordado pela literatura védica,
existem guerras nos céus entre os devas e os asuras. Há uma
hierarquia cósmica que governa o universo de acordo com a
lei divina, havendo, também, elementos rebeldes que se
opõem a esta hierarquia. Como mencionei no Capítulo 6
(páginas 258-59), o nível superior da hierarquia universal é
predominado por sábios (chamados rsis e prajãpatis) que se
interessam, sobretudo, em meditação e desenvolvimento
espiritual e não se ocupam de contendas políticas. O nível
inferior, contudo, é controlado pelos devas, que realmente
se envolvem com política.
Em geral, os devas atuam como administradores universais
sob a autoridade dos sábios, que, por sua vez, atuam sob a
autoridade de Brahmã, a primeira criatura do universo. No
entanto, como certos parentes dos devas se rebelaram
contra este sistema, seus descendentes têm travado repetidas
e extensas guerras contra os devas. Entre estes seres,
conhecidos como asuras, incluem-se diversos subgrupos tais
como os daityas, descendentes de Diti, e os danavas,
descendentes de Danu.
Como seria de se esperar, as guerras entre os devas e os
asuras envolveram diversos reveses causados por artimanhas
políticas e técnicas de ambos os lados. Eis uma ilustração
disto extraída do Bhãgavata Purãna, conforme narra o Rsi
Nãrada a um rei terrestre chamado Yudhisthira:

Maya Danava, o grande líder dos asuras, preparou três
residências [pura] invisíveis e deu-as aos asuras. Estas
moradas, semelhantes a aviões feitos de ouro, prata e ferro,
continham apetrechos incomuns. Meu caro rei Yudhisthira,
por causa destas três moradas, os comandantes dos asuras
ficavam invisíveis para os devas. Aproveitando-se desta
oportunidade e se lembrando de sua antiga inimizade, os
asuras se puseram a conquistar os três mundos — os sistemas
planetários superior, intermediário e inferior.

Nesta passagem, a palavra pura pode significar residência ou
cidade. Neste caso, os devas foram salvos pelo Senhor Siva,
que destruiu as três cidades voadoras e desse modo obteve o
nome Tripurãri ("Inimigo das três cidades"). Eis outra
referência do Bhãgavata Purãna a guerras interplanetárias:

Quando os ateístas, após se tornarem bem versados no
conhecimento científico védico, aniquilarem habitantes de
diferentes planetas, voando invisíveis no céu em foguetes
bem construídos e projetados pelo grande cientista Maya, o
Senhor confundirá as mentes se vestindo de forma atraente
como Buda e pregará sobre princípios sub-religiosos.

Conforme salienta Srila Jiva Gosvãmi, o comentador deste
texto, o Buda mencionado aqui não é o Buda histórico que
conhecemos, mas sim um Buda que viveu numa era
diferente. Neste contexto, usa-se a palavra ateístas para
traduzir deva-dvisãm, cujo significado literal é inimigos dos
devas. Neste caso, os inimigos dos devas tornaram a obter
extraordinárias naves aéreas de Maya Dãnava. Foram
impedidos, contudo, por uma encarnação de Buda, que os
cativou mediante características materiais externas, tais
como roupas vistosas, e então os persuadiu a adotarem a
filosofia da não-violência.
Um aspecto importante das guerras entre os devas e os
asuras é que jamais lhes era permitido se desgovernarem em
excesso. De quando em quando, autoridades superiores
intervinham com o intuito de restaurar a ordem divina, o
que costumava proporcionar a avatãras do Ser Supremo a
ocasião para apresentarem sublimes ensinamentos filosóficos
e se entreterem em passatempos extraordinários.
Às vezes, contudo, estas guerras repercutiam na Terra e em
sua população humana. Indra, o rei dos devas, por exemplo,
certa vez matou Vrtrãsura, o líder de um grupo de asuras.
Como os seguidores de Vrtrãsura foram completamente
derrotados, um contingente deles, chamados kãleya danavas,
resolveu se vingar aterrorizando os humanos na Terra. O
plano elaborado por eles foi de implantar uma base de
operações no fundo dos oceanos da Terra, de onde sairiam à
noite para atacar os sábios e ascetas que orientavam a
sociedade humana da época:

No eremitério de Vasistha, o grupo de canalhas devorou 188
brãhmanas e nove outros ascetas. Eles foram até o
eremitério sagrado de Cyavana, sempre visitado pelos duas-
vezes-nascidos, e comeram uma centena de eremitas, que
viviam de frutas e raízes. Eles faziam isto à noite; durante o
dia, escondiam-se no oceano. No eremitério de Bharadvãja,
destruíram vinte sóbrios celibatários que viviam de brisa e
água. Desta maneira, os kãleya danavas foram aos poucos
invadindo todos os eremitérios, enlouquecidos por sua
confiança na força de suas armas, matando muitos anfitriões
dos duas-vezes-nascidos, até que o Tempo veio no encalço
deles. As pessoas nada sabiam a respeito dos daityas, O
melhor dos homens, nem sequer quando eles oprimiam os
sofridos ascetas. De manhã, encontravam os eremitas,
macilentos em virtude de seus jejuns, jazendo no solo em
corpos sem vida. A terra andava cheia de cadáveres
descarnados, exangues, sem tutano, desentranhados e
desconjuntados como pilhas de conchas. (...)
Os homens, acabando-se desta maneira, Ó senhor dos
homens, fugiam de medo para todos os lados para se porem
a salvo. Alguns se escondiam em cavernas, outros atrás de
cachoeiras, e ainda outros temiam tanto a morte que o medo
os matava. Havia, também, altivos e heróicos arqueiros
dando o máximo de si para encurralar os danavas; mas não
conseguiam achá-los, pois eles estavam escondidos no
oceano. Assim, os arqueiros sucumbiam à exaustão e à
morte.

Existe pelo menos uma semelhança superficial entre esta
história e os relatos modernos de mutilações de gado e de
ataques a humanos por óvnis. Em ambos os casos, a morte é
infligida por seres desconhecidos que atuam à noite,
valendo-se de poderes tidos como extraordinários do ponto
de vista humano. Em ambos os casos, há cadáveres
exangues. Também é interessante notar que é comum óvnis
serem vistos entrando e saindo de oceanos e lagos, como se
talvez eles mantivessem bases de operação escondidas
dentro das águas. (Veja Sanderson, 1970.)
O impacto do ataque dos danavas contra os ascetas foi, é
claro, muito mais forte sobre a sociedade humana daquela
época do que é hoje em dia o impacto das mutilações de
gado e das atividades dos óvnis. Não obstante, encaixava-se,
mesmo assim, no nível do terrorismo. Muito embora os
dãnavas viessem lutando contra os devas pela supremacia
total, em vez de tentarem invadir e ocupar abertamente a
Terra, eles só faziam amedrontar as pessoas com nefastas
táticas de terror. Como isto se assemelha ao que ocorre com
as mutilações de gado e as manifestações de óvnis mais
aterradoras, seria possível questionar o porquê desta forma
de fazer as coisas. Com a análise de alguns outros exemplos,
ficaremos conhecendo alguns motivos para isto.

A trama do Râmayana

Segundo a trama básica do Rãmãyana, um ser poderoso
chamado Rãvana ocupara uma região chamada Lankã na
superfície da Terra e, daquela base de operações, andava
causando consideráveis transtornos a grupos de seres muito
diferenciados. Por esta razão, um grupo de devas,
gandharvas e sábios, preocupados que eram com os assuntos
da Terra, reuniram-se e fizeram o seguinte apelo ao Senhor
Brahmã:

Ó abençoado Senhor, tendo sido favorecido por ti pela
concessão de uma dádiva, o rãksasa Rãvana tem nos
importunado sem parar. Vemo-nos, portanto, desamparados
e forçados a suportar a terrível opressão dele! O Senhor dos
rãksasas tem inspirado terror nos Três Mundos e, como
subjugou os Guardiões da Terra, tem humilhado até o
próprio Indra. Provocando os sábios, os yaksas, gandharvas,
brãhmanas e outros seres, agora que se tornou intolerável
pelo orgulho de estar sob tua proteção, ele vive os
pisoteando.

Um detalhe importante revelado por esta declaração é que
Rãvana conquistara a Terra. Pelo menos, ele havia subjugado
os Guardiões da Terra. A Terra e suas redondezas eram,
àquela época, habitadas por certos seres quase tão poderosos
quanto o próprio Rãvana, que os enfrentava com o fim de
estabelecer sua hegemonia. Afora isso, ele mandava
saqueadores rãksasas fazerem ataques noturnos a brãhmanas
e ascetas que viviam na floresta, distantes das principais
concentrações humanas. Isto lembra, é claro, as histórias
sobre pessoas de remotas regiões do Brasil, atacadas por
armas de feixe luminoso oriundas de óvnis.
No entanto, Rãvana não tentou ocupar terras humanas nem
arrebanhar pessoas em reservas, como os colonizadores
europeus fizeram com os índios americanos. Ao invés disso,
ele só fazia gozar do luxo de sua mansão aérea (veja páginas
319-21), enquanto mandava capangas perpetrar atos de
terrorismo. Na minha opinião, é possível fazer duas
observações quanto a isto: em primeiro lugar, Rãvana não
sentia atração pela vida na Terra e pelo ambiente humano.
Tendo conquistado os Guardiões, a Terra era dele, mas ele e
seu povo não tinham o menor interesse em invadir o nicho
ecológico humano.
Em segundo lugar, o hábito de aterrorizar pessoas à noite
revela algo sobre a psicologia de Rãvana. Tanto ele quanto os
rãksasas e danavas em geral tinham um forte traço do tamo-
guna, ou modo da ignorância. No nível da psicologia
humana comum, encontramos a mesma espécie de
característica em assassinos psicóticos ou ditadores loucos.
Rãvana tinha um interesse especial em atormentar
brãhmanas e ascetas por estas pessoas serem adoradoras dos
devas, que eram velhos inimigos de Rãvana.
Podemos aprofundar nossa compreensão do ponto de vista
de Rãvana a partir da resposta dada por Brahmã aos devas,
gandharvas e sábios:

Eis uma maneira de causar o fim daquele ser perverso! "Que
eu não seja destruído por gandharvas, yaksas, deuses ou
rãksasas" — este foi o pedido de Rãvana. Mas, não ligando a
menor importância à raça humana, ele não me pediu para
fazê-lo invulnerável em relação ao homem; portanto,
ninguém senão um homem poderá destruí-lo.

Rãvana achava os seres humanos de todo insignificantes,
outro indício do motivo para ele não ter se preocupado com
eles em particular. Mas foi justamente aí que ele caiu.
Seguindo o conselho de Brahmã, os seres celestiais reunidos
pediram ao Senhor Visnu que encarnasse na Terra como um
aparente ser humano para exterminar Rãvana. Assentindo a
tal pedido, o Senhor Visnu nasceu como Rãma, filho do rei
Dasaratha de Ayodhyã.
Passado algum tempo, Rãvana ouviu falar da beleza de Sitã, a
esposa de Rãma, e arquitetou um plano para raptá-la (veja
páginas 292-93). Isto gerou um conflito entre Rãvana e
Rãma, que acabou exterminando Rãvana com armas
celestiais numa grande batalha.
Isto traz à tona outro ponto relativo aos seres humanos. Do
ponto de vista de seres celestiais como Rãvana, os humanos
são absolutamente inferiores e desimportantes. Por que,
então, o Senhor Visnu, a fonte original de Brahmã e de
todos os devas, concordou em viver entre eles como um
deles?
A resposta, segundo a literatura védica, é que a forma
humana de vida constitui uma vantagem singular para se
fazer avanço espiritual. As formas subumanas de vida
carecem da inteligência necessária para a contemplação
espiritual, ao passo que os seres sobre-humanos tendem a se
enredar no prazer de grande poder, beleza e longevidade.
Mas a forma humana, com todas as suas provas e
atribulações, proporciona uma passagem através da qual a
alma pode ascender prontamente a etapas espirituais
superiores. Uma vez que a preocupação primária do Senhor
Visnu é com o destino da alma, para Ele era natural o
interesse pela raça humana.
É curioso que esta mesma idéia tenha vindo à tona em uma
das mensagens ufológicas canalizadas — seja qual for a
verdadeira fonte delas. Eis uma citação de um comunicador
chamado Hatonn, que disse representar a "Confederação de
Planetas a Serviço do Criador Infinito":

Muitos de nós ora circulando em seu planeta desejaríamos
ter a oportunidade que vocês têm, a oportunidade de estar
dentro da ilusão e depois, pela geração do entendimento,
usar os potenciais da ilusão. Esta é uma forma de granjear
progresso no caminho espiritual e tem sido o anseio de
muitos de nossos irmãos.

Eis uma citação do Bhãgavata Purãna acerca de uma
consideração muito semelhante:
Como a forma de vida humana constitui a posição sublime
para se atingir a realização espiritual, todos os semideuses
celestes falam o seguinte: Que maravilhoso estes seres
humanos terem podido nascer na terra de Bhãrata-varsa. (...)
Tudo o que nós, semideuses, podemos fazer é aspirar a
nascer como humanos em Bhãrata-varsa para praticar
serviço devocional, mas aqueles seres humanos já o estão
praticando.
Bhãrata-varsa é o domínio da breve forma de vida humana,
e, portanto, se refere a este planeta Terra. Como a raça
humana é importante do ponto de vista espiritual,
autoridades superiores dentro do universo tendem a
protegê-la, motivo pelo qual não é fácil seres mais poderosos
a dominarem. Esta idéia também se manifesta sob outra
forma na seguinte descrição das fadas, registrada na Irlanda
pelo etnólogo Evans-Wentz:

As fadas são os seres mais magníficos que eu já vi. Elas são
em muito superiores a nós, motivo pelo qual são chamadas
de nobres. Não são uma classe trabalhadora, mas sim uma
classe militar-aristocrática, são altas e de aparência nobre.
São uma raça distinta entre a nossa e a dos espíritos, foi o
que me disseram. Suas habilitações são tremendas.
"Poderíamos eliminar metade da raça humana, mas jamais o
faríamos", disseram, "pois estamos esperando a salvação."

Em suma, a literatura védica, muitas comunicações de óvnis
e o folclore celta — todos sugerem a possibilidade de às
vezes a sociedade humana ser afetada pelas atividades de
seres mais poderosos, envolvidos sobretudo com seus
próprios interesses. No cumprimento de suas próprias
incumbências, estes seres podem de quando em quando
intervir na sociedade humana de formas que parecem
misteriosas se encaradas a partir de uma limitada perspectiva
humana, mas que fazem sentido dentro do complexo
contexto de atividade deles. Estas intervenções poderão
parecer nocivas ou benéficas, dependendo dos motivos
subjacentes dos seres envolvidos. Elas não chegam a revelar
os plenos poderes destes seres por uma série de motivos,
variando desde leis de não-interferência de embasamento
espiritual ao desprezo pela fraqueza dos insignificantes
humanos.

A trama do Mahabharata

Até aqui, analisei dois exemplos védicos de invasão da Terra
por alienígenas. Em cada um dos casos, a maioria dos seres
humanos experimentou estas invasões sob a forma de
ataques noturnos esporádicos por parte de seres
aterrorizantes que pareciam surgir do nada. Embora
provocassem grande perturbação em quantos ouviam falar
deles e fossem devastadores para quantos os
experimentavam, os ataques não exerciam muito impacto
sobre a sociedade humana como um todo. Há um exemplo,
contudo, da tentativa, dos daityas e danavas de tomarem e
governarem a sociedade humana, que forma a trama
principal do Mahãbhãrata.
A história começa há muito tempo, quando a sociedade
humana prosperava. As pessoas se dedicavam aos princípios
da virtude, não pendendo à decadência caso passassem a
experimentar algum sucesso material. No entanto, esta
situação auspiciosa não perdurou. Assim como na história
dos kãleya dãnavas, a sociedade humana começou a ser
afetada por eventos ocorridos em sistemas planetários
celestiais. Eis o que sucedeu, conforme narrou o sábio
Vaisampãyana ao rei Janamejaya:

Mas então, Ó melhor dos monarcas, justo quando a
humanidade florescia, criaturas poderosas e demoníacas
passaram a nascer das esposas de reis terrestres.
Certa feita, os divinos ãdityas, administradores do universo,
lutaram contra seus perversos primos, os daityas, e os
eliminaram. Vendo-se privados de seu poder e de suas
posições, os daityas começaram a nascer neste planeta,
tendo o cuidado de calcular que seria fácil para eles se
tornarem os deuses da Terra, submetendo-a a seu jugo
demoníaco. E assim aconteceu, Ó poderoso, de os asuras
passarem a aparecer entre diferentes criaturas e
comunidades.

Tanto como no caso dos kãleya dãnavas, esta tentativa
envolveu atividades ocultas, e não uma invasão ostensiva da
Terra por exércitos alienígenas. A técnica adotada pelas
forças invasoras era entrar com seus corpos sutis nos ventres
das esposas dos reis e desta maneira nascer em famílias reais.
Deste modo, assumiam controle dos governos terrestres e
conseguiam explorar a Terra como bem entendiam.

Quanto mais estas criaturas demoníacas nasciam na Terra,
menos a própria Terra conseguia suportar o peso da presença
delas. Tendo caído de suas posições nos planetas superiores,
os filhos de Diti e Danu surgiram então neste mundo como
monarcas, dotados de força descomunal, e sob muitas outras
formas. Ousados e arrogantes, virtualmente cercaram a Terra
e suas águas, dispostos a eliminar quem se opusesse a eles.
Perseguiam os mestres, os regentes, os comerciantes e os
trabalhadores da Terra, bem como todas as outras criaturas.
Andando de um lado para o outro às centenas e aos
milhares, passaram a exterminar as criaturas da Terra,
deixando o mundo em pânico. Indiferentes à cultura divina
dos brãhmanas, ameaçavam os sábios sentados na paz de
seus ãsramas na floresta, pois os chamados reis
enlouqueciam com a força de seus corpos.

Reagindo a esta invasão, Bhümi, a deusa da Terra,
aproximou-se do Senhor Brahmã e rogou a ele que a
salvasse. Brahmã atendeu o pedido, ordenando que os devas
encarnassem na Terra se valendo do mesmo estratagema dos
asuras: "A fim de libertar a Terra deste fardo, cada um de vós
deve nascer lá, por intermédio de vossas expansões dotadas
de poder, e sustar a disseminação das forças demoníacas."
Brahmã também solicitou ao Senhor Visnu que aparecesse
na Terra como um avatãra a fim de fazer frente às forças
demoníacas, ao que Ele aquiesceu.
Passado algum tempo, diversos devas apareceram na Terra,
quer entrando eles mesmos nos ventres de mães terrestres,
quer fecundando mulheres terrestres e tendo com elas filhos
que herdaram parte da natureza dévica paterna. Então, o
Senhor Visnu apareceu como Krsna, o filho de Vasudeva e
Deváki.
Com o auxílio dos devas encarnados, Krsna foi aos poucos
aniquilando as forças dos dãnavas. Isto envolveu muitos
estratagemas complexos, um dos quais, a batalha fratricida
entre os Pãndavas e os filhos de Dhrtarãstra, é o tema
principal do Mahãbhãrata. Nesta batalha, a guerra celestial
entre os devas e os asuras foi reencenada na Terra e, por
arranjo de Krsna, as forças dos asuras foram enfim
derrotadas.
Esta história complexa nos remete a diversas questões. Em
primeiro lugar, muito se tem escrito hoje em dia a respeito
de seres de outros planetas que reencarnam em corpos
humanos como "Peregrinos" com o objetivo de levar a cabo
algum propósito superior. Também se fala de "Intrusos", ou
almas que se apossam de corpos já existentes cujas almas
originais são desalojadas. Estes conceitos são semelhantes à
idéia apresentada no Mahãbhãrata, segundo a qual os devas e
asuras poderiam nascer na Terra para cumprir missões
específicas.
Para entender esta idéia, é necessário ter um entendimento
preliminar acerca da alma, do corpo sutil e do processo de
reencarnação. Curiosamente, estes assuntos, por mim
abordados no próximo capítulo, vêm à tona repetidas vezes
em casos de contato imediato com óvnis.
Outro detalhe: as invasões da Terra por forças hostis
costumam proporcionar uma excelente oportunidade para a
introdução de profundos ensinamentos éticos e espirituais
na sociedade humana. Assim, a invasão de Rãvana resultou
no advento do Senhor Rãmacandra, que ensinou a vida de
um rei ideal. De forma semelhante, a invasão do
Mahãbhãrata culminou em Krsna falando o Bbagavad-gitã.
Uma pergunta interessante é: "Será que algo semelhante
ocorrerá como resultado da situação de hoje?"

10
Energias grosseiras e sutis

Em agosto de 1975, um homem de 48 anos de idade se
submetia a uma cirurgia de coração exposto. Meia hora após
lhe tirarem o desvio cardiopulmonar, ele sofreu uma parada
cardíaca e foi preciso revivê-lo com uma injeção de
epinefrina no coração e dois tratamentos de choque elétrico.
Ao acordar, ele se recordou da seguinte experiência:

Eu atravessava uma ponte de madeira por sobre um belo
riacho de água cristalina e, do outro lado, vi Jesus Cristo
trajando um manto branquíssimo. Ele tinha cabelos negros e
barba curta e muito negra. Seus dentes eram extremamente
brancos e seus olhos, azuis, muito azuis. (...) Era diferente de
quaisquer imagens que eu já vira. (...) Concentrei-me no
manto branco e na possibilidade de provar a mim mesmo
que de fato se tratava do Cristo. (...) Enquanto ali estive, o
conhecimento, o conhecimento universal, descortinou-se
para mim e eu desejei assimilar tudo aquilo para que, quando
me fosse possível, eu pudesse mostrar às pessoas o que havia
de fato ao redor delas. Só que não consegui trazer nada
daquilo de volta comigo.
Este é um exemplo típico de experiência extracorporal, ou
EEC. Em semelhante experiência, a pessoa tem a impressão
de estar deixando seu corpo físico mas, ao mesmo tempo,
continua a ver, ouvir e pensar como um ser consciente. Por
serem ocorrências comuns entre pessoas em condição física
quase fatal, as experiências extracorporais também são
chamadas de experiências de quase-morte, ou EQMs. Com o
recente desenvolvimento de técnicas de reavivamento de
pessoas que estão perto de morrer, tem aumentado bastante
o número de relatos sobre semelhantes experiências, acerca
das quais médicos, psicólogos e pesquisadores de fenômenos
metapsíquicos têm escrito uma série de livros.
Embora para um observador externo seja difícil distinguir
EECs de sonhos, quem as experimenta tende a julgá-las reais
porque as mesmas, além de serem muito vívidas, acarretam
um impacto psicológico profundo. Isto se aplica à EEC
supramencionada, toda ela ocorrida numa espécie de mundo
onírico. Em muitos casos de EEC, contudo, a pessoa vê seu
próprio corpo inconsciente a distância. Em alguns destes
casos, pacientes dados como inconscientes em decorrência
de uma parada cardíaca foram capazes de descrever com
precisão os procedimentos médicos usados para reanimá-los.
Eis o resumo do cardiologista Michael Sabom da descrição
do revivescimento pós-ataque-cardíaco de um paciente,
conforme este o presenciou durante uma EEC:

Sua descrição é de extrema precisão ao retratar a ocorrência,
tanto da técnica de ressuscitamento cardiopulmonar quanto
da seqüência em si do emprego desta técnica — i.e., choque
no peito, massagem cardíaca externa, inserção de conduto
de ventilação, administração de medicamentos e
desfibrilação.

Sabom disse ter tido oportunidade de conhecer este homem
muito bem, podendo constatar que ele não tinha mais que
os conhecimentos de um leigo em medicina. Segundo
também frisou o paciente de Sabom, antes daquela
experiência, ele jamais assistira a documentários de tevê
sobre casos de ressuscitamento cardíaco. Em sua EEC, ele
presenciara detalhes vívidos dos procedimentos de
ressuscitamento, muito embora seu coração não estivesse
funcionando naquele momento e seu cérebro estivesse
desoxigenado. Se a experiência não passou de um sonho,
como, então, o homem foi capaz de adquirir o
conhecimento preciso dos detalhados procedimentos
médicos contidos naquele sonho?

EECs e óvnis

Tem havido bastante controvérsia quanto a como interpretar
as experiências extracorporais — uns favorecem teorias
baseadas em sonhos ou alucinações, outros advogam
explicações paranormais. Em geral não incluem o assunto
ufolõgico nestas discussões. No entanto, segundo
constatações recentes, estariam sucedendo experiências
extracorporais durante contatos com óvnis. Muitas
testemunhas relatam ter experimentado viagens
extracorporais durante raptos por óvnis, e outras relatam ter
experimentado EECs espontâneas após seus contatos com
óvnis. Isto acarreta toda uma nova controvérsia acerca das
experiências extracorporais — controvérsia inevitavelmente
vinculada ao corpo de observações e teorias desenvolvido
em torno do fenômeno ufológico.
Segundo uma dessas teorias, as experiências extracorporais
associadas a óvnis são, na verdade, percepções equivocadas
de experiências de rapto fisicamente reais. Segundo outra
teoria, na sua essência, os raptos por óvnis são ilusórios.
Ainda segundo esta teoria, as EECs também são experiências
alucinatórias geradas pela mente, talvez devido à influência
de alguma energia externa. Os raptos por óvnis e as EECs
seriam compatíveis por ambos serem de natureza ilusória
semelhante.
Segundo uma terceira teoria, os raptos por óvnis são eventos
reais, podendo acontecer em nível grosseiro ou sutil de
energia material; já as EECs são eventos reais em que a
mente sutil se separa do corpo físico em caráter temporário.
Num rapto por óvni, o corpo físico poderá ser levado a
bordo de um óvni e, durante esta experiência, poderá
ocorrer uma EEC ou não. Além disso, talvez alguns raptos
por óvni façam parte de EECs e, neste caso, a mente sutil
será levada a bordo de um óvni e o corpo grosseiro será
deixado para trás. Examinarei estas teorias após dar alguns
exemplos de experiências extracorporais associadas a óvnis.
Em primeiro lugar, conforme indicam certos relatos, as
EECs são eventualmente induzidas por entidades
humanóides do tipo associado aos óvnis. Exemplo disto é
uma experiência relatada por Betty Andreasson. Em julho de
1986, diz ela, enquanto lia a Bíblia deitada no sofá de seu
trailer, ela ouviu um zunido e viu um ser estranho se
aproximar.
Naquela altura, teve a experiência de ver seu próprio corpo
de um ponto de observação externo:

Vejo-me de pé e ao mesmo tempo deitada no sofá! Primeiro,
o ser havia colocado uma caixinha ou algo parecido sobre o
sofá e, então, eu me vi aparecer ali. Vejo-me de pé. (...) E
me vejo andando na direção do ser. E depois me viro na
direção do sofá e me abaixo para tocar em mim mesma e —
Ahhhh! — quando o faço, minha mão atravessa meu corpo!

Neste caso, o ser era do tipo gray padrão: "Ele tem uma
cabeça calva e bem grande, pele acinzentada, grandes olhos
castanho-escuros — olhos grandes — do tipo oblíquo,
pequenos orifícios nas narinas e uma espécie de fenda no
lugar da boca." Após assumir o estado extracorporal, Betty
passou por uma experiência estranha envolvendo visões de
esferas de cristal, a sombra transitória de uma ave gigantesca
e uma nave esférica flutuando no ar. De certa maneira, isto
faz lembrar as experiências de outros mundos que costumam
ocorrer em EECs. No entanto, os alienígenas gray estiveram
presentes durante toda a experiência.
Whitley Strieber recontou uma experiência muito
semelhante: tendo acordado por volta das 4h30 em sua casa
de campo, ele tentou induzir uma EEC usando métodos
recomendados por Robert Monroe, famoso investigador de
estados extracorporais. Ele disse ter visto a imagem de uma
comprida e ossuda mão de quatro dedos de um ser gray
apontando para uma caixa de sessenta centímetros
quadrados sobre um piso acinzentado. Então, experimentou
uma onda imprópria de desejo sexual, seguida de uma EEC.
Viu-se flutuando acima de seu corpo. Viu seu gato, que
devia estar em Nova York, e viu o rosto de um visitante gray
do lado de fora de uma das janelas. Descobriu sua capacidade
para se mover naquele estado extracorporal, e descreveu
suas aventuras ao passar por uma janela fechada e voltar por
ela. Durante tudo isto, experimentou ser um "campo
aproximadamente esférico".
Há, ainda, casos de pessoas tendo experiências
extracorporais sem nenhuma causa óbvia, entrando em
óvnis em estado extracorporal e fazendo contato com
entidades ufológicas. Betty Andreasson, por exemplo, após
voltar a se casar, desta vez com Bob Luca, relatou uma EEC
conjunta durante a qual ambos entraram num óvni ocupado
por típicos seres gray. Ali, ela encontrou descaracterizadas
formas humanas envoltas em luz e reparou também estar
naquele estado. Também viu as formas-luz descaracterizadas
se transformando em bolas de luz e então de novo em
formas-luz humanas.
Em outra experiência extracorporal com óvni, uma pessoa
chamada Emily Cronin teve a experiência de estar parada ao
lado de seu carro e, ao mesmo tempo, ver seu corpo
adormecido dentro do carro. Aqui ela reconta esta
experiência sob hipnose:

Emily: Não no carro. Mas estou no carro. Isto é absurdo.
McCall: Não se preocupe com isto. Só me diga o que está
acontecendo.
Emily: Isto é absurdo! Não dá para fazer isto!
McCall: Não dá para fazer isto?
Emily: Você não pode estar no carro e fora do carro ao
mesmo tempo. Isto é absurdo! Mas eu estou?

Depois disso, ela viu uma grande "bolha" brilhante pairando
acima de algumas árvores à margem da estrada. Além de ter
se comunicado por telepatia com inteligências invisíveis
associadas àquele objeto, ela se deu conta de que toda
manifestação de vida é uma coisa só e as inteligências não
eram, na verdade, alienígenas.
No caso de Judy Doraty analisado no Capítulo 9 (páginas
387-89), a testemunha, Judy, experimentou estar parada ao
lado de seu carro e, ao mesmo tempo, entrar num óvni e
observar os acontecimentos dentro dele. Neste caso, Judy e
outras testemunhas já tinham visto o óvni, a partir do ponto
de vista normal de seus respectivos corpos físicos. Dentro
do óvni, Judy alega ter presenciado entidades humanóides
esquartejando um bezerro vivo para em seguida lançar seu
corpo ao solo fazendo uso de uma haste de luz. A cena
dentro do óvni, conforme isto parece sugerir, teve realidade
física, e Judy a estava vendo assim como as pessoas às vezes
observam seus próprios corpos em EECs.
Em geral, pessoas em sua condição corpórea normal não
conseguem perceber alguém que esteja presente perto delas
em estado extracorporal. Segundo Judy relatou, no entanto,
as entidades vistas por ela no óvni estavam cônscias da
presença dela, tendo-se comunicado com ela por telepatia.

Os seres de manto branco

Sob hipnose, Betty Andreasson se lembrou de, ainda
adolescente, ter sido levada a bordo de uma nave alienígena,
que adentrou um corpo d'água e foi até um complexo
subterrâneo. Até esta altura, ela parecia estar viajando em
seu corpo físico, pois a viagem parecia envolver grandes
forças de m/s2 do tipo produzido por aceleração comum. No
complexo subterrâneo, seres gray lhe disseram que ela seria
levada para casa para ver o Uno. Eis a experiência
desenrolada em seguida, conforme revivida através da
regressão hipnótica:

Betty: Chegamos a uma parede de vidro e a uma porta
grande, grande, grande, grande, grande. Ela é feita de vidro.
Fred Max: Tem dobradiças?
Betty: Não. Ela é tão grande e há... não consigo explicar. É
como se fosse porta depois de porta depois de porta depois
de porta. Ele pára ali e manda que eu pare também. Eu paro.
Ele diz: "Agora você entrará pela porta para ver o Uno."
Estou ali parada e saindo de mim mesma! Há duas de mim!
Há duas de mim ali! (...) a outra parece minha gêmea.

Assim após entrar em estado extracorporal, ela atravessou a
porta:

Betty: Entrei pela porta e ela é muito brilhante. Não posso
levá-lo mais à frente.
Fred Max: Por quê?
Betty: Porque... não posso fazê-lo atravessar esta porta.
Fred Max: Por que você está tão feliz?
Betty: É que, ah, não posso lhe falar sobre isto. (...) Não há
palavras para explicar. É maravilhoso. É para todos. Só não
posso explicar. Posso entender que tudo é uma coisa só.
Tudo se encaixa perfeitamente. É lindo!

Isto soa como uma descrição típica da experiência da
percepção de Brahman, estado de consciência almejado por
yogues e místicos no mundo inteiro. Na tradição védica,
existem diversas escolas de pensamento filosófico que
abordam a natureza da percepção de Brahman. Analisarei
este assunto com certa minúcia no Capítulo 11. Por ora,
estou interessado no que aconteceu depois de concluída esta
experiência.
Após deixar a porta do Uno, Betty alega ter encontrado
misteriosos seres de manto branco: "Bem, estou do lado de
fora da porta e há uma pessoa alta ali. Ele tem cabelo branco,
veste um camisão branco e gesticula para que eu me
aproxime dele. Seu camisão é cintilante, seu cabelo é
branco, e seus olhos são azuis." Em contraste com os
pequenos seres gray encontrados por ela até então, esta
pessoa parecia um humano normal.
Ao analisar este caso, Raymond Fowler assinala a
possibilidade de seres semelhantes terem sido avistados por
oficiais da marinha italiana durante uma visão de óvni nas
encostas do monte Etna em 4 de julho de 1978. Nesta
ocasião, aterrissou um disco vermelho, pulsante e
abobadado, e as testemunhas fizeram contato com "dois
seres altos de manto branco e cabelos dourados
acompanhados por três ou quatro seres mais baixos que
usavam elmos e trajes espaciais". Neste caso, os seres altos de
manto branco foram vistos por oficiais militares que,
segundo se presume, estavam em seus corpos físicos e num
estado de consciência tido como normal.
Em EECs sem vinculação a óvnis, são freqüentes as
referências a seres trajando mantos brancos. Um exemplo
disto seria a EEC do cardiopata mencionada no início deste
capítulo. É significativo que, apesar de esta testemunha ter
encarado o ser de manto branco como sendo o Cristo, ele
tenha mesmo assim observado: "Ele parecia diferente de
quaisquer imagens que eu já vira." Ele nutria, é claro, certas
dúvidas quanto a esta identificação. Também é interessante
o fato de o encontro do homem com aquele ser ter sido
acompanhado, tal como no caso de Betty Andreasson, por
uma experiência mística envolvendo insinuações de
conhecimento universal.
Temos aqui, portanto, três casos descrevendo seres com
mantos brancos. Num deles, alguém parece ter sofrido um
rapto por óvni em nível físico, para em seguida ter uma EEC
acompanhada de experiência mística e por fim se encontrar
com um ser deste tipo. Em outro caso, estes seres foram
vistos junto de um óvni por oficiais militares que
caminhavam em estado aparentemente normal. Em outro
caso ainda, um ser deste tipo foi encontrado numa EEC
desvinculada de óvnis e ocorrida durante uma emergência
médica.
Jenny Randles analisa um caso, talvez relacionado aos acima
citados, no qual uma EEC ocorrida por indução médica
resultou num encontro com um ser alto de cabelos brancos
surgido de um óvni. Esta experiência lhe foi relatada por
Robert Harland, mágico profissional e, infelizmente, falso
médium confesso. Segundo Harland contou a Randles, em
1964 ele precisou ir ao dentista para se submeter a uma
delicada cirurgia oral. Ao lhe ser administrado um gás
anestético, ele teve uma EEC. De uma perspectiva
extracorporal, viu o dentista lhe martelar o joelho, fato mais
tarde confirmado por este.
Até aqui, esta foi uma EEC típica da categoria associada a
traumas físicos. Mas depois Harland viu um ser alto com
longos cabelos brancos surgir através do teto e lhe explicar
por telepatia que eles precisavam sair juntos. Ambos
atravessaram o telhado e flutuaram para dentro de um óvni.
Então, levaram-no para conhecer a nave, explicaram-lhe
como ela funcionava e o incumbiram de transmitir uma
mensagem sobre um holocausto terrível durante o qual a
crosta da Terra se fenderia. Em seguida lhe disseram que ele
teria de lutar para conseguir voltar a seu corpo. De fato,
umas criaturinhas feias tentaram lhe impedir o regresso, mas
ele logrou voltar mesmo assim — ao despertar, viu o
dentista, preocupadíssimo, tentando o reanimar com golpes
no peito. Ele quase morreu na cadeira.
Embora sempre se possa supor que os seres vistos nestes
quatro casos não passavam de sonhos ou alucinações, isto
suscita a pergunte de por que pessoas, em situações
independentes umas das outras, teriam sonhos tão
semelhantes. Se deixamos a hipótese do sonho em segundo
plano e consideramos a possibilidade de os seres existirem
de fato, então a pergunta é: estes seres atuam em corpos
físicos grosseiros ou em corpos feitos de algum tipo de
energia sutil? As observações dos oficiais da marinha italiana
sugeririam aqueles, enquanto as histórias do cardiopata e do
Sr. Harland sugeririam estes.


Forma física ou forma sutil?

Uma possível interpretação para estes dados desnorteantes
seria aquela segundo a qual todos os raptos por óvnis são de
natureza estritamente física. Nesta hipótese, as EECs são
rejeitadas por serem tidas como uma idéia equivocada. Esta
é a abordagem de David Jacobs, professor adjunto de
história da Universidade de Temple, na Filadélfia, e ativo
investigador de raptos por óvnis. Jacobs escreve o seguinte a
respeito das percepções dos raptados.

Parte destas memórias e sonhos anômalos seria fruto da
noção inconsciente que os raptados têm da ocorrência de
suas Experiências Extracorporais. E comum a sensação,
entre os raptados, de ter deixado o corpo de alguma forma,
em geral na cama durante a noite. (...) Alguns raptados
inconscientes alegam ter, não apenas Experiências
Extracorporais, como também experimentado Viagens
Astrais. Eles sabem que, de alguma forma misteriosa,
experimentaram um estranho fenômeno de deslocamento.
(...) A única maneira pela qual logram conciliar o que lhes
sucedeu é por intermédio da única explicação disponível —
a viagem astral, por mais mal definida que esta seja.

De acordo com a idéia de Jacobs, os raptos por entidades
ufológicas acontecem de fato, mas as experiências
extracorporais constituem um conceito errôneo do estilo
"nova era" adotado por raptados "inconscientes". Os rap-
tados, sustenta ele, em geral abandonam suas idéias falsas
sobre EECs tão logo se inteirem do que em verdade lhes
aconteceu. Logo, "o conhecimento dos raptos acaba lhes
proporcionando as respostas que eles procuravam, e a
maioria deles se desvencilha de suas anteriores estruturas de
crença, que jamais foram de todo satisfatórias".
Esta interpretação parece insatisfatória por anuviar a
distinção entre (1) experiências de rapto no corpo físico
durante as quais ocorre uma EEC e (2) experiências de rapto
ocorridas em pleno estado extracorporal e acompanhadas
por lembranças do corpo grosseiro sendo visto deixado para
trás.
O mesmo pode ser dito da interpretação segundo a qual
todas as experiências de rapto são de todo psíquicas ou
mentais. Jenny Randles, por exemplo, utiliza relatos como o
de Robert Harland para argumentar que os raptos por óvnis
são experiências induzidas, apenas em nível mental, em
indivíduos dotados de susceptibilidade psíquica e
criatividade visual, por alienígenas que "têm se aproveitado
do poder da consciência para atravessar os abismos de
espaço e buscar novas formas de vida".
Esta interpretação também anuvia a distinção entre os
pontos (1) e (2). Se todas as experiências de rapto ocorrem
inteiramente na mente, por que será, então, que algumas
parecem, segundo as testemunhas, ocorrer no nível de
experiência corpórea, enquanto outras, como a de Harland
ou a de Emily Cronin, ocorrem em estado extracorporal?


Efeitos físicos posteriores aos raptos por óvnis

Outra evidente objeção à teoria do tudo-mental é o fato de
cicatrizes e doenças infecciosas terem sido associadas aos
raptos por óvnis. Budd Hopkins é famoso por alegar que às
vezes os raptados trazem cicatrizes, que eles atribuem direta
ou indiretamente a contatos com óvnis. Um exemplo disto é
Virgínia Horton, cujo contato com uma corça ilusório já foi
mencionado aqui (páginas 290-91). Ela também falou de um
corte profundo com sangramento profuso, mas indolor,
contraído aos seis anos de idade. Em suas recordações
conscientes, o corte era memorável porque na época ela não
conseguia explicar a origem dele à seus familiares. Sob
hipnose, ela revelou um elaborado cenário de rapto
protagonizado por alienígenas da típica variedade gray que a
levaram para dentro de um recinto circular iluminado por
uma difusa luz cinzenta perolada e fizeram o corte com
alguma espécie de máquina. Conforme lhe explicaram,
"precisamos de um pedacinho mínimo de você para nosso
entendimento".
O célebre pesquisador ufológico Raymond Fowler também
descreve, sob hipnose, uma apavorante e onírica
experiência onde ele parece ter sido manipulado por seres
que não podia ver. Esta pareceria ser uma boa candidata para
uma experiência em nível apenas mental não fosse o fato de
ter ocorrido na noite anterior ao aparecimento de uma
misteriosa e inexplicada cicatriz em sua perna. Segundo
disse um dermatologista, esta cicatriz se assemelhava à
marca feita por uma biópsia de punção.
Fowler citou uma pesquisa sobre cicatrizes e outras seqüelas
médicas deixadas por contatos com óvnis, realizada pelo Dr.
Richard N. Neal, especialista em obstetrícia e ginecologia do
Beach Medicai Center, em Lawndale, Califórnia. Conforme
sustenta Neal, as cicatrizes tendem a aparecer nos corpos de
raptados de maneira coerente. Assim, "foram observadas
cicatrizes na barriga da perna (incluindo algumas bem acima
da tíbia), coxas, quadris, ombros, joelhos, coluna vertebral e
nas laterais direitas das costas e da testa". Estas cicatrizes
tendem a ser cortes bem finos e retos com cerca de cinco
ou sete centímetros de comprimento ou depressões
circulares com cerca de 0,3 a um centímetro de diâmetro e
com profundidade de no máximo 0,6 centímetro.
Também foram notadas outras espécies de marcas no corpo,
tais como erupções, em geral de formato geométrico, na
parte superior do peito ou nas pernas. Notaram-se ainda
queimaduras de primeiro e segundo graus, bem como
infecções e tumores incomuns. No Capítulo 9 (páginas 390
e 395), por exemplo, há dois exemplos de mulheres
alegando graves infecções vaginais após raptos por óvnis
envolvendo exames ginecológicos.
O próprio fato de as testemunhas de rapto relatarem exames
físicos forçados sugere que suas experiências não são apenas
mentais. O Dr. Neal salienta: "Os alienígenas tiram sangue,
oócitos (óvulos) das fêmeas e espermatozóides dos machos,
além de fazerem raspagem de tecido das orelhas, olhos,
narizes, panturrilhas, coxas e quadris de suas 'cobaias'." Às
vezes são inseridos tubos pelos umbigos das mulheres —
uma operação descrita pelos captores de Betty Hill como
sendo um teste de gravidez. Segundo foi observado, esta
operação é semelhante a um procedimento de testagem
ginecológica chamado laparoscopia, desenvolvido anos
depois da experiência de rapto de Betty e Barney Hill em
setembro de 1961.
Por fim, não devemos subestimar o controvertido assunto
das sondas inseridas pelas entidades alienígenas no nariz de
suas "cobaias". Segundo afirma o Dr. Neal, "muitos raptados
descrevem uma sonda fina com uma bola minúscula em sua
extremidade sendo inserida narina adentro — em geral, no
lado direito. Eles chegam a ouvir um som de 'espremedura' à
medida que a sonda parece ir penetrando o osso desta parte
do corpo. Muitos terão hemorragia nasal logo após estes
exames". Fowler e Hopkins dão exemplos destas
ocorrências, tão comuns em relatos sobre óvnis. Até aqui,
no entanto, ninguém parece ter conseguido examinar nem
recuperar nenhuma destas sondas dos corpos das pessoas.
Seria possível postular que as pessoas imaginaram o motivo
interno para elas imaginarem semelhantes coisas não está
claro. Muitas pessoas raptadas por óvnis e que alegam ter
passado por estas experiências são dadas como normais ao
serem submetidas a testes de avaliação psicológica. Logo,
não se pode atribuir o depoimento delas à processos mentais
anormais.
Conforme ainda se poderia postular, seres atuando num
nível sutil teriam como invocar, nas mentes das pessoas,
experiências traumáticas que resultariam em sintomas
físicos. Há casos de pessoas que contraem ferimentos san-
grentos chamados estigmas, aparentemente sob a influência
de emoções religiosas intensas. Segundo também se relata,
pode-se produzir um padrão específico de pele
avermelhada, como se fosse uma cruz, por sugestão hipnó-
tica. Será que os sintomas físicos de raptos por óvnis
poderiam ser de igual maneira produzidos por alguma forma
de influência psíquica?
Em resposta a isto, pode-se dizer, alguns casos de rapto
envolvem vestígios físicos sobre objetos ou no solo que
sugerem a presença de alguma interferência real no plano
físico. Exemplos disto seriam os vestígios de solo relatados
por Budd Hopkins no caso Kathie Davis, ou as estranhas
manchas brilhantes surgidas no carro de Betty e Barney Hill
após sua experiência com o óvni. Além disso, em certos
casos de rapto, como aqueles de Travis Walton, William
Herrmann e Filiberto Cardenas, o óvni deixa a pessoa
raptada a quilômetros de distância do local do rapto.

Experiências de quase-morte (EQMs) com gafes
administrativas

Há sem dúvida uma porção de provas indicando a realidade
física da manifestação dos óvnis enquanto veículos, bem
como muitas provas sugerindo o transporte físico de pessoas
para estes mesmos veículos. No entanto, em vista do fato de
alguns raptos por óvnis parecerem envolver efetivas
experiências extracorporais, devemos ter o cuidado de levar
em conta a idéia de que efeitos físicos grosseiros podem ser
ocasionados por traumas num plano mental sutil. A título de
ilustração do que poderia suceder, consideremos o seguinte
relato de uma experiência de proximidade com a morte
ocorrida na Índia:
Em fins da década de 1940, um homem indiano chamado
Durga Jatav sofreu por diversas semanas de uma doença
diagnosticada como tifo. A certa altura, devido à continuada
frieza de seu corpo, sua família o deu como morto. Ele
ressuscitou, contudo, e contou a sua família que dez pessoas
o haviam levado para outro lugar. Após ele ter tentado
escapar, elas lhe cortaram as pernas na altura dos joelhos
para evitar outras tentativas. Em seguida, levaram-no para
um lugar onde estavam sentadas umas quarenta ou
cinqüenta pessoas. Examinando os "papéis" dele, elas
reconheceram ter pego o homem errado e mandaram seus
captores levá-lo de volta. Tendo ele lhes chamado atenção
para o fato de lhe terem cortado as pernas, mostraram-lhe
diversos pares de pernas até ele reconhecer as suas. Depois
de elas serem de alguma forma religadas ao seu corpo,
advertiram-no para que não "esticasse" os joelhos até eles se
curarem.
Após seu ressuscitamento, tanto sua irmã quanto uma
vizinha repararam profundos vincos ou fissuras na pele da
parte dianteira de seus joelhos, muito embora antes não
existissem semelhantes marcas ali. Apesar de as marcas
ainda serem visíveis em 1979, uma radiografia tirada em
1981 não acusou anormalidade alguma sob a superfície da
pele. Poderia a experiência de ter as pernas cortadas num
plano sutil ter causado aquelas marcas em suas pernas
físicas?
Ian Stevenson coligiu uma série de provas indicando que os
corpos de crianças dotadas de memória espontânea de
outras vidas trazem às vezes sinais de nascença
correspondentes a feridas contraídas durante aquelas vidas.
São cerca de duzentos casos deste tipo e em quinze deles
Stevenson logrou associar sinais de nascença a relatos
póstumos descrevendo o corpo anterior. Com relação a
estes sinais de nascença, ele faz a seguinte observação:
"Algumas marcas são apenas áreas de pigmentação mais
concentrada; em outros casos, o sinal de nascença é
tridimensional, numa área parcial ou inteiramente elevada,
rebaixada ou franzida. Examinei no mínimo duzentos casos
deste tipo e em muitos deles pelo menos eu não tive como
distinguir das marcas de feridas cicatrizadas." A questão das
cicatrizes é significativa em particular no que se refere aos
raptos por óvnis.
No caso de Durga Jatav, é possível imaginar alguma
influência psíquica injetando em seu cérebro a idéia de lhe
terem cortado as pernas, o que, por sua vez, resultou nas
fissuras em seus joelhos. No entanto, se o ferimento de uma
vida pode afetar o corpo de outra, deve haver, então, o
envolvimento de algo além do cérebro.
Podemos urdir uma explicação se introduzimos a idéia de
que a alma, encerrada num corpo feito de energia sutil, é
capaz de transmigrar de um corpo físico grosseiro para
outro. Neste caso, pode-se supor que o ferimento fatal em
uma vida traumatizou o corpo sutil, o que resultou em sinais
de nascença no embrião em desenvolvimento na vida
seguinte. De forma semelhante, seria possível supor que o
corpo sutil de Durga Jatav foi traumatizado num plano sutil,
o que resultou nas fissuras dos joelhos quando seu corpo
sutil foi devolvido à seu corpo grosseiro.
A ação sutil parece poder produzir uma ampla variedade de
efeitos físicos. Eis um exemplo envolvendo um homem
chamado Mangal Singh, que experimentou uma EQM aos
setenta anos de idade. Ele descreve sua experiência como
segue:

Estávamos em 1977. Eu estava deitado num catre quando
duas pessoas apareceram, ergueram-me e me levaram
embora. Ouvi um zunido, mas não consegui ver nada.
Então, deparei com um portão. Havia grama ali, e o solo
parecia estar se inclinando. Lá estava um terceiro homem,
que repreendeu os dois que haviam me trazido: "Por que
trouxeram a pessoa errada? Por que não trouxeram o
homem que mandamos vocês buscarem?" Os dois homens
saíram correndo, e o terceiro homem lhes disse: "Voltem
lá." Subitamente, vi dois caldeirões de água fervente,
embora não houvesse fogo, nem lenha nem lareira. Então, o
homem me empurrou com a mão e disse: "E melhor você
voltar correndo." Só me dei conta de como era quente a
mão dele depois daquele empurrão. Então compreendi por
que a água dos caldeirões estava fervendo. O calor vinha das
mãos dele.

Ao voltar a si, Mangal sentiu uma forte sensação de
queimadura em seu braço esquerdo. Esta área ficou com o
aspecto de um furúnculo e deixou uma marca residual após a
cicatrização. Ele não parece ter conseguido descrever a
aparência dos "homens" com os quais se encontrara.
As histórias de Durga Jatav e Mangal Singh fazem parte de
um conjunto de dezesseis relatos indianos de experiências
de proximidade com a morte, coligidos por Satwant Pasricha
e Ian Stevenson. Nestes casos, observaram eles, é típico os
mensageiros virem para levar a testemunha, em contraste
com os casos ocidentais: nestes, em geral, a testemunha
encontra outros seres apenas após o seu traslado para "outro
mundo". Conforme também repararam Pasricha e
Stevenson, suas testemunhas indianas naturalmente
identificam estes mensageiros com os yamadütas, ou agentes
de Yamarãja, o senhor dos mortos segundo o hinduísmo
tradicional.
Segundo também salientaram eles, as evidentes diferenças
culturais entre as EQMs indianas e as ocidentais não
demonstram necessariamente que estas experiências sejam
meras invenções irreais da mente. É possível que pessoas à
beira da morte sejam tratadas de forma diferente em culturas
diferentes por personalidades do plano sutil. Poderia haver
diferentes políticas para grupos de pessoas com situações
cármicas diferentes.
Segundo a literatura védica, a transmigração das almas é
regulamentada pelos yamadütas, ou servos de Yamarãja. Os
yamadütas, atuando como funcionários na hierarquia
celestial, são dotados de poderes místicos, ou siddbis, que os
capacitam a cumprir seus deveres. Pelas descrições que são
feitas, tratam-se de criaturas de disposição muito negativa e
amedrontadora. Não obstante, são incumbidos por
autoridades superiores da tarefa positiva de reformar a
consciência de almas enredadas na ilusão da matéria.
Em geral, quando os yamadütas levam uma pessoa, esta não
logra voltar para contar sua história. Contudo, certos relatos
védicos efetivamente mencionam alguns casos de pessoas
que voltaram. O Bhãgavata Purãna conta a história de
Ajãmila, um homem pecaminoso que proferiu "Nãrãyana",
um nome de Deus, ao ver os yamadütas no momento de sua
morte. Como resultado desta ação, diversos servos
refulgentes de Nãrãyana intervieram, mandando os
yamadütas não tocarem em Ajãmila. Seguiu-se um debate
entre os yamadütas e os servos de Nãrãyana acerca das leis
relativas a como se deve tratar almas prestes a partir. Por
fim, os yamadütas, dando-se por vencidos naquele debate,
saíram de cena e Ajãmila foi então ressuscitado da morte
aparente.
Há casos de contatos com óvnis envolvendo o tema
captura-por-engano das EQMs indianas. No Capítulo 9
(páginas 389-94), apresentei a história de uma mulher e seu
filho, raptados por seres estranhos e levados a bordo de um
óvni enquanto andavam de carro perto de Cimarron, Novo
México. Neste caso, a mulher e o menino foram fisicamente
arrastados por "homens" estranhos. A mulher foi submetida
a um doloroso exame físico, após o qual um "homem" alto e
autoritário apareceu em cena e, zangado, declarou que não
deviam ter trazido a mulher até ali e deviam levá-la de volta.
Como se isso não bastasse, o homem alto colocou sua mão
sobre a testa da mulher e queimou-a. Isto faz lembrar os
casos indianos de EQM, e o caso de Mangal Singh em
particular.
No entanto, a mulher desenvolveu uma séria infecção
vaginal após a experiência, aparentemente como resultado
do exame feito no óvni. Acaso isto é devido a um exame
sutil, ou teria sido provocado por um exame físico malfeito?
Outro exemplo para ilustrar o tema da captura por engano é
uma história de contato relatada por Emily Cronin. (Este
contato é diferente do mencionado antes, na página 419.)
Naquela ocasião, Emily, seu filho pequeno e sua amiga Jan
descansavam no acostamento de uma estrada chamada
Ridge Route, perto de Los Angeles. Consciente, ela se
lembrou de ter visto uma brilhante luz amarela, ouvido um
estridente zunido que parecia ter efeito paralisante e sentido
o carro tremer. Sob hipnose, ela falou de uma alta e estranha
figura de preto que olhava pela janela traseira do carro e o
sacudia. Dois outros seres semelhantes, parados perto do
primeiro, alertavam-no por telepatia que aquilo era um
equívoco e eles não deviam estar ali. Tendo Emily
conseguido mexer um de seus dedos pelo forte exercício de
sua vontade, o ruído parou, a luz e as criaturas sumiram e
tudo voltou ao normal. Neste caso, a forma como a
experiência terminou sugere ter a mesma ocorrido num
plano sutil.

Ovnis e a reciclagem de almas

É natural as EECs ocidentais ocorridas durante emergências
médicas serem relacionadas à morte, e quem as experimenta
costuma vinculá-las ao destino da alma na vida seguinte. Na
índia, é claro, estas experiências são associadas ao processo
de transmigração, mediante o qual a alma, boiando no corpo
sutil, é transferida para uma situação nova à hora da morte.
Levando-se em conta todos os paralelos existentes entre as
EECs e os raptos por óvnis, será que certas entidades
ufológicas estariam envolvidas com a transmigração da
alma? Aliás, a literatura sobre óvnis analisa idéias
relacionadas a este assunto.
Segundo Whitley Strieber, por exemplo, seus visitantes lhe
disseram: "Nós reciclamos almas." As experiências de
Strieber sendo visitado o inspiraram com a seguinte idéia
genérica: "Será possível que, além de a alma ser real, o fluxo
de almas entre a vida e a morte seja um processo gerido pela
consciência e norteado por iniciativas artísticas e
tecnológicas?" Esta idéia é de todo védica, tanto quanto o é
o conseqüente fato de nossas ações serem observadas e
julgadas por seres que controlam nosso destino após a
morte. Avaliando atitudes modernas, Strieber salienta: "Por
termos nos enredado na ilusão de ignorar a realidade da
alma, imaginamos que tudo quanto fazemos seja alguma
espécie de segredo", e arremata indagando: "Quem nos está
observando?"
A história a seguir oferece alguma pista sobre como estas
idéias ocorreram a Strieber. Conforme relatou ele, seus
visitantes, invisíveis, dirigiram-lhe a palavra, alertando-o
repetidas vezes para que não comesse doces. Após diversas
semanas recebendo estas advertências, ele perguntou por
que não devia comer doces, e eles lhe responderam: "Você
verá."
Seis dias mais tarde, um conhecido lhe informou a respeito
de uma mulher na Austrália que estava morrendo de
diabete. Durante a noite anterior, a mulher vira sete
homenzinhos "parecidos com cogumelos chineses"
surgirem do teto acima da cama dela. Eles ergueram a
mulher doente na direção do teto, mas, como ela
protestasse, colocaram-na no solo. Então, veio-lhe uma
visão: ela estava sentada num parque a vestir um delicado
manto azul e a observar o sol se pôr enquanto um desolado
vento soprava — todos símbolos da morte. Após esta
experiência, a mulher definhou rapidamente. Segundo
contaram a Strieber, é provável que a mulher, sendo
bastante conservadora, não desse a mínima importância a
assuntos como óvnis e visitantes humanóides.
Strieber tomou esta inesperada história da Austrália como
uma resposta gráfica a sua pergunta a respeito de por que
não comer doces. A história envolvia seres semelhantes à
seus visitantes; envolvia a diabete, um distúrbio ligado ao
metabolismo do açúcar no corpo; e foi contada por um
conhecido do outro lado do mundo logo depois de ele ter
feito a pergunta. Como o contato da mulher com os seres
envolvia insinuações simbólicas da morte dela, seus
visitantes, concluiu ele, talvez tivessem certa ligação com o
que acontece às pessoas após a morte.
É difícil determinar a relação entre os visitantes de Strieber
e os yamadütas védicos. Segundo indicam certas diferenças
entre estes dois grupos, eles representam papéis diferentes;
por outro lado, conforme sugerem certas semelhanças,
talvez eles estejam intimamente relacionados entre si. De
acordo com uma diferença, por exemplo, é normal os
yamadütas só atuarem no plano sutil, ao passo que,
conforme sustentou Strieber, ele levou seu gato consigo ao
ser raptado em certa ocasião — um indício de que sua
viagem se deu no plano físico. Não obstante, também
existem semelhanças. Por exemplo: os yamadütas têm
aparência estranha e amedrontadora, emanam um humor de
forte negatividade, podem viajar no invisível e atravessar
paredes e podem induzir humanos a terem EECs.
Observações semelhantes podem ser feitas a respeito dos
seres responsáveis pelos diversos raptos de Betty
Andreasson mas, no caso dela, há complicações adicionais.
Durante um rapto por óvni, por exemplo, ela passou por
uma experiência mística clássica, após o que viu seres de
manto branco semelhantes àqueles associados às percepções
místicas em EQMs ocidentais. Para termos um
entendimento maior do que acontece neste caso, vamos
precisar de muito mais informação. Estamos conhecendo,
suspeito eu, alguns vestígios de um complexo sistema de
controle universal envolvendo muitos tipos de seres
inteligentes.

Reciclagem de almas e o governo

Não representa surpresa alguma o fato de referências à alma,
a EECs e à reencarnação virem à tona no registro sobre os
óvnis e o governo americano. Além disso, parte deste
material mostra vínculos com o testemunho de Strieber. Eis
a história:
Nos sonhos ou visões descritos por Strieber, seus visitantes
viviam num estranho cenário deserto, com prédios antigos
construídos em penhascos, sob um céu de cor castanha
amarelada. Já de acordo com Linda Howe, um oficial do
serviço secreto da Força Aérea chamado Richard Doty
informou- a em 1983 acerca de EBEs — Entidades
Biológicas Extraterrestres — que estariam em contato com o
governo americano. Supostamente, estas EBEs vêm de um
planeta deserto onde vivem em prédios parecidos com
aqueles dos índios pueblos. Segundo consta, uma delas teria
informado a um coronel da Força Aérea que "nossas almas
se reciclam, que a reencarnação é real. Trata-se do
mecanismo do universo".
Isto estabelece um elo entre os visitantes de Strieber, os
alienígenas com traços bem físicos mencionados em relação
ao governo americano e a reencarnação. As semelhanças, de
tão próximas, parecem nos colocar diante de duas
alternativas. Ou Strieber escreveu seu livro incluindo
material de histórias de EBEs vinculadas ao governo, ou
estava fazendo um relato independente sobre experiências
que tendem a corroborar algumas daquelas histórias.
Há outra história que associa óvnis, EECs e o governo
americano. Ela envolve o caso de plena realidade física
ocorrido em outubro de 1973. Segundo consta, um óvni
teria se aproximado de um helicóptero do exército voando
de Columbus, Ohio, para Cleveland. Por volta das 11h02, os
membros da tripulação avistaram uma luz vermelha no
horizonte oriental que parecia estar no curso de colisão com
o helicóptero. O piloto, capitão Lawrence J. Coyne, tentou
se comunicar pelo rádio com um aeroporto próximo mas,
após uma resposta inicial, perdeu o contato. Para evitar a
colisão, ele fez o helicóptero dar um mergulho. Um objeto
metálico em forma de charuto se posicionou bem acima do
helicóptero, inundando-lhe a cabina com uma luz verde.
Após um breve intervalo, o objeto prosseguiu na direção do
oeste, mas Coyne descobriu que o helicóptero estava a mil
metros e subindo a 300 metros por minuto, muito embora
eles tivessem iniciado um mergulho a partir dos 750 metros.
Bastou o objeto partir para o rádio voltar a funcionar.
Tudo isto teve testemunhas de solo. Passando de carro por
uma estrada rural, uma família, composta por mãe e quatro
filhos adolescentes, viu o encontro entre o objeto e o
helicóptero e notou a luz verde. Além disso, Jeanne Elias,
deitada em casa assistindo ao noticiário na televisão, ouviu o
mergulho do helicóptero e escondeu a cabeça sob seu
travesseiro. Seu filho de quatorze anos acordou e viu a luz
verde, que iluminou todo o seu quarto. Conforme explicou
o famoso desmascarador de óvnis Philip Klass, o objeto era
um meteoro.
Logo após este caso, o capitão Coyne relatou ter recebido
uma chamada telefônica do "consultório do Cirurgião Geral
do Ministério do Exército", perguntando-lhe se ele tinha
tido algum sonho incomum após o incidente com o óvni.
De fato, ele relatou um sonho vívido com uma EEC.
O sargento John Healey, um dos tripulantes do helicóptero,
relatou: "De vez em quando, o Pentágono ligava para nós e
nos perguntava se aquele incidente voltara a ocorrer para
nós. E em duas das ocasiões de que me recordo, o que eles
me perguntaram foi: número um, se alguma vez eu sonhara
estar me separando de meu corpo; respondi que sim — eu
sonhara que estava morto numa cama e que meu espírito ou
algo semelhante estava flutuando, olhando para meu corpo
jazendo morto na cama. (...) E também me perguntaram se
eu alguma vez sonhara com algo de formato esférico. Isto na
certa jamais ocorrera para mim." O Pentágono, prosseguiu
ele, costumava ligar para Coyne para lhe fazer estas
perguntas, indagando acerca dos membros da tripulação, e
as pessoas do Pentágono pareciam acreditar no que ouviam.
É de estranhar que alguém no Pentágono estivesse
interessado na ligação entre óvnis e EECs.

O físico, o sutil e o que está além

Em suma, como sugerem as provas disponíveis, os raptos
por óvnis e os contatos imediatos podem ocorrer tanto em
estado corpóreo normal quanto em estado extracorporal.
Naquele estado, os sentidos sutis da testemunha funcionam
por intermédio dos órgãos sensoriais grosseiros (tais como
os olhos e os ouvidos) e, neste, a percepção se processa
diretamente através dos sentidos do corpo sutil. Também
podem ocorrer experiências envolvendo uma combinação
de fases intra e extracorporais. O caso Doraty (páginas 387-
89), por exemplo, sugere ser possível a percepção por
intermédio dos sentidos corpóreos grosseiros e dos sentidos
sutis ao mesmo tempo. Isto se denomina bilocação.
Conforme também sugerem as provas, os próprios
ocupantes dos óvnis podem operar tanto no plano físico
quanto no sutil. Além de poderem perceber a forma sutil de
um ser humano, eles podem providenciar para que um ser
humano em estado extracorporal os veja. Eles podem se
fazer manifestos no plano físico e visíveis aos olhos comuns
ou, então, tornar-se imanifestos e invisíveis. Podem, ainda,
visibilizar seus veículos e outros acessórios, quer no plano
grosseiro, quer no sutil.
O Mahãbhãrata também contém histórias indicando a
capacidade, própria de determinados tipos de seres
humanóides, de operar tanto no plano sutil quanto no plano
corpóreo grosseiro. Eis um exemplo indicando a possi-
bilidade de isto ser feito por rãksasas, uma raça negativa e
auto-centrada de humanóides.
Conta este relato que um rei chamado Kalmãsapãda certa
vez teve a insolência de insultar e golpear o sábio Sakti
porque este não quis lhe ceder passagem por uma estreita
trilha na floresta. Então Sakti, filho do famoso sábio
Vasistha, amaldiçoou o rei para ele se tornar um canibal.
Enquanto o rei e Sakti brigavam, Visvãmitra, inimigo de
Vasistha e yogue poderoso, aproximou-se de modo invisível
com o objetivo de conquistar algo para si. Após presenciar o
acontecido e avaliar a condição mental do rei, Visvãmitra
esperou até o rei regressar à capital de seu reino para então
mandar um rãksasa se aproximar dele. Pela maldição do
sábio e a ordem de Visvãmitra, o rãksasa conseguiu entrar
no reino e obsedar o rei.
Apesar de ser sobremaneira fustigado no seu íntimo pelo
rãksasa, mesmo assim o rei lograva se proteger com sua
própria força de vontade. Certo dia, um brãhmana pediu
uma refeição com carne ao rei. A princípio, o rei pareceu se
esquecer daquele pedido, mas, já tarde da noite, ao se
lembrar, pediu a um cozinheiro que preparasse a refeição
para o brãhmana, que aguardava em determinado lugar.
Como não conseguisse encontrar carne alguma, o cozi-
nheiro perguntou o que fazer ao rei. Naquele momento,
influenciado pelo rãksasa, o rei mandou o cozinheiro obter
carne humana. O cozinheiro obedeceu à ordem do rei,
usando a carne de um prisioneiro executado. Ao ver a
refeição pronta, o brãhmana se deu conta de que ela era
imprópria para comer, motivo pelo qual também
amaldiçoou o rei a se tornar um canibal. Como resultado
desta segunda maldição, o rãksasa teve como dominar o rei
por completo. Assim, movido pela loucura e por um desejo
de vingança, o rei passou a matar e devorar, primeiro Sakti e
em seguida os demais filhos de Vasistha.
Os rãksasas foram mencionados no Capítulo 6 (páginas 292-
93) com relação ao veado ilusório usado por Rãvana para
raptar Sitã, e no Capítulo 8 (páginas 336-37) com relação a
Bhima e Hidimbã, sua esposa rãksasi. Eram seres com
corpos grosseiros de constituição robusta, sendo também
conhecidos por sua mestria em poderes místicos.
Antes de conhecer Hidimbã, Bhima se empenhou numa
intensa luta corpo a corpo com Hidimbã, o irmão dela, e o
matou por estrangulamento depois de o esgotar no
confronto. Este embate aconteceu todo no plano físico.
Porém, na história do rei Kalmãsapãda, o rãksasa ordenado
por Visvãmitra conseguiu atuar no plano sutil e obsedar o
rei à maneira de um espírito malévolo tradicional.
Isto ilustra a idéia segundo a qual seres motivados sobretudo
pela hostilidade seriam capazes de atuar tanto no plano de
existência sutil quanto no grosseiro. A literatura védica
descreve, ainda, um nível completamente transcendental de
existência, sendo de igual maneira possível que seres dota-
dos da qualificação adequada atuem tanto no plano
transcendental quanto no físico. Apresentarei três relatos
ilustrativos disto, de cerca de quinhentos anos atrás. Assim
como as histórias de óvnis aqui analisadas, estas histórias
revelam uma desnorteante combinação de aparentes
fenômenos físicos e fenômenos ocorridos em outro plano
de existência.
Todos os três relatos são de natureza religiosa, pois têm a ver
com adoração e meditação espirituais. Embora haja quem
seja categórico em rejeitar a admissível evidência de
semelhante material, eu discordo desta posição. Se há a
possibilidade de os tantos e estranhos fenômenos
mencionados neste livro serem verdadeiros, não faz sentido
pensar que os fenômenos relatados em contextos religiosos
sejam todos necessariamente falsos. De fato, será formada
uma impressão desequilibrada, creio eu, se forem excluídos
eventos de natureza espiritual positiva, ao mesmo tempo em
que se dá ênfase à apresentação de eventos de caráter
negativo ou, na melhor das hipóteses, neutro.
O primeiro exemplo envolve o santo vaisnava Narottama
Dãsa Thãkura, que viveu na Índia do século XVI. Com
regularidade, Narottama meditava sobre estar vivendo no
mundo espiritual com sua siddha-deba, ou forma espiritual
aperfeiçoada. Lá, ele servia a Krsna fervendo leite para Ele e,
sob todos os aspectos, aquela era uma experiência concreta
para ele. Na filosofia vaisnava, Krsna é o Senhor Supremo e
vive no reino transcendental sob uma forma pessoal eterna.
Naquele reino, muitos atos simples de serviço funcionam
como meios para o intercâmbio de amor intenso entre
Krsna e Seus devotos.
De vez em quando, o leite derramava e, em sua meditação,
Narottama queimava as mãos tentando impedir que isto
acontecesse. Contudo, ao despertar de seu devaneio, ele
constatava estar com as mãos efetivamente queimadas de
verdade.
Pode-se comparar esta história com as duas
supramencionadas experiências de proximidade com a
morte, nas quais resultaram efeitos físicos de experiências
sutis. Conforme se poderia argumentar, em todos estes casos
os efeitos físicos foram de alguma forma impressos no corpo
por força do poder da mente, como conseqüência de
intensas experiências mentais. Do ponto de vista védico,
esta idéia é aceitável desde que entendamos que a mente do
indivíduo envolvido estivera de fato funcionando em outro
plano de existência. Porém, há algo mais neste caso do que
alguma espécie de influência psicossomática da mente sobre
o corpo. Para ilustrar este ponto, consideremos a seguinte
história.
O santo vaisnava Srinivãsa Àcãrya foi contemporâneo de
Narottama Dãsa Thãkura. Em certa ocasião, ele meditava
nos passatempos do Senhor Caitanya, que é uma encarnação
de Krsna. Srinivãsa meditava na forma de Krsna como o
Senhor Caitanya colocando uma guirlanda de flores
aromáticas ao redor de Seu pescoço e abanando-O com um
leque de câmara:

Enquanto servia ao Senhor desta maneira, Srinivãsa não
conseguia manter sua compostura e, olhando para a forma
magnífica do Senhor, começava a manifestar sintomas de
êxtase. Isto agradou o Senhor Caitanya, que então pegou a
mesma guirlanda de flores que Srinivãsa Lhe dera e a
colocou ao redor do pescoço de Srinivãsa. Depois deste
gesto amoroso do Senhor, a meditação de Srinivãsa se
interrompeu; mas a guirlanda ainda adornava o seu próprio
peito. Sua fragrância era diferente de todas quantas ele já ex-
perimentara.

Neste caso, um objeto observado em estado de transe em
outro mundo apareceu sob forma física neste mundo. Por
certo, isto não é um efeito psicossomático; porém, seria
possível imaginar que, pelo poder paranormal da mente de
Srinivãsa, carregada como estava de intensa emoção
espiritual, a guirlanda se manifestara como um objeto físico.
Agora, contudo, volto-me para o exemplo de um ser
humano neste mundo se encontrando pela primeira vez
com alguém de um reino superior e depois visitando aquele
reino mediante o transe meditativo para outra vez se
encontrar com a mesma pessoa.
Neste relato, um santo vaisnava chamado Duhkhi Krsnadãsa
cumpria o serviço diário de varrer uma certa área sagrada na
cidade de Vrndãvana, famoso lugar de peregrinação na
Índia. Certo dia, enquanto fazia isto, deparou com uma
tornozeleira dourada que parecia emanar uma aura
extraordinária. Impressionado pela influência que o objeto
exercia sobre sua consciência, ele o considerou muito
importante, e por isso o enterrou num local secreto.
Pouco tempo depois, uma velha senhora veio ter com ele,
perguntando-lhe pela tornozeleira e dizendo que ela
pertencia a sua nora. Por causa da influência espiritual da
tornozeleira, Duhkhi Krsnadãsa estava convencido de que
ela devia pertencer a Rãdhãrãni, a eterna consorte de Krsna.
Após uma longa conversa, a velha senhora acabou
admitindo que ele tinha razão, e revelou sua verdadeira
identidade como Lalitã-sundari, uma das criadas de
Rãdhãrãni.
Naquela altura, Duhkhi Krsnadãsa desejou ver a forma
verdadeira de sua visitante, mas ela disse que ele não seria
capaz de suportar semelhante revelação. Após se convencer
do desejo sincero de Krsnadasa, contudo, ela por fim
aquiesceu a seu pedido e revelou sua verdadeira e
incomparável beleza. Após conceder a ele diversas bênçãos
e recuperar a tornozeleira, ela desapareceu, e ele não
conseguiu descobrir para onde ela fora.
Uma das bênçãos concedidas a Duhkhi Krsnadasa foi uma
marca especial de tilaka em sua testa, além de um novo
nome, Syãmãnanda. Como Lalitã o fizera jurar sigilo a
respeito do seu encontro, Syãmãnanda teve dificuldade para
explicar a tilaka e o novo nome a seu guru, que ficou
achando que ele só fizera inventá-los. Enquanto procurava
resolver esta difícil situação, Syãmãnanda se encontrou de
novo com Lalitã-sundari. Desta vez, no entanto, ele se
encontrou com ela adentrando seu plano transcendental em
estado de meditação.
Neste caso, Duhkhi Krsnadasa se encontrou com Lalitã-
sundari neste mundo, em seu corpo físico, além de também
ter se encontrado com ela em outro mundo, que ele, sob sua
forma espiritual, visitou por meio da meditação. Deste
modo, tanto Duhkhi Krsnadasa quanto Lalitã-sundari
conseguiram atuar em diferentes planos de existência.
Também é significativo o fato de Lalitã-sundari ter sido
capaz de assumir uma forma disfarçada.
Logo, tanto nas tradições védicas antigas quanto nas
recentes há relatos de seres capazes de atuar em diferentes
planos de existência. Estes seres poderão ostentar orientação
materialista, como Visvãmitra Muni e o Rãksasa, ou poderão
demonstrar avanço espiritual. Da mesma forma, a literatura
sobre óvnis parece conter exemplos de atividade tanto no
plano sutil quanto no plano físico grosseiro.

11
Ovnis e Religião

Em capítulos anteriores, apesar de o tema religião e óvnis
ter vindo à tona numa série de ocasiões, eu o contornei
enquanto analisava outros assuntos. Neste capítulo, tentarei
confrontar este tema de maneira direta e chegar a um
quadro coerente da relação entre a religião e as revelações
associadas aos óvnis. Para começar, cumpre destacar a
existência de uma visão proeminente da realidade, notória
pela sua ausência em comunicações relacionadas a óvnis. É
esta a visão de mundo da ciência moderna.
Segundo a moderna perspectiva científica, o universo físico
constitui toda a realidade observável. Ele é composto de
matéria e energia, que se transformam de acordo com leis
que podem ser expressas em equações matemáticas. Nas
teorias da física moderna, todos os fenômenos no universo
se reduzem a estados vibracionais mutáveis de um campo
quântico universal. Uma forma tosca de visualizar isto é
imaginar ondas colidindo entre si num mar encapelado. Na
teoria do campo quântico, todos os fenômenos podem ser
considerados padrões de onda dotados de determinada
qualidade imprecisa e parcialmente definida, qualidade
conhecida como incerteza quântica.
Alguns cientistas sustentam a idéia de que o campo quântico
é consciente, tendo, inclusive, procurado identificá-lo com
a consciência unificada universal. Isto tem sido explorado,
por exemplo, nas obras de Fritjof Capra, John Hagelin e
David Bohm. No entanto, todas estas são tentativas de
modificar a visão de mundo científica, fazendo-lhe enxertos
superficiais de algumas idéias tiradas da escola filosófica
védica do Advaita Vedãnta. Na prática, os cálculos dos
físicos não fazem referência alguma à consciência. Estes
cálculos lidam estritamente com a causação material — com
interações entre diversos tipos de ondas.
Outros cientistas, apesar de encararem Deus como a base da
realidade, insistem no fato de Deus atuar exclusivamente no
nível de sustentador da causalidade física. Por vezes, esta
proposta traduz a intenção de acrescentar categorias
teológicas judaico-cristãs ã visão de mundo científica, mas,
também neste caso, os acréscimos são apenas cosméticos.
Todos os fenômenos ocorrem de acordo com as leis da
física; logo, os mesmos só podem ser entendidos com base
nestas leis, não havendo nenhuma necessidade verdadeira
de se consultar a opinião de Deus. Para os cientistas
convencionais, todos os fenômenos objetivamente
observáveis podem, em princípio, ser explicados com base
na cega causação física.
Segundo entendem os defensores desta visão, a vida é um
subproduto de processos físicos ocorridos sob circunstâncias
muito especiais, em planetas de tamanho e composição
determinados, situados a distância certa de estrelas
adequadas. Em um de tais planetas, acumula-se uma sopa de
elementos químicos orgânicos, formando um oceano
primordial. Moléculas colidem entre si, formam elos e, de
alguma forma, evoluem pouco a pouco até se transformarem
em células vivas.
Então, ocorre um processo de evolução darwiniana. Após
centenas de milhões de anos, as células, em seu processo de
evolução gradual, transformam-se em organismos
multicelulares. Alguns destes desenvolvem sentidos e
sistemas nervosos, e somente então surge o primeiro
vislumbre de consciência. Em alguns planetas, a evolução
poderá enfim produzir criaturas, tais como os seres
humanos, capazes de pensamento introspectivo e
consciente.
No entanto, esta consciência é um mero subproduto de
interações físicas de matéria ocorridas no cérebro. Tão logo
o cérebro seja destruído, ou comece a ter graves lapsos de
funcionamento, a consciência se apaga. Nada sobrevive à
morte do corpo senão o próprio corpo, e este é um mero
conjunto de moléculas que acabam se decompondo e talvez
se incorporando a outros corpos.
Segundo esta filosofia, a humanidade é a única forma de vida
tecnicamente avançada a ter evoluído neste sistema solar.
Contudo, por haver a possibilidade de ter surgido vida
inteligente em outros planetas do universo, foi desenvolvido
o programa chamado Busca de Inteligência Extraterrestre
(SETI) para serem ouvidos sinais de rádio de civilizações
extraterrestres.
Muitos cientistas duvidam que outros seres inteligentes
tenham sido capazes de superar os obstáculos ao vôo
interestelar. Mas se existem de fato seres não-humanos
operando naves aéreas na atmosfera da Terra, então, se-
gundo as idéias científicas convencionais, estes seres devem
ter vindo de estrelas distantes mediante tecnologia
avançada. Não há outra possibilidade.

Ãtmã, Brahman e a evolução da consciência

Sem dúvida, esta filosofia científica materialista é aceita por
muitas pessoas hoje em dia. Se ela é verdadeira, os ufonautas
devem ser supercientistas cósmicos, sendo de se esperar que
façam e digam coisas incompreensíveis para nós. Não seria
de se esperar, contudo, que eles fizessem declarações
compreensíveis e em clara contradição com princípios
científicos fundamentais. Todavia, segundo relatos, é
exatamente isto que eles estão fazendo.
Em muitos contatos com óvnis, os ufonautas aparecem
como taciturnos. Entretanto, há outros contatos nos quais,
segundo se diz, eles transmitem elaborados discursos
filosóficos. É freqüente isto acontecer em casos envolvendo
contato amistoso. Também ocorre como uma das fases de
alguns raptos por óvnis, inclusive aqueles que, sob outros
aspectos, são assustadores e traumáticos. A filosofia
apresentada pelas entidades, além da notória tendência em
seguir um padrão coerente, contradiz radicalmente a ciência
moderna. Esta filosofia pode ser resumida como segue:
Existe vida em todo o universo, e isto inclui um vasto
número de seres que são muito semelhantes a nós em forma
e comportamento. Podemos chamar estes seres de
humanóides. Eles são conscientes e têm emoções reconhe-
cíveis por humanos. Em geral, também são dotados de
faculdades psíquicas bastante desenvolvidas.
Estes seres, tanto como nós, são almas que habitam corpos
materiais. Sendo almas, transmigram de um corpo físico
para outro. Existe um processo de evolução cósmica da
consciência, mediante o qual as almas progridem pouco a
pouco em seu desenvolvimento espiritual, passando por
experiências numa sucessão de corpos materiais.
O avanço espiritual acarreta o desenvolvimento do amor e
da compaixão por todos os seres, acarretando, também, o
desenvolvimento de conhecimento, inteligência e poderes
psíquicos. Seres em altos níveis de avanço espiritual
trabalham juntos e cooperativamente num sistema
organizado de governo universal. Em contraste, a maioria
dos humanos da Terra são tidos como bárbaros rudes e
retardados em termos de desenvolvimento espiritual.
Afora o corpo grosseiro feito de elementos materiais
conhecidos, existe um corpo sutil feito de energias mais
refinadas e desconhecidas da ciência moderna. Há, ainda,
diferentes planos de existência, o que podem ser consi-
derados como realidades paralelas ou supradimensionais.
Estes planos são habitados por humanóides, alguns dos quais
são capazes de viajar de um plano para outro. Alguns destes
seres também podem exercer controle sobre os corpos
grosseiros e sutis de seres humanos e fazer com que estes se
movimentem e se transformem de maneiras extraordinárias.
(Por exemplo: eles podem fazer um corpo humano
atravessar uma parede sólida.)
As formas de vida passaram a existir no universo por
intermédio de um processo de criação. Apesar de este
processo não ser explicado com nitidez, a idéia básica é que
existe um Criador universal e natural responsável pela
geração dos seres vivos. Mesmo soando bastante implausível
do ponto de vista da teoria darwiniana da evolução, isto
explica a maneira pela qual formas parecidas à humana
podem surgir em todo o universo.
Esta filosofia é panteísta. O Criador está presente em toda
parte e atua em toda parte por intermédio da natureza.
Encarado como impessoal, o Criador é, segundo se costuma
dizer, quase incompreensível e inacessível.
No plano mais elevado, o Criador é considerado o Uno — o
ser eterno e não-dual, pleno de consciência, amor e luz. A
evolução da consciência, dizem ainda, acabará nos levando à
fase de experimentar o Uno ou de nos fundirmos a Ele.
Esta é, em resumo, a filosofia embutida, em caráter pleno ou
parcial, em muitas comunicações relacionadas a óvnis,
inclusive aquelas obtidas por canalização e aquelas recebidas
em contato direto como entidades ufológicas. Esta filosofia
muito contradiz, e de maneiras muito importantes, o
materialismo científico. Além disso, é tudo menos estranha,
já que é exposta em inúmeros textos humanos, sendo bem
conhecida para muitas pessoas.
Na Índia, esta filosofia de fusão no Absoluto impessoal
sobressai no budismo e no sistema filosófico do Advaita
Vedãnta. Embora este sistema tenha sido identificado com o
hinduísmo por muitos ocidentais, na índia, tanto o Advaita
Vedãnta quanto o budismo contrastam com a filosofia do
monoteísmo pessoal, chamada Vai.snava Vedãnta, que é
apresentada em textos védicos como o Bbãgavata Purãna.
Segundo sustenta esta filosofia, a Verdade Absoluta é pessoal
por natureza, e por isso o Uno dos advaita vedantistas é tido
como uma concepção incompleta do Ser Supremo. Falarei
mais sobre o Advaita Vedãnta e o Vaisnava Vedãnta mais
adiante neste capítulo.
Pelo menos para mim, a idéia de seres de aparência não-
humana promovendo uma filosofia semelhante ao Advaita
Vedãnta resultou inesperada e surpreendente. Não obstante,
conforme sugerem muitas provas, algumas delas constantes
em capítulos anteriores, isto está acontecendo. Passo agora a
rever algumas destas provas, além de apresentar algum
material adicional. Em seguida, farei algumas observações
sobre o que tudo isso faz subentender com respeito à
filosofia, ciência e religião.

Transmigração e planos superiores

Segundo mencionei no Capítulo 5, Betty Andreasson, que
foi raptada por óvni, falou de seres alienígenas vivendo em
outros "planos" ou dimensões. Assim, ao lhe perguntarem se
estes seres tinham como viajar para outras estrelas, ela
respondeu que eles podiam viajar para algumas próximas à
nossa Terra e para outras além dela. Ela esclareceu este
ponto dizendo: "Além das nossas existem outras, mas elas
estão num plano diferente. Encontram-se num espaço mais
pesado." Segundo também salientou ela, eles podem ver o
futuro e, embora o "tempo para eles não seja como o nosso
tempo, eles conhecem nossa dimensão de tempo".
Ela relatou ter sido conduzida pelo interior de um óvni por
um ser do tipo gray que se identificou como Quazgaa. Ao
falar por telepatia das intenções de seu grupo, este ser disse:
"Motivados por grande amor, eles não podem deixar o
homem prosseguir no rumo que está tomando. (...) Eles
detêm tecnologia que o homem poderia usar. (...) O meio é
o espírito — é uma pena o homem não buscar por este lado.
(...) Se o homem simplesmente estudar a própria natureza,
encontrará muitas das respostas para suas perguntas. (...) O
homem as encontrará por intermédio do espírito. O homem
não é feito só de carne e sangue."
Como Betty Andreasson é uma cristã fundamentalista, é de
se esperar que ela teça comentários sobre o "amor" e "o
espírito". No entanto, a idéia de um "plano diferente", ou de
um "espaço mais pesado", não representa papel algum no
pensamento cristão tradicional. Ou seja: também existem
outros indícios de uma fonte não-cristã para as
comunicações alienígenas de Betty.
Parece, por exemplo, que numa ocasião os visitantes
alienígenas de Betty se apoderaram de sua fala durante uma
sessão de hipnose. Naquele momento, ela disse, com
entonação mecânica: "Vocês tentam buscar nas direções
erradas. A simplicidade rodeia vocês sempre. O ar que vocês
respiram, a água que vocês bebem, o fogo que os aquece, a
terra que os cura. Simplicidade, cinzas — ninguém faz caso
de coisas que são necessárias. Poderes internos são
subestimados. Por que pensar que vocês sabem viver?
Simplicidade."
Esta declaração se refere aos elementos ar, água, fogo e
terra. Estes elementos representam uma parte importante da
filosofia sãrikhya da Índia, da antiga filosofia grega e das
tradições herméticas medievais. Porém, como hoje em dia
os cientistas os consideram categorias obsoletas, parece
duvidoso que Betty Andreasson tenha sido instruída de
alguma outra maneira na escola ou na igreja. A experiência
de Betty da Fênix em cinzas (páginas 236-37) também
envolveu um tema que, embora fizesse parte da antiga
tradição egípcia, decerto não sobressai no cristianismo de
hoje.
A idéia da existência de outros planos ou dimensões aflorou
de maneira um tanto pungente na experiência de um artista
comercial e sua esposa, que relataram terem sido
mentalmente atraídos para um óvni por um homem alto e
calvo trajando um bizarro manto azul (páginas 394-95).
Segundo relatou o artista, ele foi submetido a um exame
típico. Durante o exame, ele teve sua mente invadida à
força, e lhe foram reveladas noções sobre dimensões supe-
riores da realidade:

É como se eles estivessem escarafunchando a minha
mente... e como se eu não tivesse nenhum controle sobre
isto. Meu cérebro — é como se houvesse um túnel
atravessando a minha mente até chegar na deles. (...) Nossas
mentes estão ligadas. Parece um tubo, talvez seja luz? E uma
luz cinza, uma luz marrom-acinzentada, cinza-acastanhada.
Parece que tudo foi tirado da minha cabeça. (...) Há um som
terrível, mas não sei distinguir o que seja — só sei que é
penetrante, agudíssimo. (...) E vem da minha cabeça! Minha
cabeça se foi... é como se eu pudesse ver todos os meus
pensamentos, como um grude. Tudo na minha mente está
desnudado. Eu sei disso, mas eles também o sabem.

Em seguida, eles reapresentam a mesma idéia com alguns
acréscimos:

Há mais coisas ainda por conhecer. Há mais para se
conhecer sobre a vida, o mundo, tudo, enfim. Mais
dimensões, coisas coexistindo. Existem outras dimensões...
mais que três dimensões. Em toda parte, tudo funciona em
conjunto. Tudo coexiste. Há diferentes dimensões às quais
não temos acesso.

O pesquisador ufológico Don Elkins coligiu bastante
material canalizado aparentemente oriundo de entidades de
outros mundos. Este depoimento, observou ele, revela
padrões bastante coerentes, muito embora se origine de
muitos indivíduos de procedências e posições sociais muito
distintas. É comum fazerem referências à alma, à
reencarnação e a planos ou dimensões superiores. Uma
entidade canalizada conhecida como Sut-ko, por exemplo,
teria comunicado a seguinte informação:

Desde tempos imemoriais, mestres da Luz têm vindo à
Terra, encarnando de outros planetas, de outros sistemas,
inclusive de outras galáxias e dos reinos que vocês
conhecem como os reinos de existência não-física ou su-
perior; e grandes companhias de Luz encarnam, trazendo
consigo a bandeira da Verdade, do Amor e da Luz.

Esta declaração é uma referência típica a seres superiores
encarnando na Terra para ajudar a humanidade sofredora.
Elkin cita a declaração de outro contato descrevendo a
reencarnação conforme esta se aplica às pessoas na Terra:

À medida que evoluirmos para planos superiores de vida,
encarnaremos em corpos muito mais etéreos do que aqueles
ora usados por nós, assim como no passado usamos corpos
quase incrivelmente mais grosseiros e vulgares do que
aqueles que hoje consideramos nossos.

Já que muitas das comunicações citadas por Elkins contêm
afirmações desvairadas e dúbias, não é possível provar que
alguma delas tenha de fato se originado de seres de outros
mundos. Porém, dada a surpreendente coerência temática
destas comunicações, não creio ser fácil explicar a mesma
em termos comuns. Elkins diz: "Pelo fato de eu ter
observado mais de cem pessoas passarem por este processo
[de canalização] e de ter lido milhões de palavras, publicadas
e não-publicadas, de contatos, creio contar agora com
elementos para selecionar material bastante correlato deste
grande volume de comunicações." Fica parecendo que o
inconsciente típico americano nutre idéias de reencarnação
e mundos etéreos ou "alguém" está tentando transmitir
mensagens paranormais sobre estes temas.
Voltando-nos para um caso de contato face a face, um
pastor batista do sul de Porto Rico alegou ter tido muitos
encontros com humanóides do planeta Koshnak, na direção
da constelação de Orion. Estes seres tinham aparência muito
semelhante à das conhecidas entidades gray. Tinham rostos
inexpressivos e em forma de melão, com lábios finos,
narinas e ouvidos pouco desenvolvidos e grandes olhos
"transpassados" e sem pupilas. Eram olhos verdes com raios
cintilantes, tidos como intensos e interessantes.
Contudo, ao contrário dos contatos típicos com grays, este
foi um caso clássico de contato. Os seres trataram o homem
de maneira bem amistosa. Um deles, que se chamava
Ohneshto, levou-o para passear em um de seus veículos,
mostrou bases submarinas na Terra e, por telepatia,
apresentou prolongados discursos filosóficos sobre o tempo,
o espaço e os motivos da existência humana. Incluíam-se aí
referências a dimensões superiores:

Conforme disse ele, eles viajam nas sétima e oitava
dimensões, desconhecidas dos humanos da Terra, estando
cientes de 13 dimensões de ser. Ohneshto salientou
referências em nossa Bíblia relativas a óvnis. A duração
normal de vida deles, disse ele, é de cerca de oitocentos a
mil de nossos anos. (...) Segundo explicou ainda, eles
podiam dar continuidade à vida para sempre com apenas
uma célula do corpo. O eixo da Terra, disse Ohneshto, já
mudou quatro vezes, segundo o que eles puderam
investigar, e inclina-se aproximadamente a cada 20 ou 25
séculos.
Este caso se assemelha de muitas maneiras ao caso de
Filiberto Cardenas analisado no Capítulo 5 (páginas 207-09).
Também neste caso, as entidades contactantes falavam de
outras dimensões. Segundo afirmou Cardenas, durante uma
visita voluntária a uma das suas naves, eles lhe disseram que
"são seres de outras dimensões, de outros mundos, mas que
não são deuses, e não pretendem ser considerados como
tais".

Panteísmo e impersonalismo

Em uma série de relatos sobre comunicações relacionadas a
óvnis, faz-se menção direta de alguma idéia sobre Deus. Que
eu saiba, praticamente todas elas apresentam uma
concepção panteísta ou impessoal do Supremo. As con-
cepções impessoais descrevem o Supremo como uma força,
energia ou estado último do ser que, mesmo sendo a fonte
de todos os fenômenos, é desprovido de todos os atributos
pessoais. Nesta categoria está incluída a concepção panteísta
do Supremo, que identifica Deus com o universo. É possível
contrastar estas idéias impessoais com a idéia de que Deus
possui características pessoais absolutas, bem como diversas
energias e aspectos pessoais.
A menção de alguma concepção de Deus em comunicações
de óvnis é compatível com o fato de muitas destas
comunicações enfatizarem a espiritualidade. As idéias
teológicas, todas em natural harmonia com a idéia segundo a
qual os seres humanos têm uma dimensão espiritual, são
incompatíveis, portanto, com visões de vida estritamente
mecanicistas.
Ao mesmo tempo, concepções de Deus estritamente
impessoais são incompatíveis com a devoção a um Ser
Supremo pessoal. Embora bem poucas comunicações
relacionadas a óvnis tendam a denegrir a concepção pessoal
do Supremo, outras o fazem ao alegarem que os humanos da
Terra costumavam por equívoco adorar visitantes
extraterrestres como Deus ou como deuses. A implicação —
às vezes detalhada de maneira explícita — é que as idéias
antropomórficas acerca da Divindade surgiram a partir dos
contatos extraterrestres com seres humanóides. Segundo
outra evidente possibilidade, todos os seres parecidos aos
humanos dentro do universo teriam tido a forma deles
derivada de um original Criador de forma semelhante à
humana, de modo que a forma humana é, na verdade,
"deomórfica".
Segundo se relata em alguns casos, as entidades humanóides
tecem breves comentários teológicos no decorrer de
contatos imediatos aparentemente acidentais. Um homem
de 25 anos de idade, por exemplo, relatou seu contato com
seres estranhos em julho de 1968 no Grodner Pass nos alpes
dolomíticos italianos. Ele disse ter se encontrado com seres
altos e magros com cabeças abobadadas e belos olhos
orientais. Os seres, que estavam acompanhados por um
pequeno robô, disseram-lhe por telepatia: "Vimos de um
planeta numa galáxia distante" e "Tudo é Deus". Também
advertiram quanto a uma vindoura alteração de eixo, quando
a crosta da Terra rachará e a vida estará em grande perigo.
Outra revelação teológica foi transmitida a Cynthia
Appleton, 27 anos, mãe de dois filhos e morando em Aston,
Birmingham, Inglaterra. Às 15h do dia 18 de novembro de
1957, ela foi ver se estava tudo bem com sua filhinha. De
repente, sentiu uma opressão, como aquela que antecede
uma tempestade, e viu um "homem" se materializar com um
zunido perto da lareira. Foi uma aparição a princípio
enevoada e depois nítida. Ele era alto e bonito, trajando uma
veste justa de matéria parecida com o plástico encimada por
uma gola de estilo "elisabetano". Ele respondeu às perguntas
dela por telepatia, revelando ter vindo de um mundo de paz
e harmonia a bordo de uma nave do tipo disco voador. Ele
conseguiu transmitir uma imagem mental de tudo isso de
maneira misteriosa.
Numa segunda ocasião, duas figuras semelhantes falaram
com ela num inglês de estilo estranho, informando que
eram projeções e que ela não devia tocá-las. Segundo uma
das observações feitas por elas, "a própria Divindade habita o
âmago do átomo". Segundo consta, não havia nenhum livro
na casa da Sra. Appleton, apenas jornais. As pessoas que a
entrevistaram a descreveram como uma mulher jovial,
simpática e sincera.
Embora esta afirmação sobre a Divindade pareça panteísta,
também se pode dar uma interpretação mais ampla a ela. O
Brahma-sanihitã diz que Deus habita dentro de cada átomo
(em sânscrito, paramãnu, ou a menor partícula) e que
inúmeros universos existem simultaneamente dentro de
Deus. A idéia aqui é que Deus é uma Pessoa Suprema
distinta da manifestação universal e, ao mesmo tempo,
plenamente presente dentro de cada partícula de matéria.
O médium Robert Monroe, conhecido por suas
investigações sobre viagens extracorporais, relatou ter
recebido uma comunicação negando veementemente suas
concepções de Deus até então. Isto envolveu um misterioso
feixe de radiação que parecia emanar de um ponto no céu:

De repente me senti banhado e transfixado por um feixe
luminoso poderosíssimo que parecia vir do norte, cerca de
trinta graus acima do horizonte. Vi-me de todo impotente,
sem nenhuma vontade própria, e senti como se estivesse na
presença de um poder fortíssimo, em contato pessoal com
ele.
Dotado de inteligência de uma forma além de minha
compreensão, desceu diretamente (pelo feixe luminoso?)
para a minha cabeça, e parecia estar buscando cada detalhe
de memória em minha mente. Fiquei mesmo amedrontado
porque me sentia impotente para fazer algo quanto àquela
invasão.

Jacques Vallee comparou o feixe luminoso de Monroe aos
feixes de luz constantes em obras de arte religiosa para
retratar revelações de Deus. É interessante que, durante uma
de suas aparições, o feixe luminoso transmitiu a Monroe um
conceito muito frio e impessoal de Deus. Foi algo tão
esmagador que chegou a fazer Monroe verter lágrimas de
amargura. Disse ele: "Naquele momento, fiquei sabendo,
sem nenhuma restrição ou esperança futura de alteração,
que o Deus da minha infância, das igrejas, da religião no
mundo inteiro não era quem pensávamos estar adorando."
Monroe parecia ter sempre pensado em Deus como se este
fosse uma pessoa capaz de mostrar interesse por um de Seus
adoradores. Porém, quem quer que tivesse sido responsável
pelo feixe luminoso, fez questão de desiludi-lo deste
conceito.
Como existem muitos relatos sobre feixes luminosos
sondadores de mentes e oriundos do céu, mencionarei
outro exemplo para mostrar a possível relação entre estes
feixes e os óvnis. Trata-se da história de uma mulher mo-
radora de Westchester, Nova York. Segundo a mulher
relatou para a equipe de investigadores de J. Allen Hynek,
em abril de 1983 ela foi despertada por um feixe de luz que
entrou pela janela de seu dormitório. O feixe pareceu
penetrar seu corpo e ela se sentiu paralisada. Disse ela:

Fiquei ali deitada uns dez minutos, e o tempo todo eu sentia
como se minhas entranhas estivessem sendo
esquadrinhadas, como se um médico estivesse examinando
minhas entranhas. Eu estava aterrorizada, mas não havia
nada que pudesse fazer.
Então, enquanto eu jazia ali, aquelas imagens começaram a
lampejar em minha mente... imagens de luzes emitindo toda
sorte de cores. Aí, pareceu haver alguém tentando falar
comigo. Vi a imagem de um ser com pele argilosa e uma
cabeça grande com olhos grandes. Ele não tinha cabelo nem
boca. Eu não seria prejudicada de forma alguma, ele me
assegurou, dizendo que estavam apenas me examinando.

Isto se assemelha, é claro, a muitas descrições de seres
humanóides vistos em contatos imediatos com ovnis.
Poderiam tais seres estar transmitindo doutrinas teológicas
impessoais a Monroe? Existem outros relatos compatíveis
com esta idéia.
Segundo observo no Capítulo 10, o governo americano
alega ter hospedado uma Entidade Biológica Extraterrestre,
ou EBE, segundo a qual a reencarnação é real e "se trata do
mecanismo do universo". Em 14 de outubro de 1988, um
documentário de televisão intitulado UFO Cover-up? Live
(Acobertamento de óvnis? Ao vivo) foi transmitido para
todos os Estados Unidos. Este programa apresentava o
depoimento de um suposto agente do serviço secreto
americano chamado Falcon, que fez várias declarações sobre
esta EBE e sua raça de seres. Ao lhe perguntarem se esses
alienígenas acreditam num Ser Supremo, Falcon respondeu:
"Eles têm uma religião, só que é uma religião universal.
Acreditam que o universo é um Ser Supremo."
As histórias de EBEs se associam, é claro, à complexa massa
de alegações relativas a acobertamentos de óvnis,
conspirações do governo e desinformação (páginas 137-42).
Nelas se inclui, também, a história de Jesus Cristo sendo
criado pelas EBEs. Como Cristo é adorado pelos cristãos
como um Deus pessoal, quem quer que esteja por trás das
histórias de EBEs parece ter algum interesse em solapar o
teísmo pessoal e substituí-lo pelo panteísmo.
A história associando o governo a EBEs é um dos muitos
relatos ligados a óvnis que atribuem a origem dos seres
humanos modernos à manipulação genética de humanos
primitivos por extraterrestres. Conforme salientei no
Capítulo 5 (páginas 232-37), é comum estes relatos
parecerem ser projetados para repudiar concepções pessoais
de Deus. Como a história de contato extraterrestre de
Eduard Meier é um dos exemplos mais elaborados disto,
analisarei aqui seus pontos de vista teológicos com certa
minúcia.
Segundo Semjase, a entidade feminina que fez contato com
Meier: "Acima de tudo, apenas uma entidade possui o poder
da vida e da morte sobre cada criatura. Esta é a CRIAÇÃO, e
apenas ela, que regulamenta as leis sobre tudo e todos, leis
irrefutáveis e dotadas de sua própria validade eterna."
Segundo enfatizou Semjase, não existe um Criador pessoal
— a Criação suprema é estritamente impessoal. As religiões
devotadas a um Deus antropomórfico, sustentou ela, têm
gerado um efeito prejudicial sobre o espírito humano. A
missão de Meier, disse ela ainda, é "trazer esta verdade à luz
do mundo".
A filosofia apresentada por Semjase é muito semelhante à
filosofia sãrikhya ateísta da Índia. Segundo entende esta
escola de filosofia, dois são os ingredientes básicos
formadores do universo: prakrti, ou matéria, e purusa, os
seres vivos. Prakrti funciona segundo leis inerentes, sendo
deste modo comparável à matéria e à energia como as
entende a física moderna. No entanto, nas subcategorias de
prakrti estão incluídos tipos sutis e etéreos de energia
desconhecidos dos físicos de hoje.
Os seres vivos são partículas de consciência embutidas na
matriz de prakrti. Cada ser consciente está situado dentro de
coberturas corpóreas grosseiras e sutis feitas de prakrti, e
todos estes seres transmigram de um corpo grosseiro para
outro de acordo com leis universais. Também é possível
seres vivos atuarem dentro de corpos de energia puramente
sutil. É possível comparar isto com a filosofia de Semjase,
que caracteriza almas em corpos produzidos pelas leis da
Criação.
A filosofia sãrikhya ateísta é assim denominada por negar a
existência de um supremo controlador pessoal do universo,
e sustenta que prakrti e suas leis são supremas. Em
contraste, o Bbagavad-gitã, o Bhãgavata Purãna e outras
obras védicas importantes expõem a chamada filosofia
sãrikhya teísta. No sistema teísta, tanto a prakrti quanto os
seres vivos conscientes são tidos como emanações
energéticas de uma Pessoa Suprema eterna e consciente.
Na Índia, há uma antiga controvérsia entre quantos
consideram o Ser Supremo como uma força impessoal e
quantos O encaram como uma pessoa transcendental.
Embora eu ainda não tenha podido dar a devida atenção a
este assunto, mencionarei um ponto interessante que aflora
na filosofia de Semjase.
Segundo salientou ela, as leis cósmicas que regem a Criação
não são como as leis da física, com suas forças e cargas
impessoais. Muito embora a Criação seja impessoal, suas leis
são pessoais por natureza. Portanto, disse Semjase, as
pessoas espiritualizadas de fato não oram em troca da
satisfação de suas necessidades. Elas sabem que, "por causa
do espírito todo-poderoso presente nelas, conseguirão tudo
de que precisarem e, além disso, tudo que desejarem,
contanto que tenham desejos afinados com a Lei Cósmica
do amor a todos".
Bem, amor é algo que tem a ver com pessoas. Se a lei
cósmica é impessoal por natureza, como pode, então,
basear-se no amor? Observe-se que este problema não existe
em teorias científicas modernas. Segundo a ciência mo-
derna, o amor não passa de uma recente excrescência da
evolução homínida na África, nada tendo a ver com a lei
cósmica. Porém, se a qualidade pessoal do amor está
embutida na lei cósmica, então é natural querer saber o
porquê dela existir. Ora, se existe uma Pessoa
Transcendental por trás da lei cósmica, em resposta, a
mesma lei foi entalhada de acordo com as intenções
amorosas daquela pessoa.
Em sua análise das leis da Criação, Semjase também explica
como matéria e energia são produzidas por idéias universais:
"A energia é o resultado de — uma idéia... Isto remonta à
própria criação original, tendo a primeira energia nascido de
uma idéia. Em seguida, as forças do Espírito concentram
esta idéia/energia de alta vibração e, quando a vibração
diminui, resulta a matéria." A pergunta aqui é: Se a Criação é
uma força impessoal, faz sentido dizer que ela tem idéias?
Afinal, é normal associarmos idéias a um ser consciente.
Como os pontos filosóficos levantados por Semjase não
constituem nada de novo na sociedade humana, isto nos
leva a indagar de onde Meier os teria tirado de fato. Todos
estes pontos são bem conhecidos na índia, onde, segundo se
sabe, Meier passou algum tempo. Talvez ele estivesse
simplesmente expondo, pela boca de Semjase, idéias
colhidas na índia. Ou talvez tenha mesmo recebido uma
visitante extraordinária que lhe ensinou estas coisas.
Podemos obter maiores esclarecimentos sobre este assunto
considerando outra história de contato que é um tanto
diferente daquelas analisadas até aqui. Em todas estas
histórias, a entidade contatante tem sido um ser de apa-
rência não-humana. Volto-me agora para uma história cuja
entidade consta como sendo humana.
Em novembro de 1919, Alice Anne Bailey, sentada sob a
sombra de uma árvore numa encosta da Califórnia,
descansava após ter deixado seus três filhos na escola. De
repente, ela se soergueu, sobressaltada: "Ouvi algo
semelhante a uma nota musical soando do céu, passando
pela colina até chegar a mim. Depois, ouvi uma voz a dizer:
'Há alguns livros que se deseja que sejam escritos para o
público. Você tem capacidade para escrevê-los. Você o
fará?'" Embora a princípio ela se recusasse, mais tarde se
deixou persuadir a fazê-lo. Com o passar do tempo, escreveu
uma série de grossos volumes sobre metafísica e ocultismo
que lhe foram ditados por meio de telepatia por um
personagem conhecido como "o Tibetano". Entre eles, está
incluído A treatise on cosmic fire (Um tratado sobre o fogo
cósmico), uma obra de 1.282 páginas.
A experiência de Bailey na encosta faz lembrar muitos
contatos com óvnis, nos quais alguém recebe uma
mensagem telepática precedida por um som agudo. No caso
dela, no entanto, a mensagem telepática veio, supõe-se, de
um ser humano vivendo no Tibete. (Ela também relatou ter
recebido comunicações de um adepto tibetano por
intermédio de um feixe de luz que veio parar em seu
quarto.)
Comunicações telepáticas de místicos tibetanos? Alguém
poderia se sentir tentado a rejeitar esta história de imediato
por a considerar um disparate ultrajante, além de julgar
Bailey uma tola iludida ou uma charlatã conivente. Contudo,
se é possível humanóides estranhos transmitirem
comunicações telepáticas, por que deveríamos descartar a
possibilidade de yogues humanos as transmitirem?
Como é comum acontecer, quanto menos se conhece uma
história, mais fácil é descartá-la. A autobiografia de Bailey,
que eu tive oportunidade de ler, parece retratá-la como uma
pessoa racional e honesta. Bailey parece tão confiável
quanto muitas das testemunhas mencionadas neste livro.
Logo, é bem possível que tenha escrito seus livros da
maneira por ela descrita. Devo enfatizar, é claro, que, não
estou ao dizer isto, imputando nenhuma autoridade em
particular a estes livros. Uma coisa é receber uma mensagem
por telepatia (ou por qualquer outro meio) e outra coisa é a
mensagem ser verdadeira.
Os livros de Bailey consistem em idéias tiradas do
cristianismo, do budismo, de textos védicos e de tradições
ocidentais de ocultismo, idéias organizadas por um
intelectual sofisticado. Em minha opinião, embora
representem uma síntese brilhante de idéias, demonstram
uma forte tendência a distorcer alguns de seus elementos-
fonte. Podem ser encarados como uma tentativa de
incorporar o cristianismo no budismo.
Para entendermos a possível ligação deles com o fenômeno
ufológico, consideremos os seguintes pontos dos
ensinamentos do Tibetano:

1. Ele fez previsões de grandes desastres, inclusive sérios
distúrbios no Alasca e na Califórnia. Fez menção, em
particular, a ações vulcânicas.
2. Fez previsões sobre futuros desenvolvimentos técnicos e
políticos. Disse, por exemplo, que a energia do átomo seria
aproveitada.
3. Disse que os humanos da Terra têm qualidades
deploravelmente ruins: "O egoísmo, os motivos sórdidos, a
pronta reação a impulsos malévolos pelos quais a raça
humana tem se distinguido ocasionaram um estado de coisas
sem paralelos no sistema."
4. Apresentou o Amor como sendo o "motivo propulsor
para a manifestação", tanto em nível individual quanto em
nível universal.
5. Os Mestres, disse ele, são adeptos ocultos que fazem parte
do sistema de controle planetário e que vivem por períodos
fabulosos de tempo. Apesar de serem avançadíssimos, ainda
estão evoluindo. Deplorou os cultos à personalidade
desenvolvidos em torno dos Mestres.
6. Disse que a religião devocional deve ser eliminada: "O
Mestre Jesus está... trabalhando em colaboração com certos
adeptos da linha científica, que — através da desejada união
de ciência e religião — buscam despedaçar o materialismo
do Ocidente por um lado e, por outro, a devoção
sentimental de muitos devotos de todas as fés."

Declarações como as acima são freqüentes em relatos sobre
comunicações ufológicas. São comuns as previsões de
desastres e previsões políticas também são possíveis. Os
humanóides ufológicos quase sempre salientam as
qualidades deploráveis dos seres humanos e, em certos
casos, também enfatizam a importância do amor universal.
Costumam dizer que vêm visitando a Terra há milhares de
anos e que gozam de vidas longuíssimas. Salientam, ainda, o
fato de terem sido adorados como deuses no passado, apesar
de não o serem, e de ainda estarem evoluindo rumo à
perfeição. Todos estes pontos afloram amiúde nos casos de
Eduard Meier e Filiberto Cardenas, entre outros. Em
particular, os pontos do Tibetano podem ser comparados
com seis comunicações alienígenas relatadas por Cardenas:

1. Os alienígenas raptores de Cardenas previram grandes
desastres e disseram que a Califórnia afundará no mar.
2. Fizeram diversas previsões sobre figuras públicas e a
política internacional.
3. Criticaram a vaidade dos humanos e falaram de sua
dificuldade ao tentarem lidar com eles.
4. Falaram longamente sobre o Amor universal.
5. Segundo disseram os alienígenas, eles vêm visitando a
sociedade humana há quatro mil anos. Embora as pessoas
costumassem adorá-los como a deuses, eles não são deuses.
6. Criticaram as religiões da Terra.

É significativo o fato de o objetivo declarado das
comunicações de Bailey ser de "despedaçar o materialismo
do Ocidente por um lado e, por outro, a devoção
sentimental de muitos devotos de todas as fés". Em
particular, a concepção pessoal de Deus deve ser substituída
pela remota e abstrata concepção do Supremo como
"Aquele Sobre Quem Nada Se Pode Dizer".
Conforme se pode argumentar, um dos efeitos primários do
fenômeno ufológico, para quantos o levem a sério, é
fraturar-lhes a ocidental visão científica da realidade. Além
disso, comunicações de óvnis contendo material teológico
costumam promover uma concepção impessoal ou panteísta
de Deus. Algumas delas fazem ataques específicos à base de
fés devocionais em particular — notadamente o
cristianismo.
Uma hipótese para explicar tudo isto é aquela segundo a qual
certos seres dotados de faculdades místicas estariam
tentando doutrinar a sociedade humana com uma filosofia
espiritual baseada na evolução cósmica da consciência e
numa concepção impessoal do absoluto. Alguns destes seres
são humanóides que visitam as pessoas a bordo de óvnis e
outros talvez sejam humanos como nós que teriam
adquirido faculdades místicas pela prática da yoga. Quanto a
estes, sua filosofia impessoal pode ter suas raízes em
tradições históricas como o budismo e a filosofia indiana do
Advaita Vedãnta. O propósito do programa de doutrinação
poderia ser salvar a humanidade e a Terra dos perigos
causados pelo materialismo moderno.
Segundo a perspectiva védica, não se descarta de forma
alguma um programa conjunto de doutrinação levado a cabo
por sábios humanos e humanóides ufológicos. A literatura
védica descreve um mundo onde pessoas comuns e yogues
poderosos coexistem com variadas raças humanóides. Estas
raças são dotadas de siddhis místicos, e muitas estão
acostumadas a viajar em vimãnas. Segundo consta, filosofias
espirituais baseadas em concepções impessoais de Deus são
bastante proeminentes tanto entre os yogues quanto entre
estes seres misticamente dotados.
Se algumas destas pessoas estão perturbadas com o atual
estado de coisas na Terra, é natural que elas queiram usar
suas próprias filosofias e tecnologias num esforço para lidar
com esta situação. Isto poderia envolver a coordenação de
diversas atividades por seres de uma série de grupos
diferentes, com qualidades pessoais variando de tamo-guna a
sattva-guna (páginas 379-80).

Compreensão de Brahman

No Capítulo 10 (páginas 420-21), narro o rapto por óvni de
Betty Andreasson, durante o qual a levam até uma porta
imensa num complexo subterrâneo. Naquela altura, ela sai
de seu corpo, atravessa a porta e tem a experiência do
encontro com o Uno. Embora esta experiência lhe causasse
grande felicidade, ela não conseguiu explicá-la:

Betty. É... não tenho palavras para explicá-lo. É algo
maravilhoso. É para todos. Só não posso lhe falar a respeito.
Fred Max: Não pode? Por que não?
Betty: Em primeiro lugar, é por demais impressionante e é...
é indescritível. Não tenho palavras para descrevê-lo. Além
do mais, me é simplesmente impossível fazê-lo.
Fred Max: Disseram-lhe para não compartilhar a experiência
comigo?

Parece duvidoso que este depoimento tenha sido evocado
pelas perguntas capciosas de Fred Max, o hipnotizador.
Segundo tudo indica, na opinião dele, Betty não conseguia
descrever sua experiência porque sua mente estava sob o
controle dos alienígenas — uma idéia comum entre
investigadores de raptos por óvnis. No entanto, parece claro
o fato de ela não ter como descrever a experiência por esta
estar literalmente além das palavras.
Um método típico usado para se tentar contornar bloqueios
mentais inibindo a memória de uma pessoa é pedir à
mesma, enquanto sob hipnose, para visualizar a experiência
bloqueada como se a estivesse assistindo na tevê. Quando
esta tentativa foi feita com relação à experiência de Betty ter
visto o Uno, ela reagiu dizendo:

Ohhhh! Há uma luz brilhante saindo da televisão! Isto é
fantástico! Há raios de luz, luz branca brilhante, como se
[pausa] eles tivessem um projetor lançando sua luz para fora
da televisão! Esta luz está ferindo meus olhos!

A literatura védica fala do Brahman como sendo uma luz
branca indescritível que se caracteriza pela unicidade,
eternidade e felicidade ilimitada. Os investigadores
ufológicos que estavam entrevistando Betty Andreasson não
pareciam saber disto e, provavelmente, ela também não
tinha a menor noção. Embora místicos católicos como
Mestre Eckhart descrevam a percepção da unicidade última,
em geral ela não figura em tradições fundamentalistas
protestantes. Parece bastante provável que Betty tenha de
fato tido aquela experiência com o Uno.
Carla Rueckert recebeu comunicações canalizadas da
entidade Ra abordando idéias filosóficas relativas ao Uno
(página 235-36). Ra alegava ser um complexo de seres
ligados pela telepatia que teriam vivido outrora num nível
supradimensional em Vénus e comunicado idéias
monoteístas ao faraó Ikhnaton no antigo Egito. Hoje,
contudo, o interesse de Ra é se fundir com o Uno e ensinar
aos outros esta possibilidade. Logo, Ra disse: "Não podemos
falar do que está além desta dissolução do eu unificado com
tudo que existe, pois ainda almejamos nos tornar tudo que
existe, e mesmo assim somos Ra. Deste modo, nossos
caminhos prosseguem."
A compilação de material de contato por Don Elkin contém
muitos exemplos expressando esta idéia. Eis três exemplos
relatados por três contatos diferentes:

A separação é uma ilusão. Todas as coisas são uma coisa só: a
criação. (...) você e aqueles a quem você serve são iguais:
vocês são um só.
É impossível você se separar da criação, é impossível você
se isolar da criação. Você é ela e ela é você.
E então, meus amigos, vocês e o Criador são um só, e vocês
e o Criador têm iguais poderes. Pois esta é a verdade. Cada
um de nós é o Criador.

Na Índia, há uma famosa escola filosófica chamada Advaita
Vedãnta, cuja meta é fundir o ego individual no Brahman
uno. Como esta escola segue os ensinamentos védicos, ela
sustenta que existe uma hierarquia celestial de reinos
habitados e que as almas transmigram através de formas
grosseiras e sutis nesses reinos. Mas ela também sustenta
que, no nível final de entendimento, todos esses reinos são
ilusórios e nada existe senão a Consciência Una, ou
Brahman. Portanto, entendimento último significa se tornar
idêntico ao Brahman, que é tudo que existe.
Esta filosofia é muito semelhante à filosofia sãrikhya ateísta.
Segundo esta, o mahat-tattva, ou substrato fundamental da
matéria, é tido como a causa final. Mas este substrato
fundamental não é como a matéria morta conforme a
conhecemos. Pelo contrário, "o mahat-tattva é a
consciência total porque parte dele é representada em todos
como o intelecto". Logo, o mahat-tattva é conceitualmente
semelhante ao Brahman.
As duas filosofias diferem, sobretudo, na ênfase. A filosofia
sãrikhya ateísta atrai uma pessoa desejosa de fazer progresso
na vida material de uma maneira harmoniosa com a lei
universal. Em contraste, a filosofia do Advaita Vedãnta atrai
quem deseja abandonar a vida material e se fundir no
absoluto. A meta dos pleiadianos, por exemplo, conforme
Meier a apresenta, é viver uma vida material avançada
obedecendo a Lei Cósmica, ao passo que o objetivo de Ra é
atingir a Unicidade última.
Entretanto, a filosofia indiana não se resume apenas às
escolas de sãrikhya ateísta e Advaita Vedãnta. Segundo a
filosofia vaisnava, o Brahman é a refulgência do corpo
transcendental do Senhor Supremo e forma a atmosfera do
mundo espiritual. A percepção de Brahman é apenas o
ponto de partida de uma experiência espiritual superior —
logo, encarar esta percepção como a meta derradeira é um
obstáculo ao progresso espiritual.
O Bhãgavata Purãna é um dos principais textos védicos a
apresentar a filosofia vaisnava do monoteísmo pessoal. Eis
uma descrição, extraída deste texto, de uma jornada feita por
Arjuna e Krsna Brahman adentro e para além dele:

Seguindo o disco Sudarsana, a quadriga ultrapassou a
escuridão e atingiu a infindável luz espiritual do
onipenetrante brahma-jyoti. Enquanto Arjuna contemplava
essa ofuscante refulgência, seus olhos doíam, e por isso ele
os fechou.
Daquela região, eles entraram num corpo aquático
resplendente com ondas imensas sendo batidas por um
vento poderoso. Dentro daquele oceano, Arjuna viu um
palácio surpreendente e mais radiante do que qualquer coisa
vista por ele até então. Sua beleza era intensificada por
milhares de colunas ornamentais ornadas com jóias
brilhantes.
Naquele palácio estava a imensa e espantosa serpente
Ananta Sesa. Ela cintilava brilhantemente com o resplendor
emanando das jóias em Seus milhares de dosséis e se
refletindo de Seus múltiplos e temíveis olhos. Parecia-se
com o branco monte Kailãsa, e Seus pescoços e línguas
eram azul- escuros.
Aí, Arjuna viu a onipresente e onipotente Suprema Pessoa
Divina, Mahã-Visnu, sentada à vontade sobre a serpente-
leito. Sua tez azulada era da cor de uma densa nuvem de
chuva, Ele trajava uma bela veste amarela, Seu rosto era
encantador, Seus grandes olhos eram muito atraentes, e Ele
tinha oito belos e compridos braços. Suas copiosas mechas
de cabelo se banhavam por todos os lados no brilho
refletido de magotes de jóias preciosas que Lhe decoravam a
coroa e os brincos. Ele portava a jóia Kaustubha, a marca de
Srivatsa e uma guirlanda de flores silvestres.
Servindo àquele supremo de todos os Senhores estavam
Seus criados pessoais encabeçados por Sunanda e Nanda; Sua
cakra e outras armas sob suas formas personificadas; as
potências Suas Consortes Pusti, Sri, Kirti e Ajã; e todos os
Seus diversos poderes místicos.

Nesta passagem, a palavra brahma-jyoti significa resplendor
Brahman. A potência chamada Ajã é a energia da criação
material. Entende-se que esta cena se desenrola inteira além
do reino material.
Se o brahma-jyoti nada mais é que a atmosfera de uma
região espiritual superior, então, para parafrasear Ra, existe
algo além da dissolução do eu unificado com tudo que
existe. Segundo a filosofia vaisnava, uma vez dissolvido o
cativeiro do ego material, a alma se torna livre para atuar
num plano puramente espiritual.
Visto que a alma emana do Ser Supremo, existe uma relação
de amor natural entre a alma e o Supremo. Este amor
natural fica obscurecido quando a alma está em estado de
consciência material. Ao atingir o Brahman, a alma alcança
um estado neutro, quando sua natural tendência de amar se
manifesta sem um objeto para o amor. Porém, ao ultrapassar
este estado neutro, este amor se expressa sob a forma de
serviço ao transcendental Senhor Supremo. Expressa-se,
também, sob a forma de compaixão para com almas em
cativeiro material que, embora perdidas no esquecimento,
são todas partes integrantes do Senhor.
As três crianças para quem as revelações de Fátima foram
feitas também tiveram uma aparente experiência do
brahma-jyoti. Após a conversa inicial entre as crianças e a
refulgente senhora, "ela abriu suas mãos e torrentes de luz
intensa delas fluíram, comovendo as almas das crianças e
fazendo com que elas se sentissem 'perdidas em Deus', a
Quem elas reconheceram naquela luz". Esta descrição faz
sentido do ponto de vista védico e também ilustra a idéia
segundo a qual um ser superior pode induzir um ser
humano mais ou menos comum a ter uma experiência
temporária do Brahman. Algo semelhante parece ter
acontecido no caso Andreasson.
O contato Orfeo Angelucci também relatou uma
experiência de percepção do Brahman, ocorrida enquanto
ele estava a bordo de um óvni. Muitos ufólogos tendem a
rejeitar como falsas as experiências de óvni de Angelucci,
que foram de natureza espiritual e positiva. Em geral, os
relatos sobre experiências prazerosas e satisfatórias são tidos
como menos verossímeis do que os relatos sobre
experiências desagradáveis ou embaraçantes. Muitos são, no
entanto, os relatos sobre experiências positivas, e todos eles
devem ser incluídos em qualquer exposição completa do
fenômeno ufológico. Como sempre, a estratégia seria
estudar os padrões surgidos em inúmeros relatos. É difícil
dizer se Angelucci passou de fato pelas experiências por ele
relatadas ou não, já que tudo de que dispomos é o seu
depoimento pessoal.
Segundo disse Angelucci, em 23 de julho de 1952, como se
sentisse mal, ele resolveu não ir trabalhar como mecânico
da Lockheed Aircraft Corporation em Burbank, Califórnia.
À noite, tendo saído para uma caminhada num lugar
solitário perto dos aterros do rio Los Angeles, sentiu-se
incomodado por estranhas sensações de prurido e um
embotamento da consciência. De repente, viu diante dele
um objeto luminoso, indistinto e em forma de iglu cuja soli-
dez foi aumentando aos poucos. Havia uma porta que levava
ao interior extremamente iluminado do objeto. Ao entrar,
ele se viu só num recinto abobadado com cerca de cinco
metros de diâmetro, rodeado por bruxuleantes paredes de
madrepérola. Vendo diante dele uma cadeira reclinável feita
da mesma substância translúcida, sentiu-se impelido a se
sentar nela. A porta então fechou-se, não deixando o menor
sinal de sua existência, e o objeto aparentemente viajou pelo
espaço exterior.
Logo em seguida, uma janela se abriu na parede do recinto,
e ele viu a Terra de uma distância de cerca de dois mil
quilômetros. Uma voz passou a lhe falar, descrevendo a
posição infortunada das pessoas materialistas da Terra e
incitando-o a lhes revelar sua verdadeira natureza espiritual.
A voz disse: "Cada pessoa na Terra tem um eu espiritual, ou
desconhecido, que transcende o mundo e a consciência
materiais e habita eternamente fora da dimensão do Tempo
em perfeição espiritual dentro da unidade da supra-alma."
Após ouvir estes ensinamentos por algum tempo, Angelucci
passou pela seguinte experiência:
Um ofuscante feixe luminoso branco se projetou da abóbada
da nave. Momentaneamente, pareceu-me sofrer uma perda
parcial da consciência. Tudo se expandiu numa grande e
bruxuleante luz branca. Pareceu-me ser projetado para além
do Tempo e do Espaço, ficando consciente apenas da luz,
luz, LUZ! Cada passagem de minha vida na Terra resultou
cristalina para mim — e então recobrei a memória de todas
as minhas vidas anteriores na Terra...

Estou morrendo, pensei. Já passei por este tipo de morte
antes em outras vidas terrestres. Agora é a morte! Só agora
estou na ETERNIDADE, SEM PRINCÍPIO E SEM FIM.
Lentamente, então, tudo se resolveu em luz radiante, paz e
beleza indescritível. Livre de toda a falsidade da morta-
lidade, mergulhei num mar intemporal de bem-
aventurança.
Ao despertar para sua consciência normal, Angelucci se deu
conta de que o objeto estava regressando à Terra. Voltando
para casa, lembrou-se de uma sensação de ardor que sentira
abaixo do coração enquanto esteve a bordo da nave.
Descobriu ter sido marcado por um estigma consistindo
num ponto vermelho rodeado por um círculo vermelho
com o tamanho aproximado de um quarto de dólar. Esta foi
a única prova tangível que ficou para demonstrar que a
experiência dele ocorrera de fato.

O papel de Mãyã

Muitas ações e comunicações ligadas aos óvnis são
compatíveis com a antiga visão de mundo védica. Algumas
entidades ufológicas apresentam filosofias representando
subconjuntos específicos do pensamento védico. Fala- se da
alma e de sua evolução de consciência. Existem
demonstrações práticas, não só de diferentes espécies de
viagem dos corpos grosseiro e sutil, mas também de etapas
espirituais de consciência até se atingir a percepção de
Brahman. Também há descrições teóricas destas etapas, em
especial em casos de comunicação canalizada. Não sei,
contudo, de alguma análise do amor pessoal e direto a Deus.
Este material transmite uma mensagem em geral positiva.
Mas, ao mesmo tempo, muitos contatos com óvnis têm um
aspecto menos auspicioso. Não é incomum serem relatadas
comunicações de entidades ufológicas contendo informação
duvidosa ou absurda, tais como a geringonça técnica relatada
por William Hermann, ou a declaração de que os
alienígenas vêm de "uma pequena galáxia próxima a
Netuno". Além disso, conforme expus no Capítulo 9,
existem os perturbadores raptos por óvnis e os indícios de
atividade ufológica abertamente nociva.
De que maneira podemos entender tudo isto? Segundo uma
idéia intrigante constante em algumas comunicações, existe
uma lei cósmica de confusão que regulamenta a
disseminação de informação para os seres humanos. Esta lei
pode ajudar a explicar o motivo pelo qual as comunicações
de óvnis parecem conter uma mistura desnorteante de
disparate e informação possivelmente válida.
As entidades Ra mencionaram esta lei com relação à história
sobre como elas construíram a Grande Pirâmide do Egito.
Quando elas disseram tê-la construído por meio de formas-
pensamento, perguntaram-lhes por que a criaram em blocos
distintos, como se a tivessem montado com pedras extraídas
de ardosieira. Ra replicou:

Há uma lei que acreditamos seja uma das mais significativas
distorções originais da Lei do Uno. Trata-se da Lei da
Confusão. Vocês a chamam de Lei do Livre-Arbítrio. (...)
Não era nosso desejo permitir que o mistério [da Grande
Pirâmide] fosse desvendado pelos povos de modo a que
passássemos a ser adorados como construtores de uma
pirâmide miraculosa. Logo, ela parece ter sido feita, e não
pensada.

Seja qual for a maneira pela qual a Grande Pirâmide foi
construída de fato, esta Lei da Confusão merece ser levada
em consideração. A idéia básica é que, a fim de preservar o
livre-arbítrio dos seres humanos, faz-se necessário privá-los
de certas informações e inclusive confundi-los com
informações falsas.
Este conceito pode ajudar a explicar, não apenas o caráter
desnorteante das comunicações de óvnis, como também a
natureza evasiva de provas ufológicas em geral. É comum
estas provas serem fortes o bastante para impressionar
quantos tomam conhecimento delas, mas nunca chegam a
ser espantosas ao ponto de se negar a um cético o seu
próprio livre-arbítrio para resolver se deve as aceitar ou não.
Pode-se mesmo conceber cenários, tais como a aterrissagem
maciça de óvnis em Washington, que seriam convincentes
o suficiente para excluir este exercício do livre-arbítrio.
Acaso seria possível a Lei da Confusão estar sendo aplicada
ao fenômeno óvni de modo a se preservar a liberdade das
pessoas de rejeitá-lo ou desconsiderá-lo por um lado e, por
outro, simultaneamente se fornecer informações úteis para
pessoas dispostas a aceitá-lo?
As idéias védicas podem proporcionar muitos
esclarecimentos sobre a natureza da Lei da Confusão.
Segundo os Vedas, o mundo material é talhado a partir de
uma energia chamada mãyã. Mãyã significa ilusão, magia e o
poder que cria a ilusão. Segundo a idéia védica básica, o
universo é criado para ser um parque de diversões para
almas que procuram gozar a vida separadamente do Ser
Supremo. Se estas almas tivessem pleno conhecimento da
realidade, então conheceriam a posição do Supremo e
saberiam que semelhante gozo separado é impossível. Logo,
o universo é criado como uma arena de ilusão, ou mãyã, na
qual estas almas podem ir ao encalço de seus interesses
separados.
Segundo outro aspecto da visão de mundo védica, o Ser
Supremo deseja que as almas dominadas pela ilusão material
dentro do universo voltem para Ele. Mas, para isto ter
sentido, precisa ser voluntário. A alma, por sua essência
verdadeira, tem liberdade para amar. Deste modo, se algum
poder superior força a alma a agir, então não lhe é possível
vivenciar esta essência. Por este motivo, o Ser Supremo
procura dar à alma o conhecimento através do qual ela possa
voltar ao Supremo de uma maneira delicada que não
sobrepuje o seu livre-arbítrio.
Eis a perspectiva do Bhãgavata Purãna acerca da relação
entre o Supremo e o mundo da ilusão:
Presto minhas reverências a Vãsudeva, a Suprema e
Onipenetrante Pessoa Divina. Medito n'Ele, a realidade
transcendente, que é a causa primordial de todas as causas,
de quem surgem todos os universos manifestos, em quem
eles habitam e por quem são destruídos. Ele é direta e
indiretamente consciente de todas as manifestações, e é
independente por não haver nenhuma outra causa além
d'Ele.
Foi Ele apenas quem no princípio transmitiu o
conhecimento védico ao coração de Brahmã, o ser vivo
original. Assim como nos deixamos iludir pelas
representações ilusórias de água vistas no fogo, ou de terra
vista na água, mesmo grandes sábios e semideuses se deixam
iludir por Ele. É apenas por causa d'Ele que os universos
materiais, temporariamente manifestos pelas reações dos
três modos da natureza, parecem reais, embora sejam irreais.

No Capítulo 7 (páginas 311-13), comparei o universo a uma
realidade virtual manifesta dentro de um computador por
obra de algum programador perito. Os habitantes de uma
realidade virtual existem de fato fora do falso mundo gerado
no computador, mas experimentam a ilusão de estarem
dentro daquele mundo. Se tivessem como se esquecer de
sua existência verdadeira, então a ilusão ficaria completa, e
eles se identificariam por inteiro com seus corpos virtuais
gerados no computador. Segundo os Vedas, esta é a situação
das almas condicionadas dentro do universo material.
Dentro da ilusão global de mãyã, existem muitas sub-ilusões.
Enquanto a ilusão global nos faz esquecer a onipotência do
Supremo, as sub-ilusões nos fazem esquecer a hierarquia na
administração do cosmo, estabelecida pelo Supremo dentro
do universo material. Todas essas ilusões dão margem a que
a alma individual atue por livre-arbítrio, apesar de ela estar
na verdade sob controle superior.
Ao mesmo tempo, as ilusões não chegam a ser fortes a
ponto de incapacitarem um indivíduo desejoso de buscar a
verdade. Se mãyã tivesse força suficiente para impedir
qualquer esforço no sentido de se encontrar a verdade,
então ela também teria força para bloquear o livre-arbítrio
das pessoas. Segundo o sistema védico, o Ser Supremo
providencia para que mestres desçam ao mundo material e
dêem conhecimento transcendental às almas condicionadas.
Por arranjo de mãyã, as pessoas sempre terão fartas
desculpas para rejeitar esses mestres se assim o desejarem.
No entanto, se desejarem conhecimento superior, também
lhe serão fornecidas provas adequadas para elas poderem
distinguir semelhante conhecimento da ilusão.
Nos últimos duzentos anos na Terra, tem-se desenvolvido o
ponto de vista segundo o qual a vida é um mero processo
fisioquímico cuja evolução gradual teria durado milhões de
anos. Segundo este ponto de vista, somos os produtos
máximos da evolução neste planeta. Se existe vida em
alguma outra parte do universo, ela também precisou passar
por um lento processo de evolução em planetas com
condições adequadas. Portanto, é provável que haja formas
de vida inteligente, quiçá superiores a nós, a salvo e
distantes, e não temos por que nos preocupar com elas.
Este ponto de vista tem tudo para influenciar as pessoas da
Terra no sentido de adotarem um programa de gozo e
exploração livres. Infelizmente, porém, semelhante
programa não apenas danifica a biosfera da Terra como
também impede o caminho de avanço de quantos
porventura desejem tomar conhecimento de sua natureza
espiritual. Isto significa que, muito embora a moderna visão
de mundo materialista desembarace o livre-arbítrio de certas
pessoas, ela obstrui o livre-arbítrio de outras.
Talvez o fenômeno ufológico seja uma das formas pelas
quais estejam sendo tomando providências superiores no
sentido de paulatinamente se rever a moderna perspectiva
materialista. Os cientistas estão tendo suas repreensões
merecidas ao terem que se confrontar com impossíveis
aeronaves que violam as leis da física. Seres dotados de
poderes mágicos parecem nos mostrar que não somos a
espécie máxima de vida. Todavia, ao mesmo tempo, os
fenômenos ufológicos são evasivos, as comunicações são
contraditórias e sempre há motivos para dúvidas.
Se é isto o que está acontecendo, suspeito de algo
envolvendo arranjos complexos em torno de muitas formas
de vida diferentes. Talvez a causa direta de alguns
fenômenos sejam seres no modo da escuridão que
amedrontam as pessoas, mas, ao mesmo tempo, expandem-
lhes a compreensão da vida e de suas faculdades. Talvez
alguns desses fenômenos envolvam um autêntico protesto
de seres vivendo em nosso próprio mundo e perturbados
com nossas desventuras tecnológicas.
Outros fenômenos talvez envolvam programas de pregação
levados a cabo por seres que têm uma mensagem a
transmitir. Afinal, o proselitismo religioso não precisa estar
limitado a humanos comuns. Estas mensagens poderão
variar em qualidade e em profundidade e, em última análise,
os indivíduos precisarão fazer uso de sua própria
discriminação para decidir o que aceitar e o que rejeitar.
Conforme sugeri acima, alguns seres que produzem luzes,
sons agudos e comunicações telepáticas podem inclusive ser
yogues humanos com faculdades místicas
desenvolvidíssimas. Os eventos de Fátima (páginas 360-74)
sugerem, também, o possível aparecimento na Terra de
pessoas de planetas superiores, tomadas de compaixão pelo
sofrimento humano.
Todas essas possibilidades são compatíveis com a tradição
védica. Segundo antigos textos védicos, houve época em
que as pessoas da Terra mantinham contato regular com
muitas espécies de seres, de entidades negativas no modo da
escuridão a grandes sábios em avançados estados de
consciência espiritual. Os fenômenos modernos tendem a
confirmar o quadro védico, o que também pode fazer parte
do plano por trás dos mesmos. Apesar de ainda se
encontrarem à nossa disposição, os ensinamentos dos
antigos sábios têm sido eclipsados pelas conquistas
modernas da ciência e da tecnologia de orientação
materialista. Talvez esteja chegando o tempo de eles serem
levados a sério outra vez.

Apêndices

Apêndice 1

Casos de Óvnis vistos pela Força Aérea americana

Esta tabela de casos de óvnis vistos por oficiais da Força
Aérea americana foi extraída de The UFO Evidence de
Richard Hall. Os relatos foram tirados dos arquivos do
Comitê Nacional de Investigações sobre Fenômenos Aéreos
(NICAP) em 1964, com datas variando de 1944 a 1961 e
maior concentração de ocorrências em 1952 e 1953.
Segundo observa Hall, após a promulgação do Regulamento
200-2 da Força Aérea em 26 de agosto de 1953, diminuiu
bastante o número de relatos de visões de óvnis por oficiais
da Força Aérea (veja páginas 108-09).
A tabela relaciona 91 casos. Destes, os vinte marcados com
um asterisco são casos de óvnis que parecem seguir
deliberadamente um avião da Força Aérea ou sobrevoar uma
base militar a baixa altitude. Há também 24 outros casos,
marcados por dois asteriscos, de aviões da Força Aérea
perseguindo óvnis, ou sendo perseguidos ou repetidas vezes
ameaçados por óvnis em vôo rasante. É difícil conciliar estas
estatísticas com a conclusão da Força Aérea de que os óvnis
jamais foram encarados como uma possível ameaça militar.

DATA

LOCALIDADE E TESTEMUNHAS



DESCRIÇÃO
29/8/42
Columbus, Mississippi, Michael
Solomon, Operador de torre de
controle.
Dois objetos redondos e avermelhados
desceram perto da Escola Aérea do
Exército, sobrevoaram a área,
aceleraram e desapareceram.
03/44
Carlsbad, Novo México. Piloto de B-
17.
Cintilante objeto verde em alta
velocidade iluminou cabine de
comando e sumiu de vista na linha do
horizonte.
8/10*
Sumatra. Capitão Alvah Reida, Piloto
de B-29.
Pulsante objeto esférico seguiu
bombardeiro, manobrou à vista do
capitão.
11/44
França. Tenente Ed Schlueter, piloto,
415° Esquadrão de Combate Noturno.
Oito a dez objetos alaranjados em
forma de bola, enfileirados, às vezes se
locomovendo em alta velocidade.
12/44*
Áustria, Major William D. Leet, Piloto
de B-17.
Bombardeiro seguido por disco
ambárico. ,
01/45**
Alemanha. Piloto do 415° Esquadrão
de Combate Noturno.
Avião seguido por três objetos
luminosos vermelhos e brancos; óvnis
acompanhavam manobras evasivas do
avião.
Cerca de 02/01/45*
França, Tenente Donald Meiers, piloto.
Duas visões de óvnis relatadas; um
objeto seguiu avião a 700 km/h, "em
seguida sumiu no céu fazendo um
zunido".
01/08/46
Flórida. Capitão Jack Puckett. Piloto.
Óvni em forma de charuto manobrou
perto de avião de transporte de tropas
da Aeronáutica.
28/06/47
Base Aérea de Maxwell, Alabama. Dois
pilotos, dois agentes do serviço secreto.
Brilhante fonte de luz ziguezagueou
com arrancadas de velocidade, fez
volta de 90 graus.
28/06/47
Perto do lago Meade, Nevada. Piloto
de F-51.
Cinco a seis óvnis circulares alinhados
à direita da nave aérea.
06/07/47
Tripulação de B-25.
Óvni discóide abaixo do avião.
06/07/47
Base Aérea de Fairfield-Suisun,
Califórnia. Piloto.
Óvni "oscilando sobre seu eixo lateral"
cruzou o céu em poucos segundos.

DATA

LOCALIDADE E TESTEMUNHAS

DESCRIÇÃO
07/08/47
Base Aérea de Muroc, Califórnia.
Quatro visões distintas por pelo
menos quatro oficiais e uma
tripulação de técnicos.
Óvnis circulares ou discóides vistos
às 9h30, llh50, 12h e 15h50.
08/47
Media, Pensilvânia. Piloto de
monomotor.
Disco pairando no céu.
28/5/48**
Tripulação de C-47.
Três óvnis mergulharam na direção
do avião.
Verão de 1948
Labrador, Major Edwin Jerome.
Piloto de comando.
Relatos sobre rastreamento de óvni
a cerca 17.000 km/h, por radares
americanos e canadenses.
15/10/48
Japão. Tripulação de F-61, radar.
Óvni alongado, alternando
movimentos lentos e acelerados até
cerca de 2.300 km/h
18/11/48**
Washington, D.C. Tenentes Henry G.
Combs e Kenwood W. Jackson,
pilotos.
Combate aéreo com cintilante óvni
oval que dava arrancadas de
velocidade de até 1.100 km/h
23/11/48
Fursten-Feldbruck, Alemanha. Dois
pilotos de F-80.
Fonte de brilhante luz vermelha,
detectada pelo radar a 1.700 km/h
03/12/48
Base Aérea de Fairfield-Siusun,
Califórnia. Piloto.
Bola de luz surgida de repente,
sumindo de vista em ascensão
rápida.
03/11/49
Baja, México. Capitão William H.
Donnelly. Piloto.
Quatro discos em vôo "cabriolado".
Outono, 1949
Base nuclear. Operador de radar.
Cinco óvnis aparentemente
metálicos detectados a cerca de
8.900 km/h
02/02/50**
Base Aérea de Davis-Monthan,
Arizona. Tenente Roy L. Jones.
Piloto de B-29.
Perseguiu objeto não- identificado
que deixava rastro de fumaça.

DATA

LOCALIDADE E TESTEMUNHAS

DESCRIÇÃO
08/03/50**
Dayton, Ohio. Dois pilotos de F- 51,
diversos pilotos comerciais.
Óvni redondo observado do solo,
detectado pelo radar, fugiu de
aviões interceptadores nuvens
acima.
21/06/50**
Base Aérea de Hamilton, Califórnia.
Sargento Ellis Lorimer (operador de
torre de controle — otc), Garland
Pryor (otc) e sargento Virgil
Cappuro.
Objeto ígneo passou diversas vezes
pela torre de controle.
12/50
Perto de Cheyenne, Wyomming.
Capitão J. E. Broyles.
Objeto oval e aparentemente de
alumínio com empenagem cônica,
movendo-se devagar.

14/02/51
Alamogordo, Novo México. J. E.
Cocker. Capitão E. W. Spradley,
pilotos.
Branco disco cintilante observado
durante rastreamento de um balão.
01/06/51
Dayton, Ohio. Chefe
de Unidade, Base
Aérea de Wright-
Patterson (Relato
confidencial ao
NICAP, abonado pelo
diretor e pelo
assistente do diretor
do órgão.)
Disco observado
enquanto fazia volta
em ângulo reto.
Verão de
1951**
Augusta, Geórgia.
Tenente George
Kinman, piloto de F-
51.
Disco grande quase
duas vezes maior que
o F-51 passou pelo
avião várias vezes.
10/09/51**
Sandy Hook, New
Jersey. Capitão
Edward Ballard,
tenente Wilbert S.
Rogers, pilotando um
T-33.
Perseguiram disco
prateado, que
escapuliu deles a
velocidades avaliadas
em mais de 1.700
km/h
23/09/51*
Base Aérea de March,
Califórnia. Pilotos de
F-86.
Tentaram interceptar
óvni em órbita
aparente de 15.000
metros.

DATA

LOCALIDADE E TESTEMUNHAS

DESCRIÇÃO
20/01/52
Base Aérea de Fairchild, Washington.
Dois sargentos, especialistas do
serviço secreto.
Objetos esféricos azuis e brancos
voando velozes abaixo da coberta
de nuvens, velocidade computada a
2.700 km/h
29/01/52*
Wonsan, Coréia. Tripulação de B- 29.
Disco seguiu bombardeiro por cinco
minutos, sumindo em seguida.
29/03/52*
Perto de Misawa, Japão. Tenente D.
C. Brigham, piloto de T-6.
Observou pequeno disco manobrar
em torno de um F-84.
17/04/52
Base Aérea de Nellis, Nevada.
Sargento Orville Lawson, outros
pilotos.
Dezoito óvnis circulares em grupo,
um ziguezagueando.
18/06/52*
Califórnia, Tripulação de B-25.
Ovni seguiu bombardeiro por 30
minutos. "Desconhecido" oficial.
12/07/52
Chicago, Illinois. Capitão,
meteorologista.
Objeto avermelhado com pequenas
luzes brancas fez volta de 180
graus, desaparecendo na linha do
horizonte.
20/07/52
Base Aérea de Andrews, Maryland.
Betty Ann Behl, meteorologista da
Força Aérea.
Óvnis em alta velocidade
detectados por radar durante visões
em Washington, D.C.
22/07/52
Uvalde, Texas. De relatório do
Serviço Secreto da Aeronáutica.
Óvni redondo e prateado girando
em eixo vertical atravessou veloz a
100 graus do céu em 48 segundos,
passando entre duas massas de
nuvens.
23/07/52
South Bend, Indiana. Capitão Harold
W. Kloth, Jr. (mais de 2.000 horas de
vôo.)
Dois objetos azuis e brancos
mudaram de curso.
23/07/52**
Braintree, Massachusetts. Piloto de
F-94, outros.
Piloto detectou óvni pelo radar, viu
luz verde-azulada, radar parou de
funcionar, óvni sumiu veloz.
DATA
LOCALIDADE E TESTEMUNHAS
DESCRIÇÃO
24/07/52
Perto de Carson Sink, Nevada. Dois
coronéis do Pentágono em B-25.
Três óvnis triangulares e prateados
passaram velozes por bombardeiro a
leste. Velocidade acima de 1.900
km/ h. Oficiais "desconhecidos".
26107/52**
Washington, D.C.
Tenente William L.
Patterson, piloto de F-
94.
Seguindo óvnis
detectados por radar,
viu objetos
cintilantes ao redor
do avião.
26107/52**
Piloto de F-94.
Seguiu óvni
detectado por radar,
viu grande luz
laranja- amarelada,
radar parou de
funcionar. Óvni
afastou-se várias
vezes em alta
velocidade, reduziu
velocidade de novo
até jato alcançá-lo.
Oficial
"desconhecido".
28/07/52
Perto de St. Paul,
Minnesota. Piloto,
outros.
Diversos óvnis
detectados por radar,
piloto viu luzes se
movendo velozes,
que aceleravam para
sumir de vista.
29/07/52"
Albuquerque e Los
Alamos, Novo
México. Pilotos de
jato, coronel da
reserva.
Jatos seguiram dois
óvnis, que
manobravam de
volta para trás das
naves; coronel viu
óvni elíptico.
Verão de
1952
Base Aérea de
MacDill, Flórida.
Coronel, piloto, co-
piloto e
esquadrinhador.
Investigaram alvo no
radar, viram objeto
ovóide e
manobrável.
01/08/52**
Dayton, Ohio. Major,
tenente, pilotos.
Seguiram óvni
detectado por radar,
viram e fotografaram
objeto circular.
01/08/52
Perto de Yaak,
Montana. Operadores
de radar.
Viram objeto escuro
em forma de charuto
bem onde o radar
indicava um óvni.
03/08/52
Base Aérea de
Hamilton, Califórnia.
Tenente Duane
Swimley, piloto de
jato, outros.
A princípio dois e
depois seis discos
"combatendo",
assumindo formação
de diamante,
sumiram de vista.
Também detectados
pelo radar.
DATA
LOCALIDADE E
TESTEMUNHAS
DESCRIÇÃO
08/05/52*
Base Aérea de
Oneida, Japão.
Operadores da torre
de controle.
Ovni circular com
brilhante fuselagem
branca sobrevoou e
manobrou sobre a
base, detectado pelo
radar.
13/08/52
Tucson, Arizona.
Capitão Stanley W.
Thompson, Força
Aérea.
Três grupos de
grandes óvnis
brilhantes em
"formação perfeita"
em V.
24/08/52
Perto de Hermanas,
Novo México.
Coronel, piloto de F-
84.
Dois discos
manobrando em alta
velocidade.
13/10/52
Oshima, Japão. Major
William D. Leet, em
missão a bordo de C-
54.
Disco pairou sobre as
nuvens durante sete
minutos, afastou- se
veloz,
desaparecendo em
questão de segundos.
29/10/52**
Hempstead, Long
Island. Pilotos de F-
94.
Ovni "controlado" e
fazendo manobras
em alta velocidade
escapuliu de aviões
interceptadores.
04/12/52**
Laredo, Texas. Piloto
de F-51.
Objeto cintilante
passou diversas vezes
pelo avião, fez
manobras radicais,
subindo veloz a
pique.
06/12/52
Golfo do México.
Tripulação de B-29.
Visão a olho nu e
por radar óvnis
detectados a 17.000
km/h
29/12/52*
No. Japão. Coronel.
Donald J. Blakeslee,
piloto comandante.
Ovni com luzes
giratórias vermelhas,
verdes e brancas,
além de três feixes
de luz branca fixos,
ultrapassou o F- 94
em velocidade.
09/01/53*
Santa Ana, Califórnia.
Pilotos de B-29.
Formação em V de
luzes azuis e brancas
se aproximaram do
avião, empilharam-se
e sumiram de vista.
26/01/53
Novo México.
Operadores de radar.
Brilhante luz branca
avermelhada
detectada pelo radar
a se mover devagar
contra o vento (12 a
15 nós).

DATA
LOCALIDADE E TESTEMUNHAS
DESCRIÇÃO
28/01/53*
Perto de Albany, Geórgia. Piloto de
F-86.
Ovni circular acelerou para escapar
do jato, sendo observado pelo radar
em terra.
29/01/53
Ilha Presque, Maine. Piloto de F-94 e
outros.
Ovni oval cinza.
01/02/53
Terre Haute, Indiana. Pilot de T-33.
Ovni visto a olho nu.
06/02/53
Rosalia, Washington. Tripulação de
B-36.
Ovni rodopiante com luzes
piscando.
07/02/53*
Coréia. Piloto de F-94.
Visão por radar e a olho nu de
brilhante luz alaranjada, que
mudava de altitude e escapava do
jato em alta velocidade.
11/02/53*
Túnis-Tripoli. Tripulação de C-119.
Ovni aproximou-se do avião,
postou-se atrás dele e seguiu-o por
bastante tempo.
13/02/53
Fort Worth, Texas. Tripulação de B-
36.
Visões de óvni a olho nu e por
radar.
16/02/53**
Perto de Anchorage, Alaska. Pilotos
de C-47.
Luz vermelha brilhante aproximou-
se do avião, pairou sobre ele e fugiu
veloz ao ser perseguida.
17/02/53**
Base Elmendorf da Força Aérea,
Alaska. Cinco jatos da polícia da
aeronáutica.
Luz vermelha perto do fim da pista
de decolagem, ascendendo veloz
quando jato decolou.
07/03/53*
Yuma, Arizona. Mais de vinte
oficiais.
Cerca de doze ovnis discóides
baixaram para sobrevoar base
durante encontro de artilharia.
Primavera de 1953
Laredo, Texas. Tenente Edward B.
Wilford III (instrutor de piloto de
jato) em T-33.
Óvni negro em forma de charuto
saindo da esteira do jato em alta
velocidade.

DATA
LOCALIDADE E TESTEMUNHAS
DESCRIÇÃO
09/08/53*
Moscow, Idaho. Pilotos de F-86.
Grande disco cintilante, localizado
por equipe de observadores em
terra, fugiu veloz dos jatos.
12/08/53**
Base Aérea de Ellsworth, Dakota do
Sul. Pilotos de F-84.
Perseguição tipo "gato e rato"
detectada por radar e vista a olho
nu. Ovni fugiu do jato, virou e o
acompanhou até a base.
26/08/53
Regulamento 200-2 da Força Aérea é
decretado pelo ministro da
Aeronáutica.

23/11/53**
Base Aérea de Kinross, Michigan.
Tripulação de F-89.
F-89 perseguiu óvni, luzes do avião
e do óvni se fundiram na tela do
radar, avião nunca foi encontrado.
1954**
Dayton, Ohio. Tenente-coronel da
Força Aérea, piloto sênior.
Dois óvnis que sobrevoaram a área,
fazendo manobras evasivas.
24/05/54*
Perto de Dayton, Ohio. Tripulação de
RB-29.
Brilhante óvni circular acelerou
abaixo do avião a uma velocidade
aproximada de 1.100 km/h, sendo
fotografado pela tripulação. A
fotografia jamais foi revelada ao
público.
30/06/54*
Base Aérea de Brookley, Alabama.
Operadores da torre de controle.
Visões de óvni a olho nu e por
radar que surgiu veloz do golfo e
girou, afastando-se na direção
nordeste.
03/07/54*
Albuquerque, Novo México.
Operadores de radar.
Nove óvnis esféricos esverdeados
sobrevoaram a área, e em seguida
sumiram velozes, tendo sido
detectados a cerca de 5.100 km/h.
11/07/54*
Hunterdon, Pensilvânia. Tripulações
de jatos bombardeiros.
Disco seguiu quatro bombardeiros.
23/07/54**
Franklin, Indiana. Dois pilotos de jato
interceptador.
Quatro grandes óvnis cintilantes
vistos por observadores em terra;
jatos encurralaram um deles, em
seguida mudaram de direção e
saíram de cena. Incidente
oficialmente negado.

DATA
LOCALIDADE E TESTEMUNHAS
DESCRIÇÃO
28/08/54
Base Aéra de Tinker, Oklahoma.
Pilotos de jato interceptador.
Visão por radar e a olho nu, quinze
óvnis em precisa formação
triangular, alterando- a para
formação semicircular.
16/06/55**
Leste dos Estados Unidos. Doze
pilotos de jato interceptador.
Relatos sobre óvnis vistos em ampla
área do leste americano, jatos
interceptaram-nos de muitos
pontos.
23/08/55**
Cincinnati, Ohio. Pilotos de jato.
Três óvnis redondos e discóides,
manobras evasivas enquanto jatos
tentavam alcançá-los, primeiro
detectados pelo radar.
24 e 25/11/56
Rapid City, Dakota do Sul. Piltos de
jato.
Visões de muitos óvnis
manobráveis. Relatos extra-oficiais
de visões por esquadrão de jatos
interceptadores, óvnis detectados
por radar.
12/56**
Extremo leste. Piloto de jato.
Piloto teve seu radar desligado,
perseguiu óvni circular, que
ascendeu em retirada a mais de
3.500 km/h.
27/02/57
Houston, Texas. Tenente J. R. Poole.
Da central de radar, escapamento
ígneo de óvni observado enquanto
o mesmo fazia diversos rodopios
pelo céu a uma velocidade estimada
de 3.900 km/h.
05/11/57
Base Aérea de Keesler, Mississippi.
William J. Mey.
Ovni elíptico que acelerava e
entrava pelas nuvens. Relato
coincidiu com visão da guarda
costeira de Cutter Sebago.
05/11/57
Long Beach, Califórnia. Major Louis
F. Baker, outros.
Seis brilhantes óvnis circulares
manobrando "como aviões em
combate".

DATA
LOCALIDADE E TESTEMUNHAS
DESCRIÇÃO
14/04/58
Albuquerque, Novo México. Sargento
Oliver Dean.
Cerca de 12 a 18 luzes douradas-
alaranjadas, formação em V com
formação irregular menor de cada
lado do vôo integrado. Não houve
relatórios de vôo na área.
17/07/58*
Hokkaido, Japão. Operador de torre
de controle, outros.
Óvni avermelhado e parecido com
uma estrela sobrevoou a base e foi
detectado pelo radar. Visão negada
oficialmente.
08/09/58
Base Aérea de Offutt, Nebraska.
Major Paul A. Duich, navegador
chefe, outros.
Objeto alongado em ângulo
inclinado, pequenos objetos de
satélite.
20/05/61*
Base Aérea de Tyndall, Flórida.
Polícia da aeronáutica, outros.
Relato sobre visão a olho nu e por
radar, óvni manobrou sobre a base,
baixou e ascendeu. Relato do
NICAP no verão de 1961. Análise
posterior do consultor Webb
concluiu que os relatórios do radar
não coincidiam com visões a olho
nu. Relatos ainda por explicar.
(Relatório confidencial enviado ao
NICAP. Atestado pelo diretor, pelo
assistente do diretor e pelo
consultor Walter N. Webb.)

Apêndice 2
Sobre a interpretação da literatura védica

No decorrer deste livro, procurei apresentar a literatura
védica como ela é, conforme o significado direto dos textos
que a compõem. Naturalmente, muitas pessoas,
questionando a justificativa para esta abordagem, irão
perguntar se poderia haver ou não outras formas melhores
de interpretar a literatura védica. Por isso, farei uma breve
apreciação deste assunto neste apêndice.
Em geral, as pessoas interessadas pela literatura védica
podem ser enquadradas em diversos grupos, entre os quais
se incluem os seguintes:

1. Seguidores estritos das principais sampradayas.
Sampradaya é uma escola de pensamento baseada na
literatura védica conforme a apresenta um grande acarya, ou
mestre. Todas as principais sampradayas aceitam como
verdadeira a existência do Controlador Supremo (Deus), da
alma, do corpo sutil, da transmigração, dos mundos sutis e
espirituais e de seres sobre-humanos que habitam estes
mundos. Aceitam, também, a validade dos relatos históricos
védicos. Embora algumas das sampradayas discordem entre
si acerca da natureza de Deus, todas elas aceitam a literatura
védica como a autoridade em que devem se basear quaisquer
conclusões.
2. Aqueles que adotam a abordagem acomodacional da
literatura védica. Na apologética cristã, "a condescendência é
um estratagema ou princípio interpretativo do qual o
interpretador lança mão para preservar o sentido válido
encontrado num texto sem um literalismo estéril". O
método consiste em encarar o texto como conhecimento
autêntico expresso em linguagem figurada e talvez acrescido
de caprichosos embelezamentos poéticos. Com a introdução
da ciência ocidental na índia, a visão de mundo védica
deparou com um forte desafio. Muitos hindus modernos
têm reagido fazendo uso da abordagem acomodatícia de
modo a alinhar a literatura védica à ciência moderna.
3. Aqueles que encaram a literatura védica como mitologia.
As pessoas deste grupo tendem a ver esta literatura como
um registro de fantasias irreais que foi aos poucos tomando
corpo por obra de poetas pré-científicos. Este ponto de vista
é sustentado por muitos eruditos que estudam a literatura
védica em áreas tais como a indologia, a antropologia e a
religião comparada.

Farei agora uma análise sucinta das estratégias de
interpretação textual usadas por mim e pelas pessoas destes
três grupos. Antes de mais nada, eu gostaria de distinguir
entre uma apresentação direta de um texto, uma
interpretação literal e uma interpretação figurada. Numa
apresentação direta, considera-se o texto tal como ele é, sem
necessariamente se arrogar o entendimento pleno do que
ele significa. Numa interpretação literal, o intérprete
presume poder entender por inteiro o texto de acordo com
as definições léxicas de suas palavras. Numa interpretação
figurada, as palavras são interpretadas segundo significados
indiretos.
No caso de um texto oriundo de uma tradição cultural
desconhecida, eu recomendaria uma apresentação direta, e é
justamente esta a abordagem por mim adotada neste livro.
Eu não recomendaria insistir de forma por demais veemente
numa interpretação literal ou figurada — pelo menos não a
princípio. Isto porque não é fácil entender o significado de
material escrito oriundo de outra cultura.
É possível definir o significado verdadeiro de um texto
como sendo o significado pretendido pelo autor. O
significado verdadeiro pode ser literal do ponto de vista do
autor, ou pode ser figurado. Porém, se prematuramente
tentarmos chegar à nossa própria interpretação literal ou
figurada do texto, poderemos deixar escapar por completo o
sentido pretendido pelo autor.
Que entendimento tinha o autor de suas próprias palavras?
Se ele trabalhava no âmbito de uma tradição cultural
consagrada, presume-se, então, que usava palavras de acordo
com os significados aceitos naquela tradição. Mas uma
pessoa abordando a tradição a partir de um ponto de
observação estrangeiro poderá não achar tão fácil entender
aqueles significados. Para entendê-los, o forasteiro poderá
ter que se enfronhar naquela tradição cultural por bastante
tempo e aos poucos assimilar significados através do uso e
do contexto.
Alguns significados poderão diferir de tal maneira daquilo
que uma pessoa está acostumada a pensar que ela ficará sem
assimilá-los por muito tempo. Ela tenderá a tirar palavras do
contexto entendido pelo autor e incuti-las num contexto
imposto por seu próprio condicionamento cultural. Isto
poderá levá-la a rejeitar o texto por julgá-lo absurdo, e
semelhante rejeição poderá criar um estorvo ao
entendimento verdadeiro.
Consideremos, por exemplo, a afirmação védica segundo a
qual seres chamados devas vivem em Svargaloka. Que
significa Svargaloka? Segundo o dicionário Sânscrito-Inglês
de Apte, significa: "1. a região celestial, 2. paraíso." Baseados
em idéias modernas de astronomia, podemos achar que isto
se refere a alguma região do espaço exterior. Logo, talvez
julguemos ser absurdo dizer que os devas vivem em
Svargaloka, já que isto significaria que eles devem estar
flutuando no espaço junto de cometas e raios cósmicos.
Em capítulos anteriores, interpreto Svargaloka como se
referindo a um domínio supradimensional que não se pode
incluir no espaço tridimensional comum. Mas qual é a
minha justificativa para ter apresentado esta idéia?
O dicionário não nos ajuda aqui, porque as palavras região
celestial e paraíso não nos dizem se a região em questão é
tridimensional ou supradimensional. Não há motivo para
sondarmos os significados mais profundos de celestial e
paraíso, uma vez que estes significados se relacionam com a
cultura ocidental, e não à cultura védica.
Se nos voltamos para os textos védicos, estes não
apresentam uma solução direta para este assunto, pois, pelo
que pude verificar, não há palavras sânscritas que
correspondam diretamente ao termo supradimensional.
Qual é, então, a justificativa para eu introduzir este termo?
Optei pela inclusão da idéia matemática de espaço
supradimensional pelo fato de ela proporcionar uma
explicação coerente de muitos pontos detalhados em textos
védicos envolvendo modalidades de viagem e relações entre
lugares no universo. Esta idéia, suspeito eu, aproxima-nos
mais do significado pretendido dos textos védicos do que a
idéia de Svargaloka como sendo uma região comum do es-
paço exterior acima de nossas cabeças. No entanto, não me
resta dúvida de que se trata apenas de uma aproximação.
Para podermos apreciar o significado verdadeiro, teríamos
de nos tornar profundos conhecedores da visão de mundo
védica.
Esta idéia de Svargaloka como sendo supradimensional é
uma interpretação literal, ou é figurada? Na verdade, embora
se trate de um uso figurado do termo supradimensional, a
idéia procura nos aproximar do significado verdadeiro de
Svargaloka pretendido pelos autores védicos. Em geral,
recomendo os interessados a se aterem rigorosamente aos
textos originais, procurando, ao mesmo tempo, apreciar o
significado por eles pretendido com base no contexto
global. Como este é um processo lento, nosso entendimento
em qualquer momento dado deverá ser encarado como
experimental.
Conforme seria possível objetar, os textos védicos devem
ter sido compostos por pessoas primitivas. Logo, não
poderia Svargaloka ser referência a algo tão sofisticado
quanto um reino supradimensional. Na certa, refere-se
apenas ao céu bem acima de nossas cabeças.
O problema aqui é que mesmo pessoas em geral tidas como
primitivas, tais como os aborígenes australianos, têm idéias
sofisticadas que um ocidental poderá achar difícil assimilar.
Que entendimento um aborígene tem do céu? Talvez calhe
de ser algo bastante difícil para o nosso entendimento. Isto
se aplica mais ainda à literatura védica, que sem dúvida é
sofisticada de muitas maneiras.
Seria possível, portanto, formular a seguinte pergunta: se é
difícil apurar os significados verdadeiros dos textos védicos,
não seria sensato consultar autoridades que tenham
estudado estes assuntos a fundo e se ater às interpretações
recomendadas por eles? A resposta é que, sem dúvida, esta é
uma boa idéia, mas que autoridades deveremos escolher? As
três opções relacionadas acima apresentam três grupos de
possíveis autoridades: (1) as sampradãyas tradicionais, (2)
pessoas que procuram acomodar idéias tradicionais a idéias
modernas, e (3) eruditos em indologia.
Se quisermos realmente entender o significado original
pretendido da literatura védica, não poderemos nos
esquecer do primeiro grupo. A maioria das sampradãyas
tradicionais enfatiza a apresentação direta. Tenho estudado
particularmente os ensinamentos da sampradãya gaudiya
vaisnava, que foi fundada por Caitanya Mahãprabhu no
século XVI e descende da antiga escola de Madhvãcãrya.
Conforme tenho observado em muitas ocasiões, se um
comentarista desta escola depara, num texto, com dois
pontos aparentemente contraditórios entre si, ele só faz
apresentá-los tais como eles são, com contradição e tudo.
Alguém poderia dizer não ser inteligente fazer isto. Porém,
a intenção do comentarista é de preservar a tradição tal
como ela é, e pronto. Chegando-se a um entendimento ou
não, tal entendimento deve se basear nos textos originais
que servem de alicerce para a tradição.
Em contraste, a abordagem das pessoas do segundo grupo
procura tornar a literatura védica aceitável, dando uma
interpretação indireta para afirmações védicas que pareçam
discordar de idéias modernas. Isto acarreta interpretar certas
afirmações de forma figurada e descartar outras por
considerá-las embelezamentos feitos por poetas
imaginativos demais.
Consideremos como uma pessoa de formação moderna
reagiria à história do rapto de Arjuna por Ulüpi (veja
Capítulo 6). Caso esta pessoa seja hindu, talvez opte por
aceitar a existência de Arjuna como uma personalidade
histórica. Contudo, poderá fazer objeção à história de
Arjuna sendo arrastado para Nãgaloka por Ulüpi por
concluir ser esta uma fantasiosa invenção poética. De
acordo com a história, Arjuna foi levado Ganges abaixo; no
entanto, em vez de chegar ao fundo do rio, ele entrou no
mundo dos nãgas. Uma pessoa educada tende a rejeitar isto,
porque sabe que tais coisas são impossíveis.
Entretanto, os dados sobre óvnis analisados neste livro
contêm muitos relatos modernos de pessoas que parecem
ser levadas através de matéria sólida por um ser misterioso.
Para uma pessoa familiarizada com estes dados, o rapto de
Arjuna por Ulüpi poderá parecer enquadrado no âmbito da
possibilidade. Ao mesmo tempo, semelhante pessoa poderá
continuar julgando impossíveis outras facetas da história de
Arjuna.
Como nossas idéias sobre o que parece possível tendem a
mudar à medida que nosso conhecimento muda, não
podemos usar estas idéias como o fundamento para uma
interpretação indireta e permanente da literatura védica.
Logo, ao invés de apresentar semelhante interpretação, é
melhor apresentar os textos védicos tais como eles são e
deixar que o entendimento do significado deles se
desenvolva aos poucos. Isto se aplica em especial a um livro
como este, cuja introdução de provas empíricas acerca de
óvnis tenderá a alterar nossa idéia do que seja possível ou
impossível.
Segundo se poderá objetar, no entanto, muitos eruditos das
universidades encaram a literatura védica como mitologia
acientífica que não se baseia na realidade. Portanto, ela não
pode nos ajudar a entender o fenômeno ufológico.
Provavelmente, não será possível justificar amplos estudos
desta literatura, comparados com os dados sobre óvnis, na
expectativa de a ciência evoluir assim.
Não seria difícil encontrar eruditos no campo da indologia
para apoiar esta posição. Porém, devo salientar que os
pontos de vista convencionais de eruditos desta área talvez
não sejam tão objetivos e imparciais quanto seria de se
esperar. De fato, esta área de conhecimento tem um
histórico de preconceito religioso e étnico. Para verificar
isto, vale considerar a história inicial da indologia.
Quando os britânicos começaram a colonizar a índia no
século XVIII, eles entraram em contato com os
ensinamentos védicos. Isto logo deu origem a um conflito
entre a sua fé cristã e a religião dos hindus. Este conflito
envolvia, por um lado, a constatação de uma ameaça ao
cristianismo por parte do hinduísmo e, por outro, a
oportunidade de difundir o cristianismo pela conversão dos
hindus. O aspecto ameaçador do hinduísmo foi salientado
pelo pioneiro indólogo John Bentley em sua crítica a um
inglês (provavelmente John Playfair) que escrevera em
louvor aos escritos védicos. Bentley escreveu:

Ao tentar apoiar a antiguidade dos livros hindus contra fatos
absolutos, ele sustenta todos aqueles horrendos abusos e
imposições neles encontrados, sob a pretensa sanção da
antiguidade. (...) Como se isso não bastasse, seu objetivo vai
mais fundo ainda; pois, pelo mesmo método, ele se esforça
no sentido de subverter o relato mosaico e enfraquecer o
próprio fundamento de nossa religião: se acreditarmos na
antiguidade dos livros hindus, conforme é desejo dele que o
façamos, então o relato mosaico não passa de uma fábula, ou
uma ficção.

Adotou-se uma estratégia de traduzir os livros védicos para
o inglês de modo que pudessem ser usados para convencer
os hindus da inferioridade e falsidade de sua religião. Com
este objetivo, o coronel Boden doou uma farta quantia à
Universidade de Oxford em 15 de agosto de 1811, para a
constituição de uma cadeira de Estudos Orientais. Monier
Williams, que dirigiu esta cátedra até sua morte em 1899,
escreveu:

O objetivo especial de sua [de Boden] magnânima doação foi
de promover a tradução das escrituras para o inglês... de
modo a capacitar seus compatriotas a proceder à conversão
dos nativos da índia à Religião Cristã.

O erudito alemão Friedrich Max Müller, vindo para a
Inglaterra para assumir esta tarefa, publicou muitas
traduções de textos védicos que ainda são considerados
modelares. Em 1886, Müller escreveu o seguinte para a sua
esposa:

Espero concluir a obra e estou convencido de que, ainda
que não viva para ver isto acontecer, mesmo assim, minha
edição e a tradução do Veda doravante darão testemunho de
grande parte do destino da índia e do crescimento de
milhões de almas no país. Trata-se da raiz da religião deles, e
estou certo de que lhes mostrar esta raiz é a única maneira
de erradicar tudo o que dela derivou durante os últimos três
mil anos.

A técnica usada por Müller e seus colegas era semelhante
àquela conhecida por quantos tenham estudado o assunto
ufológico: ridicularize o que você não entender e
modifique-o usando termos corriqueiros. Por exemplo: os
deuses são forças naturais personificadas e convertidas em
ídolos fúteis por sacerdotes astutos que perpetraram fraudes
piedosas.
Hoje em dia, os indólogos em geral não estão interessados
em converter os hindus ao cristianismo. No entanto, eles
herdaram um legado de ridículo e mal-entendido dos
fundadores de seu campo de conhecimento que continua a
exercer sua influência. Encerrarei citando uma observação
da usual tradução inglesa do Visnu Purãna, de Horace H.
Wilson (originalmente publicada em 1865). Com relação aos
Purãna, Wilson disse:

Eles podem ser isentados de subserviência a qualquer coisa
exceto a impostura sectária. Foram fraudes piedosas para fins
temporários: jamais emanaram de alguma combinação
impossível dos Brahmans de modo a engendrar, para a
antiguidade de todo o sistema hindu, quaisquer pretensões
que este sistema não tem como sustentar por completo.
Grande parte do conteúdo de muitos, alguma parte do
conteúdo de todos, é autêntica e antiga. A interpolação ou o
embelezamento sectários são sempre suficientemente
palpáveis para serem excluídos, sem prejudicar o material
mais autêntico e primitivo.
Nesta passagem, Wilson usa o tipo de linguagem negativa
que é típica dos fundadores da indologia. Porém, admite que
os Purãna contêm material antigo e autêntico. Este chamado
material "primitivo" poderá nos proporcionar uma inusitada
perspectiva da realidade que nos ajudará a elucidar a
natureza do fenômeno ufológico.

Apêndice 3
Casos Indianos contemporâneos

Neste apêndice, apresentarei quatro histórias da índia dos
dias atuais que estão relacionadas aos temas analisados neste
livro. As duas primeiras são acerca das experiências pessoais
de Kannan (pseudônimo), um quarentão do sul da Índia.
Nestas duas histórias, a única testemunha foi o próprio
Kannan. As duas outras, também contadas por ele,
envolvem testemunhas múltiplas, e a primeira delas não
envolveu diretamente o próprio Kannan. Meu objetivo, ao
apresentar estas histórias, é demonstrar que os fenômenos
sendo relatados hoje na índia apresentam paralelos tanto
com fenômenos ufológicos americanos e europeus quanto
com temas védicos tradicionais.
Embora tivesse uma educação hindu tradicional, Kannan se
rebelou contra ela na juventude, adotando idéias populares
de ateísmo e ceticismo racional. No fim dos anos 60 e no
começo dos 70, trabalhou para a TVS and Sons, importante
indústria automobilística do sul da índia. Durante este
período, retomou seu interesse inicial por questões
espirituais, passando a estudar diversos movimentos
religiosos indianos populares. Passou algum tempo ligado à
instituição de Sathya Sai Baba, e mais tarde se envolveu com
o Movimento da Consciência de Krishna (ISKCON).
Durante vários anos, foi professor numa escola (gurukula)
administrada pela ISKCON na aldeia de Mãyãpura, Bengala
Ocidental, a terra natal de Caitanya Mahãprabhu, mestre
religioso do século XVI.

A dama da varíola

A primeira história tem a ver com os encontros que Kannan
teve em sua infância com uma mulher misteriosa que o
curou e alguns de seus amigos da varíola. É tradição entre as
pessoas do sul da índia adorar uma deusa, às vezes chamada
Mariamma, que, segundo dizem, tem controle sobre esta
doença. Segundo sugere a história, Kannan teve encontros
com esta deusa ou com um ser semelhante. Quem quer que
tenha sido, a chamarei de a dama da varíola.
Esta dama tem uma série de características que fazem
lembrar entidades ufológicas relatadas amiúde. Ao mesmo
tempo, a forma como Kannan a descreve condiz
estreitamente com tradicionais relatos védicos sobre devas
femininos (ou deusas). Os seis pontos seguintes resumem as
características salientes da dama da varíola:

1. Ela aparecia em ocasiões de epidemias de varíola e, de
forma mística, curava os enfermos.
2. Tinha a aparência clássica de uma mulher celestial,
conforme a retratam esculturas de templos do sul da Índia.
Tinha testa grande, cintura bem fina e seios fartos. Vestia-se
com bastante elegância na tradicional moda védica. Tinha
um ar de autoridade, como o de uma pessoa muito
aristocrática.
3. Kannan pôde perceber que ela respirava. Porém, ao
mesmo tempo, o impacto que ela exerceu sobre ele foi mais
parecido com aquele de uma bela pintura ou escultura do
que o de um ser humano de carne e osso.
4. Ela flutuava no ar e atravessava objetos. Parecia estar
"numa trilha diferente" e parecia usar portas e escadas
humanas apenas por convenção social.
5. Comunicava-se por telepatia. Em certa ocasião, pareceu
estar falando normalmente, mas o movimento de seus lábios
não combinava com o som percebido. Kannan comparou
isto à dublagem de um filme.
6. Era capaz de bloquear o pensamento de uma pessoa.

Os itens 4, 5 e 6 afloram repetidas vezes em relatos sobre
entidades ufológicas, e, conforme salientei no Capítulo 6,
estes itens se equiparam aos siddhis, ou poderes místicos,
védicos. Segundo uma possível interpretação para estes
paralelos, as entidades ufológicas, a dama da varíola e os
humanóides descritos na literatura védica podem ter algo
em comum. Todos eles podem ser seres reais da mesma
natureza.
Além de ser apenas tosca a semelhança entre a aparência
física da maioria das entidades ufológicas relatadas e aquela
de humanóides védicos clássicos, as entidades ufológicas
costumam ostentar roupas estranhas, variando de estranhos
macacões a algo encontrável numa loja de fantasias. Em
contraste, a dama da varíola se enquadra perfeitamente na
iconografia védica clássica. Isto levanta a inevitável questão
da influência cultural. Acaso a experiência de Kannan foi
influenciada por seu condicionamento cultural indiano? É
interessante observar o fato de o próprio Kannan não saber
praticamente nada a respeito dos contatos ocidentais com
ovnis. Porém, quando lhe contei a respeito dos raptos por
óvnis, ele aventou a hipótese de os seres relatados pelas
pessoas serem um produto do condicionamento cultural
ocidental.
Eis três possíveis relações entre os contatos com entidades
relatados e o condicionamento cultural das testemunhas:

1. As pessoas relatam seres imaginários com características
determinadas por sua cultura.
2. Seres reais aparecem para as pessoas sob formas que elas
esperariam ver com base em sua cultura.
3. Seres reais aparecem para as pessoas de acordo com as
normas culturais dos próprios seres, e isto influencia o
desenvolvimento da cultura humana no decorrer dos
séculos.

Como já analisei provas indicando o fato de muitos relatos
sobre óvnis envolverem seres reais, creio poder sugerir que
um levantamento minucioso de casos atuais de contatos
indianos poderia indicar o fato de muitos deles também
envolverem seres reais. Isto sugere que deve haver muitos
casos de contato incompatíveis com a opção 1, embora
algumas pessoas possam de fato experimentar fantasias
compatíveis com ela.
Muitos casos de contato imediato, suspeito eu, talvez
envolvam uma combinação das opções 2 e 3. A opção 2
parece se aplicar a casos de seres que adotam estilos de
vestuário humano limitados estritamente a um momento
específico da História. Um exemplo disto seriam os contatos
com óvnis nos quais, segundo relatam, as entidades vestem
trajes espaciais ou roupas ocidentais modernas.
A opção 3 pode se aplicar a casos onde seres aparecendo na
sociedade indiana tradicional ostentam antigos estilos de
vestuário védico. Também pode haver outras culturas
tradicionais onde grupos específicos de seres exercem
influência cultural por meio de suas próprias normas
culturais no decorrer de longos períodos de tempo. (Isto
lembra as culturas americana nativa e celta.) Em tais casos, a
sociedade humana e os grupos de seres visitantes poderão
formar uma unidade cultural ampliada. Sem dúvida, a antiga
sociedade descrita na literatura védica parece ser um
exemplo disto.
No Capítulo 10, chamei atenção para o fato de que as
experiências indianas de proximidade com a morte seguem
um padrão diferente daquele das EQMs ocidentais.
Conforme sugere Ian Stevenson, estas talvez não sejam
meras diferenças culturais. Talvez haja diferenças reais entre
a experiência de morte na Índia e no Ocidente, e estas
diferenças poderão depender de diferenças na política de
seres supradimensionais com relação aos indianos e aos
ocidentais. Na minha opinião, as diferenças transculturais
em experiências de contato imediato podem depender de
diferenças de política semelhantes. Sendo assim, em
culturas tradicionais, os seres supradimensionais poderão
continuar a se relacionar com os humanos de acordo com
normas antigas mas, nas modernas sociedades high-tech,
poderão adotar outras modalidades de comportamento em
resposta a circunstâncias mutáveis.
A dama da varíola pode ser um exemplo da modalidade
tradicional de interação entre humanos e seres
supradimensionais. No entanto, seja qual for a interpretação
correta, eis a história:

A primeira vez foi quando tive varíola, e não havia ninguém
em casa. Era de dia, talvez meio-dia, e eu vi aquela dama,
com vestes compridas, compridas. Eram de um
comprimento tão anormal que, se tentasse entrar pela nossa
porta adentro, ela tropeçaria nelas. Ela estava na altura
daquele fichário [um fichário de cerca de 1,50m de altura].
Tinha fisionomia fina, rosto comprido e cabelos
encaracolados.
Eu estava cheio daquelas feridas de varíola, e aquilo estava
me incomodando muito. Como minha mãe não estivesse ali,
fiquei preocupado. Aquilo era demais para mim. Eu pensava:
"Minha mãe não está aqui", e me sentia desamparado.
Naquela vez, eu a vi àquela altura [1,50m]. Embora ela
estivesse sentada, não havia nada ali, nada em que ela
pudesse se sentar. Ela estava sentada assim, com uma perna
sobre a outra. Ela olhava para baixo e me dirigia a palavra —
mas sem palavras. Ela me dizia coisas, mas não se ouvia som
algum. Não era algo parecido com o idioma que eu falo, mas
ela dizia, ou se poderia dizer que ela transmitia o seguinte de
alguma forma: "Não se preocupe, em dois dias você estará
bem. Tudo estará bem."
Aí ela disse que algumas crianças não resistiriam. A dois
quarteirões de nossa casa há o que chamamos de setor
policial. É onde ficam algumas residências de policiais. São
casas de um só piso, alinhadas entre as cercas. Assim, ela me
avisou: "No setor policial, algumas crianças não resistirão,
mas nada lhe acontecerá."
Naquela ocasião, eu só estava preocupado com minha
doença, e não tive o menor medo nem perguntei quem ela
era ou por que pairava no espaço. Estas coisas jamais me
ocorreram. Eu só queria saber de alguém que me dissesse:
"Você ficará bom." Se não me falha a memória, aquela deve
ter sido a primeira vez. Eu era bem pequeno. Quantos anos
eu tinha? Uns quatro ou cinco. Talvez cinco. Aquela foi a
primeira vez.
Encontrei-me com a dama de novo, pelo menos duas vezes,
talvez três vezes, mas ela sempre aparecia quando havia um
surto de varíola na cidade. Por incrível que pareça, duas
crianças, que inclusive eram conhecidas nossas, morreram
no setor policial. E eu me recuperei no segundo dia, muito
embora ainda houvesse muitas feridas de varíola em meu
corpo. Durante a noite do segundo dia, tive muita sede e
quis beber um pouco d'água. Disseram-me para não olhar no
espelho, porque a doença nos deixa com uma aparência
horrível. Porém, quando fui pegar um pouco d'água para
mim, olhei no espelho para constatar que todas as feridas
tinham secado. Embora isto tivesse acontecido em dois dias,
todos achavam que eu ainda iria sofrer pelo menos mais
duas semanas, e por isso me traziam folhas de nim e outros
remédios para amenizar a ardência que eu sentia.
Mas eu percebi que aquela pessoa sempre aparecia quando
havia um surto de varíola — é em pleno verão que ela
irrompe. Hoje eles dizem que a têm sob controle por conta
da vacina. Eu duvido muito, mas é o que eles dizem.
Tradicionalmente, costuma-se realizar um festival nesta
época porque dizem ser a varíola uma expansão de Durgã [a
universal Mãe Divina]. Ela a traz e, estando satisfeita com
você, não o deixa sofrer. Mas estou cem por cento certo de
que aquela dama não era Durgã. Não se tratava de alguém
tão elevado. Ao mesmo tempo, ela não era alguém deste
planeta, disto tenho certeza. Ela tinha um ar de autoridade.
Outra vez, vi-a descendo a escada da casa de um amigo
íntimo. Ali moravam quatro crianças, todas com varíola. As
pessoas costumavam pedir a minha mãe que viesse ler as
escrituras quando havia semelhantes surtos, ou quando
alguém morria, ou quando estava para morrer. Existe uma
história sobre Durgã. Minha mãe costumava lê-la como
parte de uma cerimônia religiosa, acompanhada de um
banquete. Eu costumava ir com ela. Todas as quatro crianças
que estavam com varíola estavam no andar superior da casa.
Disseram às outras crianças: "Não subam até lá porque se
trata de uma doença contagiosa. E é fácil de pegar." Como as
crianças fossem minhas amigas, tive vontade de subir para
vê-las. Mas todos foram terminantemente proibidos de fazê-
lo.
Só consegui subir para o piso superior quando todos estavam
entretidos com a cerimônia. À medida que eu subia, vi-a
vindo na direção oposta, mas sem caminhar, sem galgar
degrau por degrau. E, sugestivamente, ela estava com
aquelas vestes compridas que não seriam necessárias apenas
para lhe cobrir o corpo — uma roupa compridíssima. Era
algo como um corte de fazenda lindíssimo.
E como desta vez já estava mais crescido, eu estudava as
características dela. Antes, quando também sofria, eu não
ficava reparando nela. Apenas via alguém me dizendo que
eu ficaria bom. Mas desta vez eu olhei para ela prestando
bastante atenção. Descrevo-a aqui segundo a segunda ou
terceira vez que a vi. Ela vestia branco, branco puro — um
branco especial, e não um branco qualquer, do tipo da coisa
branca cremosa. Era uma roupa de alvura indescritível.
Seu cabelo era normal, mas talvez encaracolado. Embora
não fosse negro como o de uma mulher do sul da Índia, não
era alourado como o daqui [Estados Unidos]. Chamou-me a
atenção o fato de a cintura dela ser finíssima. Mais tarde,
estudei nas escrituras a respeito de quatro categorias de
corpos de mulher, bem como das apsarãs e dos gandharvas.
Ela parecia um espírito celestial e tinha a cintura finíssima.
Seria difícil relacionar uma cintura fina daquelas com o
tamanho dos seus seios. Com um par tão farto de seios e
uma cintura daquela finura, alguém daqui daria a impressão
de estar para despencar a qualquer momento. Com aquela
cintura finíssima e coxas compridíssimas, ela estava vestida
com um kacha como se fosse um dhoti de brahmacãri da
cintura para baixo. E aquele tecido comprido estava ligado
por cima a um pedaço de tecido justo por trás, como se vê
nas esculturas. Mas o traje dela, a roupa que ela usava, era
compridíssimo.
Seu rosto tinha traços bem marcados. Ela era lindíssima e
não chocava o olhar. Quem a vê sente estar demonstrando
seu respeito a alguma pessoa digna de reverência. Você não
sente o mesmo choque provocado por ver um duende
[bhüta] ou um fantasma. Não há choque algum. Eu já tive
visões de algumas formas de Durgã, mas a sensação neste
caso é de que se está diante de um oficial militar. Durgã faz
você se sentir assim, mas ela fa dama da varíola] não nos faz
sentir isso. É como se um aluno cruzasse com o vice-reitor
da faculdade caminhando pela calçada da universidade —
mesmo sendo uma circunstância extra-oficial, você sabe que
se trata de uma pessoa de alto cargo.
Enquanto descia a escada, ela me disse: "Seus amigos estão
bem. Por você estar tão preocupado com eles, eu vim vê-
los, e agora eles estão bem." Foi então que nutri o desejo de
manter algum contato com aquela pessoa. É uma escadaria
assim e eu estou bem aqui. Fiquei ali parado de propósito na
passagem dela. Acho que eu planejava dizer: "Por que não
vem visitar nossa casa?" ou "Quando posso vê-la de novo?",
ou algo assim. Mas algo que ocorre em muitos destes
incidentes é que olham para você e o fazem "desligar o
pensamento" — você fica sem capacidade de pensar nas
coisas. Você se sente tão atraído a olhar para eles e apreciar
a situação que, antes mesmo de conseguir pensar em algo,
eles já se foram. Eles fazem isto sem o menor esforço.
Era assim que ela se locomovia — flutuando. Mas o
movimento dela nada tinha a ver com o desenho da escada.
Ela percorria um caminho diferente. A escada não fazia a
menor diferença para ela, dava para perceber isto. Mas eis
um detalhe interessante. Apesar de essas coisas não fazerem
a menor diferença, eles usam as escadas para subir. Mas por
que isto? Tenho uma resposta para esta pergunta, mas ela
não se aplica a este caso. Eles usam a porta. Não precisam
atravessar a porta, mas usam ela. Também usam as escadas.
Em vez de pularem, usam as escadas.
Assim aparecia ela, para então simplesmente me atravessar
no sentido de que ali estava e depois não estava mais. Eu
olhava para trás de mim e lá estava ela com um grande
sorriso no rosto, como se quisesse dizer: "Viu? Quando você
tenta me conter e me pede algo, eu já fui embora." Um
grande sorriso no rosto.
E ela tinha uma testa enorme. Temos estas quatro espécies
de corpos humanos femininos, as quais são analisadas na
escritura — nossas formas humanas femininas. Mas este ser
não se enquadra em nenhuma das quatro.
Logo ela não é daqui. Mas, sem dúvida, eu não entendia
essas coisas todas naquela época. É difícil para mim
remontar àquela época e dizer exatamente o que eu sentia
na ocasião, isto porque nos últimos tempos tenho entendido
coisas que agora me confundem.
Na época acho que não dei muita importância a esta
experiência. Mais tarde, após ter tido tantas outras
experiências, isto se tornou muito importante para mim. Ela
é uma kuladevata. Fui descobrir isto bem mais tarde. Uma
linhagem familiar específica é protegida por semelhante
pessoa. Como eu pertenço àquela linhagem familiar
específica, ela teve um interesse especial por mim. Assim,
como eu estava preocupado com aqueles meninos, ela os
visitou, muito embora eles não sejam de nossa família.
Talvez eu a tenha visto uma vez mais, mas desta vez eu
estava crescido. Não atingira aquele ponto em minha vida
em que passara a ter alguma espécie de descrença. Isto ainda
não me acontecera. Disso eu me lembro.
Foi num festival. Existe um templo antiqüíssimo de Durgã
naquela cidade — ela protege a cidade. Durante o festival de
verão, eles fazem um chafariz em frente ao salão do templo.
Ali eles colocam um limão, que sobe e desce na água. Eu ia
lá todo dia para ver aquilo, e ficava ali parado, olhando para
o limão por um bom tempo. "Como conseguiram fazer isto
com o limão?"
Tudo começava às quatro da tarde, quando ainda não havia
quase ninguém no templo. Por volta das cinco, todos
apareciam. Aí, eu dava um giro em torno do templo e
voltava para dentro. Porque, como você sabe, quem dá um
giro em torno do templo pode receber alguma bênção ou
alguma coisa. Assim, se você se sente cansado, tenta fazer
duas coisas ao mesmo tempo — caminhar e fazer alguma
boa ação. Enquanto eu dava meu giro, nos fundos do templo
faziam adoração às kanyãs, virgens.
De repente, num dos giros, lembrei-me daquela dama —
num estalo de dedos. Bastou eu lembrar para ela de imediato
aparecer sob uma figueira-de-bengala próxima a uma grande
plataforma de cimento. Ali estava ela, bem em frente da
plataforma. E ela estava numa ótima e bela pose, com um
gesto de quem abençoa — como numa pose de dança. Eu
andei com tanta rapidez na direção daquele local que era
como se algo estivesse me puxando para lá. Cheguei tão
perto dela que, se ela respirasse, segundo costumamos dizer,
daria para sentir seu hálito no meu rosto.
Ela é muito alta comparada com nossas mulheres do sul da
índia e mesmo com as mulheres de Rajput. Parado perto
dela, não senti o que sinto quando estou perto de pessoas
normais, como minha irmã, por exemplo. Era como se eu
estivesse diante de uma deidade ou de uma rosa. Mas, neste
ínterim, pude ver exatamente o formato das mãos, os seios,
as coxas e tudo. De qualquer modo, eles não são como os
membros do meu corpo. Assim, aquela foi a primeira vez
que tive um bom entendimento de semelhante experiência.
Essas pessoas existem. Embora tenham uma forma como
nós, não é uma forma como a nossa.
A pele dela tinha uma cor mais bonita que a da minha mão.
Mesmo diante daquela pele, não senti o mesmo que sentiria
se estivesse perto de uma mocinha. Não foi bem assim. Era
quase como se eu estivesse diante de uma bela pintura de
Sarasvati, ou da forma de deidade de Durgã. Porque, como
você sabe, a deidade é uma pessoa, e você não a encara
como uma estátua de pedra. Você não pensa se tratar de
uma estátua, mas sim de Sarasvati ou Durgã.
Mas, de qualquer modo, como eu estava bem perto dela, vi
que ela respirava. E não passou nada de errado pela minha
cabeça enquanto eu a olhava. Eu era muito respeitoso. Ela
impunha aquele tipo de atmosfera quando estava presente.
Você sente vontade de se prostrar e pedir alguma bênção ou
algo assim.
Então ela disse que eles fazem um orifício no limão e,
quando montam o chafariz, eles o colocam de jeito que ele
suba e desça. Aí eu ri. Olhei em volta para ver se havia
alguém por perto e não havia ninguém. Então, ela disse que,
mesmo havendo uma pessoa por perto, ela não se daria
conta de nada. Ela falou isto em meu idioma, e havia som.
Pude ouvir aquele som. Também pude sentir o alento dela.
Sua respiração era comparativamente muito lenta — como a
de uma pessoa doente. Mas ela tinha traços muito finos,
belíssimos. E também notei que ela tinha uma pinta na testa,
pois eu estava bem perto dela.
Reparei nos seus lábios. Embora se mexessem, não
sincronizavam com as palavras. Na verdade, ela falava
alguma outra coisa. Segundo analisei, ela devia estar falando
alguma outra coisa, que eu podia entender por estar ouvindo
meu idioma. Assim, achei que aquilo soava como uma
dublagem de filme.
E aí ela disse: "Você será capaz de ver todos nós. Você verá
muitos de nós." Ela me lembrou de que, ainda criancinha,
sempre que me levavam aos templos, quando via Ganesa
[um dos devas principais], eu o chamava de irmão mais
velho em voz alta. Todos entoavam "jaya Ganesa" ou algo
parecido, mas eu dizia "anna". Anna significa: "Ó irmão mais
velho." Assim, ela mencionava que, assim como eu
chamava Ganesa de anna, da mesma forma, disse ela: "Você
tem contato conosco. E você está protegido." E completou:
"Se não o estivesse, teria olhado para mim da mesma
maneira que olharia para outra pessoa [i.e., com luxúria]." E
arrematou: "Não, você está protegido. Nós podemos
protegê-lo disto."
Então, ela disse: "Na verdade, enquanto você nutrir o
desejo..." Embora eu esteja usando estas palavras agora, não
foi bem assim que ela falou. Suas palavras eram mais simples
e não tão filosóficas. Se você nutrir o desejo de desfrutar,
então, não lhe daremos semelhante proteção. Assim disse
ela, e de forma bem distinta: "Aprenda a ver em toda
mulher uma expansão de Durgã." E pôs a mão sobre minha
cabeça. Aí, eu senti: "O meu Deus, que é isto?" Não era
como aquilo que sentimos se alguém toca em nós. De
repente, senti meu corpo esfriar. Esfriou mas foi uma
experiência muito maravilhosa. Aquilo foi mais uma
experiência do que um mero toque.
Ela me acariciou assim por trás, na cabeça, como se faz com
um menino. E aquilo me confortou de verdade, como se
viesse de uma mãe afetuosa. De alguma forma, senti um
grande respeito por aquela pessoa. Parecia uma pessoa muito
respeitável ocupando uma posição superior que vem lidar
com algum pobrezinho — como se a rainha tivesse vindo
cumprimentar alguém. Aí eu lhe perguntei: "Será que vou
vê-la outra vez, será que vou encontrá-la de novo?" Aí ela
disse: "Só se você precisar de mim." Eu não a vi depois
daquilo. Aquela foi a última vez.

A lança de Karttikeya

A história a seguir apresenta uma indicação adicional da
educação de Kannan. Esta história, apesar de ser bastante
distinta de típicos relatos sobre contatos imediatos com
óvnis, não parecerá incomum para pessoas familiarizadas
com relatos sobre santos e místicos indianos. A experiência
relatada por Kannan poderia ser classificada como uma
"visão religiosa". Tanto quanto a história da dama da varíola
e muitos relatos sobre óvnis, ela apresenta fenômenos,
orientados por alguma forma de inteligência, que parecem
emergir de outra dimensão.
Neste caso, no entanto, os fenômenos estão vinculados de
modo explícito à tradicional deidade védica chamada
Kãrttikeya. Na literatura védica, Kãrttikeya é o principal
chefe militar dos devas. Ele é filho do Senhor Siva, tendo
sido criado por virgens que habitam a constelação Krttikã (as
Plêiades). É notável que as pessoas da índia ainda hoje
relatem experiências explícitas relacionadas a tais deidades
védicas.
Conforme uma característica desta história, Kannan parecia
ter conhecimento incomum acerca de Kãrttikeya —
conhecimento este presumivelmente adquirido numa vida
anterior. Isto combina com a afirmação da dama da varíola,
segundo a qual Kannan manteria contato regular com seres
superiores, estando ligado a eles de alguma maneira.
Conforme salientei em capítulos anteriores, muitos contatos
ufológicos também alegam ter uma relação especial com
seres superiores, e alguns alegam, ainda, que isto remonta a
uma vida anterior.
Eis a história:

Certa vez, fugi de casa e fui parar no templo de
Sarigamesvara. É um templo de Siva, e Kãrttikeya está ali.
Eles têm a deidade de Kãrttikeya, e têm um pavão e uma
lança próxima do pavão. Este é o costume de adoração em
templos de Siva. Eles mantêm o veículo da deidade à frente
[i.e., o pavão] e, ao lado dele, a arma daquela deidade em
particular.
Fui ao templo e fiz todas as coisas que se deve fazer neste
caso. Eu costumava aprender que coisas devem ser feitas
num templo de Siva sem fazer perguntas a ninguém. Eu
sempre sabia onde me virar, onde me sentar e onde ficar em
pé. Existe todo um cerimonial para se visitar o templo de
Siva. O templo de Siva é uma réplica de Kailãsa, e o templo
de Visnu é uma réplica de Vaikuntha. De modo que a
etiqueta observada ao se entrar em Vaikuntha é a mesma
que se deve observar no templo de Visnu. E, se é um
templo de Siva, você faz tudo exatamente de acordo com o
costume em Kailãsa.
Assim, eu costumava fazer isto com muita naturalidade. Eu
dizia aos meus parentes: "Vocês devem fazer isto aqui e
aquilo lá. Por que não fizeram isto aqui?" Apesar de haver
algumas objeções a princípio, mais tarde, eles passaram a me
levar sempre que queriam ir a algum templo de Siva.
"Levem o Kannan que ele lhes explicará tudo." Eles
achavam se tratar de alguma bênção especial a mim
concedida.
Assim, realizei todo o cerimonial. Ele todo demora cerca de
45 minutos. Daí, vim até a área de Kãrttikeya e me sentei.
Eu costumava me sentar em pose de yoga, mesmo quando
era bem pequeno, e ali me sentei e fiquei olhando para
Kãrttikeya. Esta deidade tem seis cabeças, monta um pavão
e porta uma lança. Terminada a adoração no templo, o
sacerdote saiu. Ele passou por mim, mas não me viu. Depois
de sair, trancou a porta do templo. Não havia ninguém
exceto os deuses e eu. Assim, simplesmente fiquei ali
sentado. Não adormeci nem fiz mais nada.
Passou a noite toda. No dia seguinte, o sacerdote apareceu e
me perguntou se eu passei a noite sentado ali. Havia
mulheres que freqüentavam o templo todos os dias, de
manhã e à noite. Elas repararam em mim e ficaram curiosas.
Que este menino está fazendo sentado aqui neste local? Eu
olhei para elas, mas logo voltei a olhar para a lança. Aí,
começaram a dizer "Sadhu", e logo uma pequena multidão
me cercou.
As pessoas deixavam algumas oferendas na minha frente,
algumas frutas. Então, apareceu o sacerdote e, vendo aquilo,
me perguntou: "Onde está sua mãe? Que você está fazendo
aqui? Por que está sentado deste jeito?" Embora procurasse
encarar a situação normalmente, ele se sentia nervoso pelo
fato de eu estar sentado daquele jeito. De modo que,
naquela noite, após o sandhya ãrati, ele veio até mim e disse:
"Você vai ficar sentado aí deste jeito? Bem, se outro santo
vier, que haveremos de fazer? Quando tiver fome, coma
isto." Depois, disse: "Fique sabendo que não existe banheiro
neste templo. Estou trancando a porta e saindo. Voltarei a
vê-lo amanhã de manhã." Não respondi nada. Enquanto ele
saía, eu simplesmente olhava para a lança.
Quando todo silenciou lá fora, surgiu uma lança de dentro
daquela sala. Existe uma lança de pedra aqui, mas aquela
lança parecia feita de luz. Ela veio de lá para então parar
bem no lugar onde estava a lança de pedra — ficou pairando
ali, movimentando-se para lá e para cá. Embora parecesse
feita de luz, era como o ouro — metálica. É de metal, mas
contém tanto poder que você só vê a luz. Senti ser aquilo o
que eu estivera esperando. Olhei para ela e fiquei muito
feliz. Juntei as mãos em sinal de reverência. Durante todo
aquele tempo, senti algo travado em meu corpo. Mas aquela
sensação passou por completo, e eu me senti inteiramente
normal.
Existe uma oração para a lança no idioma tâmil. Na verdade,
é um mantra. Ele contém poder de semente. Surgiu aquele
som. Ali estava o som — uma poderosíssima voz de cem ou
duzentas pessoas cantando. Segundo diz a oração, a lança na
mão de Skanda [Kãrttikeya] dá proteção. Se alguém encarar
isto como um fato, a proteção se consumará. Olhando para a
lança, fazemos com que todos os fantasmas desapareçam, e
esta lança é a destruidora de todos os inimigos dos devas.
Entre as oito Laksümis, ela oferece um banquete para a
Laksümi da coragem. Ela matou Surapadma. Surapadma era
um demônio que obteve a bênção de só poder ser morto
por uma criança de cinco anos. A oração prossegue
narrando as glórias da lança. Assim, eu a ouvi como se fosse
o som do oceano. Era como se duzentas pessoas estivessem
cantando juntas.
Embora não houvesse ninguém no templo, eu não sentia o
menor constrangimento, choque, temor, nada. Sentia-me
inteiramente normal. Eu cantava acompanhando todo
aquele som. Aí cantei um verso, e a lança veio desse jeito,
talvez bem próxima assim. Então me levantei e prestei a ela
minhas reverências plenas. Em seguida, pus-me de pé e
fiquei assim parado, e ela ficou bem ali, por uns dois ou três
minutos. Aí, ela desapareceu num estalo de dedos. Enfim,
sentei-me de novo e comi um pouco de fruta.
De manhã, o sacerdote apareceu, olhou para mim e disse:
"Oh! Tão refulgente!" Aí, começou a vir a multidão. Era um
dia especial para o templo de Sarigamesvara, terça-feira, dia
de Siva. De modo que havia uma multidão ainda maior
sentada na minha frente, e eu agora já estava normal. Uma
senhora me perguntou se seu neto doente ficaria bom.
Peguei uma fruta e dei a ela, e ela se foi. Eu distribuía todas
as frutas. Bastava alguém me perguntar algo para eu lhe dar
uma fruta.
Uma pessoa me fez uma pergunta a respeito de um santo
chamado Kumãra-gurupara. Este é tanto o nome de um
santo quanto um dos nomes de Kãrttikeya. Esta pessoa me
perguntou se Kumãra-gurupara era Kãrttikeya, e eu lhe disse
que não. Aquilo criou um certo rebuliço entre as pessoas.
Como é que este menino sabe responder às perguntas? Aí,
passaram a fazer perguntas sobre Kãrttikeya. Quais são os
diferentes lugares sagrados de Kãrttikeya? E eu dizia que este
lugar é especial para isto, este outro lugar é especial para
aquilo. E passei a contar a respeito das glórias de
Sarigamesvara, e depois falei dos sete templos de Siva na
cidade. Mencionei muitas coisas que a maioria das pessoas
desconhece.
Enquanto isso se desenrolava, apareceu uma senhora no
templo que conhece nossa família, e ela os informou que eu
lá estava. Ela disse: "Seu filho se tornou um grande swamiji
lá. Todos o estão ouvindo." A essa altura, eles já estavam me
procurando fazia alguns dias. Naquele dia, meu irmão pegou
sua bicicleta e apareceu no templo. Ele entrou ali e foi na
direção de onde eu estava e me deu um tapa. "Você é um
patife. Mamãe está chorando." Todos ali presentes vinham
até ele e lhe diziam: "Este sadhu tem muito conhecimento,
portanto não faça isto." Mas meu irmão não ficou nem um
pouco impressionado, só fez me colocar na bicicleta e me
levar de volta à casa.

Encontro com uma Jaladevata

Na tradição indiana, Jaladevata é um ser que dá proteção a
pessoas cujas vidas estejam correndo perigo num corpo
natural de água em particular, tal como um lago ou o trecho
de um rio. Eis a história de um encontro com uma
Jaladevata acontecido recentemente em Mãyãpura, perto da
cidade de Navadvipa na Bengala Ocidental (cerca de três
horas de carro ao norte de Calcutá). Isto ocorreu perto do
fim de junho de 1992. Mãyãpura é uma área de pequenas
aldeias e templos rodeados por quilômetros de arrozais. Está
situada num trecho de terra demarcado por um braço do
Ganges, de um lado, e pelo rio Jalangi, do outro.
A história foi recontada pela esposa de Kannan, que estava
em Mãyãpura na ocasião e conhecia as pessoas envolvidas.
Kannan traduzia enquanto ela contava a história em seu
idioma nativo:

Alguns meninos da escola gurukula foram nadar no Ganges,
e um menino de cinco anos chamado Bhãgavat foi com eles.
Apesar de não saber nadar, ele resolveu acompanhar os
outros porque todos eles estavam indo para lá. Os pais dele
vinham bem atrás, e um dos meninos o levou de bicicleta.
Assim, quando todos mergulharam no Ganges, o menino
menor fez o mesmo, pensando: "Deve ser isto que devo
fazer."
Os pais chegaram à margem do rio cerca de cinco ou seis
minutos depois dos meninos, isto porque os meninos
estavam de bicicleta. Perguntaram: "Onde está Bhãgavat?" E
todos os meninos se entreolharam, dizendo: "Ué! Onde está
ele?" Ninguém sabia. Então, Dvaipãyana, um dos meninos,
mostrou à mãe: "Lá está Bhãgavat." Só dava para ver o dedo
dele apontado acima da superfície da água. Apesar de a
correnteza ser poderosíssima ali, eles o viram. Ele mantinha
a mão erguida, só dava para ver o dedo, mas ele permanecia
no mesmo lugar.
Ele não se mexia. Apesar da rapidez da correnteza, ele não
se mexia. Aí, como a sua mãe já estivesse transtornada com
a situação, Dvaipãyana, que sabe nadar, mergulhou no rio.
Perto daquele lado do rio, há uma grande correnteza, só
que, a uma pequena distância dali, há um banco de areia
onde brincam as crianças que sabem nadar. Mas o menino
estava do lado de lá, o lado da correnteza forte. Assim,
Dvaipãyana mergulhou, nadou até lá e trouxe o menino, que
não estava asfixiado. Ele estava normal.
Quando a mãe perguntou ao menino o que acontecera, ele
disse que a correnteza o arrastara para dentro do rio.
Quando estava prestes a se afogar, avistou uma senhora que
o ergueu de dentro da água. Ela o segurava dentro da água.
Ela tinha uma coroa, tinha brincos, estava muito bem ves-
tida e parecia linda — e o mantinha seguro. De modo que,
por algum tempo, ele sentiu que a correnteza o estava
arrastando, mas, em seguida, as mãos dela o mantiveram
seguro dentro da água. Foi isto o que ele disse. Ele não
parava de dizer para sua mãe: "Aquela senhora era linda." E
perguntava se aquela era a Mãe Ganges.

Óvnis sobre Mãyãpura

A última história de Kannan é um típico relato sobre visão
de óvni da categoria de luz noturna. Embora aquilo pudesse
ser um meteoro, talvez esta hipótese seja descartada pelo
fato de se ter dito que o objeto reduziu velocidade de rápida
para lenta e voltando à velocidade rápida. Incluo esta
história para demonstrar haver na índia relatos sobre visões
de óvnis.
A história demonstra, ainda, que uma pessoa de cultura
indiana nativa identifica naturalmente semelhante
fenômeno como um vimãna. É curioso o fato de Kannan ter
usado um exemplo do Rãmãyana para argumentar que o
óvni conseguia aumentar e diminuir de tamanho. Ele
introduziu esta idéia para explicar que alguém poderia estar
voando em algo que parecia tão pequeno.
Nesta visão, não se observou diretamente uma mudança de
tamanho, mas tais mudanças são mencionadas de vez em
quando em relatos sobre óvnis. Betty Andreasson, por
exemplo, relatou ter visto um óvni encolher numa razão de
duas ou mais vezes, muito embora estivesse ocupado por
dois humanos raptados e uns tantos seres ufológicos. Uma
observação possivelmente relacionada a esta foi feita por
Steven Kilburn, um raptado entrevistado por Budd Hopkins.
Kilburn afirmou ter sido levado para um óvni que parecia
muito maior por dentro do que por fora.
Eis a história de Kannan:

Eu sei que isto aconteceu durante a guerra do Golfo Pérsico,
pois tive uma aula à noite ouvindo o noticiário da BBC sobre
a guerra com os meninos do curso Bhakti Sãstri. Estávamos
acompanhando Saddam Hussein bem meticulosamente —
todos os movimentos dele. Então, eu colocava todos os
meninos em frente da minha casa ã noite. Dispúnhamos
uma esteira no chão, acendíamos as luzes e depois
ligávamos o rádio sob as estrelas. Certa vez, porém, ainda
não era hora do noticiário da guerra, e eles estavam trans-
mitindo uma conversa sobre um assunto irrelevante — as
aulas de dança de Charlie Chaplin — que divertia os
meninos. Era por volta das oito da noite, e eles estavam
todos muito à vontade fazendo piadas sobre o programa do
rádio.
Nós tínhamos duas cabanas, uma de frente para a outra, e
estávamos sentados perto da cabana que servia de sala de
estar. Sentado ali, olhei de repente para cima e vi uma luz
azul muito brilhante sobre a outra cabana. Ela começava na
estrela Dhruva, a estrela Polar, que pode ser vista por trás de
nosso prédio comprido. Ela começava de lá e se locomovia
com muita velocidade. Então, ao se aproximar da área de
nosso templo, passou a se locomover bem devagar. Tinha
uma cauda que era pequena no começo e ficava maior perto
do fim. E dava para perceber com bastante nitidez que havia
um objeto concreto na frente dela. Não era como uma
estrela nem era muito alto.
Eu já o estava vendo quando um dos meninos disse: "Que é
aquilo, Prabhu?" Aí, outro menino disse: "Que é aquilo? Que
é aquilo?" Todos nos levantamos e ficamos olhando para ele.
Éramos seis, cinco meninos e eu. Minha esposa estava na
cozinha cozinhando algo, mas ela também saiu porque
estávamos gritando: "Ei! Que é isto?" Talvez o objeto
estivesse a uma altura equivalente a uma palmeira e meia
acima do telhado da cabana, que não é muito alta. Tratava-se
nitidamente de um objeto. A maioria dos meninos se
concentrava na luz. Eu olhava para a parte dianteira, e pude
constatar se tratar de um objeto. Não era uma estrela nem
estava muito distante no céu. Estava bem ali. Além disso,
girava em torno de si mesmo, mas foi bem lento ao
sobrevoar a área pertencente ao Movimento da Consciência
Krishna. Em seguida, tomou o rumo do rio Jalangi para o
lado do gosãla [estábulo] ou talvez um pouco mais adiante. E
então acelerou. Era como se alguém reduzisse a velocidade
do objeto para examinar algo.
Era algo muito interessante, e os meninos não paravam de
fazer perguntas a respeito dele. Eu disse: "Bem, como vocês
sabem, as pessoas respeitam Mãyãpura — deve haver
alguém viajando nele." Mas, se o objeto inteiro parecia tão
pequeno àquela altura, devia ser bem pequeno. Que poderia
ser, então? Os meninos faziam toda espécie de perguntas.
De qualquer modo, segundo meu entendimento, era na
verdade um vimãna. Só que, por algum motivo, certos
vimãnas podem aumentar ou diminuir de tamanho. Ao
atravessarem determinadas áreas, eles aumentam ou dimi-
nuem de tamanho, conforme a área. Isto fica nitidamente
evidente quando Hanumãn observa o Puspaka-vimãna em
Sri Lankã. A princípio, tinha apenas dois assentos. Depois,
foi ficando cada vez maior. E, por fim, quando Rãma voou
nele, estava maior do que uma cidade. Ele levou todo o
exército de vãnaras a bordo do vimãna para Ayodhyã, onde
Sua coroação seria celebrada. Sendo assim, era um objeto
maior do que uma cidade.
Só aos nossos olhos ele parece pequeno. Na verdade, estou
certo de que era maior do que nossas quatro cabanas juntas.
Eles apenas o diminuíram de tamanho naquela ocasião,
provavelmente para atravessarem esta área tão respeitada...
Lembro-me distintamente de que pairava abaixo da altura de
nossa concha acústica. Estava tão próximo que não dava
para fazer nada a respeito. Em Mãyãpura, os gaviões voam
muito mais alto do que aquilo. Embora fosse algo anormal,
ficamos de todo desamparados olhando para ele. Quando
descrevi o acontecido para um cavalheiro muçulmano, um
velho fazendeiro, ele me disse que no céu acima de
Mãyãpura havia muitas coisas como aquela. As coisas vêm e
vão. As pessoas vêm e vão — tantas coisas acontecem
porque esta é a terra de Mahãprabhu. A terra dele fica
colada à nossa por trás do gosala. Ele arrematou dizendo:
"Não é de admirar que se vejam tais coisas no céu acima de
Mãyãpura."




---------------------
Edgar Madruga
http://groups.google.com.br/group/bons_amigos
Salvador/BA


 

 
 
Lançamento Gênesis do Conhecimento
Identidades Alienígenas - Richard L. Thompson
 
 
 
links ao final da mensagem
 
 
digitalização, formatação e revisão - Lucia Garcia
 
 
 
 
Sinopse:
 
Quem são eles? De onde vêm? O que pretendem?
Desde 1947, a realidade acerca dos óvnis tem merecido amplos estudos de pesquisadores do mundo inteiro. Mas ainda hoje inúmeras dúvidas pairam sobre as origens destas naves estranhas e as intenções dos seres que as pilotam.
Identidades Alienígenas encontra as respostas para tais questões na herança da cultura védica, que reúne em seus registros informações de milhares de anos de contatos com extraterrestres. Identificando surpreendentes paralelos entre relatos modernos sobre o fenômeno óvni e manuscritos da India antiga, o livro revela dados importantes - e até então despercebidos - sobre a real identidade e os objetivos desses visitantes.
As naves desconhecidas e misteriosas surgem nos textos sânscritos com o nome de Vimanas, e são diversas as narrativas que descrevem a ação de armas de destruição total, terrivelmente assemelhadas com os artefatos nucleares que ameaçam o equilíbrio do nosso planeta nos dias de hoje.
Richard L. Thompson é Ph.D. em matemática formado pela Universidade de Cornell, Estados Unidos. Sua contribuição para o campo das investigações em ufologia tem como base vinte anos de pesquisa científica e publicações de artigos cujos temas percorrem desde estudos sobre biologia matemática até a análise de projetos financiados pela NASA que contaram com a sua colaboração. Em Identidades Alienígenas, além da experiência na área ufológica, o autor recorreu à paixão e à profunda familiaridade com a literatura cosmológica da cultura védica da India antiga.
 
 
 
 
 
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